Capitulo 9

Albus Dumbledore temera sempre o que ocorrera, os quadros tinham-no informado do teor da discussão, assim sendo não fora surpresa para ele quando, ás 6 horas uma Hermione Snape abatida, de olhar perdido lhe batera à porta do seu escritório.

" O diabo não sabe muito porque é novo mas sim porque é velho! " – pensou Albus ao vê-la.

- Hermione acalme-se. Tenha calma minha filha para ver se a entendo. – Disse em tom doce, paternal, Albus, como se estivesse a falar com uma criança assustada, traumatizada.

Toda a força que sustentara Hermione até aquele dia parecera tê-la abandonado, era como se o seu corpo, a sua mente não mais pudesse aguentar a dor, o sofrimento que lhe fora imposto, perdendo-se dentre de si, desligando-se para não sentir.

Foi com aquele olhar vago, aquele corpo amorfo e frágil, sem saber muito bem como ali chegara que Hermione se atira nos braços frágeis do idoso reitor e chorara com abandono.

- Albus, ele matou-o! Albus, ele tem nojo de mim, do meu sangue! Albus, ele acredita mesmo na superioridade dos puros sangues! Oh Albus, eu queria tanto desaparecer, morrer, ir para o pé dos que gostam de mim. Sinto tantas saudades deles. – O desespero dela era visível, cortante como um bisturi, a voz era de alguém que perdeu tudo e todos, que morreu mas que por alguma razão, desconhecida, ficara cá a sua concha de corpo, com um estilhaço de alma a penar.

O reitor deixara chorar, acalmara-a, fizera-a engolir uma chávena de chá de tília, com uma pequenina dose de poção de sono sem sonhos.

" Ela precisa descansar" – pensou Dumbledore " Talvez… sim é o local certo…"

Hermione acordara, estranhara o suave veludo dourado sob o qual estava deitada. Levantara-se e numa mesinha ao pé do sofá fofo, de que se erguera, encontrava-se um pergaminho escrito com a letra desenhada do bondoso reitor.

" Hermione, penso que toda a tensão dos últimos dias está a reflectir-se. Talvez hoje seja melhor descansar.

Pensando nisso e sentindo o peso da culpa que me cabe por a ter, tão cedo, exposto a textos tão complexos, emocionalmente, decidi que talvez fosse altura de lhe abrir portas a um pequeno tesouro, escondido, que Hogwarts tem: o escritório de Rowena Ravenclaw.

Não tenha pressa em percorrer os maravilhosos segredos escondidos, alguns que até eu desconheço, que esta sábia fundadora da nossa escola guardou.

Terá toda a semana para os saborear, contudo durante o dia de hoje, peço-lhe que se mantenha aí.

Dobby se encarregará do seu bem-estar.

Enquanto isso tratarei de conseguir o que me pediu, do ministério, há cerca dos deveres matrimoniais.

Passarei por aí para jantarmos juntos e ensinar-lhe como sair e entrar.

Aproveite o dia.

Atenciosamente

Albus Dumbledore"

Hermione olhara estupefacta para o pergaminho e para o escritório.

Era uma honra estar ali, Hermione tivera a noção disso, eram lendárias as estórias de todo o conhecimento que a fundadora da escola tinha, bem como toda a sua atribulada vida.

O escritório era visivelmente antigo, toda as madeiras, paredes e objectos gritavam antiguidade, conhecimento, luz.

Hermione estava maravilhada!

A secretaria de madeira de freixo, árvore da vida para os celtas, era uma verdadeira obra-prima com a sua minuciosa talha e escultura, apenas ensombrada pela cadeira majestosa que a acompanhava.

As estantes, as estantes em si mesmas eram maravilhas dos deuses, talhadas na própria pedra negra, com ornamentos gravados de corvos, de deuses antigos, muitos deles já esquecidos, revestidas a madeira de medronheiro que em si própria cantava odes de paragens de terras longínquas.

Os livros eram centenas de milhares, estimados, amados, venerados ao longo do tempo, todos emanando bondade, conhecimento, sabedoria.

A cabeça dela, os olhos dela, pareciam minúsculos para abarcar toda a beleza, todo o potencial inerte, naquele pequeno grão de paraíso.

Sem duvida o dia seria maravilhoso, disso Hermione Granger Snape tivera a mais profunda certeza.

Percorrera com a ponta dos dedos os livros, detera-se em uma dúzia deles, abrira as gavetas da majestosa secretaria, mas fora a pequena caixa de pau-rosa que a prendera.

Era fabulosa, o seu trabalhado exterior era finíssimo, com puríssimas pedras preciosas, dando a ilusão de uma Fénix de coração aberto, que batia e sangrava; ela estava rodeada de serpentes, gatos, corvos e ursos bebes.

Ao abrir a caixa ouvira a mais doce musica que jamais fora tocada, era como se todas as lágrimas fossem secas, como se todas as dores fossem beijadas, todos os pesadelos fossem aclarados, era a esperança em notas musicais.

Era a canção da Fénix!

O pequeno espelho que se encontrava na tampa, na parte interna desta, representava a natureza no seu estado mais puro, em que os animais da tampa brincavam, em que o coração da Fénix não sangravam, era uma visão capturante, quase como se fosse o mundo perfeito, a janela para o éden.

No interior da caixa estavam um livro de capa de pele preta, um anel pequenino, uma rosa escura seca, um amarfanhado, um pergaminho muito dobrado e um anel grande com uma pedra estranha, misteriosa, quase a perfeita fusão entre uma ametista e uma esmeralda.

Hermione estava hipnotizada pelo seu conteúdo, apercebera-se que naquela caixa estava um segredo terrível e maravilhoso, uma vida de recordações que gritavam emoções, que tal como a dela, continham tudo o que de mais precioso aquela grande mulher possuíra na vida.

Quando os dedos de Hermione rossaram nas pétalas da rosa, uma voz falou:

- Ah, encontras-te o que sempre todos procuraram e nunca ninguém encontrara. Sim tem toda a lógica, é preciso sentir para achar….

Rodopiando e quase caindo, Hermione viu que o grande e oponente espelho de moldura dourada, que antes estava nas costas da cadeira, era agora nada mais, nada menos do que um quadro de uma Rowena Ravenclaw idosa, de olhar inteligente mas triste e de sorriso bondoso.

- Desculpe, não era minha intenção perturbar nem invadir a sua privacidade, mas o reitor deixou-me aqui e não mencionou que haveria coisas em que não deveria tocar, e caixa é tão bonita, tão delicada, tem tanta magia nela que me atraiu, mais do que todos os livros. – Respondeu balbuciando Hermione, baixando os olhos com embaraço, odiando a forma como a voz dela soara piegas e lamurienta.

- Oh, sim eu sei quem é. O reitor falou comigo antes, e se a caixa te atrai mais que os livros, e eu sei da tua paixão por eles, então lê, vê e toca! Talvez aprendas o que eu tão sofridamente aprendi, percebas e entendas o que tanto me custou a aprender e então minha querida tenhas o que eu nunca tive! É uma pena, que aquele trapo velho do chapéu não te tenha colocado na minha casa, já nos teríamos encontrado antes e talvez tanta coisa tivesse sido evitada…. Enfim…. Voltarei à hora do chá. – E com estas enigmáticas palavras, a idosa senhora desapareceu e o espelho polido e brilhante voltou a aparecer.

Hermione sentara-se, ponderara nas palavras, no tom triste e melancólico da fundadora, questionara-se se realmente seria uma boa ideia ler as linhas daquele livro, saber, sentir, sim porque estavam nas páginas embuido, as dores e as tristezas dela.

Suspirando, quase sentindo a obrigação moral, depois de inadvertidamente invadir aquele sepulcro de recordações, de lhe prestar a devida homenagem.

O dia de Severus não podia estar a correr pior, cinco alunos na enfermaria e 15 caldeirões derretidos era um novo recorde para ele.

As palavras de Dumbledore ressoavam-lhe nos ouvidos: Hermione tivera uma crise de nervos, estava ausente mas vigiada, o ministério fora persuadido a levantar, as obrigações matrimoniais quinzenais, pelo período de 60 dias e uma critica ao modo como lidara com a esposa para ela se encontrar naquele estado.

A mente de Severus, atenta a pequenos detalhes, registara que Dumbledore não mencionara a razão pela qual Hermione estaria assim.

" Não lhe teria ela dito? Estranho, muito estranho!"

A coruja que enviara a Remus Lupin ainda não regressara com a resposta, e Severus após ter feito e refeito as experiências com o sangue do lobisomem necessitava falar com ele, expor-lhe a sua teoria e saber se ele desejava arriscar.

" Ironia, a minha vida sempre foi uma ironia, no momento em que, provavelmente, encontrei a cura para a lincropia, em que poderei auxiliar um dos amigos dela é também o momento em que a perco para sempre. Perco-a porque sempre a quis salvar. Ela nunca saberá…. Que ironia…. Os deuses devem estar a rir que nem uns loucos… " pensou Severus, enquanto andava de um lado para o outro em frente da lareira apagada da sua sala.


Nota da Autora: primeiro desculpem, mil perdões por favor mas tem sido impossível actualizar, a minha vida anda complexa demais….

Segundo queria agradecer as criticas positivas que me têm dado, elas são de uma importância extrema, vocês nem sonham o sorriso parvo com que eu fico quando as leio 

Terceiro: Nick realmente o teu nome de net levou-me ao engano, desculpa! Muito obrigada por tudo, o teu mail teve mais importância do que sonhas, é para ti, este capitulo minha amiga, sem ti teria demorado muito mais, tu deste-me o empurrão que estava a precisar.

Malta todas as ideias são sempre bem vindas, nunca são demais, e adora que as dêem, por isso estejam à vossa vontade.

Acham que a Hermione esta bem neste capitulo? Que advinha o que esta escrito no livro? E o resto das coisas é o quê?

Beijocas grandes para todos

VSev