Capítulo 9
Pontos Esclarecidos
Mansão Malfoy
Mulciber atravessou os jardins da mansão carregando uma Lily que nada fazia além de chorar. Ela se deixou levar e, em certo ponto, caminhou por si própria até a grande casa, as lágrimas nublando o caminho. Seu coração estava destruído. Ela se abraçava, estava perdida. Voltara para morrer novamente nas mãos de Voldemort. E fora Severus quem a levara a tal destino, de novo.
Destino... este sabia mesmo ser irônico.
Ela parou em frente a porta. Mulciber a abriu e a empurrou para dentro.
– Quem é essa? – perguntou Bellatriz levantando da poltrona em que estava.
– Alguém que Snape estava pondo pra fora da casa dele em Hogsmead. – disse Mulciber. – Eu passei na frente, ouvi os gritos e ele me deu ela. Eu a trouxe para o Lord.
– Uhm. – Bella começou a circular Lily, observando-a. – Ela é bem bonitinha... talvez eu peça para participar.
Lily manteve-se calada.
De repente, Bellatriz e Mulciber se ajoelharam.
Voldemort descia as escadas, Rabicho ao seu lado.
– Mas o que temos aqui?
– Milorde pediu por uma distração. – disse Mulciber, respeitosamente. – Eu a trouxe. – ele empurrou Lily para a frente.
Lily ergueu o rosto e encarou a face ofídica da qual ela ainda se lembrava.
Voldemort a encarou e um brilho de divertimento e curiosidade surgiu em seus olhos. Ele sorriu e soltou uma risada que fez as entranhas dela gelarem.
– Você! – disse Voldemort, por fim. – Eu jamais esperaria vê-la novamente. Lily.
Bellatriz, Rabicho e Mulciber olharam de Voldemort para Lily, estupefatos.
– Como você disse que a achou, Mulciber?
– Snape a estava pondo para fora da casa dele, em Hogsmead. Ela pedia que ele acreditasse nela mas ele...
– O que você foi fazer na casa de Severus em Hogsmead? – perguntou Voldemort para o comensal. – Você sabe que é proibido incomodá-lo lá. Crucio! – e Mulciber foi ao chão, gritando e se contorcendo. Voldemort voltou a olhar para Lily. – Então, Severus não acreditou que você voltou pra ele? Que pena. E você voltou num corpinho tão interessante. – ele caminhou até ela, inspecionando-a, parando na segunda volta que dava em torno dela, como se percebesse algo. – Mas você me trouxe muito mais do que uma distração, Mulciber. – ele olhou para Bellatriz. – Bella, podemos parar de procurar por uma grávida. Mulciber acaba de nos trazer muito mais do que eu preciso.
Lily o olhou, confusa.
– Você não sabia, querida? – perguntou Voldemort. – Pois saiba que essa criança acaba de salvar a sua vida. Me diga, este é filho de Severus? – ele a pegou pelo braço, em sinal que ela relaxasse.
– S-sim... – murmurou Lily, sua mente dando voltas.
– Igual ao outro.
Ela o olhou, incrédula.
Eles subiram as escadas.
– Sim, eu sei. Mas não sabia na época da sua morte. Apenas juntei alguns fatos e cheguei a esta conclusão. – Voldemort a guiava por um longo corredor, parando em frente a uma porta. – Aqui será sua residência pelos proximos três anos. Abra a porta.
Lily entrou em um belo quarto. Espaçoso, claro e muito bem decorado, uma enorme cama, tapetes creme pelo chão de madeira clara. Uma porta à direita indicava que havia um banheiro ali.
– É muito bonito. Mas, por que...?
– Você será muito bem tratada. Quero que se alimente bem, para que este filho nasça com saude.
Lily o encarou, sem ainda entender os motivos dele.
– Mais tarde dividirei meus planos com você. Agora, descanse. Mandarei um elfo vir cuidar de você. – e ele saiu.
Quando a porta fechou, Lily tentou organizar os pensamentos e absorver tudo o que havia acontecido na última hora.
Snape não acreditara nela, dera-a para Mulciber trazê-la para Voldemort. Este descobriu quem ela era e contou que ela estava grávida. Agora, ela era prisioneira na Mansão Malfoy, com direito a um quarto confortável, alimentação e um elfo doméstico. Pelo menos pelos próximos três anos. E Voldemort tinha planos para seu filho.
"Oh, Merlin." – ela sentiu o quarto girar e tudo ficar escuro. Tentou caminhar até a cama mas ia cair de cara no chão. Ia. Porque ela foi levitada até a cama.
– Quem está aí? – perguntou.
– Eli, senhora.
– Eli? Mas o que você está fazendo aqui? Você não serve ao...
– Sim, Mestre Snape é Mestre de Eli, mas o Lord das Trevas ordenou que Eli viesse para a Mansão Malfoy e que cuidasse da senhora. Ele tem que obedecê-lo. São ordens do Mestre Snape. Mestre Snape ordena que Eli obedeça o Lord. Eli agora está ligado à senhora, também. – ele baixou o tom da voz e se aproximou da cama. – Senhora devia ter ouvido Eli... – ele retirava os sapatos dela.
– Me consiga um chá e me prepare um banho, por favor, Eli.
E o elfo foi para o banheiro.
Assim se passaram três dias.
Lily começara a se acostumar com a situação. Pelo menos teria 2 anos para curtir com o filho, não tivera isso com Harry.
A tristeza pela rejeição de Snape a fazia se arrepender de ter voltado. Se não fossem os maravilhosos momentos que passara com Harry e o bebê que crescia dentro dela, ela estaria completamente arrependida e, provavelmente, já estaria morta.
– Bom dia, senhoras. – disse Eli, abrindo as cortinas.
– Bom dia, Eli... mas que negócio é esse de "senhoras"?
– Eli tem duas Mestras, agora. – e o elfo pôs uma mão sobre o ventre dela.
– É uma menina, Eli?
– Sim, Mestra.
Lily sentiu-se gelar. Isso não era nada bom. Tudo que ela mais queria era uma filha. Mas se Voldemort descobrisse...
– Eli, não comente isso com ninguém! O Lord não pode saber.
Maio de 1997
Duas semanas haviam se passado.
Harry estava mais do que desesperado atrás da mãe. A Ordem estava mobilizada. Todos sabiam sobre o sumiço de Amarillys.
– Como pode ninguém saber nada sobre ela? – bradou o menino enquanto comia um sanduíche que Hermione o passava.
– Calma, Harry. – ela sentou ao lado dele em frente a lareira do salão comunal da Grifinória. – Você já falou com todo mundo?
– Sim! De Dumbledore ao faxineiro de Hogsmead! Ninguém sabe nada, ninguém a viu!
– Harry, você já falou com seu pai?
E o menino parou de comer, beijando Hermione nos lábios rapidamente antes de se levantar e correr para as masmorras.
Snape não aparecia mais aos jantares no grande salão.
Harry disconfiava que sua mãe havia dito algo a ele.
E ele estava certo.
Snape evitava ficar o momento que fosse na presença do garoto. As palavras de Amarillys ainda lhe soavam absurdas, mas pequenas semelhanças entre ele e o garoto não passavam mais despercebidas.
Era quase meia-noite.
Batidas na porta de seus aposentos pessoais fizeram sua raiva subir ainda mais.
Snape foi abrir a porta e sua dor de cabeça atingiu níveis críticos.
– Ao que devo a honra de sua presença a essa hora, Sr. Potter?
– Preciso tirar uma dúvida, senhor.
– Fale.
– Não gostaria de falar no corredor, senhor. É um tanto particular.
– O que diabos você teria de particular para falar comigo? – Snape quase gritou.
– Algo que o senhor não vai gostar de discutir no corredor. – reforçou Harry, soando quase mal educado.
Snape de afastou da porta. Harry entrou. A porta foi fechada.
– Seja rápido. Está tarde. – disse Snape.
– Você tem notícias da Srta. D'Angel?
O fato do garoto aparecer em sua porta perguntando sobre Amarillys agiu como uma xícara de café preto muito forte, acordando Snape imediatamente.
– Como eu poderia saber sobre ela? – retrucou Snape.
– Ninguém sabe onde ela está. Eu já falei com todos. Fazem duas semanas que ela sumiu. Só faltou perguntar pra você. – Harry pausou observando a forma concentrada com que seu pai tentava esconder algo. – Então, você saberia me dar alguma pista de como eu posso encontrá-la?
– Não. Se ela não disse ao namoradinho aonde ia se meter por que ela diria a mim? – disse Snape, irônico.
Harry sentiu-se enfurecer. Snape usava ironia para se defender, ele sabia de algo!
– Ela não é minha namorada. – disse o garoto. – Ela é minha mãe.
Snape olhou para ele, murmurando, cínico:
– Vejo que ela lhe passou a mesma história furada que tentou me fazer engolir. Obviamente você acreditou, não é? Tão desesperado para ter uma família que aceitaria até mesmo a ideia absurda de que eu sou seu pai!
– Nem mesmo você pode negar isso. – disse Harry, tentando controlar os batimentos, sem conseguir acreditar que estava falando sobre isso com o professor Snape.
– Cala a boca, Potter.
– Eu não dou a mínima se você acredita. Nesse momento é mais importante descobrir onde está minha mãe.
– Você não pode estar querendo acreditar que é meu filho! – gritou Snape. – Por que você iria querer ser meu filho ao invés de bradar ter o sangue do grande James Potter!? – a ironia sendo mantida.
– Desde que comecei a saber mais sobre James Potter eu tive vergonha de ser filho dele, vergonha de ser comparado a ele. Quando minha mãe me revelou a verdade, eu não pude ficar mais feliz. Tenho orgulho de ser filho de quem eu sou. Meu pai é um homem corajoso, forte, um tanto insuportável, mas não é um idiota que se escondia atrás dos amigos para mexer com as fraquezas dos outros.
Snape ficou um momento quieto, olhando incrédulo para o garoto.
– Você não pode acreditar nisso. Você é a cara do...
– Não, não sou. – interrompeu Harry. – Eu tenho seus cabelos, a cor da sua pele. Provavelmente o seu sorriso, já que o meu não é igual o de minha mãe. Eu tenho aptidão para artes das trevas e facilidade com feitiços. E meu desrespeito pelas regras? Até onde eu sei você nunca foi de respeitá-las. – Harry pausou, encarando a cara assustada de seu pai. – Mas, no momento, não me importa se você acredita ou não. Quero saber onde está minha mãe.
Snape se apoiou nas costas de uma cadeira. Estava furioso mas... não conseguia mais argumentos para negar os fatos que eram expostos, esfregados em sua cara. Sentia-se tonto. Ele começava a perceber que aquilo podia ser verdade. Harry acreditava que era seu filho e tinha orgulho disso. Mas se tudo aquilo era verdade... novamente, ele a matara. Ele cometera a mesma idiotice da outra vez. Ele a mandara para Voldemort.
– Ela deve estar morta. – murmurou Snape, mais para si do que para o garoto.
– O que? – exclamou Harry.
– Mulciber a levou... provavelmente para a Mansão Malfoy... há duas semanas atrás.
– E você sabia disso durante todo esse tempo e não disse nada?! – gritou Harry.
– Eu vi acontecer.
Harry socou a parede, enfurecido, frustrado.
– Você não tem como saber se...
– Eu não sou chamado desde que Mulciber a levou. – disse Snape, sem olhar pro garoto.
– Como você pode ver acontecer e não fazer nada para impedir?
– Ela tinha acabado de me contar aquelas mentiras e...
– Não são mentiras! – gritou Harry. – Ela me contou coisas que somente minha mãe poderia saber!
– Ela pode ter inventado isso tudo e você nunca terá como saber a verdade! – gritou Snape, encarando Harry.
– Ela sabia sobre a minha pinta. – murmurou Harry, corando.
– Sobre a sua o quê? – estranhou Snape.
– Um sinal que tenho desde que nasci. É atrás da coxa, abaixo da bunda. Ela me perguntou se eu ainda tinha...
– Você tem uma pinta na parte de trás da sua coxa direita? – perguntou Snape, sentindo o pavor tomar proporções gigantescas.
– Mamãe disse que eu herdei de você. – murmurou Harry.
Snape lutou contra o que sua mente lhe dizia. Ela bradava ser absurdo aquilo tudo, mas seu coração sabia que fazia sentido, explicava muitas coisas. Amarillys... Lily não mentira. E agora ele tinha a prova.
– Baixe as calças! – ordenou Snape.
– O que? Não! – exclamou Harry, assustado.
– Baixe-as! Eu quero ver se essa sua pinta é igual a minha! Você quer que eu acredite nessa história ou não?
Harry, muito contrariado, abriu as calças jeans que usava e as baixou, puxando para o lado a samba canção preta que usava e mostrando a parte de trás da coxa, onde estava a pinta.
Snape olhou para aquela marca e correu para o armários de ingredientes, pegando três vidros, um caldeirão limpo e indo à bancada.
– O que você está fazendo? – perguntou Harry, fechando as calças.
– Fique quieto. – pediu Snape, mexendo o caldeirão.
Cerca de dois minutos se passaram.
Harry observava os movimentos do pai, quando sentiu o braço ser puxado e um dedo cortado, seu sangue sendo pingado dentro do caldeirão.
– Pra que isso? – perguntou Harry, vendo Snape cortar o próprio dedo e pingar o sangue no caldeirão com o líquido avermelhado.
– Continue vermelho. – murmurou Snape para o caldeirão, após mexer duas vezes no sentido horário. – Fique vermelho! – mas o líquido não o obedecera, tornando-se azul. – Merda! – ele se apoiou na bancada, repassando mentalmente a forma como fizera a poção, procurando alguma falha que invalidasse o teste. Não fizera nada errado. A poção estava certa. E um sentimento de pânico tomou conta. As palavras de Lily em sua mente.
– Isso é um teste de paternidade? – perguntou Harry, compreendendo. Snape não disse nada. – Vou tomar isso como um sim.
Snape se virou para o garoto como se o visse pela primeira vez. Harry era seu filho. Ele tinha um filho! O menino-que-sobreviveu, o destinado a acabar com Voldemort, era seu filho!
– Lily realmente voltou. – foi tudo o que ele conseguiu murmurar.
– Sim! – exclamou Harry. – E ela está desaparecida! Você disse que Mulciber a levou...
– Minha culpa. – interrompeu Snape. – Eu a entreguei a ele.
– O que?
– Eu não quis acreditar em nada do que ela me falara. Eu achei que ela estava zombando de mim! Eu a expulsei da minha casa, eu a atirei na neve e... Mulciber ia passando, a viu e me pediu para levá-la ao Lord. Eu estava furioso e... permiti.
Harry ficou quieto, olhando para o pai sem saber o que fazer ou dizer.
– Se ele a matou. – murmurou o garoto, por fim. – Ele não sabia quem ela era. Ou a teria usado como isca para chegar até mim. Mas... se ele não a matou...
– Não há motivos para o Lord não ter matado Lily. – interrompeu Snape, atordoado.
– Se ele não a matou... – repetiu Harry. – Deve haver algum motivo.
– Ele pode estar torturando-a. – murmurou Snape, a voz cada vez mais fraca.
Os dois ficaram em silêncio.
Batidas na porta quebraram este silêncio.
Snape foi abrir.
– Srta. Granger? Mas é a invasão grifinória aos meus aposentos esta noite.
– Eu apenas vim ver se está tudo bem, professor. Harry estava demorando para voltar e eu...
– Como pode ver, Srta. Granger. O Po... – Snape parou, não podia mais continuar a chamar o garoto assim. – Ele está bem.
– Ótimo. – sorriu a menina. – O que decidiram fazer sobre Lily?
– Pouco se decidiu aqui, Mione. – disse Harry. – Mas alguns pontos foram esclarecidos.
– Devemos esperar eu ser chamado. – disse Snape, tentando mudar de assunto. – Eu não posso aparatar na Mansão Malfoy e questionar o paradeiro de uma prisioneira.
– Mas pode levar mais duas semanas! – exclamou Harry.
– Não. Eu serei chamado nos próximos dois dias. O Lord precisa tomar uma poção que eu preparo... ele deve tomá–la nos próximos dias.
– Certo. – disse Harry.
Ele e Hermione foram para a porta.
– Boa noite, Prof. Snape.
– Boa noite, Srta. Granger.
Harry parou na porta, encarando Snape.
– Boa noite... – hesitou o garoto.
– Você não precisa tentar. Eu não acho que estou pronto para ser chamado de pai...
Após alguns segundos se encarando, Harry seguiu no corredor e Snape fechou a porta.
Nota da autora: essa fic é doida, tem vida própria, mas eu to adorando ela! rsrs
Beijos para: Yasmin Potter, Rossonera, Hatake KaguraLari, Coraline D. Snape.
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