Lily estava começando a sentir-se inquieta, quando parou o carro diante do Central Park South Hotel, em Nova York. Eram cinco e meia e James devia chegar da reunião de diretoria por volta das seis horas, o que lhe deixava pouco tempo para descansar de uma viagem estafante. Ficara presa no tráfego do Lincoln Tunnel, congestionado como sempre.
Assinou o livro de registro rapidamente e seguiu o boy até o elevador e depois ao longo do corredor atapetado, na direção da suíte. Ao entrar, a primeira coisa que viu foi o imenso buquê de rosas vermelhas junto a uma garrafa de champanhe, gelando no balde. Leu o cartão. Era de Sirius, dando-lhe as boas-vindas. Um sorriso aflorou-lhe aos lábios. Inspiração de Lene, sem dúvida.
Já mais descontraída, tirou o casaco e os sapatos. Depois foi até a janela e ficou olhando para o parque. Fazia tempo que não vinha à Nova York e no encantado crepúsculo metropolitano, era como se a visse pela primeira vez. Uma promessa de todo o mistério e de toda a beleza existentes no mundo. Como as carruagens alinhadas ao longo do passeio, refúgio dos casais românticos em busca do momento mais delicioso da noite e da vida.
Afastou-se da janela com um sorriso. Não tinha a menor idéia se aquele fim de semana seria romântico ou apenas de negócios. Mas estava particularmente ansiosa em descobrir a verdade. Gostava de ter vindo. A elegante suíte, as flores, o champanhe, tudo contribuía para despertar-lhe uma excitação curiosa pelo momento que estava vivendo.
No passado, pudera apenas sonhar em compartilhar tal momento com James. E agora isso era realidade. "Tudo pode acontecer, agora que estamos aqui", pensou. "Tudo, absolutamente tudo..."
Pegou a maleta de mão e passou para o quarto, ouvindo ressoar deliciosamente em seus ouvidos as palavras de Lene. Dar a James o que ele desejava... Retirou da mala a camisola que ele lhe dera e pôs-se a acariciar amorosamente a seda macia. Quando iria usá-la? Aquela mesma noite?
Estava ainda procurando uma resposta para essa pergunta. Ele dissera que caberia a ela dar o primeiro passo e, após a conversa que haviam tido, não duvidava nem um pouco de que tudo se faria segundo os desejos dele. Sentiu um pouco de medo. Seria forte o bastante para dar o seu corpo sem comprometer o coração, sem revelar todos os segredos íntimos de sua alma? Conhecia a resposta. Seria impossível porque o coração já estava comprometido.
Pendurou a camisola no armário e deitou-se completamente vestida, incerta entre tomar um chuveiro rápido ou tirar um cochilo. Estava ainda pensando nisso, quando ouviu a porta da suíte abrir-se. James...
Levantou-se de um salto e apareceu à porta do quarto. A luz da entrada dava tons de bronze ao seu rosto másculo e acentuava seus ombros e seu porte elegante.
— Oi, James.
Ele virou a cabeça e um sorriso iluminou-lhe o rosto e os olhos.
— Oi, Lily. Que bom ver você!
— Obrigada. Como foi tudo? — perguntou-lhe, ansiosa.
— Sirius é ótimo. À sua maneira, ele mantém tudo em movimento e sob controle. Não houve pressões desnecessárias — ele disse, pondo a maleta sobre a mesa. — Tenho bons motivos para supor que o negócio está fechado.
— Isso é ótimo, James! — Ela o olhou, esperançosa. — Vamos ter a noite por nossa conta?
— Não exatamente. Vamos jantar com os Black.
— Não tem outro jeito? — ela suspirou. James sorriu.
— Não, não tem. Sirius resolveu antecipar a viagem de volta. Marcou uma reunião com o seu pessoal para amanhã de manhã. Depois disso, partirá para o Texas. — Ele olhou em torno. — Lindo lugar.
Lily aproximou-se e deu-lhe a mão.
— Venha. Há uma vista bem bonita daqui.
James olhou-a, mais interessado nela do que na vista cintilante do Central Park. Estivera ansiando por ela o dia inteiro. Era a primeira vez que se envolvia em negociações tão longas e se dependesse exclusivamente dele, seria a última. Queria que tudo acabasse logo para poder voltar para casa com ela.
— Que tal? — perguntou Lily, abrindo as cortinas.
— Bonita vista.
— Isso é tudo o que você sabe dizer? Bonita?
— Maravilhosa... Fantástica...
James não estava apreciando a vista. Estava acariciando-a com os olhos. Viu-a corar e sentiu-se invadido de repentino calor. Desejava-a agora, naquele exato momento. A fome de sua carne era urgente. Sabia que poderia tê-la, se quisesse. Era só tocá-la, que ela mesma se daria por inteira.
A idéia o deixou excitado até a exasperação. Por que não acabar de vez com aquela agonia? Por que não fazer amor com ela lentamente, apaixonadamente, como sempre quisera fazer e nunca conseguira?
Acariciou-lhe o rosto e ela segurou-lhe a mão e apertou-a de encontro à face.
— James...
A voz dela era um doce murmúrio. Seria um convite... ou uma advertência? Sem ter certeza de nada, ficou imóvel por um momento. Depois deixou tombar o braço e recuou.
Lily o olhou sem falar. Compreendia tudo o que ele estava sentindo. Sua paixão era evidente e dava impressão de urgência. O que não compreendia era por que ele resistia ao desejo. James nunca se entregava completamente, como ela.
— Teve problemas na vinda para cá? — ouviu-o perguntar de repente, como se não fosse nada.
Lily sentiu um desapontamento profundo.
— O Lincoln Tunnel estava congestionado, mas consegui chegar a tempo — respondeu, com voz controlada. — Você parece exausto. Teve um dia cansativo?
— Bastante. Vou tomar uma ducha rápida, antes de sairmos para jantar.
— Eu também.
Uma visão de ambos nus formou-se na mente de James. Os corpos unidos sob o jato de água quente, enquanto as bocas se procuravam e as mãos se acariciavam... Começou a sentir uma excitação na virilha, mas logo se controlou. O que havia com ele? Parecia até que era governado pelo corpo, por seus desejos e apetites...
— Então é melhor não perdermos tempo. Termos que nos encontrar com os Black no Romeo Salta's dentro de uma hora — continuou, encaminhando-se para o outro quarto, mas deixando a porta aberta. — Estou faminto — gritou de lá. — E você?
— Confesso que sim.
— Acha que consegue ficar pronta em meia hora?
— Sim, claro.
Ele fechou a porta e Lily voltou para o seu próprio quarto. Sentiu um aperto no coração, enquanto tirava do armário o vestido que ia usar. Por que ele depositava tudo em suas mãos? Por que tinha de ser ela a tomar a decisão?
Eram problemas demais para um cérebro cansado. Entrou debaixo do jato de água e deixou o calor espalhar-se por seu corpo como um bálsamo tranqüilizante.
James observou Lily do outro lado da mesa. Era exatamente o ponto de equilíbrio de que ele precisava. Causara a melhor impressão nos Black, e não havia a menor dúvida de que esse fora um fator positivo para a concretização do negócio. Eles dois formavam agora uma equipe.
Virou-se para Sirius e sorriu.
— Sua esposa convidou Lily para visitá-la, no próximo verão.
— Mas você também vai. Poderemos nos divertir bastante. — Sirius ergueu o copo. — Vamos brindar ao início de uma bela parceria.
Tocaram os copos, selando o acordo.
— Fico satisfeito por essa oportunidade de nos reunirmos — tornou Sirius.
James assentiu.
— Eu também estou satisfeito, meu amigo.
— É um prazer descobrir que o homem com quem estamos trabalhando tem a mesma idéia que nós. Por falar nisso, a última cifra que você me deu...
Lene virou-se para Lily suspirando.
— Por que os homens têm sempre que estragar um jantar perfeito falando de negócios? Essa não é propriamente a minha idéia de diversão.
— Você sabe como eles são. Não gostam de perder tempo — disse Lily, conciliadora.
— Não acha que está na hora de retocarmos a maquilagem?
Lily levantou-se e seguiu-a em silêncio até o toalete das senhoras.
— Alguma novidade? — foi logo perguntando Lene, enquanto se sentava diante do espelho.
— Sobre o quê?
— Você e James.
Lily fitou-a pelo espelho. As costas eretas, a cabeça erguida... Subitamente, desejou ser parecida com ela. Lene sempre parecia saber exatamente o que devia fazer.
— A propósito de quê? — perguntou-lhe, embora já soubesse o que ela queria dizer.
— Você sabe.
— Nenhuma novidade — disse-lhe com voz incolor.
— Mas você gosta dele.
A resposta de Lily foi imediata e direta.
— Amo.
— Por que, então...?
— Por favor, Lene!
— Sei que estou me metendo no que não é de minha conta, mas preciso dizer o que sinto. Você e James formam um par perfeito. Qualquer um pode ver que foram feitos um para o outro. Não quero vê-los infelizes.
— Não somos infelizes — objetou Lily. — Além disso, não basta só formarmos um par perfeito. Há outras coisas a considerar.
— Que coisas? — insistiu Lene.
— Bom... uma porção delas. — Lily calou-se. Não estava com vontade de falar de Jeremy num toalete de restaurante.
— Lembra-se do que lhe disse quando estive em sua casa?
— "Dê-lhe o que ele quer..." Acontece, porém, que ele não sabe o que quer — respondeu Lily calmamente. — E mesmo que soubesse. Pode ser que o que ele queira não seja suficiente para mim. Que é que eu faço então?
— Primeiro, dê o que ele precisa. — Lene sorriu. — O resto virá com o tempo.
Quando voltaram à mesa, a conta já estava paga e os dois homens preparavam-se para sair. Foram a pé até o hotel dos Black e despediram-se à porta do elevador.
Sirius estendeu a mão a James e o aperto foi forte.
— Até breve, James. Foi um prazer.
— Obrigado, Sirius. Minha esperança é fazer muito dinheiro para nós dois.
— Tenho certeza de que vai conseguir.
— Boa sorte — sussurrou Lene a Lily, antes que a porta do elevador, se fechasse. — Telefone-me.
— Telefonarei — prometeu Lily.
— Está com disposição para andar? — perguntou James, tomando-a pelo braço. — São apenas três quarteirões até o hotel.
— Claro. Acho que isso irá nos fazer bem. — Lily ergueu-se na ponta dos pés e beijou-o no rosto. — Você conseguiu! Parabéns.
— Obrigado. — James sorriu de orelha a orelha. — Não tinha certeza de nada até a hora do jantar.
— Mas disfarçou bem, mostrando-se sempre muito confiante.
— Que mais eu poderia fazer? ― Lily sorriu.
— O sempre controlado James...
Ele estacou e fitou-a. Seus olhos castanhos brilhavam.
— Nem sempre.
Ficaram ali no meio da rua, olhando apenas um para o outro. Foi Lily quem quebrou o silêncio.
— Sempre tive vontade de dar uma volta pelo parque numa dessas carruagens — ela disse, apontando para a fileira de veículos, alguns alegremente enfeitados, estacionados diante do hotel. — Foi sempre meu sonho de criança.
— Mas você já esteve em Nova York antes.
— Sim, mas nunca andei de carruagem.
— Então vamos! — ele disse, tomando-a pela mão. — Vai ter a oportunidade de realizar o seu sonho.
Acomodaram-se no assento almofadado da carruagem com a manta estendida sobre os joelhos e deixaram que o cocheiro seguisse o caminho habitual. Lily descansou a cabeça no espaldar e fechou os olhos. Sentia-se preguiçosa e sonolenta.
— Isto aqui está tão agradável! — murmurou, enquanto a carruagem rolava maciamente. — Você já fez esse passeio antes?
— Já.
— Sozinho... ou acompanhado? — ela perguntou, sem virar a cabeça nem abrir os olhos.
— Com minha família. Quando eu e Jeremy éramos crianças, nossos pais nos levaram para dar uma volta. — James sorriu. — Lembro-me ainda do nervosismo de minha mãe. Jeremy insistia em subir na boléia e sentar-se ao lado do cocheiro. Tive de agarrá-lo e quase caí da carruagem.
— Jeremy nunca deixou de ser criança — observou Lily. — Se estivesse aqui agora, iria fazer a mesma coisa.
— Acredito que sim.
Por um breve instante, mergulharam num silêncio carregado de pensamentos.
— Deve ter sido difícil para você — começou James, com voz terna.
Lily abriu de repente os olhos e olhou para ele.
— Como assim?
— Sentindo-se sempre responsável por ele.
— Jeremy era um desafio — ela suspirou.
— Era o que meus pais costumavam dizer.
— Mas eles amavam Jeremy.
— Todos nós o amávamos, Lily. E ele tinha consciência disso.
Lily confirmou com a cabeça.
— Jeremy sentia orgulho de ser seu irmão.
— Verdade? Pensei que ele detestasse meu estilo de vida.
— Ele o respeitava, James, embora seu sucesso o incomodasse. Protegia-se disso vivendo num mundo de sonhos, que tinha armado de acordo com as suas conveniências.
A voz de James tinha um tom pensativo, quando ele disse:
— Pobre Jeremy... Jamais conseguiu crescer.
— Algumas pessoas jamais conseguem.
— Devíamos falar dele com mais freqüência, Lily. Isso nos faz bem.
— Pensei que isso o deixasse constrangido — ela confessou, sentindo que as lágrimas afloravam-lhe aos olhos.
Um sorriso afetuoso iluminou o rosto de James.
— Venha para mais perto de mim. — Ele puxou-a para si. — Se tem de chorar no ombro de alguém, acho que pode ser no meu.
Ela sorriu por entre as lágrimas.
— Quando estou em seus braços, tudo parece tão simples... O problema é quando estou sozinha.
— Jeremy?
Lily fez que sim.
— O acidente?
— Não — ela disse rapidamente. — Prefiro lembrar as coisas boas.
— Fale-me disso.
— Jeremy era meu melhor amigo. Só soube até que ponto quando ele morreu.
— Ele era também seu marido.
— Éramos bons companheiros — ela disse, depois de curta hesitação.
— Mas não amantes — ele insistiu. Lily levantou a cabeça, confusa.
— Por que diz isso?
— Porque é verdade. Você mesma me disse. E não apenas com palavras, mas também com o seu corpo.
— Não sei do que você está falando — ela evadiu-se.
— Sabe sim, Lily. Há algo especial entre nós. Dê a isso o nome que quiser, mas o fato é que eu nunca senti por outra mulher o que sinto por você. Nem você por outro homem o que sente por mim.
Lily ficou calada. Ele estava com a razão. E talvez agora pudessem falar francamente um com o outro.
— Quer saber a verdade?
— Por favor.
— Eu nem mesmo sabia que esse tipo de prazer pudesse existir.
James inclinou-se e beijou-lhe os lábios.
— Minha querida... Você não tem idéia de como isso me deixa feliz!
Lily sentia como se estivesse sonhando. Nada parecia real.
— Olhe para mim — ele disse.
Ela virou lentamente a cabeça. Os seus olhos se encontraram e James percebeu o tremor de seu corpo. Estreitou-a contra si e sentiu a suave pressão de seus seios firmes. Ousadamente, tirou-os para fora do decote e sugou-os até os bicos ficarem vermelhos e crescidos. Depois de um momento, fitou-a. Ela estava de olhos fechados. Avançou o braço sob sua nuca e trouxe-a para si, esmagando-lhe a boca num beijo ardente e sem fim.
— Oh, James... — ela murmurou, quando seus lábios se separaram.
Ele olhou para os seus seios expostos e a recordação do que acontecera no sofá foi tão nítida como se estivesse acontecendo naquele momento. A excitação invadiu-o. Ainda com o braço a sustentá-la, puxou a manta para assegurar-lhes a privacidade e curvou-se para ela.
Lily percebeu que ele ofegava e passou-lhe a mão pela protuberância das calças. Sentiu o membro duro e pulsante e, rápida, abaixou-lhe o zíper e tomou-o na mão.
Ele segurou-lhe o pulso de repente.
— Lily... não.
Mas ela continuou a acariciá-lo com movimentos cada vez mais rápidos, o calor de sua mão insinuando-lhe por todo o corpo um calor abrasador. A agonia era quase insuportável e um gemido escapou-lhe dos lábios.
— Aqui, não.
— Aqui, sim. Agora! — ela murmurou exaltadamente. Finalmente, ele não pôde mais agüentar.
— Pare! Por favor, pare! — gritou, o desejo raivosamente contido.
Lily contemplou-o. A difusa luz dos lampiões, viu-lhe a testa perolada de suor.
— Oh, James!... Eu pensei que... ― Ele tomou-lhe a mão e beijou-a.
— Quero fazer amor com você, Lily. Mas não um amor apressado, cheio de temores. Quero fazer um amor que não tenha tempo nem fim, sabendo que nada poderá nos interromper. Quero você em minha cama, com todos os seus mistérios revelados. — Ele tomou-lhe o rosto entre as mãos. — Você me compreende?
— Compreendo, sim, meu querido — ela disse, com os olhos marejados de lágrimas.
— Então diga que virá para mim.
— Irei, sim.
Ele pousou-lhe o braço com firmeza nos ombros, como se tivesse receio de que ela o deixasse. A tensão que o dominava era visível. Seus lábios estavam apertados e ele fechava e abria as mãos sem cessar.
Lily abraçou-o mas não disse uma palavra. Falar não adiantaria nada. Pouco a pouco, o corpo dele deixou de tremer. Ela ficou ainda alguns segundos abraçada com ele e, por fim, afastou-se.
— Está mais calmo agora, querido?
Por toda resposta, James beijou-a longamente. Ela aninhou-se em seus braços, passiva e confortada. E, ao senti-la contra si, cálida e terna, uma lenta e inexorável onda de sensualidade ameaçou dominá-lo outra vez.
Afastou-se dela bruscamente e pediu pressa ao cocheiro. O homem fez estalar o chicote no ar, estimulando os cavalos a acelerarem o passo. Mesmo assim, o trajeto até o hotel pareceu durar uma eternidade. Quando a carruagem parou, ajudou Lily a descer e tomou-lhe o braço, levando-a através do saguão. No elevador, manteve-se em silêncio e ela também.
Ao entrarem na suíte, Lily ficou parada no meio da sala, esperando que ele a tomasse nos braços. Mas ele não fez um gesto sequer. Passou por ela e encaminhou-se para o seu próprio quarto. Abriu a porta de comunicação e parou no limiar.
— Lily.
Ela ergueu os olhos ansiosos.
— Estarei à sua espera — ele disse e depois voltou-se, levando consigo toda a magia da noite.
Ela fechou os olhos. Estava mais uma vez sozinha, com o fardo da decisão sobre os seus ombros frágeis.
Lily sentou-se na beirada da cama e correu os dedos pela seda macia da camisola azul, acariciando-a enquanto decidia o seu destino. Aceitar as regras que ele ditava? Acomodar-se à idéia de que seriam apenas amantes? Sexo sem amor e sem futuro? Mas seria realmente assim? Oh, se pudesse adivinhar-lhe os pensamentos...
Sua mente girava em turbilhão. Que fazer? Tinha certeza de que o amava mais do que nunca, mas não queria que ele a possuísse para depois largá-la. O seu preço era outro. Não o prazer que se esgota num minuto e se esquece.
Sentia, no entanto, que embora procurasse demonstrar o contrário, ele era capaz de experimentar grandes sentimentos. Caso contrário, não a teria beijado com tanta paixão, não a teria acariciado com tanta ternura. Não teria dito o que dissera, com tanta emoção.
"Diga que virá para mim", ele havia suplicado.
"Pois bem, James Potter! Vou responder ao seu chamado. Darei o primeiro passo".
Mas estava tremendo, quando saiu do quarto. A humilhação que sentira anos atrás, ao ser repelida, a depressão que a levara ao casamento com Jeremy, tudo isso acordava no fundo da lembrança.
Parou, hesitante, no meio da sala, a dez passos da porta de James. Podia voltar dali a qualquer momento. Ele não saberia e ela não sairia da batalha esmagada, humilhada pela força dele.
Não, seria covardia. Era chegado o momento de correr o risco, de mergulhar de cabeça. O futuro, por mais incerto que fosse, era uma parte de sua vida a que não podia renunciar. Jeremy teria lhe dito isso.
A lembrança oportuna de Jeremy fortaleceu sua decisão. Obrigou-se a percorrer, passo a passo, aquela distância que lhe parecia imensa, a colocar a mão na maçaneta e a girá-la. Quando a porta se abriu, avançou.
O clique da porta alertou James.
Ele sentiu imediatamente a presença dela no quarto e abriu os olhos. A luz do luar que fluía pela abertura das cortinas, acompanhou-lhe os movimentos. Viu-a avançar lentamente e depois hesitar. Esperou, o coração aos saltos. "Não vá embora", quis dizer, mas seus lábios permaneceram selados.
Quando ela deu mais um passo, respirou aliviado. Até aquele instante, não tinha certeza se Lily viria. Teria conseguido isso, se não a tivesse forçado? Não sabia. Sabia apenas que ela precisava convencê-lo de que o queria de verdade e não apenas como um substituto de Jeremy. Ou para ter alguém que lhe satisfizesse a sexualidade longamente reprimida. Queria senti-la palpitante nos seus braços, quente e resoluta.
Cada célula de seu corpo estava alerta, na ansiedade da expectativa. Mal podia concentrar-se em outra coisa que não fosse a respiração dela, o leve farfalhar de sua camisola, o ruído abafado de seus passos no chão atapetado. Ao percebê-la chegar mais perto, sentou-se na cama. Ela estacou.
Os olhos habituados à penumbra azulada do quarto, contemplou-a e viu-a quase nua à sua frente. Ela estava muito bonita e também muito sedutora, coberta apenas pela seda transparente sob a qual se desenhavam os seios redondos;
Quando ela os abrigou com as mãos, num instintivo gesto de proteção, sentiu um inesperado assomo de ternura. Lily estava ali, diante de seus olhos, ao alcance de seu gesto e, naquela noite, era o bastante. Não julgava que isso fosse bastar. Mas de súbito, de maneira estranha e inquietante, sua presença ali era o bastante. "Que é isso?", pensou. "A coisa já foi tão longe assim? Além de todo controle?"
Afastou as cobertas, num convite silencioso e ela não hesitou em enfiar-se na cama, ao seu lado.
— Lily... Pensei que você não viesse.
— Você devia saber que eu viria — ela disse num suspiro.
— Eu não tinha a certeza. — Ele hesitou e disse muito baixo: — Esse momento significa tudo para mim.
Seus olhos se encontraram e Lily teve certeza, pela primeira vez, de ver nos olhos dele algo que não era só desejo. Pela primeira vez, James abandonava a postura cautelosa e abria a alma, deixava fluir as emoções que sempre reprimira.
— Beije-me — pediu-lhe.
Sem dizer palavra, ele atraiu-a para si e tomou-lhe a boca. Não foi um beijo gentil. Foi um beijo rude, sôfrego, um beijo que os amantes trocam quando seus corpos atingem o auge da paixão. Mas Lily estava preparada para tudo. Submeteu-se sem uma queixa às exigências de seus lábios duros, da língua que lhe invadia com prepotência o interior da boca, e retribuiu ao seu beijo com todo o amor que guardara para ele.
James deitou-a sobre o macio e o calor do acolchoado e tomou-lhe o rosto entre as mãos. Fitou-a durante um longo tempo, como se quisesse devassar-lhe a alma, depois tornou a beijá-la. Ficaram uma eternidade com as bocas e os corpos unidos.
— Quero você, Lily. Não há nada no mundo que eu queira mais.
Lily abaixou as alças da camisola e fechou os braços em torno do pescoço dele, prendendo-o.
— E eu quero você, James.
Ele estendeu a mão e acendeu o abajur para contemplar-lhe os seios arfantes. Acariciou-os até senti-los intumescidos. Beijou-os então, lambendo delicadamente os mamilos. Quando a viu contorcer-se, ondulando os quadris ao ritmo de seus lábios, soube que era isso mesmo o que ela queria. Abaixou-lhe ainda mais a camisola escorregadia e jogou as cobertas para o lado.
Lily olhou-o, através das pálpebras semicerradas. Em casa, vira-o muitas vezes de torso nu e ficara impressionada. Agora, estava francamente fascinada. Era um corpo perfeito, revelando a plena magnitude de sua virilidade. Sentiu o desejo crescer e soergueu-se, os seios à altura da boca dele.
James olhou-a antes de tornar a beijá-los. Leu tudo em seus olhos e murmurou, rouco:
— Quero tudo de você, Lily. Tudo! Você me compreende?
A respiração suspensa, ela sussurrou:
— Sim, James. Compreendo.
Ele abaixou-se, colocando a cabeça entre suas pernas abertas e beijou-a, iniciando com a língua uma lenta e quase insuportável exploração erótica. Lily caiu para trás, perdida numa tensão sensual que fazia todos os seus nervos vibrarem em sucessivas ondas de prazer.
— James! James! — gritou, erguendo os quadris num impulso, pronta para recebê-lo. — Não posso esperar!
— Você me terá, querida.
Ele empurrou-lhe as pernas para trás, e abriu-lhe com os dedos as pétalas rosadas da feminilidade. Todo o seu corpo parecia uma mola, pronta a penetrá-la. Lily guiou-lhe o membro túrgido para dentro dela, quase imobilizando-o sobre si com os braços e as pernas, e deu-se toda.
Dessa vez, fizeram amor de verdade. Levados de roldão pela torrente impetuosa do desejo, mergulhando-nos chamejantes prazeres de seu paraíso particular.
James procurou-lhe o seio com uma das mãos e sentiu-a estremecer toda, quando seus dedos apertaram delicadamente o bico.
— Agora é a minha vez — ouviu-a dizer num sussurro. No mesmo instante, as mãos dela deslizaram por suas fortes coxas, traçando um caminho prazeroso até o tufo de pêlos escuros, de onde brotava a agressiva ereção. James fechou os olhos e prendeu a respiração.
— Lily... oh, Lily...
— Gosta do que estou fazendo? — ela perguntou, os lábios cálidos descendo lentamente por sua virilha.
Nada podia ter preparado James para a onda de volúpia que o ritual erótico lhe provocava. Sentindo que a explosão estava próxima, segurou-a pela cintura e ergueu-a para cima dele.
Lily começou a ter orgasmos antes mesmo que ele a penetrasse com todo o seu peso. Sucederam-se vertiginosamente, enquanto ele a movia para cima e para baixo, cada vez mais impetuosamente, e terminaram numa explosão primitiva e selvagem, que os sacudiu a ambos.
Quando tudo serenou, ele tocou-lhe o rosto.
— Você está bem?
Ela o fitou, os olhos ainda enevoados.
— A primeira vez foi maravilhosa. Mas agora...
— Acho que tocamos o céu com a ponta dos dedos. ― Ela beijou-lhe o peito suado.
— Eu sabia que seria assim conosco. ― James sorriu.
— Sabia?
— Sabia, querido — afirmou. Depois desprendeu-se de seus braços e sentou na cama. — Acho melhor eu ir.
Ele agarrou-a pelo pulso antes que ela pusesse o pé para fora da cama.
— Ir aonde?
— Ao meu quarto.
— Não quero que vá. ― Ela suspirou, feliz.
— Quer que eu fique e durma ao seu lado? ― James sorriu, enigmático.
— Quero que fique. Quanto a dormir, não posso prometer nada.
Lily fechou os olhos e aconchegou-se ao peito dele. Sentia-se muito feliz. As horas de amor tinham sido ardentes, repletas de momentos apaixonados. O amor, se ela fosse paciente, viria com o tempo. A espera não seria fácil, mas lutaria por isso com todas as armas de que dispunha.
