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Donzela Feroz
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Capítulo 9
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Sango desejou não estar fazendo mais mal que bem. Tinha lavado a ferida de Mirok com água fresca. Ele não havia dito uma palavra, mas ela soube por seus ofegos ocasionais que era doloroso para ele.
Ela tinha tratado numerosas feridas através dos anos, e conhecia tudo a respeito de dar pontos e enfaixar. Mas curar a um estrangeiro podia ser algo completamente diferente. O que curava a um escocês podia matar a um Normando. Para melhor ou para pior, nenhum dos ingleses sabia a diferença entre romeiro e hortelã, nem estavam interessados em procurar ervas na escuridão da noite. Tudo o que tinha para trabalhar era água, um trapo, um pouco de cerveja, agulha e fio que um dos mercenários lhe deu.
— Bebe — ela disse enquanto empunhando a agulha, passando a cerveja a Mirok.
Ele tomou um gole e lhe devolveu a cerveja. Ela tomou um gole. Em seguida outro. E logo um terceiro.
— Parece-te bem que tome álcool neste momento? — Mirok perguntou preocupado, vendo a agulha tremer em sua mão. Ela tomou outro gole.
— Oh, sim. — Secou a boca com a mão, e se endireitou. — Não vais desmaiar, certo?
— Não.
— Não vais choramingar?
Ele sacudiu a cabeça.
— Ou gritar?
— Eu não grito.
Ela vacilou.
— Se te doer muito, me chute com o pé ou...
— Por Deus! Tenha piedade, moça. Faça-o já.
De algum jeito ela conseguiu fazê-lo. Tentou imaginar que estava remendando roupa. Ajudou-a o fato de que Mirok não dissesse uma palavra. Sua respiração era agitada, e o suor brilhava em sua pele, mas não se moveu, apesar de que devia ter sido um tortura. Depois que ela atou o último ponto, seus dedos começaram a tremer em uma reação atrasada desse calvário. Ela secou sua testa úmida com a manga de seu vestido e suspirou aliviada.
Mirok parecia pálido, ainda perto do calor do fogo. Seus olhos estavam semi fechados pela fadiga, sua mandíbula serrada. Involuntariamente lágrimas de dor se tinham deslizado silenciosamente por suas bochechas, e se secaram em sua cara. Seu peito subia e descia com uma respiração rápida e superficial, e seu cabelo caía emaranhado em sua testa. Mirok recordava a um herói de uma lenda Viking que seu pai estava acostumado a lhe contar.
Mas o que Sango viu quando ela olhou a Mirok foi mais que a manifestação física do herói e mais que a beleza masculina. Ela captava sua coragem interna, uma força de vontade que a fez reconsiderar tudo o que tinha ouvido a respeito dos Normandos. Mirok du Hashi não era um covarde. Era tão valente como qualquer um dos Cavalheiros de Higurashi, e talvez mais valente.
Ela só rezava para que ele vivesse o suficiente para voltar a ser o guerreiro que ela tinha conhecido. Enquanto esquadrinhava seu rosto cansado, tirou seu cabelo da testa, lavou sua pele afebrada com um trapo molhado e apagou os rastros secos de suas lágrimas. Era um desejo desconcertante. Quase não conhecia esse homem, e por certo não sentia muito afeto por ele. Antes que suas mãos pudessem delatá-la, manteve-as ocupadas cortando tiras de tecido de linho de sua anágua e enfaixando a ferida. Quando terminou, sentiu seu olhar sobre ela, quente e penetrante.
— Sei que deveria estar agradecido — ele murmurou — Mas suspeito que desfrutou de cada espetada da agulha.
Ela corajosamente encontrou seu olhar.
— Equivoca-te. — Algo carregou o ar por um instante, produzindo uma espécie de faísca.
Seus olhos se olharam fixamente, e era como se seus espíritos se sincronizassem, criando um laço misterioso tão potente e eterno como a fusão de dois metais. Ainda quando seus olhares se separaram um momento depois, o vestígio dessa união permaneceu, uma compreensão tão verdadeira e profunda que a Sango foi difícil falar ou olhá-lo novamente.
— Amanhã — ela finalmente murmurou — Precisarei trocar as ataduras.
— Bem. — Então o incorrigível Normando conseguiu dizer uma última palavra, rompendo a tensão com bom humor. — Uns poucos dias mais de me pôr ataduras, e não ficará um centímetro do vestido.
Mirok dormiu superficialmente. Em parte devido a sua dolorosa ferida. Em parte porque seus sentidos estavam plenamente alerta, dado que se achava rodeado por seus inimigos nas terras selvagens da Escócia. E em parte porque suas emoções em relação à bela seqüestradora escocesa descansando a uns metros giravam em sua cabeça como um torvelinho.
Sango era um anjo ou um demônio? Importava a ela seu bem-estar, ou só estava preocupada com seu valor como refém? Ele pensou que tinha descoberto sua verdadeira natureza, que ela o tinha ajudado por razões puramente egoístas. Depois de tudo, se ele morresse, ela não só perderia a seu refém e com isso seu poder de negociação, mas também seria considerada responsável por sua morte. Era por isso que ela queria tratar sua ferida. Seu próprio bem-estar dependia disso.
Mas após que ela o tivesse costurado, ele se deu conta que tudo isto também tinha sido uma odisséia para ela. E depois, quando capturou seu olhar, quando negou ter sentido prazer por sua dor, ele reconheceu uma face inocente, honesta e vulnerável. Sinceridade se refletia em seus olhos, e ele sentiu nesse instante a mesma proximidade de espírito que algumas vezes tinha experimentado quando fazia amor com uma mulher.
Era absurdo. Sango de Higurashi não era alguém confiável, sem importar o que ele tinha visto em seus olhos. Ela era impulsiva e imprevisível. E ela odiava aos Normandos. Ela tinha começado essa aventura com a idéia de traição em mente, e embora as coisas tinham ido muito mais além de suas intenções, e era sua culpa que eles estivessem nessa situação.
Ela seria capaz de dizer algo, de fazer qualquer coisa com o objetivo de avançar com seu próprio plano. Incluindo, ele pensou maliciosamente, enfeitiçá-lo com esses olhos castanhos. Sango despertou antes outros. O chão estava úmido pelo orvalho, seu estômago grunhia de fome, e suas mãos estavam adormecidas onde estava a atadura. Ela espiou a Mirok. Graças a Deus, os lobos não o tinham devorado de noite. Parecia respirar, e o sangue não se filtrava pela atadura em sua perna. Não o tinha matado com seu curativo depois de tudo.
Raios de luz se filtravam pelos pinheiros, e ela soube que os mercenários despertariam logo. Enquanto isso ela precisava delinear a estratégia que tinha tomando forma em sua mente.
Mirok tinha pensado que era um erro dar aos ingleses o nome e a localização de Higurashi, mas Sango sabia o que fazia. Não era tão tola para conduzir ao inimigo até as muralhas do castelo. Ainda assim, quanto mais perto ela estivesse de seus aliados quando ela dominasse a seus seqüestradores, melhores eram as chances de sobreviver, e mais provavelmente uma tropa de cavalheiros de Higurashi pudesse partir em perseguição dos ingleses. Era um risco, sim, mas como seu pai, ela encontrava impossível negar-se a fazer uma aposta e a correr riscos. Se Deus queria, sua sorte seria mais favorável que a de Lorde Tourhu.
Ela olhou brevemente novamente a Mirok, que enrugava sua testa em seu sono. O normando não confiava em seu julgamento. Apesar de tudo o que ela tinha feito para salvar sua perna, sem mencionar o que tinha feito para salvar seu pescoço, ele ainda não tinha fé nela. Sango suspirou brandamente. Por outro lado, possivelmente era melhor que Mirok não compreendesse seus planos. Ao menos quando o momento chegasse de fazer o engano, ele não poderia delatá-la.
O resto do acampamento despertou gradualmente. Os mercenários deram um café da manhã de pão e vinho aguado a seus cativos, não por bondade, a não ser para prepará-los para a longa viajem que tinham pela frente.
Foi um trajeto comprido, especialmente considerando a renguera de Mirok, e a cor cinzenta de sua cara. Pela tarde, estava claro que ela teria que entrar em ação mais cedo do que esperava, embora ainda estavam bastante longe de Higurashi. Mirok não podia tolerar muito mais caminhada. O sangue se filtrava de sua ferida novamente, manchando a atadura. Portanto, a única notícia era que essa caminhada com rumo sul dos mercenários os tinha levado perto da cabana no bosque. Quando ela conseguisse assegurar a escapada desses selvagens, não teriam que ir muito longe para procurar refúgio.
— A atadura precisa ser trocada — disse a Otis enquanto entravam na clareira do bosque. — E preciso encontrar as plantas para deter o sangramento.
Otis franziu o cenho.
— Não me parece que esteja tão grave.
— Se ele perder muita mais sangue, terão que levá-lo carregado. — Para dar credibilidade a sua afirmação, os joelhos de Mirok se dobraram, e só os rápidos reflexos dos homens a seu lado conseguiram que ele não caísse completamente.
Otis rugiu, obviamente irritado com o atraso.
— Muito bem — ele grunhiu. — Dob e Hick, levem-na para que procure suas malditas plantas.
Ela tomou seu tempo em procurar as ervas. Os ingleses não sabiam a diferença, e o atraso lhe faria ganhar tempo para pôr sua estratégia em ação. Depois de um longo tempo, ela finalmente conseguiu descobrir a planta adequada e enviou a Hick para cortar folhas para ela.
Quando voltou para a clareira do bosque, Mirok estava apoiado contra a árvore, adormecido, e Otis caminhava impacientemente, vendo o sol poente.
— O que os demorou, moça? — ele perguntou. — Poderíamos ter chegado a Higurashi a esta altura.
Centenas respostas ácidas vieram a sua mente, mas ela se mordeu a língua.
— Não estou mais feliz que você por tudo isto — lhe disse amigavelmente. — Eu tinha esperado ter esvaziado os cofres de Higurashi a esta altura.
Otis arqueou suas sobrancelhas.
— Sim? E por que quereria esvaziar os cofres? Disse que pertence a Higurashi.
— Sim — ela disse — Pertenço a Higurashi. Por anos me mantiveram como uma escrava. — Ela olhou sonhadoramente à distância. — Esta era minha oportunidade de vingança, mantendo como refém ao Normando favorito. — ela emitiu uma risada amarga. — Agora vocês ficarão com o resgate e eu voltarei para a escravidão.
As sobrancelhas de Otis convergiram enquanto considerava suas palavras. Sango se afastou satisfeita. Tinha plantado as sementes da dúvida. Embora o plano de engano apenas tinha começado, era suficiente por agora com que tivesse deixado ao inglês pensando.
— Desatasse-me agora para que possa curar sua ferida?
Otis soltou suas ataduras, mas a mantinha bem cuidada enquanto ela trocava as ataduras de Mirok. Ela tragou em seco enquanto via o trabalho feito na noite anterior. Embora os pontos se mantinham firmes, o sangue ainda emanava da ferida. Ela pressionou as folhas verdes gentilmente contra o corte, cortando outra tira de tecido de sua anágua. Mirok provavelmente tinha razão. Antes que passasse uma semana, já não teria mais anágua para fazer ataduras para ele. Justo quando atou as pontas da atadura, os olhos de Mirok se abriram.
— Água — ele murmurou.
Ela assentiu.
— Otis, tem água fresca?
Ela viu Otis franzir o cenho ante esse tratamento familiar, entretanto obedeceu, lhe lançando uma bolsa de couro com água que tinha juntado mais cedo do arroio. Ajudou Mirok a beber. Seus olhos se encontraram, e ela sentiu novamente essa curiosa aliança, a sensação de que ambos se conheciam há muito tempo e para sempre. Mas não podia permitir-se ser seduzida por seu companheiro. Seu êxito dessa noite dependia em grande grau do engano, e ela não se atreveu a permitir que a inteligência de Mirok se interpusesse em seu caminho ao êxito. Então ela desviou seus olhos antes que ele pudesse lhe ler os pensamentos.
Quando ele terminou de beber, ela devolveu a bolsa a Otis. Intencionalmente deixou que seus dedos roçassem os do inglês, resistindo o impulso de estremecer-se com o contato. Enquanto outros se ocupavam armando um fogo, ela iniciou uma conversa privada com Otis, esperando que essa intimidade o desarmasse e o fizesse esquecer de atá-la novamente.
— Quanto está planejando pedir pelo normando? — ela murmurou.
Otis se encolheu de ombros. Estava claro que não tinha pensado nisso.
— É o melhor cavalheiro de Higurashi — ela lhe confiou.
— Cinqüenta libras? — ele adivinhou.
— Cinqüenta? — Ela sorriu brandamente. — Oh, vale muito mais que isso. Asseguro-lhe isso. Os cofres de Higurashi podem pagar um resgate alto.
Ele estreitou seus olhos conspiratoriamente.
— Você gostaria de ver quebrado ao Lorde de Higurashi?
Ela lançou um olhar perverso.
— Mais ou menos.
Otis a olhou, como se compreendesse seus motivos muito bem, e ela devolveu o olhar.
— Huh — ele disse, estudando seu rosto para procurar sinais de engano. — E quanto teria pedido você por ele?
— Cento e cinqüenta.
— Cento e cinqüenta? — ele se surpreendeu. Em seguida baixou sua voz. — Poderia obter tanto?
— Sim. — Deus, ela desejou que ele lhe acreditasse. Os escoceses, e ela sabia muito bem, não pagariam nem um xelim por um cavalheiro Normando. Ele esfregou sua barba, digerindo essa informação.
Ela queria lhe dar tempo para pensar, por isso esfregou as palmas das mãos, e perguntou:
— Tem algo um pouco mais potente para beber, Otis?
Ele a observou com desconfiança.
— Pode ser.
— Tenho que beber algo mais forte depois de ter que brincar de enfermeira com esse normando desprezível. — Ela se estremeceu.
Mas Otis não era tão estúpido como parecia.
— Briguei contra ele ontem. E não me pareceu tão desprezível.
Sango baixou as pestanas imitando a irmã menor, a única das três que usava os ardis femininos honestamente.
— Nesse momento, Otis, pensei que foste possuir-me quando terminasse essa briga. — Ela pressionou uma mão contra seu ventre, como se essa idéia a fizesse ofegar. — Quero dizer, quando vi seus ombros largos, sua cara varonil e o comprido de sua espada?
Otis se endireitou, obviamente agradado com seus comentários aduladores.
— Que outra coisa podia fazer mais que me sentir aliviada de que você aparecesse para me defender? — ela continuou.
Ela deixou que seus dedos acariciassem sutilmente a borda de seu decote, desejando que ele olhasse justo ali. E Otis o fez, e ela viu o brilho de luxúria em seus olhos.
— Bem, não precisa preocupar-se, minha lady. — ele ronronou. — Não deixaria que lhe matassem.
— Mesmo? — Ela permitiu que seu olhar vagasse por seu peito, aparentando interesse quando sentia repulsa. — Estaria tão agradecida... se não o fizesse.
Com um sorriso que mostrava suas gengivas sem dentes, ele procurou a bolsa de couro de seus alforjes. Ela poderia lhe haver chutado a cara enquanto ele estava agachado, mas conteve o impulso. Otis lhe ofereceu a bebida. Ela tomou com um sorriso tímido, tratando de não fazer uma careta enquanto levava a suja bolsa a seus lábios.
Mirok grunhiu, retorcendo suas mãos contra suas ataduras. Que diabos planejava a zorra agora? Ele não podia ouvir o que lhe dizia ao inglês, mas estava claro que estavam formando certo tipo de aliança.
Isto era mau. Muito mau.
Sango de Higurashi era certamente a moça mais tola de toda a Escócia. Não só se estava unindo a um bando de mercenários inescrupulosos, mas também parecia estar seduzindo a seu líder. Mirok apertou os dentes. Sabia bem que a moça honestamente não estava atraída por esse homem. Mas igualmente, a decepção nublou sua visão enquanto a olhava brincar com o inglês, seus peitos aparecendo pelo decote.
E em seguida ela cometeu o pior engano de todos. Começou a beber. Ele já tinha visto o que o álcool podia lhe fazer. Se ela se embebedava essa noite, não queria nem imaginar o que poderia acontecer.
Mas ele estava impossibilitado de intervir. Preso à árvore, só podia observar como ela se afundava mais e mais a cada hora que passava. No momento em que o céu se obscureceu e as estrelas apareceram, ela estava trocando histórias com os mercenários sentados ao redor do fogo. Não muito depois, estavam cantando juntos, levantando suas taças, fazendo brinde de bêbados à saúde de suas putas favoritas, e no caso de Sango, à saúde dos moços do estábulo.
Mirok mordeu o interior de sua bochecha, perguntando-se se ela realmente se deitou com a dúzia de moços que mencionou por seu nome. Mirok grunhiu. E pensar que ela tinha tido a coragem de chamá-lo de sátiro. Eventualmente a conduta deles deu um giro previsível. Enquanto Sango girava instavelmente em uma dança espontânea, acompanhada pelos aplausos dos homens, Otis se tomou à liberdade de lhe dar um beliscão no traseiro.
Mirok sorriu sombriamente, sabendo que a moça daria a volta e golpearia ao homem com um certeiro soco. Depois de tudo, essa tinha sido sua reação quando Mirok tinha apertado seus peitos por engano. Mas para seu desgosto, a maldita moça só riu e bateu na mão de Otis. Uma raiva instantânea ferveu no sangue de Mirok. O que estava mal com essa moça? Ela só tinha mostrado ódio por ele, ao Normando, seu aliado. E agora bebia e dançava com os ingleses, seus inimigos. Não era de estranhar que o rei tinha querido que Inuyasha tomasse o comando de Higurashi. Essa mulher escocesa não tinha conceito do que era lealdade.
Ele observou em silêncio como ela dançava entre os mercenários, sacudindo seus quadris, curvando-se para frente para lhes permitir ver seus peitos. Mirok apertou sua mandíbula. Ele só esperava que ela estivesse preparada para o que seria o resultado inevitável de sua sedução. E desejou não ter que ser testemunha do massacre que ocorreria.
— Esperem — ela gritou, escapando da mão de um dos canalhas sentados ao lado do fogo. Ela levantou suas mãos pedindo silêncio. Os homens obedeceram reduzindo os grunhidos de ébrios a um ofego luxurioso. — Antes que passemos a... — ela disse com um sorriso libidinoso — ...A ação...
Os homens fizeram coro vulgarmente, e Dob esfregou as pernas. Ela se aproximou de onde Otis estava sentado, desentupiu a bota com vinho aninhada entre seus peitos, e se inclinou para frente, permitindo que o vinho caísse em sua boca aberta. Suas palmas subiram para agarrar seus peitos, e lhe deu uma pequena palmada.
Mirok não queria olhar, mas ele não pôde evitá-lo. Ele tinha jogado esses jogos, jogos de sedução e de provocação que avivava o desejo a um nível febril. Mas era diferente observar a Sango jogá-los. Fazendo queimar a pele, e não estava seguro se era de desejo, de desgosto, de inveja ou raiva, de luxúria, decepção ou vergonha. Mas todas essas emoções desconcertantes o dominavam enquanto brigava por desviar seu olhar.
— É muito tarde, minha lady. — Otis disse. — Eu já entrei em ação. — Ela se agachou ousadamente para olhar suas calças.
— Posso ver isso. — Ela sorriu. — Mas primeiro devemos nos assegurar que esta pomba não se voe. — Ela se levantou, dançou por um momento, e foi para Mirok. — Verei se os nós estão fortes.
Mirok baixou seus olhos. Não podia tolerar olhá-la enquanto ela se cambaleava. Suas emoções tinham congelado em uma só. Tudo o que sentia era desgosto. Ele não tinha nada que lhe dizer. Nada. Entretanto não pôde refrear-se.
— Espero que te dê conta do que está fazendo — ele murmurou.
Mirok cheirou o vinho em seu fôlego, mas ela não parecia tão bêbada quando murmurou:
— Oh, sim — em seguida deu a volta para suas costas.
— Porque eles não vão ser gentis com você — ele advertiu. — Esse tipo de homem nunca o é.
Ela sorriu enquanto trabalhava em suas ataduras.
— Não espero que eles sejam gentis.
Ele franziu o cenho. Talvez ela era uma dessas estranhas mulheres que gostavam de serem possuídas rudemente. Deu-lhe um tapinha condescendente na mão.
— Mas penso que posso dirigi-los. — Ele grunhiu com desgosto. Nunca tinha equivocado tanto.
Verdadeiramente acreditava que Sango era uma dama respeitável, que possuía escrúpulos, honra e virtude. Era óbvio agora que ela não era em nada a mulher que ele tinha imaginado.
— Hei, moça! — Otis ordenou. — Parece-me que está demorando muito com o prisioneiro. Não estará manuseando-o, não é mesmo?
O resto da companhia festejou a brincadeira.
— O que? E misturar gordura Normanda com boa carne escocesa? — ela respondeu, fazendo-os rir jocosamente. — Não, meu amor. Estou-me guardando para você.
Mirok olhou fixamente ao chão. Por Cristo! A donzela tinha uma língua mais suja que uma puta de porto. E soube que não queria ser testemunha das vulgaridades que aconteceriam. Como se lesse seus pensamentos, lhe murmurou:
— Mantém seus olhos abertos.
Nem por cem quilogramas de ouro, ele pensou enquanto ela se afastava. Entretanto não pôde evitar dar um olhar ocasional à moça que começava a usar suas artimanhas com os objetos de sua sedução.
— Otis, amigo — ela ronronou — Onde pôs essa tua adaga, essa larga e dura?
— Está aqui, moça. — ele respondeu, afrouxando os cordões de suas calças.
— Oh, querido, não referia a essa adaga, digo esta.
Em um segundo, ela alcançou o cinturão e tirou a adaga da capa. Enquanto Otis pestanejava confundido, ela o chutou diretamente entre as pernas. Mirok ficou momentaneamente paralisado. Mas quando, repentinamente sóbria, Sango girou para outro mercenário, Mirok se endireitou assombrado. E quando o fez, descobriu algo surpreendente. As cordas ao redor de suas mãos estavam soltas.
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Continua...
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Problema serio!
Minhas donzelas já devem ter visto a Lei cibercrimes, nos fanficiton,Fansubbers e blogueiros, seremos transformados em criminosos por divulgarmos nossa criatividade, por tanto e nosso dever fazer algo a respeito. No meu Flogão linoklisanimes tem o link do abaixo assinado pelo veto ao projeto cibercrimes.
O link do meu flog está na minha pagina principal.
PS.: No ultimo capítulo que eu postei, no fim estava escrito notinha da autora, sem nenhuma notinha né, e que eu já deixo isso escrito em todos os capítulos, caso eu queira deixar alguma notinha, o que não foi o caso do ultimo capítulo, simplesmente esqueci de apagar, desculpem. Bjos e aproveitem o capitulo e votem a favor da liberdade de expressão!
