Em Hogwarts, já era tempo dos primeiros testes periódicos, para ajudar os alunos a passar pelos NIEM - costume da escola para aqueles que estão terminando seus estudos. Para Harry, a situação estava bastante complicada, pois junto com os testes, havia as lições de casa passadas (e que eram muitas) e os treinos de quadribol, para manter a equipe afiada desde a vitória avassaladora contra a Ravenclaw.
Depois de uma semana de estudos bastante forte, ao qual Harry, Ron e Mione estudavam com a ajuda das anotações dos pais do moreno, era chegada a hora do primeiro teste. E, para verdadeiramente simular os NIEM, o teste seria dividido, assim como nos NOM, em duas partes: a teórica e a prática. E o tema do dia era feitiços.
Flittwick estava à frente, junto com MacGonagall, Filch e um outro bruxo convidado, para simular a banca. Os demais professores estavam em suas aulas com outras turmas, então não poderiam se ausentar para seguir como os demais que estavam ali. Para não haver dúvidas sobre a imparcialidade do professor, que era diretor da Ravenclaw, os alunos de cada casa, embora em grupo, eram separados por dia da semana. E este era o dia da Gryffindor. Como o teste prático precisava de espaço, seria feito mais tarde, então na parte da manhã seria o teste teórico. Todas as mesas e cadeiras eram numeradas, e panelas foram distanciadas, como Harry, Ron e Mione.
Embora todos estivessem nervosos, o teste transcorreu tranquilamente. A única coisa que parecia fora do normal eram os nervos da jovem Granger, que parecia à beira de um colapso. Ron tentava, em vão, acalmá-la, mas sem sucesso. Quando todos souberam no que melhorar - menos Hermione, que tirara 100% do teste. Harry só errara algumas propriedades do feitiço exigido e Ron não descreveu os efeitos inteiramente, faltando algumas partes importantes.
Todos repassavam os resultados obtidos. Simas havia cometido o mesmo que Harry, e Dino o mesmo de Ron; Neville, como sempre, havia se desesperado e enfiado os pés pelas mãos, mas no geral se saiu bem. Parvati e Lilá chegaram muito perto de Mione, mas erraram por detalhes. Outros membros da Gryffindor também gabaritaram. À tarde houve o teste prático. Nesta parte, além de Mione, Harry também gabaritara. Ron esqueceu um pequeno gesto e Neville esquecera o começo e começara pelo meio, tudo por puro nervosismo. O teste ocorrera no Salão Comunal, e estranhamente lembrou a Harry o teste de aparatação.
À noite, naquele dia, todos estavam bastante cansados. Os testes sempre eram cansativos, até porque era esse o intuito dos testes do sétimo ano: Níveis Incrivelmente Exaustivos em Magia. Mas Harry não teve descanso. Chamou os membros do time de quadribol e começou a repassar estratégias, pois tinha o jogo contra a Hufflepuff e ele queria incutir o medo nos da Slytherin, para que o último jogo fosse mais fácil.
Ginny, Geena e Pietra combinavam modos de trocar os passes mais eficientemente; Flywing e o outro batedor, Stewart, analisavam ângulos para rebater os balaços. Ron, embora bastante cansado, lia sobre algumas defesas, e Harry tentava se acalmar, porque afinal de contas, um apanhador precisa de calma acima de tudo.
Foi quando ele se lembrou de sua primeira partida de quadribol, ainda no time liderado por Olívio Wood, quintanista na época. Lembrara o modo com que ganharam a taça das casas, depois de tantos anos de hegemonia da Slytherin. Foi quando lhe deu uma ideia... Escreveria para Wood, pedindo conselhos.
Saiu andando ainda tranquilamente, deixando Ginny para trás um pouco, afinal ela estava bastante entretida com a conversa com as outras artilheiras. No meio do caminho, Harry encontrou Hagrid. O guarda-caça tinha acabado de voltar da cozinha com um saco de comida para cachorro, que carregava em uma das mãos, como se fosse uma pequena sacolinha de plástico... E estava com o rosto bastante sério quando encarou Harry por um primeiro momento, mas abriu um sorriso pouquíssimos segundos depois de ver o moreno.
-Você deve estar muito ocupado, né, Harry? - perguntou Hagrid.
-Sim, desculpa se eu ainda não fui te visitar... É que liderar uma equipe de quadribol e estar no sétimo ano é sufocante, quase nem tenho tempo pra fazer o que quero, isso lá na torre da Gryffindor... Mas então, como têm sido as coisas?
-Voltei à minha vida normal. Eu vi que pra ser professor tem que entender muito de muitas outras coisas... Você sabe, né?
-Sei sim, Hagrid. Acho que eu já sei o que fazer quanto ao seu problema, amigão. Mas tem que ser amanhã, porque estou indo escrever uma carta e mandar pro Olívio.
-Como assim, Harry? Você vai fazer o quê? - perguntou o meio gigante, desconfiado.
-Confia em mim, Hagrid. Foi uma coisa que me ocorreu, e eu acho que Mione vai me ajudar nisso. Até. - e Harry apertou a mão do grandão e continuou andando, deixando ele com uma bela pulga atrás da orelha.
Foi quando, no meio do caminho, as lembranças dos outros jogos em que ele jogou e assistiu lhe vieram à mente, desde o primeiro jogo em que jogara no primeiro ano, passando pela vitória emocionante no terceiro ano e a Copa do Mundo de Quadribol, encerrando no último jogo, o contra a Ravenclaw este ano, ao qual todos haviam jogado com alegria. E era isso, apenas ser ele mesmo e parar de querer ser o que não era.
E sozinho, Harry sorriu consigo mesmo. Hagrid, com toda sua simplicidade, lhe mostrou toda a verdade e tudo o que ele precisava ouvir de si mesmo. Deu meia volta e foi até o guarda-caça de novo, abraçando o amigo e agradecendo a ele. Rúbeo não entendeu nada, mas sorriu. Era bom ter conseguido ajudar o filho de Tiago e Lilian. O jovem Potter voltou correndo para a torre da Gryffindor, contando ao restante do time a epifania que ocorrera a ele, e os planos que ele tinha para o jogo do dia seguinte. E depois de uma discussão acalorada e vários vivas, Harry chamou Ginny, Ron e Mione de canto e começou.
-Gente, eu tenho uma ideia.
-O que foi, cara? - perguntou Ron, confuso.
-Quero ajudar o Hagrid a concluir a educação bruxa dele. Mas pra isso, vamos ter que reverter a falta do uso da varinha dele com a professora MacGonagall.
Mione sorriu, com um brilho maníaco no olhar, como quando havia uma revisão antes da prova a fazer.
-Perfeito, Harry, perfeito! Vai ser a nossa última missão antes de sair de Hogwarts. E Ginny pode continuar depois, no ano que vem...
-Isso mesmo... Vamos lá... - disse Ginny.
E assim a conversa durou por mais alguns minutos. Por sorte, no dia seguinte somente havia o jogo, e este seria somente na parte da tarde. Chegou à frente da sala da diretoria um comboio da Gryffindor, o que deixou Filch bem p da vida, que mandava a todo instante que todos voltassem à torre de sua casa, mas nada resolvia. Foi quando a gárgula saltou pro lado e a escada desceu, e dela surgiu MacGonagall.
-O que acontece aqui, Filch, meninos? - perguntou a diretora.
-Precisamos falar com a senhora, professora MacGonagall - disse Hermione tomando à frente.
-Mas Minerva, eles estavam causando no corredor! - disse Filch, desesperado.
-Eles queriam falar comigo, e agora o vão. Você não tem mais nada pra fazer, como ver o que o Pirraça tá fazendo? - disse a ex diretora da Gryffindor - afinal de contas, fui professora de todos eles e os conheço. Sei que eles tem algo de importância pra falar comigo. - e a mais velha pediu a todos, com o olhar, que a seguissem.
Harry, Ginny, Ron e Mione subiram a escadaria e entraram na sala. O jovem Potter lembrou que a cada gestão as características que a sala apresentava se adequavam a cada diretor que a utilizava, e com MacGonagall não era diferente: substituindo os itens que se mexiam a todo momento por estantes abarrotadas de livros e fotos de alguns alunos. Harry ficou muito feliz por se ver em seis das fotos, fotos essas que a professora fazia questão de tirar todo final de ano letivo. Ela guardava em cima da mesa as fotos de dois anos antes, o sexto ano escolar dele.
Ao lado esquerdo da mesa, havia um livro grosso. O papel parecia ser o mesmo da foto, mas ele resolveu deixar a pergunta pra depois, porque o que os levava ali era mais importante. MacGonagall tomou a iniciativa e perguntou.
-Bom, depois de eu enxotar o nosso tão "amado" inspetor, o que eu posso fazer por vocês?
-Queremos saber como podemos recuperar o direito do Hagrid de completar sua educação bruxa. - disse Mione diretamente.
-Por isso que eu gosto de você, Hermione. Sempre direta ao assunto. Mas, embora saibamos que ele é inocente, teríamos que provar para o Ministério isso. E vocês têm alguma prova disso? - perguntou a diretora.
-Por acaso tenho as provas aqui comigo, professora. - disse Harry, puxando sua bolsinha de couro de briba.
-E você quer que eu acredite que você tem provas aí, Harry? - perguntou MacGonagall de forma divertida. Foi quando o sorriso da diretora sumiu. Harry acabara de puxar da bolsinha uma penseira e alguns frascos.
-Como você obteve isso? A penseira de Dumbledore! - exclamou Minerva.
-Ele a deixou pra mim, professora. E as memórias eu obtive de Voldemort antes que seu corpo esfriasse, e uma simples busca aqui vai trazer a prova de que tanto precisamos.
-Agora você me assustou, Harry. Realmente assustou. O que você andou lendo, menino?
-Algumas coisinhas que meus pais me deixaram, além de algumas coisas que me ocorreram quando eu estava sozinho com o corpo dele. Seria bom ter as provas dos crimes que ele cometeu. E nada melhor que um relato de quem os cometeu, concorda? - disse Harry com a maior cara de pau.
MacGonagall riu com a resposta do aluno. E pior, ele usou a resposta com um tom de brincadeira que ela só ouvira quando Tiago ainda estudava em Hogwarts. Ele absorvera muito da personalidade de ambos só por ler alguns manuscritos.
-Ótimo. Então, se temos uma representação pra agir em favor de Hagrid, espero que se preparem pra receber milhares de pedidos, pois como vocês sabem, ele prejudicou e matou muitos. Mas vocês querem fazer isso ainda hoje? Porque as provas dos senhores - e disse se referindo a Harry, Ron e Mione - estão muito perto. Vendo pelo ponto de vista de MacGonagall, era fazer naquele momento ou deixar pra depois do ano letivo. Com o ímpeto de sempre, Harry resolveu.
-Que seja agora então, professora Minerva. Nos vestimos e vamos.
MacGonagall olhou dentro dos olhos verde-vivo de seu aluno e viu a personalidade de Lilian ali. Sempre decidida e firme no que fazer, característica que Tiago também tinha, mas era mais latente nela. As personalidades combinadas de ambos, que sempre fariam com que Harry se sobressaísse, finalmente estavam aparecendo... Embora a bondade fosse nata.
-Então vamos. Espero vocês no pátio de entrada em 40 minutos, nem um minuto a mais. Certo?
E os quatro assentiram com a cabeça, cumprimentando mais uma vez a diretora e saindo em disparada da sala da diretoria. Minerva se levantou lentamente e ficou pensativa...
-O que te faz pensar tanto, Minerva? - perguntou Dumbledore, em seu retrato.
-Fico pensando como teria sido se Voldemort não tivesse feito tudo o que fez... Como teria sido a vida de Harry? Como ele teria se desenvolvido?
-Teria sido como qualquer garoto bruxo, e com uma inteligência além do normal, com os pais que tinha, era de se esperar que ele despertasse assim, não? E além do mais, lembre-se que ele passou 17 anos de sua vida com uma parte da alma de Voldemort dentro de si, isso deve ter inibido as capacidades menos latentes dele, que afloraram só depois que ele deixou de ser uma Horcrux.
-Tem razão, Alvo. Bom, deixe-me ir, os quatro me esperam.
Em 40 minutos os quatro estavam ali, e aparataram no Ministério. Entraram rapidamente e objetivamente foram até o gabinete de King. Anunciados como deveria ser, entraram e cumprimentaram o ministro.
-Então, no que eu posso ajudar vocês? - perguntou ele, solícito.
-Finalizar algumas injustiças. - disse MacGonagall - Creio que vocês tenham em seus arquivos um monte de casos solucionados e não solucionados que envolvam Voldemort, certo?
-Sim, Minerva. Casos que nunca puderam ser esclarecidos inteiramente porque não tínhamos provas o suficiente e também casos que ficaram parados não só por isso, mas também por uma outra infinidade de fatores, mas porque a pergunta?
-Professora, se me permite... - disse Mione.
-Claro, Hermione - permitiu ela, ficando em silêncio em seguida.
-Temos um caso em particular que queremos que você revise, King. O de Hagrid. Agora temos as provas cabais de que não foi ele quem abriu a Câmara Secreta, e precisamos que o ministério reparasse a vida que o nosso Guarda - Caça poderia ter tido e não teve.
Kingsley estreitou os olhos e perguntou...
-E você tem provas do que está dizendo, srta. Granger?
-Eu não, mas Harry as tem - disse ela, com convicção.
-Isso é verdade, Harry? - perguntou o ministro em um tom mais amigável.
-Sim, King. Como você deve bem saber, quem matou Voldemort fui eu, como efeito das ações de Dumbledore - disse o jovem Potter com uma vozinha bem humilde - e depois que ele morreu, eu pude pegar as memórias de sua vida inteira.
O ministro da magia ficou espantado. Tantos casos foram dados como obra de Voldemort, e agora ele teria a contraprova. Anos e anos de trabalho como auror e ele poderia simplesmente sanar tudo o que levava o nome do Lorde das Trevas nele...
-Mas são tantas memórias... Você conseguiu separar a parte que inocenta o Hagrid?
-Sim, preparei a parte interessante para isso. E também fiz uma cópia do conteúdo da memória inteira dele pra vocês. Quero manter uma pra mim, pra não cometer os mesmos erros dele e aprender com seus acertos. Por mais que tenha sido um bruxo das trevas, ele era muito inteligente... E eu posso tirar proveito disso. Aliás, Hogwarts pode.
Kingsley ficou pasmo com a sagacidade do garoto. Isso era um dos lemas dos aurores... "Se um inimigo é particularmente difícil de se capturar, suas memórias vão ser uma lição e tanto", ele relembrou.
-Realmente, Harry. Bom, vou chamar as pessoas que cuidaram do caso em primeiro lugar, pois elas estão bem mais a par do caso do que eu. Mas ele vai ser restituído qualquer perda que ele tenha tido em sua vida por causa de Voldemort.
