Capítulo 8 – As conseqüências de ser Gina Weasley


Passou o dia evitando Rony, Hermione, os gêmeos, sua mãe e seu pai (ou seja toda sua família). Não encarou nenhum membro da Ordem e basicamente não abriu a boca. Rony e Hermione decidiram que ela estava apenas emburrada e frustrada com o fato de Malfoy não ter aparecido.

O fato era que ela estava frustrada, mas não pelos motivos que eles suspeitavam. Fazer um acordo com Narcissa Malfoy deixou um gosto horrível em sua boca e uma enorme sensação de que cometera um erro.

E o pior era que nada evitava que ela contasse para todos sobre o "pequeno acidente" de Malfoy.

Nada, a não ser a palavra dela. A promessa de que ficaria calada. Estava certa em esconder de todos algo importante por motivos pessoais?

"Motivos egoístas" sua consciência (na forma de Hermione) a lembrou.

Tentou ignorar completamente o argumento. Esperar dois dias não era algo tão grave. E, com sorte, teria mais do que Malfoy caído no chão para provar que ele estava tramando algo.

Havia tantas perguntas, tantas suspeitas. Já não era apenas Malfoy, mas aquela casa: o que estava naquele quarto de tão importante para ter proteções? Era claro que Malfoy não era o único escondendo coisas.

Agitada, não conseguiu parar um segundo num lugar só. Atravessou os corredores, subiu e desceu as escadas. Sentou na cozinha, depois levantou e foi até a sala da tapeçaria, perambulando pela casa sem destino.

Encontrou Narcissa Malfoy uma vez, trocaram breves olhares, mas Gina não arriscou uma conversa. Não queria descobrir mais motivos para se sentir culpada.

Era noite quando Snape voltou. Gina soube o momento exato, porque ficou atenta a qualquer barulho remotamente parecido com a porta de entrada. Pela primeira vez em sua existência ficou contente ao vê-lo. Teve até que se segurar para não abordá-lo de imediato, exigindo que acordasse Malfoy.

Teve o incrível autocontrole de esperar até que Narcissa a chamasse, uma hora depois.

- Severus concordou em ajudar Draco. Está revertendo o efeito da maldição agora mesmo. Acompanhe-me.

Assentiu, seguindo a mulher para quarto ao lado do de Gina e Hermione. Snape estava concentrado em Malfoy e mal notou a presença de Gina. O que foi inesperado, ela achava que ele teria problemas com sua presença. Talvez Narcissa já o tivesse avisado do acordo que tinham.

A palidez e imobilidade de Malfoy ainda lhe deixavam incomodada. Como se estivesse num velório, esperando um discurso e o enterro.

Horas e passaram. Cansada de ficar de pé, apoiou-se na parede mais próxima, analisando o trabalho de Snape. Obrigava o desacordado a beber uma poção com um cheiro terrível, o esforço garantiu a primeira prova de que o garoto ainda estava vivo.

Gina soltou a respiração que nem sabia que segurava, quando Malfoy engasgou com a poção e quase cuspiu tudo na cara de Snape.

Fechou os punhos, ansiosa, quando os olhos cinza de Malfoy se abriram.


Ele sabia imediatamente que estava encrencado. Ninguém acorda com a cara de Snape tão próxima ao menos que esteja completamente encrencado. Bastou a voz do mestre de Poções chegar aos ouvidos de Draco, que lembrou do erro que cometera em frente ao quarto de Regulus Black.

- E então? O que estava fazendo lá? – Snape repetiu, tom irritado.

- Lá?

Seus olhos se ajustaram à luz fraca do recinto. Estava em seu quarto (não em seu querido quarto na mansão, mas no da sede da Ordem, infelizmente), deitado na cama e estranhamente suas pernas e mãos estavam adormecidas. Snape o encarava com profundo desgosto, enquanto sua mãe tinha uma expressão preocupada ao seu lado.

Mas o que lhe deixou mais confuso foi a presença da Weasley, perto da porta, observando tudo com atenção.

- Não banque o ignorante, Draco. Sabe muito bem do que estou falando.

- Apenas nos diga o que aconteceu, filho. Com calma, não temos pressa – a última parte foi direcionada a Snape.

- Agora? Não podemos esperar... Até termos um pouco de privacidade? – sua voz estava rouca e tremia.

Sua mãe trocou um olhar com Weasley e Draco franziu a testa ao notar que ninguém iria enxotá-la do quarto.

- A srta. Weasley foi quem o achou – informou Snape, desgosto ainda mais forte. – Afinal você estava caído na frente do quarto do irmão dela.

A mensagem era clara: "Você é um idiota sem sutileza". Dessa vez Draco concordava plenamente com o professor.

- E dai? O que ela quer? Uma recompensa? – riu, buscando conforto no sarcasmo.

- Eu não vou sair daqui até que você se explique, Malfoy. Sua mãe e eu temos um acordo.

- Minha mãe está virando uma especialista em acordos, pelo visto.

"Mais uma traição para colocar na lista", pensou amargo. Sua vida tinha se tornado uma série de decepções, fracassos e más decisões.

- Está certo – suspirou.

A mentira tinha de ser boa e o suspiro lhe dava alguns milésimos preciosos de segundos.

- Eu estava curioso sobre a... – lembrou que Weasley estava ouvindo tudo. -... O que tinha naquele quarto.

Weasley soltou uma risada curta e sarcástica.

- É isso sua desculpa? Curiosidade?

Mas felizmente sua mãe e Snape não acharam a explicação tão absurda. Afinal, sabiam o que havia lá dentro e que Draco estava ciente que se tratava de algo importante. Porém, ele estava longe de escapar daquela situação.

- Essa parte nós já imaginávamos, Draco – insistiu Snape. – A questão é: se tinha noção das proteções...

- Mas eu não tinha!

Seus olhos de imediato se encontraram com os de sua mãe. Ela sabia a verdade, mas será que o trairia mais uma vez?

- Achava que poderia entrar no quarto sem problemas – insistiu, evitando encarar Snape e não ter seus pensamentos lidos. – Não imaginava que havia feitiço até mesmo na maldita maçaneta.

- Sua ignorância é surpreendente – Snape disse, venenoso. – Conveniente também.

- O que tem nesse quarto afinal? – Weasley interrompeu, de repente. – O que precisa de tantas proteções?

- Fique quieta, menina. Já basta estar aqui, não atrapalhe.

Weasley abriu a boca para retrucar, mas foi a vez da mãe dele falar.

- Discutir não vai nos levar a lugar algum. O importante é que Draco não sabia o que estava fazendo, não é mesmo? Estava apenas curioso, mas não tinha más intenções.

Snape não parecia convencido. Weasley muito menos.

- Estaria disposto a tomar Veritasserum para provar sua inocência?

"Não mesmo!".

- Isso é necessário, Severus? A palavra dele não basta?

- Estamos em guerra, Narcissa. Palavra alguma basta.

- Mas a decisão não é sua.

Finalmente Snape, a contra gosto, desistiu.

- Que seja. Quando Dumbledore chegar, ele escolherá como lidar com a situação. Porém, da próxima vez que o pegar em uma situação tão suspeita, Draco, não lhe darei o benefício da dúvida outra vez.

Assentiu de leve, surpreso com o tamanho de sua sorte. Estava quase certo de que seria preso e jogado em Azkaban como o pai, mas, finalmente algo deu certo. Ou pelo menos, não foi tão horrível como poderia ter sido.

- Nada mais justo – Draco respondeu, engolindo em seco. – Agora será que posso ter um pouco de privacidade?

- É claro. Vamos deixá-lo descansar agora – sua mãe sorriu, movendo-se para a porta.

Nem Weasley, nem Snape mexeram um músculo. Sentindo a hesitação de ambos, ela se aproximou da garota ruiva e sussurrou algo em seu ouvido, irritando Draco. Seja lá o que as duas estavam fazendo, ele não aprovava. As palavras surtiram efeito e Weasley assentiu, lhe deu um olhar irritado e, com a mãe dele, saiu do quarto. Snape, no entanto, permaneceu onde estava.

- Severus? – sua mãe questionou, segurando a porta. – Draco precisa se recuperar.

- Um minuto, Narcissa. Preciso checar se há mais algum sinal da maldição.

Nem Draco, nem ela acreditaram na desculpa.

- Severus... Por favor.

O tom cansado e suplicante foi ignorado prontamente. Suspirando, ela deixou os dois à sós. Draco engoliu em seco novamente e continuou evitando o olhar do professor. Sabia que tinha sido fácil demais. Snape não deixava passar nada, muito menos quando alguém tentava esconder algo.

- Sei que está mentindo.

Draco não respondeu, continuou apenas encarando o teto. Seus dedos se fecharam contra as cobertas da cama.

- Reconheço os sinais de tentativas amadoras de Oclumência como a sua. Estou curioso em saber exatamente por quanto tempo você acha que vai conseguir manter seu segredo.

Cruzaram olhares por um instante, depois Draco voltou a fitar outro ponto, mas sua testa começava a suar.

- Cedo, em vez de tarde, um deles irá descobrir.

- Eles... Quem?

- Dumbledore – fez uma pausa. – E o Lorde das Trevas.

Não disse nada. Sua garganta estava seca. Segurou a vontade de limpar a testa molhada.

- Ambos irão extrair a informação que tanto esconde como alguém roubando doce de uma criança. Ambos têm modos eficazes para tal. O primeiro, no entanto, o fará de modo menos doloroso, porém, não menos invasivo.

- Não sei do que está falando – era um argumento fraco e ambos sabiam.

Snape continuou, satisfeito ao notar que suas palavras estavam deixando-o nervoso.

- Não? Então deixe-me esclarecer. Você tentou roubar a Taça porque quer usá-la para barganhar por algo. Talvez seja uma posição importante no circulo dos Comensais, talvez seja... A libertação de seu pai. Estou chegando perto?

Draco engoliu em seco, mordeu o lábio e quase fechou os olhos, em derrota. Como Snape poderia saber tanto? Teria Voldemort contato os planos para ele? Quem estava traindo quem?

"Ele está só adivinhando. Não tem provas, está querendo te deixar nervoso para cometer um erro".

- Se o que você diz sobre Dumbledore descobrir meus planos malignos, bem, então você só tem que esperar. Vai ver eu não tenho nada a esconder.

- Veremos. De um jeito ou de outro, está jogando um jogo muito perigoso. E, confie em mim, você não tem o que é necessário para ganhar.

Mais uma vez Snape o deixou sozinho e derrotado.

Draco não tirou os olhos do teto. Não teria uma segunda chance. Não com Dumbledore chegando e Snape desconfiando de cada passo que ele tomasse. A Taça podia estar logo acima dele, mas, em realidade, tornara-se inatingível agora.

Ele era um fracasso. Um fracasso responsável pela morte do próprio pai.

E o medalhão estava vermelho.

Bellatrix o esperava.


- Nós tínhamos um acordo.

- Dane-se o acordo. Ele não disse nada de útil, só mentiras. O que tem naquele quarto?

- Não posso falar.

- Então você sabe também – Narcissa ficou quieta e não elaborou, Gina bufou. – Ótimo, se não vai me contar nada, eu vou falar sobre o pequeno acidente do Malfoy para todos que quiserem ouvir.

- Seja razoável. Cumpri minha promessa, você estava lá no minuto em que ele acordou. Nosso acordo não incluía nada além disso.

- Mas eu quero saber.

Narcissa abriu um sorriso condescendente que só deixou Gina mais irritada.

- Queremos muitas coisas. Nem sempre as conseguimos.

A mulher a estava tratando como uma criança birrenta e Gina não podia fazer nada para impedi-la. Toda a culpa de esconder algo de seus amigos e parentes para nada. Ela realmente odiava os Malfoy.

- E, de qualquer forma, não fará diferença dentro de algumas horas. Dumbledore vai chegar e será ele quem decidirá o que fazer com Draco. Se quiser saber o que há naquele quarto, terá que perguntar a ele. Ou ao seu amigo Harry Potter. Duvido que um deles fale algo, no entanto. Você é muito jovem para fazer parte da Ordem.

E com isso a mulher a deixou no corredor, sozinha, frustrada e sentindo-se uma perdedora.

Praticamente arrastando seus pés, Gina foi para o quarto de Rony, apenas jogando um olhar rápido na direção da porta tão misteriosa antes de entrar e encontrar o irmão andando pelo cômodo, contente de finalmente estar totalmente curado.

- Mas não vá exagerar, Rony. Todo cuidado é pouco – insistiu Hermione apesar do sorriso satisfeito ao vê-lo se movimentar com facilidade.

- Certo, certo... Ah, Gina! Veja só! Sem mais prisão domiciliar! Posso ir aonde quero agora.

- Parabéns, Rony – respondeu, sem nem mesmo tentar fingir animação.

Hermione e Rony se entreolharam, como já se tornara costume em tudo o que era relacionado a Gina.

- Alegre-se, hoje vamos montar os feitiços novamente. Se Malfoy tentar sair, não vai nos escapar.

Infelizmente, ela duvidava que o garoto conseguisse sair da cama tão cedo. E o fato de que estava novamente no escuro lhe roubou qualquer animação. Preferiu mudar de assunto e os outros dois ficaram mais do que felizes em distraí-la

Ao final do dia concordaram em manter vigília, Gina apenas o fazendo para ter certeza completa de que nada mais lhe escaparia, apesar de suas dúvidas sobre a necessidade de vigiar Malfoy naquela noite.

Quando provou-se errada, o choque foi enorme.

Eram duas horas da madrugada quando o alarme silencioso de Hermione tocou, alertando a saída de Malfoy. Estavam de pé e prontos imediatamente, mas Gina permaneceu cética até ver com os próprios olhos a forma de Malfoy andando rápido pelas ruas de Londres. Seu cabelo estava ruivo e mais longo, porém, o disfarce não podia enganar quem já o conhecia e estava o procurando.

Era difícil acreditar que ele se arriscara a sair tão cedo. Além de estar debilitado (aparentemente, Gina concluiu), tinha que imaginar que, se não ela, Snape estaria observando-o. Enquanto o seguiam, deduziu que ele só poderia ter tido êxito em o que quer que fosse que desejava, ou então teve que aproveitar a provável última noite antes da volta de Harry e Dumbledore.

De qualquer forma, de um jeito ou de outro, Gina finalmente descobriria o que ele estava tramando. Podia sentir que aquela seria a noite decisiva.

As ruas vazias de Londres tornava a tarefa de segui-lo sem serem notados difícil. Hermione garantiu que não ficassem perto demais, mas Gina estava ansiosa demais e cada aparente chance que Malfoy escapara da visão dos três, ela avançava o passo e ignorava os conselhos da amiga.

- Eu sei para onde ele está indo – Hermione insistiu, quando Gina pediu para irem mais rápido pela vigésima vez. – Só existem alguns lugares mágicos por aqui.

- E se ele não estiver...

- Malfoy não conhece a Londres trouxa, Gina. Relaxe. Sei o que estou fazendo.

Bufou. Mas menos de um minuto depois, Hermione provou-se certa. Malfoy entrou no Hospital St. Mungos.

Infelizmente, o lugar estava lotado. Aparentemente uma ponte londrina havia explodido e e os feridos foram encaminhados para o hospital. A ala de espera continha um volume assustador de pessoas cansadas, doentes, feridas e seus familiares exaustos. Malfoy ignorou tudo e, com uma pressa enorme, subiu os andares.

Foi no terceiro andar que o perderam, em meio a interrupções das mais frustrantes. Macas, medibruxos e pacientes em cadeiras de rodas atravessando e os impedindo de ver onde exatamente Malfoy tinha ido.

- Vamos nos dividir – Gina sugeriu, não querendo perder mais tempo, não agora que estavam tão perto.

- Péssima idéia – disse Rony, ainda massageando o joelho atingido por uma maca desgovernada.

- Única idéia – replicou ela, irritada.

- Gina, você sobe. Rony procure nos quartos dos pacientes. Eu vou descer e vigiar a entrada, talvez ele tenha nos percebido e está tentando nos despistar.

Assentiram e se separaram. Gina subiu as escadas tão rápido que chegou a imaginar que estava no último andar. Foi quando parou para buscar fôlego que ouviu.

Passos.

O eco de passos apressados.

Poderia ser qualquer pessoa. Alguma enfermeira correndo para ajudar alguém. Um medibruxo indo para uma emergência.

Mas, de alguma forma, ela tinha certeza de que era Malfoy. Talvez fosse a frustração e culpa a empurrando para uma solução fácil... Algo finalmente dando certo.

Pouco importava o motivo, Gina já estava subindo para o andar seguinte, depois para o próximo, mais um e mais outro, até chegar ao último.

Ver o cabelo ruivo falso dele quase a fez pular em triunfo. Observou de longe ele pegar uma carta, lê-la e então guardá-la no bolso. Não era exatamente uma revelação de seus planos, mas ao menos era prova de que ele estava em contato com alguém que não deveria.

Mal parando para respirar, ele seguiu para escadas outra vez. Estava nervoso, ela podia ver, mas ao contrário do que previa, não estava atento ao seu redor, muito menos notara estar sendo seguido. Não. Seu nervosismo era por outro motivo. Suas mãos de segundo a segundo sentiam o papel dentro do bolso, como se fosse algo que não podia esquecer.

Quando ele chegou ao andar térreo não foi em direção à porta de saída, onde Hermione o esperava. Em vez disso, mudou de curso, diminuindo o passo e seguindo para uma ala em construção do hospital. De alguma forma, ele rompeu o cadeado que impedia a entrada de pessoas não autorizadas e Gina teve que correr para alcançar a porta antes fechasse novamente, a segurando com o pé para não bater.

Esperou um tempo antes de abrir-la definitivamente, para criar uma distância segura entre Malfoy e ela, e depois entrou.

Havia a sensação familiar de magia ao seu redor. Como sentia n'A Toca quando seu pai resolvia adicionar mais um andar ou alargar a cozinha pela décima vez. Pensar em sua casa a deixou triste subitamente, lembrando que não tinha mais casa. Era fácil fingir que estavam no Largo Grimmauld apenas passando as férias.

Balançou a cabeça, querendo afastar aqueles pensamentos, não era hora.

Não havia luz, apenas um brilho leve nas paredes, que mudavam de cor. As janelas e portas cresciam, rangendo enquanto a madeira se adaptava. O relativo silêncio facilitou sua busca por Malfoy. Não precisou procurar muito para ouvir vozes abafadas vindas de uma sala de operação próxima.

Aproximou-se da porta dupla e pegou do bolso uma orelha extensível (cortesia de Fred).

Achava que estava preparada para qualquer coisa que Malfoy estivesse fazendo, mas mesmo assim ficou surpresa ao reconhecer a voz de Bellatrix Lestrange, o tom raivoso marcado na mente de Gina provavelmente para o resto da sua vida.

- Onde está? – rosnou a mulher e Gina imaginou rapidamente a face supostamente bonita contorcida com raiva. – Estou perdendo a minha paciência!

O som de uma cadeira batendo contra a parede ecoou.

- São muitas proteções! Metade das quais eu nem conheço o nome!

- Arranje um jeito! – o grito foi agudo e seguido de mais um estrondo. – Nem que tenha que perder uma perna! Ficar cego! Vomitar lesmas!

- Me dê mais tempo... Mais alguns dias.

Malfoy tinha a voz trêmula. Era a primeira vez que Gina o ouvia tão apavorado, parecia uma pessoa completamente diferente, uma que parecia mais vítima do que colaborador. No entanto, ele continuava sendo Draco Malfoy e Gina não se comovia tão facilmente.

- Essa é sua última chance, sobrinho. Traga a Taça até amanhã ou seu pai morre. E você logo em seguida.

Mal podia acreditar na sua sorte. Não só descobriu com quem Malfoy estava se encontrando, como também seu objetivo.

Sua sorte, no entanto, terminou rapidamente. A porta na qual estava apoiada se abriu bruscamente e Gina caiu de cara no chão. Antes que pudesse levantar, foi puxada pelos cabelos para cima.

- Olha o que eu achei – rosnou um homem que Gina não reconhecia. – Uma intrometida.

Com uma mão apenas, o homem colocou suas mãos nas costas e a segurou com força, lhe impedindo de se mexer. A outra ele colocou na sua boca, para que ficasse quieta. Bellatrix Lestrange demonstrava em seu rosto imediatamente fúria misturada com uma risada gélida.

- É uma Weasley! A que escapou de mim.

O homem riu.

- Quem sabe esse dia não precisa ser uma perda total, afinal – Bellatrix continuou, passando a ponta de sua varinha pelo rosto de Gina.

Quase fechou os olhos, esperando a inevitável dor da tortura, mas, ao invés ouviu um pigarro fraco vindo da quarta e última pessoa na sala.

- Não acho que...

Bellatrix não deixou que ele terminasse a frase, virando-se rapidamente em sua direção com a varinha apontada para ele.

- Não acha o quê?

Gina observou Malfoy pelo canto dos olhos, notando que ele estava evitando olhar para a direção dela e Bellatrix.

- Se ela não voltar para casa, as suspeitas vão cair sobre mim – respondeu devagar e quase inaudível.

Bellatrix riu com escárnio.

- Você? Quem suspeitaria de uma criatura covarde como você?

- Ela vem gritando as suspeitas dela para quem quiser ouvir.

- Mais motivo ainda para matá-la.

- Mas eu vou ser o primeiro suspeito!

A paciência da mulher terminou.

- Cale a boca. Cansei de ouvir sua voz.

Malfoy praticamente se encolheu conforme ela ameaçou lançar um feitiço nele, mas o homem que segurava Gina a impediu.

- Bellinha, espere. Ele pode ter razão. Precisamos dele ainda e matar uma Weasley não vai exatamente trazer a taça de volta, vai? – o tom do homem era praticamente o mesmo que um adulto usava com uma criança birrenta. Gina ficou surpresa quando Bellatrix não o matou ali mesmo por tratá-la daquele jeito. – Não queremos dificultar nossas vidas.

A varinha foi abaixada.

- Está certo.

Gina soltou a respiração. Mas o perigo não tinha terminado ainda.

- Vamos usá-la então. Um Imperio vai ser suficiente. Use-a como isca para as armadilhas de Snape.

Tentou outra vez se livrar. Quis protestar. Gritar. Mas só conseguiu morder fracamente a mão de seu carcereiro. Enquanto isso Malfoy caminhou até ela e Bellatrix se afastou, contente em observar a cena apenas.

Encarou o garoto nos olhos e viu hesitação. Mas a varinha dele levantou mesmo assim.

Tentou lembrar-se do que Harry tinha lhe contato sobre Imperio durante as aulas da Armada.

Sua mente estava em branco.


Nem preciso me desculpar pela demora né? Sorry, mas meu trabalho me engoliu viva e levou a inspiração junto. Pra quem continua acompanhando a fic: have a cookie!