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CAPITULO

8

– Suponho que, para você, eu sou o inferno – contrapôs ele e, indicando a outra ponta do sofá onde ela se sentara, falou:

– Posso?

Rosalie assentiu e esperou até ele se acomodar.

– Por que mandou me chamar? – perguntou então com voz áspera.
– A cena de hoje de manhã foi divertida, não foi? Suas meninas Swan são um encanto. Certamente, não são como as mocinhas que costumamos ver na sociedade.

Lentamente, Rosalie ergueu os olhos para encará-lo, tentando não se encolher ao se deparar com os poços verdes e cheios de vida. Edward escondia seus pensamentos como ninguém... mas naquela manhã havia olhado para Isabella com um desejo que, normalmente, era disciplinado demais para revelar. E a jovem não saberia se defender de um homem como Edward.

Rosalie tentou manter a voz controlada.

– Não vou falar sobre as Swan com você. E o proíbo de ficar perto delas.

– Você me proíbe? – replicou Edward num tom suave, os olhos brilhando com um humor debochado.

– Não vou permitir que prejudique as pessoas da minha família.

– Sua família? – retrucou ele, erguendo uma sobrancelha escura. – Você não tem família.

– Refiro-me à família para a qual trabalho – respondeu Rosalie com frieza e dignidade. – Sou responsável por aquelas meninas. E estou falando de Isabella em especial. Vi como olhou para ela hoje de manhã. Se tentar fazer mal a ela de algum jeito...

– Não tenho intenção de fazer mal a ninguém.

– Mas é o que acontece, independentemente de quais sejam as suas intenções, não é?

Rosalie sentiu uma pequena satisfação ao vê-lo estreitar os olhos.

– Isabella é boa demais para você – continuou. – E está fora do seu alcance.
– Dificilmente algo estaria fora do meu alcance, Rose.

Não houve arrogância na declaração. Era apenas a verdade. E isso alimentou o temor de Rosalie.

– Isabella está praticamente comprometida – anunciou ela de forma contundente. – Está apaixonada por um rapaz.
– Jacob Black.

O coração da dama de companhia disparou, alarmado.

Como sabe disso?

Edward ignorou a pergunta.

– Acha mesmo que o visconde Andover, um homem reconhecidamente exigente em seus padrões, vai permitir que o filho se case com uma Swan?

– Sim, eu acho. Ele ama o filho, por isso vai relevar o fato de Isabella pertencer a uma família não convencional. Ele não poderia encontrar mãe melhor para seus futuros herdeiros.

– Ele é um nobre. Para ele, a linhagem sanguínea é tudo. E embora as linhagens de Isabella tenham produzido um resultado obviamente encantador, elas estão longe de ser puras.

– O irmão dela é um nobre – ressaltou Rosalie.

– Só por acidente. Os Swan são a ponta do galho mais afastado da árvore genealógica. McCarty pode ter herdado um título, mas, em termos de nobreza, não é mais aristocrata que você ou eu. E Andover sabe disso.

– Você é um esnobe – acusou-o Rosalie, no tom mais calmo que conseguiu adotar.

– De jeito nenhum. Não me incomodo nem um pouco com o sangue plebeu dos Swan. Na verdade, gosto ainda mais deles por isso. Todas aquelas filhas anêmicas da nobreza, nenhuma delas chega aos pés das meninas que vi hoje de manhã.

Por um momento surpreendente, seu sorriso tornou-se genuíno.

– Que dupla. Pegar um macaco selvagem com um cordão e um pote de confeitos!

– Deixe-as em paz – insistiu Rosalie. – Você brinca com as pessoas como gatos brincam com ratos. Vá se divertir com outras mulheres, Edward. Deus sabe que há muitas dispostas a qualquer coisa por você.
– É isso que as torna sem graça – falou ele, sério. – Não, não se retire, ainda tenho mais uma pergunta. Isabella falou alguma coisa sobre mim?

Confusa, Rosalie negou com um movimento de cabeça.

– Apenas que era interessante poder finalmente atribuir um rosto ao misterioso dono do hotel – respondeu. Depois o encarou atenta e quis saber: – O que mais ela deveria ter dito?

Edward exibiu uma expressão inocente.

– Nada. Só queria saber se causei alguma impressão.

– Tenho certeza de que Isabella não deu nenhuma importância à sua presença. Seus afetos pertencem ao Sr. Black, que, diferente de você, é um homem bom e honrado.

– Você me magoa. Felizmente, nessas questões de amor, a maioria das mulheres é facilmente convencida a escolher o homem errado em vez do certo.

– Se entendesse alguma coisa sobre o amor – contrapôs Rosalie, causticamente –, saberia que Isabella jamais escolheria qualquer outro em vez do homem a quem já entregou seu coração.

– Ele pode ficar com o coração – foi a resposta casual de Edward. – Desde que eu fique com o resto.

Quando Rosalie se levantou furiosa e ofendida, Edward também ficou em pé e se dirigiu à porta.

– Por aqui, por favor – disse ele. – Deve estar com pressa para voltar e soar todos os alarmes. Não vai mesmo fazer diferença.

Fazia muito tempo que a Srta. Hale não ficava tão aflita. Edward... Isabella... Ele realmente desejava a menina Swan ou só queria torturar Rosalie com uma brincadeira cruel? Não, ele não estava fingindo. Decerto Edward queria Isabella, uma pessoa afetiva, espontânea e bondosa como ninguém no mundo sofisticado em que ele vivia. Queria alívio para suas inesgotáveis necessidades e, quando se cansasse dela, teria sugado toda a alegria e o charme inocente que o atraíram. Rosalie não sabia o que fazer. Não podia revelar sua ligação com Edward Masen, e ele sabia disso.

A solução era se certificar de que Isabella e Jacob Black assumissem um compromisso publicamente, o mais depressa possível. No dia seguinte Black encontraria a família e os acompanharia a uma exposição de flores. Depois Rosalie encontraria um jeito de apressar a corte dos dois. Diria a Jasper e Alice que eles deveriam exigir uma solução rápida para a situação.

E se por alguma razão não houvesse compromisso – que Deus não permitisse tal coisa –, Rosalie sugeriria que Isabella fizesse uma viagem ao exterior e se ofereceria para acompanhá-la. Talvez França ou Itália. Até toleraria a companhia do irritante lorde McCarty, se ele decidisse ir também. Faria qualquer coisa para proteger Isabella de Edward Masen.

{...}

– Acorde, dorminhoco.

Alice entrou no quarto vestindo uma camisola enfeitada com camadas de renda delicada, os cabelos escuros presos numa trança grossa e bem-feita que caía sobre um ombro. Ela havia acabado de amamentar o bebê. Depois de deixá-lo com a ama, agora estava determinada a acordar o marido.

A preferência natural de Jasper era ficar acordado à noite e dormir até tarde, um hábito que se opunha diretamente à filosofia de Alice: ir para a cama e levantar-se cedo. Aproximando-se de uma das janelas, ela abriu as cortinas para deixar a luz matinal entrar, o que provocou um gemido de protesto do homem deitado.

– Bom dia – cumprimentou-o com alegria. – A criada virá em breve para me ajudar a me vestir. É melhor que você esteja usando alguma roupa.

Ela se ocupava das gavetas da cômoda, examinando uma coleção de meias bordadas. Pelo canto do olho, viu Jasper se espreguiçar, o corpo ágil e forte, a pele brilhante como mel.

– Venha aqui – chamou Jasper com voz sonolenta, puxando os lençóis que o cobriam.

Alice riu.

– De jeito nenhum. Há muita coisa para fazer. Todos estão ocupados, menos você.
– Eu pretendo me ocupar. Assim que você voltar para a cama. Monisha, não me faça correr atrás de você tão cedo.

Alice o encarou com olhar severo enquanto se aproximava da cama.

– Não está cedo. Na verdade, se não se lavar e vestir rapidamente, vamos nos atrasar para a exposição de flores.
– Como alguém pode se atrasar para ver flores?

Jasper balançou a cabeça e sorriu, como sempre fazia quando ela dizia alguma coisa que ele considerava uma bobagem gadji. Seu olhar era quente e sonolento.

– Chegue mais perto.
– Mais tarde.

Ela riu quando, com impressionante destreza, Jasper estendeu o braço e a segurou pelo pulso.

– Jasper, não.
– Uma boa esposa romani nunca rejeita o marido – provocou ele.
– A criada – lembrou Alice, ofegante ao ser puxada para cima do colchão, de encontro à pele dourada e quente.
– Ela pode esperar.

Jasper desabotoou seu penhoar, a mão escorregando por baixo da renda e encontrando as curvas sensíveis dos seios. O riso de Alice se foi. Ele a conhecia bem – bem demais – e nunca hesitava em cruelmente tirar proveito disso. De olhos fechados, ela levou uma das mãos à nuca do marido. Os cabelos sedosos e limpos deslizaram entre seus dedos. Jasper beijou seu pescoço macio, enquanto um dos joelhos se esgueirava por entre os dela.

– Ou vai ser agora – murmurou ele – ou vai ser atrás das azaleias na exposição de flores. A escolha é sua.

Ela se contorceu um pouco, não em protesto, mas com prazer, quando ele prendeu seus braços nas mangas da camisola.

– Jasper – murmurou Alice ao ver os cabelos escuros dele já caindo sobre seus seios. – Vamos nos atrasar muito...

Ele murmurou quanto a desejava, falando em romani, como sempre fazia quando abandonava a atitude civilizada, e as sílabas exóticas eram como uma carícia quente sobre sua pele sensível. E durante os minutos seguintes ele a possuiu, a consumiu com uma desinibição tão grande que teria sido bárbara, se não fosse delicada.

– Jasper – falou ela mais tarde, ainda com os braços envolvendo o ombro do marido –, vai dizer alguma coisa ao Sr. Black hoje?
– Sobre amores-perfeitos e prímulas?
– Sobre as intenções dele com relação à minha irmã.

Jasper sorriu para ela e tocou uma mecha de cabelos que se soltara da trança.

– Você se oporia se eu falasse?
– Não, eu quero que fale – afirmou ela, com uma ruga marcando o espaço entre suas sobrancelhas. – Isabella insiste em dizer que ninguém deve criticar o Sr. Black por demorar tanto a falar com o pai.

Jasper usou o polegar para apagar a ruga em sua testa, afagando-a com delicadeza.

– Ele já esperou demais. Sabe o que os romani dizem sobre um homem como Black? Ele quer comer o peixe, mas não quer entrar na água.

Alice respondeu com um sorriso desanimado.

– É muito frustrante saber que ele está pisando em ovos desse jeito, em vez de resolver o assunto de uma vez. Queria que Black simplesmente falasse com o pai e decidisse tudo logo.

Jasper, que havia aprendido alguma coisa sobre a aristocracia nos dias que havia passado trabalhando como gerente de um clube de jogos para cavalheiros, falou num tom seco:

– Um jovem que vai herdar uma fortuna como a de Black precisa ser cauteloso.

– Não me interessa. Ele alimentou as esperanças de minha irmã. Se tudo isso acabar em nada, ela vai ficar arrasada. E ele impediu que outros homens a cortejassem, a temporada toda foi desperdiçada...

– Shhh. – Jasper rolou para o lado, levando-a com ele. – Concordo com você, monisha... esse relacionamento oculto deve acabar. Vou me certificar de que Black entenda que é hora de agir. E vou conversar com o visconde, se ajudar.

– Obrigada – disse Alice, apoiando o rosto no peito do marido à procura de conforto. – Vou ficar muito contente quando tudo isso for resolvido. Não consigo me livrar do pressentimento de que as coisas não vão acabar bem para Isabella e o Sr. Black. Espero estar errada. Quero muito que Isabella seja feliz, e... O que vamos fazer, se ele partir o coração de minha irmã?

– Vamos cuidar dela – murmurou Jasper, aninhando-a entre os braços. – E amá-la. É para isso que serve uma família.

{...}

Isabella estava tonta com a mistura de nervosismo e empolgação. Jacob logo chegaria para acompanhar a família à exposição de flores. Depois de todos os subterfúgios, esse era o primeiro passo para um relacionamento reconhecido abertamente.

Ela escolhera com cuidado extra um vestido amarelo com acabamento de cordões de veludo preto. As saias em camadas eram enfeitadas a intervalos regulares com laços negros aveludados. Angela usava um traje semelhante, mas o dela era azul com adornos cor de chocolate.

– Adoráveis – elogiou a Srta. Hale, sorrindo ao vê-las entrar na sala de visitas da suíte da família. – Vocês serão as duas jovens damas mais elegantes na exposição de flores.

Ela se aproximou para ajeitar os cachos rebeldes de Isabella, prendendo um grampo com mais segurança.

– E prevejo que o Sr. Black não será capaz de desviar os olhos de você – acrescentou.

– Ele está um pouco atrasado – comentou Bella, tensa. – E não costuma se atrasar. Espero que não tenha havido nenhum problema.

– Ele vai chegar logo, tenho certeza.

Jasper e Alice entraram na sala, ela radiante em um vestido rosa, a cintura estreita bem marcada por um cinto de couro cor de bronze combinando com as botas.

– Que lindo dia para um passeio – disse Alice, os olhos azuis brilhando intensamente. – Porém, duvido que você se interesse pelas flores, Isabella.

Tocando o próprio estômago, Isabella deixou escapar um suspiro inseguro.

– Isso tudo me deixa muito nervosa.

– Eu sei, querida. – Alice foi abraçá-la. – Isso só me faz sentir uma imensa gratidão por nunca ter tido que enfrentar a temporada londrina de eventos sociais. Eu nunca teria a sua paciência. Francamente, deviam cobrar um imposto dos homens solteiros de Londres até eles se casarem. Isso apressaria todo o processo de corte.

– Não entendo por que as pessoas precisam se casar – manifestou-se Angela. – Não havia ninguém para casar Adão e Eva, havia? Eles viveram juntos naturalmente. Por que nós temos que nos incomodar com um casamento, se eles não pensaram nisso?

Isabella deu uma risada nervosa.

– Quando o Sr. Black estiver aqui – disse ela –, não vamos abordar assuntos polêmicos, Ang. Receio que ele não esteja acostumado com o nosso jeito de... bem, nosso...
– Com nossas discussões acaloradas – sugeriu a Srta. Hale.

Alice sorriu.

– Não se preocupe, Isabella. Seremos tão sérios e recatados que vai ser até tedioso.

– Obrigada – agradeceu Bella com fervor.

– Tenho que ser tediosa também? – perguntou Angela à Srta. Hale, que assentiu, enfática.

Com um suspiro, Angela se dirigiu à mesa no canto da sala e começou a esvaziar os bolsos. O estômago de Isabella deu um salto quando ela ouviu uma batida na porta.

– É ele – disse meio sem ar.
– Vou recebê-lo – falou a Srta. Hale, e sorriu rapidamente para Isabella. – Respire, querida.

Isabella assentiu e tentou se acalmar. Jasper e Alice trocaram um olhar que a jovem não conseguiu decifrar. Eles se entendiam de tal maneira que era como se pudessem ler os pensamentos um do outro. Ela conteve o riso ao lembrar o comentário de Angela sobre coelhos serem mais felizes em pares. Angela estava certa. Isabella queria muito ser amada, ser a metade de um par. E havia esperado por isso muito tempo: ainda era solteira, enquanto amigas de sua idade já haviam casado e tinham dois ou três filhos. Parecia ser o destino das Swan encontrar o amor mais tarde na vida.

Os pensamentos de Isabella foram interrompidos pela entrada de Jacob, que se curvou num cumprimento elegante. A onda de alegria foi abrandada pela expressão do recém-chegado, mais sombria do que ela jamais imaginara ser possível. Sua pele estava pálida, os olhos, vermelhos como se não houvesse dormido. Ele parecia doente, na verdade.

– Sr. Black – falou ela em voz baixa, o coração batendo como um animalzinho tentando se libertar de uma rede. – Sente-se bem? Qual é o problema?

Os olhos castanhos de Jacob, normalmente tão afetuosos, estavam vazios quando estudaram sua família.

– Perdoem-me – falou ele com voz rouca. – Não sei o que dizer.

A respiração dele parecia presa na garganta.

– Enfrento uma... uma dificuldade... é impossível – falou, então seus olhos encontraram os de Isabella. – Srta. Swan, precisamos conversar. Não sei se seria possível termos um momento a sós...

Um silêncio tenso seguiu a solicitação. Jasper olhou para o jovem com uma expressão indecifrável, enquanto Alice balançava a cabeça sutilmente como se quisesse negar o que estava por vir.

– Receio que não seja apropriado, Sr. Black – murmurou a Srta. Hale. – Temos que considerar a reputação da Srta. Swan.
– É claro.

Ele passou a mão na testa e Isabella percebeu que seus dedos tremiam. Alguma coisa estava errada, sem dúvida. Muito errada. Uma calma fria a invadiu. Ela falou com uma voz atordoada que nem pareceu ser a dela.

– Alice, se importaria em ficar na sala conosco?
– Eu fico, é claro.

O restante da família deixou a sala de visitas, inclusive a Srta. Hale. Isabella sentiu o suor frio escorrendo sob sua camisa e teve certeza de que manchas de umidade surgiam sob suas axilas. Mesmo assim, sentou-se no sofá e olhou para Jacob com os olhos muito abertos.

– Pode se sentar – disse a ele.

Jacob hesitou e olhou para Alice, que havia se colocado perto da janela.

– Por favor, sente-se, Sr. Black – Alice reforçou o convite, mas continuou olhando para a rua lá fora. – Vou tentar fingir que não estou aqui. Lamento que não possam ter mais privacidade que isso, mas a Srta. Hale está certa: é preciso proteger a reputação de Isabella.

Não havia nenhum traço de censura em seu tom de voz, mas o desconforto de Jacob foi evidente. Sentado ao lado de Bella, ele segurou suas mãos e debruçou a cabeça sobre elas. Seus dedos estavam ainda mais gelados que os da jovem.

– Tive uma terrível discussão com meu pai ontem à noite – começou ele com a voz abafada. – Parece que um rumor chegou aos ouvidos dele, um relato sobre meu interesse por você. Sobre minhas intenções. Ele ficou... ultrajado.
– Deve ter sido terrível – respondeu Isabella.

Sabia que Jacob raramente discutia com o pai, se é que discutiam. Ele admirava o visconde e se esforçava sempre para agradá-lo.

– Pior que terrível – falou Jacob e inspirou profundamente. – Vou poupá-la dos detalhes. O resultado da longa e dura discussão foi que o visconde me deu um ultimato. Se me casar com você, serei deserdado. Ele não me reconhecerá mais como filho e não terei mais direito a nada.

O silêncio que invadiu a sala foi perturbado apenas pela rápida inspiração chocada de Alice. Bella sentiu a dor se expandir em seu peito, expulsar o ar dos pulmões.

– Que motivos ele deu? – a jovem conseguiu perguntar.
– Disse apenas que você não se enquadra no padrão de uma noiva Black.
– Se esperar que ele se acalme... tentar convencê-lo a mudar de ideia... Eu posso esperar, Jacob. Esperarei para sempre.

Jacob balançou a cabeça.

– Não posso encorajá-la a esperar. A decisão de meu pai é definitiva. Ele pode levar anos para mudar de ideia, se é que um dia vai mudar. E você merece a chance de ser feliz.

Isabella o encarou com firmeza.

– Eu só poderia ser feliz com você.

Jacob levantou a cabeça, e seus olhos eram escuros e brilhantes.

– Lamento, Isabella. Desculpe por ter alimentado esperanças, quando isso nunca foi possível. Minha única justificativa é que pensei conhecer meu pai, mas, aparentemente, me enganei. Sempre acreditei que seria capaz de convencê-lo a aceitar a mulher que eu amasse, sempre pensei que meu julgamento seria suficiente para ele. E eu... – Sua voz falhou. Ele engoliu em seco com uma dificuldade perceptível. – Eu amo você. Eu... maldição, nunca o perdoarei por isso.

O jovem soltou as mãos de Isabella e pegou no bolso um maço de cartas presas com uma fita. Todas as cartas que ela lhe escrevera.

– Minha honra exige que as devolva.

– Não vou devolver as suas – avisou Isabella, aceitando as cartas com mão trêmula. – Quero guardá-las.

– É seu direito, é claro.

– Jacob – falou Isabella com a voz embargada. – Eu amo você.

– Eu... não posso lhe dar esperanças.

Os dois ficaram quietos e trêmulos, trocando um olhar aflito. A voz de Alice penetrou o silêncio sufocante. Ela soou abençoadamente racional.

– As objeções do visconde não precisam detê-lo, Sr. Black. Ele não pode impedi-lo de herdar o título e as propriedades associadas a ele, pode?

– Não, mas...

– Leve minha irmã para Gretna Green. Forneceremos uma carruagem. O dote de minha irmã é grande o bastante para garantir o sustento dos dois. Se precisarem de mais, meu marido pode aumentar o valor.

Alice o encarou com firmeza desafiadora, esperando pela resposta.

– Se quer minha irmã, Sr. Black, case-se com ela. Os Swan o ajudarão a enfrentar todas as tempestades que vierem.

Isabella nunca amara a irmã mais do que naquele momento. Encarou Alice com um sorriso hesitante e os olhos marejados. Porém, o sorriso se apagou quando Jacob respondeu sério.

– O título e as propriedades associadas a ele serão herdados por mim, sim, mas enquanto meu pai for vivo, terei de sobreviver com recursos próprios, e não tenho nenhum. Não posso viver da caridade da família de minha esposa.

– Não é caridade se também pertencer à família – argumentou Alice.

– Não entende como as coisas são com os Black – insistiu Jacob. – Isso é uma questão de honra. Sou filho único. Fui criado com um objetivo desde que nasci: assumir as responsabilidades de minha posição e do título. Isso é tudo o que sempre soube de mim. Não posso viver como um rejeitado, longe de meu pai. Não posso viver no escândalo e no ostracismo.

Ele deixou a cabeça pender.

– Deus, como estou cansado de discutir. Meu cérebro passou a noite toda dando voltas.

Isabella viu a impaciência no rosto da irmã e percebeu que, por ela, Alice estava preparada para refutar cada argumento de Jacob. Mas sustentou o olhar da irmã mais velha e balançou a cabeça, tentando transmitir a mensagem: "É inútil." Jacob já havia tomado sua decisão. Nunca desafiaria o pai. Discutir só o deixaria mais infeliz do que já estava.

Alice fechou a boca e olhou pela janela novamente.

– Sinto muito – disse Jacob depois de um longo silêncio, ainda segurando as mãos de Isabella. – Nunca tive a intenção de enganá-la. Tudo o que falei sobre meus sentimentos, cada palavra foi verdadeira. Apenas me arrependo de ter feito com que perdesse seu tempo. Um tempo valioso para uma jovem na sua posição.

Isabella sabia que ele não falara com a intenção de ofendê-la, mas se encolheu mesmo assim.

Uma jovem em sua posição. Vinte e três anos. Solteira. Ainda sozinha depois de sua terceira temporada. Cuidadosa, ela removeu as mãos das de Jacob.

– Não foi perda de tempo – conseguiu dizer. – Sou uma pessoa melhor por tê-lo conhecido, Sr. Black. Por favor, não se arrependa. Eu não lamento.
– Isabella – murmurou ele num tom sofrido que quase a fez desmoronar.

Temia que irrompesse em lágrimas.

– Por favor, vá.

– Se pudesse fazê-la entender...

– Eu entendo. De verdade. E ficarei perfeitamente... – dizia, mas foi obrigada a parar, engolindo em seco. – Por favor, vá embora. Por favor.

Isabella notou Alice se aproximar, murmurar algo para Jacob e, com toda a eficiência, conduzi-lo para fora da suíte antes que Bella perdesse a compostura. Querida Alice, que não hesitara em dar conta de um homem muito maior que ela. Uma galinha correndo atrás de uma vaca, pensou Isabella, rindo apesar das lágrimas quentes que começavam a escorrer por seu rosto.

Depois de fechar a porta com firmeza, Alice se sentou ao lado de Isabella e a segurou pelos ombros, fitando seus olhos molhados. Com a voz embargada pela emoção, ela disse:

– Você é uma dama, Isabella. E é muito mais do que ele merecia. Estou muito orgulhosa de você. Fico me perguntando se ele sabe quanto perdeu.
– Ele não tem culpa da situação.

Alice tirou um lenço da manga e o ofereceu à irmã.

– É discutível, mas não vou criticá-lo, porque isso não vai nos ajudar em nada. Porém, devo dizer... Bem, a expressão "não posso" sai da boca do Sr. Black com muita facilidade.

– Ele é um filho obediente – argumentou Bella, secando as lágrimas do rosto, mas logo desistindo e apenas segurando o lenço contra os olhos transbordantes.

– Sim, bem... De agora em diante, eu a aconselho a procurar um cavalheiro com meios de sustento.

Isabella balançou a cabeça, o rosto ainda escondido pelo lenço.

– Não há ninguém para mim.

Ela sentiu quando os braços da irmã a envolveram.

– Há, sim. Há, sim. Prometo que há. Ele está esperando. Vai encontrá-la. Um dia Jacob Black não será mais que uma lembrança distante.

Isabella chorava copiosamente, soluçando com tanta intensidade que sentia as costelas doerem.

– Deus – conseguiu arquejar. – Isso dói, Alice. E tenho a sensação de que nunca vai passar.

Alice apoiou a cabeça de Bella em seu ombro e beijou o rosto molhado.

– Eu sei – disse. – Passei por isso uma vez. Lembro como é. Você vai chorar, depois vai ficar zangada, depois vai se desesperar, e depois vai se revoltar outra vez. Mas conheço o remédio para coração partido.

– Qual é? – perguntou Bella com um suspiro trêmulo.

– Tempo... oração... e, acima de tudo, uma família que a ama. Você sempre será amada, Isabella.

Bella conseguiu forçar um sorriso hesitante.

– Dou graças a Deus por existirem irmãs – disse, e chorou outra vez no ombro de Alice.

{...}

Muito mais tarde naquela noite, alguém bateu com determinação na porta dos aposentos de Edward Masen. Alec Valentine arrumava as roupas limpas e os sapatos pretos engraxados para a manhã seguinte. Interrompeu a tarefa para ir atender a porta e se deparou com uma mulher de aparência vagamente familiar. Ela era pequena, usava óculos redondos, tinha cabelos castanho-claros e olhos azul-acinzentados. Ele a encarou por um momento, tentando identificá-la.

– Posso ajudá-la?
– Quero falar com o Sr. Masen.
– Receio que ele não esteja.

Os lábios da visitante se retraíram quando ela ouviu a frase tão desgastada, usada pela maioria dos criados quando seus senhores não queriam ser incomodados. Quando falou novamente, sua voz denotou grande desprezo.

– Quer dizer que ele não está no sentido de que ele não quer me ver ou que não está porque realmente saiu?

– Tanto faz – respondeu Alec, implacável. – Não o verá está noite. Mas a verdade é que ele realmente saiu. Gostaria de deixar algum recado?

– Sim. Diga a ele que espero que apodreça no inferno pelo que fez a Isabella Swan. E diga também que, se ele se aproximar dela, eu o mato.

Alec reagiu com uma absoluta tranquilidade. Ameaças de morte contra Edward eram comuns.

– E a senhora é...?
– Entregue o recado – respondeu ela secamente. – Ele vai saber quem o deixou.

{...}

Dois dias depois de Jacob Black ter visitado o hotel, o irmão das Swan, Emmett, ou lorde McCarty, apareceu para uma visita. Como outros homens sofisticados, Emmett alugava uma pequena casa em Mayfair durante a temporada de eventos sociais e, no fim de junho, se retirava para sua propriedade rural. Embora pudesse facilmente se instalar com a família no Masen, ele preferia ter privacidade.

Ninguém podia negar que Emmett era um homem bonito, alto e de ombros largos, com cabelos castanho-escuros e olhos impressionantes. Diferente das irmãs, tinha olhos de um tom claro de azul com bordas escuras contornando as pupilas. Marcantes. Cansados. Ele se comportava como um libertino e era convincente, dando a impressão de que nunca se importava com nada e ninguém. Havia momentos, porém, em que a máscara caía só pelo tempo necessário para exibir um homem de extraordinária sensibilidade, e era nesses raros momentos que Rosalie se sentia mais apreensiva perto estavam em Londres, Emmett ficava sempre ocupado demais para dedicar tempo à família, e Rosalie se sentia grata por isso. Desde que se conheceram, ela sentira uma antipatia intrínseca por ele e sabia que o sentimento era mútuo. Essa hostilidade era forte o bastante para criar centelhas de ódio. Às vezes eles competiam para decidir quem era capaz de dizer ao outro as coisas mais ofensivas, ambos testando, estudando, tentando encontrar pontos fracos. Era como se não conseguissem evitar, como se não controlassem o impulso constante de atacar o outro.

Rosalie atendeu a porta na suíte da família e reagiu instintivamente ao se deparar com a silhueta alta e larga de Emmett. Elegante, ele vestia casaco escuro com lapelas largas, calça solta sem vincos e colete com estampa arrojada e botões prateados.

Emmett a avaliou com olhos gelados e um sorriso arrogante.

– Boa tarde, Hale.

Rosalie manteve a expressão dura, com a voz repleta de desdém.

– Lorde McCarty. Estou surpresa que tenha se afastado de seu lazer para visitar a irmã.

Emmett a encarou com ar debochado.

– O que fiz para merecer o sermão? Sabe, Hale, se um dia aprender a ficar de boca fechada, suas chances de atrair um homem podem aumentar exponencialmente.

Os olhos dela ficaram mais estreitos.

– E por que eu iria querer atrair um homem? Ainda não descobri qual é a utilidade deles.
– Bem, mesmo que não tenhamos nenhuma outra, vocês precisam de nós para produzir mais mulheres. – Uma pausa. – Como está minha irmã?
– Com o coração partido.

Emmett contraiu os lábios.

– Deixe-me entrar, Hale. Quero vê-la.

Rosalie deu um passo relutante para o lado. Emmett entrou na sala de visitas e encontrou Isabella sentada sozinha com um livro. Ele a observou em silêncio. Sua irmã, normalmente uma jovem de olhos brilhantes, estava pálida e abatida. Parecia insuportavelmente cansada, temporariamente envelhecida pelo sofrimento. A fúria cresceu dentro dele. Havia poucas pessoas no mundo com quem se importava, e Isabella era uma delas.

Era injusto que as pessoas que mais desejavam o amor, que o procuravam com mais afinco, menos o encontrassem. E não havia um bom motivo para Isabella, a mais bela jovem em Londres, ainda não ter se casado. Mas Emmett fizera listas mentais de conhecidos, analisando cada um deles como uma possibilidade para sua irmã, e nenhum havia parecido sequer remotamente adequado. Quando um tinha o temperamento apropriado, era idiota ou velho. E havia os corruptos, os perdulários e os depravados. Por Deus, a aristocracia era uma coleção deplorável de espécimes do gênero masculino. E ele se incluía no grupo.

– Oi, irmãzinha – Emmett a cumprimentou com doçura ao se aproximar. – Onde estão os outros?

Bella conseguiu forçar um sorriso pálido.

– Jasper saiu para tratar de negócios. Alice e Angela foram levar Rye para passear de carrinho no parque.

Ela puxou os pés para abrir espaço para o irmão no canapé.

– Como vai, Emmett?
– Não se preocupe comigo. Como vai você?
– Nunca estive melhor – falou ela, corajosa.
– Sim, estou vendo.

Emmett se sentou e a abraçou, puxando-a para perto. E a amparou, afagando suas costas, até ouvir um choramingo.

– Aquele canalha – murmurou ele. – Quer que eu o mate?
– Não – falou ela com a voz embargada. – Não foi culpa dele. Suas intenções eram boas, ele realmente queria se casar comigo.

Emmett beijou o topo da cabeça da irmã.

– Jamais confie em homens bem-intencionados. Eles sempre a desapontarão.

Recusando-se a rir da piada, Isabella levantou a cabeça para encarar o irmão.

– Quero ir para casa, Emmett – pediu, chorosa.
– É claro que sim, querida. Mas ainda não pode.

Ela piscou.

– Por que não?
– Sim, por que não? – perguntou Rosalie Hale em tom seco, sentando-se em uma poltrona próxima.

Emmett se virou para olhar carrancudo para a dama de companhia, depois se dedicou novamente à irmã.

– Há boatos circulando – disse sem rodeios. – Ontem à noite fui a uma reunião oferecida pela esposa do embaixador espanhol, uma dessas coisas às quais você só comparece para poder dizer que esteve lá, e não consigo contar quantas vezes me perguntaram sobre você e Black. Parece que todos estão pensando que você se apaixonou por ele e ele a rejeitou porque o pai decidiu que você não era boa o bastante.

– Mas essa é a verdade.

– Isabella, na sociedade londrina, a verdade pode causar problemas. Se disser a verdade a alguém, vai ter que dizer outra verdade, e outra, e assim sucessivamente, para continuar encobrindo.

Dessa vez ela não conseguiu conter o sorriso.

– Está tentando me aconselhar, Emmett?

– Sim, e embora sempre repita para você ignorar meus conselhos, desta vez acho que é melhor fazer o que digo. O último evento importante da temporada é o baile oferecido por lorde e Lady Norbury na semana que vem.

– Acabamos de escrever um pedido de desculpas pelo não comparecimento – anunciou Rosalie. – Isabella não quer ir.

Emmett a encarou sério.

– A mensagem já foi enviada?
– Não, mas...
– Rasgue-a, então. É uma ordem.

Emmett viu os ombros estreitos da dama de companhia se enrijecerem e sentiu um prazer perverso por ser a causa da repentina tensão.

– Mas, Emmett – protestou Bella –, não quero ir a um baile. As pessoas vão ficar me observando para saber se eu...

– Certamente estarão observando – confirmou Emmett. – Como um bando de urubus. Por isso você precisa ir. Porque, se não for, será atacada pelos fofoqueiros e será alvo de deboche implacável quando a próxima temporada começar.

– Não interessa – disse Isabella. – Nunca mais terei outra temporada.

– Você pode mudar de ideia. E quero que tenha escolha. Por isso você vai ao baile, Isabella. E usará seu vestido mais bonito, com fitas azuis nos cabelos. Vai mostrar a eles que não se incomoda com Jacob Black. Você vai dançar e rir, e vai manter a cabeça erguida.

– Emmett – gemeu Bella. – Não sei se consigo.

– É claro que consegue. Seu orgulho exige que sim.

– Não tenho razões para estar orgulhosa.

– Eu também não – disse Emmett. – Mas isso não me impede, certo?

Os olhos dele foram da expressão relutante de Isabella para a de Rosalie, indecifrável:

– Diga a ela que estou certo, maldição! Ela tem que ir, não tem?

Rosalie hesitou. Por mais que detestasse admitir, Emmett estava certo. Uma aparição confiante e sorridente no baile seria de grande valia para conter as línguas compridas dos salões de Londres. Mas, instintivamente, sabia que Isabella devia ser levada para a segurança de Hampshire o mais depressa possível. Enquanto estivesse na cidade, ela estaria ao alcance de Edward Masen. Por outro lado... Edward nunca havia comparecido a esses eventos, em que mães desesperadas tentavam agarrar os últimos solteiros disponíveis para suas filhas. Edward jamais se rebaixaria comparecendo ao baile dos Norburys, em especial porque sua aparição transformaria o evento em um verdadeiro circo.

– Por favor, controle seu linguajar – falou Rosalie. – Sim, o senhor está ém, será difícil para Isabella. E se ela perder a compostura no baile, se acabar chorando, os fofoqueiros terão ainda mais munição.

– Não vou perder a compostura – declarou Bella com a voz cansada. – Tenho a sensação de que já chorei todas as lágrimas até o fim da vida.
– Boa menina – Emmett a incentivou num tom suave.

Depois ele olhou para o rosto perturbado de Rosalie e sorriu.

– Parece que finalmente concordamos em alguma coisa, Hale. Mas não se preocupe, tenho certeza de que não vai acontecer de novo.


Perceberam que o Ed tem pinta de vilão né? Mas não se preocupem, ele é cordeiro em pele de lobo (isso mesmo, o inverso!) e totalmente apaixonante!

E sobre a história dele com a Rosalie, tudo ainda vai ser esclarecido, não darei spoilers,

E o que dizer sobre Jacob e Bella? Bem, essa conversa ainda não acabou, nos próximos capitulo as coisas pegarão fogo!

... Não só para ela e Jacob, mas principalmente para ela e Edward.

Afinal, muita coisa pode acontecer num baile não é?

MUITO MUITO MUITO obrigada à cada review, achei que tinha sido abandonada por vocês, mas fiquei feliz de estar enganada! s2

Vi que uma das minhas leitoras leu o livro, quer ler toda a coleção (Os Hathways) e só pode dizer: leia mesmo. Todos são ótimos.

(O da Srta. Hale é recente, se eu conseguir achar pra ti eu te mando ok? Caso você não tenha achado)

Enfim, fico muito feliz por ter apresentado essa estória pra alguém, de verdade!

Sem mais delongas, até o próximo capitulo com o baile escandaloso! (ops)

(quero que os visitantes saiam do anonimato e deixem reviews hein? Com o numero escandaloso de visitas, fico até triste de ver que nem todos deixam uma)

Um grande abraço meus amores, s2

Até!

bye.