N/A: Eu sei, 5 meses sem atualização é muito, muito tempo. Não vou pedir que entendam nem vou tentar explicar, mas, de verdade, quero me desculpar com todo mundo que está acompanhando e agradecer caso ainda haja alguém por aí, heheh. Eu sinto muito, gente, me desculpem mesmo! Eu não abandonei nem essa nem as outras fics, mas admito que tenho tido problemas pra continuar. Vou dar o meu melhor pra concluir todas as histórias, ok? Prometo, de verdade, nem que demore, não deixar elas sem um final. Bem, vamos lá... recuperar o tempo perdido!
CAPÍTULO NONO
ou "Tenho uma surpresa pra você"
No dia seguinte, Albus acordou com um beijo doce nos lábios. Abriu os olhos e a viu diante de si, iluminada de alegria. Já estava pronta pra ir, pra começar seu dia de trabalho, pra dar tudo por Hogwarts como sempre.
– Bom dia.
– Bom dia – Ele respondeu, sorrindo, completamente feliz.
– Eu tenho que ir.
Ah, sim. Ele sabia. E era uma pena que não pudessem passar o dia todo juntos... mas a próxima noite voltaria, e a próxima e a próxima, até que tudo finalmente se resolvesse. Havia ainda tempo. Muito tempo. Tempo o bastante.
– Mas volto assim que puder – ela continuou. – E você, você fique bem.
Ele ficaria.
– Eu te amo.
Quando Albus ouviu isso, foi como mergulhar em um arco-íris, ou em felicidade pura. Fechou os olhos e respirou bem fundo, deixando escapar um suspiro. Ele estava no céu, não estava? Não podia pensar em nada mais estupendo.
– Diga de novo. – Ele implorou, rindo-se, ainda de olhos fechados.
– Eu te amo, Albus.
A olhou, então, completamente encantado. Os olhos úmidos da mais pura alegria.
– E eu te amo, Minerva.
Como ela sorria bonito! Como era bonita! Ainda mais do que de costume, ainda mais... porque agora era como se, ao olhar pra ela, pudesse ver sua alma se expandindo, radiante. Era lindo. E o amava. Como ele a ela. De fato, não podia pensar em nada mais estupendo! Simplesmente estupendo!
Trocaram mais um beijinho e ele desejou um bom dia de trabalho, ao que ela respondeu, arrancando dele um enorme sorriso, com um: "Eu vou ter, mas não será melhor que a minha noite".
Depois disso, Albus se viu completamente sozinho naquele quarto que agora parecia estranhamente tão dele quanto dela. Mas mesmo sem ela, de nenhum modo se sentiu só. O cheiro dela que agora tinha pregado na pele o acompanharia. As lembranças de uma noite incrível o acompanhariam. E a certeza de que nada poderia dar tão errado assim... certamente o acompanharia. Quando se levantou, vários minutos depois, e se trocou listando mentalmente os compromissos do dia (que, em verdade, na ocasião não eram muitos), Albus se sentiu em paz. Estavam no meio de uma guerra, é verdade, e havia muito fora do lugar... muito o que se corrigir... mesmo assim, enquanto ela estivesse bem e estivesse segura, ele estaria feliz. Feliz e completo.
O dia foi tranquilo, sem grandes surpresas... mas passou devagar. Especialmente para Minerva, que de pouco em pouco conferia as horas, sempre se desapontando com a lentidão dos ponteiros. Se sentia ansiosa, impaciente, coisa que não passou desapercebida por alguns de seus colegas – Pomona, em especial, preocupou-se, achando a amiga tensa de um modo mui estranho. Mas ao invés de reconhecer isso como a alegria que era, ficou se perguntando se poderia ser algo ruim dissimulado, algo verdadeiramente ruim, afinal diante de tanta pressão, era surpreendente que ela conseguisse se manter impassível, firme como sempre. Mas Minerva sempre tinha sido forte. Muito forte.
Teve que ser forte pra aguentar não voltar correndo pros braços dele antes do último horário. Era difícil pensar em outra coisa. Era difícil até querer pensar em outra coisa. Então, quando finalmente chegou o horário do jantar, deu um pulo no Salão Principal, comeu pouquíssimo e mui rapidamente, e deu no pé. Tudo o mais podia esperar. Agora precisava vê-lo. Precisava estar com ele de novo. E seu coração pulsou ansioso, se enchendo de expectativa, conforme ela se aproximava de seus aposentos particulares. Abriu a porta rápido e logo em seguida a trancou atrás de si.
Imediatamente, seus ouvidos e sua alma toda se encheram de música. Mozart, com certeza, em violinos e flauta... gracioso. O procurou em volta... não o viu, mas de repente sentiu seu abraço, assim por trás.
– Hmm... Albus.
– Tenho planos pra esta noite. – Ele falou, encaixando o queixo na curva do ombro dela.
– E quais os seus planos?
– Que acha de darmos uma volta?
– Uma volta? Acho muito arriscado. Acho que devíamos ficar aqui, na cama, até de manhã...no mínimo.
Ele riu.
– Sabe, sua proposta é muito tentadora. – Ele fez correr uns beijos pelo pescoço da bruxa, enquanto falava. – Mas eu tenho uma surpresa pra você.
– Surpresa?
– Uhum.
– E o que é?
– É surpresa, não vou te contar.
– E a surpresa envolve sair deste quarto e se arriscar.
Ele, sorrindo, fez que pensava.
– Uuuhm, sim e não. Eu poderia te dar a surpresa aqui mesmo, mas fazê-lo debaixo das estrelas me soa particularmente interessante.
– Me dar? Você tem um presente pra mim?
Ela se aproximou, mordiscando o lábio, fazendo de conta que o revistava com as mãos. Nada muito atrevido, ainda assim ele riu.
– Tenho.
– Eu quero ver.
– Você vai ver. Mais tarde.
– Hm, e onde pretende me mostrar?
– Ah, isso também é surpresa.
Em dois segundos ela considerou várias possibilidades, e acabou descartando a todas... ele estava foragido, afinal, como poderiam sair pra jantar ou o que quer que fosse? A menos que... hm... fossem a algum lugar trouxa. Será? Mas como sairiam de Hogwarts, a esse horário, sem serem notados e sem usar a rede flu (que estava sendo monitorada)? À pé?
Sem que ela perguntasse, ele respondeu logo, empunhando a varinha e desilusionando a si mesmo...
– Posso? – Ela não viu, mas esteve bem certa de que ele se referia a fazer o mesmo com ela. Minerva só assentiu com a cabeça. O melhor era não pensar muito.
E então ambos estavam invisíveis. Minerva já tinha estado desilusionada antes, a sensação era absolutamente estranha, até um tantinho desagradável no início, de um gelado incômodo, e depois... depois era como se seu corpo tivesse desaparecido e você flutuasse no ar... mas essa desilusão não era nada como a camuflagem que ela conseguia obter através do mesmo feitiço, essa não deixava ver nem mesmo um tremor no ar; não era como olhar através de algo transparente, era como simplesmente não haver nada lá...essa era perfeita. Invisível, absolutamente invisível.
De repente, uma voz igualmente invisível lhe sussurrou mais ou menos ao pé do ouvido:
– Confia em mim?
–- Com todo o meu coração.
– Me dê sua mão. Aqui... – ele riu, tateando às cegas, até encontrá-la. – Venha comigo... – E a conduziu pela mão na direção da porta. Ela, é claro, se sentiu receosa, mas... ele era Albus Dumbledore, droga, devia saber o que estava fazendo. Saíram do quarto e seguiram pelos corredores em silêncio. Ela teve de engolir uma ou duas exclamações, ao passarem por alguns alunos, por Filch e pelo Barão Sangrento conforme iam seguindo na direção do Hall de Entrada. As grandes portas do castelo ainda estavam entreabertas – incomum, aliás, considerando o horário. Saíram para os Jardins e uma brisa gelada lambeu a pele de ambos os fazendo corar invisivelmente.
– Por aqui... – ele sussurrou, maroto como uma criança que sabe que o que está fazendo é bastante perigoso. Ela mordiscou os lábios e sorrindo de canto, mas, é claro, ele não viu. Deram a volta, subiram um pequeno morro onde não parecia haver havia nada de especial, e chegaram a um ponto de onde se podia ver claramente a orla da floresta, parte do campo de quadribol, a cabana do Hagrid, dezenas de janelas iluminadas lá no castelo, a lua brilhantemente refletida na superfície do Lago Negro... e o céu. Dali, o céu parecia aterradoramente gigantesco e profundo, pontilhado de um sem número de estrelas cintilantes. Se esquecendo de todo o resto, Minerva se permitiu apreciar a vista. Nunca vinha pra esses lados, mas era simplesmente lindo, especialmente assim à noite. Lindo e desprotegido. Quando Albus desfez seu feitiço e apareceu na frente dela (aliás, ambos apareceram), de repente, ela tomou um susto.
– Que está fazendo?!
– Calma, está tudo bem, ninguém vai nos ver. – Ele riu.
– …?
– Feitiço não verbal. – Ele deu dois passos pra trás e esticou a mão, então ela simplesmente desapareceu no ar. A recolheu de novo, sem demora, sorrindo bastante orgulhoso da idéia.
– E se sairmos acidentalmente? Até onde vai essa...? Uma bolha de desilusão ou o que? Que feitiços de proteção usou? Vão durar quanto tempo?
– Minerva... – Ele se aproximou, levando as mãos à cintura dela – ...relaxe um pouco. Você tem se preocupado demais, tem trabalhado demais... cada detalhe tem ficado sobre seus ombros dia após dia...simplesmente não é justo. Deixe que eu cuide de tudo, só hoje. – Albus sorriu de um jeito tão encantador que ela simplesmente não pôde evitar de retribuir o abraço carinhoso que ele lhe oferecia. – Deixe que eu cuide de você... - Os beijos macios que Minerva sentiu correrem por seu pescoço a convenceram bastante bem.
Albus se afastou, ainda sorrindo, meteu a mão dentro da capa e tirou de lá o que só caberia mesmo em um bolso magicamente aumentado: uma toalha xadrez (que estendeu no chão, exatamente no meio de onde eles deveriam ficar se quisessem permanecer ocultos), uma garrafa de vinho tinto e duas taças com o emblema de Hogwarts. A convidou então pra se sentar, e só depois de ter servido a ambos e se aconchegado mais perto dela, tirou mais uma outra coisa da capa... ela viu, os olhos brilharam... era o presente que ele tinha prometido, com certeza. Vendo o interesse dela, ele sorriu, sem jeito, e explicou, depois de bebericar de sua taça:
– Eu comprei isso há uns cinco anos atrás, no impulso. Eu queria te dar no seu aniversário, mas... minha razão falou mais alto. Eu não podia me delatar assim. Não devia.. – Então sussurrou ao ouvido dela, como um segredo – afinal, imagine... se você visse e se desse conta de que a amo há anos, de que sou louco por você, de que sempre quis te dar muito mais do que livros...
Então ele abriu a mão, deixando ver um bonito relicário de ouro, delicadamente trabalhado, com três pequenas esmeraldas encrustradas... tinha formato de coração e era muito, muito bonito.
– … então eu escondi.
– Albus! É lindo! – Ela tocou com a ponta dos dedos, sorrindo muito. Deixou a taça de lado e voltou toda a tenção para ele e seu presente.
Então ele abriu. Lá dentro havia uma foto muito antiga dos dois, ambos sorriam em um meio-abraço muito desajeitado. Ela riu, surpresa.
– Essa foto... não acredito...
– Sua primeira semana em Hogwarts como professora...
Vendo um mareio de emoção nos olhos dela, ele fechou o relicário com cuidado e se ofereceu pra colocar nela... ao que a bruxa, de pronto, aceitou. A corrente era muito delicada, longa o bastante para o relicário ficar pouco acima da metade do peito. Albus sorriu, achando perfeito, e ela, em resposta, lhe beijou os lábios com carinho.
– Obrigada.
– Então você gostou?
Ela riu.
– Eu adorei!
Riram-se, encantados, e se beijaram mui lentamente.
– Hmmm...
E foram se curvando, curvando... acabaram deitados. As taças acabaram virando ao serem deixadas de lado... o vinho foi esquecido...e entre beijos, rolaram sobre a grossa toalha de pique-nique...
– Tem certeza de ninguém pode nos ver?
– Tenho. – Ele garantiu, se encaixando junto dela, brincando de morder lábios entre meio-sorrisos.
Uns beijos mais tarde, ele sussurrou algo ao pé do ouvido dela, arrancando um meio suspiro e um sorriso muito largo. Logo as peles nuas se eriçavam sem decidir se sentiam frio pelo gelado da noite ou calor pelo atrito dos corpos.
continua (é uma promessa!)
