Mais um capitulo pra vocês meus amores, aproveitem bem a historia está quase acabando, bjssss

Capítulo IX

Serena não estava muito satisfeita com o biombo com armação de ferro fundido que colocara na sala para esconder o computador, e chegara à conclusão de que uma meia cortina, feita com fios de gotas de cristais penduradas desde o teto até o chão, faria o mesmo efeito como disfarce para o feio computador, como também daria ao ambiente muito mais leveza e sofisticação.

Assim sendo, saiu cedo do apartamento de Andrew e Lisa para comprar o material necessário, bem como as gotas de cristal importado, cujo fornecedor conhecia bem.

Quando voltou da rua e entrou na casa, experimentou uma ligeira decepção e uma inexplicável tristeza ao não encontrar Darien trabalhando na sala. Onde estaria ele? Seu coração começou a bater descompassado.

Após correr pelas alamedas ladeadas de altos pés de eucalipto e carvalhos frondosos no parque municipal diante do prédio de Lisa, para se refazer dos extenuantes folguedos amorosos que compartilhara com Serena, Darien entrou no apartamento, esbaforido e suado, porém, sentindo ainda o delicioso aroma de eucalipto em suas narinas. Só de calção de corrida, tênis e torso nu, era o que se podia chamar de um belo espécime masculino.

Para Serena, quando ele adentrou o ambiente, era como se a sala de estar tivesse sido banhada por uma luminosidade extraordinária. "Meu Deus", pensou ela, "como esse homem está sendo importante em meu dia-a-dia! Como adoro vê-lo, tocá-lo, senti-lo!"

— Você vai ter de me ajudar, Serena — murmurou ele, encontrando-a mexendo com seus objetos de decoração.

— Ajudá-lo a fazer o quê? — ela perguntou, com expressão interrogativa na face.

Serena sabia que estava olhando para Darien como se ele estivesse louco, mas não pôde deixar de se mostrar aturdida.

Por que ela teria de deslocar a mobília de onde estava, quando, enfim, a tinha disposto da maneira exata como queria?

— Foi você quem disse que estava interessada em conhecer um pouco mais de meu programa para computador. — Darien a brindou com um sorriso irresistível. — Para que não haja acidentes, precisarei de um espaço aberto, mais amplo, a fim de mostrar-lhe meu programa completo.

Bolas, ela não queria mover os móveis do lugar! Mas ele estava certo, pois desejava ver o programa.

—Tudo bem, vamos fazer isso então—concordou, enfim, com um suspiro.

Quando toda a mobília havia sido empurrada para o lado, Darien foi até o computador e inseriu um disquete. Depois de ajustar uma câmera de vídeo, olhou para ela.

— Pronta, Serena?

Ela assentiu. Apesar de curiosa, estava um tanto perturbada com aquela seminudez ali exposta tão próxima.

Não, aquilo não podia ser normal. Já vira tantos homens nus da cintura para cima até então, e nunca sentira a mínima perturbação. Entretanto, com Darien era diferente. A mínima visão de sua pele exposta mexia com sua libido, marcava-a a ferro e fogo.

Darien apertou uma tecla do computador, e a sala de estar de sua irmã transformou-se numa cozinha. Era inacreditável.

— Não creio no que meus olhos vêem! — Serena estudava a tela, admirada.

O olhar dela escrutinou o novo aposento que surgia no monitor. Havia gabinetes de pinho-de-riga, fogão, refrigerador e todos os utensílios domésticos, e, mesmo que Serena soubesse que estava pisando sobre tapetes persas, quando olhou para baixo, o que viu foi um assoalho de cerâmica.

— Espantoso! — Ela deu um passo adiante.

— Cuidado com o balcão — Darien a preveniu.

— Que balcão?

Os dedos fortes e bonitos tocaram outra tecla e apareceu na tela um balcão no meio da cozinha. Ele deu enter e, segundos depois, Serena deparou com o balcão completo com diversas canecas e panelas penduradas no alto.

Serena esticou a mão para tocar o balcão de mármore verde, mas os dedos foram contra do monitor. Ela gargalhou.

— Gabinetes fantasmas! — comentou. — Mas parecem tão reais...

— Essa é a ideia. — Darien esboçou um sorriso largo.

— Isso é fantástico.

— Acha mesmo?

— Sim... não. É muito mais do que fantástico — murmurou, encantada com a visão. — Não posso acreditar que alguém não tenha roubado tudo isso e fugido.

— Para ser franco, não registrei a ideia. Em vez disso, estou procurando por investidores. Venho tentando manter o programa fora das mãos de uma grande companhia, de tal forma que eu não perca o controle sobre meu produto.

Darien parecia satisfeitíssimo consigo mesmo, orgulhoso do próprio trabalho.

— Então, você gostou mesmo, Serena?

— Darien, eu adorei! A não ser por suas escolhas de cores, que não são as melhores. Elas são um pouco berrantes. Ninguém mais usa utensílios verde-abacate hoje em dia.

— Memória de infância... — Um pouco encabulado, Darien deu de ombros. — Além do mais, nem todos podemos ser designers de interiores. Ademais, posso mudar com toda a facilidade a cor quando bem quiser.

Ele apertou uma outra tecla, e, quando apareceu uma nova janela, deu o comando de enter. Os utensílios verdes ficaram brancos.

— Que tal agora? Melhor?

— Muito melhor—disse Serena. — Faça as panelas serem esmaltadas de branco e você verá a diferença. E se eu não gostar do estilo dos gabinetes ou da cor do mármore do balcão?

— Essa é a beleza deste programa. Se você for a compradora e eu o arquiteto ou empreiteiro, poderemos olhar para cada quarto, sala ou cozinha e mudar as dimensões, as cores e o estilo dos gabinetes antes da obra. Tudo o que tenho de fazer é dar instruções ao computador. As possibilidades são infindáveis.

— Isso é formidável! Sem sombra de dúvida. Darien fez uma pausa e permaneceu em silêncio.

— O que houve? — Serena sentiu que ele omitira algo.

— Bem, estive fazendo experiências em outra área também.

— Mostre-me.

Darien era um gênio, decidiu Serena. Tanto talento não podia ser desperdiçado.

Ele retirou o disquete, e a sala retornou ao normal. Então, vasculhou dentro de sua maleta e retirou outro disquete, mas antes de inseri-lo no driver olhou para Serena, aguardando uma reação.

— Você vai ver uma sala de jantar montada.

Ao toque de algumas teclas, Serena viu com clareza uma belíssima sala de jantar com móveis em estilo inglês em madeira cor de vinho e aparadores e estantes vitorianas. Até vasos em prata de lei com arranjos de flores, também em estilo inglês, e diversas esculturas em bronze, completavam a decoração.

— Extraordinário. — Serena estava perplexa. — Inacreditável! Dormi com um gênio e não sabia.

Darien achou graça do elogio. Parecia deliciado em poder compartilhar aquilo com ela.

— Você gosta do mar? — indagou, de repente.

— Adoro!

Por que Darien queria saber aquilo? Serena não achava que ele pudesse criar um jato particular que os levasse para o litoral. "Assim também já é demais."

Ele inseriu o disquete no driver e começou a abrir e clicar as janelas que apareciam. Quando por fim apertou enter, Serena se viu de pé numa praia de areia branca com ondas lambendo seus artelhos.

— Os milagres acontecem! — Ficou boquiaberta. — Um oceano no meio de Las Vegas!

— Espere. Não terminei ainda.

Darien abriu mais janelas, clicou, e a luz do sol na praia ficou negra, com milhares de estrelas brilhantes cintilando no firmamento. De súbito, havia som, e Serena podia ouvir o barulho das ondas batendo contra os rochedos.

Ela deu um passo adiante, e pareceu-lhe estar entrando em águas profundas.

Estacou. Uma barbatana preta veio em sua direção. Um tubarão! Serena se virou e correu direto para os braços de Darien. O tórax nu dele ribombava com a gargalhada que ele emitiu, e só então Serena se deu conta de que estava fugindo de uma imagem projetada. Que loucura!, pensou, atônita.

— Meu Deus, o tubarão parecia real! Não achei graça nenhuma na brincadeira!

— Tudo bem. Vou parar de rir. — Darien tentava se controlar, porém, sem sucesso.

O peito largo continuava a tremer com o riso.

— Você ainda está rindo, Darien.

— Desculpe-me...

— Está perdoado. — Aconchegou-se contra o corpo quente e úmido devido à transpiração, com um sorriso nos lábios. — Como você fez aquilo?

— Nunca revelo meus segredos, anjinho. Um homem misterioso é sempre provocante. — Darien deslizou a mão num carinho pelas costas dela. — Você já fez amor deitada na areia de uma praia? — sussurrou ao ouvido dela.

Arrepios de excitação cobriram os braços de Serena.

— Não, mas acho que adoraria fazer.

— Você não é igual a nenhuma outra mulher que já conheci em minha vida, sabia? E fico feliz em saber que perseguiu tudo aquilo que quis. Foi atrás de um desejo.

— Por que isso seria diferente para uma mulher do que seria para um homem? Temos as mesmas necessidades, afinal. —Serena afastou-se dos braços dele. O tubarão nadava em volta de suas canelas. — Você se incomodaria de livrar-se dos tubarões? — pediu, apontando para os pés, um pouco nervosa com a sensação que parecia muito real e, por isso mesmo, nem um pouco confortável.

— Prefere ter um golfinho?

Serena mudou o tom de voz para um suave sussurro:

— Quer saber de fato o que prefiro? Ter você nu, todinho para mim.

—Eu acho que posso atender a seu pedido.—Darien sorriu, malicioso.

Então foi para o computador e abriu diversas janelas. O tubarão desapareceu. Clicou aqui e ali, e uma melodia sensual havaiana misturou-se com o barulho das ondas do mar.

Serena riu de leve e começou a desabotoar a blusa. Nenhum homem jamais afetara seus sentidos como Darien tinha o poder de fazer.

Quando ele lhe deu as costas, ela deixou a blusa cair no mar e entrou no oceano imaginário.

Em seguida, Darien veio em sua direção, tirou o short de corrida e o atirou no solo.

Ele estava magnífico em sua nudez total agora. Sombras dançavam sobre o fantástico torso nu num jogo de luz das estrelas que cintilavam sobre ambos.

Serena desabotoou o sutiã, encolheu os ombros e, imitando o gesto dele com o calção, atirou-o longe.

— Você é linda, Serena.

— Eu estava pensando exatamente a mesma coisa de você. — Ela respirou fundo.

Darien pegou um frasco de plástico da gaveta do computador e entregou-o a ela.

— Eu não gostaria que você queimasse a pele. Use este protetor solar.

— Você planejou isso, Darien. E além do mais, agora é noite. As coxas dela tremiam só de pensar em Darien espalhando o creme sobre suas partes mais sensíveis.

— Vamos dizer que eu estava esperando por isso, ansiando para que acontecesse. Você sabe, mesmo que não haja sol, a maresia pode irritar sua pele delicada — sussurrou, sedutor.

A expressão dele a recordava um menino antes do Natal que quer abrir o presente mais cedo. Contudo, aquele logo ali não era nenhum menino. Darien era um homem por inteiro. Lindo, sexy e carismático.

Serena quis explicar que não havia vento, mas desistiu em seguida.

— Você tem razão. A brisa poderá me deixar vermelha. — Era muito melhor fingir.

Darien borrifou protetor nos ombros dela. As gotas começaram a deslizar pelo peito, causando-lhe cócegas, acariciando-a. Serena exalou um profundo suspiro.

— Está gostando? — perguntou ele, carinhoso. — É bom?

— Hum... Melhor impossível. Sua vez agora. Ele meneou a cabeça.

— Tenho uma ideia melhor.

Serena estava mesmo começando a gostar das ideias de Darien. E gostar muito. Bem mais do que seria aconselhável.

Ele a puxou para mais perto até que os mamilos túrgidos tocassem seu peito másculo. O óleo na pele de Serena lambuzou o tórax de Darien.

Serena fechou os olhos, perdida num momento de carne contra carne. Porém, queria mais.

Darien removeu-lhe os short sem demora, e os corpos se uniram com mais força, até que estavam ambos nus no meio da sala, cercados por uma praia arenosa e o mar em todo seu esplendor. Era fantástico, muito romântico. Só faltavam os colares de flores envolvendo o pescoço deles para Serena acreditar que se achavam em plena praia tropical do Havaí. Darien lhe dera a lua, as estrelas, as ondas do oceano. Nenhum homem jamais tinha feito isso.

— Você é tão bela ao luar — sussurrou Darien. — Dance comigo.

E dançaram juntos, com a música tamborilando em seus ouvidos. Ritmo havaiano. Os dois tornaram-se apenas um.

Por um longo momento, quedaram-se naquele paraíso de faz de-conta. Parecia mesmo um conto de fadas.

Darien pegou o frasco do chão, onde o deixara cair ao lado das roupas descartadas dos dois, e borrifou mais nos seios de Serena. Depois a fez girar, pondo-se a cuidar das costas dela.

Com as nádegas redondas pressionadas contra seu baixo-ventre, Darien começou a mover as mãos sobre ela. Acariciando os seios, beliscando os mamilos. Serena gemia, inclinando a cabeça para trás, arfando, entregando-se.

Os dedos habilidosos continuaram a explorá-la de cima abaixo, deslizando sobre as coxas, chegando perto do centro da feminilidade, porém sem tocá-lo.

Ela gemia, esperando... desejando que ele a possuísse e a levasse a seu momento de libertação.

— Darien, você está me matando aos poucos... — murmurou, excitadíssima.

— Quer mais, minha querida?

Darien a deitou no chão acarpetado e começou a beijar-lhe os seios. Sem a menor pressa, acariciou os mamilos enrijecidos enquanto os dedos faziam círculos ao longo do ventre achatado, sempre em movimento descendente.

Serena arqueou os quadris, ofegando cada vez mais alto, o corpo pedindo por alívio.

Darien começou a arranhá-la. A erupção de um clímax convulso a atingiu com a força de uma maré que chega à crista das ondas, conduzindo-a cada vez para mais alto, até que atingiu o limite.

Serena prendeu a respiração opressa, dando-se sem reservas ao prazer, à medida que um doce relaxamento tomava posse de seu corpo, como se ondas imaginárias a circundassem. Mas o que sentia não era imaginário. Era mais do que real.

Virou-se em direção a Darien, enterrando a cabeça em seu peito... esperando que a conexão fosse completada.

Como se ele sentisse sua vontade, possuiu-a com ardor frenético. Serena cruzou as pernas em torno da cintura dele, unindo ainda mais os corpos.

Darien iniciou os movimentos rítmicos, no princípio devagar, e depois mais rápido, mais rápido. Serena se contorcia a cada investida. Ele gemeu alto, contendo um grito rouco quando alcançou o clímax.

Uma vez que a maré da paixão deles baixou, Serena soube, sem sombra de dúvida, que estava apaixonada. Andrew tinha razão, ela se permitiria ficar emocionalmente envolvida.

Adormeceram naquela noite agarrados um nos braços do outro, mas o sonho dela foi povoado por Darien olhando-a cheio de piedade, porque ela fora tola o suficiente para apaixonar-se por ele.

Teve um sono agitado, sonhava e acordava repetidas vezes. E em todas as vezes, aparecia implorando pelo amor de Darien, que ria e zombava dela.

Quando Serena acordou, na manhã seguinte, as têmporas latejavam. Darien estava se movimentando sem fazer ruído pelo quarto. Pela umidade em seus cabelos, ela pôde constatar que já tomara um banho.

— Eu não tinha intenção de acordá-la. — Darien foi para o lado da cama e deu-lhe um beijo no alto da cabeça.

Ela aconchegou-se ao travesseiro e lhe ofereceu um sorriso triste, mesmo sabendo o que tinha de ser feito.

— O que aconteceu com você, princesa? Não vê que o dia está lindo lá fora e o sol brilhando como nunca?

— Perdoe-me, meu querido. É que tive pesadelos horríveis esta noite. Ainda não voltei à normalidade.

— Que tipo de pesadelo? Foi tão terrível assim? — Darien acariciou-lhe os cabelos, com ternura. — Li um livro uma vez que afirmava, com todas as letras, que sonhos não correspondem à realidade — afirmou, num esforço para tranquilizá-la.

— Esqueça isso, Darien. Não é nada de tão importante. Já estou me estabilizando. Tem razão, está um lindo dia. — Serena decidiu guardar para si mesma os maus presságios. — Você está pronto para sua reunião?

Ele fez que sim e ligou o secador, que estava em sua mão.

— Está nervoso? — Serena quis saber, quando Darien acabou de secar os cabelos.

A expressão dele se tornou séria.

— Sim. Investi quase todo meu dinheiro nesse programa.

Serena sentou-se no colchão, cruzando os pés a sua frente.

— É sem dúvida um excelente programa. Não há o que temer, posso assegurar. Eles não podem deixar de gostar.

Darien vestiu o paletó e pegou sua maleta.

— Espero que você esteja certa, meu bem. Eu a verei esta tarde. Espere por mim.

Darien soprou-lhe um beijo de longe.

— Adeus — murmurou Serena.

Seu coração despedaçou-se quando a porta da frente bateu. A única coisa que estaria esperando por ele seria um bilhete dizendo-lhe que ela tivera um problema em uma de suas lojas. Nada muito importante, mas teria de partir. Negócios. Darien entenderia.

Essa era a única maneira. Sem mágoas. Sem lágrimas. Sem olhares piedosos. Apenas um simples adeus.

Mas, se era mesmo tão simples, por que então tal atitude doía tanto? Afinal de contas, Darien não merecia aquela situação. Mas, no jogo estabelecido entre ambos, Serena tinha consciência de que não estava cumprindo o regulamento, e sabia muito bem quem seria o vencedor se as coisas continuassem do jeito que vinham se desenrolando.

"Adeus, meu amor", despediu-se, enquanto uma lágrima tardia escorria pelo canto do olho. Teria de ser firme na resolução, pois perderia a batalha, caso fraquejasse.

Obrigada as minhas queridas Marcinha e Neo Serenity, o apoio de vocês me motiva a continuar, bjsssss