Gina acordara com o badalar do relógio. Nove horas. Tinha dormido até demais.

Olhara em volta. Estava com uma leve dor de cabeça, portanto tivera que fazer um esforço além do normal para enxergar Kat na cama em frente à sua, lendo algum livro.

— Até que enfim você acordou... Parecia até que tinha tomado a porção do Morto-Vivo...

— Desculpa, Kat, mas estava realmente cansada.

— Tudo bem.- Diz a amiga, colocando a testa dela junto à sua.

— Quê di... - Começa Gina a resmungar, mas é interrompida pela amiga.

— Você está febril. Creio que seria útil uma visita à Madame Pomfrey e que a senhorita ficasse de cama hoje. Sem passeios, quero dizer.

— Você sabe que, mesmo que me proibisse de ir, eu iria escondida. Além do mais, não é como se eu fosse conseguir dormir de novo...

— Sinceramente, você dá mais trabalho do que meus dois irmãos.

— Você sabe, sangue Weasley nas veias...

Ambas riram.

— Realmente, ainda bem que você não vai se casar com o Potter... Imagino como seriam seus filhos... Impossíveis de domar.

— Pois é. Não ia dar certo mesmo. - Gina, responde, rindo.

Gina levanta e começa a vestir a capa da Grifinólia por cima do pijama e a pentear os cabelos. Dessa vez, a amiga nota que ela passou um brilho labial.

— Hummm, acho que alguém está se arrumando demais para só mais uma conversa com o Sr. Desconhecido...

Gina sorri.

— E a senhorita poderia parar de me analisar o tempo todo... É meio chato isso.

— Você sabe que não dá para evitar, querida. É a maldição do sangue Rosier. - Responde Kat, sorrindo.

Gina se olha mais uma vez no espelho.

— Bom, vou indo. Não me espere acordada. - E dá uma piscadinha para a amiga, dizendo isso.

— Você sabe que eu nunca espero, querida. Mas o questionário de amanhã, você não escapa.

Ambas riram baixinho. Gina anda em direção à saída do dormitório feminino, abanando para a amiga, ainda que virada de costas.

Kat sorriu e deitou em sua cama, tapando-se com o cobertor logo em seguida.

Gina desce as escadas da maneira mais silenciosa possível. Avista um vulto.

Harry a encara por um momento. Sabia que qualquer palavra dita naquele momento iria irritar a ruiva.

Virou as costas e tornou a sentar no sofá, e a leitura do seu livro.

Quando ouviu o quadro mover-se, falou em tom audível:

— Mesmo horário e condições.

Gina simplesmente saiu, sem dar bola ao que Harry falara. Mas sabia que teria que seguir o horário, se não quisesse que ele fosse à sua procura.

Entrou na Torre de Astronomia. Olhou para o seu relógio. Onze horas. Ainda faltava bastante para que ele viesse.

Começara a cantarolar uma música. Não sabia dizer se ela era trouxa ou não, mas apenas cantava.

"Não é como se alguém fosse me ouvir cantar mesmo... Só tenho que ter cuidado para que o Filch não me escute."

Quando terminava uma canção, uma outra vinha à sua memória e a cantarolava. Afinal, isso a ajudava a passar o tempo.


Draco deitou em sua cama após as aulas. Por Merlin, as matérias de hoje eram a mais chatas. Olhou de relance para a pilha de livros que estava em sua mesa para fazer tarefas.

"Ó preguiça... Se bem que essas matérias eu só vou ter de novo semana que vem... Poderia adiar o trabalho para o final de semana..."

A idéia realmente parecia tentadora, mas ele lembrou-se de que tinha que mandar fazer o traje esse final de semana. Sabia que essas coisas demoravam, e por mais que seu sobrenome pudesse apressar as coisas, ele não fazia mágica. No mínimo, uma semana para fazer o smoking perfeito.

Draco levantou, meio que contra a sua vontade e sentou-se em sua mesa.

— Muito bem, vamos à número um.

Transfiguração. Matéria banal. Ainda mais com uma professora tão simplista como a McConnagal.

Mergulhara de cabeça e terminara em quarenta minutos a lição. Pegara a lição de Poções.

Sorriu. Nada era mais fácil do que poções.

"Não entendo como alguém tão idiota como Finnigan consegue explodir tudo o que coloca as mãos..." Pensou rindo.

Terminara a lição uma hora e quinze minutos depois. Não que tivesse dificuldade, mas sim que Poções era trabalhoso de estudar e resumir.

"Se Potter e o doninha não tivessem a CDF da sangue-ruim, quanto tempo demorariam para fazer uma lição dessas? Creio que seria demais para o cérebro deles..."

Colocou o alarme de seu relógio que ficava em cima do seu criado mudo para despertar às onze horas.

"Acho que mereço um descanso..."

Com esse último pensamento, adormeceu.

Acordara com o barulho do despertador. Mas havia mais alguma coisa de estranho.

Sentira um afago na sua cabeça. No seu cabelo.

"Cafuné..?"

Havia anos que não deixava ninguém fazer carinho ali. Era gostoso, mas só sua mãe o fazia, e quando o pai dele não estava por perto. Como o pai dele sempre fora muito rigoroso, não permitia grandes demonstrações de carinho nunca. Ele tinha realmente um coração de ferro: Gélido, impenetrável.

Abrira os olhos. Vira em sua frente uma mulher loira. Nua. E da sua idade. Demorou alguns segundos para que a imagem adquirisse foco.

Pansy.

— O que diabos você pensa que está fazendo, garota?

— É que você estava tão lindo dormindo que não resisti...

— Já disse que não gosto desse tipo de coisa. E não é nem a primeira e nem a segunda vez que eu lhe aviso isso.

— Desculpa, Draquinho... - Disse Pansy, com um beicinho e abraçando Draco por trás.

Draco se desvencilha do abraço.

— A próxima vez que você fizer isso, lhe garanto que mudo a senha do dormitório e nunca mais teremos nossa diversão. Agora vá, preciso me arrumar para a ronda de hoje.

— Ultimamente você anda tão chato... - Disse, virando as costas e batendo a porta do dormitório com extrema força.

Draco suspirou, com alívio.

"Finalmente, um pouco de sossego. Eu dou um dedo pra Parkison e ela quer o braço todo... Abusada!" - Pensou sobre o fato de ela sempre tentar puxar as coisas para um romance.

Claro que um romance inexistente. Afinal, a namorada de Draco Malfoy tinha que ser à altura do seu sobrenome. O que Hogwarts limitava bastante as coisas. Mas ainda tinha umas cartas na manga.

Terminou de se vestir. Fizera isso automaticamente. Já estava acostumado. Deu uma checada no visual no espelho do seu dormitório.

Não pôde evitar um meio sorriso em seu rosto ao pensar que estava perfeito.

Sim, ele era modesto. Afinal, era um Malfoy. E humildade nos que carregavam esse sobrenome não caía bem.

Andou como de costume nos corredores do castelo. Terminara sua ronda em uma hora e quarenta minutos. Fez os cálculos mentalmente. Levaria uns cinco minutos para chegar à Torre de Astronomia.

Ao se aproximar da Torre, ouve uma voz. A voz de Gina.

Ela estava... Cantando?

Desde quando Gina sabia cantar?

Impressionado, adentrou a sala do modo mais silencioso possível, sentando-se no lugar de costume.

— Você realmente deveria tomar mais cuidado, ruiva. Pode chamar a atenção da gata do zelador.

Gina vira em direção à voz.
— Davi! Não vi você chegar. Tudo bem? - Disse, com um sorriso amável.

Draco corou ao ver aquele sorriso. Odiava admitir que estava ficando acostumado ao ver o sorriso e a voz dela.

— Tudo normal. E com você?

— Tudo também.

— Você canta bem, Grace.

— Obrigada. Não é algo que muita gente me pegue fazendo. Mas agradeço o elogio. Você é muito gentil.

— Acredite, não estou elogiando por educação. Já ouvi milhares de mulheres que pensam que sabem cantar. Mas você realmente canta divinamente. Como um anjo.

Gina cora com a última frase, sorrindo.

— Finalmente, um pouco de cor em seu rosto.

— Hã?

— Não fora tomar café-da-manhã e nem almoçar. Não sei se jantou algo porquê eu realmente não pude jantar no Grande Salão. Mas posso deduzir que não, somente pela sua aparência.

— Como assim?

— Você fica mais pálida. Não muito. Mas eu noto.

— Não precisa se preocupar. Estou bem.

— Pois não parece. Irá para casa comemorar o natal?

— Parece que vou ser obrigada pela minha mãe. - Responde Gina, nada satisfeita.

— E como é que você pretende estar saudável para o Baile se não cuida do seu corpo?

— Por um acaso, estou notando sinais de preocupação, Davi?

Draco demora uns segundos para responder. Para Gina, pareceu uma eternidade.

Mas houve uma resposta.

— Sim, eu estou preocupado com você, Grace.

— Mas como você consegue ficar preocupado com uma pessoa que você nem conhece direito?

Draco conjura uma mesinha de café e algumas comidas.

— Sirva-se.

— Não sem uma resposta.

"Mas que raios... Porque será que ela sempre consegue as respostas que quer?"

— Conheço você mais do que você sequer pode imaginar, Ginevra.

Gina arregalou os olhos. Não que estava assustada, mas sim porquê estava surpresa.

— Como é que você sabe meu nome?

— Isso não é exatamente um segredo capital, ruiva.

— Quer dizer que nos conhecemos?

— Poderíamos dizer que sim.

— Somente de vista? Ou nos falamos?

— Acho que você está querendo informações demais por uma noite, não?

Gina suspirou. Começou a comer. Mas Gina começou a conversar sobre o professor chato de Poções e sobre a sua façanha no Clube de Duelos.

— Pois é, derrubei a minha adversária com somente três feitiços.

— Parabéns.

— E todos do primeiro ano.

— Realmente, não dá para desprezar o que se aprende no começo de Hogwarts. Muito bem, ruiva.

Gina, mesmo com a boca cheia, sorri.

— Posso saber quem fora sua adversária?

— Su Li.

Draco deu um meio sorriso.

— Ela deve ter perdido a cabeça porquê você namorou o Potter. - Draco teve que ter uma força descomunal para não falaro "santo" antes do sobrenome do seu inimigo.

— Mas e o quê que tem?

— Metade das gurias desse castelo estão de olho nele.

— E a outra metade?

— No Malfoy. - Responde, sorrindo.

— Não sei porquê. Harry não é um cara perfeito. E Malfoy... Bom, não conheço ele.

— Não vai falar mal dele? Afinal, sua família tem uma rixa antiga com os Malfoys, não?

— Não tenho porquê falar mal de uma pessoa que não conheço pessoalmente. Só não gosto quando ele chama a mim ou aos meus irmãos de doninhas.

— Mas seus irmãos o vivem xingando também.

Gina o encara, com interesse no olhar.

— Você só pode ser da Sonserina, para defender o Malfoy.

— Não necessariamente. Só digo que Malfoy não sai xingando todos por aí. Pode ser somente para se defender.

— Você falaria com Malfoy para que ele não xingasse mais meus irmãos?

— Se você também falasse com os seus para que não xingassem ele. Mas creio que isso vai ser meio impossível por agora, ruiva.

Gina encara os pratos, agora vazios, na mesinha de café conjurada.

— Se ao menos houvesse um tratado silencioso de paz entre as duas famílias... - Sussurou mais para si mesma do que para Draco. Mas Draco ouviu.

Draco pede para que ela fechasse os olhos. Gina fecha sem hesitar.

Draco a conduz pela mão para sua poltrona, fazendo-a sentar em seu colo.

— Quem sabe um dia, ruiva. - Draco diz bem baixinho em seu ouvido. Não de forma sexy, mas de forma carinhosa.

Gina começa a beijar a boca de Draco, com uma necessidade de comprovar cada pedaço, como se estivesse demarcando aquele corpo como sendo dela. Mas Draco a impede, dando um simples selinho na sua boca e um beijo em sua testa quando as coisas começam a esquentar.

— Hoje não. Quando você estiver melhor.

Gina apoia a cabeça no ombro de Draco. Draco permite. E para desespero interno de Draco, ele começa a perceber que se sentia confortável com aquilo.

— Quando lhe verei de novo?
— Um dia antes do Natal.

— Mas isso quer dizer que somente daqui à uma semana, mais ou menos.

— Desculpe, ruiva. Mas tenho uns assuntos meio urgentes para resolver.

— E pensou sobre a gente se conhecer no Baile?

— Pensei.

— E?

— Você saberá sexta antes da partida.

— Então sexta-feira vamos nos ver.

— No mesmo horário.

Silêncio entre ambos. Mas, para os dois, não era aquele silêncio desconfortável. Era... Estranho. Bom. Transmitia paz.

Ficaram assim pelo resto da noite. Sem falar nada. Draco fazendo cafuné nos cabelos de Gina, e Gina aninhando-se em seu pescoço, sentindo o maravilhoso cheiro daquele estranho.

"Santo Merlin, só com ela sinto essa paz e perco o controle desse jeito... Realmente, estou levando o sobrenome Malfoy ao desespero..." - Pensa Draco.

Somente com ela podia, ao menos por algum tempo, esquecer a missão que lhe fora dada. E que o faria afundar na sociedade bruxa.

Enfrentar Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, nem pensar. Não porque fosse covarde. Mas sim porque isso seria sentença de morte para seu pai e sua mãe. Além dele. Tinha que pensar que não era somente a vida dele que estava em jogo.

Gina também não entendia como podia ficar tão bem ao lado de uma pessoa que não conhecia o rosto ou a identidade. Era... extremamente surreal. Parecia que ela estava sonhando. Mas ela sabia que não. O cheiro dele, ela podia tocá-lo, ele estava realmente ali, fazendo cafuné em seu cabelo, que agora deveria estar totalmente bagunçado...

Ela riu.

"Quem liga para isso? Afinal, era para eu estar dormindo..."

O relógio toca. Hora da despedida.

— Está na hora, ruiva.

— Ok, boa noite, Davi. - Diz Gina, dando um selinho em sua boca.

— Boa noite, ruiva. - Responde Draco, pegando-a pelo queixo de forma carinhosa e aproximando a testa de Gina para beijá-la carinhosamente.

Gina sai correndo em direção ao seu dormitório. Encontra Harry lendo e finge não tê-lo visto, passando pelo sofá. Porém, Harry pega sua mão com força, fazendo Gina o encarar:

— Será que podemos conversar agora?

— O-que-diabos-você-quer? - Pergunta Gina entre os dentes.

— Por favor, Ginny... en..- Ele iria completar a frase, mas Gina o cortou:

— Ginny uma OVA! Para você, é Gina. Já disse que não preciso de babá. Cuida da merda da sua vida que eu consigo cuidar da minha, Sr. Perfeito. E só fale comigo o que for extremamente e restritamente o necessário. Ou seja, fora os treinos de Quadribol e quando estivermos em grupos. Fora isso, saiba que eu vou ignorá-lo completamente.

— Você não seria capaz de fazer isso, Gina... - Responde Harry, totalmente assustado com a compostura de Gina naquele momento.

— Não? - Gina ri. Uma risada provocativa. — Pague para ver. A Gina que você conhecia, aquela idiota que ficava babando por você e que só faltava lamber o chão que você pisava, ela morreu naquele maldito dia que você decidiu que seria melhor se nós terminássemos o namoro. Lembra o quanto eu chorei na sua frente? Pedindo desesperadamente para que você não fizesse isso? Pois então. Agora eu estou seguindo em frente, sem você para atrapalhar o caminho. Portanto, não se intrometa nele de novo.

E subiu as escadas, deixando um Harry extremamente perplexo para trás.


Draco deixara a Torre depois de dois minutos que Gina tinha saído. Entrara no seu quarto e se jogou em cima da cama, completamente alheio.

Pansy sai do banheiro. O cheiro dela preenche o ar.

"Ela põe perfume demais..." - Registra Draco mentalmente.

Ela começa a se sentar em cima do Draco, fazendo movimentos de vai-e-vem e pressionando a parte íntima de Draco com a sua.

Nenhuma reação.

Ela começa a mordiscar de leve sua orelha, beijar seu pescoço, arranhar suas costas de leve. Nada.

Draco dá o ultimato:

— Hoje não estou realmente afim, Pansy.

— Que saco, Draco! Você realmente está um porre esses dias.

— Já te disse, arranje outra pessoa para isso. E não venha mais, tenho uma missão para cumprir e você está atrapalhando.

Pansy bate a porta com força, mostrando sua indignação.

Draco passa a mão no cabelo.

Olhou a data prevista. Amanhã faria o primeiro teste do armário sumidouro.

"Por hoje, posso dormir..."

Não chegou a completar a frase, adormecendo profundamente.