Título: Desejo Secreto
Disclaimer: Esta é uma fic sem fins lucrativos, adaptada do livro "Desejo Secreto" da autora Anna Charlton e da editora Harlequin Books. Todos os direitos pertencem a autora e a editora, respectivamente.
Os personagens de Harry Potter e cia pertencem a J.K Rowling, Warner e Editora Rocco.
Esta fic, como as outras que adaptei se passa num universo alternativo...
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CAP ÍTULO VIII
Graham tinha um jeito todo especial para descrever coisas agradáveis de maneira técnica e fria, a ponto de torná-las sem graça. Certa vez, durante um passeio na praia, quando Hermione elogiou a beleza do reflexo do sol na água, ele disse:
- É que a luz, Hermione, refletida na água, entra em sua pupila a uma velocidade de dez trilhões de partículas por segundo, desencadeando uma reação bioquímica que...
Durante os dois dias que se seguiram ao reencontro de Brenna com os pais, Hermione desenvolveu uma nova sensibilidade ao toque do telefone. Cada vez que ele tocava, a garganta secava, as mãos ficavam trêmulas e o pulso disparava. Graham creditaria aqueles sintomas a uma descarga extra de adrenalina na circulação sangüínea ou coisa semelhante.
Mas o que ninguém poderia explicar, nem mesmo Graham, era por que Harry Potter, um homem que ela conhecera havia apenas alguns dias, estava afetando daquela maneira seus hormônios. Por que era a voz dele que Hermione esperava ouvir a cada vez que atendia o telefone?
Tinha, claro, treinado o que iria responder: "Harry, não acho que seja uma boa idéia continuarmos a nos ver". Ou: "Harry, vamos levar em conta a possibilidade de não ser você a pessoa citada no bilhete, o que significa que nosso encontro foi um equívoco".
Sim, tinha tudo sob controle. Sabia que queria um homem que a valorizasse por todas suas qualidades e não apenas pela atração física. E filhos. Queria ter filhos. Claro que era tentador considerar a possibilidade de um caso com Harry, mas sabia que isso só poderia resultarem três coisas. Um: aproveitar todos os prazeres de ter Harry como amante, dar-lhe um beijinho de adeus e sentir-se satisfeita com isso. Dois: Harry aproveitaria todos os prazeres de ter a ela como amante, e a deixaria de lado assim que se cansasse. Três: Harry não se cansaria dela e então teria de reconsiderar a idéia de ter uma família para pensar apenas em ter um companheiro.
A alternativa número um estava fora de cogitação. A três era uma possibilidade, mas não valia o risco. A dois era a mais provável. Isso, se Harry desse sinal de vida, o que não aconteceu nos dias seguintes. Clientes ligaram. Sua mãe ligou. O mecânico ligou, avisando que a van não ficaria pronta. Pam também ligou para agradecer-lhe, contar que a mãe de Jeff aceitara conversar com uma psicóloga e para dizer que Savannah estava se dando muito bem com o leite de cabra.
- Hermione, será que se importaria se lhe pedisse mais um favor? - perguntou Pam, receosa da resposta da outra.
- Bem, você na verdade, também não o fez na primeira vez... - comentou Hermione, tendo que agüentar de novo uma enxurrada de desculpas.
- É que vamos batizar Savannah e gostaríamos de convidá-la para madrinha. Por favor, aceite... Jeff ligou hoje de manhã para o Dr. Potter para convidá-lo também.
O coração de Hermione disparou à simples menção do nome dele. Deveria haver alguma explicação biológica para isso!
- ...mas ele recusou - prosseguiu Pamela, a voz em tom de mágoa. - Queríamos tanto que fossem vocês dois os padrinhos, mas eu acho que ele não vai mudar de idéia. A menos que você fale com ele.
- E porque eu faria isso? - perguntou Hermione surpresa e, ao mesmo tempo, aliviada por saber que não perderia contato com Brenna. - Fico muito honrada em ser a madrinha de Bre... quer dizer, de Savannah, mas não tenho nada a ver com Harry. Por falar nisso, diga-me uma coisa: quem era afinal o Harry a quem você se referiu no bilhete?
- Harry?! - respondeu Pam, confusa. - Ah, você quer dizer Kelly, Sean Kelly. É o encarregado da limpeza do clube de jazz. Trabalhei um tempo com ele antes de Savannah nascer, e ele sempre foi muito bom comigo. Citei seu nome no bilhete para o caso de você não poder tomar conta de Savannah. Achei que assim você não iria entregá-la de imediato às autoridades.
- Kelly?! - Hermione respirou fundo. - Nossa, não era possível ler esse nome, não. Os dois "eles" eram de tamanhos diferentes, e o "k" parecia um "erre". Fui para o clube procurando um tal de Harry.
- Nunca tive uma letra boa, desde os tempos de escola e além do mais eu estava transtornada quando escrevi o bilhete. Desculpe-me. - Depois de uma pausa, Pam continuou: - Oh, quer dizer que foi desse jeito que você conheceu o sr. Potter? - Outra pausa. - Uaaau!
- Não há nenhum "Uaaau" nisso! - protestou Hermione.
- Achei que vocês se conheciam havia séculos, e não há apenas quatro dias. Quer dizer, pelo modo como discutiam e como se olhavam...
- E como é que a gente olhava um para o outro? - quis saber Hermione, mas logo se arrependeu: - Deixa para lá, isso não importa. Para quando vocês marcaram o batizado?
Foi preciso mais dois dias para que Hermione finalmente chegasse à conclusão de que suas especulações não tinham fundamento. Harry Potter nem ao menos tentara a alternativa número dois. Cansou-se do caso antes mesmo de ele começar. E pensar que ele lhe dissera para dispensar Graham... Era muita audácia mesmo!
Quando o telefone tocou no final da tarde, ela atendeu-o automaticamente.
- Hermione...
Era Harry.
A surpresa foi grande, um súbito calor subiu-lhe ao rosto. Hermione agarrou o primeiro livro que viu pela frente e se abanou.
- Oh... é você, Harry? - Como se outro alguém pudesse ter aquela voz!
- Sua mãe... - prosseguiu ele está aqui em meu escritório, com minha mãe.
- O quê? Minha mãe está aí? - Hermione jogou o livro longe quando se deu conta que era um exemplar do Kama Sutra.
- Ela foi acusada de um delito e acha que, por estar pintando meu retrato, devo ser seu representante legal. Disse aos jornalistas que sou o advogado dela, sem meu consentimento, e com isso ligou meu nome àquele episódio adolescente de... - Respirou fundo. - Venha já aqui, por favor, e leve-a para casa, sim?
Hermione bocejou.
- Ela me ligou hoje cedo e não me contou que estava pintando seu retrato.
- Talvez tenha achado irrelevante - devolveu ele. - Acho que estava fora de mim quando concordei com essa bobagem. Deveria saber que resultaria em confusão, já que tinha relação com você.
- Não seja injusto, Harry. Não tenho nada a ver com isso! - protestou ela, enquanto fazia mentalmente alguns cálculos. Rhona costumava marcar de três a quatro sessões com os modelos, apenas para os rascunhos. Depois, demorava quase seis semanas para finalizar o quadro. Como ela, Hermione, iria apagar Harry de sua vida se sua própria mãe resolvera retratá-lo? Como evitar o rosto dele, se teria uma infinidade de esboços de seu retrato pendurados pela casa dela, no mínimo pelos próximos dois meses? E depois que o retrato estivesse terminado, ele seria uma lembrança permanente da passagem de Harry pela sua vida.
Foi então que uma palavra que ele havia dito chamou-lhe a atenção:
- Acusada? Entendi bem? Você disse que minha mãe foi acusada? De quê?
- De agora em diante, quando alguém de sua família for acusada de danificar propriedade pública com grafitagem, por favor, ligue para outra pessoa qualquer, sim?
- Grafitagem! - exclamou Hermione, atônita, voltando-se para a porta quando os sininhos tocaram. Era Graham que entrava, com roupa de ciclista e capacete.
- Você ouviu muito bem! - continuou Harry, com voz gélida. - Agora tem quinze minutos para chegar até aqui - avisou, batendo o telefone.
Assim que colocou o fone no gancho, Hermione começou a explicar para Graham que tinha de fechar imediatamente a loja porque precisava ir até o fórum. Graham tomou o pulso enquanto falava:
- Sempre quis conhecer sua mãe. Por que não nos encontramos lá? Você leva minha toalha? Eu vou pedalando.
- Está bem - concordou Hermione, sem tempo de argumentar. Agarrou a toalha das mãos dele, jogou-a dentro da bolsa e saiu, apressada.
Encontrou Rhona conversando tranqüilamente com a mãe de Harry. As feições da sra. Potter estavam menos contraídas, o que poderia ser entendido, talvez, como respeito. Sentimento que não seria extensivo a ela, claro. Talvez porque, na função de Cupido do próprio filho, considerasse qualquer mulher que não Davina, como uma distração desnecessária para Harry.
A porta que dava para a sala dele estava entreaberta e era possível ouvir alguém mexendo com papéis. Arrepiou-se com as lembranças daquele lugar.
- Oh, alô, Hermsi! - saudou a mãe, olhando para ela e para Graham, que havia deixado sua bicicleta no pátio. - Harry já me dispensou - disse, parecendo muito à vontade, certa de que seria perdoada. - Pode me dar uma carona até em casa?
- Não posso, mamãe. Estou sem a van. - Hermione lutava para desviar o olhar da sala de Harry. Mais barulho de papéis. Parece que ele não tinha a intenção de sair de lá. - Ainda não entendi muito bem o que houve. Harry me falou qualquer coisa sobre grafitagem...
- Oh, eu não consideraria exatamente uma grafitagem - respondeu Rhona com um aceno de mão. - É mais um retoque.
- Retoque no quê?
- Em um cartaz. Não vai me apresentar a seu amigo? - perguntou ela, mudando de assunto.
Hermione havia esquecido das apresentações.
- Sou um grande admirador de seu trabalho – disse Graham, sorrindo. - Hermione afirma que não herdou o talento da senhora e nem do pai, mas eu tenho certeza de que ele está registrado nos genes dela. Os filhos dela certamente herdarão o talento criativo da família.
Rhona piscou, orgulhosa, enquanto Hermione suspirou aliviada por Graham ter dito "filhos" e não "cria".
Assim que a voz de Graham ecoou na sala, Harry apareceu na porta, uma das mãos na cintura, a outra apoiada no batente. Estava em mangas de camisa, sem gravata, os cabelos desalinhados.
Em qualquer situação o homem era mesmo maravilhoso!
Estava ali simplesmente para avaliar Graham. Hermione sabia que aquele era o real motivo de sua presença e o confirmou pelo jeito como ele estreitava os olhos fitando Graham e toda sua musculatura. Talvez esperasse encontrar um homem franzino, não um jovem atlético, mais parecido com um deus grego. Depois de analisar rapidamente os atributos físicos de Graham, olhou para Hermione com ar de surpresa, como a perguntar por que ela ainda não tinha se livrado dele, conforme lhe pedira para fazer.
Maravilhoso e arrogante. Hermione não suportava gente assim, convencida de sua superioridade. Sorriu para Harry e fez as devidas apresentações. Os dois homens apertaram as mãos, daquela maneira como os homens fazem, como se estivessem medindo forças. Harry surpreendeu Hermione ao perguntar a Graham sobre ciclismo.
- Estou treinando para o triatlo - Graham informou.
Enquanto eles conversavam, Hermione se dirigiu a Rhona.
- Cartaz? - perguntou, com um olho fixo em Harry e outro em Graham. - Que cartaz? - E antes mesmo de obter a resposta, intuiu qual poderia ser. - Não aquele outdoor imenso de Gina Esposito na Milton Road, não é mamãe? Você não escreveu bobagens nele, escreveu? - suplicou, esperançosa de que a resposta fosse negativa. Sabia do que a mãe era capaz. - Como você subiu lá, mamãe? - perguntou em seguida, lembrando-se do tamanho e da altura do outdoor.
Rhona fez uma vaga referência ao amigo de um amigo que tinha um guindaste e um caminhão.
- Usei um macacão de trabalhador. Ninguém tentou me impedir. Acho que pensaram que eu era da empresa de manutenção. Infelizmente, passou um carro da polícia e... - continuou ela, para concluir minutos depois: - Claro que logo a emissora de televisão foi avisada, e eles mandaram uma equipe de reportagem. Mas acho que não darão muito destaque à notícia, já que o assunto envolve uma estrela da casa. E as outras emissoras, por sua vez, não quererão dar notícias sobre alguém da concorrência, não é verdade?
Graham interrompeu-as para pedir a toalha. Hermione tirou-a da bolsa e a entregou a ele. Harry acompanhou o movimento com um sorriso irônico. Logo as senhoras se levantaram, despediram-se e foram caminhando até o elevador, seguidas de Graham. Harry deu um jeito de chegar perto dela e perguntou, baixinho, em tom de deboche:
- Ele foi deixado em sua porta, também?
- Não. Na verdade, foi entregue na livraria, pelo correio - devolveu ela. - Acostumou-se tanto, que deixa por lá um estoque de toalhas...
- E dá uma paradinha de vez em quando só para enxugar o rosto - disse Harry, malicioso. - Ainda não deu o fora nele... Coração mole... E o atleta, tão preocupado com suas marcas olímpicas, nem deu chance de você abrir a boca para dizer...
- Dizer o quê? - perguntou Hermione, os olhos arregalados.
- Não se faça de tola, Hermione. Não é seu estilo.
Ela sorriu.
- Está bem, então. Não disse nada a ele, e é muita presunção de sua parte achar que eu o faria, até porque, pensaria duas vezes antes de dispensá-lo.
Harry olhou de novo para Graham, que media a pulsação.
- Entendo... - Depois virou-se e caminhou de volta a seu escritório, dizendo, por cima do ombro: - Eu levarei você e Rhona para casa.
- Não é preciso. Nós pegaremos o ônibus.
Mas Rhona já fazia sinal de que aceitava o oferecimento, e Hermione não teve outra alternativa senão calar-se.
Sentiu-se tensa durante todo o trajeto até a Milton Road. Temia confrontar-se com o estrago causado pela mãe, movida pela fúria. Esperava que Rhona não tivesse pintado de preto os dentes da figura, ou colocado sardas nas bochechas. Fosse o que fosse, a vingança da velha senhora contra a jovem rival, seria um bom assunto para a imprensa!
Mas o que Rhona fizera tirou-lhe a respiração. Nada de sardas ou de dentes pretos. A figura de Gina Esposito ainda estava lá, linda, sorridente. Mas não mais a Gina jovem. Agora, era uma velha que sorria.
- Esposito - disse Rhona, quase que para si mesma. - Você sabia que nos tempos antigos, na Itália, as pessoas costumavam deixar as crianças indesejadas nas colinas? Outras pessoas as pegavam e as levavam para casa. Davam-lhe um teto, um nome ou as chamavam de "Esposito": crianças colocadas à mostra. Abandonadas.
- Rhona... - interrompeu Hermione, a voz embargada.
- Eu a envelheci um pouquinho - explicou a senhora, desnecessariamente. - Deixei-a com a expressão que terá aos quarenta e cinco. A idade que eu tinha quando ela me deixou na colina.
O coração de Hermione doía de tristeza. O semáforo fechou, o carro parou, e ela pôde olhar melhor: as olheiras haviam tirado o brilho dos olhos de Gina, e as pequenas linhas, colocadas com muita sutileza, quase imperceptíveis, haviam transformado completamente a figura.
- É engraçado como nós, mulheres, acabamos sempre por odiar outra mulher quando um homem nos abandona - suspirou Rhona. - Ela provavelmente acha que nunca viverá essa situação, que será sempre jovem e linda para ele. Como eu fui, um dia. - Rhona olhou para seu trabalho. - Estou fazendo à Gina um favor, alertando-a.
Será que agora, tendo transformado a figura do outdoor em um ser real, Rhona deixaria de odiá-la? Hermione ainda o olhou uma última vez pelo espelho retrovisor quando o carro começou a andar de novo.
- Deve ter sido difícil ficar pendurada no andaime - comentou.
- Até que não - respondeu Rhona, com um sorriso. - Foi um prazer!
Um grupo de alunos esperava por Rhona na varanda. Ela deu um abraço em Hermione, marcou com Harry um outro encontro para continuar o retrato e saiu saltitante, como alguém que acabou de escapar da prisão.
Hermione ficou olhando-a longamente. Havia pouco tempo, sua adorável, talentosa e apaixonada mãe agira por impulso e se envolvera com um homem que não estava à altura dela. Agora, estava novamente só. Se Hermione precisava de modelos para suas idéias a respeito de um relacionamento amoroso, sua mãe era o melhor exemplo do que nunca deveria fazer. E era bom que não se esquecesse daquilo, principalmente quando Harry estivesse tão por perto.
Aquele homem parecia emitir misteriosos sinais que a afastavam de seu padrão normal de comportamento. Mesmo naquele momento, o que mais desejava era passar os dedos por entre os cabelos dele, cobrir de beijos seu queixo, desabotoar sua camisa, deixar suas mãos correrem livremente por seu dorso nu.
Harry olhou-a, como que alertado por seus pensamentos. Hermione corou.
- Pode me deixar na Elizabeth Street - pediu. - De lá, eu pego o ônibus para casa.
Harry ignorou o pedido e seguiu o caminho que levava à casa dela. No toca-fitas do carro, o som de um piano inibia qualquer conversa. Hermione pensou em perguntar qual era o nome da música que ele tocava quando o viu no clube, mas continuou calada.
No caminho, passaram pela ciclovia. Pedalando furiosamente à frente deles, competindo com os carros, estava um ciclista com uma roupa fosforescente, cada músculo definido pelo esforço.
- E não é que encontramos o Grove? - comentou Harry.
- Graham... - corrigiu-o Hermione, olhando para o relógio. - Trinta e cinco minutos! - comentou. - Graham conseguiu um bom tempo.
- A união de vocês será muito interessante. Ele corre, e você o segue com a toalha. Ele mede o batimento cardíaco quando vocês transam?
- Isso não é de sua conta, Harry - rebateu ela.
O tráfego parou.
- Então ele acha que os genes artísticos de sua família passarão para seus filhos?
Ele não havia perdido nem uma palavra sequer da conversa, Hermione notou, enquanto o observava.
- E com o que ele vai contribuir, além da musculatura?
- Firmeza e determinação - respondeu ela. Graham podia ser meio aborrecido às vezes, mas era decente, dedicado, e esforçava-se para atingir seus objetivos, o que, por si só, já era uma qualidade rara. - Ele vem de uma família de intelectuais. Graham acha que eu e ele, juntos, poderemos produzir um outro Einstein ou um outro Picasso.
Harry sorriu.
- Não que eu me importe com gênios - prosseguiu Hermione, perguntando-se se Harry estaria com ciúme. - Sempre quis ter apenas um bando de crianças sadias e normais.
Harry ficou olhando fixo para o ciclista.
- Talvez você devesse pensar duas vezes - disse.
O coração dela deu um salto.
- Por que diz isso?
Ele buzinou quando passaram por Graham, que acenou para o carro esporte.
- Meus genes são tão bons quanto os dele - observou.
O comentário fez Hermione perceber que estivera equivocada. Não era ciúme que Harry tinha de Graham, mas despeito. Sentiu-se mal com sua falta de sensibilidade. Quando estava com Harry, sentia sua presença masculina de forma tão poderosa que simplesmente esquecia que ele era estéril.
O que poderia dizer para consertar a situação? Harry deveria estar achando que usara deliberadamente o assunto crianças para magoá-lo. Não conseguiu pensar em nada. Apenas o olhou, com simpatia.
Imaginou, então, o tipo de crianças que ele teria, se isso fosse possível. Versões miniaturizadas de Harry. Crianças com dificuldade para vestir roupas, filhos que seguiriam os mesmos passos do pai e do avô. Imaginou uma menininha de olhos verdes claros, cabelos negros encaracolados, sentada no joelho dele enquanto ele lia uma história. Mordeu o lábio, lembrando que em seus devaneios havia combinado seus genes com os de Harry. E era uma combinação muito boa! Em silêncio, sentada ao lado dele no carro, pensou em como seria sua vida sem filhos. Acabaria como Anna Brown, sempre atrás de uma criança para cuidar?
O carro estacionou na frente da casa de Hermione. Harry puxou o breque de mão e voltou-se para ela. Estava sério. Como para se desculpar por sua falta de tato, ele foi deliberadamente amigável ao desejar-lhe boa noite. Nunca mais, pensou, falaria sobre filhos com ele. Curvou-se e deu-lhe um beijo no rosto.
- Obrigado por ter ajudado Rhona, Harry. - E por nos levar em casa. - Roçou novamente os lábios no rosto dele, mais perto da boca, dessa vez. Depois afastou-se um pouco e sorriu: - Você é um homem adorável.
Harry respirou fundo, pegou-a pelos ombros e lhe deu um longo beijo na boca. Ela retribuiu, acariciando-o, descendo os dedos pelo seu peito, brincando com os botões da camisa fina que impedia um contato mais íntimo. Desajeitadamente desabotoou a camisa e sentiu os pêlos macios em suas mãos. Já estava procurando a fivela do cinto quando, de repente, Harry endireitou-se, segurou firme nos pulsos dela e a colocou de novo-, com firmeza, de volta a seu lugar.
- Boa noite, Hermione -disse, com um tom de satisfação na voz, ao notar-lhe o tremor nas mãos enquanto ela ajeitava os óculos no rosto.
Depois que ela saiu, Harry ligou o carro, fez a curva e pegou a estrada de volta. Hermione ficou parada na calçada, sem ação.
- Não posso me apaixonar por ele - murmurou, enquanto se encaminhava para a porta. Deu uma olhada embaixo da escada, no lugar onde encontrara Brenna antes. Nada. Uma das cabras de Sam baliu. - Não posso me apaixonar por Harry - repetiu.
Tentou tirar da cabeça as lembranças associadas a ele, mas não conseguiu deixar de pensar na música que Harry tocava no clube, quando o vira pela primeira vez. Tinha de esquecer isso também.
Harry mantinha o olhar fixo no caminhão a sua frente. Estava carregado de melancias. Felizmente para as melancias e infelizmente para ele, o motorista guiava lentamente.
- Um homem adorável - disse ele, por entre os dentes. - Um homem adorável - repetiu.
Hermione tentara lhe dar um prêmio de consolação. O que significava que ela percebera os sentimentos dele! O estômago de Harry se contraiu. Como isso fora acontecer? Era maduro e experiente o suficiente para não se deixar humilhar de novo. Fora péssimo quando Davina o fez, havia tantos anos. Mas tinha, pelo menos, a desculpa da juventude e da inexperiência dele. Desta vez ele sabia, desde o começo que não devia se envolver. Hermione comentara, na verdade, dissera claramente a ele que não o queria, exceto para encontrar a mãe da criança.
Este havia sido seu erro. Ego exacerbado. Ela não se deixara impressionar pela sua atuação ao piano. Tinha inventado aquela história ridícula sobre Bernadete St. John para dar um fim ao relacionamento dos dois. E ele achando que Hermione estava fazendo charme apenas para desafiá-lo. Que idiota era!
- Pelo menos você podia sair para a direita e me deixar passar! - reclamou Harry, enfiando a mão na buzina. Mas o caminhão continuou em sua marcha lenta.
Hermione e sua compaixão! Sentiu raiva só de pensar na possibilidade de Hermione ter pena dele. Mas era isso mesmo. Ela sabia que ele estava envolvido e, sendo o tipo de mulher que era, não queria ferir seus sentimentos.
Buzinou de novo, duas vezes.
- Saia da frente!
Isso tudo parecia predestinação. Haviam se conhecido há menos de uma semana. Ele não era mais um garoto, para se deixar envolver assim, tão depressa, e ainda mais por uma garota de óculos e roupas desleixadas. Já quase não se lembrava mais de seu orgulho ferido quando Davina avisou que ia deixá-lo. Teve de se esforçar muito para readquirir a auto-estima, mas nem mesmo naquela ocasião sentira-se assim, como se a vida houvesse mudado permanentemente para pior.
- Vai ou não sair da frente? - gritou para as melancias.
Hermione podia facilmente ignorar à química que se instalara entre os dois, em favor daquele monte de músculos. Mas aí se lembrou da sensação de ter Hermione em seus braços. Talvez estivesse sendo derrotista demais. Devia haver mais do que química, para uma mulher como Hermione aceitar fazer amor em uma mesa de escritório.
Quanto mais se recordava da cena, mais ganhava confiança. Sim, senhor! Ela poderia racionalmente banalizar a atração sexual, até mesmo tentar resistir, mas quando colocada em confronto com ela, capitulava. Tinha aprendido a respeitar a tenacidade e a firmeza de propósitos de Hermione no curto espaço de tempo em que se relacionaram. Mas havia algumas brechas...
Aquela noite era um bom exemplo. Tratando-o como um irmão, com beijinhos no rosto... Mas, no instante em que a tocara, ela pegou fogo. Se não houvesse impedido, Hermione teria arrancado seu cinto e aberto seu zíper.
- É isso aí, Potter. Você está no caminho certo - disse para si mesmo e sorriu.
Continuou a olhar para o caminhão a sua frente, enquanto pensava. Calculou suas chances e decidiu que estava na hora de arriscar. Tamborilou com os dedos no painel, acompanhando o som da fita. Se pretendia conquistá-la, precisava dançar outra música. Talvez até descobrisse, no final, que o fascínio que sentia por Hermione era apenas um entusiasmo passageiro, e sentiu-se mais aliviado com aquela possibilidade.
O caminhão finalmente encostou para a direita, e Harry o ultrapassou. Mas se fosse só isso, porque impedira Hermione de continuar?
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N/A – Oie meus amores...falei que não ia demorar muitooo...
Espero realmente que tenham gostado do capítulo. O que acharam de conhecer Graham mais a fundo? E do ciúmes de Harry? E da confusão da Mione? Ahajaiaa...vamos lá..quero saber a opinião de vocês...
Quero agradecer a todos que comentaram, a aqueles que leram e por algum motivo não comentaram, a aqueles que favoritaram a fic. A todos meu muitoo obrigada.
2Dobbys – Eu também amei essa cena adoro cenas calientes, principalmente quando são sutis e românticas. E vamos dar um desconto a mãe do Harry...a mulher ficou meio desolada depois da perda do marido.
Eu pensei bem e acho que vou adaptar a próxima fic pra Harry e Hermione, embora a protagonista seja ruiva no livro...ou talvez eu faça pros dois shippers mesmo..hauahuaha... é eu sou meio estranha..beijinhos
Trisk-chan - Todo mundo adora esses momentos calientes. Eu não imagino como deva ser criar uma filha e todos acharem que você não serve para isso...eu acho, só acho que entendo..hjauuahaua... é como eu digo...toda mãe é meia "estranha", mas a do Harry é muitoo mais...mas vamos combinar que perder um marido não deve ser fácil. Que bom que ainda acompanha a fic. Beijinhos
