Imagine Eu e Q

Ele estava lá para dar más notícias. Normalmente ele não se importava de ser o mensageiro. Naquele dia, isso o incomodava. Mas aquele era um ataque preventivo. Rachel não poderia fazer aquilo. Porque Rachel mentiria. Ela seria negativa e quebraria o coração de Quinn, desencorajando-a e Jesse não podia deixar a diva fazer isso. Ele precisava ter certeza de que a loira soubesse. Para entender exatamente no que ela estaria se metendo. E ele sabia que Quinn aproveitaria a onda, ele só tinha que convence-la.

"Você queria falar comigo?"

"Por que você está no banheiro?"

"É o meu escritório. Fale rápido." Quinn se afastou e sentou na borda da banheira, enquanto Jesse permaneceu de pé em um espaço pequeno. A sobrancelha dela estava levantada e por um momento Jesse realmente pensou em ir embora e se ver livre daquele olhar gelado que sempre fazia com que ele se sentisse um adolescente. Mas ele ficou.

"Eu tenho um roteiro." Jesse retirou o roteiro da bolsa e entregou para Quinn.

"Mesmo? Você veio aqui para me dar um roteiro?" Jesse deu de ombros, enquanto olhava ao redor do banheiro; era perturbador quão limpo o local estava.

"Um dos amigos de NYU de Rachel me recomendou. É tarde demais para manda-lo para Sundance, mas talvez ano que vem. Desculpe... mas... você fez isso?" Jesse perguntou, mal segurando uma risada enquanto estudava os sabonetes, cuidadosamente empilhados de uma maneira bastante artística.

"Cala a boca." Quinn murmurou, revirando os olhos. Ela tinha muito tempo livre. E daí? Ela era criativa com os sabonetes. Grande coisa.

"Enfim. É um filme de guerra. Agora, eu não estou realmente animado com a idéia de trabalhar com estudantes de NYU, já que me formei em UCLA, no entanto, resolvi fazer uma exceção."

"É um linda história." Quinn disse sarcasticamente, inspecionando as unhas. "Como ela está?" a loira sussurrou, repentinamente desesperada por noticias.

"Como um cliente que está lhe pagando, eu quero falar de negócios primeiro, se você não se importar?"

"Bem, eu me importo. Então, comece a falar." Jesse rolou os olhos e recostou-se contra a porta, cruzando os braços.

"Ela está... melhor. Eu não sei bem o que mudou, mas ontem quando eu fiz uma visita, ela estava ocupada no computador, cantarolando." Quinn assentiu lentamente. No computador... cantarolando?

"O que ela estava fazendo no computador, exatamente?" Quinn perguntou.

Mas Jesse apenas encolheu os ombros. "Podemos conversar sobre o roteiro agora? É um filme de guerra; um filme com-".

"Não." Quinn disse, cortando o rapaz.

"Mas você nem sequer ouviu todo o enredo. É um filme de guerra com uma história de amor, entrelaçadas..."

"Absolutamente não." Quinn disse novamente, cruzando os braços.

"Quinn!"

"Uh, uh, uh." Quinn ridicularizou, balançando o dedo. Jesse grunhiu, com a mandíbula apertada.

"Tudo bem. Srta. Fabray!"

"Muito melhor."

"Jesse revirou os olhos mais uma vez, ficando ereto novamente. "Por que não? É um filme de guerra! Eu consigo segurar uma arma, Quinn! Uma arma!"

"Não me chame de Quinn e eu não me importo se você consegue segurar uma arma. Um estudante de cinema, fazendo um filme de guerra – de época, ainda por cima – é tão absurdo quanto um cachorro fazendo um documentário sobre humanos." Quinn murmurou, virando as páginas do roteiro. Ela zombou alto quando leu a primeira página. "Jesse, a fala de abertura é 'A brisa de outono agitou meus sentidos enquanto eu olhava, perdido, as brasas ardentes de minha alma'. Você não quer realmente fazer esse lixo." Ela jogou o roteiro no chão, recostando-se na banheira, apoiando as mãos nas bordas.

"Mas eu ia segurar uma espingarda!"

"Você não vai colocar seu nome nisso aqui. Esqueça."

"Tudo bem. Você vai à festa de Ainsley no próximo sábado, ao menos? Ele ligou para Rachel e para mim ontem, e eu preciso que minha agente esteja lá." A mandíbula de Quinn se apertou, tentando manter uma expressão neutra. Todas as vezes que Jesse pronunciava o nome de Rachel, era como se uma facada atravessasse seu coração.

"Eu acho que essa não é uma boa idéia." Quinn suspirou. Jesse passou uma mão pelo cabelo, se preparando para o que estava por vir. Ele estava feliz por ter apresentado o roteiro antes, para quebrar o gelo – e ligeiramente deprimido por Quinn não achar o filme adequado – mas ele não tinha certeza se aquele era o momento certo para ter tal conversa.

Ele estava correndo contra o tempo. Era sexta-feira. A festa era no sábado. Rachel queria falar com Quinn ainda naquele dia. Ele teria que falar sobre seu plano logo, ou ele acabaria antes de começar. Jesse sentou sobre o assento do sanitário e começou seu discurso.

"Ela é muito, muito apaixonada por você." Ele disse, sabendo que teria que começar com um elogio, para depois adicionar algo ruim, e terminar com algo espetacular. Ele tinha que convence-la rápido.

"Jesse..." Quinn suspirou, com o coração doendo, pois ela não queria ouvir como estragara tudo.

"Eu ainda não acabei."

"O que você quer dizer com-".

"Ela mentiu no começo, assim como você." Quinn se calou rapidamente. A loira empalideceu.

"O qu-que?"

"Ela mentiu também. Mas, assim como você, ela se apaixonou. Ela é loucamente apaixonada por você. Mas está machucada. Eu tentei convence-la de que você realmente a ama, mas ela está tão chateada que não acreditou em mim. Acho que vinte anos de decepção levaram-na a um lugar aonde ela acredita que é não-amável. No entanto, ambos sabemos que não é verdade." Jesse quis continuar falando. Qualquer coisa para remover aquele olhar terrível dos olhos cor de avelã da loira.

"Quinn! Sai dessa!" a loira levantou a cabeça ao ouvir as palavras desesperadas de Jesse, presa na compreensão de que tudo o que ela conhecia simplesmente desaparecera. "Ela ama você." Jesse repetiu, uma ponta de raiva na voz. Mulheres e suas emoções sempre incomodaram Jesse. "Ela só está machucada. Então, você precisa fazer alguma coisa. Não fique aí parada!"

Quinn levantou lentamente, correndo uma mão pelos cabelos, tocando a pequena cruz de ouro que ainda carregava no pescoço. "Ela mentiu?"

"Sim, ela mentiu. E você também, caso tenha esquecido."

"Obrigada, Jesse, por esse lembrete!" Quinn disse.

"Bem, então, acorde! Rachel está vindo falar com você hoje e eu preciso que você esteja pronta para essa luta."

"Luta?"

"Sim! Eu preciso que você saiba que ela te ama. Porque ela vai entrar por aquela porta e falar alguma mentira sobre nunca ter tido reais sentimentos por você, simplesmente porque Rachel está assustada demais para lidar com tais emoções!" Quinn olhou para o chão, braços cruzados, em profundo pensamento.

"Ela ama você. Ela foi humilhada. E está assustada. Pela primeira vez na vida, ela realmente se sentiu especial. Por sua causa. Então, ela descobre que tudo foi uma mentira. Para se proteger, ela vem aqui, fingindo que não sente o mesmo. Acho que a convenci de que continuar sendo sua amiga é a coisa mais sábia a ser feita, pois você é nossa agente. Eu usei a mentira dela contra ela. Citando que se vocês duas precisavam uma da outra no inicio, ainda precisam uma da outra agora.

"Rachel irá dizer que perdoa você por mentir e perguntar se vocês podem superar tudo isso. Ela vai estar com uma expressão super feliz e dizer que vocês são "amigas", mas você não pode acreditar, Quinn. Você não vai acreditar nela. Ela ama você. Eu tenho certeza. Mas concorde em ser apenas amiga dela."

"Por que?" Quinn sussurrou, finalmente olhando para Jesse. Ela não ia chorar. Ela não podia chorar na frente dele.

"Porque! Ela ama você, Quinn!" Jesse jogou os braços no ar. "Ela apenas precisa de tempo para confiar em você novamente. Agora que tudo foi revelado – a verdade de que vocês duas mentiram – vocês podem começar de novo. Vagarosamente construindo algo como amigas!"

"Então é isso, eu tenho que fingir que não a amo? Tenho que mentir para ela mais uma vez? Não, Jesse, eu não posso fazer isso com ela!"

"Você não consegue entender? Ela não vai te ouvir! Ela é fisicamente incapaz de ouvir o que você realmente sente! Por uma semana inteira ela tem sido praticamente um robô. Eu não a vi chorar sequer uma vez. Ela nem mesmo estava surpresa por você ter mentido! Quase como se esperasse ser magoada mais uma vez esse tempo todo. Você dizer a ela que a ama, será um desperdício. Ela não confia em você.

"Mas se você esperar. Se vocês começarem tudo de novo apenas como amigas, lentamente, ela vai se curar e abrirá o coração novamente. Você tem que provar a ela que não vai a lugar algum. Que você vai ficar ao lado dela, não importa seu futuro ou suas necessidades egoístas. Quando ela começar a entender que você está com ela por causa dela, talvez ela acredite que seus sentimentos são genuínos. Mas isso vai levar tempo, Quinn, e nenhuma grande fala ou gesto vai provar isso a ela... só o tempo."

Quinn escutou cada palavra, se concentrando nas coisas que ela conhecia sobre a diva. A loira odiou admitir, mas Jesse estava certo. Ela precisaria de tempo para provar aquilo para Rachel. Ela mal poderia ficar chateada com a outra por ter mentido no começo – Quinn estava consciente de que havia se aproveitado da diva, quando ela estava no pior dos momentos. Ela também sabia que não podia agir como Jesse, ou Finn, ou Shelby. O que Rachel precisava era de alguém que se mostrasse disposto a protege-la. E Quinn queria ser essa pessoa. Ela odiava não estar perto de Rachel, não saber se a morena estava bem, ou dormindo direito, ou comendo, ou devidamente defendida quando alguém avançava contra ela. Cada coisa boa que Quinn fizera estava sendo agora negada. A proposta de casamento, os papéis, as aulas que assistia por Rachel, os jantares, o trabalho. Tudo aquilo estava envolto na mentira. O tempo era a única coisa que realmente convenceria Rachel de que Quinn queria ficar com ela.

Algo semelhante a alivio bateu de encontro a loira. E antes que pudesse evitar, ela estava rindo.

As sobrancelhas de Jesse subiram ao ver Quinn Fabray gargalhar. Ela estava tremendo e lágrimas de diversão correram pelas bochechas dela. "Se importa em me dizer o que está acontecendo, Fabray?"

Quinn riu ainda mais. "Sinceramente, agora não é a hora para perder a cabeça, Quinn!" ela acenou com a mão para mostrar que ela precisava de mais um minuto.

A loira finalmente se endireitou e enxugou as lágrimas.

"Então, o que você vai fazer?"

"Você sabia que eu odeio acordar cedo?" a loira perguntou com um sorriso. Jesse estreitou os olhos, não sabendo aonde Quinn queria chegar com a aquilo.

"Maravilhoso. Nem eu."

"Eu odeio, realmente odeio acordar cedo. Mas durante o ultimo ano e meio... seis horas, em ponto, eu estou acordada. E eu odeio isso!" Quinn sorriu de novo.

"Eu detesto assistir aulas que não são minhas. Odeio cozinhar três refeições ao dia. Lavanderias, Jesse, eu juro por Deus que odeio lavanderias! Eu odeio tirar o cabelo de Rachel da banheira e enxugar restos de pasta de dente da pia! Apanhar toalhas molhadas e roupas sujas ao redor do apartamento. Rachel Berry é uma preguiçosa!"

Jesse olhou ao redor do banheiro se sentindo desconfortável. "Mas eu fiz essas coisas! Por um ano e meio eu fiz todas essas coisas com um sorriso no rosto porque eu queria ser a Esposa Perfeita para que Rachel ficasse comigo! Mas, quer saber?" Jesse teve medo da resposta. "Eu a amo! Eu a amo! Eu amo aquela diva bagunceira, porque quando ela canta eu tenho arrepios e quando ela sai correndo pelo apartamento quando algum musical está prestes a estrear e porque ela ronca tão alto quanto um labrador e ela franze o rosto quando está concentrada e os lábios dela se movem enquanto lê, e eu amo todas essas coisas! E eu acho encantador quando ela deixa a escova de dentes secando na pia! Eu acho... eu acho malditamente adorável!"

Ele estava se perguntando se poderia se virar discretamente para sair do banheiro bem no momentoem que Quinn parou em seu caminho. "Eu a machuquei. Eu tirei vantagem dela. Eu sabia que ela se apaixonaria. E eu acho que você está certo. Ela vai vir aqui e dizer que mentiu também apenas para me testar, e ver se eu vou deixa-la. Mas eu não vou.

"Eu vou ficar ao lado dela e vou mostrar a ela lentamente que sou a garota dos seus sonhos." Quinn disse, dando mais um passo em direção a Jesse – que prontamente deu um passo para trás. "Desta vez, eu vou fazer isso sendo eu mesma.

"Eu vou desafia-la e obriga-la a perceber que estou tão profundamente apaixonada por ela que não sou a mulher perfeita pela qual ela se apaixonou. Eu não sou Quinn Fabray; capitã das lideres de torcida, mas também não sou Sra. Berry; Esposa Perfeita. Sou apenas eu. Uma garota que ama cozinhar para ela, mas não todas as refeições. Uma garota que odeia assistir suas aulas, mas que fica feliz em ajuda-la. Uma garota que não vai em todas as audições, peças e ensaios porque seu a agente dela ou porque acho que tenho que ir, mas porque eu amo vê-la no palco.

"Se ela pensa que vou cair nas mentiras que ela disser, aquela diva está redondamente enganada! Está na hora de Rachel Berry acordar e perceber que Quinn Fabray é mais do que um rosto bonito e sentimentos falsos. Quando eu estiver completamente com ela, Rachel vai estar ainda mais apaixonada do que estava antes. A única diferença será que, desta vez... desta vez vai ser real."


Rachel estava sentada desconfortavelmente no sofá de Lídia enquanto esperava Quinn sair do banheiro. Ela não tinha idéia do motivo pelo qual a loira estava no banheiro desde que chegara, há quase meia hora, mas Rachel esperava seriamente que Quinn não estivesse doente; ela odiaria aborrecer a outra se a loira não estivesse se sentindo bem.

Não que o que ela tinha a dizer aborreceria Quinn, doente ou não. Rachel sabia que, naquele momento, as coisas estavam um pouco confusas. Ela não conhecia os motivos da loira. O que Quinn esperara tirar de tudo isso? Jesse dissera que Quinn mentira para que pudesse sair de Lima e começar uma nova vida em outro lugar. E ela havia conseguido.

Mas que tipo de vida a loira queria? Rachel estava ciente de quanto dinheiro Quinn tinha guardado. A diva via o estrato bancário de Quinn. Não fazia sentido para Rachel porque Quinn continuara com a charada quando ela já tinha dinheiro suficiente para ter uma vida própria. Sem Rachel.

Jesse poderia ter razão? Não a parte sobre Quinn estar apaixonada por ela. Não, aquilo estava fora de questão – tinha que estar fora de questão; Rachel não poderia se permitir ter esperanças. Mas talvez a loira realmente gostasse dela. Talvez ela quisesse uma amizade.

Rachel estava lutando contra essa parte de tudo. A ultima semana fora quase insuportável. A dor constante que ela tentava arrancar do peito. Mas mesmo o buraco que ficara no lugar de seu coração continuava doendo. Agora, sabendo que Quinn estava a poucos metros de distãncia, a dor diminuía e o buraco ficava menor.

Como sempre, Barbra consolara Rachel e aconselhou-a a ficar em um lugar onde ela pudesse sentir certo controle. Em vez de ser a garota emocional de todos os dias, ela agora estava completamente lúcida, e ela tinha um plano. A partir de agora, Rachel Berry não se permitiria mais ser vendada e surpreendida como na época da escola. Oh, não. Desta vez ela assumiria o controle e ditaria as regras para Quinn.

Assim que a loira aparecesse – Rachel realmente esperava que ela estivesse se sentindo bem, afinal, o que ela estaria fazendo no banheiro? – ela simplesmente faria a loira sentar no sofá e diria como as coisas seriam dali para a frente. Ela tinha todo o discurso – retórico e frio – preparado, e estava pronta para derrubar qualquer argumento que Quinn poderia ter.

Ela seriam amigas, é claro. Porque Jesse estava certo sobre a parte de Rachel precisar de Quinn em sua vida. Mas a diva tinha quase certeza de que ver Quinn todos os dias a deixaria ainda mais arrasada. Ela precisaria manter a alguma distância para proteger a própria sanidade. A sua parte masoquista gostava da idéia de passar mais tempo com a loira. Mas a pequena, quase minúscula, parte realista de Rachel sabia qual era sua obrigação. Ela continuaria a amar Quinn, de longe.

Certamente a loira tinha vontade de se apaixonar. Conhecer um homem que tomaria conta dela ou algo tão nojento quanto isso. E Rachel queria que Quinn fosse feliz. Apesar de a idéia ser angustiante, ela precisava que Quinn fosse feliz e segura.

E até que esse dia chegasse, Rachel queria ser a única a fazer isso; pagar a loira por sua generosidade. Quinn ajudara a diva muito mais do que ela poderia imaginar. Era quase como se a loira tivesse dado novo ânimo para Rachel. Ela estivera devastada do ensino médio. Mas Quinn fizera Rachel ver, sendo uma pessoa incrível, que o que acontecera não fora culpa de uma Rachel Berry miserável; que era apenas o ensino médio.

Finn Hudson era só um garoto. Sr. Shuester era um homem solitário com seus próprios problemas. Jesse St. James era um narcisista – aquilo não havia mudado, mas seu desejo de ser amigo dela fazia a coisa toda parecer bobagem agora. Seus colegas de time eram tão solitários e confusos quanto ela havia sido. E Shelby... bem, Shelby era um pouco difícil de definir. Rachel não tinha uma resposta para essa. A mágoa ainda continuava. A rejeição a atormentava. E as respostas ainda não chegavam a ela. Ao mesmo tempo, Rachel acreditara que o amor de Quinn importava muito mais que tudo aquilo. Quase como se o amor de Quinn Fabray significasse muito mais do que o de Shelby significaria. Aquela mulher era uma idiota.

Agora, com a mentira revelada, Rachel achava difícil lembrar exatamente porque a rejeição de sua própria mãe doía tanto. Então, ela resolveu parar de pensar no assunto.

Em vez disso, ela preferiu manter o foco e continuar vivendo no mundo de Quinn, segurando-se firme da idéia de que menos poderia ser mais contanto que a loira estivesse por perto.

Quem levantara a questão fora Jesse, claro. Ele e sua atitude irritante sobre Quinn continuar sendo a agente dos dois, sobre elas continuarem sendo amigas. Ela não podia apenas dizer a ele que estava apaixonada por Quinn. E porque ela não poderia ser honesta – sobre como ela estava muito machucada – ela não poderia ver um motivo válido para não ter Quinn ao redor.

Jesse achava que as duas estavam mentindo. Ele não via um grande problema em continuarem ajudando uma à outra. E é claro que para alguém que não fosse Rachel Berry, não parecia grande coisa também.

Então Rachel resolveu facilitar o argumento. Em vez de tomar a defensiva e deixar Quinn fazer perguntas sobre porque as coisas não poderiam ser o que eram antes, Rachel resolvera tomar as decisões de como as coisas seriam. Ela precisaria usar palavras longas e discursos intermináveis para confundir Quinn. Se a loira não se importasse em se mudar, começar uma vida nova sozinha, então Rachel não teria que se preocupar em tentar convence-la. Depois, ela só teria que se preocupar com seu coração partido – Rachel esperava ter uma forte resistência, pelo menos; pelo bem de seu ego.

Mas a parte lógica do cérebro de Rachel sabia que se Quinn resistisse a sua idéia, ela afundaria no sofá como uma criança de cinco anos. Por isso ela precisava que tudo ocorresse do seu jeito, sem interrupções. Então ela preparara seus argumentos no PowerPoint, praticando seu discurso em frente ao espelho, e planejou com precisão quais palavras usaria para falar com Quinn.

A diva enviara uma mensagem para Quinn perguntando se elas poderiam ter uma conversa e a resposta viera depois de cinco agonizantes minutos. Elas concordaram se encontrar no apartamento de Lídia, já que a garota estaria ocupada com os cães, e o apartamento das duas não era opção graças as inúmera memórias que elas tinham juntas no lugar. Ela também ignorou a emoção que sentia cada vez que via o nome de Quinn no celular; uma reação ridícula em sua opinião.

A loira sabia o que estava por vir, mas quando recebeu a mensagem de Rachel, quando viu o nome da diva em seu celular, seu coração disparou e todo seu corpo formigou.

Quinn apertou a porcelana da pia do banheiro, olhando para o próprio reflexo. Ela quase podia ver o que ia acontecer. Primeiro, o reconhecimento maravilhoso/doloroso da beleza de Rachel, segundo, as mentiras que Rachel diria para convencer Quinn de que não estava apaixonada pela loira, e por ultimo, o acordo de serem melhores amigas apesar do fato de que todas as células do corpo de Quinn estariam gritando, sufocadas pelo amor que ela sentia pela diva.

Rachel esticou o pescoço ligeiramente no sofá, quando ouviu a porta do banheiro abrir, o coração batendo forte no peito. As sete horas que passara preparando os prós e contras e diferentes cenários no PowerPoint, fazendo uma lista do que precisava manter em mente enquanto encarava a loira – motivos para não beija-la – foram esquecidos no momentoem que Quinn entrou na sala. Aquela era uma visão além da beleza, e Rachel engoliu em seco, controlando o desejo de agarra-la.

Ela pensava que querer beijar Quinn era algo natural. Ela pensava que querer abraça-la seria a reação óbvia. O que Rachel não achava que aconteceria, porém, era o enorme desejo de pular em cima da loira e rasgar todas as peças de roupas que ela usava. Mas apenas porque provavelmente Rachel não estava preparada para ver Quinn vestindo apenas uma camiseta leve e shorts curtos.

Quinn pensou que se, talvez, seu traje estivesse um pouco mais... ousado, Rachel ficaria distraída o bastante para não argumentar. E até aqui, tudo bem, Quinn pensou, percebendo os olhos arregalados de Rachel.

A loira queria saber se Jesse estava certo, se Rachel realmente estava apaixonada por ela. Embora Quinn não pudesse dizer com certeza se Rachel a amava, ela ao menos sabia que a diva a achava atraente. Já era um começo.

A loira notou a aparência de Rachel. Ela parece cansada. E triste... bem... e parece estar com muito tesão. Os olhos dela estão tão escuros. Deus, eu amo aqueles lábios. Merda, quando ela passa a língua sobre eles eu tenho uma enorme vontade de-

Hei! Mantenha o foco!

Desculpe.

"Hei, Rach." Quinn disse suavemente, se movendo em direção ao sofá. Sem resposta. "Rach?" Seus olhos estavam nebulosos. "Rachel!"

Rachel pulou ligeiramente no sofá, abanando a cabeça, afastando o olhar dos seios de Quinn. "Q-Quinn. Eu sinto muito! E-eu não sei aonde estava com a cabeça." A diva se desculpou, corando furiosamente. Quinn conteve um sorriso enquanto sentava na cadeira em frente a Rachel. Era maravilhoso apenas olhar para a diva.

"Tudo bem." A loira respondeu. "É bom ver você, Rach." Mais uma vez, Rachel ficou em silêncio. Mas não porque não era bom ver Quinn. Não, e sim porque ela estava concentrada demais no modo como Quinn partiu as coxas ligeiramente antes de fechá-las de novo; malmente mostrando a parte em V entre suas pernas.

"Uhhh..." Quinn cobriu a boca com a mão para esconder o sorriso. Aquilo era fácil demais para a loira. Nesse ritmo, Quinn conseguiria liderar toda a conversa. Justo como ela queria. Ela não poderia deixar Rachel falar.

"Eu vou começar então." A loira deu um pequeno sorriso para a diva ainda confusa, cruzando uma perna sobre a outra, deixando a mostra suas coxas torneadas. "Jesse me disse que você mentiu no começo, também." Isso aí, Fabray, direto ao assunto.

"Eu, uh..." Rachel estava sem palavras, pois seu foco se voltara para o decote de Quinn. A loira se inclinou, descansando o cotovelo no joelho, e a diva realmente não conseguia mais desviar o olhar.

"Está tudo bem. Ele me explicou tudo. Nós duas mentimos. Nós duas estramos tudo. Mas, Rach... eu me importo com você." Quinn disse suavemente, apanhando as mãos da diva entre as dela.

"Eu me importo com você também." Rachel murmurou, perdida no olhar de Quinn por um momento, antes de balançar a cabeça e colocar as mãos de volta em seu colo. O que você está fazendo? Não foi isso que nós ensaiamos!

Eu vou chegar lá, eu vou chegar lá!

Rápido!

Tente manter essa conversa enquanto Quinn Fabray está vestida desse jeito!

Bem, você tem que estabelecer a lei! Realmente faze-la ver que... Jesus Cristo, por que ela está acariciando a própria coxa assim?

"Como eu estava dizendo, Rach. Eu acho que nós devemos começar de novo. Eu me importo com você, você se importa comigo; vamos começar de novo sendo amigas."

"Uhhh... éééééé..."

"Ótimo. Estou tão feliz por você ter concordado. Nós continuamos morando juntas, eu ainda sou sua agente barra empresária barra publicitária, e nós seremos felizes." Quinn parou de acariciar a parte interna de sua coxa por um momento, para deixar Rachel de recuperar.

A diva limpou a garganta, olhando para o tapete, tentando lembrar o que a loira dissera. "Hum..." Rachel franziu a testa percebendo com o que acabara de concordar. "Espere..."

"Porque, Rach." Quinn continuou, sem se preocupar com a incapacidade da diva de formar palavras, enquanto entrelaçou seus dedos com os de Rachel novamente. Parecia tão certo tocar Rachel. A pele dela era quente e macia. Como Quinn lembrava. "Você é minha melhor amiga. O passado; isso não importa para mim. O que importa é que eu não posso imaginar viver mais um dia sem poder vê-la. Essa ultima semana tem sido um inferno. Eu não quero passar mais uma hora nessa angústia."

Diga alguma coisa.

O polegar dela está acariciando minha mão.

Diga alguma coisa!

O sutiã dela é preto.

DIGA ALGUMA COISA!

"...'do bem..." Rachel murmurou timidamente, corando e mordendo o lábio inferior.

Deus, aquele lábio é tão sexy.

A boca dela é malditamente sexy.

Eu poderia agarra-la nesse sofá agora e ela não me impediria.

Porra, você consegue imaginar quão gostoso seria se-

Quinn, foco!

Desculpe.

A loira limpou a garganta e deixou a mão de Rachel. "Eu, hum... Eu tenho-" Quinn sentiu seu rosto esquentar, enquanto pensamentos das duas nuas no chão ainda dançavam em sua mente. "Tudo acontece por uma razão." Foco! "Eu não me arrependo de mentir para você, mas, eu sinto muito se te machuquei por causa disso, porém, a mentira nos trouxe até aqui. Eu pude ver a pessoa maravilhosa que você é e não me arrependo de sequer um só dia desse ultimo ano e meio."

Os pensamentos se formavam mais rápido a medida que Rachel mantinha os olhos na parede. Ela esquecera completamente todos os argumentos que planejara fazer – relacionamentos construídos com base em mentiras não davam certo e daí por diante – perdida nas palavras de Quinn.

"Eu concordo." Rachel murmurou, com os olhos fechados.

"Eu quero ser bastante clara aqui, Rachel. Eu quero estar lá para você. Em cada passo que você der. Você é minha amiga e vem em primeiro lugar, o resto vem em segundo. Nós podemos assinar algum tipo de contrato, se você quiser. Mas eu quero que você confie em mim. Eu posso começar a pagar o aluguel. Nós podemos dividir as contas pela metade-".

Rachel estava balançando a cabeça furiosamente. "Não, Quinn. Isso não é necessário." Seus olhos se encontraram e a diva assentiu, tentando fazer Quinn entender. "Você está certa. Nós duas mentimos. Vamos ser amigas." O QUE VOCÊ ESTÁ DIZENDO? Isso não fazia parte do plano!

"Mas, Rachel, eu posso pagar o aluguel-"

"Eu quero ter certeza de que você está sendo bem tratada." Saiu antes que ela pudesse se conter. Rachel estava muito ocupada, tentando ignorar a voz em sua cabeça, tentando lidar com a aparência da loira, e acima de tudo tentando lembrar quais eram seus argumentos. Ela esquecera tudo completamente. Quinn estreitou os olhos em confusão, antes de sorrir suavemente.

"Rach, eu vou ficar bem se-" Mais uma vez, Rachel balançou a cabeça. Ela teria que lembrar de ao menos uma parte de seu PowerPoint.

"Não! Você tomou conta de mim, e agora é a minha vez." Rachel disse, engolindo dolorosamente as lembranças do passado. "Nós somos iguais e devemos nos tratar como tal." O sorriso de Quinn se ampliou com a admissão. Ela e Rachel, ao que parecia, estavam na mesma página. Bem... mais ou menos. Jesse lera para Quinn a apresentação do PowerPoint de Rachel para que a loira soubesse o que a diva não diria.

Rachel queria que elas vivessem em apartamentos separados, mas que ainda permanecessem na vida uma da outra. Rachel queria ver Quinn de tempos em tempos, mas por razões profissionais. Rachel queria pagar Quinn, para cuidar da loira. Rachel deveria estar muito maluca se achava que Quinn a deixaria fazer aquele tipo de coisa. Por isso duas técnicas de desvio.

"Ótimo. Eu estou tão feliz por estarmos de acordo. Agora, sobre amanhã a noite." Quinn apertou os seios um contra o outro para que pudesse passar facilmente pela próxima parte. Os olhos de Rachel imediatamente se perderam com a visão.

"Amanhã...?" Até aqui, está funcionando.

"Ainsley e Charlene estão esperando nos ver como um casal feliz. Agora, eu não estou exatamente feliz por mentir para eles. E certamente não quero que você se sinta desconfortável. Mas acho que seria bem melhor se nós apenas continuássemos como antes. Nós vamos, nos divertimos, fazemos ótimos contatos e voltamos a ser amigas? O que você acha?"

"Amanhã...?"

"Excelente!" Quinn sorriu.

"Espere... hein?"

Quinn sorriu pacientemente enquanto Rachel finalmente a olhava nos olhos. "Nós vamos apenas fingir por uma noite, Rach." Rachel Berry, coloque sua cabeça no lugar e comece a falar!

"Quinn... você realmente acha que essa é uma boa idéia, quero dizer-"

"Você quer explicar porque nós não estamos juntas?" Quinn perguntou, em um tom triste. Rachel reconsiderou e balançou a cabeça. "Rach, eu não quero que você se sinta desconfortável, mas eu realmente não quero que todos se sintam desconfortáveis ao explicar que nosso noivado acabou."

Novamente, Rachel assentiu. Você é uma fraca, Rachel Berry!

Eu disse ao menos um dos pontos do meu PowerPoint!

Fraca!

Oh, cala a boca! Você estava olhando para os seios dela também! E ela não está errada. Na verdade, tudo o que ela disse faz completo sentido.

Você acha mesmo que podemos viver com ela de novo e não nos apaixonarmos mais ainda?

Eu não quero perde-la... Essa semana foi um inferno.

Nós concordamos que a amaríamos de longe!

... Mas assim parece bem melhor...

Rachel!

Oh, fique quieta!

"Eu acho que você está certa, Quinn." Rachel disse, olhando nos olhos cor de avelã. Ela sorriu de volta para a loira, mas desviou o olhar assim que sentiu borboletas esvoaçarem em seu estomago.

Isso foi muito mais fácil do que eu pensei que seria!

Ela mal argumentou!

Oh ééé, ela nos ama!

Vamos esperar que sim.

Deus, ela é adorável. Seus lindos olhos castanhos são maravilhosos. O sorriso dela é pateta e bonitinho. Eu não acredito em quão incrível me sinto apenas por estar falando com ela.

Até aquela camisa feia é preciosa.

Eu gostaria ao menos de poder... abraça-la bem forte agora!

Criando um lembrete: encontrar um motivo viável para abraçar Rachel Berry bem apertado ainda hoje.

Futebol americano?

Rachel nunca jogaria esse tipo de esporte.

Eu vou pensar em alguma coisa.

"O que você tem planejado para hoje?" Quinn perguntou depois de um longo momento. Rachel deu de ombros timidamente, esperando que Quinn quisesse compensar o tempo perdido. Fraca! Rachel Berry, Você. É. Uma. Fraca!

"Sem planos."

"Quer ir ao supermercado?"


"A filme é fascinante, Quinn! Eu simplesmente me perco na personagem! Evelyn é uma garota sombria e conturbada, que se veste de preto e fuma-" Quinn virou a cabeça com o comentário, mas Rachel a interrompeu. "Não se preocupe. Eu apenas seguro o cigarro, nunca nem chega perto da minha boca. Enfim! Então, Dr. Trevor me atende três vezes por semana. Mas cada dia, é uma personalidade diferente da garota. Segunda-feira é a pequena Evelyn – interpretada pela irmã mais nova do Chris - quarta-feira é a Evelyn-insana – interpretada por um mulher que fala sobre sexo constantemente – e sexta-feira, meu dia, onde eu procuro misturar Tina e Santana e Lauren Zizes! É excepcionalmente desafiador!

Bem... excepcionalmente desafiador é exagerar um pouco as coisas. Estar sem Quinn me deixava triste. A personagem é fácil de ser interpretada. Rachel pensou.

Quinn sorriu, enquanto Rachel apanhava o papel higiênico. Mesmo através de longos discursos sobre o que ela havia feito durante toda a semana, Rachel queria encher o carrinho com cada item da loja.

"Parece incrível, eu mal posso esperar para ver o filme." Eu gostaria de ter estado lá, vendo você atuar. Ajuda-la com o papel. Apenas estar lá por você...

"É tão sombrio e distorcido, Quinn. Então, Sundance. Mesmo que eles não aceitem Um Encontro Por Mês, eles vão aceitar Qual De Vocês Eu Amo."

"Então, eu acho que Matt não vai mudar o titulo Um Encontro Por Mês?" Quinn perguntou com uma gargalhada, enquanto elas passavam para o corredor dez.

"Sabe, acho que já me acostumei." Rachel admitiu com um dar de ombros, sorrindo.

Como era de se esperar, era incrivelmente fácil e difícil estar ao redor de Quinn. Ela sabia que não seria assim tão fácil, mas ela se sentia bem com aquilo. Ela sentira muito a falta da loira. Rachel achava que amar Quinn de longe parecia certo; Quinn era a melhor amiga de Rachel. Ela não queria se separar de Quinn. Aquilo doía mais do que reprimir os próprios sentimentos.

Parecia incrivelmente bom estar com Rachel. Tudo parecia natural. Elas conversavam, riam e faziam compras como se a ultima semana jamais houvesse acontecido.

Ela sentira falta de Rachel.

Uma parte de Quinn sabia que a felicidade não duraria para sempre; que mais cedo ou mais tarde, a realidade lhe daria um tapa no rosto. Mas naquele momento, enquanto Rachel lhe contava diversas histórias, Quinn não se importava.

Se era aquilo que precisava – conversar e rir com sua melhor amiga, porque Rachel era realmente sua melhor amiga – para permanecer na vida da diva, lentamente mostrar a ela que Quinn estava apaixonada, então ela faria tudo isso com muito prazer.

A bolha delas estava de volta. Mas era diferente de antes. No inicio, a bolha se formara porque elas possuíam apenas uma a outra. Agora ela estava lá porque as duas só queriam uma a outra. Enquanto Rachel empurrava o carrinho, falando com Quinn, elas não perceberam os inúmeros funcionários que tentavam lhes chamar a atenção.

Nós estamos fazendo compras para o nosso apartamento, pensou Quinn, feliz, assentindo para o que a diva estava dizendo.

Elas conversaram cada pequeno detalhe sobre a semana e nem mesmo perceberam que já estavam de volta no apartamento.

"... E o cachorro realmente se parecia com o Sergent Peppers, e quase fui até o dono dele perguntar se o nome do cão era Sergent Peppers e se a babá dele era Quinn Fabray." Rachel disse, segurando sua xícara vazia. "Mas eles já estavam a dois blocos de distância e eu estava atrasada para as gravações de Qual De Vocês Eu Amo... e não queria assustar o homem."

Você nem mesmo está se segurando, Rachel! Você está se jogando em cima dela, como se estivesse tudo bem estar apaixonada! Ela faz com que seja impossível não se abrir!

Quinn sorriu, descansando o rosto na palma da mão, olhando para a própria xícara. Assim que as compras foram guardadas, parecia natural sentar na mesa da cozinha e tomar uma xícara de chá.

Pela primeira vez desde o supermercado, o silêncio caiu entre elas.

"Eu realmente sinto muito por ter mentido." Rachel murmurou. Ela precisava dizer isso.

"Rach, eu vim até você. Sou eu quem deveria estar pedindo desculpas. E eu sinto muito. Eu realmente sinto muito, mesmo."

"O que aconteceu, Quinn? Por que você não tinha outras opções?" Rachel perguntou. Aquilo era algo que ela havia se perguntado desde que Jesse contara toda a verdade sobre Quinn.

A loira soltou um suspiro, recostando-se na cadeira. A verdade? Porque eu só queria você. Mas eu acho que não posso dizer isso, posso? Mais mentiras. Fantástico.

"Eu não tinha outra escolha."

"Nenhuma?" Rachel sussurrou, completamente confusa com os retalhos da vida de Quinn Fabray. Eu tinha outras opções... eu apenas nunca tinha percebido que amava você. Que todos os outros não eram nada em comparação a você. Que eu estava deprimida por ter perdido você. Eu era tão cega.

"Ninguém com quem eu pudesse viver." Quinn escolheu as palavras com cuidado. Ela não queria mentir se pudesse evitar. Ser evasiva parecia a melhor coisa a fazer.

Rachel balançou a cabeça tristemente. Doía saber que a mulher que ela amava ficara sozinha em certo momento de sua vida.

"E quanto a você? Nova York era mesmo tão ruim?" Quinn sussurrou, também triste por Rachel se sentir solitária. Levou um tempo para ela lembrar como era viver em Nova York sem ninguém ao seu lado, lembrar de como tudo parecia sem esperanças.

"Sabe em Funny Girl, quando Fanny canta I'm The Greatest Star?" Rachel perguntou. Quinn sorriu com carinho e assentiu quando Rachel encontrou seu olhar. "Bem... a parte em que ela canta 'I'll blow my horn, till someone blows it', eu acho... eu acho que fiquei cansada de fazer tudo sozinha, entende? Eu fiz isso todos os dias no ensino médio e era tão cansativo."

Quinn assentiu em compreensão. "Era isso que você fazia do colégio? Assoprando sua própria trompa até que alguém aparecesse para lhe ajudar?" a loira perguntou, com um sorriso. Os grandes olhos castanhos de Rachel ficaram cheios de tristeza, e Quinn precisava vê-los brilharem novamente.

O sorriso de Quinn ficou maior quando Rachel sorriu. "Eu acho."

"Você era muito boa nisso."

"Cala a boca." Rachel riu, jogando um guardanapo na direção da loira.

Quinn observou Rachel começar a sorrir, e os risos se tornarem em gargalhadas. "O que?" Quinn perguntou, sorrindo com a visão. "Por que você está rindo?"

Rachel cobriu o rosto com as mãos enquanto continuava a rir. "Você não tem idéia do quão desprevenida você me pegou naquela noite, antes da formatura."

Quinn se encolheu com vergonha, com a lembrança de aparecer nos Berrys, desesperada. "Eu sinto muito por isso." A loira riu.

"Quando você me beijou..." Rachel balançou na cadeira, braços em volta do estomago, relembrando quão chocada havia ficado. "Oh meu Deus, Quinn! Eu fiquei sem palavras!"

"O que eu posso dizer? Meu beijo é realmente muito bom." Quinn brincou. "Você também não é tão ruim." A loira acrescentou, mordendo o lábio. De repente, Rachel não estava mais rindo. Seu rosto ficou vermelho. Não olhe para os lábios dela, Rachel, não olhe para os lábios dela!

"Eu tenho que fazer xixi." A diva disse, pulando da cadeira e desaparecendo no banheiro. Quinn sorriu, satisfeita consigo mesma. Você é doente, sabia?

O que? Eu não posso flertar?

Essa não é a questão! O objetivo é reconquistar a confiança dela, a lenta transformação da amizade em algo mais. Não torturar a pobre garota!

Ah, você é uma estraga-prazeres!

Eu posso ser divertida!

Você é a parte do meu cérebro que entrou no Clube do Celibato... então, nãããão, você não consegue ser divertida.

Por favor, nós éramos mais sexuais dentro do Clube do Celibato do que fora dele!

Basta ficar quieta. Eu posso flertar se a situação pedir e você não pode me impedir.

Não mostre a língua para mim, Quinn Fabray!

Ignorando sua voz interior, Quinn levantou para verificar as mensagens no telefone da cozinha; ainda satisfeita por ter chamado a atenção da morena. Ela ouviu a mensagem de Ainsley duas vezes e tentou pensar em como seria o homem sóbrio.

No canto, ao lado do telefone, a correspondência estava empilhada. Quinn casualmente folheou a pilha, ciente de que todas estavam em seu nome, mas parou quando viu um envelope de NYU. Curiosa, Quinn apanhou e abriu o papel.

Ela não tinha certeza se estava lendo direito. Ela nem mesmo tinha certeza se seu coração estava batendo forte, enquanto sua boca caía aberta.

"'Parabéns, Srta. Fabray. Você foi aceita na turma de...'" os olhos de Quinn voaram através da folha, tentando absorver as palavras em confusão. Palavras e frases como 'analisados seus recursos' e 'bolsa de estudos' digitados em negrito.

"Quinn? Você sabe onde nós guardamos os..." Rachel parou no arco da cozinha. O rosto da loira estava pálido, em uma mistura de surpresa e perplexidade. A diva olhou para o envelope da NYU na mesa e mordeu os lábios esperando a reação de Quinn. A loira era temperamental quando se tratava de coisas assim. Ela poderia estar feliz, ou ter o orgulho ferido. Rachel realmente esperava que fosse a primeira opção, pois não agüentaria viver sem a loira mais uma vez.

Lentamente, Quinn olhou para cima, com espanto. "Você fez isso?", sua mão estava tremendo ligeiramente. Rachel assentiu e esperou. "A segunda página, é do departamento de cobrança. Diz que meu primeiro semestre já está pago e... Uau...". Quinn balançou a cabeça.

"Eu falei com eles, fingindo ser você, é claro." Rachel admitiu. "Eu expliquei minha... a sua situação e tudo o que você fez desde que deixou Lima. Fui capaz de conseguir uma boa bolsa de estudos e outras garantias."

Quinn pôs a mão na testa. "Como você conseguiu fazer tudo isso? Você precisa... você precisa parecer comigo, ter meus documentos, históricos escolares... Rachel, como você fez isso?"

Rachel mordeu o lábio. "Bem, Quinn você tem uma voz bastante distinta, e foi muito fácil. Eu simplesmente liguei para o McKinley, disfarçando minha voz como a sua. E... talvez eu tenha... dado um jeitinho para conseguir seus documentos e algumas informações financeiras das quais você precisaria."

"Eu... como..." Quinn olhou para Rachel, esperançosa. "Eu vou para a faculdade?" Um sorriso apareceu no rosto de Rachel, se aproximando.

"Se você quiser."

"Mas e quanto a você? Quero dizer... Julliard e-"

"Eu sei que estudar deixa você feliz. E você não pode ser minha agente de verdade se não tiver a educação adequada. Quero dizer, se você não quiser ir para a faculdade, eu ainda vou contrata-la. Eu apenas pensei que, talvez, você fosse gostar. E talvez, um dia, fosse capaz de ter mais clientes. Não apenas Jesse, Mercedes, e eu."

Quinn cobriu a boca com a mão, lentamente entendendo o que aquilo poderia significar. "Eu não acredito que você fez isso. E não apenas isso... Mercedes também." Quinn engoliu palavras de amor e tentou manter a compostura. "Obrigada, Rachel." Ela sussurrou, sem se preocupar em conter as lagrimas.

Rachel sorriu, satisfeita ao ver Quinn feliz e pronta para correr atrás dos próprios sonhos. "Não me agradeça, Quinn. Só faça com que eu seja famosa!" ela piscou e deu seu brilhante sorriso Rachel Berry, antes de entrar na cozinha. O coração batendo forte ao ouvir a gargalhada de Quinn.

As coisas não ficaram fáceis quando a noite chegou, por razões óbvias.

Já passava da meia-noite, mas elas estavam assistindo TV, completamente inconscientes das cenas na tela. Havia uma considerável distancia entre elas, mas ambas juravam que poderia sentir o calor da outra mesmo assim. E aquilo as distraía.

Será que elas deveriam dormir na mesma cama? Que desculpas elas usariam para evitar aquilo? Elas queriam evitar aquilo? Se elas eram apenas amigas, seria tolo não dividirem. Ter uma delas dormindo no sofá seria admitir que havia atração entre as duas. Mas dividir uma cama, ficar perto uma da outra sem serem capaz de se tocarem... simultaneamente as duas engoliram em seco com a idéia de acidentalmente se tocaram debaixo dos lençóis.

Vejo tortura vindo por aí.

Nós ainda temos que trocar de roupa uma na frente da outra?

Não podemos fazer isso? Vou perder completamente a cabeça! Só ver o tornozelo dela faz meu cérebro virar mingau!

As pernas dela são celestiais.

Correr minhas mãos por elas... mmmmmmmm, Raaaaaaacheel!

Pare com isso!

Rachel estava tendo problemas similares.

E se... e se eu acordar no meio da noite deitada em cima dela? E se eu acidentalmente começar a beija-la enquanto durmo? Oh, Deus, e se ela começar a me beijar enquanto dorme? E se estivermos nuas, e começarmos a nos beijar enquanto dormimos?

Do que você falando?

Hã? Oh! Hum... nada.

Quando os comerciais começaram a aparecer na tela, as garotas viraram ao mesmo tempo para se olharem, para saber se estavam dormindo. Elas apanharam o olhar uma da outra e desviaram rapidamente. Por que isso é tão estranho?

Por que você quer fazer aquele corpo, Fabray!

Mas ela não sabe disso. Eu só vou... casualmente me levantar, me espreguiçar e bocejar, e dizer que estou com sono. Eu vou mudar de roupa rapidamente e deitar na cama e tudo vai ficar bem.

Claro.

Tudo bem... aqui vou eu.

"Bem, eu estou exausta." Rachel disse, assim que Quinn levantou. Merda, ela roubou minha fala!

"Hum... eu também." Quinn murmurou. Essa não foi uma fala muito boa, Quinn!

Bem, eu já estou de pé! O que eu deveria ter dito?

"Eu acho... que nós... devemos... ir para a cama, então, hum?" Rachel perguntou, sentindo as bochechas esquentarem.

"Acho que sim." Quinn respondeu descofortável. Rachel lentamente se levantou e seguiu Quinn em direção ao quarto. Elas silenciosamente tiraram as roupas em frente as suas gavetas e tentaram ganhar tempo. Nós sempre nos trocamos na frente uma da outra, seria estranho se eu virasse de costas.

Honestamente, você está preparada para vê-la nua neste momento? Quinn não respondeu a sua voz interior, em vez disso, ela tirou o vestido e manteve os olhos fixos no tapete. Oh, Deus, eu consigo vê-la em minha visão periférica! Ela ainda nem tirou a roupa e eu já estou nesse estado!

Rachel estava ligeiramente inclinada, mas também podia ver Quinn com o canto dos olhos. Ela engoliu com a dificuldade, tentando bloquear a imagem da loira apenas de sutiã e calcinha. Ela se distraiu ao tirar a saia, completamente ciente do silêncio esmagador que pairava entre elas.

O som da saia de Rachel batendo no chão ecoou no quarto. Isso é ridículo! Quinn suspirou, apanhando uma camiseta com as mãos suadas. Por que eu me importo? Eu estou apaixonada por ela, ela é a única aqui que quer ignorar os próprios sentimentos. Ela precisa de tempo. Talvez um pouco de nudez faça algum bem a ela.

Tortura-la você quer dizer?

Não jogue tudo nas minhas costas! Eu estou muito ciente de que a machuquei, no passado e recentemente. Então, é, eu sou responsável por ela ter se fechado. Mas isso não muda o fato de que ela tem sentimentos por mim. Se... por acaso, mostrar um pouco de pele, flertar um pouco, ser mais afetuosa a ajude a ver a verdade... então que seja. Você tem alguma idéia de quanto é difícil não ser capaz de beijar até não ter mais ar nos pulmões pelo que ela fez por mim? Eu vou para a faculdade! Eu estou prestes a começar minha carreira! E tudo por causa de Rachel.

Então... o que você vai fazer?

Bem, para começar... dane-se! Vou tirar meu sutiã!

Oh, Jesus, aquiiiiiiiiii vamos nós...

Rachel estava tirando a camisa quando pegou o movimento. Ela não tinha exatamente certeza do porque Quinn estava de pé, imóvel apenas de sutiã em calcinha, dando tempo para Rachel salivar em desespero, mas ela não ia reclamar sobre aquilo.

Mas agora que ela estava pronta para ir para a cama, a diva virou prestes a pular debaixo das cobertas. Com a visão dos seios de Quinn, no entanto, ela se viu em um impasse.

Verdade, elas se trocaram na frente uma da outra inúmeras vezes no ultimo ano e meio. Mas elas nunca se viram completamente sem roupas. Em 13 de março de 2012, Rachel vira a bunda de Quinn por um segundo quando a toalha da loira deslizou. No dia 7 de agosto de 2013, Quinn vira um pedaço do mamilo de Rachel quando a alça da camisa da morena caiu. Ela vira todo o corpo da diva naquela vez no sofá. Mas Rachel Berry nunca tivera tal privilégio até então.

Sua vida naquele momento fora completamente alterada.

Ah, Santa Virgem Maria.

Desvie o olhar! Desvie o olhar! Abortar missão! Abortar, eu disse!

Tagoeohoggg. Seios. Seios de Quinn. Fartos. Sedutores. Flexíveis. Seios.

Tudo bem... eu acho que viver com Quinn vai ser difícil.

Mamilos. Suaves. Rosados. Eretos. Mamilos.

Pelo, amor, de Deus, ao menos limpe seu queixo!

Quinn estava bastante satisfeita consigo mesma. Ela não só tinha toda a atenção de Rachel, como estava surpresa com o modo como se sentia confortável por estar semi-nua em frente a diva. Ela era uma pessoa muito reservada, mas de alguma forma saber que Rachel a estava olhando, a deixava animada. Ela permaneceu sem roupas tanto tempo quanto possível, e logo Quinn deslizou para dentro de uma camiseta e shorts.

"Pronta para ir para cama?" Quinn perguntou, olhosem Rachel. Adiva suspirou alto, olhos arregalados ansiosamente olhando fixamente para a loira, antes de assentir. "OK, então." Quinn disse com um sorriso, caminhando até a cama.

Rachel esperava sinceramente que seu lado gay não estivesse se mostrando. Ela também esperava que Quinn não percebesse sua respiração pesada. Ou ouvisse seu coração batendo. Ou perguntasse porque seu rosto estava vermelho. Ou porque estava tremendo enquanto colocava os lençóis sobre os ombros.

Quinn sentiu vontade de rir. E vontade de chorar. Ela não podia afastar a sensação de que ela estavam agindo exatamente do mesmo modo como agiam quando a loira se mudara para Nova York. Mas muito mudara desde então. Mas... ao mesmo tempo, a loira ainda sentia uma imensa gratidão pela diva. Rachel a salvara naquela época, e ainda a salvava agora. Ela era amiga de Mercedes de novo. Ela tinha um novo futuro pela frente. Ela tinha a diva ao seu lado. Apenas estando lá, Rachel a salvava.

É, eu realmente não quero procurar uma desculpa.

Quinn revirou os olhos e pegou Rachel em seus braços, envolvendo Rachel em um abraço. "Muito obrigada, Rachel. Por tudo." Quinn suspirou, amando a sensação de ter Rachel em seus braços, seu perfume, se sentir completa a abraçando.

Os olhos de Rachel se fecharam. Eu não teria me importado se ela tivesse me abraçado mais cedo... sem camisa... ou sutiã... mas assim também é bom. Aconchegante. Ela cheira a beleza. Isso é um perfume? Beleza? Esse é o perfume de Quinn.

Então, é assim que você vai ama-la de longe?

"De nada, Quinn." Rachel sussurrou, enquanto se afastava. Seria melhor se ela mantivesse distância.

Mas aquilo não mudou o fato de que as duas acordaram entrelaçadas, uma nos braços da outra. Rachel acabou mancando por dias, depois de ter caído da cama para se afastar da loira. Ela também acabou com um machucado na cabeça aonde batera no criado mudo, quando Quinn perguntou se ela queria um beijinho para melhorar a dor.


Rachel Berry, Quinn Fabray e Jesse St. James estavam parados diante da imensa cobertura de Ainsley e Charlene Swaine. O cabelo da diva estava preso em um rabo de cavalo elegante, revelando sua maquiagem discreta que combinava com seu vestido azul marinho de manga comprida e gola alta, na altura das coxas. O vestido havia sido um compromisso entre ela e Quinn. Elegante, e ainda assim muito Rachel. Ela ainda achava que o cinto de prata em torno do vestido era um pouco demais, pois acabava realçando seus seios. Essa pelo menos era a parte favorita de Quinn.

A loira era a visão de uma Ice Queen em seu longo casaco branco, realçando suas leggins escuras e as botas altas até o joelho. A túnica verde debaixo do casaco a fazia parecer mais alta e equilibrada. Seus cabelos estavam presos com um simples clipe, deixando os ombros expostos, aonde a túnica deslizava.

Jesse estava vestindo roupas também.

"Todos prontos?" Quinn perguntou.

"Absolutamente!" eles disseram ao mesmo tempo, fazendo a loira sorrir. Mas nenhum dois fez sequer um movimento para bater à porta. Quinn sorriu ao ver Rachel girar o anel de diamante que estava de volta em seu dedo, mordendo o lábio nervosamente. Quinn notara a falta do anel assim que voltara para casa, mas ficou aliviada ao ver o contorno do anel ao redor do pescoço de Rachel. Ela estava igualmente triste e feliz pela diva não o ter removido totalmente.

"OK." Quinn murmurou, antes de bater firmemente. Charlene atendeu quase imediatamente, sorrindo ao vê-los.

"Olá! É tão bom vê-los novamente!" ela abraçou todos eles, antes de deixa-los entrar. "Vinho, champanhe, cerveja, liquor? O que eu posso oferece-los?" Charlene perguntou docemente, afastando uma mecha de cabelo vermelho atrás da orelha, guiando-os até a festa.

Sabiamente, Quinn recusou a oferta de álcool e optou por uma taça de água com gás, enquanto Charlene servia cerveja para Jesse e champanhe para Rachel.

Ela sala dos Swaine era praticamente do tamanho do apartamento de Rachel e Quinn. Todo o andar superior da cobertura estava ocupado atualmente com quase uma dúzia de pessoas de todas as idades. "Há alguns aperitivos espalhados pela sala," ela disse, "Sirvam-se. O jantar será em breve. Nesse meio tempo, Ainsley terá o prazer de vê-los para lhes dizer um Oi, antes que vocês possam se misturar." Charlene apertou o braço de Rachel carinhosamente antes de se retirar para a cozinha.

"O que devemos fazer?" Rachel perguntou, olhando para a sala movimentada. Ela estava animada para conhecer e falar com pessoas novas. Ela, Quinn e Jesse eram os mais novos no local.

"Eu acho que devemos dizer um Olá para Ainsley e depois, nos dividir." Quinn disse, entrelaçando seus dedos com os de Rachel e caminhar em direção ao homem. A diva mordeu o lábio com a sensação da mão de Quinn na sua novamente. Ela não pôde evitar senão se sentir a pessoa mais importante do mundo.

"Olá!" Ainsley disse, apertando a mão de cada um deles. "Estou tão feliz por recebe-los! Jesse, aquele homem ali, de paletó tweed?" Ainsley acenou discretamente para o homem na mesa de aperitivos. "Seu nome é Thomas Longmore e se você mencionar que foi para UCLA, ele vai adorar você."

"Obrigado, senhor." Jesse disse, antes de se afastar.

"Senhoritas!" Ainsley sorriu. "Vocês estão simplesmente magníficas!"

"Obrigada, Sr. Swaine." Rachel respondeu educadamente.

"De nada, Rachel. Você deve me chamar de Ainsley, afinal, você me viu como um palhaço bêbado no ultimo sábado." As duas sorriram. "Rachel, querida, aquela mulher ali tem interesses em alunos de Julliard. Se você conseguir chegar até ela, poderá mencionar Uma Doçura."

Rachel sorriu gentilmente e virou hesitante em direção a Quinn. Ela não queria deixar a loira. "Você vai ficar bem." Quinn disse, passando a mão na bochecha de Rachel. A diva assentiu e respirou fundo, partindo rumo a sua missão.

"Rachel vai ficar mais do que bem. Desimee vai adorar sua personalidade borbulhante." Ainsley e Quinn silenciosamente observaram a cena se desenrolar. Jesse estava bem com Thomas e Rachel já estava conversando com Desimee.

Ainsley apresentou Quinn a diversas pessoas. O tema da noite, ao que parecia, era a Broadway. Todos ali, estavam de alguma forma ligados ao palco.

"Então, me diga, Quinn. Em que universidade você estuda?" um homem alto e magro perguntou. A loira limpou a garganta, antes de responder.

"Eu já tomei cursos em Julliard, mas estarei me formandoem NYU." O homem pareceu impressionado. Ela não pagou pelos cursos em Julliard, mas os pais de Rachel pagaram. Aquilo contava, certo?

Quinn olhou ao redor, percebendo que a maioria dos convidados parecia estar se preparando para ir embora. "Ainsley disse que o jantar é as sete, certo?" Rachel perguntou, confusa, enquanto deslizava para o lado da loira. Thomas e Desimee estavam apanhando seus casacos à porta.

Quinn se aproximou de Jesse. "Por que todos estão indo embora?"

O rapaz deu de ombros; ele também achava que aquela seria uma festa mais animada.

Os três estavam prestes a se prepararem também quando Charlene disse. "Não se preocupem. O jantar ainda está na programação."

"Mas todos estão saindo." Rachel disse. Apenas os três e outro rapaz ainda estavam na sala.

"Eles estavam aqui para os aperitivos." Charlene disse, com os sorriso. "Vocês três e Jullian Shein são os únicos convidados para o jantar. Por favor, continuem conversando com Ainsley enquanto eu preparo o jantar."

Jesse se voltou para conversar com Jullian, enquanto as garotas se viravam uma para a outra. "Então, como você está?" Quinn observara Rachel naquela curta hora em que passaram interagindo com os outros convidados. Rachel sempre parecia bem confortável em cada conversa que tinha.

"Incrível! Desimee me fez perguntas sobre os filmes, a peça e até sobre o Glee Club!" Quinn sorriu com a animação de Rachel.

"E você?" Rachel achou difícil manter os olhos longe da loira durante a noite. A confiança com a qual ela falava era muito sexy.

"Muito informativa."

"O jantar está pronto!" Charlene anunciou da porta da sala. Os quatro seguiram para a imensa sala de jantar. Todos tomaram seus lugares, com Ainsley e Charlene na cabeceira.

"De vez em quando, Charlene e eu convidamos futuros talentos para um jantar discreto. Uma maneira de fazer sua carreira e esperança florescerem."

"Ainsley e eu achamos que vocês são futuros talentos. Jullian, sua performanceem True Paradise foi magnífica! Jesse, foi ótimo em Uma Doçura, e soube encantar Thomas."

"Minha mulher e eu temos quase certeza de que vocês dois podem receber uma ligação amanhã dos produtores de Thomas, pois ele está prestes a preparar Dance Trio para uma turnê européia."

"Para Dance Trio?" Jullian perguntou, com seu sotaque francês.

"Exatamente. A turnê começa na Inglaterra, e depois de oito semanas, vocês estarão de volta a América." Ainsley disse, com um sorriso. Os olhos arregalados de Jesse encontraram os de Rachel, antes de se voltar para Quinn.

"Dance Trio é um espetáculo promissor?" Quinn perguntou, em um tom profissional. Ainsley e Charlene trocaram sorrisos satisfeitos, antes de voltarem para ela.

"Muito. Material para a Broadway. O elenco atual é escasso e Jesse e Jullian são perfeitos para o show. Thomas deixou o roteiro, se vocês estiverem interessados." Ainsley acrescentou, olhando diretamente para a loira. Quinn assentiu com a cabeça uma vez, esforçando-se para manter uma expressão profissional.

"Menos negócios e mais comida!" Charlene disse, piscando para Rachel. O casal não quis falar sobre seus planos para a diva em frente à Jesse e Jullian.

Uma hora depois, Ainsley levou todos para a sua sala de estudos, para tomar café. A sala era escura e rústica, e todos encontraram um lugar para continuarem a conversa. "Quinn, posso falar com você?" Ainsley perguntou, fazendo sinal para as duas cadeiras ao lado da lareira. A loira o seguiu, separando-se dos outros quatro.

"Você se divertiu hoje a noite?" ele perguntou, com um sorriso sobre sua taça de conhaque.

"Imensamente. Muito obrigada por nos convidar. Rachel está muito feliz."

"Claro, claro. Eu conheço talento, e isso ela tem de sobra." Ao lado de sua cadeira, Ainsley apanhou uma caixa cheia de charutos. Em silêncio, ele perguntou se Quinn queria um, e ela balançou a cabeça, esperando ele exalar, para falar o que queria.

"Charlene e eu estamos juntos há quarenta anos, Quinn. Isso é muito tempo." Ele finalmente disse, olhos fixos nos dela.

"Sim. Você deve estar muito orgulhoso."

"De fato, eu estou. Nós dois estamos. Lealdade. Isso é importante. Ficar ao lado da pessoa que você ama e ser amado."

"Eu não poderia discordar." Quinn respondeu, seus olhos encontrando Rachel do outro lado da sala, enquanto a diva conversava com Charlene. Rachel e Quinn trocaram sorrisos antes de se voltaram para seus respectivos anfitriões.

"Vê. Bem aí. Você imediatamente olhou para ela. E ela imediatamente sentiu seu olhar e o intensificou. É disso que eu estou falando." Quinn olhou para ele, um pouco intrigada.

"Eu não entendo." Ainsley se inclinou para a frente, em sua cadeira, examinando a garota.

"Houve um tempo em que a Broadway não era apenas sobre fazer dinheiro e ganhar fama. Não era apenas um meio de entrar na TV ou fazer filmes. Pessoas queriam estar no palco e cantar. Rachel tem essa paixão pelo palco."

Quinn assentiu, ainda sem entender aonde ele queria chegar. "O sonho dela sempre foi cantar em um palco."

"Sua paixão pela Broadway foi o que me intrigou no inicio. Mas existem inúmeros atores lá fora que sentem o mesmo. O que diferencia Rachel dos outros, Quinn, não é sua unidade, seu talento, ou seu amor pelo palco, e sim você."

Quinn estreitou os olhos, mordendo o lábio. Agora ela restava realmente perdida. "Eu não tenho certeza..."

"Eu escrevi uma peça. Um musical." Ainsley disse. Ele parecia animado como um garoto no Natal. "Charlene e eu escrevemos. Escrevemos os diálogos, as músicas, canções!"

"Eu pensei que você apenas oferecia suporte financeiro?"

"No passado." O entusiasmo dele era óbvio. "Mas o que a maioria não sabe, é que nos últimos vinte anos, Charlene e eu estivemos trabalhando em nosso musical. Nossa história de amor. O que nós passamos juntos!"

Quinn assentiu de novo. "Nós conhecemos os melhores compositores, os melhores escritores, os melhores diretores, e acho que finalmente acabamos. Nosso sonho de ver nossa história sendo apresentada no palco!"

"Isso é muito romântico." Quinn sorriu.

"Nós estamos aptos a financiar toda a performance, e já temos todo o suporte. Temos o local, a equipe... agora, tudo o que precisamos são os atores." Oh, Meu Deus!

"Nós sabemos como é lá fora. Nós assistimos algumas audições. Falamos com pessoas que conhecemos. E temos a maioria do elenco. No entanto, eu tenho que admitir que alguns do elenco são escolhas complicadas."

Ainsley parou, procurando as palavras certas. Agora Quinn estava prestes a cair de sua cadeira. "Você tem que nos entender. Esse musical é muito importante para nós. Essa não é só mais uma história. É a nossa história de amor! Como nos conhecemos, como nos apaixonamos, as coisas pelas quais passamos. Eu não me sinto feliz em deixar esse papel cair nas mãos de atores apenas interessados em dinheiro."

"Eu entendo completamente." Quinn disse, morrendo de vontade de ouvir o que ele diria a seguir. "É muito pessoal."

"Sim! Assistir alguém interpretar minha esposa, meu amor, seriamente, é muito importante para mim."

"Você quer alguém que respeite o papel e a trate com reverência." Seu coração estava disparado.

"Exatamente!" ele jorrou. "Alguém que entenda a história porque está vivendo sua própria história de amor. Alguém que respeite minha história como se fosse sua. Alguém que saiba sobre lealdade e desempenhe com honra o papel do amor da minha vida."

Alguém como Rachel!

"Alguém como a sua Rachel." Agora foi dito, e Quinn se sentiu tonta.

"Eu não posso responder por Rachel," Quinn disse lentamente. "Mas eu sei que ela leva histórias de amor muito a sério. Ela leva as emoções das pessoas muito a sério."

"E depois de falar com vocês duas, depois de conhece-la, eu e minha esposa concordamos que ela entende. A maneira como ela olha para você, a maneira como vocês se olham... é emocionante." Ele disse com um sorriso suave. Quinn corou.

"Charlene e eu achamos que ela é perfeita para o papel. Elas estão conversando sobre isso agora." A cabeça de Quinn se virou a tempo de pegar o olhar arregalado de Rachel, enquanto ela virava em direção a loira. A diva parecia amedrontada. "E pela reação de sua noiva, acho que minha esposa acaba de informar a ela."

Quinn não estava ciente do fato de que Jesse e Jullian já não estavam mais lá. Rachel acabara de ganhar um papel na Broadway. Um show na Broadway produzido pelas pessoas mais influentes no ramo. Ela estava sem palavras.

"Ahhhh, falando sobre negócios, não?" Charlene perguntou enquanto se aproximava, com uma diva surpresa ao seu lado.

"Sim, acabo de dar as notícias a Quinn." Ainsley sorriu para a esposa, que sentou em seu colo.

"Bem, eu acabo de dar minhas próprias noticias para Rachel." Os olhos da diva ainda estavam arregalados enquanto ela desabava na cadeira ao lado de Quinn. As sobrancelhas da loira subiram com a expressão de Rachel. Por que ela não parece mais animada? Parece que ela viu um fantasma.

"Ah, mesmo? Eu pensei que combinamos de contar a elas juntas?" Ainsley perguntou, com um riso, beijando a bochecha da mulher. Os olhos de Rachel encontraram os de Quinn. Pânico refletido nos olhos castanhos.

"O que está acontecendo?" Quinn perguntou cuidadosamente, sem saber porque Ainsley e Charlene estavam tão satisfeitos, enquanto Rachel parecia à beira de um ataque.

"Eu só estava contanto a Rachel sobre meu mais novo hobby, certo, Rachel?" a diva assentiu com um sorriso tenso, escondendo sua dor. "Sim, estávamos falando sobre o noivado de vocês, e ela me explicou que vocês não estão financeiramente estáveis para se casar ainda. Ela não tem um emprego estável e essas coisas." Charlene explicou, sorrindo.

Novamente, Quinn olhou para Rachel. Era óbvio que a diva estava tentando dizer algo a loira com o olhar.

"E eu estava apenas informando a Quinn sobre nosso esforço mais criativo. E parece que elas fariam um par muito amável, certo, Charlene?" a ruiva sorriu amorosamente, assentindo.

O pânico cresceu visivelmente em Rachel, e Quinn se virou para o casal. "E qual exatamente é seu mais novo hobby, Charlene?" a mulher sorriu entusiasmada e bateu palmas.

"Bem, Quinn. Primeiro, eu acho importante contar a Rachel sobre o musical."

"Sim! Rachel, querida, eu gostaria de oficialmente lhe oferecer um papel em nosso mais breve sucesso na Broadway!" Uma gargalhada explodiu da boca fechada da diva. Aquela não era a reação que Quinn esperava.

"Veja, querida." Charlene disse. "Agora você tem um emprego fixo!"

"Hummmmm." Rachel cantarolou, balançando a cabeça, os olhos ainda esbugalhados de medo, um sorriso falso e desconfortável. Quinn estava perdida. Por que Rachel está agindo tão estranho? Todos os seus sonhos estão se tornando realidade.

"Perdoe-me," Cherlene disse com um sorriso de menina. "Eu estou muito animada!"

"É um momento emocionante!" Ainsley acrescentou com uma gargalhada. "O musical terá inicio, Rachel será uma estrela, e nesse meio tempo, Quinn, você terá muito para organizar e planejar."

Quinn não tinha idéia do que estava acontecendo. Planejamento? Para quê?

"Sinto muito... planejar?" Rachel lançou-lhe outro olhar ansioso, sentando rigidamente em sua cadeira.

"Bem sim, querida. Meu hobby." Charlene sorriu novamente, e parou dramaticamente antes de dizer em delírio. "Eu sou uma organizadora de casamentos!"


I'll blow my horn, till someone blows it' (Eu assopro minha trompa, até alguém assopra-la para mim)

Ah, CAFÉÉÉ! Tomei muito café para terminar de traduzir esse capítulo e acho que valeu a pena. Não quis deixar vocês esperando por muito tempo antes que as atualizações começem a ficar mais instáveis, mas mais cedo é melhor do que mais tarde, não? Finalmeeeeeeeeeeeeeente essas duas tiveram uma SURPRESA aqui no fim, o que vocês acham? Esse é dos meus capítulos favoritos porque a Quinn tortura a Rachel - coitada. E o Jesse nem é tão ruim. Obrigada pelos Reviews, e desculpem pelos erros. BJS!

OBS: Próximo capítulo Afinadas No Amor ou The Wedding Singer no título original.