1 meses depois

"Ezra?" Pergunto ao entrar no escritório. "Podemos ir até à praia esta tarde?"

"Teria todo o gosto de acompanhar uma menina tão bonita." Diz ele com um sorriso.

"Óptimo." Digo com um sorriso. Ele não parou de tentar conquistar-me, mas eu tinha aprendido a não corar a cada pequena gentileza dele. "Precisas da minha ajuda?"

"Na verdade, já terminei. Podemos ir até à praia agora se quiseres." Diz ele fechando o livro.

"A sério?" Algo me dizia que ele não tinha terminado, mas queria dar-me a sua atenção primeiro. "Eu queria ver o pôr do sol de qualquer maneira, não posso apanhar muito sol."

Qual era a obsessão das meninas da nobreza e realeza com a pele pálida? A pele da Aria era tão branca que podia ver algumas veias perfeitamente, para ela isso era perfeição. Não tenho nada contra a pele macia dela, mas às vezes faltava-lhe um pouco de cor. "Um pouco de sol não te fará mal nenhum, pelo contrário o sol dá vida."

"Só uma vez sem exemplo. A minha pele é muito frágil." Diz ela.

"Perfeito."

Ela fica ao meu lado e coloca a sua pequena mão no meu antebraço enquanto andamos. Eu adorava senti-la perto de mim. De fazê-la segura! "Porque queres ir à praia?" Pergunto-lhe.

"Eu adoro a concha que me trouxeste no último mês. Disseste que encontraste na praia, eu quero encontrar uma também." Diz ela.

"Eu não encontrei a concha nesta praia, mas sim numa praia deserta do outro lado da ilha."

"OH!" Ela pareceu desiludida.

"Mas não quer dizer que não exista nesta também, só temos de procurar." Eu tento animá-la.

Alguns minutos depois estávamos na praia. "Chegámos."

"Nunca pensei que uma praia fosse assim." Ela diz espantada.

"Nunca estiveste numa praia antes?"

"Não."

Ezra ri. "Não tem piada!" Digo.

"Provavelmente é melhor tirares os sapatos." Diz ele baixando-se para me ajudar. Eu senti-me corar.

Quando disse que ia à praia a Hanna insistiu em trocar de roupa. Agora vejo porquê, facilmente iria ficar suja e seria muito pesado usar um vestido daqueles então voltei a vestir o vestido que Hanna me emprestou, era curto, mas ficava bem. As pessoas nem me notaram tanto na rua como na última vez.

"A areia pode incomodar um pouco, mas vais habituar-te rapidamente." Diz ele.

"Nunca andei descalça na rua e o único sitio onde já vi areia foi dentro de uma ampulheta."

Ele ri novamente. "Estamos na praia, as pessoas andam descalças e a areia faz parte."

O local era realmente bonito, a areia era branca e o mar de um azul impressionante. Eu dou os meus primeiros passos na areia e gostei da sensação.

Aria anda desajeitadamente na areia até que pára e leva as mãos à cintura. "Muito bem! Onde estão as conchas?" Ela pergunta determinada, como se fosse assim tão fácil.

Eu não tinha muitas esperanças que ela tivesse sorte, mas mesmo assim ela precisava de sair do quarto e ver um pouco o meu mundo para além do escritório. "Estão na areia."

A expressão dela muda. "O quê? Como é possível? Existe muita areia aqui!"

Ela tinha razão… a praia era extensa. "Tens de ficar atenta e procurar, normalmente à mais perto da água." Ela olha para a água. Mantê-la ocupada com algo que ela quer é um bom plano.

"Muito bem então." Ela vai para a borda da água e começa a olhar para a areia. Ela parecia engraçada e muito querida à procura da sua preciosa concha.

"Porque a queres afinal?"

"Logo irás descobrir."

"Então posso ajudar-te?"

"Não, eu quero fazer isto sozinha." Diz ela.

"Vou sentar-me na areia então."

"Sim, claro." Diz ela continuando à procura.

Ela continuou doce à procura. Quando via um sorriso quase logo desaparecia pois muitas vezes as conchas estavam partidas ou imperfeitas e ela atirava-as para o mar. Podia passar horas a observá-la. Afinal não foi assim tão mau sair esta manhã e limpar um pouco a mente. Na realidade já era praticamente hora do almoço.

"Aria? Está quase na hora de almoçar."

Ela olha para mim. "Já? Eu ainda não tenho fome."

"Estás a divertir-te e perdeste a noção do tempo." Eu digo-lhe aproximando-me dela.

"Pois… Eu ainda não encontrei nada." Ela parecia triste.

"Não fiques triste, eu posso levar-te ao outro lado da ilha um dia." Para a deixar feliz eu faria qualquer coisa. Eu continuo tão apaixonado por ela como no primeiro dia em que a vi ou até mais.

"Eu pensei que era perigoso."

"Pode ser um pouco, mas eu prometi que nada te vai acontecer aqui."

"Não faças nada estúpido novamente Ezra. Também me prometeste isso."

"Só farei o que for necessário, eu prometi primeiro manter-te a salvo."

Ela pensa por um segundo. "Sabes que mais? Eu não quero a concha."

Porque ela mudou de opinião tão rápido? "Estás a desistir? Porquê?"

"Temos de desistir das coisas que não são importantes."

"Mas era importante até há poucos minutos atrás…"

Ezra estava a ser muito insistente. "Ezra… Esquece. Podemos ir?"

"Não. Não até me dizeres a verdade." Diz-me ele.

Eu não podia dizer que queria uma concha para lhe oferecer. Eu nem sei a razão para querer fazer isso… talvez a ilha me esteja a deixar louca. "Eu só queria passar algum tempo e ir à praia."

"Realmente? Porque ficaste desapontada? Porque não me queres contar?" Ele parecia um pouco preocupado comigo, mas eu estava a ficar chateada com esta conversa.

"Porque não começas tu? Porque não posso tocar piano?" Eu confronto-o. Uma pontada de dor passa na sua face e depois nada. Ele ficou sem palavras e só me olhou. "O gato comeu-te a língua?"

"É melhor voltarmos."

"Eu estou cansada das tuas meias verdades… Porque não me contas o que se passa? Eu percebo que se passa alguma coisa e tu não me contas." Eu tenho lido algumas entradas do diário dele, nada falava da sala do piano.

"Vamos." Ele tenta pegar-me pelo braço, mas eu afasto-me.

"Quanto tempo mais vais fugir? Quanto tempo vais deixar-me no escuro sem saber?"

"Já chega." Ele diz com calma.

"Não, não chega. Tu trouxeste-me até aqui, dizes que tens sentimentos por mim e depois fazes isto… afastas-me. Como queres que fique se nem sou bem-vinda?"

"Tu deixaste claro que não querias esta vida!" Ele parecia estar a perder a calma. "O que te importa? Em 11 meses estarás num barco de volta." Ele diz da forma mais fria que alguma vez o ouvi falar.

Só naquele momento eu percebi como duro seria para mim partir naquele preciso momento… eu tinha aprendido a lidar com ele. Eu aprendi a preocupar-me com ele… Eu aprendi a… NÃO POSSO! "O que vais fazer quando eu for embora?" Eu pergunto com uma voz de choro, estava à beira das lágrimas.

"Eu não sei… Desculpa-me." Ele tenta alcançar-me novamente, mas eu afasto-me. Hanna disse-me claramente o que aconteceu quando ele perdeu a esperança de me encontrar por apenas algumas semanas, não haviam entradas no diário para provar o que aconteceu. Ele bebeu dia e noite, ele parecia o maior mendigo da cidade. Foram as palavras dela. Quando um homem condiciona a sua vida por uma mulher é porque a ama ou é louco.

"Eu tenho a certeza que sabes o que vais fazer assim que eu sair… e se vais continuar a agir assim devias começar já a afogar as magoas na tua garrafa de rum." Eu começo a afastar-me dele.

"Aria?"

"Deixa-me em paz…"

"Aria? Volta aqui!"

"Como eu já te disse não sou o teu brinquedo." Ando ainda mais rápido para longe dele.


Eu aprendi a preocupar-me com ele… Eu aprendi a… NÃO POSSO! (Eu aprendi a ... ama-o? Será? Está-me a parecer que a Aria está a lutar demais contra o que sente.)

Ui... Passou 1 mês e já temos problemas no paraíso! Vamos esperar que o Ezra diga tudo à Aria.

EzriaBeauty: O Ezra está mesmo muito apaixonado e fará mesmo tudo para a agradar e para que ela fique bem... Ele pensa mais na felicidade dela do que nele próprio. Para já o Liam ainda vai aparecer pelo menos uma vez, mas é algo muito insignificante que vai ajudar a Aria. 😉

Em principio não vou publicar mais nada esta semana, é só para avisar.

Sigam-me se quiserem saber quando sai um capítulo novo e não se esqueçam daquele comentário com o vosso apoio!

Bjs e até ao próximo capitulo! 😉😘