NOVE
A primeira seção com Deanna não foi nada parecida com o que Sheila esperava, foi mais uma longa conversa.
Conversaram sobre suas vidas, ou melhor, a vida de Sheila. Seus estudos, motivo pelo qual deixou a Terra e foi para Rigel II.
-Estranho que tenha saído de lá pra se formar em um planeta com muito menos recursos que a Terra. A outra deu de ombros.
-Consegui uma bolsa para ser aluna de um dos maiores cientistas já existentes, John Dax, o cientista da mente humana. Achei interessante poder conhecer alguém assim.
Deanna riu.
-Saiu de seu planeta pra estudar algo só pela curiosidade de conhecer alguém?
-Ele é uma lenda viva. - apesar das palavras que a outra usara, Troi pode perceber a falta de entusiasmo nelas - Achei interessante sair de casa para conhecer uma lenda, seria só um, no máximo dois anos e sempre poderia voltar, não é...Sou jovem, ainda tenho muito que fazer na vida...
-E você já descobriu o que?
-A única coisa de que tenho certeza é de que quero terminar a minha faculdade de História, depois disso... - ela deu de ombros - Esperava que todos esses anos que passei longe de casa me dissessem, mas... - ela fez uma negação com a cabeça - Engraçando, não. A gente sempre acha que quando sair de casa vai encontrar um sentido para nossa vida e isso nunca acontece. No fundo devia ser o contrario, a gente só deveria sair de casa quando encontrássemos um sentido maior que o amor por nossa família...Como o Will, ele já sabia o que queria muito antes de ir embora.
As duas pronunciaram a frase seguinte juntas.
-...Ser o mais novo capitão que uma nave estelar já teve.
Elas riam.
-Deve ser fácil pra você fazer isso.
-Fazer o que?
-Saber o que a gente vai dizer antes da gente o faça, afinal você é uma betezóide, não é?
A conselheira respirou fundo.
-Na verdade, sou meia betezóide, só tenho habilidades empáticas, não leio pensamentos. Meu pai era um humano...
-Humano? - Sheila parecia achar aquilo engraçado - Bom, então como sabia o que eu ia dizer?
-Qualquer um que conheça seu irmão saberia o que você ia dizer.
-E você o conhece muito bem, não é?
-Eu não disse isso. - ela não parecia exatamente surpresa por Sheila ter notado algo - Eu e seu irmão já nos conhecíamos a bastante tempo, mas...
-Vocês foram amantes?
A pergunta era bem maliciosa mas a conselheira não deixou que isso a atingisse.
Deanna se debruçou na mesa, repetindo o gesto da garota e a respondeu com outra pergunta.
-O que você acha?
-Que foram...
-Por que acha isso?
-Seus olhos estão brilhando.
-Como os seus quando viu o Wesley Crusher no Ten-For-ward?
Sheila gelou, ela pensou que ninguém tinha notado o quanto achara o rapaz bonito.
-Primeira lição do dia: não tente esconder seus sentimentos de uma betezóide, mesmo que ela só tenha habilidades empáticas, a não ser, é claro, que você saiba como fazê-lo.
-Não há como fazê-lo... Troi riu.
-Deanna, posso lhe perguntar uma coisa? A conselheira fez que sim.
-Por que estou tendo essas seções com você?
-Nada demais, só achamos que seria bom pra você.
-Bom pra mim, em que sentido?
-Bom, para você se entender melhor.
-Ah1 Eu sabia! Essas seções nada mais é do que uma consulta a uma psicóloga.
A mais velha recostou-se em sua cadeira.
-Se quer colocar desse jeito.
-Acha que é disso que eu preciso?
-Na verdade, eu quero descobrir do que é que você precisa. Você sabe?
Ela ficou em silêncio.
-Está confusa. Não sabe em quem confiar nem o que pode dizer...
Troi se concentrou e continuou a narrar o que sentia na outra.
-Tem medo que... A achem louca. - Sheila a encarou com expressão de vergonha e medo - Você se acha louca, Sheila. Por que? - Ela não queria dizer - Eu só quero te ajudar.
-Todos dizem isso...-a voz era apenas um sussurro.
-Sheila, -ela pois o dedo sobre os lábios da outra impedindo que ela continuasse- Há uma frase, muito sábia, que diz assim: "Confie sempre em você mesma que o resto se torna fácil". Não tem que confiar em mim, tem que confiar primeiro em você. E, é nisso que eu quero lhe ajudar, a recuperar a sua confiança em si mesma.
Ela acenou com a cabeça e se levantou.
-A aula acabou. - disse a conselheira num suspiro - pode ir.
