Um médico e alguns enfermeiros estavam realizando os procedimentos básicos para reanima-la, quando House chegou.

Ele observava pela porta, tentando agir como se fosse apenas uma paciente qualquer, mas tratava-se de Cuddy, por mais que ele tentasse não conseguiria não se importar com ela.
- Sinais vitais estáveis...ela deve acordar a qualquer momento, então faremos uma tomografia para ver o que aconteceu. Diz o médico que a atendia.
Nesse momento House decide intervir.
- Você é um idiota! Comprou o diploma? Grita ele, entrando no quarto e se aproximando de Cuddy, para observar o monitor cardíaco.
- Que foi House, você não tem que ir pra casa, me deixe cuidar da paciente. Continua o médico.
- Se eu deixa-la nas suas mãos ela não sobrevive até a manhã. O caso é meu, vão vocês pra casa, eu cuido dela! Exclama House enquanto segura o pulso de Cuddy, tentando medir a pulsação.
E o médico que a atendeu, enfurecido, joga as luvas no chão e deixa o quarto, acompanhado pelos enfermeiros. Em seguida,House abre a blusa de Cuddy, botão por botão, ate expor totalmente seu abdome. Ele pára por um momento, ao perceber que ela recobrava a consciência.
Ainda tonta e sentindo-se fraca, Cuddy tenta pronunciar algumas palavras.
- House...nosso bebê...Sussurra ela.
Ele pega o aparelho de ultra-com e coloca sobre o abdome dela. Segundos depois ouve-se batimentos cardíacos, rítmicos e fortes, ecoando do aparelho
- Aí está o parasita. Com quase 8 semanas de vida e já causando problemas- Afirma House
- Seu bebê está bem, já você por outro lado...

Lágrimas escorrem pelo rosto de Cuddy, que não conseguia esconder a felicidade por não ter perdido seu filho.Ela observa a tela, sorrindo ao ver a primeira foto de seu bebê, enquanto House desvia o olhar do monitor. A médica sente-se magoada ao perceber o descaso de House, mas no fundo, ela não esperava uma atitude diferente dele.
- Obrigada, House. Agradece ela.

Ele retira o aparelho da barriga dela e simplesmente permanece em silêncio, andando pelo quarto de um lado para o outro, sem olhá-la nos olhos.
- Você está doente. Afirma ele. Vai me dizer o que é, ou eu vou precisar descobrir sozinho?
Cuddy morde os lábios, tentando não imaginar aonde essa conversa iria chegar.
- Eu não estou doente, eu estou grávida. Responde ela.
- Você está doente e grávida. Dois problemas de uma só vez. Última chance...o que você tem? Indaga House.
Cuddy vira-se para o outro lado da cama, tentando não encarar House ao dar a notícia.
- Eu tenho um aneurisma na artéria cerebral média. Conta ela, engolindo o choro.
House fica paralisado, se mantém em pé ao lado do leito, olhando fixamente para ela.
- Se isso for verdade...você não pode levar essa gravidez a diante...afirma House.
Ela se vira para ele, não se importando que ele visse sua fragilidade.
- Eu posso...e eu vou levar essa gravidez a diante! Exclama ela com convicção.
- Você pode morrer! Você tem uma bomba relógio na sua cabeça e um barril de pólvora no seu útero, quer esperar pra ver qual dos dois faz você explodir primeiro?! Grita ele, alterado.
- Meu útero, minha cabeça, eu tomo as decisões! Retruca ela.
- Se você quer se matar, vá em frente, eu não vou te impedir, eu conheço meios melhores, vai ser mais rápido, mais barato. Diz ele sarcasticamente.
- House, não seja ridículo...
- Você está sendo ridícula! Não está agindo como você mesma, mas sim como uma dessas mulheres estúpidas que...
-Que querem proteger o filho a qualquer custo? Se é isso que você chama de estupidez, então eu sou estúpida. Indaga ela.
- Você não vai protegê-lo, vai morrer com ele! Exclama House.

-Eu posso morrer com ele, mas não quero viver sabendo que eu o matei, House. Não quero viver sabendo que eu matei nosso filho. Mas você não se importa com isso não é mesmo? Diz Cuddy com sofrimento e mágoa no olhar.

Ele fica sem saber o que dizer, por poucas vezes na vida, Gregory House ficou sem palavras, e essa era uma dessas vezes.
- Você tem razão, eu não me importo. Faça o que você quiser...Porque eu realmente não me importo!
Após dizer isso, House a deixa sozinha no quarto. Cuddy começa a chorar compulsivamente. A solidão, o medo e a insegurança tomavam conta dela.
Enquanto isso, House vai para sua sala, se certifica que não havia ninguém por lá, senta-se em sua cadeira, apóia os cotovelos sobre a mesa e coloca as mãos sobre seu rosto.Ele também sentia medo, e não apenas por ela. Num súbito acesso de raiva ele derruba todas as coisas que estavam sobre a mesa no chão, descontando toda a raiva que sentia, por ele, por ela e pelo ser que eles haviam feito, juntos. Ele começa a sentir fortes dores na perna, esfrega o local com uma das mãos enquanto joga vários compridos de Vicodin na boca, usando a mão livre.

Quarto 301

Cuddy permanecia deitada, conversando calmamente com Wilson, Cameron e Chase, quando House se aproximou do quarto. Ele estava parado na porta, escutando a conversa um pouco afastado.
- Eu estou bem, obrigada pela preocupação. Agradece Cuddy.
House interrompe a conversa, se aproximando do leito.
- Você não está bem, precisamos descobrir porque...Diz House enquanto joga outro comprimido na boca.
- House, você já tem seu diagnóstico...não existe mais nada de errado comigo. Retruca Cuddy.
- Você está errada..eu estou certo. Alguma novidade nisso? Pergunta House sarcasticamente enquanto olha para Chase e Cameron.
- Será que vocês poderiam me deixar a sós com Dr. House? Pede Cuddy, enquanto se ajeita na cama.
- Cuddy, como você é insaciável...nós não podemos fazer sexo, você não está em condições! Exclama House em tom provocativo.

- Cala a boca, House! Diz Cuddy.

Quando eles ficam sozinhos no quarto, Cuddy começa a discussão.
- Você sabe o que eu tenho, porque inventar doenças a mais House? Pergunta Cuddy.
- Eu não estou inventando, só acho que uma gravidez e um aneurisma não explicam todos os seus sintomas.
- O aneurisma e a gravidez causaram uma crise hipertensiva, meu nariz sangrou, eu desmaiei, o que mais precisa ser explicado? Questiona Cuddy exaltada.
- Você perdeu muito sangue...uma crise hipertensiva não poderia ser tão intensa. Tem alguma coisa a mais. Diz House.
- Isso é um palpite, House, não existe evidência de que tenha alguma outra coisa errada comigo. Eu vou pra casa. Afirma Cuddy, levantando-se para colocar uma roupa.
Sabendo que não conseguiria segura-la ali, House a observa se vestir. Sentia saudades dela, vontade de beijá-la, tocá-la, mas seu orgulho era mais forte do que seus sentimentos. Havia um copo com remédios na cômoda ao lado da cama, ele se aproxima pega o copo, levando na direção dela.
- Você não pode ir embora sem tomar seus remédios...Indaga House.
Ela pega o copo de suas mãos e o vira na boca, engolindo as pílulas.
Ele sai do quarto e a deixa terminar de se arrumar, observando-a de longe. Cuddy deixa o quarto e caminha em direção ao elevador, de repente o chão se move, seus olhos escurecem e ela cai no chão, se contorcendo.
House se aproxima rapidamente e pede ajuda.

- Alguém ajude, ela está tendo uma convulsão! Grita House enquanto a segurava.

Com a ajuda de 2 enfermeiros, House leva Cuddy para o quarto, colocando-a sob monitorização. Os batimentos cardíacos estavam aormais.
- Ela esta tendo um ataque cardíaco! Grita House já pegando o desfibrilador, e fazendo o coração dela voltar a bater normalmente.
Quando percebeu que ela estava estável, House começou a sentir um certo alívio, seu coração estava palpitante só de imaginar que ela quase havia morrido em seus braços. Ele observa quando ela abre os olhos devagar, lançando um olhar de raiva a ele, antes de fechar os olhos novamente.

Sala de Wison
House entra na sala, suando frio e desesperado.
- O que aconteceu, parece que voce viu um fantasma! Diz Wilson.
- Cuddy acabou de sofrer um ataque cardíaco. Responde ele, engolindo seco
- O meu deus, ela está bem?E o bebê? Pergunta Wilson assustado.
- Ela estava estabilizada quando eu saí do quarto, estão fazendo exames para saber do bebê. Continua House enquanto passava as mãos pela barba , demonstrando preocupação.
- Você estava certo House, tem alguma coisa a mais acontecendo com ela que não sabemos...
- Não, não tem. Afirma House com convicção.
- Como não? Questiona Wilson, gesticulando.
- Eu dei um convulsivante a ela, coloquei num copo para que ela tomasse junto com os outros remédios... Relata House.
Wilson olha para o amigo, julgando-o, incrédulo diante do que havia acabado de escutar.
- Você poderia tê-la matado! Grita Wilson desesperadamente Pode ter matado o seu filho! Isso é demais até pra você, isso é um crime,House!

- Eu estava tentando salvá-la! Se ela levar essa gravidez a diante, ela vai morrer! Grita House com mesma intensidade.
- A decisão é dela, você não pode prever o futuro, você nao é Deus! Não é você quem decide quem vive ou quem morre! Exclama Wilson ainda exaltado.
- Eu não quero que ela morra... Afirma House, totalmente perturbado.
- É isso mesmo? Ou você só não quer ter que conviver com a idéia de ter um filho, matá-lo é a maneira mais fácil de acabar com essa idéia não é mesmo? Indaga Wilson.
- Eu não me importo com essa criança, não quero matá-la, mas não quero que ela mate a mãe dela. Diz House, em tom menos alterado.
- Fique longe da Cuddy...isso foi um aviso, House. Se você chegar perto daquele quarto, eu vou chamar os seguranças. Fui bem claro? Pergunta Wilson.
E Wilson deixa sua sala, partindo em direção ao quarto de Cuddy.

Quarto 301
Ela estava acordando quando Wilson chegou no quarto. Abriu os olhos e tentava entender o que o oncologista conversava com um dos obstetras do hospital.
- Wilson.. Sussurra ela.
O amigo se aproxima do leito e a toca no ombro, pedindo para que ela se mantivesse calma.
- Está tudo bem Cuddy, seu bebê está bem. Responde Wilson.
- House...ele me deu uns comprimidos...Continua Cuddy, ofegante e fraca.
Wilson pede para que o obstetra os deixe a sós e vira-se para Cuddy.
- Eu não vou deixar ele chegar perto de você, eu prometo.Agora volte a dormir.
Cuddy faz um gesto afirmativo com a cabeça, vira-se para o lado e fecha os olhos, tentando entender tudo o que havia acontecido. Teria House tentado matar o prórprio filho? Essa idéia era dolorosa demais e ela tentou não pensar nisso, pelo menos por enquanto e acabou caindo no sono.

Já era de madrugada quando ele chegou. Certificou-se de que nenhum enfermeiro o havia visto e caminhou direto para a enfermaria. Aproximou-se do quarto dela, e mesmo na penumbra podia-se perceber que ela dormia. House entrou no quarto, aproveitando que a porta estava semi-aberta, tentando não acordá-la.

Ele chega bem perto da cama, ergue a mão na tentativa de tocá-la mas logo se arrepende.
Antes que ele pudesse se virar para ir embora, Cuddy acorda e senta-se na cama, e assustadamente tenta apertar o botão para chamar a enfermeira.
Ele observa a reação dela, Cuddy sentia medo dele, depois de tudo que haviam passado juntos, o sentimento que resumia tudo se chamava medo.
- Pode chamar as enfermeiras, eu já estou indo embora. Não sou nenhum psicopata que invade quartos de hospitais tentando matar os pacientes...Diz House em seu tom de voz habitual.
- O que você veio fazer aqui House, se certificar de que sua tentativa não deu certo? Pergunta Cuddy, acendendo a luz.
Ele permanece quieto por uns instantes, mas acaba retrucando.
- Não conseguia dormir, pensei que talvez matar bebês que ainda não nasceram pudesse me garantir uma boa noite de sono...
- Porque você fez isso? Pergunta Cuddy, sem tentar esconder a mágoa que sentia dele.
- Eu estava tentando salvar você...Responde ele, olhando para o chão.
- Eu não preciso ser salva...preciso que você fique longe de mim, longe do meu filho. Eu jamais vou te perdoar por isso.Afirma ela, deixando algumas lágrimas escorrerem.
- Cuddy, eu trabalho aqui...Diz ele.
- Isso mesmo, de agora em diante, você é apenas mais um médico desse hospital. E eu sou sua chefe. Esqueça tudo o que aconteceu entre nós, House. Porque eu já esqueci...Continua ela.
Ele caminha em direção a porta do quarto, mas ela o impede com uma ultima pergunta.
- Você não esta ao menos... arrependido?
- Não. Eu faria quantas vezes fosse necessário...pra não perder... você...
E ele sai do quarto, deixando-a sozinha.

- Você já me perdeu, House. Repete Cuddy para si mesma, enquanto coloca as mãos no rosto, enxugando as lágrimas que caíam.

Casa de House
Ele estava sentado no sofá ,com um copo de uísque nas mãos quando a campainha tocou. House mancou até a porta e a abriu. Era uma mulher morena, de cabelos enrolados que estava parada do lado de fora, vestida provocativamente.
- Gregory House? Pergunta ela.
- Qual o seu nome? Pergunta ele, com voz de embriagado.
- Mary. Responde ela, mascando chiclete.
- Hoje a noite será, Lisa...Diz ele, dando espaço para que ela entrasse.
E ele tranca a porta logo em seguida.