N/A: Obrigada pelo toque, Miss Maia, coloquei a tradução depois de cada verso entre parênteses. Essa música é realmente linda, a letra, a melodia... tudo, muito linda mesmo.
Capítulo
9 – Eventos (N/A: aff, que criatividade, heim?)
"Muito bom, Linus, espero ouvir mais" Disse Vampira.
"Aham, mas você ainda me deve uma música" Ele sorriu.
"Ah, nem vem..."
"Uma só"
"Linus..."
"Please" Agora ele estava de joelhos e com as mãos juntas, como se implorasse.
Vampira revirou os olhos.
"Ok..." Ele abriu um sorriso de orelha a orelha e ela adiantou-se a completar. "Mas só uma, e só porque você insistiu."
"Ah, valeu! Você é a maior, Vampira."
"Como alguém pode gostar tanto de música?"
"Como se você também não gostasse."
"Não tanto quanto você."
"Ei, ei, ei... a senhorita está me enrolando, Marie, cadê a minha música?"
Ela estendeu a mão em direção ao instrumento, recolhendo-o para si junto à palheta. Começou a tocar algumas notas, como se estivesse pegando o violão depois de muito tempo. Logo passou para alguns arpejos, coisa básica. Com a mudança de acordes, o ritmo acelerou. A música havia começado.
-Corredor-
Kitty tentava desvencilhar-se de Kurt, após tomar banho, tendo como objetivo ir para a sala, mas ele havia roubado seu secador de cabelo e agora teletransportava-se por todo o local.
"Devolve isso, Kurt!"
"Haha, tente me pegar."
Ao que parecia a situação entre eles havia voltado ao normal... Depois de um sábado preocupante e um domingo com Linus os atormentando, o ocorrido no dia anterior parecia ter sido esquecido...
A não ser, é claro, que Kurt era mais cauteloso em suas brincadeiras, evitando 'provocações amorosas'... Kitty sentia-se aliviada por ele não ter tocado mais no assunto, pois certas horas chegava a se render a ele, como o fizera antes. É claro, não podia negar que sentia uma pequena atração pelo alemão, mas depois de terminar com Lance, considerava-se em um estado "vulnerável".
Kurt parecia não ligar para o que acontecia, mas a mansão inteira notara que ele deixara de soltar palavras em alemão, a pedidos de Kitty. Digamos que eles tinham, assim, uma "amizade colorida". Jean e Scott viviam fazendo apostas sobre eles... Scott apostava que eles jamais sairiam desta situação, seriam apenas grandes amigos... Jean já ia mais longe, dizia que não tardaria para que eles se acertassem...
Em meio a tantas opiniões alheias, os dois destruíam o corredor, quando, de repente, pararam.
"Ei, Kurt, escuta isso..."
"Shh, tô ouvindo..."
Eles se entreolharam, surpresos.
"Esta voz, tipo, é da --"
"... da minha maninha"
Eles largaram tudo o que tinham em mãos e correram em direção ao quarto de Linus. Bom, na verdade, Kurt desapareceu entre fumaças junto com Kitty.
Chegando lá, encontraram Vampira tocando violão e Linus a seu lado. Kitty fez cara de enjôo por causa da 'viagem', mas parecia animada.
Ao vê-los, Vampira quase parou a música, mas Linus pediu que ela continuasse, ignorando a presença dos demais. Relutantemente, ela continuou.
Assim que a música terminou, os dois intrusos tiveram um leve ataque de risos... Kitty, saltitante pelo quarto, Kurt, fazendo acrobacias no espaço aéreo, enchendo o local com fumaças azuis.
"Quietos vocês dois! E pára com essa bagunça, Kurt" Disse Linus, contendo-se para não ficar rindo sem saber o motivo.
"A-há-há, pra vocês" Ironizou Vampira. "Qual a graça?"
Agora mais calmos, aos poucos foram retomando o fôlego. Kitty adiantou-se. "Ah, Vampira, é que, tipo, desde quando canta para alguém além de si mesma?"
"É, fala sério, há algo muito estranho por aqui... Quem é você e o que fez com minha maninha?" Completou Kurt, com um falso ar acusador.
A outra dupla se entreolhou, com uma sobrancelha erguida, ainda surpreendida pelo escândalo.
"Tava demorando... Ok, vazando, povo..."
"Ah, que isso, Linus? Agora que a gente chega vocês vão parar?" Kurt voltara a se movimentar animadamente.
"Hoje é domingo, porque não fazemos uma festinha aqui mesmo?"
"No meu quarto? Nem pensar, Kitty, tenta outra."
"É, que mal há nisso?"
"Vou chamar o pessoal" E Kurt sumiu novamente.
"Vai, Linus, isso vai ficar super."
"Ok, ok, vocês venceram..." Ele levantou as duas mãos, em sinal de rendimento.
Kurt não estava brincando, em pouco tempo, o quarto de Linus ficara pequeno para tantos mutantes.
Fletcher olhou para Vampira, como se dissesse 'E agora?'. Entendendo o olhar, ela se manifestou:
"Nem olha pra mim, você aceitou, agora se vira."
Ele deu de ombros, e logo voltou a sentar-se em sua cama.
Logo Ray chegou com seu violão também e acompanhou Linus nas músicas, enquanto a mansão inteira cantava o resto da noite... Vampira se conteve em apenas ouvir, Amara cantava nada com nada, já que não conhecia as letras, enquanto o restante se divertia, ora ou outra fazendo pedidos musicais...
Já passava das onze quando começaram a surgir os primeiros protestos dos mais velhos, alegando que o primeiro dia de aula teria de ser correto... mas apenas depois da meia-noite que eles foram dormir.
As primeiras horas da manhã seguinte passaram mais rápido do que imaginaram. Logo se viam tomando café da manhã e preparando-se para as aulas.
Sem Scott para levá-los, houve uma certa discordância em quem iria dirigir. Os mais novos, temendo pelo que já sabiam, resolveram ir a frente, à pé.
"Eu dirijo"
"Não!" Disse Kurt, imediatamente após Kitty se manifestar.
"Por que não?"
"É, qual o problema?" Perguntou Linus.
"Ah, é que.. hmm..."
"Tudo certo, eu dirijo." Kitty pegou as chaves e deixou Kurt apavorado, que a seguiu rapidamente.
"Você vai se arrepender de ter perguntado" Falou Vampira para Linus, enquanto este caminhava em direção ao carro.
Uma viagem um tanto quanto turbulenta, radical demais. Ao todo, eles haviam atravessado um muro, dois carros, uma moto e umas dez pessoas... isso só com a pequena distância entre o Colégio Bayville e o Instituto Xavier.
Kitty chegou animada na escola e correu para dentro, seguida por Kurt, que cambaleava levemente, como se acabasse de sair de uma montanha-russa.
"Wow, isso sim que eu chamo de aventura." Dizia o neozelandês, espantado, ao lado de Vampira.
"Da próxima vez você dirige."
"Pode crer."
O espanto, no entanto, passou rápido, pois ele não pôde deixar de notar os olhares fulminantes que recebia. Murmúrios o acompanhavam por onde passava e ele pôde ouvir frases como "Olhem, mais uma aberração" ou "O que eles pensam que fazem aqui?".
"Num esquenta com isso, Linus, eles são uns idiotas."
"É, percebi."
"Quais são suas primeiras aulas?" Ela tentou mudar de assunto.
"Hmm, deixa eu ver... Química, História... e Francês."
"Legal, te vejo na aula de Francês então."
"Beleza, até mais."
"Até."
O período da manhã seguiu sem problemas, Lance e o resto da Irmandade foram "cumprimentá-lo", reforçando o comentário de Vampira sobre os outros, "Eles são uns idiotas mesmo".
Na aula de francês, reencontrou Vampira. Ele pôde constar que a garota praticamente não trocara palavras durante a aula, mas também não parecia se importar com a aula. Claro, para que notasse isso, digamos que não fosse o mais interessado nos estudos por ali...
Quando o intervalo chegou, sentou-se com os outros mutantes do refeitório, este que estava barulhento, com muita gente pondo conversas em dia. Como se viam todos os dias, eles falaram bem menos que os outros.
Nas aulas que se seguiram, teve Trigonometria com Kitty. Ela fazia um ou outro comentário durante a aula, sem deixar de prestar atenção no professor. Kitty era a mais nova da classe naquela matéria e, mesmo assim, batia todo mundo.
Com o fim do primeiro dia de aula, eles voltaram ao Instituto, mas desta vez Bobby, Ray e Amara invadiram o veículo, expulsando Kurt e Kitty. Resmungando, os dois foram por meio de teletranportes curtos, sem esperar pelos que iam andando.
Por volta das quatro horas, todos já estavam de volta à mansão. Ray, como sempre o mais agitado, jogara sua mochila em um canto da sala e virara-se para todos:
"Ei, galera, em comemoração à volta às aulas, que tal uma partida de --"
"Futebol?" Completou Roberto, desafiando-o, o que o deixou de cara amarrada.
"Na verdade --"
"Grande Roberto!" Ray fora interrompido por Kurt. "E aí, Scott? Vamos nessa?"
Scott assentiu com a cabeça. Embora o esporte não fosse tão popular nos Estados Unidos, ele e Kurt, ao lado de Roberto, viviam fazendo pequenas partidas.
"Ok, então... o time sou eu, Bobby --"
"Corta essa, Frenético, vamos tirar time." Kurt virou-se para Scott e tirou par ou ímpar.
"As meninas primeiro." Falou Bobby, de forma cordial.
Eles saíram perguntando sobre quem iria jogar, Sam e Jubileu recusaram-se a jogar, preferindo platéia, e Vampira rejeitara mesmo como espectadora. Decidido, Noturno começou a escolher, alternando com Ciclope. Os times ficaram divididos da seguinte forma: Kurt, Kitty, Linus, Roberto, Amara e Rahne em um time e Scott, Jean, Ray, Bobby, Mirela e Jamie em outro.
Kitty alertou que não jogava nada e estava ali só para chutar canelas, enquanto Linus dizia que só servia para alguma coisa no gol. Do outro lado, Bobby virou goleiro e Sam tomou posse da posição de 'árbitro', segurando a bola.
Quando lá fora parecia que a temperatura cairia, eles resolveram usar a quadra interna. Conseguiram arrastar Vampira, para que esta pelo menos assistisse à partida.
Kurt começa com a bola, tocando-a de leve para Roberto. Este parou-a embaixo do pé, esperando a movimentação dos companheiros.
Jean tentou desarmá-lo, mas ele cortou para o lado direito e tocou para Noturno. Este devolveu de primeira, tabelando e deixando o amigo livre, na cara do gol.
Scott tentou chegar a tempo, mas, antes dele, Roberto chutou de forma violenta, quase tão forte quanto seus poderes. Como goleiro, Bobby relou na bola, mas não foi o suficiente para evitar o gol, já que esta fizera uma incrível curva.
"Ei, dá pra pararem de ser machistas?" Berrou Kitty, mostrando sua presença e das demais meninas.
Os garotos se entreolharam, resmungando, mas concordando.
Ao soar do apito, Scott tinha a posse. Passou para Jean, que, depois de pensar um pouco, fez um lindo passe para Jamie. Mas, no ombro-a-ombro, Amara ganha a jogada, recuando para o goleiro.
Sem grandes habilidades com os pés, Linus chutou a bola para longe. Do outro lado, Mirela conseguiu o domínio, passando para Ray, que correu pela lateral da quadra.
Roberto correu para interceptá-lo, mas logo viu a bola passando por cima de sua cabeça, indo em direção à área. Scott cabeceou para o chão. A bola quicou e bateu na trave superior. No rebote, Jean chutou quase no ângulo, com força, e Linus fez excelente defesa, rebatendo para escanteio.
"Aqui" Disse Jamie, correndo para perto de Ray, que cobrara rapidamente.
Jamie tentou inventar, fazendo firula, mas perdeu a bola para uma Kitty desesperada.
Depois de rifada, a bola era de Rahne, que devolveu para Kitty. Esta errou o passe, dando de presente para Scott, que, bem posicionado, chutou colocado. Linus alcançou a bola, agarrando-a firmemente.
Ele lançou para Kurt, que jogou a bola entre as pernas de Mirela e passou para Amara. Ela deu um passe esticado, tirando da marcação.
"Boa, Amara!" Gritou Roberto, chegando em velocidade. Ele pedalou em frente a Bobby, que parecia confuso.
O goleiro foi para cima, tentando agarrar a bola com as mãos, mas o artilheiro deu um toquinho de cobertura, aumentando o placar. Bobby xingou, mas elogiou o amigo.
De volta ao meio da quadra, Mirela tocou para Jamie, que, de primeira, lançou Scott na lateral oposta. O líder levantou a cabeça e viu Jean na área, marcada por dois, mas tocou para Ray, que estava mais longe do gol adversário.
Ray encheu o pé e soltou uma bomba indefensável, marcando com direito a aplausos da 'torcida'.
Roberto passou rapidamente para Rahne, que rolou para Kurt devolver a bomba de Ray na mesma distância, porém, com uma mira terrível.
A bola saiu e pertencia a Bobby. Este tentou lançar para Scott, mas escorregou e acabou parando nos pés de Amara.
Ela chutou bonito e com vontade, quase marcando, mas Bobby fez boa defesa e contou com a imensa ajuda das duas traves... a bola parou em cima da linha. Mirela salvou-a, antes que Roberto chegasse.
O domínio agora era de Jean, correndo pelo centro. Ela chamou Jamie, cumprindo o esperado. Ele tropeçou, mas conseguiu tocar levemente para Ray.
Ray limpou a jogada, passando por Kurt e Rahne, mas Kitty estava esperta e chutou a bola para longe, junto com a canela do garoto.
"Aw, essa doeu!"
"Malz, Ray"
Assim o jogo prosseguiu, equilibrado. Dos rapazes, Roberto era de longe o melhor, seguido por Scott, Kurt e Ray. Das garotas, Jean se saía muito bem, seguida de perto por Amara e Mirela. Jamie era meio atrapalhado, mas nem se comparava a Kitty, que era um completo desastre no esporte. Bobby jogava bem no gol, e Linus fazia defesas sensacionais, embora não fosse muito bom com os pés.
Algumas jogadas eram bonitas de se ver, principalmente as vindas de Roberto, que conhecia um monte de truques, executando-os com perfeição. Amara também aprendera alguma coisa em sua terra natal, por falta do que fazer, mas fazia muito menos que o companheiro.
O último lance da partida ocorreu em uma cobrança de lateral. Os garotos queriam que Kitty fizesse um gol, em homenagem a seu esforço, e tentaram ajudá-la o jogo inteiro.
Rahne cobrou em direção a Kurt, que levantou para Roberto, na outra ponta. Ele matou no peito e parou-a no chão. Gingou para um lado, gingou para o outro, sem relar na bola, apenas deixando Jamie confuso. Por fim, deu um tapa de letra, mandando a bola para um lado e correndo pelo outro.
Jamie olhou para os dois lados, sem saber o que fazer. Sunspot reencontrou a bola bem perto do gol, sobrando ele, Bobby e Mirela.
Tabelou com Amara para passar por Mirela, passando para Kurt, com o gol livre. Ele ameaçou chutar, e apenas viu Bobby voando em direção ao nada. Enquanto isso, deu um presente para Kitty, embaixo do gol.
Ela apenas empurrou para dentro, ficando extremamente feliz. Sam apitava o fim de jogo.
Em meio a pulos de alegria, ela saiu correndo em direção a Kurt, com os braços abertos... Kurt abriu os braços também, esperando por um abraço, mas, quando ela se aproximou... atravessou seu corpo, fazendo-o de bobo, e pulou em cima de Linus, abraçando-o.
"É isso aí, garota, belíssimo gol!" Dizia ele em seu ouvido, enquanto girava-a pelo ar, abraçando-a.
Kurt amarrou a cara, disfarçando os braços abertos. Logo depois, ela se soltou de Espectro e veio em sua direção, sorridente. Ele não cometeu o mesmo erro antes, ignorando-a.
Em meio a tanta felicidade, sem pensar duas vezes, ela agarrou seu pescoço, beijando-o. Por alguns segundos, Kurt ficou sem reação, surpreso. Depois do susto, ele abraçou sua cintura e devolveu um longo e dócil beijo...
Em meio a tal cena, Vampira inconscientemente trocou um rápido olhar com Linus, logo depois saindo dali sem que ninguém percebesse.
O local explodiu em calorosos aplausos e assobios, terminando com maravilhosos fogos de artifícios, soltos por Jubileu ali mesmo.
"Você é maluca, Kitty." Sussurrou Kurt, em seu ouvido.
"Você me fez assim, elfo felpudo." Disse ela, dando-lhe um leve beijo, ignorando a festa dos demais presentes.
"Eu não disse que ainda gostaria de mim?"
"Eu nunca deixei de gostar"
"Então pra que tanto drama?"
"Ora, Kurt, eu terminei com Lance na sexta... o que acha que pensariam de mim?"
Ele fingiu pensar um pouco. "Que é a menina mais sortuda do mundo, por ter Kurt Wagner como namorado"
Kitty sorriu. "É, sou mesmo."
Do outro lado, Jean virou-se para Scott. "Viu, eu estava certa."
"Como sempre, ruiva, como sempre..."
Eles fizeram a maior bagunça em plena quadra de esportes. A noite chegou rapidamente, e logo se recolheram para dentro da mansão, onde tomaram seus respectivos banhos.
Aproveitando toda a alegria e descontração, Linus procurou Mirela após a janta, na esperança de que isso aliviasse sua reação.
Ela conversava com Jubileu em um canto. Quando se separou da amiga, Linus puxou-a para a biblioteca, que estava vazia.
"Que foi?" Perguntou ela, confusa.
"Mirela, eu preciso lhe dizer algo... é importante."
"Tudo bem, então diga."
Ele fez um gesto para que ela se sentasse, enquanto acomodava-se no sofá em frente à lareira.
"Mas antes quero que me prometa uma coisa..."
"O que?"
"Não importa o que eu diga, quero que ouça até o final, por favor."
"... tá."
"Por que mudou-se para cá há treze anos?"
Mirela pareceu incomodada com a pergunta, mas não hesitou em responder. "Pouco mais de cinco anos antes disso, meus avós foram assassinados na Itália, onde meu pai morava. Desde então eles faziam planos para uma mudança, se prepararam bastante. Depois de meu nascimento, a idéia tornou-se mais tentadora, e eles passaram a colocá-la em prática, lentamente... Quando minha mãe ficou grávida de Alfonso, nos mudamos para cá, em busca de um novo começo, uma vida mais calma... era uma forma de fugir das lembranças..."
Houve um silêncio. Ouvia-se apenas o som das labaredas. Linus não queria prosseguir, mas a hora era aquela. Xavier pedira que ele fosse cauteloso, não só pelo que Mirela fosse sentir, mas também por ter passado um momento difícil com sua mutação.
"E você... sabe quem foram os assassinos?"
"Eram mutantes... como nós, como eu. Mas ninguém jamais soube quem foi."
"Como sabia que eram mutantes?"
"Meus pais me contaram, disseram que receberam uma carta anônima, que contava tudo sobre os mutantes, inclusive o ocorrido."
Neil Fletcher. Por mais que estivesse certo sobre os mutantes, tentou persuadir os Biasi contra eles. Linus sabia disso, e não escondeu uma certa raiva.
"E... Mirela, você gostaria de saber quem era?"
"Mais do que qualquer coisa." Disse, com um olhar cheio de ódio, uma voz firme.
Com este ato, Linus ficou inseguro sobre sua reação, ela já não parecia tão feliz quanto antes.
"Eu sei."
"Hã?"
"Eu disse que sei. Sei quem matou seus avós."
O rosto da garota fora invadido por uma expressão mista. Havia certa surpresa, expectativa, medo. Sentiu-se levemente traída por ele tão ter dito antes.
"Já ouviu falar em... Susan Burns?"
Ela balançou negativamente a cabeça. Certamente só Alessandro, seu pai, a conheceria. Linus pensou, assim como Xavier, que ele jamais contara a família, com medo de que a suspeita caísse sobre ela, uma grande amiga de infância.
"Ela pediu abrigo na casa de seus avós, quando foi à Itália..."
Ele foi contando, lentamente, tudo o que sabia sobre sua mãe... e sua relação com os Biasi. Conforme contava, via a cara da ingênua Mirela tornar-se obscura, sendo aos poucos invadida por frustração, indignação e ódio... mais e mais ódio. Vendo isso, mais uma vez, Linus achou melhor não continuar... mas já que chegara até ali, teria de ir em frente.
"... e ela... Susan... era minha mãe."
"O quê?" Mirela agora estava em pé, olhando fixamente para Linus.
Ele pôde sentir toda a sua raiva através do olhar, mas não a condenava por isso, já sabia que aconteceria.
"Eu não a culpo pelo que fez, Mirela, ela não teve --"
"Como pode dizer isso! Eram meus avós lá, minha família. Eles confiaram nela, ela os traiu. Você não sabe o que passamos... ela arruinou nossas vidas!"
Linus abaixou a cabeça, ela estava certa, mas... mesmo assim, não conseguia culpá-la, não do jeito que Mirela a culpava. "Mas você não pode culpá-la por isso!"
"Por quê? Porque ela é sua mãe? Você está errado, Linus, é você quem não consegue culpá-la"
Mirela saiu com lágrimas no rosto, pisando tão forte e com tanta pressa, que quase trombou com Vampira, enquanto esta ia de encontro a Linus.
"Você contou a ela, não foi?" Perguntou Vampira.
Linus estava sentado, encarando as flamas que dançavam na lareira. Permaneceu calado, imóvel.
Talvez Mirela estivesse certa, talvez Susan realmente tivesse culpa. Mas era a sua mãe... assim como Neil fora seu pai. Só que era diferente... Linus culpava Neil por tudo o que fizera, odiava-o com todas as forças, tanto que pouco se abalara ao saber de sua morte. Já com Susan era diferente... não a culpava, não conseguia culpá-la... como culparia alguém que não possui controle sobre si? Ou será que Mirela estava certa? Ele não conseguia culpá-la por ser sua mãe, usando a mutação como desculpa?
N/A: E aí começa uma pequena briguinha entre FletcherVSBiasi... isso é birra da Mirela, TPM, sabem como é... huahuahua
Anyway, Vampira/Linus tá demorando... pois é, precisamos resolver a situação dos dois primeiro... e sobre como vou contornar a mutação... I'm work on it xD
