Capitulo 9
Foram três dias até a segunda tarefa e Harry realmente se sentiu excitado, parte dele pensava que tal sentimento era provavelmente estranho. Ele se sentiu tão pronto quanto ele poderia estar, e estava honestamente ansioso para acabar com tudo isso. Ele também se perguntou o que diabos a terceira tarefa seria e se seria ou não necessário tanto tempo de preparação quanto a segunda tarefa.
Harry estava sentado na aula de transfiguração, trabalhando na redação de seu ensaio, que era tecnicamente dever de casa, que ele deveria começar a fazer depois da aula. Mas o resto da turma estava praticando o atual feitiço prático da classe, enquanto ele tinha feito isso com facilidade em sua primeira tentativa. Ele raramente viu qualquer ponto em se sentar e transformar repetidamente copos de chá em travesseiros ou outras bobagens no período inteiro de aula quando ele não precisava da prática e poderia estar usando tal tempo para fazer parte de sua tarefa de casa em vez disso.
McGonagall havia desaprovado suas ações no início, mas faziam cerca de dois meses que tal coisa começou a acontecer e, raramente, ele fazia barulho. Ele sempre poderia provar que ele sabia fazer o feitiço prático, no momento em que ela pedia demonstração e ele estava fazendo a lição de casa. Ela não podia criticá-lo por isso.
Harry estava riscando seu pergaminho quando sentiu a presença de McGonagall ao lado dele. Esperando que ela lhe pedisse para demonstrar o feitiço, ele colocou a pena e pegou sua varinha e transfigurou sem palavras o copo em sua mesa em uma pedra. No momento em que ele terminou, largou a varinha e pegou a pena de volta para retomar o ensaio.
– Otimo, Sr. Potter, mas eu vim lhe pedir para que você permaneça após a aula. Preciso discutir algo importante com você – disse McGonagall.
Harry olhou para ela e piscou confuso. Ele acenou com a cabeça hesitante, concordando. Ela se afastou para continuar fazendo rondas e verificando o progresso de todos.
– O que você acha que ela quer? – Hermione sussurrou enquanto se inclinava para o outro lado do corredor em direção a Harry.
Ele olhou para ela e encolheu os ombros.
– Não faço ideia.
Vinte minutos depois, a turma acabou e todos saíram da sala. Harry e McGonagall eram os únicos que restavam e Harry estava no processo de arrumar o resto de suas coisas.
– No meu escritório, Sr. Potter – disse McGonagall enquanto caminhava pelo corredor para a porta. Harry franziu a testa um pouco, mas rapidamente seguiu atrás dela.
– Eu fiz algo errado, professora? – Ele perguntou cautelosamente, enquanto ia atrás dela.
Ela olhou para ele com um momento de confusão antes que seu rosto se suavizasse.
– Oh, não. De modo algum. Mas eu tenho algo importante que precisamos discutir e trabalhar.
Harry estava momentaneamente alíviado, mas então ele se perguntou o que ambos precisavam "trabalhar".
Eles entraram em seu escritório e McGonagall sentou-se na cadeira atrás de sua mesa e fez um gesto para que Harry se sentasse na cadeira em frente a ela.
– Diga-me exatamente o que você determinou sobre a segunda tarefa – ela disse enquanto passava as mãos na mesa.
Harry piscou.
– Hum... Bem, será no Lago Negro. Algo vai ser tirado de mim e eu terei uma hora para encontrá-lo.
– Correto. Normalmente, não divulgaríamos esse detalhe, mas estamos um pouco angustiados no momento e eu sinto que tenho pouca escolha. A coisa que será tomada deve ser uma pessoa. Alguém que está muito perto e que é importante para você. Realizamos a cerimônia na noite passada com o cálice para determinar quem seria levado de cada um dos quatro campeões.
– Oh? – Harry respondeu, tentando esconder suas emoções. Elas eram uma mistura de excitação, curiosidade, confusão e um pouco de preocupação com o motivo pelo qual ela estava falando com ele, já que Bagman havia dito que quem tirasse deveria ser um segredo.
– Sim. Nós encontramos um problema.
– O que foi?
– A taça não retornou um nome para você. O papel voltava sempre em branco.
Harry franziu o cenho.
– Oh... okay. Então, o que isso significa?
– Nós teorizamos que talvez o feitiço confundos que foi usado para enganar a taça pra aceitar seu nome, em primeiro lugar, foi forte o suficiente para também não fazer com que ele escolhesse alguém para você salvar.
Ou talvez não haja ninguém nessa escola estúpida que eu dou a mínima para salvar de dentro do lago. E o cálice sabe disso. Harry pensou altivamente.
– Em todo o caso, nos precisamos escolher alguém para isso.
Harry encolheu os ombros.
– Tudo bem. Isso não parece ser um grande problema. Apenas escolha alguém.
– Srta. Granger não está disponível porque ela foi escolhida para o Sr. Krum. Como alternativa, nós vamos escolher o Sr. Weasley – ela finalizou com certa hesitação.
Harry ficou pensativo por um minuto e depois sacudiu a cabeça.
– Você não pode usá-lo. Se a pessoa de Krum é Hermione, todos pensarão que Ron é minha pessoa porque eu amo ele ou algo assim.
– Nos preocupamos com isso também – disse McGonagall.
– Ele iria acabar no Profeta. Não há dúvida sobre isso. Skeeter iria fabricar um enorme escândalo sobre colegas de dormitório e um amor absurdo. Ron iria ficar irritado e amuado, ele provavelmente iria começar a ficar tudo estranho, perguntando se eu realmente gosto dele ou qualquer coisa do tipo.
– Exatamente. – McGonagall disse balançando a cabeça. – Então, você tem uma sugestão alternativa?
– Você vai me deixar escolher? – Ele perguntou, surpreso.
– Você pode fazer uma sugestão – disse ela.
Por um breve momento, Harry pensou em pedir Malfoy, simplesmente porque seria hilário. A idéia de Draco ser seu par na prova sairia do Profeta Diario, as fofocas lhe trariam um sorriso perverso aos lábios. E as provocações que Malfoy receberia dele valeriam por todo a ignorância que Harry receberiam de seus colegas grifinórios.
Mas ele sabia que McGonagall veria através de sua ação e nunca aceitaria.
Então ele deixou sua mente vagar para outras alternativas.
Não poderia ser um cara. Qualquer pessoa que fosse do sexo masculino estaria imediatamente trazendo a idéia de que Harry teria algo com ele. Fim da história. Então tinha que ser uma menina, mas Hermione já estava tomada por Krum.
Harry franziu a testa e sorriu amplamente.
– Ginny.
– Senhorita Weasley?
Harry assentiu.
– Sim. Gina Weasley.
– Tudo bem, Sr. Potter. Obrigado pelo seu tempo. Você pode ir agora.
– HP D E –
Na manhã seguinte, uma coruja familiar apareceu pouco depois do café da manhã. Era incomum que uma coruja de publicação aparecesse a qualquer momento fora do café da manhã, mas, reconhecendo a coruja específica, ele não ficou nem um pouco surpreso.
– Essa senhorita é a coruja de Almofadinhas? – Ron ofegou enquanto via Harry tirando a carta da perna da coruja.
– É – Harry assentiu. Ele estava pensando se a resposta de Sirius responderia a qualquer uma de suas observações sobre Snape, Karkaroff e a marca escura e, de repente, percebeu que nunca havia contado a Ron ou Hermione sobre isso. Eles provavelmente esperariam que ele lesse a carta para eles, e se ele não o fizesse, eles iriam perguntar por que ele tinha mantido tal coisa escondida deles.
No entanto, todas as suas preocupações caíram por terra quando ele abriu a carta e descobriu que só tinha uma única linha de texto impressa sobre ela.
– Envie a data do próximo fim de semana de Hogsmeade pela coruja.
Harry piscou e depois franziu a testa.
Hermione, que estava inclinada sobre o ombro para ler a carta, fazia um barulho curioso na garganta.
– O que você acha disso? – Ron perguntou com um tom desconcertado.
– Eu não sei – Hermione disse franzindo a testa.
– Parece que ele planeja nos visitar – Harry disse olhando duvidosamente para a carta em suas mãos.
Hermione ofegou.
– Ele não faria! Não é seguro!
Harry balançou a cabeça e suspirou.
– Eu imagino que ele provavelmente faria, se ele achasse que era importante o bastante. De qualquer forma, acho melhor responder – ele disse enquanto olhava para a coruja de Sirius, que estava sentada, esperando com impaciência uma resposta.
– No próximo final de semana – Hermione disse rapidamente enquanto Harry cavava sua bolsa, pegando um pedaço de pergaminho e uma pena.
– Obrigado – ele disse enquanto anotava a resposta rápida e a colocava na perna da coruja.
– HP D E –
Chegou a manhã da tarefa. Começaria às 9h30 e as aulas foram canceladas durante todo o dia. Harry e Ron saíam para o café da manhã juntos uma hora antes da tarefa começar. Rony continuava a olhar ao redor com uma expressão curiosa no rosto e, finalmente, ele se virou para Harry e falou:
"Ei, Harry?"
– Sim, Ron? – Harry disse, retirando momentaneamente o olhar do livro que estava lendo enquanto comia.
– Onde está Hermione? E... Onde está Ginny?
Harry olhou para Rony e deu de ombros.
– Não sei. – Ele rapidamente voltou ao livro.
– Isso é para a tarefa ou algo assim? – Ron perguntou, calmo.
– Hmm?
– Esse livro. Você está lendo isso para uma preparação de último minuto?
– Não. Apenas lendo isso – disse Harry distraído.
– Você está brincando? – Exclamou Ron.
Harry o olhou relutantemente e levantou uma única sobrancelha questionadora para o ruivo.
– Como você pode estar apenas lendo um livro qualquer quando você tem que ir nadar pelo lago em quarenta minutos! E você está comendo! Você nunca teve o estômago para comer antes dos jogos de quadribol antes. Você sempre disse que ficava nervoso. Mas aqui está você, sentado e calmo, lendo um maldito livro, como se fosse um dia normal e chato da semana.
Harry atirou em Ron um olhar ligeiramente irritado, olhando durante os vincos do cabelo do ruivo.
– Você terminou?
Ron franziu o cenho.
– Eu sei o que fazer na prova. Eu não estou estressado por causa disso, porque eu me sinto muito bem preparado para ela. Tive meses para preparar a estratégia e a acho ela bem sólida. Neste ponto, me sinto mais irritado com a impaciência do que com os nervos. Eu só queria acabar com isso. A leitura está me distraindo e mantendo a minha mente fora da frustração de ter que fazer isso.
Ron resmungou e desviou o olhar, ligeiramente enrubescido.
Eles terminaram o café da manhã e Harry foi para a torre da Grifinória para trocar de roupa. Ele transfigurou em si mesmo um par de calças de natação e depois puxou o manto da escola sobre a cabeça.
Quando ele saiu do castelo e começou a atravessar os terrenos em direção ao lago, eram 9h15.
Algumas das arquibancadas que haviam sido colocados em um grande círculo ao redor do recinto do dragão para a primeira tarefa haviam sido colocadas no centro do Lago Negro. Eles também estavam repletos de pessoas.
Harry se perguntou se essas pessoas realmente esperavam obter um show, dado o fato de que os quatro campeões estarão profundamente embaixo das águas sombrias durante uma hora.
Mais uma vez, ele se perguntou se havia algum tipo de feitiço de monitoramento para permitir que os espectadores soubessem o que estava acontecendo no lago, mas Bagman havia dito que não haveria um e ele só podia esperar que fosse verdade.
Harry se aproximou e se juntou aos outros três campeões que estavam perto da mesa dos juízes. Os três diretores estavam todos sentados lá, mas em vez do Sr. Crouch, seu assistente, Percy Weasley estava lá, em seu lugar. Harry franziu o cenho para isso. Ele virou os olhos em volta, procurando qualquer sinal de "Moody", mas também não o viu.
Meditando sobre coisas que aconteceram anteriormente, ele tinha visto tanto Crouch e Moody na primeira tarefa. Então, talvez Crouch não tenha começado a se passar por Moody até mais recentemente?
Harry suspirou e balançou a cabeça. Ele não gostava de não saber o que estava acontecendo sobre isso.
Ludo Bagman surgiu, olhando com entusiasmo para os quatro campeões.
– Todos estão prontos, então? – Ele perguntou, sorrindo.
Harry olhou para os outros pela primeira vez. Fleur parecia nervosa e, quando seus olhos se encontraram, ele lhe deu um sorriso reconfortante.
Ela sorriu para ele e pareceu que uma pequena quantidade de tensão a deixou por um momento.
Cedric estava com uma aura determinada, mas Harry podia ver as mãos do menino mais velho tremendo um pouco antes de apertá-las em punhos cerrados.
Krum olhava furtivamente para o lago como se fosse uma fera que ele estava preparado para atacar. Harry supôs que era tipo isso. Certamente o local estava cheio de bestas.
– Tudo bem então, vamos arrumar vocês – disse Bagman enquanto ele começou a levar os quatro em direção à beirada. Ele os colocou em intervalos de dez pés um do outro, e eles começaram a se preparar. Fleur tirou suas vestes para revelar um traje de banho de uma peça, o que fez com que alguns idiotas assoviassem rudemente das arquibancadas. Fleur se virou e olhou com raiva na direção geral de onde o som tinha vindo.
Krum já estava em nada mais do que um par de calções de natação e parecia perfeitamente bem com a temperatura. Harry se perguntou se ele já havia lançado um feitiço de aquecimento em si mesmo.
Cedric tirou as vestes externas para revelar um calção e uma blusa de natação da sua casa. Ele estremeceu visivelmente e passou as mãos para cima e para baixo pelos braços expostos.
Harry suspirou e tirou suas vestes também. Instantaneamente, o frio o atingiu, mas ele já estava bastante acostumado com isso. Foi mais agradável naquele dia do que na semana passada, no entanto, era atualmente 9:25 da manhã e ele normalmente fazia seu treino de natação na tarde.
Fleur voltou a olhar pra ele com um sorriso suave, mas seus olhos se arregalaram por um momento. Harry observou enquanto os olhos da veela iam de cima para baixo, suavemente, com um olhar surpreendentemente apreciativo. Harry quase riu. Em vez disso, ele levantou uma sobrancelha única, arrogante e interrogativa para ela. Quando ela percebeu que ela tinha sido pega em flagrante, ela realmente corou!
Harry riu e ela revirou os olhos para ele. Mas agora estava sorrindo de uma maneira genuína. Pelo menos ele a distraiu de seus nervos.
Bagman voltou às arquibancadas pela mesa dos juízes e trouxe sua varinha para o pescoço, como ele fez na Copa do Mundo de Quadribol e disse "Sonorus!". Sua voz foi alcançada nas arquibancadas.
– Bem, todos os nossos campeões estão prontos para a segunda tarefa, que começará assim que eu apitar. Eles terão precisamente uma hora para recuperar o que lhes foi tirado. Na contagem de três, então... Um... Dois... Três!
O assobio ecoou estridentemente no frio, o ar e as arquibancadas erupcionaram com alegrias e aplausos.
Harry agarrou a varinha em sua mão e lançou o primeiro feitiço de calor. Ele ficou desesperadamente aliviado no momento em que entrou em vigor e seus arrepios pararam. Em seguida, ele lançou o pequeno feitiço de cabeça-de-bolha sobre o rosto e, logo, deixou cair sua varinha na pilha dobrada de vestes. Ele não precisaria dela e, quando se transformasse, ele não conseguiria utilizá-la.
Ainda assim, o abandono de sua varinha aparentemente desconcertou algumas pessoas porque ele podia ouvir muitos murmúrios na seção atrás dele.
Ele ignorou e mergulhou na água rapidamente. O lago teve uma inclinação gradual nessa localização, em vez de uma queda mais acentuada - que costumava estar na parte do lago que ele geralmente treinava. Isso significava que ele precisava esperar mais até chegar a uma parte de água profunda o suficiente para fazer sua transformação real.
Ele percorreu o caminho o mais rápido que conseguiu até estar longe o suficiente dos espectadores. Finalmente, ele mergulhou debaixo da superfície e começou a nadar para o fundo.
Ele tinha chegado a uma distância justa do centro e caiu num limo lamacento antes que realmente se sentir seguro para realizar sua transformação. Ele já a fazia tantas vezes que até a sentia como uma segunda natureza e só demorou alguns segundos para completá-la.
Como uma cobra do mar, Harry tinha uma cauda grande e de escamas pontudas na ponta e seu corpo estava comprimido lateralmente, mas não muito. Quase lhe deu uma ligeira aparência semelhante a uma enguia, exceto que ele era extremamente espesso e tinha cerca de 9 metros de comprimento.
Seu corpo era preto e branco listrado. A cabeça tinha quase que totalmente uma parte preta, exceto por uma pequena área de branco no topo da cabeça e focinho.
Suas brilhantes listras brancas e prateadas não lhe proporcionavam exatamente uma boa camuflagem nas profundidades escuras, verdes e turvas do lago, mas suas três semanas de treino naquilo lhe ensinaram que a maioria das coisas o evitaria só porque ele não representou perigo e – obviamente – porque ele tinha mais de 9 pés de comprimento.
No momento em que sua transformação foi completa, ele se atirou mais para dentro das profundezas do lago pra chegar tão longe do centro quanto ele conseguia, o mais rápido possível. Ele logo chamou sua ofidiomagia e começou o feitiço do localizador. Sorriu internamente, grato por ele saber exatamente quem ele deveria estar procurando, agradecendo à incapacidade da taça de fornecer um nome ao diretor.
Ele disse à grande cobra negra para encontrar Gina e, rapidamente, começou a nadar na direção da vila dos sereianos.
Assim como Harry estava nadando através das longas algas verdes que ele conhecia, que agora abrigava um grande grupo de grindylows, ele ouviu as falas aquosas reverberadas dos pequenos demônios da água, enquanto eles pululavam em alguma coisa. Ele estava prestes a ignorá-los e seguir em frente, agradecendo que ele não fosse o único a ser atacado, quando ouviu o grito de Fleur.
Ele ordenou a sua cobra localizadora para parar e esperá-lo e virou-se para nadar na direção aos pequenos animais agitados.
Fleur estava lutando nas algas longas com um grindylow irritado que a apertava em torno de seu tornozelo. Outro estendeu a mão e apertou os longos dedos em volta da outra perna, mostrando presas puntiagudas.
Ela estava apontando sua varinha para eles e provavelmente tentando lançar alguns feitiços não-verbais, mas era óbvio que ela estava tendo problemas para se concentrar em seu estado de pânico.
Mais dois grindylows surgiram das ervas daninhas e agarraram seus braços e cabelos. Eles começaram a acumular em torno dela e puxá-la para baixo, quanto ela lutaba com pleno pânico.
Harry atravessou a água com sua velocidade serpentina e abriu a boca, deixando as presas amostras para as pequenas criaturas desagradáveis. Uma vez que o viram chegar, eles começaram a entrar em pânico e se dispersaram instantaneamente. Fleur parecia chocada e depois aliviada quando ela foi liberada de alguns de seus captores demoníacos... E, então ela viu Harry.
Os olhos dela cresceram e sua boca se abriu para gritar. O som ecoou estranhamente através do seu feitiço de cabeça de bolha. Dois dos grindylows restantes viram Harry e gritaram de terror, mas não se afastaram. Um até notou as presas de Harry, mas ele decidiu cravar as garras no braço de Fleur. Ela começou a renovar sua luta contra os dois animais, enquanto mantinha seus olhos aterrorizados e treinados na enorme forma serpentina de Harry.
Harry avançou e se enrolou em torno de um dos pequenos monstros, que afundou seus pequenos colmilhos na pele da cobra. Harry, no entanto, gritou um ruído fino e agudo e lutou contra ele. Atirou o animal para longe rapidamente, sem querer realmente perder tempo e observou atentamente o outro. Um olhar dele e os grindylows que estavam observando meio que distantemente, nadaram para longe de suas vistas.
Fleur agora tinha sua varinha treinada em Harry e parecia estar à beira dos soluços.
Harry piscou para ela e depois se virou, nadando de volta na direção em que ele deixou sua cobra localizadora.
Harry renovou o feitiço e seguiu a serpente negra que só ele podia ver, diretamente à vila dos sereianos.
Ele passou um grande pedra pintada que retratava, o que parecia, um sereiano carregando uma lança e lutando contra lulas gigantes. Ele riu e continua avançando em direção à aldeia. Um grupo de moradias de pedras cruas manchadas com algas apareceu de repente e Harry podia ver caras espiando pelas janelas, observando-o hesitantemente.
Alguns dos sereianos o viram durante o treinamento das últimas semanas, mas ele duvidou que algum deles havia percebido que ele era um dos competidores.
Atravessou o centro da cidade, seguindo sua serpente locadora preta até que ela parou, enrolando em torno de uma grande estátua de pedra esculpida de um sereianês com quatro pessoas ligadas firmemente a sua cauda.
Gina estava amarrada entre Hermione e Cho Chang. A última pessoa era uma jovem – provavelmente tendo de oito à nove anos – com longos cabelos loiros e prateados. Harry assumiu que tinha de ser a irmã de Fleur ou algo assim. Todos os quatro pareciam estar em um sono muito profundo.
Os sereianos estavam se reunindo agora, cercando a estátua. Era um grupo bastante grande deles, todos carregavam essas lanças desagradáveis e afiadas.
Harry nadou rapidamente, direto para a estátua e um sereiano o olhou cautelosamente. Todos estavam sussurrando uns aos outros, ansiosamente, com curiosidade e preocupação em seus olhos. Harry se aproximou cautelosamente, esperando que começassem a atacá-lo. Mas eles não o fizeram. Ele foi direto para Gina e a observou. Ela estava amarrada com uma grossa e pesada corda e ele resmungou ligeiramente. Não que não fosse algo que ele pudesse lidar, mas ele provavelmente teria que se transformar de novo em humano para lidar com isso.
Com um suspiro interno, ele começou a reverter sua transformação. Segundos depois, ele era humano novamente, e os sereianos pareciam completamente atordoados. Ele testou cautelosamente o encanto da cabeça de bolha, aliviando-se momentaneamente, obtendo uma respiração confiável a partir dele.
Ele se concentrou nas cordas e apontou os dedos para eles enquanto invocava sua ofidiomagia e sibilava uma maldição severa. Ele cortou as ligações, um de cada vez até que não restava nada para segurar Gina na estátua e ela começou a flutuar livremente.
Harry parou e olhou para a forma flutuante de Hermione. Ele não tinha idéia de onde os outros estavam, mas ele estava bastante confiante de que Krum viria por ela. Mesmo que os outros não fizessem no limite do horário, ele sabia que não havia nenhuma maneira em que Dumbledore realmente permitisse que alguém se afogasse.
Então ele se voltou para Gina. Convocou um pedaço de alga e transfigurou-a em uma corda, através de ofidiomagia. Os sereianos ainda o observavam com intenso fascínio, enquanto trabalhava para amarrar a cintura de Gina. Finalmente, ele se transformou em sua forma de serpente de mar, pegou o fim da corda em sua boca e começou a arrastá-la para fora da aldeia.
Ele conhecia o caminho de volta para o local em que precisaria surgir a partir dali, então não precisava se preocupar com o feitiço localizador novamente.
À medida que se aproximava, Harry sabia que ele estava quase que aparecendo, ele se transformou em sua forma humana e começou a nadar até a superfície, com a inconsciente Gina ainda atrás dele. Ele percorreu a superfície da água e puxou um grande suspiro.
No momento em que atravessaram a superfície, qualquer que fosse o feitiço lançado em Gina, pareceu cessar, porque ela começou a tossir com a boca cheia de água e depois piscar pra ele de forma desordenada.
– Ei, Ginny, tudo bem? – Harry perguntou.
– Uh... Sim? – Ela disse fracamente. Ele riu e começou a remar para o centro do lago com ela, ainda enganchada em si.
Eles saíram da água, congelando e pingando. As arquibancadas estavam torcendo de forma alucinante e uma pequena multidão de pessoas estava indo pra perto deles. Madame Pomfrey estava correndo diretamente para eles com grandes toalhas macias. Percy Weasley ficou notavelmente pálido e atordoado ao ver sua irmãzinha sair da água gelada e ele correu para ela.
Dumbledore olhava radiante pra Harry e Harry teve que forçar um sorriso no rosto dele enquanto olhava nos olhos do diretor. A aversão poderosa ainda estava lá e era ainda tão poderosa como sempre, mas ele não podia deixá-la a mostra.
– Muito bom, Harry! Muito bom! – Ludo Bagman falou enquanto surgia atrás de si e dava um tapinha nas costas de Harry.
Harry sorriu fracamente para o homem e caminhou até o local onde ele deixou suas vestes e sua varinha. Madame Pomfrey estava forçando uma toalha pra cima dele enquanto recolhia suas coisas. Ele a pegou, mas não se incomodou em utilizá-la primeiro. Em vez disso, ele lançou um feitiço de secagem não verbal sobre si mesmo e depois renovou o feitiço de aquecimento. Outro feitiço depois e seu cabelo também estava seco. Ele pegou suas vestes e, olhando a toalha inutilizada, entregou-a para Gina.
– Obrigado, Harry – disse ela, abaixando um pouco sua cabeça dela. – Isso foi realmente brilhante. Você me salvou e você surgiu do lado! – Ela exclamou, olhando-o diretamente agora.
Harry deu de ombros.
– Sim, bem, não é como se Dumbledore permitisse que qualquer um de vocês realmente se machucasse lá em baixo, então eu não me vejo como alguém que eu te "salvou". No entanto, lamento você ter sido arrastada pra isso.
– Oh, está tudo bem. É meio emocionante. Na verdade, mesmo assim, estou com muito frio – disse ela, rindo. Percy estava de pé ao lado dela, franzindo a testa. Sempre que ele olhava para Harry ele realmente franzia o cenho.
Harry revirou os olhos. Garoto Estúpido.
– Aqui, deixe-me ajudar com isso – disse Harry enquanto levantava a varinha e apontava para ela. Primeiro, ele secou suas roupas, que levaram dois encantos de secagem separados e depois um terceiro em seus cabelos. Ele terminou, colocando outro feitiço de aquecimento simples nela.
Ela piscou e olhou para si mesma com óbvia surpresa.
– Caramba, Harry! Isso foi brilhante! – Ela sorriu. – Eu não sabia que você poderia executar feitiços sem falar! O que foi tudo isso?
– Apenas foveo e exaresco. Nada de especial. E tenho praticado feitiços não-verbais por um tempo agora.
Percy realmente parecia suavemente impressionado, mas claramente ele não queria que Harry soubesse disso porque ele voltou sua atenção para Ginny e perguntou se ela estava realmente bem, por volta da décima vez nos últimos quatro minutos.
Harry suspirou e abriu caminho para uma pequena barraca com algumas cadeiras montadas para os campeões. Ele se sentou para esperar que os outros terminassem e desejou – de repente – que ele tivesse trazido seu livro com ele.
Muitas pessoas nas arquibancadas ainda estavam bastante animadas, conversando sobre o retorno de Harry, mas muitos deles haviam retornado a um estado de impaciência aborrecida. Harry riu. Bagman estava certo sobre isso não ser um evento muito divertido para os espectadores.
Ele ficou aliviado ao ver que não havia dispositivos mágicos ou qualquer outra coisa configurada para transmitir o que os campeões estavam fazendo sob a água. Claro, isso significava que era aborrecido para aqueles que estavam de pé em espera, mas também significava que ninguém saberia sobre sua transformação de Krait do Mar.
Mais dez minutos passaram até que Cedric Diggory surgiu na superfície com um Cho Chang. Cinco minutos depois deles, o que parecia um tubarão explodiu da água. Harry descobriu que era apenas uma cabeça de tubarão, no corpo de Viktor Krum. Sua cabeça se transformou e se torceu quando ele inverteu a transfiguração meio completada e Hermione veio cambaleando para a superfície parecendo um gato afogado.
Harry riu.
Ele estava um pouco preocupado com Fleur, já que não havia aparecido ainda. Quando a meia-veela finalmente apareceu com sua irmãzinha em seus braços, ele suspirou aliviado. Ela trazia sua irmãzinha nos braços.
Harry observou enquanto Dumbledore caminhou até o limite das águas para se encontrar com um dos sereianos. Ele era um homem bastante selvagem e de aparência feroz, o velho diretor realmente começou a fazer uma coisa com a boca – uns sons estridentes – da mesma maneira que ele. Pelo que parecia, eles estavam conversando. Então, isso supostamente, significava que Dumbledore podia falar sereianês.
O coração de Harry parou.
Dumbledore podia falar sereanês.
O sereiano o viu se transformar para libertar Ginny. Merda!
Finalmente, ele se endireitou, voltando-se para seus colegas juízes e disse: "Uma reunião antes de dar os pontos, eu acho".
Os juízes entraram em um amontoado e Harry encontrou-se olhando para eles com uma sensação horrorosa em seu estomago. O que ele ia dizer se eles perguntaram o que ele havia feito? Ele poderia admitir que era uma coisa que utilizava ofidiomagia ou que ele apenas era um animagus e registrar o formulário com o ministério quando tivesse 17 anos?
– ... Foi o mais notável. Uma grande cobra me salvou dos grindylows! – Fleur estava dizendo a um de seus amigos Beauxbatons. Harry se virou e sorriu um pouco para si mesmo. – Eu tinha certeza de que eu estava condenada! Os pequenos demônios de água estavam me puxando para baixo e eu não poderia fazer nada para pararem! E essa enorme serpente aparece do nada e mordeu um deles! Todos eles se espalharam, mas eu estava com medo de que ela viria atrás de mim. Mas não o fez!
Harry se sentiu tentado a dizer algo a ela, mas ficou distraído com a voz de Bagman recitando e atraindo a atenção de todos.
– Senhoras e senhores, chegamos a nossa decisão. O chefe dos sereianos, Murcus, nos contou exatamente o que aconteceu no fundo do lago e, portanto, decidimos premiar cada um dos campeões da seguinte maneira...
Harry sentiu seu sangue esfriar. "Nos disse exatamente o que aconteceu no fundo do lago".
Merda, merda, merda... .
"Fleur Delacour demonstrou um excelente uso do feitiço cabeça-de-bolha e conseguiu recuperar o refém, mas por ultimo e depois de uma hora e dezessete minutos de prova, fora do prazo de uma hora. Por isso, nós lhe conferimos vinte e cinco pontos."
Aplausos soaram das arquibancadas.
"Viktor Krum usou uma forma incompleta de transfiguração, que foi, no entanto, eficaz, e foi o terceiro a retornar com seu refém. Nós lhe concedemos trinta e cinco pontos".
Karkaroff bateu particularmente forte no peito e uma torcida de bom tamanho rugiu das arquibancadas.
"Cedric Diggory, que também usou o feitiço cabeça-de-bolha, foi o segundo a retornar com o seu refém, embora ele voltou um minuto fora do limite de uma hora. Portanto, nós lhe atribuímos quarenta pontos."
Outro rugido foi escutado da multidão, mais notavelmente dos Lufanos.
– E, finalmente, Harry Potter, que usava uma combinação de magias, incluindo o encanto da cabeça de bolha e um uso notável da transfiguração de humano a animal, transformou-se em uma serpente de mar! Ele foi o primeiro a retornar com seu refém e dentro do prazo. Nós o concedemos, cinquenta pontos!"
Do local em que estavam os alunos, vieram muitos gritos entusiasmados e cheios de alegria, Harry sorriu brilhantemente e acenou para eles, enquanto se perguntava se os diretores realmente acreditavam nisso ou se eles estavam apenas o cobrindo.
Harry se virou e viu Hermione de pé, de repente, com os olhos arregalados e o maxilar pendurado ligeiramente.
– Isso é verdade?! – Ela ofegou.
– O que é verdade? Que eu fui o primeiro que saiu do lago abaixo do limite de tempo? – Harry perguntou inocentemente.
– Não, não é isso, Harry! Eu já sabia disso! Você se transfigurou realmente? A transfiguração humana é uma habilidade de nível NIEM*, Harry! E você não deve fazer isso sozinho! É incrivelmente perigoso! Como você conseguiu fazer assim?
– Hermione! – Harry gritou, cortando seu discurso. – Não me transfigurei.
Ela murchou o rosto e franziu a testa.
– O que? Então, por que eles disseram isso?
– Se eles pensam que eu me transfigurei, então eles podem seguir em frente e acreditar nisso. Não vou corrigi-los, a menos que eles venham me perguntar especificamente sobre isso.
– Bem, então, o que você fez?
– Eu... – Harry começou, mas hesitou , olhando Viktor Krum aparecendo perto deles quase indignado.
– Você tem um besouro de água em seu cabelo, Hermio-ni-ni – Krum disse, e Harry teve a impressão de que o garoto estava tentando chamar sua atenção para ele, vendo como ele tinha sido aquele que apenas a "salvou" do Lago Negro.
Harry sorriu e se aproximou do cabelo de Hermione, agarrando o pequeno besouro preto com um alcance rápido, reflexos aperfeiçoados pelo quadribol.
Ele estava prestes a soltar o pequeno inseto quando uma energia passou por seus dedos. O pequeno inseto estava revoltando as asas e balançando as pernas de forma selvagem, tentando sair da mão.
– Eca, Harry. Apenas jogue fora – Hermione disse, olhando para o inseto que ele ainda segurava na mão dele.
Em vez disso, Harry fechou a mão, prendendo-a no punho.
– Hermio-ni-ni? – Krum disse novamente e Hermione virou-se para ver o que ele queria. Harry olhou para o punho e franziu a testa. Ele não tinha certeza do que havia sentido, mas estava certo de que não era apenas um inseto. Ele concentrou todos os seus sentidos e ficou surpreso ao detectar a fraca aura mágica de um mago vindo do animal.
Ele virou a cabeça para longe de Krum e Hermione e sussurrou uma "silêncio" na língua das cobras, enquanto concentrava sua magia em volta do inseto, formando um pequeno campo mágico. Uma vez que estava completo, ele só podia sentir uma esfera de magia legal na mão dele, em vez da raspagem vibrante do bicho. Ele deslizou o orbe num dos bolsos de sua túnica e se virou a tempo de encontrar Hermione prestes a abordá-lo novamente.
– Bem? – ela disse.
– Hã?
– O que você fez? Se você não se transfigurou, por que eles pensaram que você fez?
– É... Uma espécie de longa história.
– Ah, Harry, por favor! Eu odeio todos esses segredos que você está mantendo todo o tempo! Você nunca mais conta nada pro Rony e pra mim. – Ela disse, amuadamente agitada – A tarefa acabou, por que você não pode nos dizer o que você tem feito durante todo esse tempo? Você dedicou muito tempo ao treinamento, e eu sei que não há como gastar todo esse tempo trabalhando no feitiço cabeça-de-bolha! E aqueles poções que você fez durante as férias? Elas eram para o que?
Harry reprimiu o desejo de franzir o cenho e falar que ela deveria se meter apenas com os malditos assuntos dela.
– Olhe... – ele disse com alguma exasperação. – Eu vou... Eu vou falar com vocês sobre isso mais tarde. Ok?
Harry decidiu que ele esperaria para descobrir o que dizer a Ron e Hermione depois que ele fosse confrontado por Dumbledore – o que ele sabia que aconteceria mais cedo ou mais tarde – para que ele pudesse manter suas histórias sincronizadas.
Hermione não parecia satisfeita com isso, mas acenou com a cabeça e aceitou.
A voz de Bagman surgiu no ar novamente e Harry voltou a se concentrar nela.
– A terceira e última tarefa acontecerá no dia 26 de Junho, ao entardecer. Os campeões serão notificados sobre o que precisamente eles deverão fazer um mês antes. Obrigado a todos pelo seu apoio.
Madame Pomfrey então começou a reunir os campeões e reféns de volta ao castelo para serem vistos. Harry insistiu para ela que estava bem, mas ela respondeu que não se importava com como ele achava que estava e faria tal avaliação apenas na ala do hospital.
Relutantemente, ele foi com os outros para que a medi-bruxa da escola pudesse fazer seu trabalho, garantindo assim que ninguém tivesse sofrido ferimentos que precisassem de sua atenção.
Tinha acabado.
Isso significava que agora ele tinha três meses inteiros antes mesmo de descobrir que tarefa era.
Ele fez uma careta. Preferiria ter todo esse tempo para se preparar. Agora ele deveria ter que se preparar cegamente. Continuaria estudando o máximo possível e esperava que fosse aplicável.
Ele provavelmente teria que aprender alguns ataques e defesas mais neutros. Ele havia aprendido muitas coisas escuras que seriam úteis em muitas situações diferentes, mas duvidava que ele estivesse em uma posição onde pudesse usar – com segurança – qualquer um desses.
Por assim dizer, ele acreditava estar relativamente seguro de olhos curiosos, no que diz respeito à sua transformação de cobras do mar, mas Dumbledore descobriu isso de qualquer maneira.
Não. Ele definitivamente não poderia correr o risco de usar qualquer magia negra no torneio.
Ele suspirou resignado. Ele tinha visto um livro de defesa mágico escuro-e-neutro na lista de livros Crespus Publishing, mas tinha ignorado isso na época. Ele pediria quando voltasse ao dormitório e se concentrasse nisso por um tempo.
Assim, quando Madame Pomfrey finalmente o liberou de seus cuidados, Albus Dumbledore entrou na ala hospitalar com os olhos treinados diretamente sobre Harry. Harry congelou e sentiu uma mistura de medo e ódio por ele, mas manteve os sentimentos sob controle.
– Sr. Potter, eu estava pensando se talvez eu pudesse ter uma breve palavra com você – Dumbledore disse com um sorriso gentil e brilho habitual em seus olhos.
Harry forçou um olhar de inocência confusa em seu rosto e rapidamente se dirigiu para o diretor.
– Claro, senhor.
Dumbledore sorriu, virou-se e começou a se afastar rapidamente da ala, indo em direção à grande escadaria.
Harry não se preocupou em perguntar para onde eles estavam indo. Ele não tinha dúvidas de que era para o escritório de Dumbledore.
Não ficou surpreso então, quando chegaram ao sétimo andar e foram direto para corredor em direção à gárgula que ficava em frente à entrada do escritório do diretor.
– Bombas de caramelo – disse Dumbledore à gárgula e foi para o lado oposto. Os dois entraram na escada crescente e, momentos depois, Harry se encontrou em uma poltrona estofada, recebendo uma gota de limão, que ele recusou educadamente.
– Então, Harry – Dumbledore começou genialmente enquanto agarrava as mãos na mesa. – Você pode me dizer exatamente o que você fez, no lago? Ouvi algumas coisas bastante interessantes do chefe dos sereianos.
– Hum... Que tipo de coisas?
– Algo curioso, na verdade. O chefe dos sereianos, Marcus, me disse que havia uma serpente muito grande que entrou em sua aldeia. Ela disse que esta serpente tinha sido vista algumas vezes nas últimas semanas, mas nenhum de seus habitantes tinha pensado muito sobre ela porque ela não tinha sido agressiva. As pessoas de lá observavam como a cobra se aproximava dos reféns, mas então começaram a testemunhar a mesma se transformando em... Você.
– Depois de libertar a Srta. Weasley, você, aparentemente, se transformou de volta rapidamente. Devo admitir, Harry, estou bastante curioso quanto ao que exatamente você fez, porque duvido um pouco de que você realmente se transfigurou... Especialmente tendo em conta a forma como descartou sua varinha antes de entrar no lago.
Harry fez uma pausa... Uma varinha era necessária para a transformação animagus?
Merda, ele deveria ter procurado isso.
Se ele dissesse a verdade – que era uma transformação ofidiomagica – o diretor gostaria de saber onde Harry aprendeu. E mesmo que Harry mentisse – o que ele faria, não havia como dizer aos outros sobre suas visitas à câmara – o melhor que ele poderia fazer era alegar que ele achou algum livro antigo e raro de alguma forma. Mas isso ainda faria Dumbledore se perguntar por que Harry tentaria descobrir mais sobre a habilidade "escura e perigosa" que herdou do Lord das Trevas.
Se ele percebesse que Harry estava interessado o suficiente para começar a investigar o suficiente e aprender a transformação, ele provavelmente começaria a se preocupar com Harry olhando para outras magias escuras... O que, você sabe, foi exatamente o que aconteceu. Mas ele não queria deixar Dumbledore saber disso.
E não havia nenhuma maneira de se arriscar sobre isso, o velho o impediria de aprender uma habilidade poderosa e útil, não importando quão "escura e malvada" ela fosse descrita socialmente.
Então... O menor de dois males era... Animagus. Ele poderia reivindicar ter trabalhado nisso desde o ano anterior. Ele poderia dizer que ele começou a trabalhar depois de descobrir que seu pai era um animagus.
O fato de sua "forma animagus" ser uma cobra causaria alguma curiosidade, mas você não pode escolher sua forma de animagus, então ninguém poderia fazer nada sobre isso. E ele sempre poderia tentar ignorar, como uma dessas coisas causadas por sua "conexão estranha com Voldemort". Além disso, ele também poderia usar o fato de que sua "forma" era uma cobra como a desculpa de por que ele a mantivera escondida.
Mas então, havia todo esse problema de "precisar de uma varinha para fazer a transformação animagus". Harry não achava que tal coisa era provável. Depois de tudo – como voltaria? Então ele se lembrou – Sirius havia se transformado em Azkaban! Ele não tinha varinha na prisão! Então ele estava seguro. Nenhuma varinha era necessária para realizar da transformação animagus.
Harry passou um segundo pensando em tudo isso. Ele limpou a cabeça e a expressão, substituindo tudo por um olhar tímido e culpado.
– Hum... Eu não pensei que alguém iria descobrir – ele disse com uma voz calma, enquanto ele abaixava a cabeça para baixo e olhava para as mãos, que estavam se torcendo nervosamente no colo.
– Você não está com problemas, Harry. Eu só quero saber qual a técnica que você usou – disse Dumbledore com uma voz calmante e reconfortante.
Internamente, Harry revirou os olhos e achou-o totalmente ridículo. Externamente, ele olhou através de suas pestanas para o diretor com olhos apologéticos e pequenos.
– Hum... Eu sei que não estou registrado, mas leio que não é obrigatório registrar-lo até que eu alcance os 17, então pensei que seria bom... E não esperava que ninguém pudesse ver isso... Então...
– Não registrado? – Dumbledore perguntou, curiosamente.
– Er... Sim... no ano passado, no inicio do ano, comecei a tentar fazer a transformação de animagus... – Harry disse, olhando para seu colo e sua voz foi ficando mais quieta e mansa quando ele terminou de falar.
As grandes sobrancelhas brancas e espessas de Dumbledore subiram em sua testa um pouco surpresas.
Harry limpou a garganta e acariciou seus ombros um pouco – como se ele estivesse tentando reagrupar sua coragem – embora instantaneamente, curvassem um pouco mais tarde.
– De qualquer forma, eu realmente não sabia se eu ia concluir a tempo para a tarefa. Eu apenas fiz a transformação há cerca de três semanas. Meu plano de reserva era simplesmente nadar da maneira mais difícil e confiar no feitiço cabeça de bolha completamente.
Dumbledore piscou para ele por um momento antes de chegar um pouco para a frente.
– Harry, você está dizendo que você dominou a transformação animagus em menos de um ano?
Harry ergueu os olhos e ficou boquiaberto por um momento antes de abaixar a cabeça com tênue.
– Er... Eu acho que sim.
– Poderia me dizer o que, exatamente, o motivou para experimentá-lo?
– Ouvi dizer que meu pai e seus amigos eram animagus. Achei que poderia... Eu não sei... Me aproximar dele se eu fizesse o mesmo que ele fez.
Harry olhou rapidamente para o diretor, tentando avaliar o quão bem o velho estava tomando a história. Os olhos de Dumbledore ficaram tristes e compreensivos e um sorriso suave se espalhou por seus lábios.
– Eu devo dizer Harry, estou bastante surpreso... Mas também muito impressionado. Isso é uma realização bastante impressionante, especialmente para alguém do seu ano. Eu acredito que seu pai e seus amigos não começaram seu treinamento até seus quinto, e mesmo assim, eles não completaram com êxito até o sétimo.
Harry olhou para Dumbledore com olhos largos, esperançosos e cheios de beleza. Os detalhes de James e Lily costumavam ser mais preciosos que o ouro para ele e qualquer indicação de que ele poderia aprender algo novo sobre qualquer um deles sempre obteve esse tipo de resposta em Harry e ele sabia que Dumbledore esperaria tal atitude.
– Bom! – Dumbledore falou, ajeitando-se na cadeira e dobrando as mãos no colo novamente. – Qual é a sua forma, exatamente?
– Er... Um Krait do Mar.
– Ah, um Krait do Mar. Gênero Laticauda, família Hydrophiidae. Possui um potente veneno, eu diria. É também a única serpente do mar que pode se adaptar tanto na terra como na água. Fascinante.
O maxilar de Harry caiu ligeiramente em surpresa legítima. Mas que diabos! O homem era um dicionário para informações mágicas e não mágicas! Ele quase esperaria aquele tipo de resposta de Hermione, mas ele não esperava do diretor.
– Uh... Sim. Isso – respondeu Harry inativamente.
– Essa é uma forma bastante curiosa para você assumir, você não acha? – Dumbledore perguntou.
Harry encolheu os ombros e olhou-o novamente.
– Sim, eu suponho... acho que é por isso que eu nunca contei a Ron ou a Hermione. A coisa toda... Cobra... Seria... Estranho.
– O Sr. Weasley e a Srta. Granger não sabem? – Dumbledore pergunto com obvia surpresa.
Harry encolheu os ombros e manteve sua cabeça inclinada.
– Como eu disse... Seria estranho. O senhor sabe como Ron fica sobre o assunto da ofidioglossia. Qualquer relacionamento ou conexão com cobras e uma pessoa é imediatamente marcado como das trevas pra ele.
– Ah, sim. Posso entender seus medos. No entanto, estou certo de que o Sr. Weasley vai achar isso fascinante e extinguirá pequenos preconceitos. Ele é seu amigo e eu acho que é importante que tenhamos pessoas perto de nós que podemos confiar.
Harry manteve a cabeça inclinada, parecendo completamente intimida.
– Sim senhor.
– Bom. Agora, eu assumo que pode haver um pouco de celebração esperando por você na sala comunal.
Harry olhou para cima com grandes olhos surpresos. Internamente, ele estava zombando de como seus companheiros de classe inconstantes, se tal celebração fosse realmente verdade. Se eles começaram - de repente - a beijar o chão no qual Harry pisa, tudo porque ele estava na liderança desse torneio estúpido, isso só provaria como eram idiotas.
– Você realmente acha, senhor? – Harry perguntou com uma falha de esperança que lhe escapava.
– Eu sei, Harry.
Finalmente, Harry foi dispensado, permitindo assim que ele saísse do escritório do diretor. Ele passou pela gárgula, e caminhou pelo corredor com um sorriso maquiavélico no rosto. Ele realmente estava se tornando um ator extremamente bom. Até mesmo ele acreditaria no seu teatro.
– Bem... Talvez não – Harry se tornou uma pessoa muito confiante. Dumbledore não queria mais nada a não ser acreditar no melhor de todos, e, portanto, ele era uma pessoa idiotamente confiante.
A mão de Harry escorregou no bolso e tocou o orbe mágico que continha o estranho besouro que ele havia pego dos cabelos de Hermione. A curiosidade dele estava atingindo o pico, mas se Dumbledore estivesse certo e seus companheiros gifinórios estavam preparando uma espécie de festa estúpida na sala comunal, então ele provavelmente não teria chance de examiná-lo em breve.
Isso era irritante, mas ele só precisaria ser paciente e manusear bem os companheiros de casa.
Harry se dirigiu ao retrato da Mulher Gorda, falou a senha e a abriu. Assim que ele atravessou o buraco do retrato, um rugido de cheio de saudações e aplausos ecoou através da sala e ele foi recebido imediatamente por Hermione, Ron e Ginny, que estavam felizes por ele e gritando com estupor.
Harry sorriu, riu e corou. Agiu amuadamente e tímidamente nos momentos apropriados. Durante todo o tempo, ele manteve a bola magia impacientemente entre seus dedos, dentro do bolso e desejando ansiosamente que a maldita festa terminasse para que ele pudesse encontrar um lugar particular para investigar o pequeno animal.
A festa, no entanto, parecia que nunca terminaria. Ela ainda estava em pleno andamento naquela tarde.
Harry conseguiu dizer aos outros que ele realmente precisava tomar banho e se limpar antes do jantar e escapou para o dormitório sozinho. Uma vez dentro, ele puxou a varinha para a porta e lançou um feitiço de bloqueio.
Ele tirou a bola mágica do bolso e a examinou. Parecia uma esfera de vidro e enquanto não tinha forma física real, ficava sólido. E, claro, dentro, estava um besouro preto pequeno e histérico.
A barreira mágica que ele estava usando para contê-la estava mascarando sua capacidade de sentir a magia e detectar o que estava de errado ali quando o pegou primeiro, então ele olhou em volta da sala para um recipiente alternativo.
Na mesa, ao lado da cama de Harry, havia uma jarra de vidro que costumava guardar penas antigas. Ele se aproximou, esvaziou o conteúdo em uma gaveta e examinou o frasco. Era um jarro de geléia que ele tinha cortado de sua tia alguns verões atrás e ele não tinha a tampa para ele. Mas isso certamente não era um problema real. Ele poderia usar uma pedra e transfigurá-la em uma tampa, se realmente quisesse sair dali com o animal.
Ele abaixou a pequena bola de contenção mágica no frasco e então acenou sua varinha sobre o objeto, transfigurando-o de modo que não tivesse nenhuma abertura mas,em vez disso um sólido copo contínuo de vidro ao redor. Com um silvo calmo e um manuseio de dedos, a bola mágica desapareceu e o besouro foi liberado, apenas para se encontrar preso igualmente dentro do frasco sem abertura.
Apanhou com raiva o frasco, chacoalhando-o. Agora que a barreira de ofidiomagia tinha desaparecido e o besouro foi deixado em um recipiente inteiramente não mágico, não havia nada bloqueando seus sentidos.
Ele colocou o frasco em sua mesa, sentou-se na cadeira e olhou fixamente para ele. Ele definitivamente sentia a aura de um mago.
– Você é um mago, não é? – Ele perguntou ao pequeno inseto, que congelou de repente. Ele sorriu e curvou uma única sobrancelha. – Você não é muito sutil, né? – Ele riu. – Vamos ver... Você poderia ser alguém foi transfigurado em um inseto, mas é improvável que você mantenha o sentido necessário para entender inglês. No caso... Você poderia ser um animagus...?
O inseto estava imóvel e ele juraria que estava olhando diretamente para ele. De repente, começou a voar novamente loucamente.
– Bem, se você é um animagus, eu sei uma maneira rápida de dizer – ele falou, enquanto se levantava, pegou sua bolsa do lado da sua cama e puxou o mapa do Maroto fora do bolso da frente. Ele tocou sua varinha e falou o encantamento para ativá-lo. A tinta apareceu na página e ele rapidamente encontrou sua localização na Torre da Grifinória. O que ele viu lá quase o fez sufocar.
Dentro do dormitório do quarto ano da Torre da Grifinória estavam dois pontos. Um era Harry Potter. O outro era Rita Skeeter.
Harry entrecerrou os olhos e voltou para o inseto na jarra. Ele rosnou e bateu no mapa novamente, desativando-o. Ele o dobrou e o colocou de volta na bolsa antes de voltar para a mesa, se sentando na cadeira e chegando ao nível do olho com o frasco. Ele olhou fixamente para dentro e perfurou o besouro com um brilho mortal.
– Bem, olá Rita – ele disse enquanto um sorriso perigosamente perverso se espalhava pelos lábios. O inseto congelou por um segundo antes de retomar seu vôo furioso em círculos dentro do espaço confinado.
Harry rapidamente puxou sua varinha e lançou um charme inquebrável no frasco, para se certificar de que não pudesse quebrar o frasco transformando.
– Suponho que isso explica como você conseguiu me espiar dentro da escola – ele meditou enquanto se curvava e levava o nariz até o lado do copo. – Agora, o que fazer com você... eu me pergunto... – um sorriso maleficamente sádico surgiu seu rosto e as poderosas ondas de magia - magia negra - que estavam saindo dele naquele momento teria aterrorizado o mais forte de Feiticeiros.
Rita realmente desmaiou.
Ele gargalhou levemente antes de abrir o malão no compartimento de livros expandido que tinha a senha da língua das cobras. Ele arrumou o frasco entre vários livros e fechou o baú dando uma risadinha insana.
Ah, isso seria tão legal... Ele precisava encontrar um período apropriado para se divertir com Rita.
– HP D E –
NIEM: Níveis Incrivelmente Exaustivos de Magia, é um exame específico que bruxos e bruxas do sétimo ano da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts tomam para ajudá-los a prosseguir certas carreiras após a sua formatura.
NT:
Guest: Obrigadaaaaa. Ai que amor. Confesso que adoro ler reviews e ver o que as pessoas estão achando tanto da história como da minha tradução. É realmente muito bom e espero que vocês acompanhem a história também quando a autora for eu mesma a escrevendo, já que Athey parou no capitulo 25x02.
Gabriela Rickman: Que bom que está gostando da história. Eu deixei o nome da original no inicio do oitavo capitulo, espero que esteja gostando dela s2
Lilith Lestrange Riddle: À medida que for terminando de traduzir, eu posto. Fico feliz que esteja gostando.
Dan Black-Potter: Eu te garanto, pelo menos, dois capítulos por semana s2
