Acordei mais cedo do que eu gostaria naquela manhã de sábado.

Edward ainda dormia pesadamente ao meu lado e saber que ele dormia apenas de boxer me fez querer acordá-lo de um modo nada convencional, mas me freei.

Me levantei cuidadosamente pra não acordá-lo e fui até o banheiro.

Escovei meus dentes e tomei um banho frio, fazia um calor insuportável em Los Angeles.

Escovei meus cabelos molhados, não queria ligar o secador e acabar acordando Edward, então os deixei molhados mesmo. Me enrolei numa toalha e saí.

Eu não sabia o que fazia.

Ainda não era nem 9 da manhã e eu realmente não queria acordar Edward, mas se eu o deixasse dormindo e saísse do quarto eu tenho certeza que ele ficaria trancado aqui com vergonha de sair, por causa do meu pai.

Resolvi acordá-lo.

- Hey! Sussurrei no seu ouvido.

Me ajoelhei na cama e o chamei de novo.

- Ed! Acorde! – pedi.

- Porra Bella que horas são? – ele resmungou de olhos fechados.

- Quase nove, mas eu preciso descer! – falei.

- Porque você não deita esse seu corpo delicioso ao meu lado e dorme mais meia hora. – ele disse levantando a mão e passando pela minha cintura. – Meia hora, eu juro.

- Não posso Edward! – me levantei – Eu posso descer e quando você acordar você desce.

- Não, não mesmo! – ele abriu os olhos e me olhou. – Você tinha que estar nua na minha frente? – ele perguntou.

- Não estou nua. – olhei pra toalha enrolada ao redor do meu corpo. – Estou de toalha. Acabei de sair do banho.

- Porra Bella! – ele passou a mão nos cabelos. – Eu prometi pra mim mesmo que não ia tocar em você aqui.

- Por quê? – perguntei decepcionada.

- Seu pai oras. – ele disse. – Não posso fazer isso na casa dele.

Eu gargalhei.

- O que foi? – ele me perguntou confuso.

- Não sabia que você tinha um lado puritano. – falei entre as risadas.

- Mas eu posso ser um menino mal. – ele ficou sério.

- Mesmo? – perguntei no mesmo tom. – Você poderia me amostrar esse seu lado? – bati meus cílios.

Num só movimento ele me agarrou e me jogou na cama e começou a fazer cócegas na minha barriga.

Eu morro de cócegas!

- PÁRA EDWARD! – gritei gargalhando.

- Estou te amostrando meu lado mal. – ele ria junto comigo.

- Nã-não eu não quero mais ver! – eu ria mais ainda.

Ele parou de me fazer cócegas e prendeu meu corpo embaixo do seu.

- Eu adoro seu cheiro de banho tomado. – ele disse arrastando a ponta do seu nariz do meu pescoço até meu colo.

- Se não vai terminar, então não começa. – falei agarrando seus cabelos.

- Cara! Como eu te quero. – ele sussurrou.

- Então pegue! – mordi meus lábios.

Ele se aproximou de mim e tocou seus lábios nos meus. Me deu um beijo suave e sussurrou.

- Eu só pego o que é meu!

Eu fiquei sem ação.

O que ele esperava que eu dissesse?

- ISABELLA!

Merda! Meu pai!

Edward deu um pulo tão grande que caiu no chão ao lado da cama.

Eu ajeitei minha toalha e me levantei, isso tudo em uns 2 segundos.

- O que está acontecendo aqui? – ele perguntou – Quem é ele?

Edward ficou de pé.

Não! Não! Merda, não!

Era melhor ele ter ficado no chão.

Meu pai me pegou no maior amasso com um cara que ele não conhecia e que agora estava em pé no meu quarto de boxer e excitado.

Acho que ele leu meus pensamentos porque pegou uma almofada na poltrona e cobriu seu enorme "problema".

- Custa bater na porta? – eu quase gritei com meu pai. – Que merda Charlie! Você me ensinou sobre isso e você mesmo não pratica?

- Quem é ele Isabella? – ele apontou pra Edward. – E não me chame de Charlie. – ele apontou pra mim.

- Hey! Esse é meu espaço, ok? – o lembrei apontando ao redor do MEU quarto.

- Você está na minha casa mocinha! – ele disse alterado.

- Essa merda de casa também é minha! – falei no mesmo tom.

- Ok. – ele se acalmou – Pode me dizer quem é ele e o que ele faz no seu quarto? – ele perguntou calmamente.

- Posso me vestir pelo menos? Ou você quer realmente conversar sabendo que eu estou nua por baixo dessa toalha? – usei toda minha ironia.

Ouvi Edward engasgar.

- Quero você em 15 minutos na mesa de jantar. – ele fulminou Edward com os olhos e se virou.

- VOCÊ NÃO MANDA EM MIM! – gritei pra que ele me ouvisse do corredor.

Fui até a porta e a soquei fazendo ela se fechar com um estrondo.

- Urrrgh! TE ODEIO! – gritei.

Esperava sinceramente que ele tivesse ouvido.

- Hey! – Edward me chamou. Eu o olhei. – Se acalme. – ele se aproximava de mim.

- Eu o odeio! – resmunguei contra seu peito já que ele me abraçava.

- Você sabe que isso não é verdade! – ele disse alisando meus cabelos.

Me afastei dele.

- Vá se vestir, temos que descer. – falei segurando o choro que ameaçava me tomar.

- Preciso de um banho. – ele fez uma careta.

- Não precisa se apressar. – dei um selinho nele e sorri – Tem uma toalha no banheiro pra você. Vou te esperar aqui.

Ele me deu mais um beijo e foi pro banheiro.

Eu fui até meu closet e coloquei uma roupa.

Alguns minutos depois Edward saiu do banheiro.

Colocou uma bermuda cargo bege e uma camisa preta.

- Vamos? – ele me estendeu sua mão e eu a peguei. – Só não vá brigar com seu pai por causa de mim, ok? Posso ir pra um hotel... o que me importa é só poder ficar com você, onde não interessa. – ele beijou minha testa.

- Eu não quero brigar com ele, só queria que ele me tratasse como adulta e não como uma garotinha. – resmunguei.

- Ele é pai Bella. – ele revirou os olhos. – Se um dia eu tiver uma filha, pode ter certeza que serei parecido ou algo do tipo.

Nós rimos.

Eu o puxei pra fora do quarto e fomos em direção a sala de jantar.

Como era de costumei, Charlie estava sentado lendo seu jornal.

- Bom dia Charlie! – o cumprimentei seca.

- Bom dia Sr. Swan. – Edward o cumprimentou educadamente.

- Eu ainda sou seu pai Isabella. – ele disse sem tirar os olhos do jornal e ignorando Edward totalmente. – Que eu saiba até eu morrer, pelo menos.

Ele ia mesmo querer me ver irritada? E na frente de Edward?

- Pai, eu não quero brigar com você. – falei – Então você pode, por favor, ser simpático? – pedi.

Ele largou o jornal e sorriu sinicamente.

- Podemos começar de novo? – eu perguntei e ele fez um gesto pra que eu prosseguisse.

Eu sai da sala de jantar e puxei Edward comigo. Na mesma hora voltamos de novo a sala.

- Bom dia Charlie! – eu forcei um sorriso.

- Bom dia Isabella! – ele sorriu também.

- Bom dia Sr. Swan. – Edward tentava segurar o riso.

- Bom dia... – meu pai deixou no ar.

- Edward. – ele estendeu a mão pro meu pai e ele a pegou, o cumprimentando num aperto de mãos. – Edward Cullen senhor.

- Ok Edward. Me desculpe pela indiscrição lá em cima. – meu pai disse.

Eu me sentei a mesa e Edward fez o mesmo.

- Não se preocupe Sr. Swan, creio que Isabella deveria ter avisado que eu viria com ela. – Edward disse sem graça.

- Também creio. – meu pai sussurrou. – Tomem café! – ele ordenou.

Eu me servi e Edward também.

Charlie voltou sua atenção pro jornal.

- Pai? – ele me fitou – Tem problema Edward ficar aqui?

- Não... – ele disse – Se não for no seu quarto! – ele sorriu.

- Você está sendo absurdo! – falei irritada.

- Edward, tem um hotel ótimo aqui perto e ... – cortei meu pai.

- Ok! Ele fica no de hóspedes! – dei o braço a torcer. – Mas fique ciente que de madrugada vou dormir na cama dele. – dei de ombros vitoriosa.

Meu pai ficou calado e Edward mais uma vez engasgou.

- Vai haver uma festa da empresa hoje no Wilshire Isabella e eu gostaria que você fosse! – meu pai disse. – Você também está convidado Edward.

- Ok, nós vamos! – eu disse e acabei de beber meu café.

Ficamos em silêncio por alguns minutos.

- Vou pegar um dos carros hoje. – eu disse a Charlie. – Vou mostrar a cidade ao Edward.

- Tudo bem querida. – Charlie se levantou – Pegue o que eu te dei de aniversário e que você rejeitou.

Ele veio até mim e deu um beijo na minha testa.

- Edward, foi um prazer conhecê-lo. – meu pai disse a ele. – Estarei de olho em vocês.

Eu revirei os olhos.

- Não precisa se preocupar senhor. – Edward disse – Bella é muito importante pra mim.

Dessa vez quem engasgou foi eu.

Meu pai saiu da sala e acredito que de casa também.

- Quer dar uma volta? – perguntei a ele. – Acho que temos que comprar roupas novas pra festa.

- Seria ótimo! – ele disse animado.

Peguei a chave do "meu" carro e fomos pra garagem.

- Porra! Esse é seu carro? – Edward perguntou pasmo.

- Não é bem meu carro! Meu pai me deu, mas eu não aceitei. – dei de ombros.

Entramos e eu fui mostrar a cidade a ele.

Andamos pelas ruas de Beverly Hills e de Hollywood.

Mostrei a ele a famosa calçada da fama, o levei ao Cabrillo Marine Aquarium e depois fomos pra] Rodeo Drive fazer nossas compras.

Eu comprei um vestido, um par de sapatos de salto preto e algumas coisas de maquiagem. Edward comprou um terno completo e um par de sapatos preto, já que ele não tinha nenhum por aqui.

Estava chegando o final da tarde e achei que seria perfeito pra visitar o píer de Santa Monica.

Eu adorava aquele lugar. Podia estar lotado, ter uma multidão ali, mas me trazia paz e tranqüilidade. Eu ia muito lá com a minha mãe.

Comemos cachorro quente como verdadeiros americanos e bebemos Pepsi diet. Edward estava adorando fingir ser americano, ele disse que eu estava "americanizando" ele.

Brincamos em alguns brinquedos do parque e ficamos algumas horas sentados na areia trocando carinhos como se fossemos um casal de namorados.

- Não queria ir embora! – ele disse quebrando nosso silêncio.

- Por quê? – me virei e o olhei.

- Porque aqui você pode ser você comigo. Somos só nós dois. – ele disse triste.

- Edward, não comece! Vamos apenas curtir e o resto é o resto, depois a gente resolve. – voltei pra minha posição inicial fitando o infinito do mar.

Ele apertou mais seus braços ao redor da minha cintura e descansou seu queixo no meu ombro, encostando seu peito nas minhas costas.

- Eu nunca tinha visto o mar. – ele disse.

- Sério? – ele assentiu – Podemos tomar banho amanhã.

- Seria ótimo! – ele sorriu.

Eu poderia ficar uma eternidade ali, sentada, sem preocupações, sem problemas, sem o Emmett nos separando... nos seus braços envolvidos firmemente em minha cintura como se me protegesse do mundo, de tudo.

- Edward? – o chamei.

- Uhm?

- Promete que vamos continuar assim quando voltarmos pra Boston? – perguntei.

- Isso depende de você Bella. – ele disse. – Não de mim.

O pior que eu sabia disso, mas eu ainda não podia decidir. Era uma coisa grande, enorme.

Senti sua respiração próxima ao meu ouvido e então ele sussurrou.

- Meu coração é seu Isabella e eu vou esperar pacientemente você me entregar o seu.

Eu sorri com aquelas palavras.

Mas o que eu não sabia é que meu coração já era dele e infelizmente eu percebi tarde demais.