O Nono Mês:
Enrolado sobre o lado do corpo, com um braço dobrado sob o travesseiro na cabeceira da cama, David tentou não se mexer muito, dominado por um desconforto severo. Seus ouvidos se mantiveram atentos aos bips invariáveis a apenas alguns passos da cama, que lhe diziam que tudo estava bem, e ele tentou ficar satisfeito com isso sendo o bastante no momento. Ele tinha desistido de implorar por algo que acabasse com a dor uma semana atrás. Além do mais, ele tinha apenas mais um pouco de tempo, ele tinha certeza de que podia fazer isso.
"Hey." Pierre chamou suavemente, abrindo a porta do quarto de hospital. "Como você está?" ele alcançou a cama e passou seus dedos por entre o cabelo úmido de David. "Você está suando novamente. Muito calor?"
"Eu estou na mesma de quando você saiu, quinze minutos atrás." O baixista disse rispidamente. Ele puxou o ar com força. "Desculpe. Tudo apenas… Dói."
Pierre assentiu sombriamente. "Eu sei."
"Você não sabe." David murmurou.
"Certo, eu não sei, mas você não está fazendo isso sozinho, okay? Eu estou aqui. Estou ficando. Nós vamos fazer isso."
David respirou fundo, se acalmando. "Okay. Você ligou para a minha mãe, certo?"
"Sim." Pierre disse. "Liguei para seus pais e eles estão vindo, mas a maioria dos aeroportos estão trabalhando com meia capacidade, ou menos, por causa da neve. Eles provavelmente não vão chegar à tempo. Desculpe."
"Talvez seja melhor." David disse, deixando que seu dedo mínimo se enganchasse no de Pierre. "Eu não... Eu não quero um milhão de pessoas aqui. Eu estou nervoso o bastante com isso."
Pierre esticou sua mão livre para acariciar a barriga de David. "Não fique nervoso. Você vai se sair bem. Apenas mais um pouco e, então, nós teremos o bebê para segurar. Você está animado com isso, certo?"
"Assustado."
Pierre deixou escapar uma risada e se sentou na cadeira próxima a cama. "Você parece o Chuck."
David abriu um sorriso também. "Ele ainda está surtando? Você pensaria que o bebê é dele, não seu."
"Ele está na loja de presentes agora, tentando encontrar o presente perfeito para o bebê. A última vez que eu chequei, Seb e Jeff estavam dando o seu melhor para impedi-lo de comprar o lugar todo. Ele está realmente... Realmente nervoso. Eu acho que nós nunca deveríamos ter concordado em deixá-lo ser um tio."
Dor passou pela coluna de David e ele fez uma careta, agradecido quando Pierre se ergueu e começou a esfregar a base de suas costas.
"Não é muito tarde para descobrir o sexo." Pierre disse, os dedos se esfregando suavemente contra a pele de David. "Nós vamos ter outro ultra-som antes da operação, certo? Isso faria a escolha de um nome bem mais fácil."
David franziu o cenho. "Nós já decidimos, lembra?"
"Decidir que vamos decidir quando vermos o bebê não é exatamente um plano." Pierre falou.
"Eu não vou saber antes, Pierre. Eu quero que seja surpresa. O que tem de errado em ter o nome para uma menina e um para um menino prontos?"
Pierre irritou-se. "Por que, a menos que você esteja tendo gêmeos, o que você não está, certo? Sim, a menos que você esteja tendo gêmeos, eu vou ficar atraído pelo gênero por causa do nome, e eu não quero ficar desapontado, nem um pouco."
David encolheu os ombros. "Okay, então nós chamamos o bebê de Cameron."
"Cameron?" Pierre perguntou, rolando o nome para fora de sua língua. "Cameron?"
"Sim, Cameron. Funciona para garotas e garotos."
"Cameron Bouvier ou Cameron Desrosiers?"
David arqueou suas costas sob o auxilio de Pierre. "Cameron Desrosiers-Bouvier?"
Ele tinham, realmente, falado sobre se casarem, principalmente pelo bem do bebê, mas tinham decidido contra isso. O relacionamento deles estava... Melhor do que nunca, mas casamento era um grande passo. Eles precisavam estar prontos para isso em seus próprios termos. David secretamente esperava que eles dessem o próximo passo em alguns poucos anos, mas se eles nunca o fizessem, ele sabia que estaria okay com isso também. Afinal, eles não precisavam de um pedaço de papel e um par de alianças para representar o seu amor.
"Meio que longo." Pierre caçoou. "A criança pode ser atormentada na escola."
"Veja quem são os pais da criança. Ela vai ser atormentada não importa o nome que nós dermos."
"Hey." Pierre disse indignado. "Nós somos estrelas do rock, isso faz das nossas crianças, crianças super legais."
David franziu o cenho. "Crianças?"
Breve pânico passou pelo rosto de Pierre, antes dele admitir. "Bem, eu estava meio que esperando que, talvez, isso não fosse uma coisa de uma única vez. Eu sempre quis uma família grande."
"Eu não tenho certeza se quero fazer isso novamente, Pierre. E, francamente, eu estou surpreso que você queira. Esse bebê não foi exatamente... Planejado. Quero dizer, isso é muito estranho. Nós sempre usamos proteção."
"O que eu posso dizer, meus pequenos nadadores são muito poderosos."
"Cabeção."
Pierre riu. "Um pouco, mas, David, planejado ou não, esse bebê não é um acidente. É uma coisa maravilhosa. Eu demorei um pouco para entender o porquê você escondeu isso por tanto tempo, e eu ainda não concordo, mas eu entendo. Apenas... Prometa que você nunca mais vai fazer esse auto-sacrifício na sua vida, não em assuntos como esse. E, você sabe, talvez considerar dar à Cameron um irmãozinho ou uma irmãzinha?"
Pierre depositou um beijo nos seus lábios e David assentiu. "Então, vai ser Cameron?"
"Apenas se você me prometer que não tirou isso da sua bunda." Pierre disse, erguendo um dedo para pontuar sua seriedade.
"Não." David prometeu. "Estive pensando sobre isso há um tempo."
"Desde quando?" Pierre perguntou, os olhos correndo até o monitor fetal, que continuava marcando os batimentos cardíacos da criança deles. Parecia bom e forte para os seus olhos não treinados, e os médicos estavam confiantes que a internação de David para as semanas finais, era apenas uma precaução, devido ao susto do aborto, mais cedo na sua gravidez.
Havia um sorriso nos olhos de David e Pierre conhecia bem o significado travesso dele. "O quê?" perguntou. "O quê?"
"Desde…" David disse tranquilamente. "Desde que eu, acidentalmente, descobri o sexo, há um mês."
Pierre deixou escapar um alto grito de terror, assim que Chuck estava passando pela porta, os braços cheios dos presentes comprados. O baterista escorregou no degrau e deixou cair metade de seus itens no chão, onde eles quebraram com o impacto. Então, Chuck deixou sair sua própria lamúria.
