Pov Tetsuya Kotake

Hoje o treino foi… brutal. O treinador estava com a pica toda e parecia que nunca mais ia acabar. Felizmente amanhã temos uma folga dos treinos, porém temos aulas.

Desde que ela chegou que as aulas são esquisitas. Ela simplesmente senta-se atrás de mim sem dizer nada a não ser que falem com ela. E quanto falam ela tenta despacha-las o mais rápido possível. Ela mudou tanto… E, no entanto não consigo esquecer os gritos dela… naquele fáctico em que a levaram.

Bem, de qualquer forma a ver se me apresso, a mãe disse que ia fazer lasanha para o almoço. Tenho de aproveitar que o facto de ao domingo ela estar em casa. Afinal sendo que o pai é da marinha (passando meses no mar) e a mãe é uma enfermeira (que trabalhava 24/7), passo muito tempo sozinho e quero aproveitar.

- AHHHHHH!

Levantei a cabeça com o grito claramente feminino e claramente de medo. Sem pensar comecei a correr na direcção do onde o grito parecia ter vindo. Fui ter a uma esquina perto do parque. No chão perto de uma árvore uma rapariga de uns 15 anos estava deitada de cabeça para baixo aparentemente inconsciente.

Corri na sua direcção assustado. Quando cheguei perto dela ajoelhei-me rapidamente procurando com os dedos o pulsar de vida no seu pulso. Viva. Ao menos isso. Comecei a fazer um rápido exame à sua cabeça à procura de uma concussão. Não encontrei nenhuns sinais mas peguei no telemóvel para chamar uma ambulância.

Ao ouvir uma espécie de rosnadela levantei-me rapidamente, ainda a agarrar o telemóvel, virando-me para trás.

Um homem de cerca de 25 anos, daqueles que faziam as raparigas da turma suspirarem estava atrás de mim. Algo na aura dele fazia querer fugir a correr.

- Temos aqui um miudinho com complexo de herói, não é verdade?

Engoli em seco antes de abanar com a cabeça. A voz dele era arrepiante, demasiado perfeita e clara. Quase como uma leão o homem começou a avançar predatóriamente, sorrindo largamente.

- Pena… Darias um excelente escravo se, sabes, não tivesse de te matar…

Nem vi o golpe chegar. No momento a seguir estava a voar contra uma árvore, caindo atrás dos arbustos. A última coisa que me lembro antes de cair na escuridão foi de ouvir o riso dele.


Dor.

Sangue.

Gritos.

Acordei de repente sem perceber porque é que a minha cabeça doía tanto. Toquei ao de leve no alto que se formava na parte de trás da cabeça sentindo a viscosidade do sangue. O que é… Porra! O que é que aconteceu ao idiota que o bateu.

- Assim não chegas longe chuchu…

Abri os olhos ao som desta voz, tentai erguer o tronco sem ficar cheio de náuseas. O que é que ela está a fazer aqui?

- A sério chuchu… Esse golpe é tão século passado.

Através das folhas pequenas dos arbustos a cena que se passava parecia tirada de um naqueles filmes que o Yada o levava a ver.

O homem que o tinha atacado estava no chão a tentar levantar-se com dificuldade. Rosnava e a pele morena estava toda suja de sangue, provavelmente do nariz que parecia partido. As roupas pretas estavam todas sujas de pó e cortadas inclusive em alguns sítios.

Sentada descontraidamente de pernas cruzadas em cima do muro de separação da estrada, estava nem mais nem menos do que Doremi Harukase.

- A sério? – perguntou ela quando levantou os olhos das unhas que observava, vendo o homem a tentar levantar-se – Ainda queres apanhar mais?

O homem grunhiu, rosnando-lhe. Depois ergueu a cabeça a sorrir de uma maneira assustadora. Olhei para o meu telemóvel que ainda tinha na mão. Talvez pudesse telefonar à polícia mas, o que aconteceu a seguir simplesmente fez-me abrir a câmara e começar a tirar fotografias.

O homem começou a rir-se sadicamente, abrindo muito a boca. Quando ultrapassou a medida máxima que o maxilar humano abre, dentes afiados como agulhas começaram a substituir os dentes normais. A boca aumentou e os lábios tornaram-se de um roxo escuro, a seguir a pele começou a borbulhar como se queima-se sendo rapidamente substituída por uma espécie de couro preto brilhante. Os olhos ficaram mais pequenos e redondos de um vermelho doentio, o cabelo antes preto brilhante, cresceu ultrapassando os ombros e ficando de uma cor acinzentada. As unhas cresceram tornando-se em garras e asas como as de um morcego começaram a crescer nas suas costas. Todo ele cresceu arrebentado as roupas elegantes substituindo-as com músculos enormes.

Quatro palavras: Que Porra Era Aquela?

A ruiva simplesmente suspirou, como se visse aquilo todos os dias, saltando elegantemente para o chão. Depois abanou a cabeça sorrindo amargamente enquanto caminhava na direcção da… coisa.

- Ouvi dizer que eras corajosa Ginger… Mas não me parece realmente.

Arrepiei-me todo. A voz dele já não era demasiado perfeita, era simplesmente horrível. A Doremi semicerrou os olhos aparentemente divertida.

- Ainda não lutas-te comigo Demónio. Nunca ouviste dizer que não se julga um livro pela capa?

- Ditados humanos são simplesmente idiotas, mas devo dizer que me divertes rapariga. – e como se para demonstrar começou a rir.

Se não estivesse a ver não acreditava. Enquanto a "coisa" ria a Doremi sorriu e elevou a mão coberta de fogo, mandado o que parecia ser um meteorito na direcção do… "coisa"!

Assim que o ser apanhou o impacto, mal teve tempo de reagir pois a ruiva tirou uma adaga rapidamente de uma das botas e atirou-a exactamente para o mesmo sitio onde o fogo o tinha atingido.

Em apenas cerca de dez segundos, Doremi matou o ser que agora sangrava caído no chão.

A ruiva olhou em volta descontraidamente. Depois caminhou em direcção à rapariga que ainda ali estava e verificou o pulso. Aparentemente satisfeita levantou-se caminhado em direcção ao ser morto. Chegando perto pontapeou-o levemente com a ponta da bota como se a verificar se estava morto. Sorriu maliciosamente e com a ponta do pé virou o ser até ficar com o peito para cima.

Abaixou-se pegando num pedaço de tecido que pertencia à roupa do morto e depois num só movimento arrancou o punhal do peito do ser, fazendo uma cara de desgosto à nhanha preta que escorria da arma.

- Não acredito! O meu punhal favorito! – exclamou limpado a arma ao tecido, voltando a por a arma na bota esquerda. Depois olhando em volta sorriu levemente divertida – Bem… isto deve ser divertido! Vamos ver se a Rainha gosta deste presente!

E num suspirou a ruiva e o ser morto tinham desaparecido num halo de luz.

As sirenes de uma ambulância soavam na rua, ergui o corpo um pouco mais usando a árvore como apoio.

Rapidamente dois paramédicos saíram da ambulância um correndo na minha direcção e outro na direcção da rapariga. Ele desatou a fazer perguntas apontado com uma lanterna para os meus olhos mas isso não importava, não realmente…

Mas que raio é que se passou!


O sol da manhã atingiu os meus olhos fechados fazendo-me franzir o sobrolho antes de abrir os olhos. Auch… a minha cabeça dói.

Sentei-me devagar na cama. Porque é que doía a cabeça?

Tentei recordar-me do que se tinha passado ontem mas só conseguia lembrar-me de sair do treino, dali para a frente… nada!

Levantei-me indo vestir a farda. O relógio dizia que ainda faltava uma hora para às aulas. Sai do quarto indo para a cozinha.

- Tetsuya!

Olhei para a minha mãe espantado quando ela me abraçou.

- Como é que te sentes querido?

Fiquei confuso… como assim?

- Como assim mãe? Só me dói a cabeça.

- Não te lembras pois não? – acenei que não e a mãe suspirou antes de me fazer sentar na mesa em frente a um apetitoso pequeno-almoço – Tu assustaste-me ontem! Estava à espera de ti para almoço e nada, eis quando recebo uma chamada do hospital a dizer que estavas lá internado! – Eu, no hospital? – Aparentemente tu e uma rapariga foram alvos de um assalto mal feito e o assaltante atingiu-te na cabeça. Fez-te uma concussão.

Levei a mão ao alto que sentia na cabeça.

- Não me lembro de nada disso.

- É normal. O médico disse que podia acontecer. – ela fez uma ar preocupado – Tens a certeza que queres ir para a escola? Eu posso ficar cá hoje, pedir folga.

- Não deixa estar, eu tomo um comprimido e fico bom num instante.

A mãe suspirou mas eu sabia que ela tinha de trabalhar. Reunindo as coisas ela rapidamente despediu-se me mim indo embora para o trabalho.

Terminei o pequeno-almoço arrumando a louça. Caminhei para o quarto para pegar na mochila. Na secretária o meu telemóvel dava o apito de "mensagem recebida". Peguei nele:

De: Yada

Meu! Ouvi o que te aconteceu! Estás bem? Vais vir hoje à escola?

PS- Tens aquela foto do treino de ontem? O treinador quer para o jornal.

Foto? Qual foto?

Abri o menu indo directamente para a pasta de fotos. Parei.

Que raio? O que era aquilo…

FLASHBACK

Dor. Sangue. Gritos.

- … Esse golpe é tão século passado

dentes afiados como agulhas começaram a substituir os dentes normais.

morto.

- Não acredito! O meu punhal favorito!

Respirei aflito, ignorando o facto que tinha sustido a respiração. Dei meia volta começando a correr.


- Hei meu, estás bem? Sempre tens a foto?

Ignorei o Yada e entrei rapidamente na sala, ignorando o resto das pessoas, indo em direcção da ruiva sem expressão que olhava pela janela.

Cheguei à carteira dela pousando repentinamente as mãos. Ela olhou para cima meia irritada coisa que desapareceu quando se deparou com a foto que estava activa no ecrã do meu telemóvel. Uma foto dela. Uma foto de ontem.

- Acho que mereço uma explicação, Harukase.


Hei pessoal. Misa daqui. Desculpem a demora. A minha vida está uma confunsão agora com o inicio do ano lectivo e tudo o mais e simplesmente não tenho tido o tempo ou a disposição para escrever. Peço desculpa por isso, vocês não têm culpa disso.

Este é o primeiro de muito capítulos POV Tetsuya. Espero que gostem e dêem sugestões de como melhor o ponto de vista dele. Eu estou a tentar o melhor mas sinto que ainda não está muito bom. Sorry por isso.

Tentei também dar a conhecer um pouco mais da personalidade da Doremi, quem está curioso com o que se passa levante a mão! Ah! É verdade estou a aceitar sugestões para o nome da mãe do Tetsuya, ela não têm realmente muita importância na historia mas ainda vai aparecer mais. Por isso não se acanhem e deem a vossa opinião!

Bacci!