NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! NOVE

Sob a sombra da pérgula coberta por videiras, Hinata observava os gêmeos chapinharem na piscina sob o olhar atento de Gaara. Já haviam se passado mais de seis semanas desde que haviam chegado à ilha e os garotos estavam adorando a nova vida. E eram loucos por Gaara. Hinata era forçada a admitir que ele era um bom pai, dava tempo e atenção aos meninos e, mais importante do que tudo, os amava. Ela relanceou os olhos para a casa. Anna logo traria o almoço deles. Hinata sentiu um arrepio de desespero correr por sua espinha.

Naquela manhã ela finalmente tivera de admitir para si mesma que talvez estivesse grávida! O café da manhã que nunca conseguia comer, o cansaço que a dominava às tardes, o leve inchaço nos seios... tudo poderia ter outras explicações, mas a menstruação dela não viera aquele mês...

Poderia mesmo estar grávida? Seu coração saltou no peito. Não deve haver mais filhos, dissera Gaara. Ela deveria tomar a pílula anticoncepcional. E fizera isso, tomara direitinho, sem esquecer nem um dia. Mas os sintomas eram os mesmos que sentira quando estava grávida dos gêmeos. Gaara ficaria zangado, furioso mesmo, mas o que ele poderia fazer? Ela era esposa dele, estavam casados e ela estava esperando o filho dele. Um filho que já sabia que ele não iria querer.

Gaara estava saindo da piscina com os meninos. Anna chegara com o almoço. Determinada, Hinata colocou a ansiedade de lado.

Antes, Gaara costumava trabalhar em casa apenas quando precisava, mas desde que trouxera Hinata e os meninos para a ilha descobrira que realmente preferia trabalhar ali. Para estar com os filhos ou para estar com Hinata? Aquilo era uma tolice. Uma pergunta estúpida que ele nem deveria se fazer.

Irritado, Gaara tentou se concentrar na tela diante dele. Naquele dia estava com dificuldades para se concentrar nos e-mails que precisava responder. Por que estava pensando em Hinata? Provavelmente por causa da conversa que tivera com Anna mais cedo, quando a governanta comentara o quanto Hinata era uma boa mãe.

Uma boa mãe e uma boa esposa, foram as palavras exatas dela.

— Você é um homem de sorte.

Anna era uma boa juíza de caráter. Ela nunca apreciara a mãe dele e sempre que pôde protegera a ele e aos irmãos do temperamento difícil do avô deles. Fora Anna quem lhe dera o único amor feminino que já havia conhecido.

E Anna aprovava Hinata e gostava dela.

Gaara franziu o cenho. Apesar de tudo, precisava admitir que Hinata era, sim, uma mãe amorosa e protetora, que se doava de boa vontade e generosamente aos filhos... assim como se entregava de boa vontade e generosamente a ele...

Mas o que estava pensando?! Seria um tolo se começasse a se permitir pensar assim. Porque só um fraco ou um tolo se permitia pensar daquele jeito, e ele não era nenhuma das duas coisas. Mas o fato de não conseguir deixar de desejá-la não revelava o pior tipo de fraqueza masculina?

Não era verdade, por mais que tentasse negar, que não conseguira esquecê-la desde aquele primeiro encontro? Assim como não conseguira esquecer as outras circunstâncias que envolveram aquele dia. E então, o passado estava novamente ali, com ele...

Gaara se viu novamente no quarto do hotel em Manchester, observando Hinata dormir aconchegada a ele. O celular dele tocara na luz cinzenta do amanhecer. Hinata protestara no sono quando ele se afastou dela, mas não acordara.

A ligação era de Anna, e ele pôde sentir o choque e a ansiedade que a dominavam mesmo a quilômetros de distância. Ela lhe disse que encontrara o avô dele caído no chão do escritório e que naquele momento ele estava sendo levado para o hospital.

Gaara agira com a maior rapidez possível. Acordara Hinata e lhe dissera bruscamente que queria que saísse da cama dele, do quarto dele e daquele hotel, usando-a novamente para descontar a mistura de raiva e culpa que o telefonema havia provocado.

Gaara lembrava que ela olhara para ele chocada e sem compreender. Então, as lágrimas começaram a correr dos seus olhos e ela tentara abraçá-lo. Irritado porque a garota não estava jogando de acordo com as regras, ele a empurrara, pegara o paletó e tirara algumas notas da carteira. Sua irritação só aumentou quando ela fez o papel da inocente insultada, recuando e sacudindo a cabeça horrorizada.

Gaara só conseguira o que queria quando dissera "Vista-se, a menos que queira que os funcionários do hotel a coloquem para fora do jeito que está". Mesmo assim, ele descera com ela, colocara dentro de um táxi e a observara partir, para ter certeza de que ela realmente partira. Só então foi cuidar dos arranjos necessários da sua volta para casa.

No fim, o avô acabara morrendo poucos minutos depois de chegar ao hospital, de um segundo ataque cardíaco.

No escritório dele, Gaara encontrara o documento no qual o avô obviamente estivera trabalhando antes do ataque e vira que era o texto para ser enviado aos jornais avisando que Gaara estava prestes a anunciar seu noivado. A culpa que sentia evaporou no mesmo instante. Mas apesar de tudo, Gaara ainda lamentara a morte dele. O que demonstrava a mesma fraqueza que o atormentava agora no que dizia respeito a Hinata.

Gaara se voltou novamente para o computador, mas não adiantou. A porta para as lembranças daquela noite fatídica com Hinata, uma vez aberta, não poderia mais ser fechada...

O quarto do hotel com a mobília escura, as cortinas pesadas e o som da respiração instável de Hinata, os seios pequenos e inchados erguendo-se contra o top curto e apertado. A luz do abajur destacava os mamilos rígidos. Quando ela percebera que ele olhava para seus seios, erguera as mãos como se tentasse protegê-los do olhar dele. Gaara se lembrava perfeitamente de como esse simples gesto aumentara sua raiva, como se Hinata estivesse negando tudo o que era, enfurecendo-o do mesmo modo que seu avô fizera. Isso fez com que desejasse possuí-la com ferocidade e fúria redobradas.

Ele fora até Hinata e abaixara as mãos dela. Seu corpo tremera levemente ao toque dele. Ele hesitara, então, tentando deter a torrente de raiva que o dominava, ou apenas preferia pensar que sim? A imagem que estava criando de si mesmo era de um homem fora de controle, incapaz de deter a força das próprias emoções. Se soubesse que outro homem tivera essa atitude, teria sentido aversão. Mas lembrava-se muito bem de que Hinata havia se aproximado mais dele, e não se afastado, e fora aí que ele despira seu top e seu sutiã, deixando seus seios expostos. Suas ações haviam sido movidas pelo instinto, nascidas mais da raiva do que do desejo, mas de algum modo ao se deparar com a nudez de Hinata, com os seios tão perfeitos, a raiva se transformou em um desejo igualmente intenso de tocá-la, de acariciá-la, possuí-la.

Os dois pareciam respirar no mesmo ritmo acelerado, como se compartilhassem os mesmos pensamentos e o mesmo desejo. Então, a tensão desse desejo esticou o autocontrole dele até o ponto em que o ar ao redor de ambos parecia estalar. Nesse momento, Hinata deixou escapar um gemido baixo e, como se aquilo fosse um sinal para os sentidos de Gaara, seu autocontrole se espatifou. Ele a puxara para junto de seu corpo e não houve necessidade de palavras quando a beijou, sentindo-a tremer em seus braços. Hinata mantivera os lábios fechados de propósito, para atormentá-lo. Mas ele também sabia jogar aquele jogo e, ao invés de forçá-la a abri-los, atormentou-os com beijos delicados até Hinata passar os braços ao redor do seu pescoço, os dedos se enrolando em seus cabelos e choramingando de desejo contra a boca de Gaara.

Gaara fechou os olhos e voltou a abri-los ao recordar a onda de triunfo masculino que o dominara naquele momento e a paixão que veio logo a seguir, um sentimento que nunca experimentara antes de conhecer Hinata, ou depois dela, mas que com certeza era fruto apenas da raiva que sentia contra o avô e nada mais. É claro que não se tratava de nenhum efeito que apenas Hinata tinha sobre seus sentidos.

Gaara se mexeu irritado na cadeira. Nenhuma mulher jamais teria esse tipo de poder sobre ele... Por que ele tinha medo do que poderia acontecer caso desejasse uma mulher com tamanha intensidade?

Era melhor retornar às suas lembranças do que seguir aquela linha de pensamento, decidiu Gaara...

Sob a luz do abajur do quarto do hotel em Manchester, os dois haviam se beijado, os seios nus de Hinata pressionados contra ele. Gaara deslizara as mãos entre os corpos deles, afastando-a levemente para que ele pudesse sentir o peso daqueles seios. A mera lembrança daquele momento foi o bastante para trazer de volta um indesejado eco da sensação do próprio desejo, rugindo através do seu corpo como uma força impossível de ser detida. Não fora o bastante apenas acariciar os mamilos enrijecidos com a ponta da língua até que Hinata estremecesse sob aquele gentil açoite. Aliás, nada fora o bastante até que ele colocasse todo o seio na boca, arranhando-os com os dentes até que ela gemesse ainda mais alto.

Gaara ouvira Hinata gritar e a sentira estremecer. Então se apressou em despir a saia que ela usava e logo sua mão deslizava por dentro da calcinha branca, inesperadamente comportada, para apertar e massagear as nádegas dela. Rígido com a ferocidade da ereção induzida pela raiva, Gaara a carregara até a cama, onde continuou a saquear a maciez da boca de Hinata enquanto despia as próprias roupas. Estava sendo movido pela frustração contra o avô e não se importara nem um pouco com a moça que estava deitada sob ele. A única coisa que sabia era que dentro dela encontraria o alívio de que precisava.

Hinata o envolvera com os braços enquanto ele a beijava e escondera o rosto em seu pescoço quando vira sua nudez, fingindo ser envergonhada demais para olhar para o corpo dele, quanto mais para tocá-lo. Mas Gaara não estava interessado em joguinhos. Para ele aquela garota era apenas um meio para um fim. E quanto a ela tocá-lo... Gaara sentiu os músculos tensos ao lembrar exatamente o que as carícias íntimas de Hinata haviam provocado. O corpo dele não estava disposto a esperar e já não tinha condições de suportar mais estímulos. E aquilo já era uma coisa que ele teria achado impossível antes daquela noite. Em nenhuma outra ocasião atingira com tanta rapidez o auge da excitação.

Em nenhuma outra ocasião, ou com nenhuma outra mulher? Irritado, Gaara tentou não levar em consideração a pergunta indesejada. Não queria mais recordar o passado. Mas mesmo quando puxou o laptop mais para perto e abriu o programa de e-mail, ainda assim não conseguiu se concentrar. Sua mente se recusava a cooperar e voltava às lembranças. Mais uma vez, contra a sua vontade, antigas imagens de Hinata vieram à superfície, recusando-se a serem ignoradas. Gaara fechou os olhos e cedeu às lembranças...

Sob a luz baixa, o corpo de Hinata era pálido como o alabastro, a pele perfeita, as formas delicadamente femininas. A luz discreta do abajur destacava o monte delicado antes coberto pela calcinha que ele rapidamente despira. Gaara lembrava que aquilo fizera com que levantasse os olhos para a massa de cabelos que emoldurava-lhe o rosto e como ficara surpreso ao descobrir que a cor dos cabelos dela era natural. De algum modo o fato de Hinata ser naturalmente loura não combinava com a imagem que Gaara fizera dela, nem com a maquiagem pesada e as roupas justas e curtas.

Hinata o encarara por um momento, mas logo desviara os olhos, o rosto ruborizando ao se ver diante do corpo nu de Gaara.

Se o cabelo naturalmente louro o surpreendera, a voz trêmula e apreensiva com que ela falou a seguir foi o bastante para enchê-lo de contentamento.

— Você parece tão grande... — balbuciara, desviando os olhos da ereção dele.

Será que aquela garota realmente achava que ele era tão tolo e vaidoso a ponto de cair em um truque desses? Pois bem, ele logo se encarregou de mostrar a ela que não permitiria que o provocasse impunemente. Enquanto abria suas pernas com a mão, dissera:

— Mas tenho certeza de que não sou maior do que nenhum dos outros.

Hinata dissera alguma coisa, sussurrara algumas palavras, mas ele já não estava mais ouvindo. Estava ocupado demais explorando seu sexo úmido, acariciando-o com os dedos até encontrar a rigidez pulsante de seu clitóris, e a essa altura ela começou a se movimentar contra a mão dele e a gemer baixinho, cada vez mais excitada.

Gaara dissera a si mesmo que a suposta excitação dela era obviamente falsa, mas mesmo assim seu corpo respondeu como se fosse real. Sua própria urgência aumentou e ele substituiu os dedos pela força do próprio sexo. Hinata ficara tensa então e o encarara com os olhos arregalados, cheios de falsas lágrimas, quando ele arremetera mais fundo. A resistência dela e o modo como seu corpo se enrijeceu ao redor do membro dele só o incitaram a ir ainda mais fundo apenas pelo prazer de sentir aquele abraço aveludado. Gaara chegara rapidamente ao êxtase e se derramara quente dentro dela, sua falta de autocontrole pegando-o de surpresa, enquanto o corpo dela o prendia com mais força.

Gaara se obrigou a voltar ao presente. Era forçado a admitir que o que acontecera com Hinata não refletia um aspecto de si mesmo do qual se orgulhava. Na verdade, uma das razões pelas quais decidira trancar aquelas lembranças bem longe da superfície fora porque lhe traziam aversão por si mesmo. Era como algo podre que não poderia mascarar ou esconder para sempre. Se julgara Hinata tão severamente pelo papel que ela desempenhara naquele encontro, então deveria julgar a si mesmo com severidade ainda maior, principalmente agora que conhecia as consequências daqueles poucos segundos de perda controle de sua sensualidade.

Só estava se sentindo arrependido assim porque os filhos haviam sido concebidos daquele modo, disse Gaara a si mesmo. Devia a eles um início de vida melhor.

O que o estava incomodando tanto agora? Arrependimento porque os filhos haviam sido concebidos de modo tão descuidado, com raiva? Ou havia mais alguma coisa? Arrependimento por não ter levado mais tempo para...? Para o quê? Para conhecer melhor a mãe de seus filhos, ou para pensar sobre as consequências de suas ações? No fundo, sentia-se culpado pelo modo como tratara Hinata? Afinal, ela só tinha 17 anos na época...

Mas não sabia disso naquela noite, Gaara se defendeu. Achara que era muito mais velha. E se soubesse...?

Gaara se levantou e começou a andar de um lado para o outro do escritório, parando abruptamente ao se lembrar de que assim que a soltara, Hinata correra para o banheiro. Ele se virara na cama, ignorando a ausência dela, mas mesmo assim consciente de que não se comportara dentro de seus altos padrões. Quando Hinata finalmente voltara para cama, ele não quisera mais nenhuma intimidade. Ela já servira aos seus propósitos e ele preferia dormir sozinho. Mas ainda assim, por alguma razão, apesar de tudo, Gaara se virara e a tomara nos braços, sentindo o corpo dela enrijecer por um instante, mas logo relaxar em seu abraço.

Hinata dormira com a cabeça sobre o peito dele, murmurando em protesto cada vez que Gaara tentava afastá-la. E, afinal, não era verdade que ela fizera alguma coisa com ele durante aquelas horas? Deixara sua marca no corpo dele e em seus sentidos de tal forma que, ocasionalmente, nos anos que se seguiram, Gaara acordava de um sono profundo esperando encontrá-la em seus braços e sentindo como se uma parte sua estivesse faltando quando descobria que ela não estava...

Durante quanto tempo lutara contra essa realidade, negara isso, assim como negara que desde que retornara à ilha seu sono nunca mais fora perturbado por essa ausência? Gaara caminhou até a janela, impaciente.

O que o levara a pensar sobre tudo aquilo? Com certeza não fora o simples comentário de Anna de que considerava Hinata uma boa mãe. Uma boa mãe e uma boa esposa, lembrou a si mesmo.

Seu telefone celular começou a tocar, Ele o pegou e franziu o cenho quando viu o nome da irmã na tela.

— Gaara, já voltamos da América há quase uma semana! Quando vai trazer Hinata a Atenas para que eu possa conhecê-la?

Temari gostava de conversar e passaram alguns minutos até que Gaara finalmente conseguisse desligar, tendo concordado que estava mesmo devendo uma das suas visitas regulares ao escritório de Atenas. E levaria Hinata com ele para que conhecesse Temari.