Para a maior surpresa de Bella, a sala na qual Edward a levou estava realmente decorado em azul.
Olhou ao seu redor, os sofás azuis, as cortinas azuis..., e em seguida olhou para o chão, que estava coberto com um tapete azul e branco.
-Tem algo a dizer em sua defesa? - Perguntou Edward.
Ela não disse nada porque estava momentaneamente maravilhada pelo desenho do tapete.
-Bella - grunhiu Edward.
A jovem levantou a cabeça.
-Como diz?
Edward parecia com vontades de sacudi-la. Com força.
-Disse - repetiu ele, - se tem algo a dizer em sua defesa.
Ela piscou e respondeu:
-A sala é azul.
Ele ficou a olhando, claramente sem saber o que responder.
-Pensava que quando mencionou sala azul não o dizia a sério - explicou ela. - Pensava que queria me levar a qualquer lugar onde pudesse gritar.
-Claro que quero gritar - grunhiu ele.
-Sim - ironizou ela. - Isso já se vê. Embora devo admitir que não sei muito bem por que...
-Isabella! - Quase gritou Edward. - Tinha a cabeça no forno!
-Claro - respondeu ela. - Estava arrumando-o. Agradecerá quando começar a comer torradas em condições no café da manhã.
-Não agradecerei por isso. As torradas não poderiam me importar menos, e a proíbo que volte a entrar na cozinha.
Bella colocou as mãos nos quadris.
-Milord, é um idiota.
-Viu alguma vez alguém com o cabelo pegando fogo? - Perguntou Edward enquanto lhe cravava um dedo no ombro. - Já viu?
-Claro que não, mas...
-Eu sim, e não é algo agradável.
-Já imagino, mas...
-Não sei o que acabou provocando a morte do pobre homem, se foi às queimaduras ou a dor.
Bella tragou saliva enquanto tentava não visualizar o desastre.
-Sinto muito por seu amigo, mas...
-Sua mulher se tornou louca. Disse que seguia ouvindo seus gritos em sonhos.
-Edward!
-Santo Deus, não sabia que ter uma mulher seria tão molesto. E só estamos casados um dia.
-Está sendo desnecessariamente ofensivo. E asseguro que...
Ele suspirou e olhou ao céu enquanto a interrompia:
-Era esperar muito que minha vida seguisse tão pacífica como antes?
-Vai me deixar falar? - Gritou Bella no final.
Ele encolheu os ombros como se nada tivesse ocorrido.
-Continue.
-Não tem que ser tão macabro - disse. - Passei toda a vida arrumando fornos. Eu não cresci rodeada de criados e luxo. Se queríamos jantar, tinha que cozinhar. E se o forno tinha defeito, tinha que arrumá-lo.
Edward ficou pensativo, fez uma pausa e disse:
-Peço desculpas se em algum momento te subestimei. Não pretendia menosprezar seus talentos. - Bella não estava certa se arrumar um forno podia se qualificar talento, mas não disse nada. - Simplesmente - continuou Edward, enquanto elevava o braço, tomava uma mecha de cabelo castanho avermelhado e o enrolava no dedo indicador, - é que não gostaria que isto se queimasse.
Ela tragou saliva um pouco nervosa.
-Não seja estúpido.
Ele a puxou suavemente pelo cabelo, obrigando-a a aproximar-se dele.
-Seria uma lástima – murmurou. - É tão suave.
-É só cabelo - disse Bella, enquanto pensava que um dos dois tinha que manter o realismo da conversa.
-Não - Edward aproximou a mecha de cabelo à boca e o acariciou com os lábios. - É muito mais que isso.
Bella o olhou, inconsciente de que tinha separado ligeiramente os lábios. Juraria que notava a suave carícia de seus lábios no couro cabeludo. Não, nos lábios. Não, no pescoço. Não... Maldição, tinha percebido essa endemoninhada sensação por todo o corpo.
Levantou a cabeça. Ele continuava acariciando o cabelo com os lábios. Estremeceu. Ainda o olhava.
-Edward - disse com a voz rouca.
Ele sorriu, porque era consciente do efeito que provocava nela.
-Bella? - Respondeu.
-Acho que deveria... - deixou as palavras no ar e tentou opor resistência quando ele a atraiu mais.
-Acha que deveria o quê?
-Soltar o meu cabelo.
Com a outra mão, segurou-a pela cintura.
-Pois eu não - sussurrou. - Estabeleci um forte vínculo com ele.
Bella olhou seu dedo, ao redor do qual agora havia várias mechas.
-Percebo - disse, embora quisesse ter divulgado mais sarcástica e menos aturdida.
Edward levantou o dedo para poder observar o cabelo contra a luz.
-É uma lástima – murmurou. - O sol já está muito alto. Teria gostado de comparar a cor de seu cabelo com o do amanhecer.
Bella o olhou aniquilada. Nunca ninguém havia lhe dito nada tão poético. Por desgraça, não tinha nem ideia de como interpretar suas palavras.
-Do que está falando? - Disse, ao final.
-Seu cabelo - ele respondeu com um sorriso - é lindo.
-Meu cabelo - ela disse em voz alta - é ridículo.
-Mulheres – suspirou. - Nunca estão satisfeitas.
-Isso não é verdade - protestou Bella, que acreditava que era o momento de defender seu sexo.
Ele se encolheu de ombros.
-Você nunca está satisfeita.
-Como diz? Estou completamente satisfeita com minha vida.
-Como seu marido, não tenho palavras para expressar o muito que me alegra ouvir isso. Devo ser melhor marido do que pensava.
-Estou perfeitamente satisfeita - continuou ela enquanto ignorava seu tom irônico, - porque agora tenho o controle absoluto de meu destino. Já não estou sob a vontade de meu pai.
-Nem da senhora Volturi - acrescentou ele.
-Nem da senhora Volturi - admitiu-a.
O rosto de Edward adotou um gesto pensativo.
-Mas sim sob a minha, e minha vontade poderia fazer muito.
-Asseguro que não sei do que está falando.
Ele soltou o cabelo e a acariciou na lateral do pescoço.
-Seguro que não - murmurou. - Mas saberá. E então sim estará satisfeita.
Bella entrecerrou os olhos enquanto se separava dele. Sua nova esposa não tinha nenhum problema em lhe pisotear a auto-estima. E mais, Bella duvidava que Edward tivesse ouvido alguma vez a palavra «Não» de algum lábio feminino. Com os olhos entrecerrados, perguntou-lhe:
-Seduziu muitas mulheres, não?
-Não acho que seja o tipo de pergunta que uma mulher deveria fazer ao seu marido.
-Pois me parece que é exatamente o tipo de pergunta que uma mulher deveria fazer ao seu marido - apoiou as mãos nos quadris. - Para ti, as mulheres só são um jogo.
Edward a olhou durante alguns segundos. Tinha sido um comentário muito ardiloso.
-Um jogo, precisamente, não - respondeu enquanto tentava ganhar tempo.
-Então, o que são?
-Bom ao menos você não é um jogo.
-Ah, não? E o que sou?
-Minha mulher - ele soltou, que começava a perder a paciência com aquela conversa.
-Não tem nem ideia de como tratar uma mulher.
-Sei exatamente como tratar uma mulher - ele disse. - O problema não sou eu.
Ofendida, Bella retrocedeu.
-O que tenta dizer?
-Não sabe ser uma boa esposa.
-Só estou casada um dia - grunhiu ela. - O que esperava?
De repente, Edward se sentiu o maior descarado do mundo. Tinha prometido que lhe daria tempo para acostumar-se ao casamento e ali estava tirando fogo pelo nariz como um dragão.
Soltou um suspiro de arrependimento.
-Sinto muito, Bella. Não sei o que me ocorreu.
Ela pareceu surpreendida pela desculpa, mas em seguida relaxou os músculos do rosto.
-Não dê mais voltas, milord. Foram dias muito estressantes para todos e...
-E, o quê? - Perguntou ele quando ela deixou a frase no ar. Ela clareou garganta.
-Nada. Só que imagino que não esperava me encontrar com a cabeça no forno esta manhã.
-Foi uma surpresa. - Ele admitiu suavemente.
Bella ficou em silêncio. Após alguns segundos, abriu a boca, mas em seguida tornou a fechá-la.
Edward arqueou a comissura dos lábios.
-Quer dizer algo?
Ela meneou a cabeça.
-Não.
-Sim queria.
-Não era importante.
-Vamos, Bella. Queria defender suas habilidades na cozinha, ou com os fornos, ou como quiser chamá-lo, não é?
Ela levantou o queixo de forma quase imperceptível.
-Asseguro que arrumei ralos de forno um milhão de vezes.
-Não viveu o suficiente para ter feito isso um milhão de vezes.
Ela soltou um suspiro de raiva.
-Não posso falar com hipérboles?
-Sim - respondeu ele com muita suavidade, - mas só se falar de mim.
Bella desenhou um sorriso.
-Oh, Edward – exclamou, - sinto que faz um milhão de anos que te conheço - sua voz adquiriu uma maior ironia. - Assim de tão cansada já estou de sua companhia.
Ele riu.
-Eu me referia a algo mais parecido a: "Oh, Edward, é o homem mais amável..."
-Ok!
- "E mais elegante que jamais pisou no planeta. Se vivesse mil anos..."
-Espero viver mil anos - respondeu ela. - Então, seria uma bruxa sábia e velha cujo único propósito na vida seria te incomodar.
-Seria uma velha bruxa muito atraente - inclinou a cabeça e fingiu estar observando o rosto. - Vejo perfeitamente onde aparecerão às rugas. Justo aqui, ao lado dos olhos e...
Ela afastou a mão, que estava percorrendo os futuros sulcos das rugas.
-Que pouco cavalheiresco.
Ele encolheu de ombros.
-Sou quando me convém.
-Não imagino quando deve ser isso. Até agora te vi ébrio...
-Tinha um bom motivo para essa indigestão de álcool - disse agitando a mão no ar. - Além disso, meu pequeno estupor de embriaguez me conduziu até você, não é certo?
-Não me referia a isso!
-Fique tranquila. Não salte em minha jugular - disse ele com voz cautelosa.
-Eu não salto na jugular de ninguém - retrocedeu e cruzou os braços.
-Pois sua imitação é excelente. - Bella entrecerrou os olhos e desenhou um confiante sorriso.
-Meus ataques são muito mais letais. Será melhor que não provoque nenhum.
Edward suspirou.
-Creio que terei que te beijar.
-Quêeeee?
Agarrou-a pelo braço e a atraiu para ele em um movimento rápido até que ficou completamente pega a seu corpo.
-Parece que é a única forma de te fazer calar - disse arrastando as palavras.
-Será... - mas não pôde terminar a frase, porque os lábios de Edward se pegaram aos dela e estavam fazendo o mais endiabrado... Roçavam o canto dos lábios, e em seguida acariciavam a linha da mandíbula e Bella tinha a sensação de derreter-se. «Sim», pensou confusa. Essa devia ser a única explicação, porque suas pernas pareciam de manteiga, balançava-se contra ele, e devia estar ardendo, porque tinha muito calor e a palavra «Fogo!» ressonou em sua mente e...
Edward a soltou tão de repente que ela teve que se sentar em uma cadeira.
-Ouviu? - Perguntou, alterado.
Ela estava muito aturdida para responder.
-Fogo! - Gritou alguém.
-Santo Deus! - exclamou Edward enquanto se dirigia para a porta.
-É sua tia Leah - disse Bella. - Não disse que sempre gritava "Fogo"?
Mas ele já estava correndo pelo corredor. Bella se levantou e encolheu os ombros, porque não acreditava que houvesse nenhum perigo, não depois de conhecer Leah no dia anterior. Entretanto, era sua nova casa e, se Edward acreditava que havia algo do que se preocupar, sua obrigação era investigar. Respirou fundo, arregaçou o vestido e correu atrás dele.
Virou três esquinas em sua perseguição a Edward antes de dar-se conta de que estava se dirigindo à cozinha.
-Oh, não - grunhiu, com uma repentina e doentia sensação no estômago. "O forno não. Por favor, o forno não."
Percebeu a fumaça inclusive antes de ver a porta da cozinha. Era espesso e acre, e invadiu os pulmões em poucos segundos. Com o coração encolhido, virou a última esquina. Os criados estavam em fileira, passando baldes de água, e Edward estava no comando, gritando ordens e entrando e saindo da cozinha enquanto tentava apagar o fogo.
Quando o viu aproximar-se das chamas, em Bella encolheu o coração.
-Não! - Gritou e, sem pensar, cruzou a fileiras de criados e entrou na cozinha.
-Edward!
Ele se virou, com os olhos cheios de terror e raiva quando a viu junto a ele.
-Saia daqui! - Gritou.
-Não a menos que venha comigo - Bella agarrou um balde de água de um criado e o esvaziou em cima de uma pequena chama que tinha saltado do chão até uma mesa. Ao menos, poderia encarregar de apagar essa pequena seção do incêndio.
Edward a agarrou pelo braço e a arrastou até a porta.
-Se valoriza sua vida, vá!
Bella o ignorou e pegou outro balde.
-Quase o extinguimos! - Gritou, avançando com a água.
Ele a agarrou pela parte posterior do vestido deteve-a em seco e provocou que a água do balde se derramasse, embora caísse justo em cima do fogo.
-Queria dizer que a matarei eu mesmo - disse entre dentes. Enquanto a arrastava até a porta. Antes que Bella pudesse dar-se conta do que estava acontecendo, estava com as costas pega à parede e Edward tornava a ficar entre as chamas.
Tentou voltar a entrar na cozinha, mas seu marido devia haver dito algo aos criados porque lhe bloqueavam o passo com grande eficiência. Depois de um minuto de tentar abrir caminho para a cozinha, acabou cedendo e se uniu à fileira para transportar baldes de água, negando-se a ficar na impotente posição que Edward havia lhe atribuído.
Após alguns minutos mais, ouviu o assobio final do fogo apagado, e as pessoas da fila começaram a suspirar com tanta força que Bella se perguntou se algum deles tinha recordado respirar enquanto transportava baldes de água. Todos pareciam exaustos e aliviados e ali mesmo decidiu que seu primeiro gesto oficial como condessa de Billington seria assegurar de que todas aquelas pessoas recebessem algum detalhe de agradecimento por seus esforços. Um pagamento extraordinário, talvez, ou possivelmente outro meio-dia livre.
A multidão que empelotava na porta da cozinha diminuiu e Bella pôde aproximar-se. Tinha que dar uma olhada no forno e ver se podia determinar o que tinha provocado o incêndio. Sabia que todos pensavam que era culpa dela, mas esperava que acreditassem que não tinha arrumado bem o forno, em lugar de provocar o incêndio de forma intencionada. Preferia que pensassem que era estúpida e não diabólica.
Quando entrou na cozinha, Edward estava no outro canto, falando com um moço.
Graças a Deus, estava de costas a ela, assim aproveitou para aproximar-se do forno, que ainda soltava fumaça, e colocou a cabeça dentro.
O que viu a deixou gelada. O ralo estava na posição mais alta, mais inclusive do que estava antes que ela a arrumasse. Qualquer comida que houvesse ali dentro acabaria ardendo. Era inevitável.
Colocou a cabeça um pouco mais para dentro, porque queria olhar melhor, mas então ouviu uma seca maldição atrás dela. Antes que pudesse reagir, notou como a puxavam para trás e não teve nenhuma duvida de quem era.
Virou-se com cautela. Charles estava de pé atrás dela, com o olhar ardendo de raiva.
-Tenho que te dizer uma coisa - sussurrou com certa urgência. - O forno. Está...
-Nenhuma única palavra - ele disse. Tinha a voz rouca por causa da fumaça, mas aquilo não diminuiu sua raiva. - Nenhuma única palavra, maldita seja.
-Mas...
-Isso é uma palavra - deu meia volta e saiu da cozinha.
Bella notou como umas traidoras lágrimas umedeciam seus olhos, e não sabia se tinham sido provocadas pela dor ou pela raiva. Esperava que fossem de raiva, porque não gostava da sensação que tinha na boca do estômago e que se traduzia em que ele a tinha rechaçado. Levantou-se e se aproximou da porta da cozinha para poder ouvir o que Edward estava dizendo ao criados:
-... agradeço por pôr em perigo suas vidas e me ajudar a salvar a cozinha e todo o conjunto de Masen Abbey. Foi um gesto nobre e altruísta - fez uma pausa e limpou a garganta. - Entretanto, devo perguntar se algum de vós estava presente quando o fogo estalou.
-Eu tinha ido ao jardim recolher umas ervas - disse uma das ajudantes de cozinha. - Quando voltei, a senhorita Rosalie estava gritando pelo fogo.
-Rosalie? - Edward entrecerrou os olhos. - O que estava fazendo aqui embaixo?
Bella deu um passo à frente.
-Creio que desceu antes quando... - ficou sem palavras diante do furioso olhar de seu marido, mas então disse a si mesma que não tinha nada do que se envergonhar e continuou, - quando estávamos todos na cozinha.
Todos os olhos estavam cravados nela e Bella percebia a condenação geral da criadagem. Uma vez que, ela tinha movido o ralo. Edward se virou sem lhe dirigir a palavra.
-Me traga Rosalie - disse a um moço. Em seguida se virou para Bella. Quero falar contigo - grunhiu e retornou à cozinha. Entretanto, antes de chegar à porta, deu meia volta e se dirigiu ao grupo de pessoas ali reunido.
-Os outros podem seguir com suas tarefas. Os que vão cobertos de fuligem, podem utilizar o toalete da ala de convidados. - Como nenhum dos criados se moveu, acrescentou com certa secura. - Bom dia.
Então, todos saíram correndo.
Bella seguiu seu marido até a cozinha.
-É um gesto muito amável lhes permitir que utilizem seu toalete - disse, com calma, porque queria falar primeiro antes que ele brigasse.
-São nossos toaletes – respondeu, - e não pense que vai me distrair.
-Não era minha intenção. Mas não posso evitar dizê-lo quando tem um gesto tão bonito.
Edward suspirou e tentou dar tempo para que seu coração recuperasse o ritmo normal. Jesus, que dia, e nem sequer era meio-dia. Despertou e encontrou sua mulher com a cabeça no forno, tinha tido a primeira briga com ela, a tinha beijado apaixonadamente (e tinha acabado desejando muito, muito mais), mas haviam sido interrompidos por um maldito fogo que, pelo visto, ela tinha provocado. Coçava-lhe a garganta, tinha as costas destroçada e a cabeça doía horrores. Baixou o olhar e se fixou em seus braços, que parecia que estavam tremendo. Decidiu que o casamento não era saudável.
Virou-se para sua mulher, que parecia que não sabia se ria ou franzia o cenho. Em seguida voltou a olhar ao forno, que ainda soltava fumaça.
Grunhiu. Dentro de um ano estaria morto. Estava convencido.
-Aconteceu algo? - Perguntou ela muito devagar.
Ele a olhou com expressão de incredulidade.
-Aconteceu algo? – Repetiu. - Se aconteceu algo? - Desta vez foi mais um rugido.
Ela franziu o cenho.
-Bom, é óbvio que aconteceu... eh... algo, mas o dizia em um sentido mais geral...
-Isabella, toda a maldita cozinha está chamuscada! - Ela elevou o queixo.
-Não foi minha culpa.
Silêncio.
Ela cruzou os braços e se manteve firme.
-Alguém moveu o ralo. Não está onde eu o tinha deixado. Era impossível que o forno não se incendiasse. Não sei quem...
-Importa-me um caralho o ralo. Primeiro, para começar, não deveria ter se aproximado do forno. Dois - ia contando com os dedos, - não deveria ter vindo enquanto a cozinha estava em chamas. Três, não deveria ter metido sua maldita cabeça no forno outra vez enquanto ainda estava quente. Quatro...
-Já é suficiente - ela interrompeu.
-Eu direi quando é suficiente! É... - não disse mais, mas só porque se deu conta de que estava tremendo de raiva. E, possivelmente, também com um pouco de medo.
-Está fazendo uma lista sobre mim - acusou Bella. - Está fazendo uma lista de meus defeitos. Além disso - acrescentou, brandindo um dedo frente ao seu rosto, - blasfemaste duas vezes em uma só frase.
-Que Deus me ajude - choramingou Edward. - Que Deus me ajude.
-Ufff - ela disse, que conseguiu impregnar aquela expressão com um toque de desaprovação mordaz. - Não te ajudará se segue amaldiçoando.
-Acredito recordar que uma vez me disse que não foi afetada com estas coisas - disse ele. Ela cruzou os braços.
-Isso foi antes de me converter em sua esposa. Agora supõe que tenho que sê-lo.
-Que Deus me livre das esposas - grunhiu.
-Pois não deveria ter casado com uma - recriminou ela.
-Bella, se não fechar a boca, e que Deus me perdoe, vou quebrar seu pescoço.
Ela pensou que tinha deixado claro seu ponto de vista sobre a ajuda de Deus, assim se conformou sussurrando:
-Uma maldição é compreensível, mas duas..., bom, duas são muitas.
Não estava segura, mas juraria que tinha visto Edward elevar o olhar ao céu e suplicar:
-Por favor, me leve contigo.
Aquilo foi à gota que encheu o copo.
-Oh, pelo amor de Deus - interveio Bella, que utilizou o nome do Senhor em vão, um pouco habitual nela, posto que tivesse sido criada por um reverendo.
-Não sou tão mal para preferir a morte a este casamento.
Ele a olhou fixamente e deu a entender que ele não estava tão certo.
-Este casamento não tem por que ser permanente - ela exclamou, posto que a raiva a fazia elevar a voz. - Poderia sair agora mesmo por essa porta e conseguir a anulação.
-Que porta? - Ironizou ele. - Eu só vejo um pedaço de madeira chamuscado.
-Seu senso de humor deixa muito a desejar.
-Meu senso de humor... Aonde diabos vai?
Bella não respondeu e se limitou a continuar seu caminho para aquele pedaço de madeira chamuscada que ela preferia chamar de "porta".
-Volte aqui!
Ela seguiu caminhando. Bom, o teria feito se a mão de Edward não a tivesse agarrado pela beira do vestido e fizesse cair para ele. Bella ouviu um rasgo de tecido e, pela segunda vez esse dia, viu-se junta totalmente ao corpo de seu marido. Não podia vê-lo, mas o notava em suas costas e o cheirava... Juraria que, apesar do intenso aroma de fumaça, podia cheirá-lo.
-Não solicitará a anulação - ordenou ele, com os lábios virtualmente pegos a sua orelha.
-Surpreende-me que se preocupe - respondeu ela enquanto tentava ignorar a comichão que sentia na pele que sua respiração roçava.
-Preocupa-me - grunhiu ele.
-Só se preocupa com seu maldito dinheiro!
-E a ti o teu, assim será melhor que nos demos bem.
Um "ejem" da porta impediu que Bella tivesse que admitir que ele tinha razão. Levantou a cabeça e viu Rosalie, que estava de pé com os braços cruzados. Tinha o gesto contrariado, com o cenho franzido.
-Oh, bom dia, Rosalie - disse Bella com um sorriso forçado, tentando com todas suas forças fingir que estava encantada de estar naquela estranha posição em meio de uma cozinha queimada.
-Milady - respondeu a garota sem muito entusiasmo.
-Rosalie! - Exclamou Edward, muito contente, soltando Bella tão depressa que a lançou contra a parede. Dirigiu-se para sua prima, que sorriu.
Bella ficou ali esfregando o cotovelo, dolorido depois do golpe na parede, e murmurou todo tipo de desagravos para seu marido.
-Rosalie - repetiu Edward, - entendi que foi você quem descobriu o fogo.
-Sim. Começou quando nem sequer fazia dez minutos que você e sua nova esposa tinham saído da cozinha.
Bella entrecerrou os olhos. Tinha percebido certo tom de escárnio na voz de Rosalie quando tinha pronunciado a palavra "esposa"? Sabia que aquela garota não caía bem!
-Tem alguma idéia do que o provocou? - Perguntou Edward.
Rosalie parecia surpreendida de que perguntasse.
-Bom, eu... vá... - olhou diretamente para Bella.
-Diga-o, Rosalie - disse esta. - Acha que o provoquei.
-Não acredito que o tenha feito de propósito - respondeu a garota, com a mão no coração.
-Todos sabem que Bella nunca faria algo assim - disse Edward.
-Um acidente pode ocorrer com qualquer um - murmurou Rosalie, enquanto lançava um piedoso olhar à nova esposa.
Bella queria estrangulá-la. Não havia nenhuma graça que uma cria de quatorze anos fosse condescendente com ela.
-Estou certa de que acreditava que sabia o que fazia - continuou Rosalie.
Nesse ponto, Bella soube que tinha duas opções. Ir para seu quarto tomar um banho ou podia ficar e matar Rosalie. Com grande pesar, decantou-se pelo banho. Virou-se para Edward, adquiriu sua melhor postura de garota necessitada, e disse:
-Se me desculpar creio que irei a meu quarto. Acho que vou desmaiar.
Edward a olhou com desconfiança e, entre dentes, disse:
-Nunca em sua vida desmaiou.
-Como sabe? - Respondeu ela, igualmente em voz baixa. - Nem sequer sabia de minha existência até a semana passada.
-Pois parece uma eternidade.
Bella levantou o nariz e, com secura, sussurrou:
-Estou de acordo.
Em seguida ergueu os ombro e saiu da cozinha com a esperança de que sua grande saída não se visse danificada pelo fato de estar cheia de fuligem, de coxear ligeiramente e de usar um vestido que agora estava partido em três pedaços.
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Obrigada³ Polly, Missin, adRii Marsters, mypallotx3, Sveta, lorena, gby00, nandastewart e M pelos reviews. É revigorante ler a opinião de vocês!
Céus esse casal são uma figura, realmente Bella não é dondoca e para ela é difícil se adaptar essa nova rotina de duquêsa, mas ela vai saber levar de boa. E Edward sempre 'galante' tentando conquistar ela. Só digo que esperem e vocês verão no que vai dar... Hmm Rosalie dona Rosalie, ela relamente não está sendo nada agradável com a esposa de seu primo... E Alice sempre será Alice. Uma fofa.
Rá pelo reação de vocês até agora vejo que irão gostar mais ainda dos capítulos futuros. Aguardem.
Bom final de domingão e espero os reviews de vocês. Beijo ツ.
