Hikutsu ja nai kono omoi ga hashikana hitotsu no pride.
(Esse meu sentimento sem sentido é certamente meu único orgulho.)
Mokashini mi ta eiga mitai,
(Parece com um filme que vi há muito tempo atrás,)
boku ni ha mieru ashita no jibun ga.
(o meu futuro que posso ver.)
7ª Noite – O General
'- A missão de vocês duas vai ser entregar essa pasta para o General Sarutobi. – Sasori explicou indicando a pasta preta com o olhar.
- Eu nunca nem ao menos vi o General Sarutobi, Sasori-sama. – comentou a garota de olhos verde-oliva, cabelo cacheado até o meio da cintura e pele branca como neve, contrastando muito com a roupa negra de Exorcista. Usava uma saia preta com detalhes em branco nas laterais, uma bota de cano baixo, mas que parecia chegar até o meio das coxas dela, devido as meias 7/9 também pretas. O casaco da organização tinha gola alta branca e mangas compridas.
- Por isso Seiko estará lhe fazendo companhia, Anne. Sem contar que um procurador já está à espera de vocês para levá-las até o General. – continuou o ruivo e a morena fez uma careta.
Seiko deu uns tapinhas no ombro de Anne rindo um pouco.
- Não se preocupe, o General Sarutobi é uma pessoa única. Você vai adorá-lo. – comentou Seiko ajeitando de leve os fios de seu belo cabelo prateado.
- Vão logo, não sei se mencionei, mas essa missão é do tipo... Urgente. – resmungou Sasori e as duas saíram da sala. Não se passou nem meio minuto e Anne estava de volta, pedindo desculpas e pegando a mala que deveriam levar e quase haviam esquecido.'
Anne acordou com o trem fazendo uma parada brusca. Olhou para o lado e viu Seiko ainda dormindo profundamente. Diferente da amiga, ela não conseguia dormir assim quando estava agitada, tinha muito medo de conhecer um General, afinal eles eram todos conhecidos por serem quase máquinas de destruição. O único que conheceu foi o mesmo que a levou para a Ordem Negra, mas ele já estava fora desse trabalho há muito tempo, e o homem que o substituiu não é nada além de excêntrico. General Deidara.
- O que você tanto está pensando ein? – Seiko perguntou cutucando Anne bem nas costelas e chamando sua atenção dessa forma.
- Eu estava pensando... Err... Sobre que tipo de pessoa é o General Sarutobi. – falou um tanto insegura.
- Huum... O General Sarutobi é único.
- Você já disse isso...
- Então por que ainda está preocupada? – Seiko não conseguia entender o tipo de raciocínio da outra.
- General Deidara também é único. Isso não quer dizer que seja uma coisa boa... Porque ele é um pouco... Psicótico. – na última palavra sua voz se reduziu a um sussurro, como se ele pudesse estar ouvindo-as enquanto falavam.
- Sério? Só o conheci de vista quando passava pela Ordem uma vez ou outra. Ele me parecia um Exorcista bem normal...
- Se você diz... – Anne olhou para a janela ainda aflita, mas encerrando o assunto por hora. Seiko riu, percebendo que já estavam chegando a seu destino, prendeu o cabelo muito liso em um rabo de cavalo alto e pegou a mala que deviam entregar ao General.
O trem parou, e quando Anne e ela saíram logo foram recepcionadas por um dos procuradores (1) da Ordem. Seu nome era Iruka. Os procuradores ajudavam os Exorcistas de várias formas, procurando as Innocence, fazendo contato com a Ordem, pedindo reforços, primeiros-socorros e muitas vezes, quando não haviam Exorcistas livres, eram eles que checavam a ocorrência de Innocence antes de um ser mandado. Normalmente eram pessoas que haviam perdido familiares por culpa de Akumas ou do próprio Conde do Milênio, e que não eram compatíveis com uma Innocence.
- Viemos trazer isso para o General. – Seiko falou estendendo a pasta para Iruka, que não a pegou, simplesmente balançou a cabeça e falou.
- Desculpem, garotas. Mas o General recebeu informações da descoberta de uma nova Innocence na Bélgica e foi para lá. Então temo que teremos que seguí-lo.
- O que?! – as duas arregalaram os olhos ao perceber que o trem já tinha partido. Seria uma longa espera.
Após algum tempo sentados esperando:
- Os trens não passam muito por aqui. – constatou Anne balançando os pés, estava sentada entre Seiko e Iruka em um banco branco. Já haviam passado umas duas horas aproximadamente desde que haviam começado a esperar e nenhum trem havia passado ainda.
- Eu vou dar uma olhada nos horários. Não agüento mais ficar parada. – Seiko se pronunciou, ficando de pé e se espreguiçando rapidamente. Saiu de perto dos dois, indo checar um painel com as informações dos horários dos trens.
- Err... Iruka, você sabe me dizer que tipo de pessoa é o General Sarutobi? A Seiko disse que ele é uma pessoa única, mas quando o Sasori-sama me falou dele, há muito tempo, tinha mencionado algo sobre ele ser bem severo. – Anne comentou olhando de canto para Iruka, que deu um sorriso misterioso.
- Nenhum dos dois mentiu. General Sarutobi é sim uma pessoa severa quando se trata de cumprir seu dever e bom comportamento. Porém ele é muito gentil com todos os seus alunos. Trata todo mundo muito bem.
- Gentil?! – Anne colocou-se de pé repentinamente tamanho o choque. – Um... GENERAL GENTIL?!
- Sim... Por que está tão surpresa? – Iruka perguntou um pouco espantado pela reação da garota.
- Ah... As palavras 'general' e 'gentil' na mesma frase me fazem ter calafrios. Os poucos Generais que conheci não chegavam nem perto disso. – lembrou-se do olhar vazio de Sasori, mesmo quando a salvou e também na alegria psicótica de Deidara ao explodir tudo que via, antes de tomar alguns golpes do ruivo para que deixasse de ser tão descontrolado.
- Mas ele é. Gentil de verdade. E muito sábio, pode te ensinar muitas coisas. – Iruka sorriu para Anne e reparou que Seiko estava de volta e tinha um sorriso no rosto também. – Então, quando sai o próximo trem?
- Se estiver tudo certo, em cinco minutos ele estará aqui.
oOoOoOoOoOo
- Finalmente em casa. – Louize falou se espreguiçando e jogando-se em um sofá no salão onde normalmente os Exorcistas confraternizavam. – Eu disse Kyo, que seria nossa última missão seguida e logo estaríamos de volta para finalmente deixar de dormir no chão duro ou naquelas camas horríveis de hospedaria. – zombou a garota.
- Você diz isso porque não ficou responsável por levar aquela garota para fazer os testes junto com o Supervisor. – resmungou o garoto tirando a espada do cinto e sentando-se em um poltrona preguiçosamente.
- Ah, sim. Como a Lizzie se saiu? – perguntou Louize rindo e virando de bruços para poder encarar Kyoshiro, que simplesmente revirou os olhos e fez uma expressão de enfado.
- Bom...
Flashback
- Nãão! Eu não quero fazer testes. Eu não sou boa neles e sem contar que estou com fome e me sentindo suja. PRECISO de um banho. Estou desesperada por um. Mesmo que eu tivesse capacidade para passar nesse teste eu não conseguiria porque...
Sasori respirava fundo e mantinha os olhos fechados, provavelmente contando até dez mentalmente para não acabar dando um soco na garota. Enquanto Kyoshiro sustentava uma cara fechada, mas ao mesmo tempo se divertia com a cara do Supervisor, não era muito comum algo irritar o ruivo.
O elevador parou bruscamente, fazendo a garota cair no chão e assim, parar de falar por alguns momentos, até ver Hebraska e correr de olhos arregalados e gritando. Escondeu-se atrás de Kyoshiro.
- Agora que temos silêncio, eu posso explicar. – Sasori murmurou. – Hebraska, essa garota tem uma Innocence parasita, quero que avalie o nível de sincronização. – pediu o ruivo e Kyo empurrou a garota levemente na direção de Hebraska.
- Nãããão!!!!! – a garota gritava mais e mais conforme era sugada para dentro de Hebraska. Que em poucos minutos a cuspiu novamente.
- Sincronização de 69 por cento. Mas creio que poderão haver avanços com o tempo. – sorriu.
- Claro, claro. – Sasori anotou algumas coisas em sua prancheta e o elevador voltou a subir com os três nele.
Elizabeth tentou ficar de pé, mas logo o elevador parou de novo e ela deu de cara no chão. Sasori saiu do elevador sem nem ao menos olhar pra trás, não que fosse mal educado, simplesmente não podia agüentar mais cinco minutos com aquela tagarela. A garota sentou no chão com lágrimas nos olhos, e mesmo com algo dizendo que não devia fazer nada, Kyoshiro se abaixou próximo a ela, colocou uma mão no ombro de Elizabeth e perguntou:
- O que aconteceu?
- E-Eu... Eu... QUEBREI UMA UNHAAAAAAAA! – chorou mais ainda mostrando a unha quebrada para o Exorcista totalmente estupefato com a situação. Nunca tinha passado por algo parecido. E não fazia idéia de como uma garota como essa poderia sobreviver como Exorcista de agora em diante.
Fim do Flashback.
Ao fim da história Louize praticamente rolava de um lado para o outro rindo. Riu, riu, riu... Pelo menos até Kyoshiro pigarrear tentando chamar a atenção da companheira.
- Desculpa, Kyo. – se levantou e deu um beijo na cabeça do amigo. – Vou dormir. – andou até a saída do salão, mas antes de passar pela porta falou com seriedade. – Se você parar para analisar vai perceber que é graças a pessoas como ela que esse lugar não cai na escuridão.
Kyoshiro deu um pequeno sorriso. Sim, isso era a mais pura verdade.
oOoOoOoOoOo
Anne, Iruka e Seiko acabaram chegando na Bélgica ao anoitecer. Em uma cidade que se encontrava um pouco destruída e tinha muitas fábricas. O céu estava em uma cor um pouco arroxeada, indicando o início da noite.
- Foi aqui que o General disse que a Innocence estaria. – Iruka comentou olhando em volta. Já era tarde, provavelmente o General já tinha feito tudo e ido embora.
- Devíamos nos comunicar com ele, não? Para ver onde ele está e pedir para esperar. – concluiu Anne um pouco preocupada com a missão. Andar sem rumo não era uma solução muito boa, mesmo sendo um país pequeno, seria fácil se perder e não encontrar o General na Bélgica.
- Ele não está com um Golem sem fio. O dele foi perdido em um acidente. Não é isso que vocês estão trazendo para ele? – Iruka falou olhando para a mala que Seiko colocou no chão e abriu, deparando-se assim com um Golem preto, não muito diferente do seu próprio. - Mas se ele entrou em contato com o quartel general podemos ligar para lá e pedir informações.
- Não há tempo pra entrar em contato com o quartel. Ele deve estar em algum lugar perto. – Seiko falou fechando a mala novamente. – Não temos tempo a perder.
- Por que a pressa, Seiko? – Anne perguntou estranhando a atitude da companheira.
- Por causa dos habitantes da cidade. – ficou de pé e limpou os joelhos. Anne e Iruka olharam em volta e viram algumas pessoas escondidas, as poucas casas estavam com portas e janelas fechadas, ninguém caminhava pela rua. – Eu tenho certeza... Isso é sinal de Akumas.
- Eles devem ter aparecido após detectar a presença de uma Innocence. – Anne entendeu o que estava acontecendo.
- Sim. – Seiko concordou e as duas ouviram uma explosão vinda de algum lugar adiante. Se entreolharam e sem perder tempo saíram correndo.
- Ei, garotas! Esperem! Não esqueçam isso! – além de todo o equipamento que estava carregando nas costas Iruka pegou a mala com o Golem dentro e foi correndo atrás das duas Exorcistas.
Ao chegar no local da explosão as duas avistaram um Akuma de nível dois correndo e uma carruagem puxada por seis cavalos atrás dele. Um procurados guiava a carruagem atrás do Akuma, que ao se ver encurralado com um desfiladeiro atrás de si, parou e encarou a carruagem parada próxima a ele. Uma porta se abriu e de dentro dela saiu um senhor de idade e vestido completamente de preto, com uma roupa até suas canelas. Porém ele tinha uma espécie de poncho preto sobre os ombros, fechado na frente por dois botões de ouro e com detalhes em dourado. Assim como o broche da Ordem Negra, só que dourado também.
- Vamos logo, Akuma, me dê essa Innocence. Você está encurralado. – o General Sarutobi falou, segurando um pequeno bastão, que tinha o tamanho de uma caneta, na mão direita.
- Hahahah! Quem está encurralado agora? – o Akuma falou indicando o céu e tudo em volta deles. Onde vários Akumas de nível um estavam.
- Vejo que realmente não existe diálogo com vocês, Akumas. – resmungou o General fazendo seu bastão aumentar de tamanho. Ficando com um pouco mais de um metro. – Innocence, Hatsudo. – os Akumas que o cercaram começaram a atirar de todos os lados e girando o bastão habilmente, Sarutobi conseguiu se defender dos golpes.
- Generaaal! – Seiko gritou descendo o barranco que a separava do General e dos Akumas.
- Não faça isso, Seiko! – Anne desceu atrás da amiga. Conforme a poeira causada pela explosão da munição baixava os mesmos eram destruídos pelo bastão de Sarutobi, que crescia de maneira quase infinita derrubando uns cinco Akumas de uma única vez. – Incrível. – a Exorcista parou de correr só para observar os movimentos do General.
- Não vou mais pegar leve com você! – o nível dois gritou e todos os outros começaram a voar na direção do General.
- Innocence, Hatsudo! – Seiko ativou suas TwinBlades, segurando as duas adagas e se jogando em direção de alguns Akumas, ajudando o General a eliminá-los mais rapidamente.
- Ahhhh, malditos! – o nível dois pulou e em sua barriga surgiu uma espécie de canhão que mirou em Sarutobi.
- Por favor! Não se mexa, General! – Anne parou um pouco atrás dele e segurou os dois sinos que carregava presos em um cinto que ficava em volta de sua perna. – Innocence, Hatsudo. – os pequenos sinos ganharam uma cor esverdeada e a Exorcista fechou os olhos, balançando-os levemente. – Heaven's Symphony. – a onda sonora gerada pelos sinos atingiu o Akuma diversas vezes.
- DE ONDE VEM ESSE MALDITO SOM?! – gritou o Akuma colocando as mãos nos ouvidos e logo em seguida partindo ao meio devido ao golpe na velocidade do som.
A Innocence caiu de onde o Akuma estava até atingir o chão novamente. O General andou até ela com tranqüilidade e a pegou, colocando-a no bolso da roupa.
- Então, você é Anne Hendrick. – falou olhando para a garota que colocava os sinos de volta em seu lugar.
- Eu mesma. – ela sorriu um pouco apreensiva.
- E faz muito tempo que não nos vemos, não é mesmo, Seiko? – o General sorriu para a garota que se juntou a eles.
- Sim, General, faz muito tempo mesmo.
- Vocês me ajudaram em uma situação bem perigosa, obrigado, garotas.
- Fico feliz que esteja bem, General Sarutobi. E também que conseguimos recuperar a Innocence sem maiores problemas. – Anne falou.
- É verdade, porém, mais uma vez uma vida foi sacrificada. – falou olhando para a cidade novamente. E os quatro se encaminharam para lá, onde as pessoas já estavam fora de suas casas novamente, esperando por novidades do homem que as havia salvado.
- Agradecemos por tudo. – um homem falou em nome das pessoas que concordaram acenando a cabeça.
- Não foi nada... Me perdoem por ter demorado tanto, se tivesse sido mais rápido, nenhuma vida teria sido perdida. – Sarutobi falou abaixando a cabeça levemente ao pedir desculpas.
- Não diga isso. Graças a vocês, todas essas vidas foram salvas. – indicou com uma mão todas as pessoas da cidade que estavam reunidas ali e as mesmas bateram palmas para os Exorcistas que saíram de lá acenando, um tanto encabulados. Não era sempre que eram tratados tão bem.
oOoOoOoOoOo
- Por que pra Rússia? É simplesmente impossível ver um palmo a frente dos olhos com essa nevasca e ainda querem que encontremos uma Innocence?! COMO?! – Elea surtava aos poucos enquanto Arashi, Chiyo, Sasuke e ela caminhavam por uma nevasca que caia sem qualquer piedade sobre eles.
- Tenha paciência, disseram para procurarmos uma família que mora por aqui desde sempre, que eles saberiam nos dar as informações que precisamos, então fique calma, menina. – Chiyo resmungou segurando a barra do casaco de Arashi para conseguir se movimentar com mais facilidade. Afinal, a neve chegava ao meio de sua cintura. De repente trombou na sucessora. – Arashi! Não pare assim repentinamente!
- Tem uma pessoa aqui. – retrucou tirando um pouco de neve de cima de uma pessoa. - Ele está vivo. – constatou tirando o pulso como podia devido ao vento e a pouca mobilidade. – Ei, Sasuke! Ajuda aqui.
- Estamos aqui para procurar a Innocence e não fazer caridade. – retrucou o Exorcista ainda andando e a garota estreitou os olhos o encarando.
- A casa está perto. Podemos levá-lo até lá, ele vai congelar se ficar aqui. – Elea falou usando seus óculos de rastreamento de Akumas como binóculo e vendo a casa a poucos metros deles.
Sasuke bufou e voltou ajudando Arashi a colocar o homem meio em pé. De forma desengonçada devido a forte ventania conseguiram levar o senhor até a casa que podiam ver. Chiyo e Elea bateram na porta repetidas vezes, enquanto Arashi e Sasuke seguravam o homem. Quem abriu a porta foi uma garota, que parecia ter a idade de Sasuke, mas ao mesmo tempo parecia muito doente e frágil. Os cabelos róseos batiam nos ombros e ela vestia roupas bem quentes.
- PAPAI! – gritou ao ver o homem que já estava ficando azul devido ao frio intenso. – Entrem, rápido.
Chiyo preparou uma sopa com o que encontrou de comida na casa e serviu um prato para a garota e outro deu para o pai da mesma, que estava deitado na cama precisando de algo quente para forrar o estômago. Arashi a encarou com uma cara pidona, e a velha deu um tapa na orelha da garota. Sussurrando em seguida que a comida não era suficiente pra todos e que eles sobreviveriam um dia ou dois sem comer, diferente daquela garota e do pai dela que precisavam de força.
- Por que seu pai estava lá, Sakura? O tempo está horrível, ninguém devia sair de casa para a própria segurança.
- É que... Eu tenho uma doença rara e reza uma lenda na região que quem encontrar e comer do fruto da única árvore daqui terá uma vida saudável para sempre. Papai quer encontrar essa árvore e não importa o quanto eu fale ou tente impedir ele sempre vai atrás dela. Mesmo sabendo do perigo. – a garota sorriu tristemente.
- E qual é a doença que você tem? – Elea perguntou com um pouco de medo de também acabar contagiada, e dessa vez foi ela que tomou um cascudo dado por Chiyo.
- Ah. Meus ossos são bem fracos, quebram com facilidade, mas eu posso viver tranqüilamente se tomar cuidado para não cair ou bater em algo. – Sakura explicou.
- Estou indo. – Sasuke falou ficando de pé. Não tinha tempo a perder com historinhas. Nem mesmo com problemas alheios, tinha uma missão a cumprir.
- Miau... – um gato passou pelo Exorcista e se esfregou na perna do mesmo carinhosamente, miando de novo em seguida e encarando-o. O gato tinha o pêlo em tom de vinho e os olhos cor-de-âmbar fixaram-se em Sasuke, que estreitou os olhos estranhando a atitude do animal, normalmente gatos não gostavam dele.
- Bom, o que faremos? – Elea perguntou para Chiyo.
- Vocês também estão procurando a árvore dos milagres, não é? – o pai de Sakura saiu da cama e andou até eles. – Prometo dizer onde está, se trouxerem um fruto para minha filha.
- Papai!
- Cale-se, Sakura. Estou negociando sua saúde aqui.
- Faremos isso. – Arashi concordou pondo-se de pé e apertando a mão do homem.
- Arashi!! – Chiyo e Elea a repreenderam. Sasuke só fez questão de encarar a garota com raiva, mas não disse nada.
Depois de terem todas as coordenadas, os quatro saíram andando da casa para enfrentar novamente a tempestade. Sasuke não tinha idéia de porquê estava seguindo elas, enquanto Chiyo dava um sermão na sucessora sobre fazer as coisas sem pensar.
- Mas eu pensei!
- Não pensou. Agiu por impulso, estamos aqui em missão e essa árvore, que muito provavelmente nem existe, não tem nada a ver com nossa missão atual.
- E se tiver? E se for uma Innocence? – Arashi retrucou. Tinha realmente pensado na possibilidade ao aceitar a missão.
O silêncio foi ouvido até chegarem a uma clareira que incrivelmente não era afetada pela tempestade de neve. Nessa clareira uma grande árvore de cristal reluzia.
- Temos companhia. – Sasuke murmurou antes mesmo dos óculos de Elea reagir e Akumas começarem a surgir de debaixo da neve.
- Droga! – Chiyo resmungou descendo o barranco até a árvore utilizando os Akumas que surgiam como apoio para seus pés. Para pular de um no outro, de maneira bem rápida para uma senhora de mais de noventa anos.
- Innocence, Hatsudo. – Arashi comandou pegando uma pistola que estava presa a sua perna por cima da calça branca. A pistola prateada brilhou ao comando e tiros verdes puderam ser vistos atingindo os Akumas conforme os mesmos iam explodindo. E a garota ia afastando eles, para que não acertassem Chiyo.
- Seifuku... Innocence, Hatsudo. – Sasuke falou passando a mão pela lâmina de sua kusanagi e a mesma passando a brilhar conforme ele fazia isso. – Chidori. – murmurou e algo parecido com um raio azul saiu de sua kusanagi na direção de alguns Akumas de nível um. Explodindo todos ao mero toque.
Elea correu de alguns Akumas que atiravam nela. Eram muitos mesmo. Desde quando o Conde tinha tantos Akumas? Isso era algo que estava se tornando muito comum e ela não conseguia deixar de sentir um frio na espinha ao pensar sobre isso.
- Innocence, Hatsudo. – seu bracelete brilhou e uma lâmina saiu do mesmo. A Exorcista foi cortando o máximo de Akumas que conseguia, tentando se aproximar da árvore assim como Chiyo. Porque se haviam tantos Akumas ali era por alguma razão. Talvez a mesma razão que fez Arashi fazer um trato com aquele homem.
- Droga. São muitos, velhota. – a garota de cabelos pretos com mechas vermelhas reclamou e Chiyo virou-se na direção dos Akumas. Sim, eram muitos.
- Innocence, Hatsudo. – falou e um pergaminho que carregava em seu casaco soltou diversas agulhas parecidas com as que usava pra fazer acupuntura e todos os Akumas que foram pegos por uma explodiram.
- Vamos! – Sasuke puxou Elea pelo braço e os dois foram até a árvore também, evitando os Akumas que explodiam graças ao ataque múltiplo de Chiyo. Ao chegarem viram a Innocence verde brilhando no tronco da árvore. – Então é por isso que a árvore acabou cristalizada.
- Sim, de alguma forma a Innocence em sua forma pura, protegeu a árvore. Pode-se dizer que são compatíveis em algum nível, não? – Arashi perguntou para sua mestra, que guardava o pergaminho agora que os Akumas pareciam ter acabado naquela região.
- Exatamente. Por mais estranha que essa descoberta possa ser. Sasuke, me faça um favor. Corte parte da raiz da planta para levarmos junto com a Innocence. Sasori provavelmente vai se divertir estudando isso. Elea, me ajude a recolher a Innocence. E você, Arashi, quero ver como vai explicar ao pai daquela menina que os milagres dessa planta não são reais. – falou dando um tapa na orelha da garota, que sentou num canto.
- A parte mais difícil é sempre minha. – deu língua para Chiyo que estava de costas já.
oOoOoOoOoOo
Naruto vagava pelos corredores da surcusal da Organização Negra. Como seu braço direito doía. Não conseguia dormir, não com os gritos de socorro em sua mente. Ele precisava ajudá-los, mas naquele momento não sabia como. Sentou em um canto no corredor segurando o braço e mantendo os olhos fechados, não queria abri-los, não queria ver.
- Naruto? – uma voz tranqüila e conhecida chegou aos ouvidos do garoto, que se levantou rápido e olhou para Melody que se aproximava com cautela. – Está tudo bem?
- Está. Claro que sim, Melody. Por que está de pé? – forçou um sorriso e Melody estreitou os olhos.
- Ah. Não to conseguindo dormir direito. Muitas noites em claro te deixam desacostumado a dormir cedo... – mentiu, tinha ouvido Naruto gritar enquanto dormia e quando foi checar ele já não estava mais no quarto.
- Entendo... – não falou mais nada porque a garota o abraçou.
- Sabe, não precisa mentir, eu só quero ajudar. As pessoas aqui são minha família. Entenda isso, Naruto. Por favor, você é como um irmão pra mim, não quero que sofra sozinho.
- Melody... – afastou o abraço e soltou a própria mão direita, que segurava junto ao corpo. – Essa mão... Isso me faz sentir como um Akuma. – falou olhando o pentagrama na mão.
- Se é assim, isso – segurou a mão esquerda do garoto, mostrando a pedra verde da Innocence incrustada nela. – deveria te fazer sentir como um Exorcista, um humano, que pode salvar algo para salvar os outros. – sorriu docemente.
- Obrigado. – o loiro se acalmou, assim como as vozes em sua cabeça.
oOoOoOoOoOo
Anne, Seiko e Iruka encontravam-se agora dentro da carruagem de Sarutobi, que parecia mais uma pequena casa por culpa da mesa de jantar e do fogão dentro da mesma. Anne nunca tinha visto algo do tipo, estava mesmo impressionada.
- Então, Anne, fiquei sabendo que você foi treinada por Sasori, e depois do infeliz acidente, por Deidara, certo?
- É... Treinada. – Anne murmurou lembrando-se do jeito maníaco de Deidara e do jeito mais introspectivo e assassino de Sasori. – Quero dizer, eu sou muito grata aos dois. Eles me ensinaram muita coisa e... – tentou se explicar pra não soar ingrata.
- Haha. Como ser humano, Deidara é horrível. Mas a paixão dele em exterminar Akumas, passa por cima de a de qualquer um. – falou seriamente enquanto cozinhava. – Por isso provavelmente ele a aceitou como discípula. Como vocês duas sabem, nós, os cinco Generais, viajamos em busca de pessoas compatíveis com as Innocences que resgatamos. Com a que consegui hoje, tenho oito. Não sei quantas outras Innocence conseguirei ou quantas pessoas poderei salvar. É um jogo de sorte e azar. – começou a servir todos. – Mas tenho que seguir em frente para por um fim nessa maldita luta. – sentou-se com todos. – Comam. É pra mostrar minha gratidão. É seu favorito, Seiko.
- Hamburger! – Seiko riu feliz enquanto devorava a comida como se não houvesse amanhã. O General riu levemente. Sentia saudades de sua pupila travessa.
- Ah... Não precisava... – Anne começou.
- Não é minha gratidão por ter me salvado, Anne. E sim por ter se tornado uma Exorcista. Precisa de coragem para tomar essa decisão. Mesmo sendo compatível, ninguém é forçado a juntar-se a nós. Principalmente alguém tão jovem, vocês têm que comer o melhor.
- General Sarutobi... – sorriu timidamente.
Depois de algum tempo Seiko ainda devorava a comida.
- Não importa o quanto eu coma. Está muito bom. Tudo. – comentou a garota, enquanto todos a encaravam com estranheza. Ela não era um tipo Parasita, mas realmente sentia muita fome às vezes. Ao reparar que um pote de salada ficou vazio Seiko parou e encarou o General.
- Desculpe, comi a parte de vocês também.
- Sabe que não tem que se preocupar, Seiko. Continue comendo. Você comer me dá um motivo para cozinhar. Você ter vontade de comer, é um ótimo motivo para eu ter vontade de cozinhar para você, garota.
- É como o Iruka disse. – Anne começou e Iruka a encarou confuso. - General Sarutobi é um homem gentil. Aposto que seus alunos o adoravam, não?
- Não é exatamente assim. Há quarenta anos, antes de eu me tornar um Exorcista e bem antes de vocês nascerem, eu não pude salvar meus alunos. – Sarutobi falou com um pouco de melancolia na voz.
- Você quer dizer que... – Anne arregalou os olhos assustada.
- Eu ensinava em uma escola, meus alunos eram crianças maravilhosas e correspondiam meu amor por eles. Tínhamos um laço muito forte. Porém, um dia uma aluna faleceu, depois de muito tempo doente. Todos sofremos muito, todavia a melhor amiga dela, Joan, foi a que mais sofreu e lamentou a morte da minha aluna. – Fez uma pausa, essa história ainda mexia com ele de forma ruim. – Foi então que ele apareceu e jurou trazê-la de volta. Transformando a garota em um Akuma, que matou Joan e a vestiu. Ninguém entendeu quando Joan ficou muito tempo sem ir às aulas. Mas quando ela voltou, todos ficaram felizes...
Flashback
- Joan, por que não veio na última semana? – um menino perguntou.
- Você está um pouco pálida. – Foi a vez de uma menina comentar.
- Vamos nos animar, né? Julienne ia gostar disso. – uma outra menina falou sorrindo.
Joan deu um sorriso maléfico, os olhos saindo de foco e depois disso só gritos das outras crianças, que não podiam fazer nada para se defender, puderam ser ouvidos.
Sarutobi ouviu os gritos ao longe e correu na direção de sua sala de aula. Porém, ao chegar lá a única coisa que pôde ver foi o massacre. Seus preciosos alunos mortos. Sangue nas paredes e no chão da sala.
Fim do Flashback.
- Eu estava fora de mim, e mesmo assim corri para pedir ajuda. Mas ao chegar do lado de fora, eu vi o Akuma que Joan havia se tornado e um Exorcista matando-o com um único golpe certeiro. Ele me ensinou sobre a Organização Negra e Akumas, fui com ele até lá querendo ajudar e descobriram minha compatibilidade com uma Innocence. E venho lutando sem parar com Akumas, há quarenta anos, para evitar outras tragédias como a minha. Entretanto, elas ainda ocorrem. – olhou para Anne e Seiko. Conhecia a história de Seiko e agora, pelo olhar de Anne tinha certeza que a dela também não era um conto de fadas. – Você também parece carregar cicatrizes dolorosas, Anne.
- Eu... Meu pai morreu na guerra como um ninguém. E minha mãe ainda acreditava que ele estava vivo porque nunca fomos informadas de nada. Mas um dia, nossa cidade ficou cheia de Akumas e mamãe tomou um tiro e ficou sobre mim, para me proteger e fingir que eu também estava morta. Deidara shishou (2) me encontrou em estado de choque e me levou até Sasori-sama, que cuidou de mim. Os dois me explicaram sobre as Innocence, Akumas e Organização Negra.
- Você tem vivido bem até hoje. Sem arrependimentos e protegendo as outras pessoas. Isso é ótimo. – Sarutobi falou abraçando levemente a garota. – Entender o sofrimento das almas que viram Akumas e poder salvar essas almas, isso faz de você um Exorcista.
Anne sentiu lágrimas brotarem em seus olhos e abraçou Seiko, que ficou surpresa, mas sorriu na direção do General.
"Eu não estava errada, me tornar uma Exorcista foi a decisão certa, não é, mamãe?" pensou ainda chorando no ombro de Seiko.
No dia seguinte, Sarutobi levou as duas garotas até a estação de trem. Seiko não queria soltar o General, sentia que algo estranho ia acontecer. Mas era só um pressentimento.
"Coisa da minha cabeça, é saudades da comida e da companhia, isso sim." Pensou enquanto entrava no trem e ficava ao lado de Anne.
As duas foram até a janela e começaram a acenar para o General Sarutobi e Iruka.
- Até! Tchaaau! – gritavam enquanto o trem se distanciava e o General sorria. Iruka acenava para as duas também.
oOoOoOoOoOo
Os Exorcistas estavam saindo da Rússia, agora que tinham pego a Innocence a tempestade de neve parecia estar menor e o céu até estava bonito. Estavam todos sentados no trem, menos Chiyo que tinha ido correndo fazer outra missão e Sasuke estava um pouco distante de Elea e Arashi, que olhavam pela janela do trem, cansadas. Elea usava seus óculos uma última vez para ter certeza que não tinha sobrado nenhum Akuma e acabou vendo algo reluzindo no alto da torre da igreja, próximo ao sino.
- Hum...!
- O que houve? – Arashi perguntou sem desgrudar os olhos da janela.
- Achei ter visto alguma coisa, mas não foi nada. – tirou os óculos. – Vou pedir para o Sasori dar uma olhada nisso depois. – resmungou prendendo os mesmo na calça.
Sasuke observava a conversa das garotas sem interesse, mais no estilo de alguém que não tinha nada melhor pra fazer e olhou para o relógio. E virou a cabeça na direção da janela surpreso e confuso. Um gato! O mesmo gato de antes. Não... Um gato qualquer com certeza. Balançou a cabeça tentando se livrar dos pensamentos estranhos. O frio devia ter afetado ele.
No alto da torre da igreja o gato com pêlos de cor vinho mudou de forma para uma mulher com os cabelos da mesma cor dos pêlos do gato. Assim como os olhos âmbar, que encaravam o trem com interesse. Estava sentada observando os Exorcistas.
- Então são eles mesmos. Hum... – riu levemente, transformando-se em gato uma vez mais e pulando da torre da igreja.
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Duas figuras bem diferentes observavam a carruagem que vagava por aquela região, saindo da Bélgica. Itachi brincava com algumas cartas entre as palmas de suas mãos e Alycia balançava o guarda-chuva aberto de um lado para o outro, cantarolando uma musiquinha de maneira doce, mas que não deixava de ser diabólica.
- O Conde está pro-cu-rando; Pro-cu-rando seu precioso coração; Vamos ver se vo-cê; Está com eeele.
Alycia deu um sorriso maléfico encarando a carruagem na qual General Sarutobi viajava.
Tsuyoku, Tsuyoku naritai kara hashitteru...
(Quero muito alcançá-lo por isso corro atrás)
Hoshinata moto umeyou toshite hazushite shimatta pride,
(Das coisas que foram perdidas, quando tentei substituí-las perdi meu orgulho,)
Torimodosu yo kono ryoute de boku ni ha mieru ashita no pride.
(eu recuperarei, com essas minhas mãos, o orgulho do amanhã que vejo.)
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Prévia do Próximo Capítulo
- Está sendo atacado? Mas acabamos de sair de lá! – Seiko gritou.
- Sinto muito, Anne. – Sasori falou colocando uma mão no ombro da garota.
- Ei. Vamos brincar? – Alycia sorriu tirando o guarda-chuva da frente do rosto.
- Que azar cair em um dos joguetes da Alycia, seria melhor se eu tivesse-lhe arrancado o coração. – Itachi deu um meio sorriso encarando a outra Noah.
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(1) Traduzido literalmente de 'finders', que seria 'procurador' em português mesmo.
(2) Shishou seria algo como 'Mestre'. Não sei se já fiz essa nota antes.
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N/a:
Não há desculpas que apaguem o tempo que fiquei longe disso. Mas mesmo assim, desculpem. Tive vários problemas (tanto em on quanto em off) e me fez perder totalmente a vontade de escrever essa fic, e mesmo eu sabendo que isso é uma tremenda falta de respeito com quem lê, cheguei a cogitar excluir tudo. No entanto, depois de muito pensar, depois de passar de ano com notas razoavelmente boas e ver o quanto eu amo essa fic, amo a participação de vocês e etc. Voltei. E dessa vez não há plágio que me tire daqui.
Sim, plágio. Exorcist Project foi TOTALMENTE plagiada e de uma forma muito grossa. (sabe quando plagiam até a formatação e construção de texto? Então.) Isso havia sido a gota d'água pra eu me afastar do por uns tempos. Mas agora, como de alguma forma a garota finalmente se tocou (porque logo que vi o que aconteceu falei com ela e panz, mas ela só ignorava) e excluiu aquela fic, eu voltei.
Bom, não estou aqui pra jogar meus problemas pra ninguém, só acho que vocês mereciam uma explicação pra esses cinco/seis meses de total ausência dessa autora cara-de-pau. xD
Podemos considerar esse o fim da primeira temporada da fic ;x Próximo capítulo já é o início de uma segunda temporada. Com música nova, cara nova e etc etc etc. Falando em música, a usada nos dois últimos capítulos chama-se Pride of Tomorrow – JUNE.
Os reviews agora serão respondidos pelo sistema do site, porque acho que é mais prático, não? xD
Não prometo fic em uma semana. Na verdade não prometo nada, tudo depende de vocês terem ou não esquecido disso aqui :x
Dependendo da criatividade e das respostas eu até faço um filler especial de natal ;D UHEHUUEUEUEHUEEHUHUEHUE –idéia louca que surgiu agora-
Até o/
