Não estou muito criativa para fazer N/A hoje. Mas realmente agradeço por vcs terem esperado pelo post!
Semana que vem tem mais, e tem post em Kandy Life também.
Bem, é isso aí. Espero que gostem desse cap.
Mallory podia ouvir o barulho do seu salto contra o piso velho de pedra.
Ela se sentia cansada, triste... estranha na maior parte do tempo que foi gasto da estação do metrô até a porta do apartamento.
Ela pegou a chave e abriu a porta dando de cara com a amiga jogada no sofá.
"Noite ruim?"
"A mesma merda de sempre." Chutou as sandálias e puxou uma cadeira para sentar. "Você não ia ver o seu namorado?"
"Acabamos." Aquele comentário chamou sua atenção.
"Mas ele esteve na boate ontem..." Passou a mão pelo cabelo antes de pegar um cigarro. "Ele parecia bem."
"Exatamente." Suzan ofegou. "O filho da puta ficou noivo."
"Noivo?"
"Ele voltou com a ex." Limpou as lagrimas que insistiam em cair. "Ele voltou com a patricinha que tinha acabado com ele. E como consolo por nossos dois meses juntos ele me deu mil dólares para que eu não o procurasse mais."
"Filho da puta!"
"Eu sei." Suzan começou a soluçar. "Eu pensei..." fungou com força para tentar terminar o que tinha começado a falar. "Sabe eu pensei que tinha encontrado um cara legal e gentil, que tinha a chance de sair dessa..."
Mallory tentou fingir que não se importava.
"Eu amo ele Mall." Comentou desesperada. "Eu nuca amei um cara antes. Não como eu o amo."
Ela apagou o cigarro e se levantou.
"Mall... eu não sei o que vou fazer agora..."
"Suzan, ele sempre quis te comer de graça. Sabe disso, não sabe?"
"E daí? Ele acabou com a garota para ficar comigo."
"Você acabou de me dizer que ela tinha acabado com ele."
"Tanto faz!" Ela choramingou. "O que importa é que ele esteve mais tempo comigo nos últimos dois meses que com ela."
"Já passou algo na sua cabeça de que ele não acabou com ela em nenhum momento?"
"Ele não ousaria..."
"Quando é o casamento?"
"Daqui duas semanas."
"Bingo." Ela foi sarcástica. "Você foi a despedida de solteiro dele."
Suzan se encolheu e chorou mais. No fundo ela sabia que as palavras de Mallory, por mais cruéis que fossem, eram verdadeiras. Só em um primeiro momento ela chegou a acreditar de verdade que ele tinha acabado com sua namorada. Foi fácil ficar se enganando como ela queria.
O cara era mais novo, tinha dinheiro, era bom de cama e tinha sempre um bom papo para convencê-la a qualquer coisa. Ele foi carinhoso até demais. Ontem quando ele a procurou na boate ela já sabia que o tempo deles tinha chegado ao fim. Então ela lembrou que estava se enganando durante todo o tempo que passaram juntos. Ele sempre atendia as ligações da oficial. Ele sempre desviava do assunto quando compromisso era colocado em pauta.
Mas era uma chance, não era?
Quantas prostitutas não tinham melhorado de vida depois de encontrarem algum cara legal?
Não era como se ela fosse uma Julia Roberts em 'Uma linda mulher', mas os sonhos ainda eram possíveis.
Bem. Eles tinham sido possíveis até a hora que ele entregou o pequeno envelope com a quantia suficiente para que ela não o procurasse mais.
Mallory saiu do banho e fez questão de não baixar a guarda.
Se Suzan sabia que o cara tinha uma garota certa, para quê diabos ela iria investir nisso? O cara nem mesmo tinha comprado um presente para ela. Ela nunca recusava presentes que os clientes davam. A maioria acabava servindo para usar com outros mesmo...
Suzan tinha sido burra.
Bem burra.
"Não vem pro quarto se for continuar chorando, tá? Preciso dormir."
Suzan não respondeu.
Apenas pediu silenciosamente que Allison não passasse pelo que ela estava passando. Suzan poderia até estar com o coração partido, mas sabia que a amiga tinha passado o dia anterior com Tyler e não tinha sido trabalho...
Tyler passou o cinto pela calça social e o afivelou.
O cabelo estava molhado, a barba feita, a camisa branca perfeitamente limpa e passada. Os sapatos estavam lustrados – ele mesmo tinha feito o serviço na tarde de ontem – só faltava a gravata, o terno e a pasta que já estava em cima do sofá.
Tudo tão programado quanto o seu tempo gasto para se arrumar.
Ele estava sendo detalhista ao extremo.
O apartamento ainda estava uma grande bagunça e a caixa da pizza que ele comeu no almoço da sexta com Mallory continuava em cima do balcão.
Ele engoliu a saliva e com uma careta irritada terminou de dar o nó na gravata.
Em sua cabeça apenas uma frase, sendo repetida como um mantra.
"Ninguém gosta de trabalhar no domingo."
"Ninguém gosta de trabalhar no domingo."
"Ninguém gosta de trabalhar no domingo."
Ele colocou o terno e se virou em direção ao sofá para pegar a pasta.
Do mesmo jeito que estava, ficou. Até as garrafas de cerveja e o livro que ele terminou de ler ficaram no lugar onde ele tinha deixado.
Para quê se importar com o fato dela voltar ou não?
Ela não era uma garota livre.
E eles também não tinham nada.
Não existiam motivos para que ele ficasse realmente decepcionado, existia?
Era claro que existia.
Tyler sabia que estava gostando dela e sabia que era para valer. O problema é que isso não tinha como funcionar.
Ele pegou a pasta e saiu do apartamento sem olhar para trás, com medo de observar a prova de sua falsa esperança mais uma vez.
"Kevin Smith, quero que você conheça o meu melhor arquiteto no momento, Tyler Hawkins. Ele quem vai trabalhar comigo no projeto da reforma."
Tyler apertou a mão do homem barbudo e gordo, com um sorriso desengonçado.
"É uma gentileza de sua parte me apresentar assim Peter." Confessou envergonhado.
Ele observou a recepção velha e mal cuidada com cautela. O pequeno Hotel era bastante modesto e precisaria de uma boa reforma para ter o ar moderno que o dono queria. Aquele aperto em seu coração teve que ser empurrado de lado. Não importava se ele já tinha visto ela sair daqui mais de uma vez.
Kevin também era o dono do café que ele freqüentava. Seu estômago embrulhou quando ele comentou que era comum prostitutas levarem seus clientes ali, já que ele era sócio do Rick's que ficava cerca de duas quadras de onde estavam.
"O que você pretende, exatamente?" Peter perguntou e Kevin começou a explicar.
Ele ouviu toda a história de sua vida.
Como seu pai tinha chegado na cidade com poucos dólares no bolso, como ele conseguiu o café, como o irmão tinha o ajudado... Como sua família cresceu ali e como ele herdou o café junto com os dois irmãos que o deixaram na mão. Apesar de tudo ele conseguiu manter o que seu pai construiu e como ele tinha conseguido comprar este velho pequeno hotel por um bom preço, apesar de ele estar tão acabado.
Homens levam prostitutas para hotéis de beira de estrada e para hotéis de luxo também. Não existe um preconceito com relação a isso, mas o que Kevin gostaria era de dar um novo ar ao espaço. Por dentro a estrutura original parecia ser ArteDeco, mas os tons escuros só deixava o lugar sufocante, desagradável.
Tyler era um grande bagunceiro. Um grande atrapalhado com seu próprio espaço, mas sentia uma pequena falta de ar naquela pequena recepção.
Ele rapidamente entrou na conversa explicando a necessidade de tons claros, o que ajudaria a mostrar como o hotel é mais limpo do que aparenta.
O tempo que teriam para fazer algo era curto, afinal Kevin não gostaria de estar com seu hotel fechado por mais de um ou dois meses. Dessa forma ele acabaria perdendo muito dinheiro.
Eles percorreram pelos quartos que estavam disponíveis e Tyler tentou não ficar pensando sobre ela ter estado em um deles.
Muito precisava ser feito, mas o orçamento ficava mais curto com cada novo detalhe que era colocado em pauta. O último local visitado foi o pequeno bar que ainda parecia bastante elegante.
Mais e mais conversa e depois de um rápido – e ruim – almoço por conta de Kevin e o chef de sua cozinha, acertaram que ele iria pegar o orçamento e conhecer a proposta deles na terça pela parte da tarde.
Tyler se sentia aliviado por não ter mais que ficar ali. Era mais fácil de respirar do lado de fora. E muito mais agradável para não ter que pensar nela.
Na caminhada para casa ele se perguntou sobre Aly. Serpa que eles estariam juntos até agora? Apesar de ela ter sido inicialmente uma aposta, tiveram um verão maravilhoso onde ele descobriu que estava apaixonado por ela.
Seu coração apertou um pouco por sentir culpa.
Ele tinha prometido que a amaria até o fim dos seus dias, mas não podia fazer muita coisa ao ver que uma outra garota tinha roubado seu coração...
Mais uma garota cheia de problemas...
Ele entrou no mercadinho perto de sua casa e começou a fazer algumas compras. Ele ia precisar trabalhar quando chegasse em casa, então cigarros, cervejas e alguma coisa para comer seria necessário.
Mallory sabia que já era perto de três da tarde quando pegou o terceiro cigarro.
Ela estava com fome, ainda estava cansada e se sentia uma péssima colega de quarto por ter deixado Suzan chorando sozinha em casa.
Mas era o seu dia de folga e toda aquela situação de merda tinha deixado seu coração acelerado. Ela precisava conversar com alguém com urgência. Não alguém, mas com ele. Tyler deveria estar irado, mas ele precisaria entender que ela não pode voltar por causa do trabalho. O máximo de um amigo que ela teve foi Doug, que também foi como um pai e justamente por isso ela não se sentia suja por ter estado com algum outro cara.
Por mais pai que ele fosse, aquele papo de que caras mais velhos a deixava bem molhadinha era apenas da boca para fora. Ela estava feliz com a figura paternal dele por perto enquanto pôde, mas não se sentia suja com o que fazia.
Com Tyler não.
Com Tyler ela se sentiu mal em voltar para a casa dele depois de ter sido comida por quatro clientes em uma mesma noite. A zona de conforto dela ficou ainda menor quando ela cheirou o cabelo e só sentiu cheiro de cigarro. Não dava para voltar.
E de ontem para hoje também tinha sido muito cansativo.
Ela roeu a unha quando o cigarro acabou.
Será que ele não estava com alguma garota do tipo dele?
Será que ele ia voltar para casa?
Tyler saiu do elevador e não pode deixar de sorrir quando viu que ela estava de frente para a porta de seu pequeno apartamento. Ela parecia cansada, como sempre, mas também parecia um pouco mais à vontade. Ele quase se sentiu culpado. Finalmente ela parecia como uma garota de dezoito anos. Sem maquiagem, vestindo um short curto, uma blusa branca e usando tênis surrados nos pés. O cabelo preso em um rabo de cavalo bagunçado e os óculos em cima da cabeça.
Ela parecia dez vezes mais frágil agora.
"Oi." Ela arriscou antes de olhar para o chão.
"Ta aqui tem muito tempo?"
"Não..."
Ele abriu a porta e ela entrou e o observou passar com as sacolas para a cozinha.
"Você está todo arrumado."
"Tive que trabalhar hoje." Explicou tirando o terno e afrouxando a gravata. "Mas e aí?" Ele também não sabia por onde começar.
"E aí?"
"Você não apareceu aqui ontem..." Ele começou a desabotoar a camisa e ela desviou o olhar para as sacolas.
"Muito trabalho."
"Ah." Ele puxou ar um pouco sem graça. "Vai trabalhar hoje?"
"Não." Passou a língua pelos lábios. "Amanhã de tarde eu tenho depilação e ginecologista."
"Hmmhumm..." Ele não sabia o que responder
"Eu trouxe um presente." Sua voz soou travessa. "Para... para compensar o meu... atraso?"
Tyler sorriu e empurrou uma cerveja para ela.
"É mesmo?"
"Aham" Ela tirou um saquinho transparente cheio de erva de dentro da blusa. "É da boa."
"Vou tirar essa roupa." Ele avisou. "Tudo bem?"
"Aham." Ela mordeu os lábios antes de dar um gole na cerveja.
"Hoje você pode beber?"
"Posso." Ele acenou positivamente antes de se virar.
"Tyler!" Ele voltou a observar a garota em sua cozinha. "Eu... você.. se importa se eu tomar um banho quente?"
"Claro que não."
Ele fechou a porta do quarto não para se trocar. Mas para afastar a barreira que foi criada entre os dois com um simples pedido.
Os dois ficaram bebendo em silêncio, jogados no sofá da sala. Uma caixa de cervejas foi consumida. Para Allison era muito, mas para Tyler já era um começo.
Ela ainda estava com o cabelo molhado e estava vestindo uma de suas camisas de botão. Ela estava tão à vontade que tudo o que ele queria fazer era beijá-la.
Na verdade ele gostaria de fazer muito mais do que isso. Ficou bem claro quando ela se inclinou para pegar a bolsa na ponta do sofá cama e mostrou como estava sem calcinha. Ele tentou agir normalmente, mas acabou tossindo sua cerveja e ela sorriu achando que ele estava nervoso por causa da droga.
"Eu fumo de vez em quando…" Comentou arrumando o fumo na palma da mão. "Me relaxa."
"Eu posso te ajudar a relaxar de uma forma mais divertida." Ele riu do próprio comentário idiota. "Acho que bebi um pouco mais do que o normal."
"E eu acho que quero falar hoje."
Tyler se levantou um pouco, já em alerta.
Ela sorriu e pegou o isqueiro sorrindo.
"É dos bons, eu garanto." Ela tentou conter um pouco mais o riso frouxo por causa da bebida. Era apenas difícil não sorrir com ele sorrindo tão 8ranqüilo na sua frente. "Hmmm." Ela tragou.
"É bom mesmo?"
"Me faz uma pergunta que eu respondo."
"Como?" Ele pegou o baseado.
"Não sei por onde começar, de verdade… Pergunta qualquer coisa que eu respondo."
"Tá bom." Ele soltou a fumaça preguiçosamente. "Qual a melhor lembrança que você tem de mim?"
Ela riu e se jogou na cama passando a mão no cabelo ainda molhado.
"O seu cheirinho…"
Ele se aproximou dela depois de tragar. Apagar o baseado era seguro.
"Sabe o que eu mais gosto de você?"
"O quê?" Ela perguntou rindo.
"Sua boca na minha."
"Hmmm. Muito safado!" gargalhou antes de fugir de um beijo que ele queria dar. "Cadê meu cigarro?"
"Então hoje é o dia de você falar?"
Ela riu e encostou a cabeça na parede.
"A culpa é sua…"
"Não tem problema conversar."
"Seu irmão conversava muito com você?"
"Sim."
"Você não consegue falar sobre isso, não é?"
"Não mesmo."
"Tudo bem. Mas como eu te disse, se eu conseguir a grana para bancar minha cirurgia, me mudo, não muito depois de fazê-la para a Califórnia."
"Pra quê?"
"Seios turbinados são exigências para quem não faz anal, como eu."
"Já disse." Ele sorriu. "Seus seios são legais."
"Mas ou eu turbino eles ou eu não posso trabalhar com filmes pornôs…"
Tyler riu, não acreditando no que ela estava falando.
Eles ficaram em um silêncio agradável por algum tempo, então assim que ela criou forças o quebrou.
"Ei Tyler…" Ela olhou em seus olhos. "Vou esperar você poder falar, tá bom?"
Tyler acendeu o baseado novamente e passou para ela.
"Que tal estudar?" Perguntou triste.
"Nunca tive muito disso. Quando consegui fugir do sistema apenas corri onde o dinheiro estava. Uma das garotas tinha explicado como as coisas funcionavam e bem... Acho que nisso eu sou boa."
"Então é assim que você vive?" Ele entregou o pequeno cigarro artesanal para ela que o aceitou de volta com um sorriso.
"Um cara já me fez essa mesma pergunta antes." Ela tragou preguiçosamente antes de passar o cigarro para ele novamente.
"Um namorado?"
"Não." Ela se encostou na parede um pouco irritada. "Algo mais próximo de um pai que eu já tive até hoje."
Tyler se questionou se deveria perguntar mais ou não, mas o silêncio dela foi a sua resposta.
"Eu acho que... que quero aquele beijo agora." Comentou cheia de incerteza.
"Sério?"
"Aham..."
Allison sorriu e se inclinou para beijá-lo. O gosto do fumo e da cerveja em sua língua, as mãos dele apertando sua cintura... ele estava tão excitado que ela até ficou com vergonha de sentir a ereção dele contra sua coxa. Ela sorriu, passou a mão pelo rosto e pelo cabelo dele antes de olhar em seus olhos.
"Você é o primeiro que eu faço essas coisas assim... tão... na boa."
"Sério?" Ele riu antes de mordiscar o lábio inferior dela. "Fico honrado."
"É legal conversar com você." Ela sentiu a pele ficar arrepiada quando ele apertou seu seio de leve. "Ainda mais com tudo isso..."
Tyler podia estar um pouco alto por causa do fumo e da bebida, mas não pôde deixar de ver que os olhos dela transbordavam sinceridade e inocência. Eles estavam se amassando de leve no sofá como adolescentes.
"É engraçado." Confessou risonha.
"O quê?"
"Atravessar a sua porta..."
Ela nunca completou a explicação, mas o abraço que ele recebeu deixou tudo bem claro. Ela se sentia segura com ele. Por dentro Tyler vibrou com um novo sentimento de proteção e a abraçou de volta com muita força.
"Hmmm." Ela sentiu o cheiro do cabelo dele. "Eu realmente adoro isso... mas estou com sono..."
"Você já quer dormir?"
"Cheguei na minha casa perto das dez da manhã... não dormi muito antes de vir para cá..."
"Então chega de conversa?" Ela acenou positivamente antes de beijá-lo na ponta do nariz e sorrir com a estranha sensação gostosa que estava tendo por algo tão bobo. "Quer dormir aqui mesmo?"
"É..." Ele começou a se afastar na hora que ela soltou um bocejo. "Ei Tyler..."
"O quê?"
"Me ajuda a relaxar daquela outro jeito?" Ela mordeu o lábio inferior com força antes de jogar a camisa para longe.
Tyler respirou fundo e sorriu abobalhado antes de finalmente começar a tirar a roupa para ajudá-la a ter uma boa noite de sono...
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