Disclaimer: InuYasha e as músicas não são de minha autoria.
"All The Same – Sick Puppies"
Sango sofria da síndrome das pernas inquietas, e as batia incansavelmente em ritmo com sua impaciência no chão. Achava tudo aquilo uma perda de tempo. Ela podia estar fazendo mil coisas, como estar terminando sua lição de Matemática, por exemplo, já que não fazia Educação Física, pois alegou para o professor que estava com dor de cabeça apenas para voltar para sala e terminar sua lição, mas não pôde e teve que ficar na quadra, mofando enquanto assiste ao jogo de vôlei do 2º ano que não era lá muito divertido. Muito menos lição de Matemática, mas aquilo valia nota, e nota, era o que ela não tinha.
- Sango, ver você nesse estado está me deixando nervosa...- Kagome comentou ao lado da amiga. Ela também não fazia Educação Física porque sofria de asma.
Sango mexia em seu cabelo azulado constantemente. Ela estava impaciente. Na arquibancada da quadra de esportes da Goshinboku encontrava-se Sango, Kagome e Rin, a última era do 2º ano e não jogava vôlei por simplesmente não gostar daquele esporte.
- Às vezes eu tenho inveja de você Rin...- Sango disse em tom de mau humor. – É só você trocar algumas palavrinhas com o seu professor e aí você não precisa fazer Educação Física, enquanto eu...
Kagome e Rin riram juntas, causando uma careta e um bico enorme em Sango.
- Claro, se você não gritasse ao ser contrariada por qualquer um, não tivesse a reputação de "Selvagem" da escola, se você não tivesse essa expressão from hell que você tem, não tivesse...
- Ok ok, eu já entendi a mensagem, senhorita simpática. – Sango bufou e ajeitou a franja azulada que teimava em entrar em seu olho.
- Falando em simpatia, o que você estava fazendo com o Miroku, ontem? – Kagome perguntou, fazendo a baterista tossir e Rin arquear a sobrancelha.
- COMO É QUE É? Você? Com o Miroku? Trate de se explicar, senhorita. – Rin gritou alto e atraindo a atenção de algumas pessoas, saindo de seu lugar (ao lado de Kagome) e indo se sentar ao lado de Sango.
A baterista fez ar de paisagem. Não acreditava que, por milésimos de segundos, Kagome a tinha visto com o garoto. Mas enfim, eram suas amigas, e uma hora ou outra elas tinham que saber...Por mais que não quisesse. As amigas olhavam ameaçadoramente para Sango. Ela suava. Se não contasse, estaria assinando sua sentença de morte. Aquelas meninas ficavam assustadoras quando queriam algo. Mexeu, como de costume quando se sentia acuada e fez uma expressão de "calma, eu vou contar".
- Ontemagenteficounasaladedetenção,elemeseqüestrou,sedeclarou pramim! – disse tudo num fôlego só, o que dificultou o entendimento de suas amigas.
Kagome e Rin se entreolharam. Sango só falava rápido quando no mato tinha coelho, e naquele mato, obviamente TINHA coelho, por se tratar do Miroku hentai. Rin quase bateu na baterista, quando a mesma ficou vermelha como um pimentão e já ia sair correndo, mas Rin a impediu, segurando fortemente em seu braço e lançando AQUELE olhar. Já lhes disse o quanto aquelas meninas eram assustadoras quando queriam algo?
Sango, depois de muito protestar, sentou-se entre suas amigas novamente, e com um ar derrotado, contou-lhes tudo. Desde o quase beijo até àquela conversa, no mínimo, bizarra que ela teve com o garoto. Velhos assuntos, velhas feridas. As três não repararam, de tão entretidas no assunto, quem adentrava no pátio de Educação Física. Era Miroku. Ele caminhou lentamente até a arquibancada oposta à de Sango, ficando de frente para o grupo que conversava, com a quadra entre eles. Apesar da pequena atenção que Miroku chamou, por causa do objeto estranho que ele carregava em uma de suas mãos, as meninas Sango, Kagome e Rin ainda não tinham reparado nem ao menos em sua presença de tão entretidas. Ele revirou os olhos. Meninas. Apesar de elas serem as mais diferentes de toda a escola, ainda sim, eram meninas que se "atualizavam" nos assuntos umas das outras.
Ouviu-se um ruído de interferência nos alto-falantes do teto do pátio de Educação Física. Todos os alunos fizeram uma careta, obviamente, porque aquele som era demasiadamente irritante. Rin, que agora olhava ao redor, um pouco assustada por causa do ritmo dos alunos, percebeu que Miroku estava na arquibancada oposta à dela e segurava alguma coisa perto do corpo. Parecia um microfone. Ok. A cena ficava cada vez mais esquisita na medida em que Miroku tomava um ar sério e olhava em volta, mais precisamente para os alto-falantes no teto do pátio, como se ele estivesse conferindo alguma coisa que poderia estar errada. Algumas pessoas se aproximaram do menino, da sua sala, perguntando o que ele estava fazendo com um microfone, mas Miroku não respondeu e pediu desculpas, dizendo que tinha que resolver algumas coisas pendentes e se afastando de seus colegas.
Sango percebeu que sua amiga não estava mais ouvindo nada do que ela falava e se sentiu incomodada.
- Rin? – pegou no braço da menina baixinha de aparência frágil. – Você por acaso está escutando o que eu estou falando? – Rin pareceu assustar-se com a súbita pergunta, tirando a sua concentração daquela cena bizarra que acontecia bem diante delas.
Ela sorriu, pedindo desculpas. Mas antes que Sango pudesse continuar sua fala, Rin beliscou seu braço.
- Olhe o que está acontecendo do outro lado da quadra. – sussurrou para Sango. Kagome pareceu se interessar e achegou-se mais perto das meninas. – O que você acha que ele está fazendo?
Sango percebia pelo canto do olho que Rin sorria de um jeito estranho. Não ficaria intrigada, se aquela movimentação toda perto de Miroku não fosse um pouco bizarra, principalmente com o microfone em sua mão esquerda.
- E por que eu iria querer saber? – fingiu-se desinteressada.
- Ah, qual é minha querida. Você não acha isso um pouco suspeito? – Kagome se intrometeu. Sango e Rin olharam mais atentamente para a outra arquibancada.
Sango arqueou uma das sobrancelhas. O que diabos o idiota do Miroku iria fazer?
- Eu sugiro que investigar não seria uma má idéia? – Rin falou suavemente, mas tão excitada com a idéia do quanto sua voz fazia parecer.
Antes que Sango e Kagome pudessem concordar com a idéia, uma música começou a tocar nos alto-falantes. Uma música que Sango conhecia muito bem. Antiga. Muito antiga. Uma música que ela simplesmente amava.
Miroku suspirou. Balançou a cabeça, fazendo um leve alongamento, e as pessoas pouco a pouco se afastaram dele, pressentindo que ele faria algo, no mínimo, bizarro.
Ele começou com dois passinhos para o lado, mexendo os braços conforme o seu corpo e os pés e a música, como se ele estivesse fazendo algum musical da Broadway ou algo parecido. A música tinha um ritmo calmo, um ritmo de música antiga, mas significativa, totalmente inebriante. Sango, sem perceber, olhava com curiosidade para Miroku e batia os pés junto com o ritmo da música, enquanto Rin e Kagome se entreolhavam a cada 15 segundos e depois olhavam, totalmente confusas, para Miroku, que fitava diretamente o grupo das três meninas.
- I know your eyes in the morning sun...- ele começou a cantar, andando pelas arquibancadas, indo e voltando, com o microfone na mão, olhando diretamente para Sango. - I feel you touch me in the pouring rain...
Todos prenderam a respiração quando perceberam para quem a música era dedicada. Tsubaki que estava no bebedouro perto da quadra, engasgou-se com a água quando uma amiga lhe sussurrou o que estava acontecendo.
Mesmo com o silêncio totalmente constrangedor, Miroku não se importou e continuou a cantar, como se estivesse apenas ele e Sango no lugar.
- And the moment that you wander far from me. I wanna feel you in my arms again...
Com um movimento rápido, Miroku abaixou-se, ficando quase ajoelhado, apontando o braço livre em direção a Sango. A menina estava totalmente perplexa. Passava mal. Todos olhavam em sua direção, esperando um ataque histérico típico das menininhas cabeças fracas daquela escola, mas ela mal podia respirar, suas pernas estavam bambas e ela tinha certeza de que se tentasse se levantar, rolaria da arquibancada até o chão da quadra. Mas não era pelo motivo que todos achavam. Não era porque ela estava gostando daquela interpretação ridícula dos Bee Gees, mas sim porque Sango nunca tinha sido "exposta" daquela forma para toda a escola. Miroku era um idiota. Sango não mais escutava o que Miroku cantava. Quando percebeu, ele já estava no refrão mais famoso de todas as músicas:
- How deep is your love? How deep is your love? I really mean to learn...
O garoto pulou dois "bancos" da arquibancada e começou a se dirigir para a do lado oposta, onde Sango o fitava com uma expressão estranha ao lado das amigas, que ao contrário dela, sorriam e balançavam os corpos em ritmo com a música. Inspirou fundo quando a música deu uma brecha. Aquele ato seria o ápice da sua apresentação, da sua declaração. Era tudo, ou nada e um belo soco nas fuças. A princípio, estranhou as caretas que Kagome fazia, os olhares, as piscadas de olho, diretamente para ele, mas sem chamar a atenção de Rin ou Sango. Achou que ela o estivesse cantando, descartou aquela idéia idiota mais rapidamente do que havia pensado. Sango era sua melhor amiga, sua irmã de criação. Ela não faria isso, principalmente por ser extremamente tímida e quieta. Continuou aproximando de Sango, fazendo seus "belos movimentos" enquanto cantava, sem hesitar ou reparar no olhar de desespero que Kagome lhe lançava.
A guitarrista quase esmigalhou os pulsos de tanto que os apertava em desespero. Miroku não estava entendendo. Sango não estava gostando daquilo, daquela declaração bem intencionada, mas mal feita, da boca para fora. Lançou um olhar de canto de olho para a menina de mechas azuis e lá estava ela: impassível, costas eretas, pulsos fechados em cima das coxas, olhar duro e um leve franzir de testa. Definitivamente, se Miroku não parasse, ele com certeza apanharia feio da menina. "Idiota, pare!" pensou com um grito entalado em sua garganta quando Miroku aproximou-se perigosamente de Sango e tocou seu queixo.
- Breaking us down when they all should let us be. – Miroku subiu alguns degraus, e parando em frente a Sango, não teve medo de se aproximar o suficiente e tocar o queixo da menina, apesar de uma voz gritar em sua cabeça "Não idiota! Ela não está gostando!". - We belong to you and me.
Todos os olhares das pessoas que estavam no pátio estavam para eles, Sango e Miroku, em meio a uma cena bizarra de declaração de amor aparentemente bem intencionada pela parte do Houshi. Sango fora exposta, e agora, todos a olhavam, a encurralavam em sua mente, como se fosse uma pessoa leprosa, com aquele olhar de repugnância que ela mais odiava nos seres humanos, especificamente os seres humanos DAQUELA escola. Ela sentiu falta de ar no início, quando a crise estava em seu ápice, mas ela tinha melhorado apenas para fazer o que estava em sua mente há algum tempo. Miroku a fitava, esperando algum tipo de resposta que não viria. A menina levantou-se, com os olhos vidrados em Miroku, e fitaram-se em silêncio por alguns segundos, um silêncio completamente constrangedor se formou, fazendo todos a sua volta prenderem a respiração, e o mais idiotas, esperarem ansiosamente por mais uma briga da Sango Selvagem. Mas o mesmo não aconteceu. Sango estava quieta, não se mexia, transformando sua imagem a de uma estátua. O menino também não se mexia. Quando alguns minutos se passaram, com a impressão de anos para Miroku, a menina caminhou, esbarrando nele propositalmente, desceu as escadas da arquibancada, e se retirou daquele showzinho sem sentido algum, cujas palavras mais importantes eram ditas apenas da boca para fora.
Miroku inspirou fundo. Olhou para Kagome e Rin, que agora estavam ao seu lado.
- Diga-me, o que eu fiz de errado dessa vez?
- Miroku, você a expôs para toda a essa maldita escola, como acha que ela estaria se sentindo? – Kagome balançou negativamente a cabeça.
- Como assim?
Dessa vez, foi a vez de Rin se pronunciar.
- Miroku, você a conhece, ou pelo menos eu acho que conheça. – ela deu um tapinha amigável em seu ombro. – Você sabe que a Sango odeia palavras ditas da boca para fora, principalmente, em público. Ela valoriza mais do que tudo as palavras.
Rin estava certa. Como ele esquecera daquele fato? Ele a conhecia há muito tempo para poder esquecer daquele simples e estranho fato, mas que poderia tê-lo salvado de uma rejeição, agora que ele sabia o que realmente queria.
- Vou tentar acalmar a fera. Você percebeu, ela está tentando mudar. Mas não é fácil. – Kagome piscou para Miroku, tentando lhe passar algum conforto e foi para o mesmo caminho que Sango seguira.
- Hum...Diria que foi um péssimo negócio esse seu de brincar de cover. - InuYasha disse, enquanto se aproximava de Miroku e lhe fazia um sinal para que se sentasse com ele na arquibancada. – Ainda mais com um público grande como esse.
Miroku suspirou.
- Talvez você tenha razão...- admitiu. – Talvez.
OoooOoO
Sango fitava os próprios pés, estava sentada no chão do banheiro da escola, numa vã tentativa de que ninguém a incomodasse. Ela odiava o banheiro, aquilo era um fato, mas ela estava tão aturdida, confusa e principalmente, com um sentimento de revolta, que ela mal notara que estava realmente no banheiro. Havia ido até lá inconscientemente. Ouvi os passos e a voz baixa e calma de Kagome e suspirou, não estando surpresa que a amiga a acharia naquele lugar. Ouviu a porta do banheiro se abrindo, mas não se virou para encará-las, encarar a expressão de compreensão e calma que Sango e Rin a olhariam.
- Você deveria relevar as coisas um pouco, não acha? – Kagome disse ao se abaixar ao lado da amiga. Rin também o fez.
Sango não tentaria lhe contradizer. Era verdade. Ela queria mudar aquele jeito meio explosivo, mas o que fazer quando as pessoas mesmo a provocam? Apoiou o cotovelo no joelho e afundou a face na mesma mão.
- Você não acha meio irônico o Miroku, o Houshi, falar sobre amor? – Sango murmurou. Viu Rin dar uma risadinha pelo canto do olho.
- Eu disse que você odiava palavras ditas da boca para fora. – Rin disse.
Sango sentiu sua cabeça pesar. Não era o momento para tudo aquilo. Não era o momento para pensar sobre aquilo, ainda mais com uma dor de cabeça daquelas que só passaria com uma boa dose de boa música. Ou com alguma bebida.
- Eu estou tentando evitar uma briga, mas parece que as pessoas gostam de me provocar...
- Nós duas sabemos que você poderia ter dado um soco na boca do Miroku naquele momento em que ele lhe tocou...- Rin disse com empolgação desnecessária, tentando transmitir confiança. – Mas você não o fez. Olha como você está indo bem...
Kagome quase deu um beliscão em Rin por ter dito aquilo.
- Por que...Por que ele faz tudo errado? – a baterista sentiu as lágrimas chegarem a seus olhos, mas não queria chorar, até porque, a raiva era maior que a dor. – Ele é um estúpido, por que eu tenho que gostar de um estúpido?
Kagome e Rin se entreolharam assustadas com o que Sango estava falando. Não tinham certeza de como agir daquele momento em diante porque nunca a tinham visto daquele jeito, tão abalada, tão frágil que poderia se quebrar com uma força pequena. Mas elas sabiam que dali a poucos minutos, a menina já estaria de volta ao seu "antigo eu", e ela esmurraria quem dissesse o contrário. Aquela era a Sango. Uma pessoa forte, mas frágil.
- Por que ele tem que estragar as coisas? – Sango deu um berro abafado pelas mãos. – Ele fala de amor como se dissesse "Bom dia...".
- Aposto que essa não foi a intenção dele, Sango. – Rin disse calmamente. – Você ainda não parou para pensar no lado dele. Ele apenas queria lhe fazer uma surpresa...
Sango levantou-se silenciosamente.
- E outra: você disse a ele que ele deveria se decidir sobre o que ele realmente quer, e só depois, vir falar com você.
Kagome assentiu. Sango estava agindo como se ela fosse a única pessoa que sairia machucada de toda a situação, sem parar para analisar o que Miroku sentia, mas sabia que ela não o fazia por mal. Miroku tinha procurado aquela situação quando traiu a confiança de Sango.
- Agora quem precisa se decidir é você. Quer acreditar nele novamente, ou se entregará por definitivo a esse seu rancor? – a guitarrista lhe disse. Pegou a mão de Sango e deu um beijo leve. – Não pode continuar desse jeito.
A conversa foi interrompida pelo som rangente da porta do banheiro se abrindo, revelando a forma esbelta e a beleza exótica de Tsubaki. Tsubaki era uma garota dos olhos mais verdes que toda a escola já conheceu, a pele pálida e o nariz arrebitado lhe davam um ar de graça, o cabelo louro escorrido, sempre caindo disciplinadamente pelos ombros eram fascinantes. Mas apesar da beleza estonteante de Tsubaki, ela era podre por dentro. Gananciosa, invejosa, convencida de sua beleza, as únicas pessoas que agüentavam-na eram os meninos, obviamente interessados por ela, e outras garotas de seu tipo.
- Olha só, reunião das losers. Interrompo algo? – ela disse em tom estridente. Sango apoiou-se na pia e segurou as bordas firmemente, tentando se controlar, fitando-se intensamente no espelho. – Rin querida, já lhe dei conselhos o suficiente, não? - Tsubaki olhou suas unhas enquanto se dirigia para Rin – O pessoal já está começando a falar...
Rin e Kagome se levantaram, caminhando até Sango, ignorando totalmente a conversa, por mais difícil que fosse. As três meninas agora se olhavam quietas para o espelho, comunicando-se com o olhar, o ar ficando tenso e pesado, e o som irritante da lixa de unha de Tsubaki. A luz branca do banheiro dava uma iluminação pálida para o cabelo e rosto de Tsubaki, reluzindo perfeitamente nas mechas azuis do cabelo de Sango.
- Você pode nos dar uma licença, Tsubaki? A gente está batendo um papo aqui...- Rin resolveu se pronunciar, virando-se de costas para o espelho e fitou a loira pelos olhos. – Por favor?
Ela tentou falar o mais polidamente impossível sem deixar transparecer o nervosismo que se formava dentro dela, temendo que uma briga pudesse acontecer, e todo mundo levar uma expulsão. Era fato que Rin não gostava de briga e tampouco a procurava. Ela era a neutra da escola. Sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem ao ouvir uma risada sarcástica de Tsubaki.
- Eu realmente não sei o que o Miroku queria com todo aquele showzinho...- ela começou, dando um passo para frente. – Mas saiba, Sango, que ele apenas quer que você seja mais uma. Você sabe, eu sei, todo mundo sabe: ele não gosta de você.
Sango sentiu sua pulsação ficar mais rápida. Ela ia se descontrolar. Sua amiga Kagome estava percebendo a sua mudança de expressão pelo espelho, a testa ficar franzida por causa da menção do ocorrido passado e segurou o pulso da baterista como uma fala silenciosa de "você consegue"...
- Aposto que você se escondeu no banheiro para não demonstrar o quanto ficou iludida, né Sangozinha? – deu ênfase à última palavra.
- Tsubaki, vaza daqui, ou eu vou mandar você para o hospital. - Sango murmurou, mas com tal agressividade que qualquer ouviria aquilo em muitos metros de distância. Ela estava se controlando.
Mas quem não se controlou foi Kagome. Ela já estava cheia das provocações, humilhações, rejeições daquele tipo de pessoa que predominava na Goshinboku. Achando que a escola eram deles e quem não aceitasse, ia pro pau. Kagome não tinha cansado de ser a Kagome, ela apenas cansou de aceitar ser essa Kagome que aceitava tudo. Encarou Tsubaki de repente.
- Então a questão é essa, certo? Miroku. – ela praticamente cuspiu as palavras por entre os dentes.
A loira se assustou. "E não é que a loser resolveu abrir a boca agora?"
Colocou as mãos na cintura e forçou o tronco para frente, perto das três meninas.
- Vou te explicar uma coisa, Kagome...- a loira piscou demoradamente ajeitando os cabelos para os ombros. – Vamos ver se você tem inteligência o suficiente para entender meu raciocínio...
- Acho que é o contrário, loira oxigenada. – Kagome disse com o tom de voz alto, fazendo a conversa repercutir pelo corredor.
Sango agora olhava para a amiga. O que estava acontecendo? Kagome agora estava se defendendo sozinha? Rin parecia se perguntar a mesma coisa.
Tsubaki soltou uma gargalhada.
- E não é que a rejeitada resolveu soltar as "asinhas" de fora? – riu de novo e mais alto. – Mas continuando...- dessa vez falou dirigindo-se para Sango. – Na boa Sangozinha, não se iluda com o Miroku.
- Se você só veio falar isso, por favor, pode se retirar. Não precisamos de conselhos inúteis vindo de uma pessoa mais inútil ainda.
Pronto. De todas as provocações, a de ser chamada de inútil foi a que irritou mais a menina loira Tsubaki, principalmente vindo de alguém que não tinha praticamente voz para se impor em qualquer situação.
- As coisas não funcionam assim, Kagominha. Se você acha que revidar agora todas as provocações que eu já lhe falei é a coisa mais esperta a se fazer...- o tom de ameaça aumentou. – Você está enganada. Não ache que essas provocações estarão isentas de conseqüências.
- Ui, a loira do banheiro resolveu falar difícil agora. Que medinho.
Tsubaki avançou pra cima de Kagome, mas a reação da menina foi a de apenas olhar firmemente para a loira, sem medo.
- Não me provoque. – disse por entre os dentes brancos e perfeitos, formando um sorriso sinistro. – Você não me conhece.
- Ótimo. Você também não me conhece.
Encararam-se por alguns segundos e, depois, Tsubaki saiu do banheiro, batendo a porta do mesmo com força, com seus passos repercutindo por todo o corredor.
OoooOoO
Ainda não acreditava que marcara um encontro com o Houshi depois de tudo o que se passou pela sua cabeça após o acontecimento na quadra, mas ela tinha que admitir, estava querendo resolver de uma vez por todas as coisas, e óbvio, descobrir porque o achava tão irritante. Ajeitou-se no tronco da famosa árvore da Goshinboku, que oferecia a melhor sombra, e também, um lugar perfeito para os casais em busca de privacidade. "Um pouco irônico", riu com o próprio pensamento. Lia Entrevista com O Vampiro para passar o tempo. Virou uma página e sentiu uma presença sentar ao seu lado, mas não precisou olhar para descobrir quem era. Era ele.
- Aposto que você já decorou as falas desse livro. – Miroku disse com um sorriso se formando em seu rosto.
Sango soltou um riso desconcertado. Sim, ela já havia decorado as falas daquele livro de Anne Rice de tanto que já o havia lido.
- Minha memória não é tão boa assim. – mentiu. Virou mais uma página.
- Claro que não. – o menino ironizou. - O seu gosto por Anne Rice não desapareceria tão rapidamente. – ele disse, receoso de que aquela conversa levaria a uma mais desagradável. – Eu lembro que você deixava de brincar comigo e com a Kagome para ler este livro.
- Se "deixar de brincar" significa: se recusar a trancar o cachorro do vizinho no meu porão, eu deixava sim. – ela disse com o rosto meio contorcido, querendo rir, mas o impedindo, e virou mais uma página.
Miroku sentou-se mais perto de Sango, podendo sentir o calor que seu corpo emanava e se controlou para não tocá-lo.
Os olhares se encontraram de repente e disseram em uníssono:
- Olha-
- Então-
Miroku riu, juntamente com Sango, e fez-lhe um sinal para que ela falasse primeiro.
- Olha, sei o que pareceu naquela hora, mas eu realmente não fiquei brava com a situação e talz...- ela apertava o próprio punho, em sinal de desespero, de vergonha. – Eu apenas fiquei meio desconcertada, sabe?
Sei Miroku completou em pensamento, sorrindo mais.
- É a primeira vez que alguém faz isso pra mim... É meio constrangedor... É como se fosse a primeira transa, sabe? Dá vergonha e tal...- ela interrompeu a frase, percebendo que o menino a olhava curiosamente por causa do que havia dito. Suspirou e recomeçou. – Acho que estou falando asneiras demais.
- Sinceramente?
- Sinceramente.
- Acho que você está um pouco desesperada.
Miroku arrependeu-se de ter respondido àquela pergunta. Era óbvio que aquilo o que Sango estava fazendo exigia muito dela, e era de se esperar que aquela resposta a deixaria mais receosa do que já estava. Mas resolveu parar de pensar naquele assunto e aproveitar cada minuto do seu tempo, raro, diga-se de passagem, com a menina.
- Apenas me desculpe por dizer aquelas palavras sem lhe provar. Soa irônica a palavra "amor" vindo do maior pervertido da escola, eu sei.
Soava, mas o que Sango podia dizer pra si mesma sendo que ela havia acreditado nele? Que o amor que ele sentia por ela era tão profundo, quanto na música? Ela havia acreditado inconscientemente, mas sabia que tinha pontada de esperança naquelas palavras.
- Nossa Houshi, e não é que você é bom mesmo em entender as coisas? – Sango comentou com um sorriso sem graça. Miroku riu por um breve momento, mas voltou a ficar sério.
- Ah qual é, achou que você teria que falar muito mais do que já estava falando para que eu entendesse?
- Sinceramente?
- Sinceramente.
- Eu pensei que teria que recitar um livro pra você.
Ambos começaram a rir totalmente sem jeito, como nos velhos tempos, como na infância feliz que eles tiveram juntos, as crianças mais pentelhas que todo o bairro já havia visto, como no tempo em que eles brincavam de escalar árvores mais rapidamente...Miroku arriscou colocar sua mão de leve na mão de Sango. Achou que ela iria recuar.
Mas ela não recuou, e apertou com força, a mão de Miroku.
Continua...
Oi gente :D
Eu sei, eu sei. Eu demorei, de novo. Mas não tanto quanto antes aháááááá! Asasiuhasuauhasiha. Capítulo que eu pensei em um dia e demorei várias semanas pra escrevê-lo. Ah, a parte da Tsubaki, nada contra loiras, ok? Eu SOU loira, então, não tenho nada contra xD. Estou com o cap. 10 pronto na minha cabeça, mas pra passar pro Word, vai demorar um pouco, já que eu to entalada de provas e trabalhos. Mas fiquem tranqüilos que 4 meses eu não demoro mais (envergonhada demais pra continuar)
Música: nada a comentar. Apenas OUÇAM essa música. É linda.
Vamos as reviews então? Bom, antes disso, MUITO obrigada por todas. Eu as amo tanto...É o que me motiva a continuar surtando nos capítulos aiushaiushauisha. Obrigada.
Lory Higurashi: Ooooi! Ai, que desculpas o que menina. Você acha que eu ficaria brava por isso? Apenas se você lesse todos os capítulos e não deixasse uma review! Auishaishausihasa Brincadeira. Mas que bom que você gostou. Eu simplesmente surto quando aparece uma review de uma nova leitora, principalmente quando a pessoa diz que gostou da minha história. Mas olha, o Inu vai ser muito cabeçudo ainda viu? O Miroku nem tanto, até porque, ele já está pagando por seus pecados (muhahaha), não tenha ódio deles. Eles é que dão a graça nos acontecimentos. :) Gostou do cap. moça? Espero sua review! Beijinhos e até mais!
Ps: eu escrevo cartas no banheiro, portanto, não se envergonhe Lory! Uihuihauishausha.
Lady Nanah xP: Ooooi moça! Obrigada pela review e ta aaeee o capítulo que você estava ansiosa pra ler. Gostou dele? Beijinhos!
Plii-chan: Pliiii-chann, flor! Como está? Eu já disse que simplesmente amo suas reviews? Não? Eu amo (y). aiushauishausha Meu, quando eu escrevi a parte em que o Inu pedia desculpas pelo beijo, eu simplesmente me coloquei no lugar da Kagome. Na boa, eu ia dar um soco de direita nele depois dessa! Auhsauishausa. Mas tudo bem, ele é cabeçudo, mas ainda é o garoto de cabelos prateados com olhos dourados (morre). E a Sango ta tentando mudar, poxa. Ela cansou daquele vida de "revoltada". Mentira, não se cansou não. Ela apenas não ta muito a fim de ficar brigando por qualquer coisa. Mas é isso. Gostou do capítulo, Plii-chan? Espero sua review! Beijinhos e obrigada :D
Duda: Ooook, espero que eu esteja perdoada pela demora de novo. Uaihsauihsasuah. Menina, ta de castigo de pc? Poxa, vê se não apronta né Duda! Mas gostou do capítulo? Ah, a banda que eu dediquei pro capítulo, é muito boa, procure escutar, principalmente All The Same! Aguardo sua review. Obrigada Duda. Beijinhos e até mais.
Lady Bella-chan: Oooooooooi Lady! Será que vc vai me xingar pela demora? Ou será que você vai me perdoar? Aishauishauah. Olha, sério mesmo, eu tento não demorar tanto, até porque eu gosto de escrever, mas o tempo aqui é escasso :( Estudos matam. Mas ainda conseguirei postar um capítulo a cada 2 semanas, igual no começo (espero). Então, Sango melosa nem eu tina previsto, mas ela disse (na minha cabeça, claro) que não queria ser tão agressiva. Então ela mudou um pouco. Mas também melhor não é abusar, porque afinal, é a Sango. Kagome provocante? Bom, chega mais (puxa Lady pra perto), isso está nos meus planos. Mas tudo depende também da história correndo. Espero que vc ainda agüente minha história (envergonhada). Enfim, gostou desse capítulo? Aguardo sua review. Beijinhos e obrigada :)
Kagome Juju Assis: Oláááá menina que odeia (agora, não mais) as próprias fics! Aushasiuahuiahsaush. Brincadeira. Mas é sério, parou de odiá-las mesmo? ò.õ
Bom, gostou desse capítulo? Ele ficou um pouquinho menor que o normal, mas acho que ninguém percebeu (olha em volta). Obrigada pela review, Juju (posso te chamar assim?). Beijinhos e até mais.
Dark Maidie: Olááá! Obrigada pela review, obrigada mesmo. Gostou desse capítulo? Beijinhos e até mais!
Letícia: Oláááá. Auihsuaishausihasa. Sango bebe, mas não a ponto de mudar de personalidade. Ou será que sim? ò.õ Nem eu a conheço muito bem, ela é meio imprevisível. Mas e aí, gostou do capítulo? Espero que sim . Aguardo sua review. Obrigada e até mais.
Lohan.y: Atualizado, depois de algumas semanas (será meses?) uiahsauishauh. Espero não ter demorado muito. Gostou do capítulo? Obrigada pela review!
Biaah: Ooiii moça, olha, tentei não demorar, mas e aí, o que você acha? Demorei demais? Gostou do capítulo? Espero que sim (envergonhada), auhsasuihasa. Obrigada pela review, até mais.
Bom, acho que não esqueci ninguém. Se esqueci, me xinguem, por favor aiushasuihasuiah. Até o próximo capítulo.
Amy Says.
