DDT6: FANTASMAS QUE SE VÃO

Capítulo 9

AUTORAS: Lady K & TowandaBR

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham nos pentelhar).

GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe?). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qualquer dano psicológico ou moral. lol.

AVISO IMPORTANTÍSSIMO: Esta fic é parte da série Depois da Tempestade, composta de DDT1: Páginas Perdidas, DDT2: Desvendando o Passado, DDT3: O Retorno de um Velho Amigo, DDT4: Segredos e Verdades e DDT5: Nossas Vidas na Outra Vida.

COMMENTS:

Fabi: Fazia dois capítulos que vc não deixava review, vc quer dizer, né? E eu que sou enrolona? Cara de pau! Nem parece que é da família, não sei quem vc puxou rs...

Luanaa: Uma fic troca de casais? Não lemos, não! Vc conhece alguma?

Marguerrite: Vc é muito má! Faremos greve de último capítulo por vc. Buá buá buá.

Lady Cris: Sorry, Cris, mas vc é estranha hahaha Quer dé-real? rs...

Jess N: Sim, sim, Harold é bancado pelos pais da Marguerite :D

Violet Forrest: We want and don't want that they leave the plateau, because will be the end, but... :D

Mamma Corleone: Apaixonadinhaaaaaaaa!!! Amei a trovinha do Chaves, ri até!!!! Só tu mesmo!!! E sim, Madge e House é totally prepotência rules hahaha Amo tuuuu de montão!!!!

Nina Makea: Estava sumida, mulher! Que bom que voltou. Histórias da Meg, acho que não, porque era a Lady F que escrevia, e ela se aposentou nas fics.

Madge Krux: Nem demoramos (muito rs...).

Meninas, obrigada por acompanharem nossa história e é com tristeza mas também alegria, que comunicamos que este é o penúltimo capítulo desta DDT. Portanto, se querem saber o final, deixem milhares de review, ou seremos impiedosas hahaha!


Não havia um portal, praticamente nenhuma mudança entre o platô e o refúgio. A única diferença eram as construções de pedra embrenhadas dentro da mata. Depois, conforme prestavam atenção ao redor, viam a Avalon que estivera escondida por tanto tempo. Finalmente, Verônica pode constatar o que o primeiro avatar, Erick, descrevera como uma comunidade que crescera cheia de alegria, esperança e vida. Uma comunidade que sua esposa, a primeira protetora, não pode ver. Com casas simples, habitadas por famílias e pessoas de todas as idades, que ficaram curiosos e saíram para ver os forasteiros.

Uma mulher veio correndo até Abigail e as duas se abraçaram.

"Olá, Maria! Vejo que tudo está bem." – cumprimentou a protetora.

"Está tudo ótimo, Abi." – ela olhou para os outros – "Vai nos apresentar os novos amigos?"

A protetora elevou a voz falando e fazendo sinal para as pessoas que ali estavam.

"Por favor, aproximem-se." – esperou um pouco até que cercassem o grupo. Depois apresentou um de cada vez – "Professor Summerlee, professor Challenger, John Roxton, Edward Malone." – ela puxou Verônica pela mão – "E esta é minha filha, Verônica."

Todos se aproximaram para cumprimentar calorosamente os visitantes.

E os exploradores perceberam que, ao contrário do que sempre imaginaram, nenhuma pessoa, apesar de certamente saberem quem Abigail era, a tratava com cerimônia ou constrangimento. E como teriam a certeza nos dias que se seguiram, a protetora sabia exatamente quem era e sua importância, bem como cada um dos outros, naquela comunidade. Avalon não perdia tempo com reverências que de nada serviam.

Aos visitantes foram oferecidas as melhores instalações, banhos perfumados com ervas, uma boa cama com lençóis limpos - tudo que a população de Avalon podia oferecer de melhor.

Verônica e Ned foram conduzidos aos aposentos da protetora. Abigail explicou.

"Neste local, Thomas e eu passamos nossa primeira noite em Avalon. Será de vocês enquanto estiverem aqui."

Deu um beijo na filha e se retirou, fechando as portas.

Malone e Verônica ficaram se olhando. Era estranho estarem em um lugar tão diferente da casa da árvore. As coisas haviam mudado tanto nos últimos meses. A moça caminhou até a varanda, respirando o ar puro e observando a noite. O jornalista foi até ela enlaçando-a pela cintura.

"No que está pensando?" – perguntou.

"Nada." – respondeu em voz baixa. O rapaz percebeu as lágrimas correndo pelo rosto dela.

"Por que está chorando?"

"Não sei. Acho que por tudo. Mas é uma sensação muito boa."

"É muito bonito aqui."

"É sim."

Os dois ficaram mais um longo tempo ali, abraçados, sentido a brisa de Avalon.


Mesmo Marguerite garantindo a Abigail que não seria necessário preocupar-se com ela, a protetora havia colocado seis avatares de guarda no local onde a herdeira passaria a noite acampada. Todos estavam estrategicamente posicionados ao redor da barraca que eles mesmos fizeram questão de armar, ocultos por entre as árvores.

Ela já havia terminado seu jantar há um tempo e agora apenas olhava para o fogo, distraída, por vezes cutucando a madeira em chamas com um graveto. Normalmente, já deveria estar exausta e entregue ao sono, principalmente após o longo caminho que havia percorrido com os amigos. Entretanto, não sentia a menor vontade de dormir, pelo contrário, poderia ficar por horas ainda acordada e, se tivesse algo para fazer neste momento, faria. Para sua própria surpresa pedira para ser deixada sozinha. Justo ela que sempre odiara não ter ninguém por perto. Mas, estranhamente, não se sentia solitária. Parecia que, pela primeira vez na vida, estava muito confortável consigo mesma.

Sentiu um frio na barriga ao se lembrar do quão perto estava de retornar à civilização, à Londres e, o que a preocupava de verdade, reencontrar-se com seus fantasmas. Tinha a impressão de que tudo ficara tão lá atrás, há tanto tempo, muito mais do que quatro anos. Ela mesma sabia uma ter se tornado uma nova pessoa, alguém muito diferente daquela Marguerite que bancou a expedição Challenger.

Mas essa Marguerite do passado ainda possuía uma série de inimigos da época da guerra e lembrava-se de acontecimentos dos quais não se orgulhava. Esse era um dos principais motivos para sua insistência inicial em repelir Roxton. Jamais se perdoaria se algo lhe acontecesse em consequência de seu envolvimento com ela. Porém, e Abigail a havia ajudado a compreender isso, ela não estava sozinha. Possuía uma família que nunca deixou de procurá-la e que não pouparia esforços para protegê-la. E tinha amigos que a conquistaram apesar de toda sua resistência.

Pensar nisso a fez perceber o quanto estava deixando que sua vida fosse cercada por sombras e fantasmas, por medos que a impediam desfrutar tudo de bom que o destino colocou em seu caminho.

"O 'se' não existe, Marguerite. A menos que você seja uma vidente. E em minha experiência, já constatei que videntes também falham, sabe por quê? Porque nós podemos mudar o que está escrito quando AGIMOS. Você costuma dizer que faz seu próprio destino, mas me parece haver uma contradição, já que você deixa que fatos do passado controlem a sua vida." - lembrou-se das palavras de uma conversa que teve com Abigail durante a viagem.

Respirou fundo e, inevitavelmente, pensou em Roxton. Nesse momento, ouviu sons vindos da mata, a poucos metros de onde estava. Sons de uma luta. Olhou e viu apenas o movimento dos vultos por entre as árvores cercadas de escuridão. Tudo pareceu acabar tão rápido quanto começou.

Com a pistola em punho e uma tocha na outra mão, esperou, até que os avatares jogaram o invasor a seus pés.

"Roxton, você está bem? O que aconteceu?" - ela perguntou num misto de surpresa e curiosidade, ajudando-o a levantar.

Os avatares ficaram extremamente envergonhados - "Queira perdoar nosso engano, senhora. Recebemos ordem para garantir sua segurança e privacidade e ele se aproximou de repente, sem fazer barulho, estava escuro e nós..."

O caçador estufou o peito e encarou seu agressor só para finalmente perceber que o homem era, no mínimo, uns quinze centímetros mais alto e muito mais forte do que ele.

"Está perdoado. Mas na próxima vez não terei piedade." – disse John.

"Tudo bem, rapazes. Podem deixar que eu assumo daqui." - ela deu uma piscadela e sorriu, querendo, na verdade, rir da cena inusitada que presenciou. Mas sabendo que Roxton provavelmente se irritaria, conteve-se – "O que está fazendo aqui?"

Ele olhou em volta.

"Aqui?... Na verdade fui dar uma volta por Avalon e nem percebi que tinha vindo tão longe." – mentiu.

O caçador se sentou em um tronco próximo ao fogo e levou a mão ao queixo, soltando um quase inaudível gemido.

"Deixe-me ver isso, John." - ela virou o rosto dele de lado, olhando-o - "Está um pouco inchado... deveria passar alguma coisa, mas não tenho nada aqui... espere um pouco." – ela entrou na barraca e voltou logo em seguida trazendo um cantil e um pano que molhou na água fria.

"Não precisa." – disse ele quando ela gentilmente aplicou a compressa no rosto.

"Fique quieto." – a herdeira brigou enquanto prosseguia.

Seus olhares se encontraram e eles permaneceram imóveis. Era como se um imã os atraísse. A mão que antes examinava, abriu-se sobre o rosto de Roxton, numa carícia.

Ele, por sua vez, pousou sua mão sobre a dela - "Não foi nada que você não possa curar, como sempre."

"É apenas uma compressa e na..."

Nenhum dos dois sabia como ou por que haviam chegado a isso. De uma simples fagulha, um pequeno toque, as chamas haviam se acendido, materializadas naquele beijo.

As mãos de Roxton enterraram-se nos cabelos de Marguerite, puxando-a para si, quase como se quisesse fundir-se com ela. A urgência de seus beijos diziam o quanto ele precisava dela e, ao mesmo tempo, o quanto a queria para si, numa autêntica posse.

Confrontar-se com essa realidade, tangível em seu encontro, e o que havia pensado pouco antes que ele chegasse, a deixaram em alerta. Talvez...

"Marguerite, eu... perdoe-me, eu não sei o que deu em mim." - Roxton afastou-se bruscamente, deixando-a atônita.

"Idiota, idiota, não devia ter vindo aqui. Eu sabia que isso aconteceria. Roxton, para sua própria segurança, você deveria ficar preso numa solitária pelo resto da vida." - pensou consigo mesmo.

Demorou até que as palavras fizessem sentido para ela, que conseguiu falar apenas quando o viu se levantar e dar as costas.

"Roxton, espere! Roxton!"

Mas ele não esperou.


Hellen acordou devagar. Sentia uma leve dor de cabeça, mas nada que atrapalhasse as maravilhosas lembranças da noite anterior. Ela e Harold haviam bebido muito champanhe e feito sexo a noite toda. O homem era insaciável, e Hellen não era nada tímida. Nenhum dos dois poderia reclamar de monotonia.

Ainda de olhos fechados, ela se espreguiçou longamente. A mão apalpou o lado da cama. Vazia. Sorriu. Harold certamente havia acordado e estava tomando um banho para repor as energias. Finalmente abriu os olhos. A imagem embaçada do teto, aos poucos, foi clareando. Viu as manchas escuras, provavelmente originadas de infiltrações de chuva em um telhado mal acabado, levantando bolhas na pintura mal feita. Olhou com mais cuidado. Mofo? Como isso era possível? Ainda mais em se tratando de um dos melhores hotéis de Londres? Sentou rapidamente, assustada. Além da cama onde estava deitada, viu apenas uma mesa e uma cadeira, tudo feito de madeira da pior qualidade, com péssimo acabamento, uma bacia de louça branca desgastada com uma jarra. Uma pequena toalha feita de saco de estopa. Os lençóis, amarelados e puídos, e um travesseiro muito velho, com um odor desagradável.

"O que significa isso?" – falou sem ter ninguém que a escutasse.

Olhou no chão, em volta da cama, a procura de suas roupas. Não encontrou nada. Levantou-se rapidamente e continuou sua infrutífera busca. Correu para a janela abrindo a cortina cerzida. Passou a mão no vidro imundo, tentando ver a rua. Suspeitou estar na área mais promíscua da cidade.

"DESGRAÇADO!!!" – gritou irada jogando tudo o que podia – "EU VOU TE MATAR, HAROLD!!!"

Aos poucos, foi recuperando o controle. Precisava sair dali. Mas como? Não tinha roupas, nem um tostão e ainda teria que andar muito. Olhou no dedo e viu o anel.

"Você é muito idiota." – puxou o lençol da cama e o olhou – "Que nojo." – sem opção, enrolou seu corpo nu no pedaço de tecido e saiu pela porta.


Pela manhã, descansados e tranquilos, todos resolveram passear pelo lugar. Summerlee e Challenger gostaram, em especial, da escola e passaram grande parte do dia no local. Ensinaram e aprenderam muito. Summerlee foi cercado pelas crianças menores que adoraram a tranquilidade e carinho que Arthur sempre demonstrara. E os maiores reuniram-se com George, que trocou experiências com os jovens estudantes.

Roxton e Ned, assim como Verônica, orientados por Abigail, ajudavam nos preparativos do casamento que se realizaria em alguns dias. De repente viram uma agitação e foram ver o que era. A futura protetora abriu um enorme sorriso e correu.

"Marguerite!" – a loira a abraçou – "Você veio."

"Claro que sim. Afinal alguém tem que arrumar esse casamento de forma apropriada." – a herdeira bateu palmas e começou a dar suas ordens – "Vamos, vamos. Temos uma cerimônia para organizar." – apontou para o jornalista e o caçador – "Por que vocês dois estão me olhando? Tratem de trabalhar." – depois falou baixinho para Verônica e Abigail que se aproximara – "Não posso ser boazinha com eles, afinal tenho uma reputação de megera a zelar."

"Que bom que está animada." – riu a protetora.


Mesmo em meio à situação inusitada e extremamente humilhante, Hellen caminhou a passos firmes e elegantes ao atendente da espelunca onde estava hospedada.

O homem calvo e com uma barba mal aparada, usando uma camiseta encardida e suspensórios a olhou de cima a baixo. Já praticamente previa o que estava por vir. Estava acostumado a prostitutas que levavam o calote de maus clientes, que as deixavam apenas com a conta a pagar no hotel e uma boa dor de cabeça. Exatamente por isso, exigia o pagamento adiantado, com exceção desta vez, pois uma mulher como aquela não aparecia todos os dias, e o homem contava com a sorte de que ela fosse largada ali e, então, tivesse que pagar a conta 'em serviços'. E a sorte parecia estar a seu lado.

"Exijo imediatamente que faça uma ligação para minha residência." - Ela começou arrogante, como se estivesse no hotel mais fino e com as roupas mais elegantes de Londres. Ao ver que ele não se mexeu, ou melhor, apenas deu um sorriso de escárnio e intensificou os olhares sobre seu corpo envolvido no lençol, ela insistiu - "Escute aqui, seu asno idiota, eu já mandei que ligue para minha residência. Não quero perder mais nem um minuto nessa pocilga imunda. Esse lugar me dá alergia."

"Claro, assim que pagar a conta do quarto e também pela ligação, se realmente quiser que seja feita."

"Pagar? Alguém paga para ficar aqui? Você é quem deveria pagar para alguém entrar nesta espelunca fétida. Agora pegue o maldito telefone e faça a ligação, vamos!"

Ao ver que o homem continuava indiferente ao que ela lhe dizia, Hellen sentiu uma súbita onda de desespero. Já quase conseguia visualizar as possíveis consequências.

"Escute aqui, madame. O negócio é simples: você me paga e vai embora. Se não tem dinheiro, aceito que me pague com esse anel ou com seus serviços, isso se você for realmente boa. Se não, chamo a polícia e você vai presa, entendeu?"

"Do que está falando? Não vou lhe dar meu anel e nem me deitar com você. Você é louco!"

"Vai se fazer de moça de família comigo? Você estava bem entusiasmada quando chegou ontem à noite."

O ódio tomou proporções gigantescas em Hellen. Como se já não bastasse tudo que estava acontecendo, teria que ceder sexualmente para aquele homem que, desconfiava ela, chamaria a polícia de qualquer maneira. E mesmo para ela, que não possuía qualquer inibição sexual, aquele homem barrigudo e com péssimos hábitos de higiene não a atraía nem um pouco. Entregar o anel estava fora de cogitação. Afinal, valia uma fortuna, pensava ela.

Quando o homem terminou de falar, saiu de trás do balcão e a agarrou pelos cabelos, segurando um de seus braços e arrastando-a para onde ele estava. Numa situação extremamente complicada, ela tentava lutar e, ao mesmo tempo, não deixar que o lençol se soltasse de seu corpo. Apesar do aspecto seboso e da barriga avantajada, ele era muito forte.

De súbito, o homem arrancou o lençol bruscamente, deixando-a nua. Apertou-a de frente para o balcão e se posicionou atrás dela, segurando seus pulsos com uma mão e abrindo as calças com a outra.

Hellen gritava e se debatia sem parar, quando um policial passou pela porta. Bateu o cacetete no batente, chamando a atenção do homem.

"Ei, Robin, já avisei que não posso fazer vista grossa a sexo em locais públicos. Sei que a região não é exatamente um bairro puritano, mas temos que manter as aparências."

"É a última vez, eu garanto. E depois, você pode tirar uma casquinha desta também." - O homem continuava lutando contra suas calças, tentando abri-las.

"Sinto muito. Solte-a e vamos para a delegacia, agora."

Robin ainda deu uma última olhada em Hellen, não acreditando em como sua sorte havia mudado em tão pouco tempo. Soltou-a com um empurrão que a fez cair e tirou um maço de notas sujas e amassadas do bolso.

"Tenho muito trabalho por aqui. Aí está o da minha fiança já que não poderei acompanhá-lo. Pode levar essa aí, ela nem é tão boa quanto parecia."

Hellen embrulhou-se rapidamente no lençol.

"Seu porco." – ela cuspiu no homem e foi puxada pelo policial. Finalmente resolveu acalmar-se. Tinha esperança de que, agora, com a polícia, seus problemas estariam resolvidos.

Do outro lado da rua, lorde Harold terminava de fumar um charuto, enquanto observava a cena. Jogou a bituca no chão e a esmagou com o pé, apagando-a. Deu as costas e saiu ao ver o policial arrastando-a pelo braço.

"Missão cumprida, senhor Mayfair." – sussurrou.


De natureza festiva, sempre que podia, Avalon arranjava uma desculpa para reunir seus habitantes, comer, beber e dançar. Ainda mais com visitantes que eram raros por lá. Ao final da tarde, após um dia inteiro de trabalho duro se juntaram em volta dos músicos e de seus instrumentos.

Tanto Arthur quanto George convidaram Abigail para dançar e ela de bom grado aceitou o convite, assim como a, animada, protetora também dançou bastante com um dos mais antigos avatares da aldeia.

"Ora, ora, ora." – Marguerite cutucou Verônica, que riu - "Sua mãe não tem nada de boba."

Malone se aproximou, indo até Marguerite.

"Quer dançar?"

"Eu?!?!"

"Você. Verônica não vai ficar enciumada... vai?"

"Não. Mesmo porque também pretendo arrumar um par."

Animada, a loira correu para o outro lado puxando o caçador pela mão.

"Venha, Roxton."

"Bebeu um pouco a mais, minha amiga?"

"Só alguns goles... mas perdi meu parceiro, então é você que vai dançar comigo."

Ele não recusou, até porque a futura protetora não lhe dera tempo para isso. Apesar de não ser boa dançarina, Verônica era entusiasmada e estavam se divertindo. Uma música atrás da outra.

John sentiu alguém lhe cutucar o ombro e virou-se.

"Pode devolver minha noiva, Roxton?" – Malone nem esperou a resposta para puxar Verônica. Quando percebeu, o caçador já estava com Marguerite em seus braços e conduzindo-a pela pista de dança. E nenhum dos dois parecia fazer questão de parar.

Apesar da música rápida, abraçados, Ned e Verônica se movimentavam lentamente.

"Eles continuam dançando juntos?" – ela perguntou.

"Sim. E estão se divertindo... Acho."

"Que bom." – a loira apoiou a cabeça no ombro do noivo.

"E também parece que um de nós dois bebeu um pouco além da conta. E não fui eu." – constatou o jornalista.

"Eu confesso. Mas estou ótima." – aninhou-se ainda mais ao peito dele.


"Lembra quando você tentou me ensinar a dançar?" – Roxton foi o primeiro a falar.

"E você me enganou dizendo que não sabia. Aquilo foi golpe baixo." - Ela respondeu com um sorriso, ofegante pela dança animada.

"Claro que não. Apenas queria testar suas qualidades de professora."

"E o que você achou?"

"Não posso negar. Você é muito boa."

"Obrigada."

"Quer continuar a dança?"

"Por que não? Ao contrário de Malone, você é bom dançarino."

"Verônica também não é lá essas coisas. Por isso eles combinam."

Os dois gargalharam e continuaram a se divertir.


Somente após muita, muita insistência de Hellen e diversas tentativas de seduzi-lo, o delegado finalmente ligou para a casa da mulher. O homem entrou em desespero quando percebeu que a história dela era verdadeira e, a essa altura, só lhe restava pedir aos céus que a mãe da jovem não prejudicasse sua carreira.

Em uma sala separada, Hellen aguardava. Ao entrar, Charlotte trancou a porta atrás de si e jogou sobre a filha uma bolsa com roupas.

"Hellen, você perdeu o juízo de vez?! Nua em um hotelzinho de quinta, ligada à prostituição, e presa por atentado violento ao pudor? Como uma rameira? Meu Deus, quanta humilhação! O que eu fiz para merecer tudo isso, o que?!" - a mulher estava tomada de raiva e encarava firmemente a ruiva a sua frente.

"Cale a boca, mamãe." - Hellen respondeu com frieza enquanto se vestia - "Já estou irritada o suficiente para ainda tê-la como uma histérica gritando em meus ouvidos. Uma vez na vida seja útil e vá lá fora subornar o delegado para que o assunto morra por aqui."

Após pouco menos de uma hora, Hellen e Charlotte saíram da delegacia e entraram no carro de praça. Imediatamente a ruiva deu um endereço.

"Não vamos para casa?" – protestou a mãe.

"Ainda não."

Em silêncio, percorreram os quilômetros que as separavam da rica propriedade. O carro mal tinha parado e Hellen já saltava. Estava furiosa. Esmurrou a porta, sendo atendida por uma moça trajando um uniforme. Empurrou-a e adentrou na sala vazia.

"HAROLD!!! SEU MISERÁVEL!!! APAREÇA!!!

Percorreu os cômodos. Os poucos móveis que ainda existiam ali estavam cobertos com panos brancos. Finalmente, a moça que a seguia conseguiu falar.

"Lorde Harold partiu ontem à noite. Não sei quando volta."

Hellen saiu da casa e, irada, entrou no carro.

"Não diga uma palavra." – alertou olhando para Charlotte.

No dia seguinte, quando Hellen tinha certeza de que o pesadelo já havia sido esquecido, sua mãe a acordou ainda mais colérica do que antes, afastando as cortinas de uma vez para iluminar o quarto e mostrando-lhe um jornal onde ela leu, na coluna de fofocas da sociedade, a seguinte nota: "Hellen Mayfair envolvida em situação nada discreta."

A ruiva tomou o jornal com fúria e leu rapidamente o que dizia, rasgando-o, em seguida, histérica, enquanto gritava descontrolada.

"Harold, maldito!!! Você é um homem morto!!! Seja lá onde estiver."

A propósito, lorde Harold, após receber o dinheiro prometido por Leon Mayfair, tomou um avião (*) rumo à Paris, e de lá partiu sem destino exato ou previsão de regresso, segundo informantes que não quiseram se identificar.


Os festejos prometiam virar a noite. Os moradores de Avalon sabiam ser incansáveis, sem perder o entusiasmo. A todo momento não paravam de chegar bebidas artesanais, pães, legumes, assim como carne assada, eram servidos com generosidade, além de diversos outros petiscos típicos da cidade.

Cansados, Challenger e Summerlee foram os primeiros a se retirar deixando Abigail conversando alegremente com o avatar.

Roxton e Marguerite ainda dançaram por algum tempo, conversando sobre assuntos sem importância, de maneira descontraída. Nenhum dos dois se atreveu a falar sobre o beijo da noite anterior e pareciam se sentir bem com isso.

Já muito tarde, após alguns goles de suco energizante foi a vez de Roxton pedir licença e se retirar. Ele caminhava sozinho pelas ruas de Avalon, de volta à sua cabana, quando uma voz o chamou.

"Roxton? Espere. Preciso lhe perguntar uma coisa." – Marguerite veio andando depressa para diminuir a distância entre eles.

"O que é?" - ele cruzou os braços, esperando que ela se aproximasse.

"Quer se casar comigo?" - perguntou naturalmente.

O caçador ficou estático. Após alguns segundos ele falou.

"Você está brincando, não é?"

"Não. E, caso tenha tido problemas em entender o que eu disse, vou repetir pausadamente." – ela o olhava atentamente - "Quer se casar comigo?"

Roxton estava tentando se recompor. Deu uma risada. Só podia ser alguma brincadeira dela. Finalmente respirou fundo ao ver que ela falava sério e aguardava uma resposta.

"Sabe cozinhar, Marguerite?" – disse muito circunspecto.

"Nem um pouco. Você bem sabe que minhas tentativas foram um desastre."

"Sabe limpar e organizar uma casa?"

"Odeio faxina."

"Vai fazer tudo o que eu quiser, sem discutir?"

"De jeito nenhum."

"Será dócil, obediente e calma?"

"Claro que não."

"Cuidará bem do seu marido?"

"Talvez sim, talvez não. Depende do que é 'cuidar bem' para você. Teria coragem suficiente para arriscar?"

John a enlaçou pela cintura, puxando-a bem para perto. Seus rostos quase se tocando.

"Eu adoro viver perigosamente." – ele a beijou profundamente e ambos se entregaram sem reservas.

"Isto é um sim?" – perguntou ela.

"Adivinhe." – ele a pegou nos braços, levando-a para a cabana.

*****

Harold e Anne receberam Elizabeth e Laureana Roxton em sua propriedade.

Foi uma longa conversa e a cada palavra das visitantes, o casal se mostrava mais interessado. Ao final, Leon perguntou.

"Então podemos contar com vocês?"

Lara pegou a mão da tia dando-lhe um sorriso confiante.

"Sem nenhuma dúvida."


CONTINUA ... o último capítulo vem aí... SNIF! SNIF! SNIF!

Nós alimentamos o vício de vocês e vocês alimentam o nosso... portanto...

REVIEW!!! REVIEW!!! REVIEW!!!

(*) O transporte comercial britânico começou com a rota Londres-Paris em 25 de Agosto de 1919, o que foi o primeiro vôo regular internacional. A companhia durante este período foi a Imperial Airways.


E agora mais um inesquecível bonus... Extras do DVD.

John a enlaçou pela cintura, puxando-a bem para perto. Seus rostos quase se tocando.

"Eu adoro viver perigosamente." – ele a beijou profundamente e ambos se entregaram sem reservas.

"Isto é um sim?" – perguntou ela.

"Adivinhe." – ele a pegou nos braços, levando-a para a cabana.

O caçador chutou a porta que se abriu. Colocou Marguerite no chão. Ela olhou em volta.

"Roxton, que zona é essa?" – o lugar estava totalmente zoneado. Latas de cerveja (não diremos a marca porque não fechamos patrocínio) espalhadas pelo chão, meias penduradas no lustre, cueca jogada no sofá, batatinhas chips no tapete.

"E você ainda não viu a cozinha... vem cá." – ele a puxou até o outro cômodo. Os olhos da herdeira quase saíram das órbitas quando viu. Parecia não haver nenhum talher, nenhum prato, nenhuma panela, limpos. E comida espalhada por toda parte.

O agora noivo da morena deu um sorriso carinhoso.

"Tem detergente, sabão em pó, creolina, vassoura e rodo. Pode começar a limpar. Nossa casinha vai ficar um brinco."

"Está maluco?... espera que eu limpe esse lixo?"

"Exato... agora não precisarei mais gastar com diarista. Se bem que faz tempo que não contrato uma... sabe como é... muito caro."

"E você aceitou se casar só pra que eu fizesse a faxina?"

"Claro que não, docinho... você faz faxina de dia e acasalamos a noite toda... isto é, em dias que não tiver passando jogo na TV... e estou programando reunir uns amigos durante a copa do mundo. Poucos... só uns doze."

"Chega!!!" - ela correu para a porta – "Nosso noivado está acabado." – bateu a porta atrás de si.

"Marguerite, espere!!!" – desconsolado, Roxton coçou a cabeça – "Puxa, ela nem me deixou mostrar o banheiro."