Estou deitada na cama de Edward. No quarto de Edward.
Na casa dos Cullens.
Minha casa agora, afinal, também sou uma Cullen.
Mas pensar em mim mesma fazendo parte daquela família tão diferente é muito estranho.
Um pouco assustador.
Não posso negar a mim mesma que estou um pouco assustada por estar ali.
-Eu devia ter ligado, eu não deveria ter vindo pra cá... É a casa dos seus pais... – eu dissera quando Edward finalmente me deixara respirar quando chegara.
Ele rira divertido.
-É sua casa também.
Escondi o rosto em seu peito.
-Acho que estou envergonhada.
Ele riu mais ainda, beijando meus cabelos e então me puxara pelas mãos, me levando pelos corredores de vidro até seu quarto.
E então estávamos sozinhos. Em nossa pequena bolha. E tudo ficara lá fora.
A verdade é que eu ainda não me sentia preparada para enfrentar os Cullens.
Mas eu parara de pensar na estranha família de Edward ou em qualquer outra coisa quando Edward me beijava, me abraçava, me deitava sobre a cama e finalmente fazia amor comigo.
Parecia que fazia anos e não dias desde a última vez em que eu o sentira assim, dentro de mim.
E esqueço de tudo, a não ser o que eu sinto por ele.
E agora ele está ali. Se movendo devagar, numa posse doce: "senti tanto a sua falta", ele sussurra contra meus lábios. E eu o abraço forte.
Não preciso dizer que eu sinto o mesmo.
Mesmo querendo ficar acordada e sabendo que precisamos falar sobre mil coisas, eu adormeço em seguida.
E só acordo quando o dia já amanhece e a luz do dia nublado entra pelas paredes de vidro.
Edward ainda dorme do meu lado e eu olho o relógio, me lembrando que prometi que ia trabalhar.
Então, mesmo sem a menor vontade de levantar e deixar Edward, eu saio da cama.
Me surpreendo ao ver que todas as minhas coisas estão por ali. Em algum momento da noite, Edward deve ter ido lá fora retirar tudo da caminhonete.
Tomo um banho rápido e me visto, tentando não fazer barulho. Ainda é cedo e não quero acordar Edward.
Apenas rabisco um bilhete e saio do quarto.
E paro assustada ao ver uma mulher elegante também saindo de um quarto.
Ela me encara muito surpresa e eu fico vermelha.
Eu ainda não a conheço, mas imagino que aquela deve ser Esme Cullen, a mãe adotiva de Edward.
-Bella! – ela murmura e eu fico mais vermelha ainda.
-Me desculpe, eu... sim, eu sou a Bella. - balbucio sem graça.
Ela parece recuperar a compostura e sorri de um jeito maternal.
-Oh, querida, eu que tenho que pedir desculpas! – diz, vindo na minha direção e então segura minha mão. – Nós ainda não nos conhecemos, não é? Eu sou Esme, mãe do Edward.
-Sim, eu já imaginava... – eu continuo morrendo de vergonha.
Sei que é um comportamento ridículo, mas não consigo evitar.
-Edward nos falou muito de você. Estou feliz que esteja aqui, finalmente.
-Eu estou um pouco... – acho que meu rosto está queimando e ela sorri me dando tapinhas na mão.
-Não fique sem jeito. Esta é sua casa.
-Acho que é porque nosso casamento foi de repente, fico imaginando o que estão pensando...
-Não pensamos em nada demais. Nós apoiamos o Edward. Mas me diga o que faz acordada tão cedo? Edward também já acordou?
-Não, ele está dormindo. Eu estou saindo para trabalhar.
-Ah, claro. Acho que Edward comentou algo sobre você estar dando aulas no Forks High School.
-Sim, sou professora substituta.
-Que ótimo! Então por que não descemos e eu preparo um café pra você?
-Não, não precisa. Eu acho que já estou atrasada...
-Não pode sair sem comer nada...
-Eu comerei algo na escola, não se preocupe.
-Bom, se é assim. Bom trabalho então, não quero mais atrasá-la.
-Sim, eu já vou indo.
Eu me afasto e respiro aliviada quando já estou na estrada a caminho da escola.
Estou feliz por ter sobrevivido ao meu primeiro encontro com um Cullen após o casamento.
E fico me perguntando se todos serão gentis como Esme.
Encontro com Angela no intervalo e conto a ela sobre ter voltado com Edward.
Ela me escuta com seu sorriso doce nos lábios. Diz que está feliz por mim, mas não sei por que algo me incomoda.
Não sei se o fato dela ficar subitamente séria quando me viro para me servir mais café, e vejo seu rosto refletido na janela.
Ou talvez seja apenas impressão minha.
E quando estamos saindo depois da aula ela me cutuca e aponta para o estacionamento.
-Aquele não é Jacob Black?
Eu sorrio ao ver Jake encostado na moto.
-Sim, é.
-Bom, eu vou indo, nos vemos amanhã.
-Claro, até amanhã.
-Jake? – eu me aproximo e o encaro com um olhar curioso.
-E aí, Bels? – Jacob sorri e me dá um abraço.
-O que faz aqui?
-Pensei em te levar pra curtir um pouco de adrenalina, já que estava meio caidinha da última vez que nos vimos.
Eu rio, me lembrando das muitas vezes quando eu era adolescente que Jake me levara para curtir "uma adrenalina".
Se tudo ainda fosse tão simples. Se todos meus problemas se resolvessem com um passeio de moto em alta velocidade, ou uma pulada no penhasco...
Fico séria ao reconhecer o rumo dos meus pensamentos.
Não queria entrar em território proibido.
-E aí? – Jake insiste.
A negativa está na ponta da minha língua. Eu disse a Edward que retornaria para almoçar com ele.
Mas ainda era cedo.
E havia uma parte minha que realmente sentia falta de estar com Jake como antigamente.
-Tudo bem. – acabo concordando. – Mas só uma volta.
Jacob abre um grande sorriso.
-Você quem manda.
Eu coloco o capacete e subo na moto atrás dele.
E a moto arranca em alta velocidade.
Por um tempo foi apenas isto. O vento, o barulho do motor, e a estrada à nossa frente.
Era quase como se o tempo não tivesse passado. Nem pra mim, nem pra Jacob.
Mas o tempo passara. Nada mais era o mesmo agora.
Nós não éramos mais os mesmos.
Jacob pára a moto num desfiladeiro.
É um lugar bonito, com uma vista incrível. Um dos muitos lugares que gostávamos de ir antigamente.
-Tinha esquecido como é bonito aqui.
-Sim, é demais. E então, o que quer fazer agora? – ele pergunta.
E eu abro a boca para dizer que não posso fazer nada com ele agora porque tenho que voltar pra casa dos Cullens quando escuto um celular tocar.
Jacob solta um palavrão e atende.
Vejo sua expressão ficar dura.
-Sim, ela está comigo... – eu fico alerta. Jacob fica escutando a pessoa do outro lado da linha. - Bom, ela não me disse isto... Certo, espere um momento. – ele estende o telefone para mim. – É seu marido.
Sinto um frio gelado na espinha ao pegar o celular.
-Edward?
-Bella, o que está acontecendo? – sua voz é aflita.
Eu tento ficar calma. Não estava fazendo nada errado, afinal.
Mas a culpa me corrói por dentro.
-Jacob foi me buscar na escola, a gente veio dar um passeio de moto... escuta, Edward, eu devia ter te avisado, mas não é nada demais...
-Eu fui te buscar na escola.
Fecho os olhos, me sentindo mais culpada ainda.
-Sinto muito, eu já estou indo embora.
-Fale onde você está, eu vou te buscar.
-Não precisa, Jacob me leva.
-Bella. – sinto toda a tensão de Edward em sua voz.
-Está tudo bem, Edward. Já estamos indo.
Eu desligo antes que ele insista.
Jacob me encara friamente.
-Quando ia me dizer que voltou com Edward Cullen?
Eu lhe entrego o celular.
-Ia dizer agora.
-Podia ter dito antes de virmos pra cá.
-Ia fazer diferença?
-Sim, ia.
Mordo meus lábios com força. Agora sinto culpa não só por Edward, mas por Jacob também.
-Jake... por favor, entenda...
-Eu não faço outra coisa há anos a não ser tentar te entender... – ele resmunga, enquanto me entrega o capacete e dá partida na moto.
Eu monto atrás dele e pegamos a estrada novamente.
Edward me espera em frente à casa dos Cullens.
Eu não sei quem está mais tenso.
Se ele ou Jake.
Rezo fervorosamente por dentro pra evitar uma briga, sabendo que eu sou a culpada daquela situação.
Desmonto e entrego o capacete a Jake.
-Obrigada pelo passeio.
Jacob não responde nada e arranca com a moto.
Eu me viro para Edward.
-Me desculpa. – murmuro.
Ele respira fundo, passa a mão pelos cabelos.
-Me deixou apavorado.
-Foi só um passeio de moto, Edward! Eu fazia isto direto com Jake antigamente...
-Não gosto de ver você se arriscando por aí com Jacob Black.
-Ele é meu amigo. – franzo a testa.– Por favor, não diga que tem ciúmes dele!
-Eu deveria?
Eu me aproximo mais e toco seu rosto.
-Não, nunca.
Por um momento o olhar de Edward parece conter mil demônios diferentes.
E ele me encara como se quisesse dizer alguma coisa.
-É sério. – eu continuo. Eu preciso esclarecer as coisas com Edward. Sei que todo mundo na cidade deve saber da minha história com Jacob. Não sei o que chegou aos ouvidos de Edward. E não quero que meu relacionamento com Jacob deixe Edward preocupado. – Mós somos amigos de infância. É apenas isto.
Edward segura minha mão.
-Ele é apaixonado por você.
Eu fico vermelha. Quero negar. Mas não consigo.
-Mas nós somos amigos. E eu não amo ele deste jeito e Jake sabe disto.
Por um momento acho que Edward vai insistir no assunto.
E me preocupo como lidar com isto.
Não quero me afastar de Jacob.
Mas também não quero causar problemas com Edward.
Terei que arranjar um jeito de conciliar as duas agora: a Bella de Edward e a Bella de Jake.
-Apenas prometa que não vai mais se arriscar com ele por aí.
Eu começo a sorrir.
-Não estava me arriscando já disse. Eu sei andar de moto!
-Por favor, Bella. – ele pede. Parece realmente angustiado.
-Tudo bem. – eu acabo concordando. – Eu prometo.
Ele sorri.
Eu fico na ponta dos pés e o beijo.
-Vamos entrar, Esme já serviu o almoço.
Eu o sigo para dentro de casa e todos os Cullens estão ali.
Inclusive um homem loiro desconhecido.
-Olá, eu sou Carlisle Cullen. – ele se aproxima e me cumprimenta. – Bem vinda à nossa casa, Bella.
-Obrigada. – eu respondo timidamente.
Alice Cullen se aproxima e me abraça efusivamente.
-Que bom que voltou! Estou tão feliz!
-Alice. – a voz de Edward contém uma advertência e eu me pergunto o quanto os Cullens sabem sobre nossa breve separação.
-Eu fiquei tão feliz quando soube que se casaram e depois fiquei tão preocupada quando brigaram e...
-Chega, Alice. – Jasper a segura pelos ombros, a afastando enquanto sorri pra mim. – Deixe Bella respirar.
-Sim, estamos todos felizes que os problemas de Edward e Bella foram resolvidos e ela está em casa finalmente. – Esme diz com seu sorriso gentil. – Agora vamos esquecer o que passou e comer!
Nós nos sentamos para a refeição e Emmett faz piadas e eles conversam sobre o tempo em Forks, sobre a bolsa de valores e o novo jardim de Esme.
Edward sempre sorri pra mim, ao meu lado, ou segura minha mão e a beija.
Eu tento não me sentir deslocada.
É esquisito saber que aquela agora é minha família, sendo que eu mal os conheço.
Então me mantenho calada.
Em um determinado momento eu reparo que mais alguém está calada. Rosalie Cullen.
E ela me encara de maneira esquisita.
Não parece um olhar hostil.
Mas também não é um olhar amigável.
Me lembro de Jacob dizendo que Tanya Denali é amiga de Rosalie Cullen.
Será que ela me odiava por eu ter me casado com Edward?
Depois do almoço eu consigo me livrar dos Cullens dizendo que tenho exercícios dos alunos para corrigir. O que não deixa de ser verdade.
Edward beija minha testa e diz que vai ficar com os irmãos no escritório, resolvendo coisas de trabalho.
Assim, eu me refugio no quarto e passo algum tempo trabalhando.
Quando termino, Edward ainda não apareceu.
Aproveito para ligar para Renée e ela me diz que já sabe de toda a história com Edward. Charlie ligou e contou.
-Ele está bravo? – pergunto.
-Bravo não é a palavra correta.
Eu suspiro pesadamente.
-Você está brava?
-Você está feliz, querida?
-Estou.
-Então tudo bem. Apenas siga seu coração. E saiba que estou aqui se precisar.
-Obrigada, mãe.
Eu desligo e penso em ligar pra Charlie, mas ainda não quero enfrentá-lo.
Então, saio à procura de Edward.
Mas encontro Rosalie Cullen.
Ela está folheando uma revista de moda e eu fico meio tímida em abordá-la.
-Olá... Rose.
Ela levanta o olhar frio e me encara.
-Sabe onde está Edward?
-Ainda está no escritório com Em e Jasper.
-Certo... eu vou dar um volta então, você o avisa se ele perguntar?
-Claro. – ela dá um sorriso polido e volta a atenção para a revista.
Eu coloco o casaco e saio da casa.
O jardim dos Cullens é espetacular.
E eu caminho até o lago, respirando o ar puro.
E então eu paro ao me deparar com uma casa.
Ou melhor, um chalé.
Há um pequeno jardim em frente e sua graciosidade me lembra uma casa de conto de fadas.
Eu caminho até a porta e a abro.
O lugar é lindo dentro também.
Será que alguém morava ali? Ou seria apenas a casa de hóspede dos Cullens?
Curiosa, eu entro na sala.
A estante cheia de livros chama minha atenção e eu me aproximo, passando os dedos pelos títulos e reconheço um exemplar de Orgulho e Preconceito. Muito parecido com o meu. Mas muito mesmo.
-Mas o que...
-Bella?
Eu me viro assustada e vejo Alice Cullen.
-Oh, me desculpe, eu...
Alice rola os olhos sorrindo.
-Não era para estar aqui!
-Eu... estava dando uma volta... mas... por que eu tenho a impressão que este livro aqui é meu? – pergunto intrigada e Alice ri.
-Porque é seu! Esta casa é sua!
-Minha?
-Sim, eu a estava preparando para você e Edward.
-Mas... como conseguiu, tudo isto...
Ela dá de ombros.
-A maioria das coisas já estava aqui faz tempo, só trouxe suas coisas hoje de manhã e bom, desde que Edward contou que tinham se casado, eu venho ajeitando tudo...
-Eu não fazia ideia... – balbucio ainda surpresa por aquele lugar ser meu e de Edward. – Edward não me disse nada... Achei que... bem, ele mora em Seattle.
Na verdade eu e Edward não tínhamos conversado ainda sobre onde moraríamos, mas eu deduzi que seria em Seattle, já que ele trabalhava lá.
Mas e o meu trabalho ali em Forks, como ficaria?
-Sim, isto é verdade. Mas com certeza passarão bastante tempo aqui, não é? Eu e meus irmãos viemos pra cá todos os fins de semana.
-Sei... e todos têm casas como esta?
Ela ri.
-Não! Ficamos com Esme e Carlisle.
-Mas por que eu e Edward?
-Bom, acho que tem este privilégio por serem casados! Ou melhor dizer que Edward gosta de ter você só pra ele sem nossa intromissão?
Eu fico vermelha e Alice ri mais ainda.
-Bom, vamos voltar. Eu ia mesmo lá chamar você e Edward pra mostrar a surpresa, mas agora você estragou tudo!
-Edward também não sabia?
-Ele sabia sim, não consigo esconder as coisas dele!
Nós caminhamos juntas até a casa e eu percebo que é fácil gostar de Alice.
Ela é animada e alegre.
Acho que podemos ser amigas.
Mas quando estamos entrando na sala escuto a voz alterada de Rosalie Cullen.
-Eu não concordo com isto!
-Não é problema seu! – Edward diz igualmente alterado.
-Ah não? Isto é problema de todos nós! Você tomou sua decisão há anos e todos tivemos que concordar com você e agora você muda de ideia e nós temos que concordar de novo?
-Ei, estão brigando? – Alice diz e Rose pára de falar ao nos ver.
-Não ligue para eles, Bella – Alice continua. – Edward e Rose são assim mesmo, vai se acostumar!
Ela sorri muito despreocupadamente, mas seu sorriso não chega aos olhos.
Quer dizer que brigas entre Edward e sua irmã Rosalie eram freqüentes?
E sobre o que será que eles discutiam?
-Sim, todos nós nos acostumamos com tudo, não é? – Rose diz mordaz e sai da sala, batendo os saltos no chão.
Eu me aproximo de Edward.
-Ei, tudo bem? – pergunto preocupada.
-Sim, apenas briga de irmãos, como disse Alice. - ele segura minha mão. – Onde estava, está gelada!
-Bella acabou com a minha surpresa! Ela descobriu o chalé!
Eu dou de ombros.
-Estava caminhando e o vi! Mas deviam ter me dito!
-Alice que insistiu em fazer surpresa.
-Eu adorei o lugar. É lindo.
Alice deu uma risadinha.
-Eu sou ótima mesmo! Bom, vou procurar o Jasper!
Ela sai da sala e eu encaro Edward.
-Fico feliz que gostou do chalé. Alice está louca arrumando tudo.
-Imagino... Eu fiquei surpresa, não sabia que íamos ficar aqui... na verdade nem conversamos sobre isto.
Ele sorri e me puxa pela mão.
-Precisamos conversar sobre muitas coisas, então vamos pra casa.
-Agora?
-Sim, Alice já levou quase tudo pra lá. E eu prefiro ficar sozinho com você. Minha família é muito intrometida às vezes. E falam demais também...
Ele deixa as palavras no ar e eu não comento nada, enquanto caminhamos até o chalé.
Ele me pega no colo na porta.
-De novo? – eu rio.
-Agora é de verdade.
-Sim, e pra sempre.
Ele me leva pra dentro, e eu quase acrescento "e agora não terei nenhuma surpresa desagradável, como sua ex-amante de lingerie à nossa espera".
Mas me calo. Não quero mais pensar nisto.
Tanya não existe mais. E aquele episódio desagradável tem que ser apagado da minha mente pra sempre.
Agora só existe Edward e eu.
E ele me leva direto para o quarto, que é tão lindo quanto o resto da casa, e me coloca na cama.
-Estou tão feliz que está aqui. – ele diz sorrindo.
Eu sorrio também.
E o beijo. Muitas vezes.
Não há pressa para tirarmos nossas roupas.
A noite cai lá fora, enquanto nos amamos aqui dentro.
E depois, ele apenas me abraça, seus lábios em meus cabelos. Seus dedos deslizando devagar por minha espinha.
E eu sinto que tudo é perfeito agora.
Eu vou ser feliz pra sempre.
Mas então eles retornam.
Os pesadelos que me fazem gritar. Porque eu sinto dor.
Dor terrível e sem sentido algum.
Porque eu não me lembro de nada.
-Bella... Bella. – eu abro os olhos e estou respirando com dificuldade.
Edward me encara assustado.
-Oh Deus... – eu cubro meu rosto com as mãos e choro.
Como é que eu posso achar que tudo é perfeito?
Existe algo terrivelmente errado.
E Edward não faz ideia.
-Bella, o que foi? São os pesadelos? – ele retira minhas mãos do meu rosto e enxuga minhas lágrimas. – Por favor, me diga o que está acontecendo. – sua voz é cheia de angústia.
Eu o encaro.
E sei que não posso mais fugir disto.
-Edward, preciso te contar uma coisa...
Ele apenas me encara à espera.
Eu respiro fundo e começo a contar.
Eu odeio falar sobre aquilo. Falar sobre algo que não tenho o menor controle.
Algo que eu luto pra esquecer.
É até irônico que eu use esta expressão.
-Há dois anos, eu sofri um acidente. – murmuro. – Você viu a cicatriz. – eu toco a cicatriz atrás da minha orelha. – Eu pulei do penhasco. Eu não sei... porque eu fiz isto. Eu... não me lembro... – minha voz se alquebra. – Eu não me lembro de nada... de antes.
Eu respiro fundo me obrigando a continuar.
O vazio. A dor. O inexplicável.
Voltando a me atormentar.
Eu o encaro.
-Eu bati a cabeça e... fiquei muito mal. Acordei num hospital. Meu pai diz que eu fiquei duas semanas desacordada. Mas o pior não é isto... – eu começo a chorar. – Na minha cabeça, eu ainda tinha 18 anos, ainda morava aqui em Forks. Eu não conseguia me lembrar dos dois anos anteriores... eu... simplesmente ainda não me lembro...
Agora eu soluço.
Edward toca meu rosto.
-Bella... está tudo bem...
Eu sacudo a cabeça.
-Não, não está. Nunca vai estar. Eu tentei seguir minha vida. Apenas... acreditando no que me contaram. Outras pessoas tiveram que contar o que eu tinha feito naqueles dois anos! Eu fui pra Boston, estudei literatura lá... e não sei mais nada! Tem ideia do que é isto?
Eu fui pra Londres porque não podia imaginar voltar pra Boston, rever as pessoas que devo ter conhecido lá... seria demais pra mim. Achei que estava tudo bem. O que são dois anos? Mas tem estes pesadelos... eu sei que eles são horríveis, mas nunca consigo me lembrar o que são!
-Bella... eu sinto muito.
-Eu só queria... realmente esquecer. – eu rio. – Que irônico! Esquecer que esqueci! Isto é patético, queria me sentir normal de novo.
Edward segura meu rosto, me obrigando a encará-lo.
-Você pode se sentir normal. Está tudo bem agora.
-Não me acha uma maluca?
Ele ri e beija minha testa, meu rosto.
-Eu amo você. Não importa o passado.
Eu suspiro, querendo acreditar nele.
Tentando acreditar que eu realmente posso ser feliz.
Que posso fingir que aqueles dois anos perdidos na minha memória não significam nada.
Que nada de realmente importante deve ter acontecido.
Fecho os olhos e deixo que ele me abrace.
Envolvo meus braços em volta dele também.
Sim, está tudo bem agora.
Eu finalmente contei meu segredo a Edward; e ele me aceita assim.
Ele me ama assim.
E eu o amo demais também.
Mais do que qualquer coisa no mundo.
Mas naquele momento entre a vigília e o sono, eu me pergunto se naqueles dois anos perdidos eu já não amei assim.
Porque eu sei, embora ninguém me diga nada, que eu conheci alguém sim.
Se houve amor ou não, eu não sei.
Mas algo me diz que isto tem tudo a ver com o fato de eu ter pulado do penhasco.
E com aqueles pesadelos horríveis.
Houve dor. Isto é certeza.
Mas agora eu não sei se quero realmente lembrar.
Talvez devo deixar minhas memórias trancadas no passado.
E viver o futuro com Edward.
***Edward***
Edward
Ela dorme um sono sem pesadelos.
Eu escuto sua respiração compassada e a aperto um pouco mais antes de soltá-la.
Saio da cama e caminho até o telefone.
Charlie atende na segunda chamada.
-Charlie, sou eu.
-Edward? O que aconteceu? Bella...? – posso sentir a preocupação em sua voz.
-Ela está bem. Está dormindo. Ela teve um daqueles pesadelos...
-Sei...
-E ela me contou sobre o acidente.
-Contou?
-Acho que foi melhor assim.
Charlie suspira pesadamente.
-E agora, como vai ser?
-Tudo vai seguir normalmente.
-Eu ainda não sei se concordo com você...
-Bella está bem. Vai ficar tudo bem.
-Eu espero que tenha razão.
Eu desligo e volto pra cama.
Ainda não durmo, fico velando seu sono.
Acho extraordinário ela estar ali.
Ao meu alcance.
E que finalmente está tudo bem de novo.
De uma maneira que eu nunca achei que voltaria a estar.
Fecho os olhos e me recordo do dia em que a reencontrei na clareira.
Eu não sei quanto tempo caminhei sem rumo.
Ignorando o frio e a maldita chuva fina de Forks.
Eu estava imune a tudo isto.
Ela tinha voltado.
Eu ainda relembrava cada palavra de nossa conversa na clareira e no caminho de volta como se fosse um sonho.
Droga, eu realmente acreditava que estava sonhando quando acordara e a vira na clareira.
E ela nem ao menos sabia quem eu era.
E a dor era insuportável.
Haviam se passado dois anos.
Eu pensara que tomara a decisão correta.
Mas agora eu já não sabia de nada.
Eu entro na delegacia de Forks e Charlie me encara.
-Edward? O que faz aqui? Achei que estivesse em Seattle.
-Não me contou que ela tinha voltado. – murmuro.
Charlie suspira e passa a mão pelos cabelos.
-Aqui é a casa dela. Ela pode voltar quando quiser.
-Então sou eu que tenho que ir embora.
