PigPink

Disclaimer: NARUTO e seus personagens não me pertencem, e sim a Masashi Kishimoto.

Enredo por Rebeca Beviot

Eu só cuido da Coautoria xDDDD E da capa... e da edição... xPPPPP

Músicas do Cap:
Vinheta do Jornal Nacional [xDDD]
"Xánana" [só colocar isso no you tube...]

Cap 9: Vida Universitária parte 1


Os dias passam rápido quando se aproveita o tempo. Sim, os dias... as semanas... Mês...

Mission Impossible Theme

Pelos corredores ainda pouco movimentados de uma conhecida universidade, duas sombras deslizavam rápido pelas paredes, camuflando-se atrás de armários, portas, Gai, e qualquer outra coisa colorida o bastante para fazê-las sumir no cenário. As perigosas semanas que haviam investido na redecoração de cada porta e armário começavam agora a compensar.

Chegaram a uma bifurcação. Ao pé da escada, somente dois caminhos. O corredor da direita, que levaria à turma de Marketing e o da esquerda, para a Turma de TI. Precisavam escolher rápido.

Som de passos. Perigo.
"Cereja da Primavera para Porco Selvagem da Montanha. Câmbio. Está me ouvindo? Câmbio."

"Javali da Montanha para Flor-mais-clichê-da-Primavera. Câmbio. Estou te ouvindo."

Acocoradas uma do lado da outra nos últimos degraus da escadaria que leva para o andar superior, ambas pararam de sussurrar e se encaram. Mas não havia tempo para redefinir codinomes, precisavam checar o perímetro.

Melhor deixar que a especialista em reconhecimento de longa distância lhe passasse os dados. A Loira colocou o ouvido na parede que as separava do corredor e fez seu relatório.

Sons de salto.

Médio.

Tamanho 38. Lindo Azul Turquesa.

E suportavam sobre si o excesso de peso gerado pelos "airbags" da loira. Não havia dúvidas...

Tsunade.

- Inimigo às três horas. Repito. Inimigo às três horas.

Três horas. Corredor da direita. Precisavam seguir pelo lado oposto então.

A ruiva assentiu e se preparou para atravessar o corredor da esquerda antes que a diretora estivesse perto demais... ela respira fundo engolindo um pouco de saliva pra aliviar a tensão. Aos poucos, primeiro baixo e pra dentro, mas crescendo até começar a irritar, ela ouve um conhecido "Tam! Tam! Tam tam tam Tam! Tam! Tanan tam! Tam Tanam..." vindo de sua cúmplice.

"Quer parar de cantarolar 'Missão impossível?!' e a loira parou.

Suspirou bem devagar. Hora de ir. Ela dá um impulso, preste a voar pelo corredor livre quando a loira a puxa guinchando entredentes algo parecido com "Não!", quase enforcando-a ao pegá-la logo pelo capuz do moletom, bem a tempo de impedi-la de gritar ao ver Tsunade que conversava com Kakashi, logo ali, a pouquíssimos metros das fugitivas no corredor da esquerda..

Por um milésimo de segundo a diretora mira a escadaria na qual elas estão escondidas... e volta a conversar.

"Você não disse que ela estava 'às três horas'?!" a ruiva segurava a tosse que subia o peito, louca pra desengasgar.

"E não está?"

"Não, está às nove!"

"Achei que qualquer posição é três horas... nunca ouvi outra coisa nos filmes..."
"Mas foi por isso que a gente combinou antes de... Urrrgh!" e tapou a boca com as mãos envoltas nas mangas do moletom, antes que auto delatasse sua posição. "Tá! Vamos em frente. Corredor da direita."

"Você quer ir pra frente, ou pra direita?"

A garota de moletom levantou a mão enquanto sua cúmplice de bandana cobrindo o rosto se escondia atrás dos braços pra se proteger. A ruiva se conteve. Não queria chamar a atenção da diretora com o estridente som da burrice de sua irmã.

Todos se lembram daquele prazo de "uma semana" para Sakura escolhe o curso, certo?

Certo.

- ...então se encontra-las por aí, me avise, sim? – terminava de dizer Tsunade. – Aquela fuinha tingida de rosa já me enrolou demais, ela vai prestar medicina nem que seja como cobaia para os alunos!

- Com todo o respeito, Tsunade... Mas não seria mais fácil simplesmente cancelar a matrícula e devolver o dinheiro? O prazo combinado se fora faz... – parou para admirar a sombria névoa de descontentamento que subia ao rosto da diretora enquanto ela sorria amargamente. – A senhora não gastou o dinheiro da matrícula delas... gastou?

E o que era só um sorriso de desgosto se tornou uma risada baixa e sofrida... de desgosto.

Ambos os adultos conversaram um pouco mais e se retiraram. Por sorte não passaram pela escadaria na qual elas se escondiam, indo para o fim do corredor da esquerda a fim de pegar o elevador. Quando o perigo estava fora da vista um "Huu huu huu!" chamando-as para prosseguir.

"Quem, em sã consciência, imita uma coruja para se ocultar em uma universidade?!", Sakura olhou o relógio em seu pulso. Tinham só mais sete minutos para chegar ao próximo checkpoint. Não precisaram dar nem três passos pelo corredor escolhido, e ouvem um "tuctuctuc" vindo da janela. E lá fora, pendurado de ponta cabeça pelo que pareciam ser cordas de alpinismo estava o terceiro membro de sua nova gangue...

- CORUJÃO DA JUVENTUDE PARA CEREJEIRA E PORCO SELVAGEM. CÂMB-

- Shhhhhh! - e trataram de tampar a boca do zelador Maito Gai, o mais novo membro de suas tramoias.

Descobriram, não muito depois do incidente do banheiro colorido, a enorme lista de interesses em comum, indo desde o entusiasmo de Gai pelas cores, videogames de tiro de primeira pessoa, até a alta afinidade e predisposição pra fazer besteira.

E fora ele quem ajudara a colorir cada uma das portas e armários da Universidade, na semana anterior.

- Então, Flores, o que decidiram fazer hoje? – pergunta, ainda de ponta cabeça, enquanto retira um bloquinho de anotações do bolso de seu uniforme verde, deixando cair uma infinidade de migalhas e clipes de papel no processo. – Engenharia Química? Moda? Regência...

Desde que entrara pra UniKo até agora, Sakura já tinha experimentado de tudo quanto era curso. Desde os tradicionais, como Direito e Engenharia Elétrica até o estranho mundo da Agronomia! E não sentia vontade de prosseguir com qualquer um deles.

- Na última postagem do Âncora Anônimo foi avisado que no próximo mês teríamos algumas surpresas na área de Humanas, especialmente na área de artes e RH... Por isso eu queria deixar pra testar esses por último, mas acho que nem vou aguentar esperar...

- Você podia vir comigo de novo, Sakura...

- Hmmm... Tsunade avisou aos professores que se vissem a Senhorita Haruno em qualquer um dos cursos mais de duas vezes era pra considera-la matriculada nele. – e o zelador coça o quadrado queixo em sua pose pensativa, ainda nem um pouco preocupado com os efeitos que aquele tempo de cabeça para baixo poderiam causar a seu cérebro. (Não que pudessem provar que ele tinha um, é claro...) – A menos que...

- Que...?

- "Genjutsu"... – disse o estranho homem.

- Está... está... PERFEITO!

Ino já havia se retirado da missão para se dirigir até a turma dela, assim como muitos outros alunos que começavam a chegar. Levara 10 minutos para se arrumar com os itens traficados pelo zelador e ainda faltavam outros 10 para a aula começar.

- Tem certeza que vou passar despercebida assim?

Disfarce. De todos os absurdos que Gai poderia propor, "disfarce" era o pior, principalmente se alguém como ele pretendia bolar algo para não chamar a atenção...

- YOSH! Confie em mim, esse é o melhor modo de se manter na sala de Hinata sem que Tsunade te encontre...

Valia a pena tentar.

- Ok... Vamos lá então!

Na sala da turma de Marketing, uma estranha criatura entra trajando um peculiar vestido preto repleto de bolinhas azul-ciano e uma maquiagem forte, gótica. Usava óculos escuros e uma encharpe cobrindo os cabelos coloridos de cor peculiar...

Atrás dela, Sakura entrou, desejando não chamar muita atenção com a peruca loiro claro que Gai arranjara pra ela da sala do Teatro.

- Pode escolher um lugar por ali no meio da turma. Faça o máximo de barulho possível e converse bastante se quiser passar despercebida. Apenas... Não. Me. Atrapalhe.

- Ah, s-sim, obrigada, Konan-sensei... se está dizendo...

A Professora sorriu sinistramente e começou a anotar coisas na lousa.

A princípio estranhou... Sakura costumava vestir o que quer que estivesse à sua frente e, claro, com a variedade de cores espalhadas por suas caixas-armário era de se esperar que saísse de lá parecendo um arco-íris. Sakura não era boba... sabia que o excesso de cores chamava a atenção, apenas escolheu que não deixaria de usá-las por causa daquilo. E ali, bem ali na turma de marketing, ao mudar do rosa para a simples peruca loira de longas mechas onduladas ela já havia se tornado bem menos chamativa que metade da sala cujos cabelos era brilhantes e multicolores, incluindo a professora de Ética Profissional e também Psicologia, Konan com seu soberbo cabelo azul fabercastell sempre em dias, nunca com uma mecha desbotada. Era sua segunda vez na turma, a primeira fora com o inusitado Kakashi, o professor de Filosofia e Sociologia [...e comportamento do consumidor, além de História Nacional no colégio. Como uma "Workaholic" de carteirinha, Sakura já previa alguns bicos inusitados entre a lista do Hatake...] e já notara o confortável ambiente de estudos. Não podia esquecer que aquela era uma característica da turma de Marketing de Konoha, a mini cidadezinha com altas tendências artísticas isolada da interação entre os grandes centros. Aquele era o curso "sério" para o qual os "artistas" fugiam quando seus pais não concordavam com as outras escolhas. encaminharem os estudos.

Se aquilo não era o céu, pelo menos ela se sentia em casa...

Uma pena ela não ter simpatizado com o curso em si.

Havia também pessoas bem comuns (pra não dizer monocromáticas), tal qual a própria "japinha", a Hinata, mas elas próprias estavam tão acostumadas àquela expressão colorida que quando quer que entrasse na sala alguém, digamos, normal, já o encaravam curiosos, perguntando-se o que aquela probre criatura desprovida de cores vinha fazer ali...

Assim que ajeitou o material de sua mochila, retirando o notebook pra anotações, uma enfurecida Hinata entrou acompanhada de uma irritação tão densa que logo poderia receber nome e vontade própria e sairia batendo nas pessoas por ela...

E pensar que uma criaturinha tão adorável era capaz de tamanha expressão de fúria.

A garota jogou suas coisas cerca duas carteiras de distância da Haruno, resmungando baixo, dando uma sensação que muito lembrou a ruiva da de um mini pitbull rosnando.

Quando a criaturinha jogou o corpo na cadeira [blusa comprida branca e legging preta MUDA DE COR PELAMORDIDEUS], a ruiva a chamou.

Hinata a encarou como se ela fosse louca ou como se tivesse alguma espécie de ultracontagiosa estupidez, como de fato seria qualquer estranho que a incomodasse naquele momento... Mas Sakura não era estranha. Bom, ao menos não no sentido "desconhecido" da palavra, (vocês entenderam...). Fora quase mágico ver a "Braba" ir embora e ser substituída pela Hinata de sempre quando Sakura revelou uma mecha de seu verdadeiro cabelo por baixo da peruca.

- Sakura-san! D-desculpa, n-n-n-n... não te reconheci! – conseguiu dizer.

Sakura sorriu e ambas se sentaram uma do lado da outra. A Hyuuga logo perguntou se ela não teria tintas consigo, mas, como mal sabia que iria para aquele curso até uma meia-hora atrás era claro que não, não tinha tintas. Infelizmente.

Havia aquela sensação meio engasgada de culpa que costumava subir o peito da Haruno cada vez que se via cara a cara com a Hyuuga, mas o modo todo tranquilo e doce (geralmente ela era tranquila e doce) e extremamente amigável acabava por dissolver os receios de seu peito, fazendo-a esquecer inclusive o porque de se sentir assim.

E os lembrava todos quando quer que o Monocromático estivesse perto. Mas Sakura não demonstrava. Se a namorada dele estava de boa... quem era ela para surtar, certo? Até porque não havia acontecido nada... e nem aconteceria.

Certo?

- Hinata – chamou, depois de agitar a cabeça pra afastar pensamentos indesejados. – Você tá legal? Digo...

- Ahhhhh, nem me lembre – e a Japa Braba retorna, como uma segunda personalidade. Sakura sorriu ao ter achado um apelido adequado. – Aquele "baka" do Sasuke! Perdeu minhas tintas todas!

Porque Sakura estava com uma pitada de culpa quanto àquilo? Porque será que tudo que envolvia tintas, cores e reclamações ela tinha a sensação de ter algum envolvimento na história?

Ah, é... É porque ELA TINHA!

Hinata explica que toda vez que precisa de qualquer material de arte a Mikoto-san, mãe do Uchiha, emprestava/dava pra ela, uma vez que a "sogra" tinha uma Oficina própria de artes. Inclusive Mikoto havia se formado em Marketing em não outra senão a própria UniKo, pois o pai dela fora contra ela prestar Design Gráfico.

Viu? Artistas incompreendidos por toda parte.

- Só que essas tintas em especial eu mesma comprei! – olha, uma flecha! Ah, ela atravessou o peito da Haruno... que pena. – Meu pai finalmente me deixou montar minha própria oficina em casa e aquelas seriam minhas primeiras, bem os primeiros materiais do arsenal. Deixei com Sasuke quando vi o email de que precisaríamos disso hoje, porque a minha oficina ainda não tá montada e aí...

Ooo

- Sasuke-kun! – chamava a jovem ao vê-lo entrando pela recepção ainda àquela manhã. – Pode me devolver minhas tintas? É hoje aquele trabalho que falei...

- Hm. – fora tudo o que recebera de resposta do nada matinal namorado. Ela mesma estaria de muito mau-humor, não fosse pela perspectiva de estrear suas tintas novas.

O Uchiha abriu o armário, aproveitando para pegar alguns livros que usaria. Depois de mexer ali por alguns segundos ele solta um segundo "Hm" que soara mais como um "Hm?" e puxou a mala em suas costas para sua frente, abrindo-a e remexendo-a até soltar um longo "Hmmm..." de alguém que fizera besteira e agora lembrava qual.

- Sasuke... kun? – chamou a adorável criaturinha, aquele início de sorriso sinistro e zangado despontando no canto de sua pequena boca. Aquele sorriso era o farol aceso para a Japa Braba sair cantando pneu pela rua, atropelando quem quer que estivesse na frente com seu trator de estimação.

Ooo

- Ele disse que deve ter misturado com as coisas da mãe dele! Mas que absurdo isso! Dá pra acreditar?!

- Não, não dááá...! – choramingou amargamente Haruno, finalmente se lembrando de toda aquela tinta escorrendo pelas paredes do banheiro e tudo porque ela estava muito entediada lá dentro.

"Me desculpaaaaaaa..."

Para falar a verdade, não era como se ela e o Monocromático (céus,até o apelido faz ela se sentir culpada!), tivessem algum rolo nem nada... Eles não haviam se falado muito mais desde que começaram as aulas, portanto não havia motivo que justificasse aquele aperto em seu peito, e se houvesse, bom, essa dita culpa seria inteiramente dele e não dela! Ele que se queimasse e remoesse nessa agonia sem fim! Ela não sabia que ele tinha namorada quando começou a se interessar e graças a Deus ficou sabendo antes que... que...

Que o quê? Talvez não rolasse nada entre eles, afinal. Talvez aquilo tudo não tivesse passado de um mal entendido dela... Afinal, não era de agora que Sakura tinha sua famosa facilidade de se apaixonar por caras que eram legais com ela. Até em Naruto ela já pensara algumas vezes e o bobalhão só sorrira! Começara a se atrair por ele pelo sorriso como se nunca na vida o loiro sorrisse para alguém além dela, era ridículo!

Ah, mas ele tem um sorriso tão bonito... e ele é colorido! Naturalmente e na escolha de roupas também! E loiro... E olhos claros e...

Sakura! Concentre-se!

- Sakura! – chamou Hinata, ao que a Haruno respondeu "Concentre-se!"

Hinata piscou algumas vezes, tentando entender do quê que a doida estava falando. A pobrezinha não parecia perceber que sua amiga viajava na maionese enquanto ela reclamava do infeliz.

- A-ah... D-digo... pode continuar!

- Bom... Como eu dizia... – continuou Hinata e dessa vez a atenção de Sakura fora puxada por um movimento de Deidara, mais à frente na sala. Ele havia acabado de amarrar o cabelão dourado em um rabo de cavalo e colocava um par de óculos de lente dupla, mas só no lado esquerdo pra servir de lupa quando estivesse trabalhando em detalhes.

Até mesmo por aquele loiro ela se apaixonara uma vez. Nem podia considerar muito, porque só tinha uns seis ou sete anos de idade na época, e foi um daqueles amores platônicos de um ou dois dias, e não havia nem como ter certeza se ele sequer se lembrava dela e de Ino, e fazia muito tempo mesmo que não se viam, mas a questão era...

Qual era mesmo...?

Droga, ela se perdera de novo. Lembrara de como ficava seguindo ele pela casa quando a tia o trazia para brincar... e como o bolo sempre explodia quando ele ajudava a fazer... que esqueceu como chegara naquele assunto. Vejamos...

Olhou de relance para Hinata. A japinha continuava a falar e falar.

Vejamos... Loiro, tinha algo a ver com isso... sim... Naruto! Ela pensara em Naruto! Naruto que é amigo do Monocromático e... Culpa! Isso, ela lembrou! Ela podia até senti-la novamente...!

Voltando à questão:

O que gerara a culpa, a principio, fora o fato de ter tido a impressão de que o rapaz vinha arrastando uma asa pra ela desde, pelo menos, o Flash... Claro que podia ser só impressão, quero dizer, o cara pode ser apenas incrivelmente simpático com todos e...

...

Ok, ela tinha fortes indicações de que não, mas não dava para saber! Ainda tinha chance dele ser um cara bacana com... com... sei lá, com gente nova na cidade, talvez? Com meninas novas, então...? Meninas novas e de cabelo rosa...? ...Não?

Melhor ela voltar a prestar atenção em Hinata.

- Está me ouvindo? – perguntou, finalmente parecendo perceber a ausência de atenção da de peruca loira.

Sakura riu e disse que não. Mas ela prestaria dessa vez. Já perdera tempo demais filosofando sobre coisas que não a levarão a lugar nenhum e precisava mesmo compensar a morena de alguma forma. Era uma pessoa adorável e Sakura queria muito firmar uma boa amizade com ela.

- Ah, parece que Konan-sensei está... – puxa, de repente, brotou uma ideia tão simples na cabeça da Haruno...

E se... Somente se... ela falasse com Sasuke? Assim... diretamente! Esclarecer as coisas! Se pudesse falar com o Mono sobre o assunto ela podia ou amenizar aquele clima ou transferir 100% da culpa para ele e se livrar daquele fardo! Era perfeito!

Infelizmente o Uchiha parecia não estar frequentando as aulas nos últimos dias... Perguntou-se porque.

Talvez Hinata soubesse de alguma coisa.

- ...esse trabalho escravo de novo que...

- Ei, Hina, por onde anda o Sasuke, hein?

A garota interrompeu a frase bruscamente, fazendo a Haruno se dar um tapa mental pelo que havia feito.

Iiiiiisso, Haruno, muuuuuito booom! Ignora a garota pela terceira vez consecutiva só pra abrir a boca e mostrar que esteve pensando no namorado dela o tempo todo (Quase. A maior parte do tempo)! Nossa, cara, parabéns, sou sua fã!

"Ah, cala a boca, Cérebro!"

Quando olhou para a Hyuuga ela fazia uma careta esquisita, meio difícil de decifrar, mas que a lembrava muito da cara que o Kidd e o BlackStar (de Soul Eater. Ino adorava esse cara) faziam sempre que lembravam ou reviam o tal do Excalibur.

E para a surpresa da Haruno, a Hyuuga respondeu.

- Ele não pretende voltar nem tão cedo. Vem só pra pegar as matérias da semana e levá-las para estudar na casa do Naruto-kun.

- Ele vai se hospedar lá durante a semana toda?

Hinata fez que sim com a cabeça e completa:

- E não será o único a "fugir para as montanhas". Logo a maioria dos Yotes vão sumir pelo menos durante a mudança de Março para Abril... Você muda bastante de turma, vai acabar entendendo.

Quando achou que já conversavam há bastante tempo (ainda que tivesse deixado a Hyuuga falando sozinha na maior parte), A professora volta para a sala (Quando que ela saiu?!) e foi distribuindo folhas para os alunos.

Reparou que Deidara não estava mais sentado lá na frente...

- Oi, eu sou Deidara! Você é nova por aqui "loirinha linda"?

Sakura quase deu um mortal em seu lugar. O rapaz havia se materializado a seu lado, explicando que ouvira a Hyuuga dizer que estavam sem tinta e veio oferecer o material dele. Seria uma boa hora para Sakura se desesperar pelo risco de ser reconhecida se não fosse uma coisinha...

- Han...? "Loirinha"...?!

Ela logo olha para as mechas a cair sobre seus ombros, praticamente suspirando aliviada ao lembrar que estava disfarçada. Então fora por isso que baixara a guarda, decidindo assistir a aula mesmo com o rapaz presente... por um segundo achou que havia se descuidado.

- Muito bem seus molengas desgostosos com a vida! – chamou Konan,voltando para a frente da sala e batendo na lousa digital com as unhas púrpuras, fazendo todos olharem para o título no qual estivera estivera trabalhando nos últimos quinze minutos... – Eis aqui sua tarefa de hoje!

"BAILE DE BOAS VINDAS - a primeira conquista!" estava escrito, ou melhor, desenhado por metade da lousa touch, feito entre rápidos rabiscos coloridos do tablet nas mãos da tutora. Claramente um rápido rascunho para ela... mas uma pintura de dias para alguém como a Haruno... Simplesmente maravilhoso!

Logo abaixo, na corrida letra cursiva de Konan, os dizeres "...se ferraram, otários."

Sakura ergueu a sobrancelha, tentando decifrar o significado daquilo.

- Perdida, un? – perguntou o loiro. E ela concorda devagar com a cabeça.

Hinata riu ao preparar o material (o que restava dele) e explicar...

- Tsunade-sama não costuma contratar agências de eventos pra essas coisas de faculdade. Ela prefere sortear uma turma diferente a cada evento e deixá-la de responsável pela festa. É simplesmente incrível como essas coisas nunca caem para a turma de Dança, dando tempo de sobra para aquela Fuun-baka fazer suas apresentações! Eu juro que um dia ainda reclamo com Tsunade-sama por causa disso...

"Fuun... Fuun..." de onde Sakura se lembrava daquele nome?

- Está se referindo à queridíssima líder do Clube de dança da UniKo? – pelo tom do "queridíssima"

Ficou nítido que Deidara amava aquela mulher quase tanto quanto Hinata. Só quase.

- A própria! Lembra dela, não lembra, Sak? A maledeta ganhou o concurso do Bee em número de views e como recompensa fora a primeira a dançar no Flash...

E em sua cabecinha cheia de amnésia a Haruno se lembrou da figura bonita e imponente chamando a atenção de todos em pleno aeroporto. Os longos cabelos escuros, os compenetrados olhos azuis... Então aquela era a líder das "Hime". Nem ela nem Ino acharam sua interpretação no Flash assim tão espetacular...

- Ela é boa mesmo ou é só pose?

Houve uma pausa meio drástica na fala da Hyuuga que Sakura não soube muito bem como interpretar... A Japa sorri, meio doce, meio sinistramente e prossegue:

- Nãão, não...! Ela é péssima, mas como é rica e bonita, todos a amam! Nós dançamos MUITO melhor porque somos unidos como irmãos, cheios de amor no coração e espírito de equipe e... EM QUE MUNDO VOCÊ VIVE? DISNEYLANDIA?! NÃO! – explode a Braba e fazendo o pobre Deidara dar um pulo em seu lugar. - É CLARO QUE ELA É BOA! ELA É EXCELENTE QUASE PROFISSIONAL! E isso me tira do sério que ela sabe que é boa.

- Você parece ter tido uma infância tão complicada...

E a morena finalmente se acalma, vermelha de vergonha ao perceber os olhares do resto da turma caindo sobre si. Um dos olhares, Sakura reparou, era especialmente feroz...

- B-b-b-bom, é realmente um clichê, você tem que admitir.

- Un – concorda o loiro, do nada. – É por isso que eu e meio brother preferimos DreamWorks, un!

- Ah, você também, Deidara-san!?

E ambos seguram as mãos um do outro, gritando e pulando feito fan-girls o quanto preferiam um estúdio ao outro.

Ok, bonitinho e tals, mas... tinha algo naquela história toda que a estava deixando inquieta...

O que era mesmo...?

Ah!

- Ows, quando você disse que a Tsunade sortei uma turma para " ficar de responsável pela festa"- pergunta finalmente, lembrando do mau pressentimento - você diz...

- Cartazes, decoração, comes, bebes, limpeza e o que brotar na cabeça dela. Un!

...

- Nossa... que coisa, - e a Haruno se prepara para a derradeira fuga, guardando suas coisas na mala, colocando-a sobre um dos ombros e andando calmamente, reparando com uma pontada de agonia que suas pernas se mexiam mas ela não saia do lugar porque Hinata (e não é que a coisinha era forte?!) a segurava pelo capuz do moleton enquanto sacudia a cabeça naquele ton de "Ah, não foge, não..." – é-é-é que... eu acabei de lembrar que havia prometido pra Ino que hoje eu ficaria na turma dela e...

- Ino? Esse nome não me é estranho, un...!

"Droga!" pensou Sakura quase engasgando. "Mude de assunto, mude de assunto, rápido!"

De dentro da mochila semiaberta do loiro, algo branco e pesado parecia tentar fugir...

- Adorei a escultura, foi você quem fez, Deidara?

E os olhos do loiro brilharam como se soltassem raios explosivos deles com o elogio.

- Com certeza, un! - e retirou outras cinco esculturas enormes que mal pareciam caber ali, pronto para falar horas e horas delas enquanto a Hyuuga dizia "Ohhhhh!", terminando de preparar os materiais para sua missão do dia e colocando-os de lado para observar as esculturas...

"É, parece que vou ter que ficar..." choramingou.

Foram quase duas aulas inteiras de cartazes, folhetos e acessórios decorativos e após o intervalo iriam todos para o ginásio completar a decoração. Sakura lembrava agora de todas as vezes que recebera um email ou vira de fato um panfleto falando sobre o tal baile que teriam naquela noite. Aquele não era um evento marcado de última hora...

...mas era um evento preparado de ultima hora.

Por quê?!
Artistas... esse é o porque.

De qualquer forma desceram todos para o ginásio fechado que ficava no térreo e dividia a área entre a Universidade de Konoha e o Colégio. Lá, atrás de altas, gorras e aveludadas cortinas azuis, o palco era preparado por alguns estudantes do Clube de Dança enquanto Konan os guiava para os bastidores do Curso de Teatro para pegarem algumas coisas emprestado. Estavam acabando de dobrar e empilhar os tecidos que seriam usados na decoração, prontos para descer até o ginásio maior, que dividia a Universidade de Konoha de seu Colégio quando ruídos começaram a sair dos auto alunos começavam a murmurar, outros a rir e uns poucos a fechar as caras com irritação... Todos já sabendo do que está por vir.

Vinheta do Jornal Nacional

"E agora as últimas notícias" anunciava a pomposa voz de Alvin "A misteriosa onda de convulsões se espalha por Universidade Local... Estamos ao Vivo com Repórter Ninja. Está me ouvindo, Ninja"

Antes que a voz de Alvin desse lugar para a mais nova personagem dessas aparições, os corredores já estavam repletos de sons de risos e deboches. A seu lado, Deidara solta um triunfante "...eu sabia, un!". Aqueles que já haviam lido o jornal da universidade já estavam a par da gafe da semana...

Segundos depois, a voz de Alvin muda para a voz da esquilete Brittany preencheu os corredores.

"Alto e claro, Anônimo. Pois é, estamos aqui ao vivo na UniKo, onde, por motivos ainda não desvendados pelos cientistas, todos estão tendo convulsões pelos corredores"
E de fato era o que parecia acontecer... quem não estava se contorcendo de rir por não entender a piada – Sakura e Hinata especificamente, mas também meia dúzia de gatos pingados - correu para o jornal mais próximo.

E bingo! Lá estava, como matéria de primeira página:

"Oficializado como um dos Sete Mistérios de Konoha, o inconveniente e alto-declarado 'O Âncora Anônimo' causa convulsões por toda a Universidade..."

Hm? ...confusões, talvez?

É, parece que algum infeliz passou o corretor gramatical errado sobre o texto... Sakura e Hinata sorriram diante da gafe. E o texto continuava:

"Nas últimas semanas em específico, surge também outra figura misteriosa impregnando os altofalantes. Conhecida como 'A Repórter Ninja', embora não se possa confirmar se tratar mesmo de um novo miante..." Seria... meliante...? "...ou o próprio Anônimo tentando futilmente chamar ainda mais atenção para si."

"É um fenômeno i-nex-pli-cá-vel, Anônimo! Eu mesma estou sentindo a onda de bizarrice tomar conta! Estou quase convulsionando e... puxa, você parece tão... alto... e declarado" bajulava Brittany em pleno alto falante, tornando possível inclusive imaginar a esquilete se aproximando e mexendo as sobrancelhas xavecantemente... "...andou fazendo algum exercício especial, foi?"

Ok, agora os sorrisos dela se transformaram em risadas.

"Huhuhu..." respondeu a voz de Alvin. "...Nada de mais, Ninja. Andei malhando aqui, sendo inconveniente acolá, nada fora da rotina, sabe? Mas obrigado por notar..."

"Hmm... Miau!"

Em seu escritório, levando a mão à testa e sentindo furiosas cócegas correndo por todo o abdome, até Tsunade, a inimiga declarada dessas aparições desde que pagara o novo equipamento de som da Universidade que ele, não ela, ele quebrara, se segurava pra não dar risada.
Não lembrava exatamente quando aquilo começava, mas era mais que claro que fora culpa do Jornal... Desde o momento em que a primeira lista de fatos saíra na página de esportes, uma hostilidade parecia emanar dos alunos responsáveis pelas notícias da Universidade... E nem se sabia por que, já que o número de leitores nunca fora tão grande, mesmo com as aparições e reportagens só brotando uma vez por semana, quando não uma vez por mês! Há pouco tempo que eles decidiram parar com as notícias sobre... bom, sobre o que quer que escrevessem antes, para falar mal do tal Âncora. Começou normal, com aquele papo de como aquilo devia ser considerado vandalismo e um desrespeito à integridade da Universidade, mas ninguém dava a mínima.

Então começou.

Os ataques diretos, as fofocas, as suspeitas girando em torno de alunos que os membros do Jornal já não gostavam desde antes da primeira aparição... Qualquer deslize, gafe ou até erro ortográfico durante as provas de alguém que, por qualquer motivo, não caia nas graças dos membros responsáveis pelas notícias, era motivo para difamação. Hinata aparecia na lista (sim eles têm a coluna de fofocas, o horóscopo e a lista negra semanalmente atualizados), hora ou outra, geralmente em tempo de competição de dança (coincidência? Acho que não!), Sai praticamente nascera lá e muitos outros, fosse por bobeira, fosse por realmente serem irritantes tinham a entrada e saída de seus nomes lá como uma espécie de rotina. A própria Sakura havia entrado para a lista negra no Jornal uma vez, quando visitara o curso de Medicina e dormira praticamente o período inteiro. Ino entrara umas quinze, só por ser do jeito que ela é. Mas foi quando a fofoca chegou ao extremo de causar a desistência de dois alunos por conta da humilhação é que a briga ficou pessoal. E quando quer que houvesse um erro, uma gafe, uma frase mal elaborada ou ambígua durante a semana... Lá estava Âncora e Ninja dando o troco e/ou averiguando a história, geralmente quinta ou sexta.
"...E agora, os fatos. É com você, Âncora!"

"Obrigada, Ninja."

Fato n 77: Uchihinha, Uchihinha... cuidado com as pegadinhas!
Ok, isso não foi exatamente um fato, foi mais uma ameaça... Mas a ameaça é um fato! O resto de vocês logo vai descobrir o porquê, não é mesmo, Sasuke-kun?

Fato Inusitado nº 18: Pessoas paranoicas [pra não dizer Fuun] tendem a conversar com o espelho.

Do canto da sala, próximo às araras de fantasias, uma revoltava menina de cabelos castanho-claros se levanta indignada, reclamando das noticias com dois colegas. A coisa chegou ao ponto de incomodar Konan [algo extremamente raro, apesar de não parecer] e ser convidada a se retirar, e isso pouco depois que o intervalo começou. A Haruno mal sabia que era possível expulsar alguém da sala depois que o intervalo começa...

Ao sair, a pobre garota, de nome Matsuri, não perde a chance de dar uma última olhada furiosa para elas, para Hinata mais especificamente, do jeito que fizera quando a 'Japa Braba' explodira, falando sobre as Hime, Disney e coisas assim.

Os lábios dela mexeram e, para quem quer fosse atento o bastante era possível lê-los dizendo "... é culpa sua..." ao sair e fechar a porta atrás de si.

A Haruno e a Hyuuga se encararam. Deidara encarou as duas.

- É o que parece...? – perguntou a Hyuuga, temendo ter entrado novamente na Lista Negra do Jornal.

- Num sei, mas parece ser o que é. – responde o loiro recebendo aqueles olhares confusos que até então apenas Ino era capaz de conquistar.

E falando em Ino, Sakura tinha que pensar em alguma maneira de não deixar os dois se esbarrarem...

Não reconhecê-la pela peruca loira era uma coisa... Não reconhecer Ino, bom...

... Não é como se sua meio-irmã-gêmea fosse alguém fácil de se esquecer.

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Enquanto isso na batcaverna...

O quarto estava uma bagunça. Sim, a típica bagunça e isolamento ao qual sempre se submetia no inicio de ano. Se não fosse pela velha pirada, aquele desapego se estenderia por todo o ano, senão pelo resto de seus dias. Mas a mulher era chata. Perigosamente chata. Somente nesses meses de pesar era que sua avó o deixava em paz... com sua bagunça, com sua solidão.

Não era do seu feitio... Não. Ele era um cara centrado... meticuloso, pra não dizer "fresco".

Suspirou. O aperto em seu peito se intensificou.

Sentia falta da bagunça indesejada... aquela que sempre faziam quando quer que ele gritasse para irem encher outra pessoa. Os rabiscos nas paredes... as roupas de bonecos de ação em suas peças de arte... Tudo o que mais pedira para pararem de fazer, anos depois, era o que mais lhe doia agora que se foram.

A mão calejada de artesão foi até o peito e puxou a blusa, como se estivesse prestes a sofrer um ataque cardíaco. E poderia... poderia porque-

"XANANA NANANAAAAAA... ÉOQUÊOQUÊOQUÊOQUÊ..." O rapaz dera um pulo, segurando o peito com ambas as mãos agora, prestes a de fato TER um ataque cardíaco.

"Maldito, trocou o toque do celular de novo!"

E ao atender àquela aberração:

"OEEEE! TÁ ACORDADO?!" fitou o aparelho com desprezo, prestes a desligá-lo. Mas o idiota começara a gritar, como se soubesse o que ele ia fazer. "ME ESCUTA! ME ESCUTAAAA!" repirou fundo, levando o celular de volta para o ouvido.

"ÉHOJE! O BAILEQUETEFALEITRODIAÉ- "

Tu.

Desligou.

Mas antes que pudesse voltar a dormir...

"XANANA NANA-"

Outro pulo. Atendeu mais por vício do que por vontade.

- O que. Você. Quer?

"Baile." Foi a resposta.

As duas linhas permaneceram em silêncio por alguns segundos. Até seu amigo retardado voltar a falar, ousando usar aquela voz de preocupação.

"Escuta, eu sei que a rotina é essa... Ano Novo, depressão por meses, e então seguir a vida ou tê-la tirada pela velha... Mas será que, só dessa vez, a gente não pode pular para a parte... que você decide tacar a vida pra frente?"

Tch.

Aquilo dera outra torcida em seu peito.

Tacar para frente...

"Tipo... Já faz dois anos, Danna." Aquela preocupação fazia o sangue do ruivo ferver. Mas Deidara tinha razão em um certo ponto. "Taca pra frente, un."

E outro suspiro se fez ouvir. Olhando pro celular, Akasuna no Sasori percebe que o imbecil trocou também seu plano de fundo. Era uma foto velha que sua avó tinha no cômodo do quarto dela e o infeliz tivera a audácia de escanear...

Mas olhando para aquela lembrança... Sasori sorriu.

- Tacar para frente...

"Un."

E ele tacou o celular para frente, com força, com fúria, fazendo-o quase se despedaçar na parede, sendo poupado única e exclusivamente por ter quicado em uma de suas marionetes antes de cair no bagunçado chão.

Em sua tela agora trincada e com pixels coloridos borrando a imagem, um menino e duas meninas pintavam as paredes e cabelos com as mãos. O cabelo dele fora sujo de verde, o da loira de azul e o da ruiva de rosa. Rosa claro. Rosa bebê.

Como uma cerejeira.

A tela piscou duas vezes... E apagou.

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- PÁRA DE DESLIGAR NA MINHA CARA! – os alunos que passavam fitavam o bizarro loiro a gritar com seu aparelho celular em pleno corredor. – Tch. Aposto que quebrou. Já é o quinto celular que ele estraga, un...

Bufou e colocou ambas as mãos nos bolsos de seu jeans, guardando o aparelho. Precisava da ajuda de seu brother, mas o imbecil não dava a mínima. Estava ocupado demais ancorado no passado.

E o loiro estava apreensivo. Não sabia nem o porquê.

Era como estivesse esquecendo-se de algo. Algo que tentava e tentava escapar de seu subconsciente, da parte que lembra, até a parte de seu cérebro que cuida do que o interessa, a parte que pensa...

"Tch." Soltou uma última vez enquanto chutava o rodapé da parede. Foi quando ouviu uma risada conhecida. Lá, bem mais à frente, numa das mesas da cafeteria suas novas amigas conversavam. A de peruca loira parecia estar bem mais ocupada mandando mensagens pelo celular como se não houvesse amanhã. Elas provavelmente estavam esperando outras pessoas.

...mais amigos.

Unn.

Sorriu.

"Se o imbecil no Danna não vem arrumar uns amigos..." e segue caminho rumo àquela mesa rindo quase que megalomaniacamente, fazendo mais e mais alunos fitarem-no com certo receio.