.

CAPÍTULO NOVE

.

Sesshoumaru estava no seu Bentley e passava pelo centro da cidade. Ia a caminho de uma reunião, apesar de já estar a anoitecer, e reparou, de raspão, numa montra de vestidos de uma loja cara. Praguejando por se sentir um tolo, estacionou o carro lá perto e decidiu ver se o que viu era mesmo o que pensava que era.

E era mesmo.

Um lindíssimo vestido de gala, elegante, sofisticado e sensual. Imaginou que não haveria pessoa no mundo a quem o vestido assentasse melhor que aquela mulher cujos olhos não o deixavam dormir. Decidiu que era mesmo a cara dela e surpreendeu-se ao aperceber-se que mataria para a ver vestida com aquilo.

Praguejando novamente por não saber porque estava a fazer aquilo, entrou na loja e rezou para que depois de comprar o vestido, a sua mente se estabilizasse um pouco. Afinal de contas, ele era ainda o dono do seu corpo e não era uma simples mulher que o ia pôr daquele jeito.

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

Rin tinha querido falar com Kagome, mas ela não lhe atendeu o telemóvel, nem a encontrou no hotel. Uma pena, porque queria avisá-la que não iria no cruzeiro. Era tola se pensasse que se iria misturar na perfeição com todos aqueles ricaços bonitos e cheios de boas maneiras. Iria desapontar a amiga, mas dir-lhe-ia que, ao menos, iria assistir ao casamento, lá no fundo da igreja, para que ninguém a visse.

Já era noite quando saiu do hotel e ia tão absorta nos seus pensamentos que, na porta, tombou com alguém. Foi bem apanhada pelo par de braços que a aprisionou num abraço de ferro. A sensação de segurança voltou a espalhar-se pelo seu corpo e perguntou-se porque a sentia, visto que quem a tinha apanhado não era Inuyasha.

- Kalinihta, Rin mou! – saudou Sesshoumaru no seu ouvido. – Está bem?

- Oh, sim, sim, claro! Peço desculpa, estava desatenta. – soltou-se e alisou a camisa. – Efharisto! – obrigada, em grego.

- Bom, eu queria mesmo falar consigo.

- Ah, sim? Sobre o quê?

- Já sabe se vai ao cruzeiro ou não?

- Ah, bom… Não, acho que não vou. Eu queria dizê-lo à Kagome, mas ela não me atende as chamadas e não está no hotel.

- E porque não vai? – saíram para a rua. Sesshoumaru tinha a mão no braço dela e guiava-a para o parque de estacionamento. Hachi seguia-os.

Rin corou, deixando-o absorto por um momento. – E-Eu não tenho o que vestir… - admitiu.

Ele suspirou e esboçou um sorriso. – Pensei que fosse esse o motivo, por isso… - tirou as chaves do bolso e abriu a mala do carro com o comando à distância. – Tenho algo aqui para si. – levantou a porta e deu-lhe uma caixa para as mãos.

- O que é?

- Veja por si mesma.

Rin abriu o embrulho com um grande sorriso, desfez o laço, abriu a caixa e vasculhou no meio das folhas de papel. Quando as mãos pousaram no tecido do decote do vestido, o seu sorriso desvaneceu-se.

- Oh, meu deus!

- O que foi? Não gostou?

- Não é isso, é que… - franziu o cenho e abanou a cabeça. – É demasiado, senhor Taisho, não posso aceitá-lo. Nem acredito que mo está a oferecer!

- Porquê? Pareço-lhe assim tão forreta?

- Não! É só que… A sério, não posso aceitar. Não ficaria bem comigo mesma.

Sesshoumaru segurou nas mãos dela e obrigou-a a pegar no vestido. – É seu. Não quero um não como resposta. De qualquer das formas, a quem daria este vestido se não o quiser?

- Pode oferecer à sua irmã.

Ele abanou a cabeça. – Não. Não é o estilo dela. – a verdade é que não queria ver outra mulher naquele vestido. Só ela. – Vá lá, aceite e use-o no dia da festa. Se não por mim, ao menos pela minha irmã. Não a vai destroçar dessa maneira, vai?

Rin suspirou. Já devia saber que Sesshoumaru tinha tudo o que queria e não desistia até o ter. Era extremamente persuasivo.

- Está bem, eu aceito.

Ele sorriu. – Muito bem, vemo-nos…

Antes que acabasse a frase, um mendigo aproximou-se e olhou para Rin de forma intensa.

- Menina, tenha piedade de um pobre velho como eu! Não me quer dar uma esmolinha?

- Oh, claro, claro! – ela remexeu na bolsa à procura e encontrou algumas moedas. – Tome.

- Mas o que é que está a fazer? – perguntou, zangado. O mendigo pegou nas moedas e saiu a correr.

- Estava a ajudar o senhor. Ele parecia faminto, ouvi o estômago dele roncar.

- Ele não vai comprar comida com aquelas moedas. Ele tresandava a álcool!

- Oh, deixe-o ser feliz! Quanto mais ele beber, mais cedo vai perceber que a vida que tem não é boa para ninguém.

- Não entendo como pode ser tão branda!

Ela sorriu-lhe e colocou a mão no seu bícep. Os olhos de ouro moveram-se precipitadamente para a mão dela.

- Também o quer prender? – riu-se. – Lembre-se que mais tarde ou mais cedo, todos aprendem a sua lição. A dele não tarda a vir, não acha?

Sesshoumaru ficou impressionado com a fé que ela tinha em alguém que nunca tinha conhecido na vida. – Neste momento, acho, muito sinceramente, que é um perigo deixá-la sair à rua sozinha.

Rin soltou uma gargalhada. Bendita fosse, o seu riso era música para os seus ouvidos!

- Eu nunca saio de casa sem o Hachi!

- Acho que precisa de mais escolta. – o seu tom de voz soou perto da repreensão. – Talvez o seu amigo devesse andar mais vezes consigo. Que tipo de homem é ele quando a deixa andar por ai desprotegida?

- Quem? O Inuyasha? – levou a mão à boca com espanto. – Mas ele não tem tempo para andar a seguir-me por aí. Ele trabalha! E além disso, porque haveria de o fazer?

- Porquê? Porque é seu namorado e devia ter mais cuidado com o que tem!

O silêncio pairou sobre eles. A tarde fez-se em noite e as luzes da rua acenderam-se, o vento passou por eles e abanou os caracóis escuros, soltando aquele aroma delicioso de pêssegos. Sesshoumaru soube que o que o excitava era aquele perfume combinado com a imagem da beleza dela. Era uma beleza pura, sem aditivos.

Cem por cento Rin.

- O Inuyasha não é meu namorado.

- Não? – ficou confuso.

- Não! – desatou a rir-se novamente. Tanto, que lhe vieram as lágrimas aos olhos. – Claro que não!

Sesshoumaru percebeu a jogada do homem. Visto que tinha ficado com uma erecção naquela tarde, no café, achou melhor fazê-lo acreditar que Rin tinha dono para protegê-la dele. Sesshoumaru sorriu enquanto Rin continuava a rir. Estava apenas a protegê-la! Começava a gostar do jovem impulsivo. Com isso, tinha ganho muitos pontos na sua consideração. Muitos.

- Venha, vou levá-la para casa.

Rin limpou as lágrimas do riso e olhou para o seu peito. – Oh, desculpe, mas é melhor não. O Hachi…

- Ele pode entrar no carro, não se preocupe. – Hachi saltou para cima dele para que lhe fizesse festas na cabeça.

Ao afagar a enorme cabeça do bicho, Sesshoumaru lembrou-se como ele lhe tinha rosnado quando gritara com Rin no apartamento. Também pensou que o cão ganhava tantos ou mais pontos na sua consideração. E aqueles olhos… Eram castanho amarelados. Como os da dona.

Sesshoumaru olhou para Rin, para os seus olhos, e achou que o brilho das lágrimas do riso os faziam ficar lindos. Lânguidos e tentadores.

Meteu o cão dentro do carro e abriu a porta do passageiro para ela entrar e, ao roçar suavemente nela, quando entrou, pensou que dava tudo para saber o que raios se passava com o seu corpo traidor.

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

Kagome sorria como nunca havia sorrido na sua vida. No dia anterior, tinha passado a tarde e a noite na cama com Inuyasha, a explorar o seu corpo musculoso e deliciosamente moreno. Inuyasha tirara-lhe a virgindade de uma maneira muito doce. Depois de todo aquele alvoroço para se livrarem das roupas, Inuyasha pôs um preservativo e entrou nela com força, no entanto, quando sentiu a barreira e viu a dor que lhe causara, recuara.

Meu deus… Podia aquele sorriso de orgulho e triunfo masculino por ser o seu primeiro amante ser mais sexy e excitante? Fora tão meigo depois de recuperar da surpresa. E passou a tarde toda a dizer que a amava, dissera que não queria que aquilo fosse apenas por um dia.

Ele queria um compromisso a sério com ela!

Kagome sentiu-se a mulher mais feliz do mundo, mas ao mesmo tempo, a mais mentirosa. Afinal de contas, estava-lhe a mentir. Não tinha dito quem era na verdade e, depois de amanhã, estaria a casar-se com Kouga. Tinha planeado contar-lhe a verdade, mas ficara com medo da sua reacção. Era uma medricas, sabia, mas não podia fazer nada. Queria esperar um tempo para ver como as coisas corriam.

Já era tarde, tinha acabado de almoçar e decidiu ir ver como estava o pai. Deixar Inuyasha tentadoramente nu naquela cama velha fora, de longe, o maior sacrifício de toda a sua vida. Mas tinha que sair para ver como estava o pai e ele tinha que trabalhar.

Subiu no elevador e caminhou pelo corredor até chegar à suite presidencial. Com um último suspiro, bateu na porta e entrou.

- Pathéras? – chamou. - Posso?

- Kagome? – tossiu. – Oh, entra, minha princesa, entra!

Kagome fechou a porta e os seus olhos demoraram um pouco para se habituarem à penumbra que reinava no quarto. Num canto, a cama de dossel recheada de almofadas enormes e lençóis de seda estava ocupada pelo corpo quase inerte de InuTaisho. O homem, outrora enorme como o seu filho e extremamente poderoso e bonito, agora não passava de uma sombra do que fora. Emagrecera imenso, a sua pele repuxava sobre os ossos da cara e estava num tom acinzentado e a pele um pouco macilenta. Tossia quase sem parar e com grande esforço, como se a qualquer momento lhe saísse um pulmão pela boca.

Ver como o seu pai definhava daquela forma até à morte custava-lhe imenso. Cada vez que o via e se apercebia como a morte se aproximava cada vez mais, vinham-lhe as lágrimas aos olhos. Sentou-se à beira dele e tomou-lhe uma mão entre as suas com suavidade.

- Como se sente, pai?

- Mal, minha filha, muito mal. – tossiu mais um pouco. – Mas e tu? Como te sentes? Porque vieste aqui tão cedo?

- Vim ver só como se estava a sentir, pai, mais nada.

InuTaisho sorriu, os seus olhos dourados, apesar de cansados, eram experientes e perspicazes. – Eu acho que estás diferente, minha princesa. Aconteceu alguma coisa que eu deva saber?

Kagome olhou para ele, alarmada. Estaria a referir-se à noite que passou com Inuyasha? Mas como poderia ele saber? Era impossível.

- Não, meu pai, não aconteceu nada comigo. Sou a mesma de sempre, é impressão sua.

Semicerrou os olhos. – Tens a certeza?

- Absoluta! – assentiu com a cabeça.

- Bom, se é assim, quero conversar contigo acerca do teu casamento. É já depois de amanhã!

- Eu sei…

- Como sabes, adoraria ir ao cruzeiro, mas não posso. A minha enfermeira proibiu-me, mas consegui convencê-la a deixar-me ir à igreja para te ver casar.

- Isso é muito bom, fico contente por poder contar com o seu apoio! Vou precisar dele!

- Bom… - apertou as suas mãos. – Como se tem portado o Kouga?

- Ah… - Kagome sentiu-se corar. Kouga tinha-lhe ligado várias vezes e tentado falar com ela nos escritórios do hotel, mas evitara-o sempre. Como ia dizer ao pai que não estava com o noivo há quase uma semana? – Bem. Tem-se portado bem, acho eu.

- Eu sei que é uma pergunta muito íntima, mas vocês já… - fez um gesto sugestivo com as sobrancelhas.

O sangue subiu ao rosto da jovem. – Pai! Não diga essas coisas! – bateu-lhe levemente na mão.

- Desculpa, filha, só estou preocupado, não quero que se aproveitem de ti! – riu-se com dificuldade.

Kagome esperou que ele parasse de tossir para continuar a falar. – Eu e ele nada. Não aconteceu nada ainda. – E espero que não aconteça tão cedo…, pensou.

- Bom, se é assim, devo confessar que admiro muito o Kouga por se portar tão bem. Mas se ele te magoar, seja de que maneira for, diz-me e eu ponho-o fora do continente num piscar de olhos. – a sua voz era ameaçadora.

Kagome sorriu com carinho, o seu pai e Sesshoumaru estavam sempre a protegê-la e, apesar de nunca ter gostado muito, a verdade é que estava agradecida pois sabia que tinha a sorte que muitos não tinham.

- Não se preocupe, pai, ele não se portará mal comigo.

- Espero bem que não, para bem dele. – soltou-lhe as mãos e recostou-se melhor na almofada. – Podes me chamar a enfermeira, por favor? Acho que está na altura de tomar os medicamentos, estou a ficar com dores.

- Está bem. – levantou-se e beijou-lhe a testa. – Descanse, pathéras.

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

Inuyasha assobiou quando entrou na pensão.

- Boa noite, tio Kaito! – cumprimentou. – A Rin está?

- Ah, sim, sim! – o senhor de meia idade disse, meio atrapalhado com dois novos clientes no balcão da entrada. – Está lá no quarto dela!

Ele despediu-se e continuou a assobiar pelo corredor fora. Ia-lhe contar sobre a noite maravilhosa que passara com Kagome mas, ao abrir a porta, esqueceu tudo e deixou o queixo cair como nos desenhos animados.

Rin erguia-se no centro do quarto com o vestido mais fabuloso e sensual que já vira.

- Meu Deus, Senhor! – entrou no quarto com a mão no peito, quando ela se virou para ele, assustada, e deu a volta ao seu corpo, apreciando a obra-prima. – Mas quem és tu, jovem deliciosa? De que sonho depravado meu saíste?

Rin começou a rir-se e pediu-lhe que fechasse a porta. – Seu idiota… - bate-lhe no braço e sentou-se na cama. – Este é o vestido que vou levar amanhã à festa da Ka… - tropeçou nas palavras e corrigiu-se a tempo. – À festa que o senhor Taisho me convidou.

- E onde arranjaste esse vestido? – ainda não podia acreditar. Era a primeira vez que via Rin como a mulher que era. Sempre a tinha visto como uma menina que tinha que proteger.

A morena alisou os caracóis, corada e embaraçada. – Foi ele que mo deu.

- O quê? Mas porquê?

- Não sei. Ele disse que suspeitava que eu não aceitaria o convite com a desculpa de não ter nada para vestir e decidiu comprar-me um vestido.

Inuyasha sentiu a raiva apoderar-se dele. Com que então o menino rico comprava presentes para Rin… Estava a tramar alguma. Depois de ver a reacção que tivera no café com Rin, não confiava mais nele. Não como se tivesse alguma vez confiado, mas agora era definitivo.

Aquele playboy queria ir para a cama com Rin e ele não permitiria que a magoasse dessa maneira. Sabia que depois a abandonaria como se fosse lixo.

- E tu vais à festa?

- Claro! Agora que gastou dinheiro neste vestido, não tenho como recusar. – levantou o olhar e fixou-o nele. – Inuyasha?

- Sim?

- Importas-te de me dizer de que cor é o vestido?

- Vermelho.

- E… Fica-me muito mal?

Inuyasha sorriu. Oh… Sesshoumaru sabia fazer as coisas. Realmente, não havia nada que lhe ficasse melhor do que aquele vestido. Todas as curvas de Rin estavam realçadas e desejáveis e os seios pareciam ainda maiores do que o que eram. Além disso, Rin enrubesceria o tempo todo e isso era o toque que faltava para a tornar irresistível. Sem dúvida, todos os homens estariam a babar-se por ela amanhã por aquela hora. Teve vontade de esganar Sesshoumaru por aquele golpe de mestre.

- Estás linda.

Ela sorriu. – Obrigada.

- Meu anjo, toma cuidado. Homens como Sesshoumaru só pensam numa coisa e tu sabes.

Ela corou de novo. – Não te preocupes, não corro esse perigo perto dele. Ele odeia gente pobre e acho que não gosta muito de mim porque sou cega.

- Não. – abanou a cabeça. – Ele gosta de ti. Mais do que é suposto ser saudável para ele se quiser que lhe deixe os dentes todos na boca. Se ele te tocar, dou cabo dele.

- Não é preciso seres violento, ele não me vai fazer nada, confia em mim!

Abraçou-o e ele ficou mais um pouco com ela, antes de se despedir e ir para casa.

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

Continua…

ºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOºOº

Sinto muito não ter respondido às reviews no último capítulo, é que não tive tempo. Nesse também não respondi, mas PROMETO que no próximo vou dedicar atenção a cada uma das minhas adoradas leitoras! PROMETO!

Não tenho muito tempo e como não queria deixá-las tanto tempo 'penduradas' vim aqui rapidinho postar este capítulo!

Ja ne, minna!