Capítulo VII

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Ao subir as escadas da estação de metrô em uma terça-feira chuvosa de setembro, vestindo um pesado sobretudo e carregando sua pasta de trabalho nas mãos, Harry pensou que aquele tinha sido um dos piores dias de sua vida. Tudo o que podia dar errado dera e algumas coisas foram ainda piores. Ele tivera uma reunião com o presidente do Banco Central Americano, enfrentara muito trânsito e confusão por causa da chuva e da visita de alguns parlamentares ilustres à cidade e, como se não bastasse, sua secretária estava de licença e a garota que a substituía conseguira derrubar café quente em sua calça, ou melhor, no ponto mais sensível de seu corpo, aquele que ficava exatamente entre suas virilhas.

Agora que deixava para trás a proteção do metrô e sentia a chuva fina cair sobre seus cabelos, tudo o que ele queria era tomar um banho e um analgésico, antes de esticar-se no sofá para assistir ao jogo dos Yankees, saboreando um pedaço de pizza de calabresa que sobrara da noite anterior, quando jantara com Gina.

Aliás, sua relação com a ruiva estava exatamente como sempre fora, os dois continuavam a sair juntos e a se divertir como os bons amigos de sempre. Assistiam a filmes e jogos juntos, tudo regado a muita pizza e cerveja. Ou melhor, ele bebia cerveja, Gina água, pois dissera que era melhor evitar álcool até saber se estava grávida ou não.

— Por quê? Está se sentindo grávida? — Harry perguntara esperançoso, ao ouvira comentar tal decisão.

— Como posso saber? Nunca estive grávida antes — Gina revidou, com uma pequena careta.

Bem, com certeza ela não parecia grávida. Mas, afinal, só tinham se passada duas semanas desde aquela noite em que haviam dormido juntos. Portanto, mesmo se ela tivesse engravidado, ainda não estaria com uma barriga proeminente como uma gestante prestes a dar à luz.

De qualquer forma, o moreno não conseguia evitar pensar no assunto, pois lembrava-se constantemente de como fora bom fazer amor com ela. Recordava-se de todos os detalhes daquela noite especial, e não apenas porque queria que Gina estivesse carregando um filho seu, mas, sim, porque fora maravilhoso senti-la por inteiro e fazer parte dela, pelo menos por um instante. Fantasias sensuais o assolavam sempre que pensava no assunto, mas Harry fazia questão de bani-las para longe e repetir para si mesmo que não podia sentir-se atraído por sua melhor amiga. Ela era apenas Gina. A menina que conhecia desde a infância, a garota com quem frequentara a pré-escola, o ensino fundamental e o colégio, enfim, sua amiga de todas as horas, não sua amante. Nada mudara entre os dois e nem mudaria, mesmo se Gina estivesse carregando um filho dele.

— Droga! — Harry praguejou baixinho, quando um pingo de chuva grosso e gelado caiu-lhe na testa. Sentiu a cabeça latejar de dor, o que não era de se surpreender, dado o dia tumultuado que tivera.

Olhando para a esquina, avistou o letreiro da drogaria do distrito de Astória e resolveu que talvez fosse melhor parar ali para comprar alguns analgésicos. Afinal, não sabia ao certo como estava sua pequena caixa de remédios. E só Deus sabia que naquele instante daria qualquer coisa por algo que aliviasse aquelas horríveis pontadas nas têmporas.

Com passos rápidos, ele seguiu até a drogaria e pegou rapidamente o medicamento que estava acostumado a consumir, algumas lâminas de barbear, hastes de algodão e começou a se dirigir ao caixa, quando uma embalagem colorida uma das prateleiras chamou-lhe a atenção: um kit para teste de gravidez.

Movido por um impulso, pegou a embalagem e leu. De acordo com o rótulo, aquele era um teste capaz de detectar os hormônios da gravidez mesmo antes de o período menstrual ter falhado.

Sorrindo pela primeira vez naquele dia horrível e chuvoso, Harry pegou o teste e carregou-o consigo até o caixa.

— E agora o que fazemos? — Gina questionou, saindo do banheiro com uma pequena haste branca nas mãos.

— Esperamos, ora — respondeu Harry, pegando rapidamente a haste e inserindo-a no estojo que compunha o teste, antes de ajustar o alarme do relógio da cozinha para soar em três minutos.

— Não posso acreditar que você me arrastou até aqui por causa disso — Gina reclamou.

Com um bocejo, deixou-se cair em uma das cadeiras e apoiou-se na bancada de mármore, desejando ter tido tempo de, pelo menos, ter trocado de roupa antes de ser arrastada até a casa ao lado. Ainda vestia o pijama de flanela e um enorme suéter de malha.

— Eu é que não consigo acreditar que não esteja nem um pouco ansiosa para descobrir se está grávida, ou não — revidou Harry, tirando duas garrafas de água da geladeira.

— Por que estaria? Minha menstruação ainda nem está atrasada.

— Isso não importa, porque este teste detecta os hormônios da gravidez mesmo antes de seu período falhar. E, de qualquer forma, deveria ter vindo hoje, não? O que quer dizer...

— Não quer dizer nada, Harry, — Dando de ombros, ela tirou o lacre da garrafa e levou-a à boca. — O dia ainda não terminou. Temos mais uma hora e meia pela frente. E eu planejava passar esta hora e meia na minha cama, se é que me entende, bem confortável e quentinha. Mas isso foi só até você aparecer e me arrastar para cá, na chuva, e de pijama. Quanta falta de consideração!

— Bem, eu disse que poderíamos ter feito o teste na sua casa mesmo. Era só esperar até o Carlinhos sair do banheiro.

— Hahaha... Faz-me rir, querido. Meu irmão passa horas inteiras no banheiro ultimamente. — A ruiva fez uma careta. — Acho que ele está tentando aprender a se barbear direito. Vive com o rosto machucado e cortado. Pedi a Guilherme que o ajudasse, mas ele insistiu que Carlinhos ainda não precisa disso.

— De fato, não precisa. Carlinhos deve ser o único descendente de italiano em Astória, Queens, que não tem pêlos nas faces — Harry comentou, voltando à geladeira em busca de algo para comer. — Eu, por exemplo, precisava me barbear aos doze anos de idade.

Gina riu.

— E, lembro-me de como sua mãe reclamava do tempo que você passava no banheiro nessa época.

— Eu ainda estava aprendendo, ora.

— Bem que poderia ter uma conversa com Carlinhos e explicar a ele algumas coisinhas importantes.

— Como o quê, por exemplo? Que os bebês não são trazidos pela cegonha?

— Não, sobre a maneira certa de se barbear, pois certa mente a história verdadeira de como os bebês chegam ao mundo Carlinhos já descobriu faz tempo. Ele vive cercado de meninas.

— Tomara que esteja certa, porque se tudo o que ele souber sobre o assunto for o que irmã Agnes ensina nas aulas de ciências, precisaremos dar-lhe uma forcinha. — Uma gargalhada divertida escapou dos lábios carnudos, antes do moreno prometer: — Falarei com Carlinhos amanhã.

— Obrigada, porque tentei falar com ele no último fim de semana, quando o levei para conhecer algumas universidades da região, mas tudo o que Carlinhos queria era ouvir música durante o trajeto. Infelizmente, o carro que aluguei tinha um som excelente e meu irmão quis aproveitar.

Harry riu.

— Todos nós somos um pouco egoísta aos dezesseis anos, minha cara. Relaxe, tudo dará certo. — Ele pegou um pote da geladeira. — Então, quer um pedaço de pizza?

— Não, obrigada.

— Como? Não está com fome? Desde que te conheço por gente, Gina Weasley, você sempre está faminta.

— Pois é, mas agora não estou querendo comer nada. Só quero que você me libere logo para eu poder dormir um pouco. Não consigo manter os olhos abertos.

— Não está nem um pouco curiosa para saber o resultado do teste de gravidez?

Claro que estava curiosa. Tão curiosa que passara as duas últimas semanas analisando toda e qualquer mudança que acontecesse de seu pescoço para baixo. Metade do tempo ficava convencida de que estava grávida, na outra, convencia-se de que não estava. De qualquer forma, se não estivesse esperando um bebê, não haveria uma segunda chance, pois, como explicara a Harry, aquela seria a única tentativa deles.

Já pensava assim antes e sua disposição ficara ainda mais firme depois da maravilhosa noite de amor que haviam partilhado. Desde o dia em que tinham feito amor, pegava-se constantemente sonhando de olhos abertos e pensando como era bom sentir o gosto dos lábios carnudos nos seus, as mãos experientes percorrendo seus pontos mais íntimos, e claro, senti-lo explodir de prazer ao mergulhar profundamente dentro de seu corpo e mover-se de forma alucinadamente sensual.

Pare com isso Gina, se não engravidou na noite em que passaram juntos, é porque não era para ser mesmo, falou consigo mesma, tentando ser coerente, apesar do sono que sentia.

Alheio ao tumulto interior que a dominava, Harry colocou dois pedaços de pizza em uma travessa e levou-a ao forno para aquecer. Em seguida, olhou ansioso para o mostrador do relógio.

— Falta apenas um minuto — informou.

Gina assentiu, bebendo mais um longo gole de água. Sentiu uma estranha sensação no estômago, como se estivesse nauseada. Será que aquele era um sinal de que estava grávida? Ou seria apenas um reflexo do medo que tinha de não estar?

— Se este teste der negativo podemos tentar de novo — Harry comentou.

— Tentar o quê? Outro teste? — Gina pestanejou.

— Não. Fazê-la engravidar. Isso daqui a algumas semanas, quando estiver em seu período fér...

— De jeito nenhum! — interrompeu-o. — Já falamos sobre o assunto e deixei claro que seria uma vez e nunca mais.

— É verdade, você deixou. — O moreno deu de ombros. — Além do mais, graças a uma escaldante xícara de café que foi derrubada hoje sobre os meus meninos, provavelmente, nunca mais terei a chance de ser pai.

— O quê?!

Suspirando, Harry contou-lhe sobre a desastrada secretária temporária e o dia terrível que tivera. Estava no meio de uma encenação do sotaque do presidente do Banco Central quando o alarme do relógio soou abruptamente.

— Acho que esta é a nossa deixa — disse ele. — Quer olhar o resultado?

— Não. Prefiro que você o faça. — Gina sentiu o coração disparar.

— Certo.

Harry respirou fundo e concentrou-se em cumprir sua missão.

Gina fechou os olhos bem apertados.

Por favor, Deus. Por favor!

Foi então que ouviu Harry blasfemar baixinho:

— Droga! Negativo.

Os olhos da ruiva abriram-se imediatamente. Seu coração batia ainda mais rápido.

— Negativo? — repetiu, incrédula.

Harry assentiu.

— Sim, não foi desta vez — disse, entregando o teste a ela.

Gina pegou a haste branca e fitou-a com atenção. Não havia uma linha vermelha no centro do mostrador, o que indicava que não tinha um bebê crescendo em seu ventre.

— Parece que não foi desta vez — murmurou, um tanto desapontada.

— É, não foi.

Ela ergueu o rosto e encarou-o. Harry parecia triste, desapontado. De repente, queria poder consolá-lo e dizer que havia a possibilidade de tentarem outra vez. Quem sabe pudesse adiar um pouco sua partida. Abriu a boca para verbalizar o que lhe ia à alma, mas ele foi mais rápido.

— Talvez tenha sido melhor assim, não?

— O que quer dizer?

Seus olhares se encontraram.

— Bem, Gininha, querida, eu tinha minhas dúvidas se você conseguiria cumprir o que combinamos.

A fúria tomou conta dela.

— O que quer dizer com duvidar de que eu pudesse cumprir o combinado? Posso não lidar muito bem com a dor, mas quem lida? Sou perfeitamente capaz de...

— Não foi isso o que eu quis dizer, Gina. Não estou falando sobre você não lidar bem com dor e de ter problemas na hora do parto. — Harry meneou a cabeça, procurando as palavras certas para se expressar. — E só que não acredito que você tivesse coragem de ter o bebê e partir, como se nada tivesse acontecido. Um gesto assim não combina com sua índole, minha cara. Você é tão dedicada a todos que ama. Como não seria a um filho? Com certeza, desistiria de sua viagem de volta ao mundo, de tudo aquilo com que sempre sonhou, para se tornar parte da vida do bebê.

— Como pode pensar assim?! — empertigou-se ela. — Saiba que está muito enganado, Harry Potter. Jamais desistiria de realizar meus sonhos para ser mãe em tempo integral. Já passei por esta experiência com Carlinhos, lembra? Só estou fazendo tudo isso para que você consiga ser pai. Tenho planos para o ano que vem. Partirei em julho, não importa o que aconteça.

— Sei disso. Desde que era pequena você repete que partirá para uma volta ao mundo no Dia da Independência. — Harry sorriu para ela, mas aquele era um sorriso triste. — Por isso, como eu disse, talvez seja melhor assim, mesmo.

— Certo. Definitivamente, é melhor mesmo. E, Harry, tenho certeza de que você encontrará alguém, se apaixonará e terá filhos à maneira antiga — Gina falou, tentando demonstrar uma animação e confiança que estava longe de sentir. — É bem provável que você estará entrando na igreja para se casar quando eu estiver arrumando minhas malas para partir, no ano que vem.

— Pode ser que sim. Ei, por falar nisso, diga a Luna para me dar o número do telefone de Susannah outra vez. Joguei-o fora porque achei que não fosse precisar, mas mudei de ideia.

Por alguma estranha razão, aquele comentário deixou a ruiva aborrecida, mas ela esforçou-se para continuar sorrindo.

— Claro, Harry. Deve mesmo ligar para Susannah — falou, antes de girar nos calcanhares e começar a seguir rumo à porta.

O moreno empertigou-se.

— Ei, aonde vai?

— Para casa, é claro. Preciso voltar para a cama o quanto antes. Afinal, amanhã tenho de acordar bem cedo — contou, levando a mão à boca para conter um bocejo.

Ele a acompanhou até a porta. A chuva havia parado. Agora, tudo estava coberto por uma grossa camada de água que refletia as luzes e os néons de vários bares e restaurantes do bairro.

— Bem, a gente se vê, Harry — ela falou, começando a descer a escada que levava à calçada.

— Gina...

Ela virou-se ao ouvi-lo pronunciar seu nome. Ele cobriu o espaço que os separava e envolveu-a nos braços, apertando-a contra seu peito e beijando-a na testa.

— Obrigado por tudo o que fez por mim. Pelo menos nós tentamos, não é?

— Sim, pelo menos nós tentamos — murmurou, sentindo-se prestes a romper em lágrimas. Então, fazendo um enorme esforço para engolir o nó que sentia em sua garganta e conter as lágrimas que teimavam em minar em seus olhos, Gina apressou-se em afastar-se de Harry e seguir rapidamente para a casa ao lado. De repente, lamentava o fato de que nunca sentiria o prazer de ver seu corpo desabrochar à medida que um ser pequenino crescesse em seu ventre. Os ponteiros de seu relógio biológico estavam correndo e certamente não teria outra chance de fazer isso. Muito menos, de ter um filho do moreno...

Algumas noites mais tarde, Harry estava jogando bilhar no Alberforth, um dos muitos pubs do bairro, com uma lata de cerveja nas mãos enquanto ouvia uma seleção de músicas dos anos oitenta na enorme jukebox, que enfeitava o salão principal.

— Certo, agora preparem-se para ver um jogada de mestre, Rony e Harry — falou Paulie Caviros, esfregando mais giz na ponta do taco, então fez uma pausa e lançou um olhar cheio de malícia para duas garotas que acabavam de seguir para o toalete.

— Ei, Paulie, jogue logo e deixe as meninas em paz — Harry falou. — São jovens demais para você.

— Ora, fala isso como se idade fosse um problema. Lembre-se de que mulheres gostam de homens mais velhos — argumentou Paulie, antes de curvar-se e dar sua tacada.

O moreno riu e sorveu mais um longo gole de sua cerveja, antes de voltar-se para Rony.

— Ei, Rony, planeta Terra chamando! — Paulie exclamou, chamando a atenção do velho amigo, que parecia estar totalmente disperso.

— O quê? Ah, desculpem. — Rony suspirou e ajeitou a bola na mesa, antes de completar sua tacada.

Paulie deu um sorrisinho maroto e seguiu até a jukebox, ao lado do banheiro feminino, esperando pelas garotas.

— Lá vai ele outra vez — O moreno resmungou, meneando a cabeça, antes de olhar para o ruivo e franzir o cenho. — Algum problema com você, Rony? Está estranho hoje.

— É... Acho que tem razão. É que Mione está atrasada.

Harry olhou em torno de si, com o cenho franzido.

— Mione virá aqui? Pensei que você tivesse dito que ela prefere ficar em casa, assistindo ao Survivors, em vez de perder tempo ouvindo as bobagens do Paulie.

— Não, ela prefere mesmo. O que estava querendo dizer é que ela ainda não menstruou este mês. Isto nos dá esperanças.

— De quê? De que Mione esteja entrando em uma menopausa precoce? — escarneceu Paulie, voltando a se reunir a eles.

— Claro que não! — recriminou-o Harry. — Esperanças de que ela possa estar finalmente grávida, seu tolo.

Com um sorriso condescendente, bateu de leve no ombro de Rony.

— Isso seria maravilhoso, não, Rony?

— Sim, seria. Tenho até medo de ficar muito esperançoso e depois me desapontar, mas sei que existe uma chance, por menor que ela seja.

De repente, um som alto vindo à jukebox os fez virar na direção da velha vitrola elétrica.

— Ah, é Lynyrd Skynyrd, Freehird. Gosto desta música — Harry falou.

— É, imagino que sim, pois esta é uma canção que me faz lembrar de você e Cho juntos — comentou Rony, sorrindo pela primeira vez naquela noite.

— Verdade? Por quê? Jamais associei esta canção a mim e a Cho. Ela me recorda muito mais a... — Harry calou-se de súbito, repassando as primeiras palavras da canção mentalmente: Se eu partisse amanhã, você se lembraria de mim?

— O quê? — Rony questionou, fitando-o com o cenho franzido.

— Ah, não importa, deixa pra lá.

— Bem, não pode negar que você e Cho costumavam dançar seleções inteiras de músicas românticas como essa nos bailes do colégio. Mas, diga, do que ou de quem Freebird o faz lembrar?

Ora, a letra daquela música o fazia lembrar de Gina. Sim, de Gina que ansiava por partir do mundo que os cercava, do bairro onde tinham morado a vida inteira, de tudo e de todos que ela conhecia em busca de um sonho de liberdade e felicidade. Além disso, quando dançava com Cho ao som de Freebird nos bailes do colégio, ficava observando a ruiva pelo canto dos olhos. Ela sempre estava nos braços de alguém, mas parecia muito mais encantada com a música do que com seu acompanhante. Naquela época, Harry acreditava que o dia de Gina alçar voo e deixar Astória, Queens, para sempre, estava bem perto. Mal sabia ele que a primeira a voar para longe de tudo o que conheciam seria Cho. Ou que agora, vinte anos depois, a possibilidade da ruiva partir ainda o deixaria amargurado.

Você deveria se sentir feliz por ela, seu egoísta, ralhou consigo mesmo. E estava. Feliz por Gina, infeliz por si mesmo.

— Harry, em que diabos está pensando? — indagou Rony, perscrutando-o com o olhar. — Por acaso está passando mal?

— Não estou bem, Rony. Jogue logo está bola.

— Estou jogando, homem. Estou jogando.

Harry continuou a fitar a mesa de sinuca, mas toda a sua atenção estava focada na melodia que inundava o ambiente. Tantos lugares que desejo conhecer, repetia a letra da canção. Se pelo menos Gina estivesse grávida, quem sabe pudesse convencê-la a ficar e a criar o bebê ao seu lado, mas agora... Ah, Harry, seu idiota. Você nunca quis que Gina partisse, mas não faz nada para impedi-la. Meneou a cabeça, tentando banir aquele pensamento para longe.

— Ei, Paulie — começou a dizer, tentando concentrar-se em algo que não fosse a ruiva. — Tenho um encontro a semana que vem. Você poderia me dar uma sugestão de onde levar uma mulher mais madura?

— Ora, convide-a para jantar em sua casa. Escolha um bom vinho e alugue um bom filme, com cenas quentes e...

— O quê? Pornografia? — inquiriu Rony, revirando os olhos desgostoso.

— Não, não pornô. Algo mais clássico como... como 9 Semanas e Meia de Amor.

Harry deu uma sonora gargalhada, no que foi prontamente acompanhado por Rony.

— Do que estão rindo? — empertigou-se Paulie. — Esse é um bom filme. Vocês já assistiram?

— Já... No colegial — Rony respondeu.

— Bem, e daí se e um pouco antigo? Os clássicos são para sempre, meus amigos. Angie amava esse filme. Ouça o que estou dizendo, Harry. Um jantar caprichado, com uma boa massa caseira, vinho de qualidade e esse filme é tudo o que você precisa para conseguir o que deseja de uma garota.

— Nunca disse que desejava levá-la para cama, meu caro — frisou o moreno. — É nosso primeiro encontro.

— A escolha é sua, amigo — Paulie deu de ombros.

— Quem é ela, Harry? — quis saber o ruivo.

— O nome é Susannah. Gina está tentando nos aproximar.

— Por falar em Gina — atalhou Paulie — alguém sabe por onde ela anda? Não a tenho visto ultimamente.

— Pelo que sei, ela tem trabalhado demais — Harry respondeu. Também não a vira desde o dia em que lhe dera o número do telefone de Susannah. — Devo dizer que estou ansioso para sair com ela — comentou, perdido nos próprios pensamentos.

— Com quem, com Gina?! — Paulie inquiriu, erguendo o rosto para encará-lo.

— Gina?! — Harry não entendeu. — Quem disse que desejo sair com a Gi?

— Ora, era sobre isso que estávamos falando, não?

— Não, eu estava falando sobre Susannah. A moça com a qual Luna e Gina querem que eu saia.

— Por falar em sair com alguém. Estou pensando em convidar Gina para sair um dia desses — Paulie confessou, reclinando-se sobre a mesa para preparar sua tacada. — Ela está mais bonita e sensual do que nunca.

Harry engoliu em seco.

— Você está brincando, não está?

— Por que estaria brincando? Não me entenda mal, Gina sempre foi bonita, mas agora tem algo mais.

— Não me refiro a isso, claro que Gina é bonita, mas ao fato de querer sair com ela.

— Por que não? Somos adultos e desimpedidos, podemos muito bem nos divertir juntos.

— Sem ofensa, Paulie, mas não creio que a ruiva queira sair com você — interveio Rony.

— Ora, pode me dizer o que há de errado comigo Rony.

Harry e Rony se entreolharam de maneira significativa. Bem, Paulie até que era um homem que as mulheres consideravam muito atraente, do tipo alto, musculoso, enormes olhos azuis, porém, era arrogante e chauvinista demais para o gosto de Gina, e ela própria já deixara isso claro muitas vezes, para quem quisesse ouvir, inclusive, para o principal interessado.

— Não há nada errado com você, meu caro. — Harry preferiu ser a voz da diplomacia a comprar uma briga. — Acontece apenas que achamos que não seria bom para você começar a sair com Gina se ela deve partir de vez no próximo verão.

— Nossa, ela ainda fala sobre ir embora de Queens? — quis saber Paulie. — Mas talvez, após algumas noites em meus braços eu consiga convencê-la a mudar de ideia — completou, com a petulância de sempre.

— Não creio que ninguém consiga tamanho milagre — Harry falou, tentando não demonstrar o quanto aquela constatação o entristecia. — Gina planejou isso a vida toda. É o que podemos chamar do sonho de liberdade que ela construiu para si mesma.

— Se me permitem um aparte, muitas vezes a vida nos prepara algumas surpresas que nos fazem desviar um pouco do sonho original, meus caros — Rony manifestou-se. — Veja o que aconteceu comigo e Mione, por exemplo. Algumas vezes nossos sonhos e planos não passam disso mesmo, ou seja, de desejos que jamais conseguimos realizar.

Por uma fração de segundos, Harry pensou em Rony e Mione e no quanto eles tinham investido no sonho de ter um filho, sem nunca ter conseguido realizar aquele desejo. De repente, lembrou-se de que se as coisas tivessem saído como planejava, Gina agora poderia estar esperando um filho dele, mas não fora o que acontecera.

Um longo suspiro escapou dos lábios carnudos de Harry.

— Tem razão, Rony — disse, pesaroso. — Algumas vezes nossos planos não são nada além de simples desejos. Desejos, aliás, que nunca se tornarão realidade.

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N/A: Olá, como estão todas?

Nossa, esse capítulo quase não saiu hoje devido as correrias no serviço, mas estou aqui na minha hora extra fazendo as alterações correndo. Portanto, desculpem qualquer erro.

Amanhã se meu dia não for um tumulto interminável (como hoje), posto um novo capítulo.

Espero que estejam gostando, e peço desculpa pelas respostas a seguir mais curtas do que costumo.

Obs.: Decepcionados por ela não ter engravidado?

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RESPOSTAS AOS COMENTÁRIOS:

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Edwiges Potter: Fico realmente feliz que tenha gostado do capítulo anterior, o moreno realmente já esta percebendo os sentimentos dele, nesse capítulo tivemos uma grande noção disso. Obrigado pelo comentário.

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Nathalia Weasley Potter: Sim, aconteceu, e achei que foi muito eles o modo como ocorreu, a autora (a de verdade) arrasou nisso!

Fico aliviada que minha vida não corra risco enquanto estou postando capítulos, é melhor eu não sumir, vai que vcs mudam de ideia.

O ponto forte dessa adaptação é o enriquecido diálogos e a amizade incomparável deles.

Aguardo sua opinião sobre este capítulo. Obrigado pelo comentário.

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YukiYuri: Queria poder responder todos os comentários com tempo, mas infelizmente hoje esta impossível, mas gostaria que soubesse que agradeço o carinho e me alegro ao ver que esta gostando da adaptação.

Como disse na resposta ao comentário acima, a verdadeira autora esta de parabéns pelos enriquecidos diálogos e amizade entre os dois, são tão fofos juntos que até nos momentos que são teimosos ou boca-grande(o caso do Harry falando que foi melhor assim), não consigo ficar com raiva deles.

Obrigado pelo comentário.

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Gemeas Potter: Que bom que gostaram.

Harry realmente foi um amor, sério, tenho "inveja" desse relacionamento desses dois, mesmo não estando "juntos" existe uma cumplicidade e respeito sem limite!

Aguardo a opinião de vcs sobre esse novo capítulo. Obrigado pelo comentário.

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Bia Siqueira: Oh céus, vou tentar digitar o mais rápido possível a resposta para não ser pega no trabalho no site de fanfics (em plena 19 horas – hora extra ¬¬')

Sério eu me divirto muito com seus comentários, acredite que sua reação foi a minha, pois antes de adaptar eu sou leitora, e enfim, adaptando releio e minhas reações continuam a mesma!

Eu não te enganei, apenas aticei sua curiosidade, afinal de contas era necessário! Não posso sair entregando tudo que vai acontecer. Rsrsrs

Harry é perfeito, como disse, mas foi muito lindo ele reparar na lingerie, assim como, é perfeito ele lembrar de Gina quando toca aquela música.

O plano dos cartazes esta em pé, reuniremos novos membros em breve. Essa ruivinha ta achando o que... só um vez? NEVER!

Sobre o padre Tom, não era para ser, eu ia alterar essa parte depois de modificar todo o capítulo, porque estava pensando em quem poderia ser, mas acabei esquecendo na correria de não demorar para postar. Mas fico feliz que tenha ficado cômico (ao menos serviu esse erro para algo).

Trabalhei em call Center durante 2 anos, acredite em mim, existe um Astrogildo... Na verdade existe pessoas com nomes até piores que esse, eu sempre anotava os nomes estranhos que aparecia e a lista era enorme! O.O'

Aguardo seu comentário. Obrigado por sempre comentar.

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Joana Patricia: Ola, tudo bem?

Alegro-me de saber que gostou do capítulo anterior, espero que isso tenha se repetido com este.

Esse moreno é perfeito, quer dizer... só não é perfeito porque ainda não trancou a ruiva no quarto com ele e mostrou que ela tem é que ficar com ele (viajei bonito agora).

Aguardo para saber sua opinião sobre esse capítulo. Obrigado por sempre comentar aqui.