Capítulo 8

Incrivelmente, em vista de sua tristeza, Isabella devia ter adormecido, porque a próxima coisa da qual teve consciência foi do táxi parando e da voz de Edward dizendo que estavam de volta ao hotel.

– Vamos, dorminhoca. – A voz dele era doce, enquanto ele a ajudava a sair do carro. – Que tal vestir algo mais confortável quando chegarmos ao quarto? Talvez tomar um banho quente primeiro? O serviço de quarto vai demorar um pouco depois que fizermos o pedido. Terá tempo suficiente.

Ela olhou para ele ao entrarem no saguão, sabendo que mancava mais acentuadamente esta noite, porém incapaz de fazer algo a respeito.

– Acho que vou direto para o meu quarto – disse ela com firmeza. – E não estou com fome. Se não se importa, vou pular o jantar.

– Com fome ou não, você precisa comer.

– Não, Edward. Eu não preciso. Já disse... vou direto para a cama.

Eles entraram no elevador e, assim que a porta fechou, ele a encarou na pequena caixa acarpetada, sua voz perigosamente macia.

– O jantar é obrigatório, Bella. A menos que queira que eu escolha por você, sugiro que dê uma olhada no cardápio.

– Pelo amor de Deus. – Verdadeiramente exasperada, ela o encarou. – O que vai fazer? Alimentar-me à força?

– Se for necessário. – Ele assentiu.

Ela percebeu que ele não estava brincando.

– Eu não sou uma criança, Edward.

– Então não aja como uma. Esteve seriamente doente e ainda está se recuperando. Precisa de boa comida. E de grande quantidade.

Aquilo era ridículo.

– Acho que eu sou capaz de saber quando estou com fome, muito obrigada – retrucou ela amargamente.

Edward levantou as sobrancelhas enquanto um sorriso apontava em sua boca sexy. A ação foi bem mais eficiente do que as palavras. Ele tinha de ser tão irritantemente machista? pensou Isabella. E tão seguro de que estava sempre certo?

Ela deu-lhe um olhar que esperava ser dominador, antes de encarar a porta do elevador como se fosse a coisa mais interessante do planeta, sabendo que era inútil discutir. Todavia, estava determinada a não ceder quando eles abriram a porta para suas suítes. Se Edward estava certo ou errado, não importava. Era a atitude autoritária dele que a deixava irritada.

As luzes da árvore de Natal e as lâmpadas que Edward havia deixado acesas tornavam a saleta de estar perigosamente aconchegante enquanto eles tiravam seus casacos... um lar miniatura de seu lar. Edward atirou o paletó numa cadeira, afrouxando a gravata borboleta e abrindo os botões de cima da camisa enquanto se dirigia à mesa de centro, onde estava o cardápio do serviço de quarto.

– Agora – murmurou ele calmamente – acho que vou pedir a carne. E você? O pavê de framboesa e limão parece ótimo. Estou faminto.

Isabella afundou em um dos sofás. Jamais admitiria para uma alma viva que sua boca encheu de água enquanto ele falava.

– Comi carne no almoço – disse ela secamente.

– Que tal salmão assado com erva-doce e beterraba? – Sugeriu Edward amavelmente. – É uma alternativa leve. Perfeita para aguçar o apetite.

Ela deu de ombros, sabendo que estava agindo como a criança que ele a havia acusado de ser, mas sem saber como se proteger da tentação que ele apresentara. Ele parecia mais rígido e sexy do que qualquer homem tinha o direito de parecer, e o ar despreocupado e a falta de agressividade não a enganavam nem um pouco.

– Acho que vou tomar um banho. – Isabella falou, enquanto Edward pegava o telefone, e saiu da sala sem esperar pela resposta.

Fechou a porta do quarto e apoiou o corpo contra a mesma, imaginando, pela centésima vez, como se colocara nessa situação.

– É só por uma noite – sussurrou ela. Nada mudou realmente. Seus planos não haviam sido alterados e Edward não podia mantê-la casada com ele à força, quando tudo estivesse dito e feito. Ela precisava apenas se manter firme, e, a essa hora amanhã, poderia estar em outro lugar... qualquer lugar. Endireitando o corpo, Isabella suspirou.

Gostaria de estar a quilômetros de distância de Edward e, no entanto, desejava estar onde podia vê-lo, tocá-lo e observá-lo a cada minuto. Quanta incoerência. E não podia deixá-lo perceber o que ela estava sentindo. Ela não era o par perfeito para ele no melhor dos tempos, e a incrível inteligência e sentidos apurados de Edward, atributos que o fizeram subir como um meteoro no mundo que ele habitava, ficavam ainda mais aguçados quando concentrados em um problema que ele precisava resolver. E neste momento, ela não tinha dúvidas que era desta maneira que ele enxergava a situação. Ele nem mesmo começara a aceitar o final do casamento, portanto ela precisava permanecer forte e concentrada.

Isabella não demorou no banho, secou-se e vestiu pijama com o roupão atoalhado para proteção adicional. Não ouvira nem um som do lado de fora, mas ao abrir a porta, ouviu canções de Natal. Um concerto tocava a todo o vapor na televisão, um coro de meninos cantando "Noite Feliz" em um tom tão puro que era comovente.

Edward estava esparramado num dos sofás, as longas pernas esticadas à frente, com um copo de conhaque na mão. Estava fascinantemente sexy, e a boca de Isabella secou diante da visão. Os olhos verdes se abriram quando ela entrou, e ele se endireitou levemente, apontando para a bebida em sua mão.

– Quer um?

Ela balançou a cabeça.

– Eu já bebi mais que o suficiente hoje. Obrigada. Não bebo álcool há três meses, não se esqueça.

– Eu não esqueci um segundo dos últimos três meses. Acredite. O tempo está gravado na minha memória para sempre. Inferno puro.

Ele se movera no sofá para que ela se sentasse, mas Isabella ocupou o sofá oposto propositadamente, fingindo interesse na catedral onde o concerto estava sendo filmado.

– É muito bonito – comentou ela calmamente. – há uma qualidade atemporal em alguns lugares, não é?

– Por que você me excluiu de sua vida tão completamente? – A voz não era acusadora, na verdade, o tom era de conversa, e, por um momento, ela não registrou as palavras. – Eu realmente gostaria de saber.

– Edward, por favor, não comece com isso de novo. Não é bom.

– Para uma criatura tão delicada e gentil, você pode ser muito dura quando quer – murmurou ele pensativamente.

Ela o encarou, magoada.

– Eu não sou dura.

– Não com o resto do mundo. Apenas comigo. Por quê? O que a faz acreditar que meus machucados não sangram? Que não sinto como as outras pessoas?

Ela deu um profundo suspiro.

– Sei que os últimos meses foram difíceis para você também. Mas isso não faz diferença nenhuma agora.

– Culpa-me por eu não ter estado com você quando aconteceu? – Perguntou ele. – É totalmente compreensível. Eu me culpo. Eu poderia... Deveria... Ter impedido. Decepcionei você, e isso é imperdoável.

Mais que chocada, ela o olhou.

– É claro que eu não o culpo. Como poderia?

– Facilmente – replicou Edward, inclinando-se para a frente. – Nós deveríamos ter almoçados juntos naquele dia. Eu estaria com você se não fosse pelo problema que apareceu. Se não tivesse cancelado, colocado uma maldita reunião de negócios à frente de minha esposa...

– Pare com isso Edward – sussurrou ela horrorizada. – O acidente não teve nada a ver com você. Fui eu. Por um breve momento, não pensei. Simples assim. Provavelmente milhões de pessoas têm lapsos de concentração momentâneos todos os dias. Eu apenas estava no lugar errado e na hora errada quando tive o meu. Não foi culpa sua.

Ela havia esquecido que eles deveriam ter se encontrado em um bistrô naquele dia, antes que Edward ligasse e se desculpasse; o trauma do acidente e dos dias seguintes de inconsciência tendo apagado o detalhe de sua mente. Mas mesmo que tivesse lembrado, ela jamais imaginaria que ele se culpasse pelo acontecido. Edward era muito racional. Ela não podia acreditar que ele estivera se condenando todo esse tempo. A culpa fora somente dela.

Ele se levantou, balançando a cabeça.

– Não vejo desta maneira, mas não vamos discutir. Não a deixarei partir, Bella. Não depois de quase tê-la perdido, três meses atrás.

Olhar para ele e dizer a dolorosa verdade era a coisa mais difícil que ela já fizera na vida:

– Você não tem escolha. É preciso duas pessoas para uma parceria, e não posso mais fazer isso. Eu preciso – ela pausou sabendo que sua voz estava tremendo, mas incapaz de esconder tal tremor –, eu quero o divórcio, Edward. Nossas vidas estão prontas para seguir caminhos diferentes agora. Com certeza, enxerga isso tão bem quanto eu. Não podemos voltar ao modo como as coisas eram. Acabou.

Pequena palavra que cortou como uma faca toda a intimidade que eles haviam compartilhado; os bons tempos, as risadas e o prazer. Ela viu o rosto dele se tornar rígido, apesar de Edward tentar esconder qualquer emoção.

– E o que eu quero e sinto não conta?

Isabella apertou as mãos inconscientemente, lutando pela compostura.

– Estou fazendo isso por você também...

– Não vem com essa. – Ele não gritou, mas o tom da voz fez com que ela não terminasse a frase. – Essa é uma escapada fácil e você sabe disso. Não me perguntou nenhuma vez hoje o que quero ou como estou me sentindo. Não houve discussão, conciliação, nada.

Isabella entendia porque ele se sentia assim, mas como poderia explicar que era pura sobrevivência que a movia? Ela sempre se sentira incapaz de acompanhar o mundo de Edward, mas antes do acidente, sabia que era extraordinária em uma coisa... sua dança. A dança fora a base de quem ela era. Agora, aquela base se fora, esmagada por um caminhão de dez toneladas.

A dor em seu estômago não tinha nada a ver com o acidente e tudo a ver com deixar Edward repentinamente contraído. Sem escolher as palavras, ela sussurrou:

– Quando eu era criança, estava sempre olhando de fora. Não era convidada para festas. Ninguém na escola me chamava para brincar ou ir ao parque nos finais de semana. É claro que agora sei que era porque minha avó não me deixava ter amigos e não era amável com as outras mães, mas, na época, achava que o problema era meu. Que as garotas não gostavam de mim... achavam-me estranha porque eu não tinha mãe e pai como elas. Então descobri que quando eu dançava, o resto do mundo não importava. Eu me perdia. Não era mais eu. E minha avó me encorajava, sabendo o quanto significava para mim.

– Estragando você com bastante eficiência em todas as outras maneiras.

Espantada com a amargura e o ultraje na voz dele, Isabella balançou a cabeça rapidamente.

– Não. Ela fez o melhor que pôde. O mesmo que todos nós fazemos, suponho. Ela não precisava ter me recolhido, poderia ter me enviado para um orfanato, mas não fez. E minha avó fora muito ferida. Acho que amava muito meu avô e, com certeza, nunca o esqueceu. A maneira de ela lidar com isso foi escondendo a dor atrás da fachada de durona. E também havia perdido a filha... minha mãe.

– Você está inventando desculpas para ela. Sempre inventa – disse ele, a dureza na voz tendo desaparecido.

– Estou tentando explicar. – O inexplicável. E abrir-se desta maneira a aterrorizava. Mas Edward merecia ao menos isso.

– Bella, você é mais que uma dançarina. Sempre foi mais que uma dançarina. – Ele estava agora agachado a sua frente, a calça esticada agarrando-se às coxas musculosas.

A temperatura no quarto aumentou dez graus e todo pensamento coerente escapou da mente de Isabella. Ela o encarou, sabendo que ele iria beijá-la e querendo isso mais do que quisera qualquer coisa na vida.

A batida educada à porta, seguida da voz masculina anunciando o serviço de quarto, foi um choque. Edward reagiu primeiro, levantando-se enquanto ela fazia um esforço heroico para se recompor.

O homem entrou empurrando o carrinho, arrumou a mesa no canto com talheres e guardanapos, e acendeu as velas do candelabro que havia levado.

– Gostaria que eu servisse, senhor? – Ofereceu o homem depois de abrir a garrafa de vinho.

Edward deu uma olhada para Isabella, ainda sentada no sofá.

– Não é necessário. Obrigado e feliz Natal.

Ele deu uma gorjeta ao garçom, que saiu alegremente. Isabella levantou-se, e Edward puxou uma cadeira e colocou o guardanapo no colo dela, quando ela sentou.

– Posso servir o primeiro prato, senhora?

Ele levantou a tampa das duas delicadas tigelas, revelando uma cremosa sopa que parecia divina.

– Eu não pedi isso. – Isabella olhou para ele.

– Pensei em fazer tudo direito. – Ele colocou um pãozinho fresco num prato ao lado da sopa dela. – Coma – ordenou gentilmente.

A sopa estava deliciosa, assim como o salmão. Edward conversou com os assuntos banais, o que fez Isabella relaxar, provocando-a um pouco e fazendo-a rir.

Embalada pelo ar despreocupado de Edward, a comida leve, porém satisfatória, e o vinho que sorveu quase que inconscientemente, Isabella viu-se pairando em uma nuvem de bem-estar. Sentia-se calma e pacífica por dentro, percebeu com um pequeno choque de consciência. Pela primeira vez em meses. Era uma sensação muito estranha.

Quando Edward trouxe a sobremesa, Isabella estava certa de que não conseguiria comer mais nada, mas o bolo de creme de limão coberto de framboesas era o final perfeito para a refeição, e ela comeu cada pedaço. Satisfeita, bebeu o resto de seu vinho, e quando Edward a puxou para sentar no sofá ao seu lado, ela não protestou.

– É meia-noite – murmurou ele com voz macia. – Feliz Natal, querida.

Querida. Ele não deveria chamá-la de querida, pensou ela, mas depois colocou o motivo de lado, sem querer que nada se intrometesse no momento. Observou-o enfiar a mão no bolso e retirar um pequeno embrulho que entregou a ela, beijando-a com leveza.

– O que é?

– Abra.

– Edward, eu não queria nada...

– Psiu. – A boca dele foi mais insistente, e, desta vez, o beijo fez com que o corpo todo de Isabella tremesse.

– Abra – repetiu ele com voz rouca.

O anel de eternidade era extraordinário: diamantes brilhantes e esmeraldas cravejadas numa delicada aliança de ouro branco. Quando Edward deslizou-o no seu dedo, o anel se acomodou perfeitamente entre seus anéis de casamento e noivado. Isabella estudou as pedras brilhantes, a angústia brigando com outras emoções que ela nem conseguia nomear. Pressionou as palmas das mãos contra os olhos, odiando-se pelo que estava fazendo com ele.

Edward retirou gentilmente seus dedos da frente dos olhos, segurando-lhe os pulsos. Isabella encontrou-lhe o olhar, percebendo, mortificada, que ele envelhecera nos últimos três meses. O tempo estava gravado nas feições dele, como acontecia quando alguém sofria uma perda insuportável. Ele a deixara partir inconscientemente? Será que, no fundo, Edward já sabia que o que eles haviam tido acabara? Conhecendo Edward como ela conhecia, ele teria lutado contra esse sentimento. Teria sentido que a estava decepcionando.

– Eu a amo – declarou ele simplesmente. – É tudo que isso significa. Sempre amarei. O sentimento não é opcional. Não é algo que eu consiga ligar e desligar. Quando você entrou na minha vida, eu achava que estava indo bem, que era autônomo, despreocupado... chame do que quiser. Sua chegada foi inesperada e não solicitada. Eu não estava procurando um relacionamento "para sempre". Acho que nem entendia esse conceito até que você apareceu naquele palco e dançou seu caminho até o meu coração.

Um nó se formou na garganta de Isabella.

– Eu não posso mais dançar.

– Mas está aqui. É tudo que importa. – Ele baixou a cabeça até que seus lábios estivessem a milímetros de distância. – Você precisa acreditar, Bella, porque não sei como convencê-la, exceto dizendo e mostrando o quanto eu a amo.

Ela aceitou o beijo com um leve suspiro e tombou contra ele, precisando da força, da masculinidade e da virilidade. Qualidades das quais sentira tanta falta. Edward beijou-lhe os olhos, fechando-os, como se soubesse que ela precisava bloquear tudo, menos a sensação e o gosto dele de sua mente. Isabella viu-se numa escuridão aveludada, feita inteiramente do que o corpo de Edward lhe causava, seu desejo crescendo, enquanto ele aprofundava o beijo, até que a realidade de seu toque, gosto e cheiro se tornassem irresistíveis, um fogo que queimava tudo em seu caminho. Ela o queria. Dolorosamente.

Ele ergueu-a nos braços e a carregou em direção ao quarto. Atravessou a porta com o cuidado de quem estava carregando porcelana chinesa e adentrou o quarto iluminado apenas pelo abajur lateral que havia deixado aceso.

Isabella ficou tensa quando ele a deitou na cama, mas ele estava ao seu lado instantaneamente, envolvendo-a em seus braços num gesto tranquilizador e confortante. Não havia força nem urgência no carinho dos pequenos beijos em seus lábios, que davam prazer sem exigir resposta.

Os seios de Isabella estavam pressionados contra o peito largo, e Edward começou a lhe acariciar as costas sensualmente, enquanto movia a boca por todo seu rosto. Aos poucos, ela relaxou de novo, correspondendo ao beijo quando a boca de Edward tomou a sua, outra vez, enquanto as mãos habilidosas evocavam o desejo ardente do qual ela se lembrava do passado.

Isabella mal percebeu quando ele retirou seu roupão, depois removeu a blusa do pijama, acariciando a pele sedosa de seu pescoço e ombros, antes de beijar-lhe os seios, um por um. Ela gemeu quando a boca de Edward agarrou seu mamilo, e agora, suas mãos moviam-se fervorosamente pela pele dele, removendo-lhe a camisa para que pudesse correr seus dedos pelos músculos que acompanhavam os movimentos masculinos.

Isabella provocou-lhe os mamilos com a boca, os quais enrijeceram ao seu toque. Ela sentiu um leve gosto salgado na pele de Edward, o cheiro do limão do sabonete que ele usava misturado com um aroma mais terroso. Ela lhe dissera, nos primeiros dias do casamento, que ele era bonito, e Edward rira, respondendo que apenas mulheres eram belas. Mas ele estava errado. Ele era bonito, seu corpo perfeito como os das estátuas gregas do Olimpo.

– Eu senti falta disso – murmurou ele com voz rouca. – Não necessariamente do sexo, mas de poder abraçá-la, de saber que você está aqui, que tenho apenas de estender a mão para alcançá-la.

Ela sabia o que ele queria dizer. Havia coisas mais íntimas que o ato sexual... pequenas ações entre um casal que falavam sobre a relação, sobre compartilhar, sobre o compromisso.

– Mas saiba que o sexo é ótimo – adicionou ele num suspiro rouco, enquanto as mãos dela alcançaram a ereção viril.

– Eu não estou defendendo o celibato.

As sombras escuras deram a Isabella confiança para acompanhar o que estava acontecendo, e quando ele removeu a calça do pijama dela e o resto de suas próprias roupas, ela o puxou para cima de si. Não estava se permitindo pensar. Se pensasse, sua consciência a forçaria a parar tudo, mesmo aquilo sendo injusto com ele, porque esta noite não mudaria nada. Então ela não pensou. Apenas sentiu, tocou e saboreou.

Agora que ele estava nu, ela acariciou novamente a ereção, sabendo que lhe causava uma dor prazerosa, enquanto ele gemia e agarrava sua cintura.

– Vamos fazer isso com calma. Esperamos demais para apressar as coisas, mas eu sou humano, Bella.

Os olhos verdes brilhavam como os de um animal no escuro. Isabella ergueu os braços e segurou-lhe o rosto nas mãos. A barba despontando dava à pele uma textura arenosa, que contrastava com uma mecha de cabelos caindo na testa e o fazendo parecer quase infantil.

– Esta noite é apenas sobre eu e você – sussurrou ela. – Sem passado ou futuro, apenas o presente. Quero fazer amor com você. Quero senti-lo dentro de mim de novo, Edward.

– Não tanto quanto eu quero estar lá. – Ele a beijou novamente, mas quando ela tentou guiá-lo para seu interior, Edward afastou sua mão.

– Mais tarde – murmurou ele. – Temos todo o tempo do mundo.

Ele começou a tocar e provar cada parte do corpo dela, provocando-a com uma sensualidade lenta que a deixou ofegante e enlouquecida de desejo. Sua pele estava sensibilizada, seu centro feminino pulsava, enquanto ela se contorcia sob a boca e as mãos dele.

O ato de amor foi tão bom como sempre e os sentimentos foram os mesmos, porém diferentes. Antes, Isabella imaginava que eles sabiam tudo que havia para saber sobre o outro. Agora, sentia como se não conhecesse a si própria, que dirá Edward. Mas de uma coisa tinha certeza. Ela o queria porque o amava. Sempre o amaria. Sabia disso agora. Era parte do que a aterrorizara depois do acidente. Talvez, no fundo, aquilo sempre a tivesse aterrorizado. O amor dava tanto poder ao amante, tanto controle. Havia destruído sua avó e provavelmente sua mãe, e a destruiria, se ela deixasse acontecer.

Então, toda a razão ficou nublada novamente, e o desejo tomou conta... um desejo que apenas Edward poderia satisfazer. Ele se moveu e ela sentiu a ponta da masculinidade e o volume entre suas pernas. Segundos depois, ele penetrou apenas um milímetro do membro viril, fazendo com que as pernas dela o envolvessem, trazendo-o mais para perto enquanto ela arqueava os quadris.

Os lábios de Edward encontraram os seus mais uma vez, antes que ele a preenchesse completamente, causando-lhe uma sensação de puro deleite. Ele esperou enquanto seu corpo se ajustava à invasão rígida, e então começou a investir com força, construindo a excitação compartilhada enquanto o prazer se tornava quase insuportável.

Quando o momento do clímax veio, Isabella pensou que se partiria em mil pedaços, seus músculos contraídos tão violentamente que Edward atingiu seu êxtase um segundo depois, o corpo forte tremendo, enquanto ele murmurava o nome dela. E quando o pulsar de suas peles se aquietou, ele tombou por cima de Isabella, enterrando o rosto na curva do seu pescoço e murmurando o nome dela mais uma vez.

Pouco depois, Edward se apoiou sobre o cotovelo, estudou-a e falou preguiçosamente:

– Uau. Se for isso que um pouco de abstinência faz, não é nada mal. – Ele afastou-lhe uma mecha de cabelos do rosto. – Você é demais, mulher.

– Você também não é nada mal. – Ela conseguiu dizer com normalidade, agradecida que ele estivesse tão relaxado e com o coração tão leve. Ela não teria conseguido mais lidar com a busca por motivos neste momento. Uma parte sua sabia que Edward veria este ato de amor como uma maneira de acertar as coisas entre eles, mas ela lidaria com isso quando precisasse.

Ele puxou o acolchoado sobre eles, abraçando-a.

– Como até mesmo um quarto de hotel pode se tornar um lar quando estamos com a pessoa amada, quando nossa casa era apenas tijolos sem você lá? Isso me fez perceber que eu poderia viver numa cabana e ser perfeitamente feliz, se você estivesse lá.

Isabella forçou uma risada.

– Não consigo ver você numa cabana... não a menos que tivesse acesso à internet e facilidades suficientes para mantê-lo ocupado.

Houve um momento de silêncio antes que Edward erguesse o queixo dela para que pudesse encontrar seu olhar.

– É mesmo? Se alguém que não me conhece ouvisse isso imaginaria que sou um controlador.

Ela nunca soubera quando ele estava brincando, e não sabia agora. Estudou-o por longos segundos antes de perceber a piscada de Edward.

– Oh, você – murmurou ela fracamente, aconchegando-se a ele.

– Na verdade, você não me entendeu direito. Como eu já disse antes, meu trabalho não me controla. Nunca controlou. Faço o que faço porque gosto e porque tem me satisfeito. Algumas vezes sou pego por uma situação e coloco muito esforço nela por pouca recompensa, mas não é sempre. Outras vezes, cometi enganos. Como quando cancelei certo almoço romântico por causa de uma crise que pensei que só eu pudesse resolver. O maior erro da minha vida.

Ele pausou, a voz tornando-se irônica.

– Talvez tenha havido um momento controlador ali, afinal de contas, mas não há mais.

Um leopardo não podia mudar suas pintas, por que Edward deveria mudar? Isabella sabia onde estava se metendo quando se casara com ele. Mas as coisas eram diferentes na época. Ela era diferente. E não podia voltar ao que era.

De repente, todas as razões pelas quais era loucura dormir com ele voltaram, pânico a inundando quando ela percebeu o que tinha feito. Não notou que ficara tensa ou mudara de posição, mas devia tê-lo feito, porque a voz de Edward foi profunda quando ele disse:

– Qual é o problema? Você está retraída de novo.

Ela saiu do abraço e colocou os pés para fora da cama.

– Não seja tolo. Preciso ir ao banheiro. – Ela procurou seu pijama, mas as roupas jogadas no chão pareciam todas iguais nas sombras. A ideia de atravessar o quarto nua era impensável. E se ele acendesse as luzes ou a seguisse? Mas ela não poderia ficar sentada ali a noite toda. Os pensamentos fluíam com o terror. E se começasse a procurar o pijama pareceria ridícula.

– Bella? – Ele tocou-lhe as costas. – Eu disse alguma coisa? Estava tentando ser honesto.

– Está tudo bem. – A voz de Isabella soou frágil. Sabendo que precisava fazer alguma coisa, e rápido, ela levantou e praticamente correu para o banheiro, fechando a porta e vestindo o roupão que estava ali. Amarrou a faixa na cintura e fechou os olhos, aliviada. Estava salva. Ele não a vira.

Ela sabia que Edward a seguiria. Quando ouviu a batida à porta, abriu os olhos.

– Bella? Você está bem?

Ela apertou ainda mais a faixa.

– Sim, estou bem.

– Não acredito.

– Estou bem. Eu juro. Só preciso de um minuto. Já vou sair.

Houve uma pausa, e ela quase pôde ouvir a mente dele trabalhando. A voz profunda soou do outro lado da porta:

– Vou pegar uma bebida para nós. O que quer? Vinho? Suco? Café, chá? Há muita coisa na geladeira, assim como bebidas quentes.

– Café está ótimo. Obrigada.

– Não demore. Já estou com saudades.

Isabella esperou até ter certeza de que ele saíra, então acendeu a luz e olhou para seu reflexo no espelho. Uma mulher de olhos grandes e rosto pálido que ela mal reconheceu a encarou de volta.

O que tinha feito? E que tipo de recado dormir com Edward poderia enviar? Não, Edward, eu não quero continuar casada com você. Ah, sim, você pode me levar para cama. Não, Edward, não há futuro para nós. Oh, sim, Edward quanto mais íntimos ficamos, melhor.

Ela se sentou na beirada da banheira e fechou os olhos, como se pudesse se livrar da lembrança da última hora e apagá-la de sua mente. Mas era impossível. Fizera coisas estúpidas na vida, mas isso era infinitamente além da estupidez. Era cruel, egoísta e totalmente imperdoável. Ele a odiaria, e ela não o culpava.

Ainda estava se condenando quando Edward bateu outra vez à porta.

– Se você não sair, eu vou entrar. Ela se levantou e abriu a porta.

– Eu já estava indo.

– Achei que gostaria de tomar o café na sala de estar – disse ele despreocupadamente. Vestia apenas a calça do pijama e estava sexy. – E talvez possa me dizer por que saiu da nossa cama como um gato escaldado. Pensei que tivesse sido ótimo.

As palavras a pegaram de surpresa, mas, pelo menos, a dose de adrenalina forneceu a força que ela precisava para enfrentá-lo.

– Primeiro que não é a nossa cama, é a sua, e eu não saí como um gato escaldado.

Ela deu uma olhada para a mesinha, onde o café e um prato de biscoitos esperavam. Então andou até a janela, abrindo as cortinas para olhar para fora. Estava nevando novamente... lindo, flocos estrelados que dançavam como se estivessem aproveitando ao máximo sua breve vida.

Percebeu Edward a seguindo, e então sentiu braços fortes envolvendo-a. Suas costas descansaram no peito sólido, e o queixo dele roçava seus cabelos.

– Certo. Vamos conversar – murmurou Edward, calmamente. – Percebo que nada está resolvido ainda.

Ela não sabia como dizer aquilo.

– Eu... Não quero que você tenha a impressão errada – começou ela, detestando-se.

– Mocinha, eu não sei se estou a pé ou a cavalo – zombou ele com um humor obscuro, – portanto a impressão errada é o de menos. Foi com você que fiz amor agora mesmo, não foi? Você não tem um clone que fica no seu lugar de vez em quando, tem?

– O que quero dizer...

– O que você quer dizer – interrompeu ele, virando-a para que o encarasse, mas ainda a abraçando pela cintura –, é que, apesar de ter se divertido comigo, ainda está agarrada a essa ridícula ideia de divórcio. Certo?

Isabella não sabia se ele estava furioso e escondendo isso muito bem, ou se a atitude levemente sarcástica era verdadeira. Edward era o mestre do inescrutável. Ela assentiu cautelosamente.

– Ótimo. Você desabafou. Agora beba seu café. - Ele precisava levar aquilo a sério.

– Edward, você precisa entender.

Ele a deteve com um beijo de tirar o fôlego.

– Venha tomar seu café com biscoitos. Depois conversaremos um pouco. Provavelmente, deveríamos ter conversado antes de terminarmos lá no quarto, mas eu nunca disse que era perfeito.

– Não há nada a dizer – protestou ela inutilmente.

– Há muito a dizer. Deixe-me explicar, Bella. Até que você consiga me convencer de que nosso casamento está acabado, não está.

Isabella enrijeceu em defesa da arrogância dele e empurrou-lhe o peito.

– Solte-me.

– Claro. – Ela estava livre imediatamente. – Mas ainda terá de me convencer. Você é parte de mim. A metade de um todo. Tenho certos direitos. Casou-se comigo, lembra?

– Você fala como se fosse meu dono. – Ela tremia por dentro, a proximidade dele era um doce tormento, mas sabia que se não atacasse, estaria perdida. – Tem consciência disso? É nisso que acredita?

– Apenas no sentido de que você também é minha dona – replicou ele, ternamente. – É uma via de mão dupla. Deu-me o seu amor, então este é meu... assim como meu amor é seu. A diferença entre nós é que eu confio em você. Confio em você com tudo que sou e tenho. Mas você ainda não chegou nesse patamar, não é? Ainda há um ponto de interrogação pairando sobre minha cabeça como a espada de Demoles. Confiança verdadeira envolve compromisso e ficar vulnerável. Pode deixá-la exposta e assustada. Não me olhe assim, Bella. Acha que é a única que está com medo da enormidade que o verdadeiro amor e confiança envolvem? Mas vale a pena.

Ela balançou a cabeça, sem notar as lágrimas escorrendo por suas faces, até que ele as enxugou com os dedos.

– Vai ficar tudo bem – Edward a tranquilizou. – Você é uma boa pessoa, e eu, também. Na verdade, eu sou ótimo. Estamos destinados a ficar juntos.

Aquilo era tão bobo que Isabella teve de sorrir.

– Não quero magoar você – sussurrou ela –, mas é melhor agora do que mais tarde. Isso... nós... é impossível, Edward.

Ele a levou até o sofá e entregou-lhe a xícara de café.

– Esta é a sua noite. Uma noite que ri do impossível. Apenas acredite.

Esse era o problema. Ela não conseguia. Isabella levou a xícara aos lábios, nem notando que o leite era do tipo longa vida que ela detestava. Não conseguia mais acreditar.


Boa tarde, meninas!

Hoje rolou um lemon do casal, mas mesmo assim, Bella ainda é teimosa. Mas calma, uma pessoa muito importante vai aparecer e ajudá-la com seus conflitos.

Kaah: Acho que nem o osso mais duro de roer está sendo tão dura quanto a Bella kkk Fico feliz que esteja gostando, muito obrigada pelo review :D

Rosangela Pattz: Também não gosto quando ela aparece, mas nessa história, a principal vilã é a própria Bella. Obrigada pelo review :*

Até amanhã!