Disclaimer:

Os Vingadores são uma criação da Marvel Comics, no entanto as personagens Olívia Huscarl e Sophie Legrand nos pertencem.

Essa história está sendo produzida por duas pessoas, qualquer diferença estilística entre os capítulos não é mera coincidência.

Nos baseamos no filme "Avengers", já que os universos dos quadrinhos são variados e poderiam dificultar a compreensão.

Essa história também será publicada no site Nyah Fanfiction, com o mesmo nome de usuário. Não se trata de plágio!

Críticas e sugestões são sempre bem vindas, desde que pertinentes ao nosso propósito.

Tenham uma ótima leitura :)


IX.

O deus do trovão emitiu um muxoxo. Encostado na parede, braços cruzados, estava cansado de escutar chacotas de Stark. Para o homem de lata, todas as situações eram propícias para uma piada, uma ironia. Era um homem valoroso, um bom combatente e Thor aprendera a tê-lo como amigo, mas concordava com Rogers quando ele dizia que certos momentos exigiam seriedade. Ser sério, pensou, era uma das qualidades que faltavam em Stark.

Nesse momento, o bilionário fazia mais uma de suas provocações para o Dr. Banner. – Diga, depois que você fica verde é capaz de fazer fotossíntese?

Banner nada respondeu e limitou-se a sorrir timidamente. Sem platéia, Stark reconheceu que o clima não favorecia gracinhas e sentou-se na mesa em forma de escudo da S.H.I.E.L.D. Fury havia chamado a equipe e somente adiantara que novidades estavam por vir. Dada a incerteza que pairava a agência ultimamente, todos estavam ansiosíssimos por respostas. Steve também estava sentado e Banner andava de um lado para o outro, com os pensamentos distantes. O Gavião e a Viúva não haviam chegado ainda.

Desde que deixara Fury com Olívia, no dia anterior, Thor não havia conseguido deixar de pensar na moça. Não sabia sobre ela mais do que ela mesma havia contado a ele, nos breves instantes em que conversaram, mas por ter visto um relance do poder dela estava tremendamente curioso. Uma parte de seu orgulho havia sido ferida, por ter sido tão facilmente usado, transportado; mas a verdade era que queria saber mais. Sua atenção foi desperta quando Fury, Gavião e Natasha entraram na sala e os cumprimentaram. Sem rodeios, como sempre, foi logo ao assunto:

- A situação está ficando cada vez mais delicada. Temos agências de inteligência, governos e sabe-se lá que tipo de aberração atrás de nós. – A mesma dúvida surgiu na cabeça de todos, mas ninguém falou nada. – Por isso, devemos nos preparar para qualquer situação. Pra ajudá-los nisso, um novo membro integrará os Vingadores. – Fury caminhou para o lado e indicou a porta, num patamar acima do salão. De lá, saiu Olívia.

Isso deixou Thor surpreso, descruzando os braços e caminhando para frente e não percebendo que mostrava estar abalado:

- Olívia?

Ela descia as escadas, sorrindo para ele e depois olhando para os demais Vingadores, que a encaravam, aguardando apresentações. Ela parou na frente de Thor, que sorria, ainda que sem entender nada.

- Agora vou cumprir a minha parte do trato. – ela piscou um olho e passou por ele, rumo aos demais integrantes. – É uma enorme honra poder conhecê-los. Sou Olívia Huscarl. – estendeu a mão e os membros a apertaram, saudando a nova companheira e fazendo perguntas sobre ela.

- De onde você é? – Steve perguntou simpático.

- Itália. – Diante da careta do Capitão, acrescentou : - Calma, não somos fascistas há um bom tempo!

Thor percebeu que Stark avaliou a morena de cima a baixo e logo já estava cheio de gracinhas. "Ele já tem um compromisso, deveria se conter! Esses mortais só pensam nisso..." .

- Gostei do seu estilo. Aliás, esse é o melhor álbum deles. – Stark apontava para a blusa de Liv, cuja estampa era um álbum de uma banda de rock. – Até que enfim teremos alguém com bom gosto por...

- Olívia tem mais com o que se preocupar do que em discutir essas coisas. – Thor se interpôs entre ambos, bravo. Todos olharam para ele, pois ninguém havia visto importância na conversa entre os dois. – Ah... Por que não nos explica quais são vossas habilidades? Creio que conjurar deuses seja apenas uma pequena parte...

Liv riu e olhou para Fury, que assentiu com a cabeça positivamente. Ela andou alguns passos até a grande janela e olhou as nuvens por um segundo.

- Bom... É uma história interessante... – então, com a silhueta desenhada contra a luz que entrava, Liv tirou a jaqueta e revelou um braço completamente tatuado. Enquanto olhava para elas, contou tudo o que ocorrera, desde que ela e o pai acharam os pergaminhos, até o momento que cortara a mão para realizar o ritual para chamar Thor. O deus do trovão avaliava as tatuagens, mas estava um tanto quanto longe para entendê-las. Conseguiu identificar uma ou outra runa, mas estavam dispostas de maneira tão intricada, formando desenhos tão elaborados que desistiu de entendê-los.

Liv terminou sua história e sorriu melancolicamente, depois de lembrar de tudo. Thor apreciou a bravura de Liv e fez sinal com a cabeça de quem aprovava suas atitudes. Os demais Vingadores conversavam e perguntavam a ela, curiosos, mas ele limitou-se a observá-la. Não aparentava ser tão forte assim, mas ele havia aprendido que os maiores guerreiros são aqueles de espírito poderoso, não os de grandes músculos. Queria poder entender mais sobre as capacidades dela e logo ansiou por poder lutar ao lado dela.

Seus olhos se encontraram e ela deu um sorriso cúmplice, que confundiu o deus, não sabendo como reagir perante a facilidade com que ela o deixava intrigado. Deu as costas e foi embora, tentando tirar isso da cabeça.


Hawkeye estava em seu posto de observação, notava sua protegida andar pelo salão principal, onde ficavam os computadores de comando, ela olhava para todos os lados, como se estivesse procurando por alguém. Viu-a sair rapidamente do local, parecia estar incomodada com algo.

- Boa tarde, doutora! – cumprimentou-a Maria Hill.

- Boa tarde, Maria! Como vai? – sorriu simpática e continuou sua trajetória. Estava se sentindo sufocada naquele lugar, precisava sair, ver civis, a movimentação de carros, a civilização. Fora a sensação constante de estar sendo perseguida, achava que isso iria acabar depois de estar sob a proteção da S.H.I.E.L.D.

Saiu em direção às pistas de pouso, estando em pleno voo aquele não era um lugar recomendado para se ficar, mas era perfeito para quem precisasse esfriar a cabeça e respirar ar puro. Sentou-se na beirada com as pernas cruzadas e fechou os olhos, o silêncio era para ela uma das melhores companhias. Passados alguns minutos naquela posição, sentiu que alguém havia se aproximado e sentado ao seu lado. Certificou-se de quem era e sorriu, fechando novamente os olhos.

- Como vai, doutor Banner? – sua voz saiu ligeiramente rouca, como se não falasse a um tempo considerável, quiçá resultado do vento que não parava de dançar ao seu redor.

- Agora estou bem. Me sinto acuado quando fico muito tempo em um lugar fechado, por isso venho aqui todos os dias. - fitava Sophie, os cabelos dela com a força do vento eram lançados em seu rosto, mas não se importava, pelo contrário, eles tinham um aroma peculiar de framboesas que era deveras agradável. – E você, não tem medo de cair? - observou-a abrindo os olhos novamente e fixando-os nos dele.

- Na verdade não, há muito tempo perdi meus medos, foram ficando pelo meio do caminho, como muitas outras coisas que eu carregava na mudança.

- Por isso sua tranquilidade ao estar na minha presença? – apesar de ele estar sorrindo, ela podia notar a tristeza em seus olhos.

- Na verdade não. Me atrevo a dizer que mesmo que fosse apenas uma menina medrosa não o temeria. Aprendi a não me assombrar quando vejo a solidão de frente.

- E é isso que vê em mim?

- Há outra coisa para ver, Bruce?

- Há outra coisa para demonstrar, Sophie?

Os dois sorriram, se compreendiam e naquele momento nenhuma frase precisava ser dita. Banner gostava da sinceridade que recebia dos olhos dela e sabia que a solidão que ela captava nele não tinha nenhuma conotação negativa, antes a trazia paz. Em certos momentos isso o fazia se lembrar da mulher que nunca tinha saído de seu coração, mas que ele preferia esquecer que estava guardada em seu íntimo. Os dois fecharam os olhos e se entregaram ao sonho de poder voar, iluminados pela lua que começava a enfeitar o céu.

De longe, o protetor de Legrand observava a cena e sentia um leve incômodo, sem entender o porquê. Talvez tivesse se acostumado a tê-la só para ele, mesmo distante.


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