Ele o tinha visto durante as aulas, sempre o admirava secretamente.

Havia zombado dele no Club de Duelos, riu por fora, mas se sentia mal. Tinha sido um erro, queria poder se desculpar.

Sentia a culpa o corroendo por dentro, não conseguia evitar de tratá-lo assim. Era seu jeito de lhe atrair a atenção. De ficar perto. Era seu momento mais íntimo com ele.

Sempre fazia de tudo para ter mais. Durante as aulas, as refeições, o quidditch. Queria estar presente, queria só vê-lo, calado, mas não conseguia manter sua boca fechada. Queria aquele olhar, queria que só se lembrasse que ele existia.

Sentiu aquelas lágrimas novamente, tão pesadas de culpa. Não o deixavam dormir, não lhe davam um minuto de paz.

Seu desejo o deixava em conflito. Seu coração apertava dentro peito.

Como podia ser assim se no fundo a única coisa que queria eram aqueles olhos azuis sorrindo em sua direção? Era que por um minuto, um único momento, eles se encontrassem e se amassem.

Queria estar com ele, mas não podia. Queria vê-lo, mas não devia. Queria ouvi-lo, tocá-lo, tê-lo, mas seria um erro.

Queria ele, não podia evitar, o que sentia por aquele garoto da cicatriz batia forte em seu peito. Queria poder lhe dizer, queria que tudo se tornasse perfeito, queria beijar seu lábios e viver um sonho ao seu lado. Queria tanto que lhe tirava o sono.