Eu tenho um karma. Eu devo ter sido incrivelmente nobre em uma existência anterior. Eu devo ter salvado crianças de um prédio em chamas, ou dado a minha vida para salvar leprosos, ou inventado a roda ou alguma coisa assim. É a única explicação em que eu posso pensar de como eu fui parar em uma vida dos sonhos.
Aqui estou eu, me aproximando do Thames Embankment, com o meu atraente marido, na sua Mercedes conversível.
Eu digo aproximando. Na verdade, nós estamos indo a 30 km/h. Lucius está sendo todo cuidadoso e dizendo que ele sabe o quanto deve ser difícil para mim, estar de volta num carro, e se eu me sinto traumatizada para ser honesta com ele. Mas, na verdade, eu estou bem. Eu não lembro nada do acidente. É como uma história que eu contei que aconteceu com alguma outra pessoa. Onde gentilmente você inclina a cabeça delicadamente e diz "Oh não, que horrível", mas você já parou de escutar corretamente.
Eu continuo lançando os olhos para mim mesma maravilhada. Eu estou usando uma calça jeans justa, dois números menores do que eu costumava usar. E uma blusa da Miu-Miu, que é um daqueles nomes que eu só costumava conhecer através das revistas. Lucius me trouxe uma bolsa de roupas para eu escolher alguma, e elas são todas muito chique e na moda, foi difícil eu ousar tocar nelas, quanto mais vesti-las.
No banco de trás estão todos os buquês e presentes que eu recebi no hospital, incluindo uma colossal cesta de frutas tropicais da Hogwarts Carpets. Havia junto uma carta de alguém chamada Clare, dizendo que ela me enviaria o relatório da ultima reunião para eu ler no meu tempo livre, e que ela espera que eu esteja me sentindo melhor. E depois ela assinou como 'Clare Abrahams, assistente de Lily Evans'.
Assistente de Lily Evans. Eu tenho minha própria assistente pessoal. E eu estou no conselho de diretores. Eu!
Meus cortes e queimaduras estão muito melhor, e o plástico grampeado foi tirado da minha cabeça. Meu cabelo recentemente lavado está lustroso e meus dentes são como os de uma estrela de cinema perfeita e tudo o mais. Eu não posso parar de sorrir toda vez que eu passo por uma superfície brilhante. Na verdade, eu não posso parar de sorrir, ponto final.
Talvez na minha vida anterior eu tenha sido Joana D'arc e tenha sido horrivelmente torturada até a morte. Ou eu era o cara do Titanic. Sim. Eu me afoguei em um cruel e congelado mar, e nunca me tornei Kate Winslet, esta é minha recompensa. Eu só acho que as pessoas não ganham uma vida perfeita sem nenhuma boa razão.
Isso apenas não acontece.
"Está tudo bem, querida?" Lucius coloca brevemente sua mão na minha. Seu cabelo cacheado está todo arrepiado com o vento e os seus caros óculos de sol estão cintilando com o brilho do Sol. Ele parece aquele tipo de cara que as pessoas da Mercedes PR gostariam que dirigisse seus automóveis.
"Sim" eu sorrio de volta "Eu estou ótima!".
Eu sou a Cinderela. Não, eu estou melhor que a Cinderela, porque ela só arranjou um príncipe, não arranjou? Eu sou a Cinderela com um dente fabuloso e um excelente emprego. Lucius sinaliza a esquerda. "Bem, aqui estamos nós..." Ele sai da estrada para uma grande pilastra de entrada, passa pelo porteiro em uma "casinha" de vidro, entra em um espaçoso jardim e depois desliga o motor. "Venha e veja a sua casa".
Você sabe como algumas propagandas são um total desapontamento quando você, verdadeiramente, as alcança. Como, você economiza por anos para ir a um restaurante caro e a garçonete é esnobe e a mesa é muito pequena e a sobremesa tem gosto de algo como Mr. Whippy.
Bem, minha casa nova é aproximadamente o oposto disso. Ela é melhor do que eu imaginei. Conforme eu caminho em volta, eu fico completamente admirada. É compacta. É luminosa. Tem vistas para o rio. Há um vasto sofá creme e o coquetel bar mais legal feito de granito preto. O banheiro é um aposento todo de mámore folheado, grande o suficiente para cinco pessoas.
"Você se lembra de alguma dessas coisas?" Lucius está me assistindo atentamente. "Está provocando alguma coisa?"
"Não. Mas é absolutamente impressionante!"
Nós devemos ter algumas festas legais aqui. Eu apenas posso ver Lene, Alice e Mary empoleiradas no coquetel bar, doses de tequila indo, música alta saindo do aparelho de som. Eu paro no sofá e corro minha mão ao longo do tecido felpudo. É tão imaculado e afofado, eu não acho que eu alguma vez ousarei sentar nele. Talvez eu apenas ficarei suspensa. Será ótimo para os meus músculos do bumbum.
"Esse é um sofá incrível!" Eu olho para Lucius. "Deve ter custado um bocado."
Ele assente com a cabeças. "Dez mil libras."
Merda. Eu tiro minha mão de volta. Como um sofá pode custar isso tudo? Com o que ele é estofado, caviar? Eu me afasto devagar, graças a Deus eu não sentei nele. Lembrete pra mim: nunca tomar vinho tinto/ comer pizza próxima do chique sofá creme de 10.000 libras.
"Eu realmente amei esse... er... esse encaixe para luz."
Eric sorri. "Aquilo é o radiador."
"Oh, certo." Eu digo, confusa. "eu pensei que aquilo fosse o radiador." Eu aponto para um radiador de ferro a moda antiga que foi pintado de preto e assentando na metade acima da parede oposta.
"Aquilo é peça de arte." Lucius me corrige. "É de Hector James-John. Quedas da Desintegração."
Eu caminho em direção a isso, levanto a cabeça, e olho para cima ao lado de Lucius, com o que eu acho que é uma expressão inteligente de um apaixonado por artes.
Quedas da Desintegração. Radiador preto. Não, nemhuma idéia.
"É tão... estrutural." Eu me arrisco, depois de uma pausa.
"Nós tivemos sorte por conseguir isso." Lucius diz, assentindo com a cabeça para a peça. "Nós tendemos a investir em peças de arte não-realista a cada oito meses. O loft pode aproveitar-se disso. E isso é um portfólio tanto quanto qualquer outra coisa." Ele encolhe os ombros como se isso fosse evidente.
"Claro!" eu assinto, "Eu teria pensado que o portfólio... seria de aspecto... absolutamente..." Eu limpo minha garganta e me viro.
Mantenha sua boca fechada, Lily. Você sabe porra nenhuma sobre arte moderna ou portfólios ou basicamente como é ser rico e você está entregando tudo.
Eu viro de volta da coisa arte-radiador e foco em uma tela gigante, que quase preenche a parede oposta. Há uma segunda tela no outro lado do aposento, perto da mesa de jantar, e eu noto uma no quarto. Lucius claramente gosta de televisão.
Ele me nota olhando para isso. "Do que você gostaria?" Ele pega um controle remoto e o aperta em direção a tela. "Tente isso."
No próximo minuto, eu estou olhando para uma compacta chama de fogo estalando.
"Oh!" eu olho fixamente para isso em surpresa.
"Ou isso." A imagem muda para brilhantes peixes tropicais coloridos que se entrelaçam através das algas-marinhas. "É a última tecnologia do sistema de home screen." Ele diz orgulhosamente. "Isso é arte, é entretenimento, é comunicação. Você pode enviar email por essa coisa, você pode ouvir música, ler livros... Eu tenho uns mil trabalhos de literatura arquivados no sistema. Você pode até mesmo ter um bichinho virtual."
"Um bichinho?" eu ainda estou olhando para tela, deslumbrada.
"Cada um de nós tem um". Lucius sorri. "Esse é o meu, Titan".
Ele faz um movimento rápido com o controle remoto e aparece na tela a imagem de uma aranha maciça e listrada, rondando em uma caixa de vidro.
"Oh meu Deus" Eu volto para trás, me sentindo mal. Eu nunca fui boa com aranhas, e essa deve ter aproximadamente uns tem dez metros. Você pode ver os pêlos nas horríveis patas. Você pode ver a face.
"Você poderia mudar isso, por favor?".
"Qual o problema?" Lucius me olha surpreso. "Eu te mostrei Titan na primeira visita sua aqui. Você disse que você o achou adorável".
Ótimo. Foi o nosso primeiro dia. Eu disse que eu gostava da aranha para ser educada, e agora eu estou assustada com isso.
"Você sabe o que?" Eu digo, tentando manter meu olhar desviado de Titan. "O acidente pode ter me dado uma aracnofobia". Eu digo, tentando manter o som de conhecimento, como se eu tivesse ouvido isso de um médico ou alguma coisa.
"Talvez". Lucius franzi um pouco a testa, como se ele achasse alguns buracos nessa teoria. Na verdade ele deve ter achado.
"Então eu também tenho um bichinho?" Eu digo rapidamente, para distrai-lo. "O que é?".
"Aqui está" Ele mostra a tela "Aqui está Arthur".
Um gatinho branco e felpudo aparece na tela e eu falo encantada.
"Ele é muito fofo". Eu o assisto brincando com uma bola de barbante, batendo ela e tombando em cima. "Ele cresce para um gato adulto?".
"Não" Lucius sorri. "Ele continua sendo um gatinho indefinidamente. Toda a sua vida, se você quiser. Eles têm a capacidade de vida de cem mil anos".
"Oh, certo", eu digo depois de uma pausa. Na verdade, isso é um capricho. Cem mil anos de vida para um gatinho virtual.
O telefone de Lucius toca e ele atende, faz um movimento e a tela começa a mostrar o peixe de novo. "Querida, meu motorista está aqui. Eu vou ter que ir um pouco no escritório. Mas Rosalie está a caminho para te fazer companhia. Até lá, se alguma coisa incomodar você, só me ligue, ou você pode me mandar um e-mail pelo sistema".
Ele me entrega um dispositivo branco com uma tela. "Aqui está o seu controle remoto. Ele controla a temperatura, a ventilação, luzes, portas, persianas... Tudo aqui é inteligente. Mas você não deve precisar usar isto. Está tudo ajustado".
"Nós temos uma casa de controle remoto?" Eu quero dar risada.
"É tudo parte do o estilo de vida do loft". Ele faz um gesto paralelo com as mãos e gesticula de novo, e eu inclino a cabeça, tentando não estragar o que eu tenho.
Eu assisto ele colocar a jaqueta. "Então... Como exatamente Rosalie se ajusta?".
"Ela é esposa do meu sócio, Severo. Vocês duas passam um ótimo tempo juntas".
"Ela sai comigo e as outras garotas do escritório?" Eu pergunto. "Como Lene e Alice? Nós todas saímos juntas?".
"Quem?" Lucius me olha inexpressivo. Talvez ele seja um desses caras que não se mantém à par da vida social da esposa.
"Esquece" Eu digo depressa. "Eu vou trabalhar nisso tudo depois".
"Gianna vai vir depois também. Nossa empregada. Qualquer problema, ela pode ajudar você". Ele vai em frente, hesitante, e depois pega a minha mão. Sua pele é macia e imaculada, e eu posso apenas sentir o cheiro de uma loção para barba deslumbrante.
"Obrigada Lucius" Eu ponho minha mão em cima da dele e a aperto. "Eu realmente aprecio isso".
"Seja bem vinda de volta, querida", ele diz um pouco rouco. Depois ele tira a mão dele e vai em direção à porta, e um segundo depois ela fecha atrás dele.
Eu estou sozinha. Sozinha em minha casa. Conforme eu olho de novo em volta para o enorme espaço , percebendo a mesa de centro Lucite, a poltrona de couro os livros de arte... eu percebo que eu não consigo ver muitos sinais de mim. Não há nenhum jarro de cerâmica alegremente colorido ou luzes pisca-pisca ou uma pilha de livros de capa mole.
Bem, Lucius e eu provavelmente quisemos começar de novo, escolhendo coisas juntos. E nós provavelmente ganhamos um monte de presentes de casamento. Aqueles vasos de vidro azuis parecem custar uma fortuna.
Eu perambulo até a janela enorme e observo atentamente a rua abaixo. Não há barulho ou fumaça ou coisa alguma. Eu vi um homem carregar um pacote até um táxi lá embaixo e uma mulher debatendo-se com um cachorro em uma coleira. Eu tirei meu celular e comecei a escrever uma mensagem para Lene. Eu tenho que falar com ela sobre tudo isso. Vou dizer para ela vir aqui mais tarde. Nós nos enrolaremos no sofá ela pode me colocar por dentro da minha vida, começando com Lucius. Eu não posso deixar de sorrir com antecipação conforme pressiono os botões.
'Oi! De volta em casa – me dê uma ligada! Não posso esperar p/ ver vc! Lxxxx'
Eu mandei a mesma mensagem para Alice e Mary. Então ponho meu celular de lado e giro em volta do lustroso piso de madeira. Eu estive tentando manter um ar indiferente na frente de Lucius, mas agora que eu estou sozinha posso sentir um feixe de exaltação estourando completamente. Eu nunca pensei que eu viveria em um lugar como esse, nunca.
Uma risada de repente borbulha dos meus lábios. Quero dizer. É loucura! Eu. Nesse lugar!
Eu giro de novo no chão, então começo a rodopiar, com os braços levantados, rindo loucamente. Eu, Lily Evans, vivo aqui nesse palácio-da-arte-controloado-por-controle-remoto.
Desculpa, Lily Malfoy. Esse pensamento me faz dar risadinhas ainda mais.
Eu não sabia nem o meu próprio nome de casada quando eu acordei. E se fosse Pratt-Bottom? O que eu teria dito então?
"Desculpe, Lucius. Você parece um cara adorável, mas não há absolutamente nenhuma maneira na terra..."
Crash. O som de vidro quebrando interrompe meus pensamentos. De algum modo eu bati minha mão em um leopardo de vidro que estava saltando pelo ar em uma estante. Agora está deitado no chão em dois pedaços.
Eu quebrei um ornamento inestimável. E eu só estou na casa tem uns três minutos.
Merda.
Eu cuidadosamente me agacho e toco na maior parte quebrada. Há uma extremidade irregular horrível e algumas lascas de vidro no assoalho. Não há jeito de isso poder ser emendado. Estou ardendo em pânico. O que eu vou fazer? E se isso custar dez mil libras como o sofá? E se isso for alguma herança de família de Lucius? O que eu estava pensando ao rodopiar?
Cautelosamente, eu pego a primeira parte, e então a segunda. Eu terei que varrer os cacos de vidro e então – Um bip eletrônico me interrompe e minha cabeça se levanta em um solavanco. A gigantesca tela oposta virou azul brilhante com uma mensagem em letras maiúsculas verdes.
'OI, LILY – COMO VOCÊ ESTÁ INDO?'
Porra!
Ele pode me ver.
Ele está me assistindo.
É o Big Brother! Em terror eu salto em meus pés e empurro os dois pedaços de vidro pra debaixo de uma almofada no sofá.
"Oi!" eu digo para tela azul, meu coração martelando. "Eu não queria fazer isso, foi um acidente..."
Há silêncio, a tela não está se movendo ou reagindo de maneira alguma.
"Lucius?" Eu tento de novo. Não há resposta.
Certo, talvez ele não possa me ver no fim das contas. Ele deve estar digitando isso do carro. Prudentemente eu me arrisco a me aproximar da tela e noto um teclado montado na parede e um minúsculo mouse prateado, discretamente enfiado ao lado. Eu clico em Resposta, e lentamente digito 'BEM, OBRIGADA!'
Eu poderia ter deixado isso lá, eu poderia ter achado um jeito de consertar o leopardo... ou repor isso de alguma forma...
Não. Vamos lá. Eu não posso por em prática meu novo casamento de qualidade mantendo segredos do meu marido. Eu tenho que ser brava e confessar.
'QUEBREI O LEOPARDO DE VIDRO POR CONTA DE UM ERRO.' Eu digito. 'REALMENTE SINTO MUITO. ESPERO QUE NÃO SEJA INSUBSTITUÍVEL?'
Eu aperto Enviar e ando conforme espero pela resposta, dizendo a mim mesma de novo e de novo pra não me preocupar. Quero dizer, eu não sei ao certo se isso é um ornamento inestimável, sei? Talvez nós tenhamos ganhado em uma rifa. Talvez seja meu e Lucius sempre tenha odiado. Como eu poderia saber? Como eu poderia saber qualquer coisa?
Eu me afundo no chão, de repente oprimida por quão pouco eu sei sobre a minha própria vida. Se eu soubesse que eu ficaria com amnésia, eu teria pelo menos escrito um bilhete pra mim mesma me dando alguns avisos. 'Cuidado com o leopardo de vidro, isso vale uma puta fortuna. P.S.: você gosta de aranhas.'
Vem um bip da tela, eu prendo minha respiração e olho pra cima.
'É CLARO QUE NÃO É INSUBSTITUÍVEL. NÃO SE PREOCUPE.'
Eu sinto um alívio enorme. Está tudo bem.
'OBRIGADA!' Eu digito, sorrindo. 'NÃO VOU QUEBRAR MAIS NADA, PROMETO.'
Eu não posso acreditar que eu exagerei desse jeito. Eu não posso acreditar que eu escondi os pedaços debaixo da almofada. Quantos anos eu tenho, cinco? Essa é minha própria casa. Eu sou uma mulher casada. Eu tenho que começar a me comportar como tal. Ainda sorrindo pra mim mesma, eu suspendo a almofada para retirar os pedaços – e congelo.
Porra.
A merda do vidro rasgou a droga do sofá creme. Eu devo ter feito isso conforme eu empurrava os pedaços pra debaixo. O tecido felpudo está todo esfarrapado.
O sofá de dez mil libras.
Eu automaticamente olho de relance para tela – então rapidamente desvio o olhar, vazia de medo. Eu não posso contar para Lucius que arruinei o sofá também. Não posso. Certo. O que eu vou fazer é... é... Eu não contarei para ele hoje. Eu vou esperar por um momento melhor. Perturbada, eu rearrumo as almofadas para o rasgo não ficar visível.
Pronto. Bom como novo. Ninguém olha debaixo das almofadas, olha?
Eu pego os pedacinhos do leopardo de vidro e dirijo-me para dentro da cozinha, que é toda lustrosa com armários em cinza envernizado e chão emborrachado. Eu localizo um rolo de papel de cozinha, enrolo o leopardo, miro para jogá-lo na lixeira atrás da única porta moderna e arremesso os pedacinhos dentro. Certo. É isso. Eu não estou destruindo mais nada.
Uma campainha soa pelo apartamento e eu olho pra cima, meu espírito erguendo-se. Deve ser Rosalie. Minha nova melhor amiga. Eu mal posso esperar para conhecê-la. Rosalie mostra-se ser ainda mais magra do que ela parecia no dvd do casamento. Ela está vestida em uma calça capri preta, um caxemira rosa com decote em V, e imensos óculos Chanel colocando seu cabelo loiro pra trás. Assim que eu abro a porta ela dá um pequeno grito e deixa cair a bolsa Jo Malone que ela está segurando.
"Ah meu Deus, Lily. Olhe para seu pobre rosto."
"Ele está bem!" eu digo de maneira tranqüilizadora. "Honestamente, você devia ter me visto seis dias atrás. Eu tinha um grampo de plástico na minha cabeça."
"Sua pobre coitada. Que pesadelo." Ela recupera sua bolsa, então me beija em cada bochecha. "Eu teria vindo por aqui mais cedo, só que você sabe o quanto eu esperei para pegar um horário no Cheriton Spa."
"Entre." Eu gesticulo para cozinha. "Você gostaria de uma xícara de café?"
"Docinho..." ela me olha confusa. "Eu não bebo café. Dr. Andrew me proibiu. Você sabe disso."
"Oh certo." Eu paro. "A questão é... eu não lembro. Eu estou com amnésia."
Rosalie me olha de relance, educadamente vaga. Ela não sabe. Lucius não contou pra ela?
"Eu não me lembro de nada sobre os últimos três anos." Eu tento de novo. "Eu bati minha cabeça e tudo foi eliminado da minha memória."
"Ah meu Deus." A mão de Rosalie vai para sua boca. "Lucius continou dizendo coisas sobre amnésia e que você não me conheceria. Eu achei que ele estava brincando."
Eu quero dar risadinhas da expressão horrorizada dela.
"Não, ele não estava brincando. Pra mim você é... uma estranha."
"Eu sou uma estranha?" ela soa magoada.
"Lucius é um estranho também." Eu complemento apressadamente. "Eu acordei e não sabia quem ele era. Eu ainda não sei, na verdade."
Há um curto silêncio no qual eu posso ver Rosalie processando essa informação. Os olhos dela se arregalam e suas bochechas resfolegam-se e ela morde seu lábio.
"Ah meu Deus." Ela diz finalmente. "Pesadelo."
"Eu não conheço esse lugar." Eu estico meus braços em volta. "Eu não conheço minha própria casa. Eu não sei como minha vida é. Se você pudesse me ajudar, ou... me dizer umas poucas coisas..."
"Absolutamente! Vamos sentar." Ela guia o caminho até a área da cozinha. Ela derruba a bolsa Jo Malone no balcão e senta na moderna mesa de café da manhã feita de aço – e eu sigo o processo, me perguntando se eu escolhi essa mesa, ou Lucius escolheu, ou nós dois escolhemos juntos.
Eu olho pra cima pra ver Rosalie me encarando. Imediatamente ela sorri – mas eu posso ver que ela está pirando.
"Eu sei." Eu digo "É uma situação estranha."
"Então, isso é permanente?"
"Aparentemente minha memória poderá voltar. Mas ninguém sabe se ela irá. Ou quando voltará."
"E afora isso, você está bem?"
"Eu estou bem, exceto por uma de minhas mãos que está um pouco devagar." Eu levanto minha mão esquerda e mostro a ela. "Eu tenho exercícios de fisioterapia pra fazer." Eu flexiono minha mão como o fisioterapeuta me ensinou, e Rosalie me assiste fascinada de horror.
"Pesadelo." ela respira.
"Mas o problema real é... eu não sei nada sobre minha vida desde 2004. É apenas um grande buraco negro. Os médicos disseram que eu deveria tentar e conversar com os meus amigos e construir uma imagem, e talvez isso fosse provocar alguma coisa."
"Claro." Rosalie assente com a cabeça. "Deixe-me informar você das coisas. O que você quer saber?" ela se inclina para frente esperançosamente.
"Bem..." eu penso por um momento. "Como nós duas nos conhecemos?"
"Foi há uns dois anos e meio atrás." Rosalie assente firmemente. "Eu estava em um coquetel, e Lucius disse, 'Essa é Lily.' E eu disse 'Oi!' E foi assim que nos conhecemos." Ela sorri.
"Certo." Eu encolho os ombros apologeticamente. "Eu não lembro."
"Nós estávamos no Trudy Swinson's? Você sabe, que costumava ter uma aeromoça, mas ela conheceu Adrian em um vôo para Nova York, e todo mundo diz que ela atingiu ele tão logo que ele sujou seu Amex preto." Ela diminui, como se a enormidade da situação tivesse batendo nela pela primeira vez. "Então você não se lembra de fofoca alguma?"
"Bem... não..."
"Ah meu Deus." Ela estoura rapidamente. "Eu tenho tanto pra te contar. Por onde eu devo começar? Certo. Então há eu." Ela tira uma caneta de sua bolsa e começa a escrever. "e meu marido, Severo, e a ex-mulher malvada dele, Bellatrix. Espera até você ouvir sobre ela. E há Jenna e Pettey."
"Nós passamos algum tempo com algum dos meus amigos?" eu interrompo ela. "Como Lene e Alice? Ou Mary? Você conhece elas?"
"Alice. Alice." Ela dá pancadinhas com a caneta contra seus dentes, franzindo as sobrancelhas pensativamente. "É aquela adorável garota francesa da academia?" Rosalie olha inexpressiva. "Docinho, pra ser sincera, eu nunca ouvir você mencioná-las. Pelo que me consta, você nunca se socializou com os colegas do trabalho.''
"O que?" eu encaro ela. "Mas.. nós nos reunimos e nos arrumamos e tomamos coquetéis..."
Rosalie ri. "Lily, eu nunca nem vi você com um coquetel. Você e Lucius são ambos tão sérios sobre vinho."
Vinho? Isso não pode estar certo. Tudo que eu sei sobre vinho é que ele vem de Oddbins.
"Você parece confusa." Rosalie diz preocupadamente. "Eu estou bombardeando você com informações demais. Esqueça a fofoca."
Ela empurra para o lado sua folha de papel, no qual eu consigo ver que ela escreveu uma lista de nomes com "puta" e "querida" do lado deles.
"O que você gostaria de fazer?"
"Talvez nós pudéssemos fazer apenas o que quer que seja que nós normalmente fazemos juntas?"
"Absolutamente!" Rosalie pondera por um momento, então seu rosto ilumina-se. "Nós devemos ir à academia."
"A academia." Eu repito, tentando soar entusiasmada. "Claro. Então... eu vou muito à academia?"
"Docinho, você é viciada! Você corre todas as manhãs às 6h."
Seis da manhã? Correndo?
Eu nunca corro. É doloroso e faz seus peitos pularem. Uma vez eu fiz uma longa corrida de uma milha com Lene e Alice, eu quase morri. Embora, pelo menos, eu fosse melhor que Lene, que desistiu de correr depois de dois minutos e caminhou o resto do trajeto, fumando um cigarro, e então se meteu em uma briga com os organizadores e foi banida de qualquer futuro Fundo de Pesquisas para o Câncer.
"Mas não se preocupe, nós iremos fazer algo amável e tranqüilo hoje." Rosalie diz de maneira tranqüilizadora. "Uma massagem, ou uma boa aula leve de alongamento. Só apanhe suas roupas de ginástica e nós iremos!"
"Certo." Eu hesito. "Na verdade, isso é um pouco embaraçoso... mas eu não sei onde minhas roupas estão. Todos os armários do nosso quarto estão cheios de ternos de Lucius. Eu não consigo achar nada meu."
Ela me olha completamente abatida.
"Você não sabe onde suas roupas estão?" Lágrimas de repente brotam em seus enormes olhos azuis e ela abana seu rosto.
"Desculpe-me." Ela engole. "mas apenas fico pensando como isto deve ser horrendo e assustador para você. Ter esquecido seu guarda-roupa inteiro."
Ela respira profundamente, se recompondo, então aperta minhas mãos. "Venha comigo, docinho. Eu mostrarei pra você."
Oi, mais um capítulo pra vocês, realmente não é só vocês que estão loucas para que o James apareça logo. Sou uma das pessoas mais James/Lily do universo. Mas tudo a seu tempo. Até a próxima, beijos.
