Título: Onde canta o sabiá
Ficwriter: Kaline Bogard
Beta: Evil Kitsune
Classificação: Yaoi, comédia, ação
Pares: AyaxYohji
Até agora: Finalmente tudo se esclarece. A Silber Kreuz agirá em sua formação oficial pela primeira vez e contarão com o apoio dos Weiss contra uma eventual armadilha das Freaks.


Capitulo IX

Complexo 09

Evil e Ken seguiram pelo terreno escuro e silencioso, circundando o alto muro que dava acesso ao Complexo 09, provável reduto onde as Freaks estariam lhes esperando depois de um convite banhado a muito sangue.

O moreninho fez um sinal indicando que o caminho estava limpo. Invadiriam por ali sabendo que enfrentariam algum tipo de obstáculo.

Evil olhou de um lado para o outro. Estava tudo silencioso demais...

Indiferente a sensação que incomodava a líder da Silber Kreuz, Ken aproximou-se da entrada leste. Era uma porta pequena escondida na lateral do prédio.

(Ken baixinho) Bombay, Coruja... estamos quase dentro.

(Omi) Entendido.

(Suryia) Perfeito.

(Omi) Abyssinian e Beija-Flor ainda não chegaram a seu destino, prossigam com a investida mesmo assim.

(Evil) Hn.

(Ken baixinho) Deixa comigo. Corvo me dê cobertura...

(Omi) Espere, Siberian! A porta não pode ser arrombada com tanta facilidade, ela está bloqueada com trancas eletrônicas. Coruja irá decodificar a senha.

(Evil baixinho) Devia avisar antes.

(Suryia) Vocês chegaram aí muito rápido. Não deu tempo de destravar...

A afirmação deixou a ruiva extremamente irritada:

(Evil baixinho) Não omita informações. Ou ainda é um maldito teste?

(Suryia) Sinto muito. Não acontecerá outra vez. Está destravado.

Os justiceiros ouviram o som de uma tranca sendo aberta. Ken estendeu a mão e testou: a porta se abriu sem maiores problemas.

Cautelosamente entraram no local. A porta de acesso leste levava a um sombrio corredor. Não havia ninguém por ali.

(Ken baixinho) Estranho... Bombay disse que as entradas eram muito vigiadas... Ei, Bombay, o que acha?

(Omi) As ordens internas de serviço destacavam uma segurança redobrada para as entradas oeste e leste. Fiquem atentos. Oh, Águia está entrando em contato. Tomem cuidado e reportem qualquer novidade.

(Ken baixinho) Entendido.

Um pouco mais confiantes os justiceiros se entreolharam. O corredor parecia vazio, mas não significava que não haviam perigos ocultos.

(Evil baixinho) Vamos logo. Não há tempo a perder.

(Ken baixinho) Eu vou primeiro. Me dê cobertura...

Evil rolou os olhos de modo impaciente e não rebateu.

Seguiram em frente rumo a única direção possível. A penumbra dificultava a visão, e Evil imaginou se era resultado de alguma coisa que Nuryco fizera. Mas mudou de idéia: as Trevas da Freak eram muito mais intensas. Muito mais frias e assustadoras do que aquele breu que dominava o corredor. Não devia ser obra da inimiga.

Evil seguia tão compenetrada nesses pensamentos que não reparou o momento em que Ken parara de avançar e chocou-se contra as costas do moreninho.

(Evil baixinho) Não faça isso, Siberian! Estamos em uma missão!

(Ken baixinho) Mas... Corvo... olha...

Evil olhou para onde Ken apontava. O corredor se bifurcava em passagens para a direita e para a esquerda. Era o ponto na planta contornado em verde, que levava ao subsolo.

Era missão de Lady Bogard chegar até lá pelo esgoto.

A ruiva ia desviar os olhos quando captou algo estranho. O chão... o chão da passagem parecia estar se movendo...

(Evil) Siberian...

(Ken) Você percebeu? São...

(Evil) Inferno!

Saltou pra trás puxando Ken no minuto exato em que centenas, milhares de escorpiões avançaram para cima deles.

(Ken) Cuidado!

O Weiss foi o primeiro a perceber as cobras. Elas dominavam todo o corredor por onde haviam invadido, surgindo praticamente do nada. Talvez estivessem de tocaia aquele tempo todo.

As cobras não se moveram. Pareciam apenas dispostas a vigiar a passagem e impedir que dessem meia volta e saíssem do complexo 09. Com os escorpiões foi totalmente diferente. Os bichinhos avançavam na velocidade que as pequenas patas permitiam, indo pra cima dos justiceiros com tudo.

Sem alternativa Ken e Evil seguiram em frente, correndo. Não podiam voltar, nem seguir para o subsolo. Mesmo que enfrentassem aqueles animais peçonhentos, não teriam chances, eram muitos!

(Ken) Essa era a vigilância da qual Bombay falou? Aquela garota... Lilik...

Evil não respondeu. Em seu íntimo uma certeza se instalou: se todos aqueles escorpiões os alcançassem, não teriam chance. O veneno de tantas picadas acabariam com a vida de ambos em segundos.

Apertando o passo a ruiva agarrou no braço de Ken, obrigando o moreno a correr mais rápido.

kkk

(Lady) Merda! Isso vai arruinar minha bota!

Lamentou ao olhar para baixo. A bela bota de cano longo estava toda suja de lama do esgoto.

Em seguida os olhos castanhos observaram o teto da passagem: estava sujo e enferrujado. Gotejava água fétida por todos os lados.

(Lady resmungando) Beleza de trabalho em equipe... eles vão ver só uma coisa... acho que uma semana sem aparecer na Angels me deixa quite...

Ajeitou a pesada mochila nas costas. Todos aqueles quilos de C4 lhe davam uma segurança tranqüilizadora. Explosivos eram a sua especialidade.

(Lady) Pena que as festas de fim de ano já passaram... São Paulo adoraria o showzinho de fogos-de-artíficio que estou planejando...

Suspirou ao descobrir que a passagem terminava em um ducto que segundo a planta de Omi e Suryia a levaria direto ao subsolo do Complexo 09...

(Lady n.n) Bombay-ay... eu to na área!

(Omi) Alguma dificuldade?

(Lady u.u) Além da lama na minha bota?

(Omi ¬¬) Águia, aja com seriedade!

(Lady n.n) Ta, ta! Tudo ok. Estou abrindo o ducto e instalarei as bombas de acordo com o plano.

(Suryia) Depois vá para o nível 02.

Apesar dos hackers não poderem vê-la, Lady bateu continência e riu:

(Lady) Imediatamente Sargento!

(Omi) Boa sorte!

(Lady) Thanks! Ah, e me faz um favorzão? Diz pro Rox que depois que essa missão terminar ele terá que me levar pra tomar uma cerva, pra compensar as botas perdidas...

(Suryia ¬¬) O que uma coisa tem a ver com a outra? Agora não é hora de ser inconveniente, Águia. Lembre-se: trabalho em equipe. Você é parte disso...

Lady rolou os olhos e segurou um suspiro. Não gostou muito do tom de voz que Suryia usara.

(Lady) Entendido. Estou implantando as bombas. Volto a me reportar quando tudo estiver pronto.

(Omi) Ok.

(Suryia) Certo!

(Lady) Ah... Coruja...?

(Suryia) O que foi?

A garota de tranças só quis deixar uma coisa bem clara...

(Lady n.n) Er, sobre as minhas botas... Vou receber indenização?

(Suryia ¬¬) Águia... estou te avisando. Concentre-se na missão!

A morena riu e deu de ombros.

(Lady) Entendido, sargento.

Fechou a passagem que dava acesso ao ducto. Tinha que trabalhar rápido para instalar todos aqueles explosivos.

kkk

(Akemi) Bombay! Coruja! A área está cercada!

A moreninha exclamou ao invadir o salão oeste e perceber os quinze soldados que Hunter hipnotizara. Todos permaneciam imóveis, olhando de forma ameaçadora para os justiceiros.

Tal entrada levara direto a uma área parecida com um hall de recepção, vazio de qualquer móvel ou janela. Havia apenas duas portas: a usada por Aya e Akemi para chegar até ali, e uma do outro lado do salão.

Mas entre os justiceiros e a passagem, estavam aqueles quinze inimigos.

(Suryia) Precisam de apoio? Podemos alertar Corvo e Siberian...

(Aya) Não.

(Akemi) Damos conta do recado.

Mal terminou de falar e Akemi teve que desviar para o lado. Dois seguranças partiram para cima dela, atacando com golpes rápidos de mão. Aya também foi atacado por dois homens.

Porém, apesar de fortes e rápidos, os inimigos não eram páreo para os justiceiros. Akemi usou a bugnuk para matar os seguranças, enquanto o ruivo líder da Weiss vencia os inimigos com perfeitos golpes de katana.

(Akemi) Cuidado!

Avisou no segundo exato em que mais dois iam para cima de Aya, saltando para interceptá-los. Conseguiu bloquear o ataque traiçoeiro de um deles, enquanto Aya se defendia do outro.

O espadachim estava intrigado com o fato de que, mesmo armados, os inimigos não sacavam suas armas. Jogavam-se de modo impensado, como se quisessem apenas atrasá-los e não matá-los, a custo da própria vida.

Pelo canto dos olhos observou Akemi eliminar o terceiro segurança e, sem esperar mais, tomar a iniciativa, atacando e matando outro vilão.

Resolvendo imitar a Silber, Aya deu um passo à frente mirando seus inimigos com as frias íris violeta. Não teria misericórdia.

Ia dar o segundo passo quando se surpreendeu ao ouvir um lamento. O primeiro da noite, e não viera de um dos seguranças...

Viera de Akemi.

(Aya)...

Ia perguntar se a jovem estava ferida e surpreendeu pela segunda vez. A Silber mantinha os olhos arregalados no segurança que desabava lentamente, ferido de morte.

(Aya) Beija-Flor... o que houve?

(Akemi) Ele... ele... o uniforme...

Só então o espadachim reparou na bugnuk da moreninha. Ao ferir o inimigo uma parte do uniforme de segurança ficara presa em suas garras.

(Aya) Qual o problema?

A Silber deu um passo para trás.

(Akemi) Ele tem outro uniforme por baixo... de um Shopping...

Franzindo as sobrancelhas Aya mirou seu olhar no segurança que tombara morto. Akemi estava certa, através da blusa rasgada e ensangüentada era possível ver detalhes de um uniforme com o emblema de um famoso Shopping de São Paulo.

Porque uma pessoa daquelas estaria agindo de tal forma? Pensando bem eles tinham expressão estranha e agiam de forma mecânica, quase como se estivessem hipnotizados.

Poderia ser...

(Aya) Lavagem cerebral? Controle da mente?

Imediatamente o ruivo lembrou de Schuldig.

(Akemi) Oh...

Outro inimigo veio pra cima dela, mas a garota desviou-se e conseguiu derrubá-lo com uma rasteira. Não podia matá-lo sabendo que provavelmente era apenas uma vítima inocente.

(Akemi) Você acha que uma das Freaks fez isso?

(Aya) Hn.

O líder da Weiss também passou a acertá-los com golpes usando o cabo da katana. Mataria inimigos sem titubear, porém aqueles homens não tinham culpa nenhuma e não era parte da missão eliminá-los.

Em poucos minutos derrotaram a todos, deixando-os inconscientes.

Antes de seguir em frente, Akemi virou-se para os corpos dos seguranças que matara antes de desconfiar da verdade. Curvou-se em uma leve reverência.

(Akemi) Sinto muito...

Aya respirou fundo e deu as costas. Tempo era tudo o que não tinha para perder...

kkk

(Lady suspirando) Certo. Última carga instalada...

Tirou um mapa do bolsinho da mochila que, aliás, estava bem mais vazia. Abriu e consultou só pra tirar uma dúvida.

(Lady) Instalei as cargas sob os quatro alicerces. Hum... como o Complexo 09 fica no meio da Zona Norte é melhor causar uma implosão. Muito obrigada por isso, Coruja!

Marcou o último alicerce, que acabara de preparar, com um círculo vermelho.

(Lady resmungando) Imploda o prédio, Águia... Blá! Eles acham é que simples. Não sabem que numa implosão tudo tem que ser perfeitamente cronometrado, acompanhado... tem que abalar as estruturas, mas sem atingir o prédio... argh! Um trabalho da porra!

Fez uma continha rápida no verso do mapa, apenas para confirmar as quantidades de explosivo que colocara.

(Lady suspirando) Acho que fiz tudo certinho... algumas gramas a mais de C4 e o edifício vai ficar tão bonito quanto fogos de artifício... é, abalar as estruturas e fazer o prédio convergir para o centro... hum... os pontos fracos do prédio criam rótulas e cabum!

Resmungava de si para si, sem muita lógica, apenas esboçando um ou outro pensamento desconexo.

Mas era verdade. Todas as implosões seguiam critérios rigorosos determinados por engenheiros. Quando seguido corretamente, o processo era uma obra de arte, na opinião da morena. Quando mal calculado...

(Lady) Certo. Melhor parar de me preocupar. Eu conferi tudo duas vezes, examinei detalhadamente o mapa que Bombay me deu... e segui direitinho como Papai me ensinou.

Deu de ombros e guardou o mapa. Ajeitou a mochila nas costas.

(Lady) Bombay? Coruja? Terminei por aqui. Estou indo para o ponto de encontro...

kkk

Evil parou de correr um segundo antes de trombar em Aya. Os ruivos se entreolharam sem demonstrar a surpresa que o reencontro inesperado causara. Por mais que fosse combinado, dificilmente conseguiriam chegar ao ponto de encontro exatamente ao mesmo tempo.

(Ken) Arf... arf... Corvo, os escorpiões... arf... sumiram!

A ruiva olhou para trás e confirmou a veracidade do que Ken dizia. O corredor atrás deles estava completamente vazio.

(Evil) Hn...

(Aya) O que houve?

O jogador inspirou fundo antes de responder.

(Ken) Acho que eles queriam nos guiar até aqui. Foi uma armadilha.

(Akemi) Nós também caímos em uma cilada. Muito cruel...

Evil estreitou os olhos ao ver Akemi tão amuada. A caçula das Silbers não se deixava abater por pouco. Era a mais otimista da equipe.

Antes que pudesse indagar algo, a voz de Coruja soou pelos comunicadores.

(Suryia) Águia deu o sinal. As bombas estão programadas e a implosão prevista para acontecer daqui a quarenta e cinco minutos. Ou antes, se ela acionar o detonador.

(Aya) Hn.

(Ken) O tempo está passando.

(Evil) Vamos logo de uma vez.

Os quatro se entreolharam e acenaram. Aya e Evil avançaram até parar em frente a porta dupla que dava acesso ao nível 02 do Complexo. A líder da Silber Kreuz levou a mão à maçaneta e sem hesitar mais, abriu.

Estava tão escuro lá dentro que era impossível enxergar alguma coisa.

(Ken) Outra armadilha?

(Evil) Com certeza. Nuryco... assim como Lilik nos guiou até aqui.

(Akemi) Significa que aqueles seguranças... aqueles seguranças... também estavam sendo usados.

(Suryia) Sabíamos das possibilidades desde o começo. Não preferem esperar por Águia?

(Evil) Não.

(Ken) Quanto antes terminarmos com isso, melhor.

(Omi) Vou deixá-la a par da situação.

(Suryia) Reportem qualquer novidade.

Os ruivos trocaram um último olhar antes de entrar no local tomado pela escuridão. Akemi respirou fundo e os imitou. Ken olhou para trás, para ter certeza de que os escorpiões haviam desistido, só então foi atrás dos outros justiceiros.

kkk

(Yohji) Tem certeza de que é uma boa idéia?

O playboy andava de um lado para o outro, na sala onde Suryia e Omi comandavam a parte informatizada da missão.

(Omi) Entendo sua preocupação, mas eles não podem recuar agora.

(Yohji) Sei, sei. Só não consigo me controlar... tenho um mal pressentimento...

(Suryia) Está tudo sob controle. Águia, informe sua posição.

(Lady) Hum... eu acho que estou saindo do subsolo... devo estar chegando a passagem usada por Corvo e Siberian...

(Suryia ¬¬) Acha?

(Omi n.n"") Não tem certeza?

(Lady) Bombay... essa sua merda de mapa está errada... eles devem ter reformado o prédio. Mas não temam, eu chego a tempo de uma entrada triunfal...

(Suryia) Eles contam com você como apoio. Não vá falhar.

(Lady) Esporte da temporada: jogar verdades na minha cara... tá, eu sei que sou a peça fundamental das duas equipes, se não fosse por mim a missão seria um fracasso... oh, o peso da responsabilid...

(Suryia ¬¬) Já entendemos. Fique atenta.

E com um suspirou pesado encerrou a comunicação.

(Omi n.n) Ela não tem jeito...

(Suryia) Tsc. Corvo, Águia terá problemas para chegar até vocês. Redobrem os cuidados, ok?

Esperou um instante, mas Evil não respondeu.

Imediatamente Omi e Suryia trocaram olhares surpresos. Yohji captou algo no ar e parou de andar em círculos, aproximando-se dos dois.

(Yohji) O que houve?

(Omi) Abyssinian...? Siberian...? Corvo...? Beija-Flor...?

(Suryia) Não respondem!

(Omi) Mas os comunicadores estão funcionando perfeitamente bem!

Digitou freneticamente alguns comandos, enquanto Suryia digitava outros.

(Suryia) O sinal continua estável. Não compreendo!

(Omi) Não há estática, nem variações...

(Yohji) E o que significa?

(Omi) Águia, atenção, pode nos ouvir?

(Águia ¬¬) Posso. Só que nem dei dois passos. Desculpe, mas aqui não tem placa indicando o caminho... tão achando que é só seguir as migalhas que nem a história de Joãozinho e Maria...?

Suryia respirou fundo e rolou os olhos. Omi balançou a cabeça e Yohji fez um bico.

(Yohji) A comunicação com ela está ótima! Por que Aya e os outros não respondem?

(Omi) Águia, é quase certo que os outros estão com problemas. Apresse-se, mas tenha cuidado.

(Lady) Ok.

Imediatamente o loirinho voltou-se para Suryia, com expressão grave no olhar. Seriedade que era quase idêntica à exibida nas íris da brasileira.

(Omi) Você percebeu isso?

(Suryia) Sim.

(Omi) Os sinais estão sendo emitidos com regularidade e precisão... nenhuma interferência externa foi registrada...

(Suryia) Perdemos a comunicação no instante em que Abyssinian e os outros entraram na sala do nível dois.

(Omi) Talvez o poder usado pelas Freaks impeça os comunicadores de funcionarem normalmente. Por isso nosso programa não detectou nenhuma falha.

(Suryia) O SSNV não teria nenhuma função útil nesse caso?

(Omi) Vou rodá-lo, mas duvido. Desenvolvi o programa com especificações muito rigorosas. Adaptá-lo já foi difícil... adicionar uma nova rotina a essa altura é quase impossível. E nada garante que funcionará.

(Suryia) Droga!

(Yohji) Eles estão por conta própria, então? Merda!

(Omi) Resta Águia. Vamos alertá-la...

Yohji mordeu os lábios apreensivo. Um tanto irritado olhou para o braço direito. Se não estivesse ferido...

Omi passou a mão pelos cabelos e respirou pesado. As coisas poderiam se complicar caso dependessem da ação de Lady Bogard...

kkk

Evil tentou firmar a visão, mas a escuridão era tão profunda que chegava a sufocar.

Avançou com cuidado e precaução.

(Evil) Isso é obra de Nuryco.

O profundo silêncio intrigou a ruiva.

(Evil) Coruja? Bombay?

A ausência de resposta era de certa forma esperada. Algo na intuição de Evil a alertou para a irregularidade nas transmissões. E a sensação foi mais além. Abaixou-se devagar, pegando os Sai na bota.

(Evil) Abyssinian? Siberian? Beija-Flor?

Não obteve nenhuma resposta.

A precaução se triplicou. Evil soube no mesmo instante que o perigo atingira níveis inimagináveis. Cada passo podia jogá-la frente a frente com uma Freak ou... um de seus companheiros.

E naquela escuridão os resultados poderiam ser desastrosos...

(Evil) Beija-Flor... cuidado.

(Nuryco) Eu não me preocuparia com os outros, Silber. Preocupe-se com você mesma.

Evil trincou os dentes e colocou-se em posição de defesa. Atacar naquela situação era quase suicídio. As chances estavam todas contra si no território de Nuryco.

Sua irritação aumentou quando ouviu um profundo suspiro.

(Nuryco) Pobre ratinho no labirinto. Eu me divertiria mais, porém da última vez você teve sorte... não vou vacilar novamente!

(Evil) Maldita!

Sentindo um movimento à sua esquerda, Evil saltou. Infelizmente não foi rápida o bastante. Algo macio e frio enroscou-se em seu calcanhar e ela perdeu o equilíbrio.

Antes que caísse no chão sentiu-se flutuar. O que quer que a prendera pelo pé a erguia, fazendo com que ficasse de cabeça para baixo. As armas escaparam de suas mãos e caíram no chão com um barulho abafado.

(Nuryco) As Trevas têm fome, Silber. Por mais que se alimentem, nunca ficam satisfeitas.

Evil arregalou os olhos quando sentiu seu corpo ser abaixado suavemente, como se a corda feita de escuridão escorregasse devagar contra o solo.

Perguntou-se qual a intenção da Freak, e descobriu no segundo seguinte, quando sua calota craniana mergulhou em algo viscoso. Como se as sombras tivessem se liqüefeito, ou mesmo derretido.

(Nuryco) Posso manipular a Escuridão de várias formas, garota. Você vai mergulhar e sufocar até morrer...

A líder das Silbers começou a se debater, e tudo o que conseguiu foi que a 'corda' abaixasse mais alguns centímetros. Evil sentiu aquele líquido viscoso cobrir seus olhos e beirar perigosamente suas narinas. Se baixasse mais um pouquinho sufocaria lentamente.

(Nuryco) Seu corpo desce a medida que você se mexe. Quanto tempo agüentará ficar imóvel, Silber?

Evil ficou tensa. Não enxergava nada, e a voz da inimiga parecia vir de um ponto diferente a cada vez. A posição era incomoda, e começava a lhe dar enjôos... mas ao menor movimento mergulharia de cabeça nas sombras fatais!

kkk

(Ken) Merda!

Deu um passo para trás e passou a mão pelo nariz. Acabara de bater em algo sólido!

Estendeu o braço com cuidado e seus dedos tocaram uma espécie de parede.

(Ken) Beco sem saída.

Virou-se para voltar sobre seus próprios passos e bateu o rosto novamente.

(Ken) Mas que merda!

Outra parede surgira praticamente do nada e bloqueara seu retorno.

Começando a se desesperar tentou seguir para o seu lado direito e a desconfiança tornou-se real. Encontrou outra parede, assim como a sua esquerda.

Fora preso por paredes de escuridão.

Tateou em busca de alguma saída. Não conseguia ver nada, e a sensação de estar cego era mais angustiante que o pensamento de estar preso entre quatro paredes.

(Ken) Bombay! Me pegaram. Eu vou dar um jeito de sair daqui... mas não vejo os outros. Acho que conseguiram escapar dessa!

Enquanto aguardava resposta, usou a bugnuk para tentar destruir o que quer que o estivesse prendendo.

As garras arranharam algo de constituição macia e causaram um ruído estranho.

(Ken) Merda! Bombay? Coruja?

Só então o jogador se deu conta de que não obtivera resposta ao seu primeiro contato.

(Ken) Bombay? Está me ouvindo?

Surpreso, deduziu que a comunicação fora interrompida. Perdera o áudio com a base de operações e com seus aliados. Então separá-los devia fazer parte da armadilha.

Sem saber o que fazer para livrar-se da prisão, Ken sentiu alguma coisa caindo sobre sua cabeça. Algo que deslizou para o chão, com um barulhinho de asas batendo.

(Ken) Mas o que...?

Tateou com o pé e ouviu barulho de inseto sendo esmagado.

(Ken) Barata?

Sem ter como comprovar, pois a escuridão era absoluta, o moreninho sentiu outro bichinho cair sobre si. E então mais um e outro, em algo que se tornou uma bizarra chuva do que pareciam ser insetos.

(Ken) Lilik!

Começou a pisar sobre os bichos, contendo a onda de asco que o sacudiu, quando um cheiro insuportável chegou a suas narinas, associado ao barulho de barata esmagada.

Mas para cada inseto que Ken esmagava, dez caiam sobre sua cabeça. Logo o chão começou a se cobrir de baratas esmagadas. Os bichinhos também andavam por seu pescoço, entravam na gola da blusa, lhe causando arrepios.

Podia sentir as patinhas enroscarem em seus cabelos castanhos, assim como em seus braços e costas.

Debateu-se tentando tirá-las, enquanto continuava sapateando.

(Ken) Maldição!

Tirou uma de sua face com um tapa.

Não conseguia vê-las, apenas senti-las.

A sensação era nauseante. E apenas piorava.

A chuva de insetos parecia longe de acabar, a massa de insetos já lhe alcançava os joelhos. Se continuasse assim, o cubículo logo estaria coberto de baratas, e o Weiss seria soterrado vivo.

kkk

De repente a escuridão sumiu por completo e Akemi saiu em uma ampla e arejada área. Com precaução avançou, ciente de que ali encontraria os inimigos que armaram a emboscada. Freaks.

(Akemi) Bombay? Coruja?

Aguardou reposta por alguns segundos, mas o silêncio absoluto lhe deu a certeza de que a comunicação fora cortada. Estava sozinha.

Na verdade estava completa e totalmente sozinha.

Não havia ninguém na sala. Nem outras saídas ou janelas. Apenas a porta pela qual entrara.

Resolvendo sair dali, a moreninha deu as costas e levou um susto: a porta desaparecera.

(Akemi) Ei!

Tateou a parede, mas nada restara da porta por onde entrara, apenas concreto maciço. Era impossível voltar por ali.

Rapidamente vasculhou o aposento, mas as paredes eram intransponíveis.

(Akemi) Não pode ser! Como as portas podem sumir assim?!

Enquanto falava consigo mesmo atacou as paredes com golpes rápidos e agressivos, mas a afiada bugnuck era delicada demais. Podia ferir seres humanos mortalmente, mas quando o alvo era cimento e concreto, nem mesmo arranhava.

(Akemi) Droga!

Estariam os outros passando por situações semelhantes? Correriam perigo?

(Akemi) Bombay?!

O silêncio era tão profundo e sufocante que fazia seu coração disparar. Odiava ficar sozinha. Odiava a solidão mais que tudo na vida. Por isso se dedicava tanto aos amigos, por isso fizera da Silber a sua família.

(Akemi) Céus!

Caiu de joelhos no chão e colocou as mãos na cabeça.

Parecia que a sensação era ampliada em proporções imensuráveis. Cada segundo a agonia se multiplicava. Tinha certeza de que aquela armadilha fora preparada especialmente para ela.

De algum modo as Freaks descobriram o que mais lhe causava medo e usavam aquilo contra ela.

Akemi fechou os olhos e mordeu os lábios. Não poderia achar uma saída nem que se esforçasse. Estava confinada naquela sala branca e vazia.

Preferia continuar perdida nas trevas de Nuryco a enfrentar a situação em que se encontrava.

Pelo menos na escuridão não havia a certeza de que estava absolutamente sozinha... nas sombras permanecia a sensação de algo eternamente a espreita. E mesmo isso era preferível...

kkk

(Lady) Coruja? Bombay? Cheguei a porta de acesso ao nível 02.

(Omi) Ok. Tome cuidado. Se for realmente uma emboscada você ficará sem comunicação.

(Suryia) Estará por conta própria, e pode ser a única esperança para Corvo e os outros. Não se descuide.

(Lady) Certo. Eu já tinha entendido essa parte.

E sorrindo confiante, a morena abriu a porta.

kkk

Aya fechou os olhos por um instante. Fora cegado pela súbita claridade e precisou proteger–se com o braço para impedir a luz de incomodá-lo ainda mais.

(Hunter) Ora, ora, ora... parece que um deles conseguiu chegar até nós...

O garoto permanecia parado bem no centro do que seria o nível 02. Uma sala muito grande, sem móvel algum, com janelas em todas as paredes e uma porta, pela qual Aya havia passado.

(Aya)...

Então aquele garoto também era um dos inimigos? Imediatamente o espadachim pensou no ataque a Avenida Paulista. O estrago causado estava além da compreensão e do que seria esperado pelas fichas de cada uma das três Freaks. Evidentemente o responsável era alguém que não conheciam. Aquele rapaz...

(Hunter) Você é um Silber?

(Aya) Não.

(Hunter) Eu já imaginava. Freya sempre se refere ao grupo no feminino...

O rapaz esperou que Aya esclarecesse algo, porém o líder da Weiss não deu mais explicações.

Hunter sorriu fechando os olhos, longe de demonstrar toda a sua real periculosidade.

(Hunter) Eu estou meio ocupado com uma das meninas. Sabe, tem três ratinhos presos no labirinto de Nuryco. Ela está pessoalmente cuidando de uma... Lilik preparou uma surpresinha para outra e eu devia cuidar da terceira... esse foi o erro da outra vez. Nós subestimamos os reforços...

(Aya) Não somos meros reforços.

(Hunter) Isso só agrava nosso descuido. Se são assassinos também, deveríamos ter preparado mais armadilhas... maldição, Freya. A culpa é toda sua!

(Aya) Não procure desculpas para sua derrota. O que fizeram até agora é imperdoável.

Hunter continuou sorrindo, enquanto passava a mãos pelos cabelos, ajeitando-os atrás da orelha.

(Hunter) Derrota? Que prepotência... eu disse que não esperava reforços. Em momento algum disse que não daria conta de vocês...

(Aya) Vamos ver...

Sacou a espada e segurou-a com as duas mãos, apontando-a ameaçadoramente para Hunter.

(Hunter) Hum. Violência. É isso o que quer?

(Aya) Não haverá perdão.

(Hunter) Não preciso de perdão.

O líder da Weiss avançou ágil, esperando vencer o garoto com um único golpe.

Hunter nem mesmo se moveu. Apenas enfiou as mãos no bolso e ergueu os ombros, cheio de si.

(Hunter) Sou um artista que cria seus trabalhos através da mente humana. E a sua destruição será minha obra prima

Saltando, o ruivo lançou-se contra o inimigo.

Foi como se mãos invisíveis entrassem na mente de Aya e torcessem todos os seus pensamentos, misturando-os a emoções, sensações, desejos e anseios. Por um instante pareceu que consciência e inconsciência tornavam-se uma única coisa, onde o líder da Weiss não podia mais distinguir quem era e o que era; de quem não era, ou mesmo do que não era.

A sensação de que estava se perdendo em si mesmo foi tão forte e desnorteante que Aya largou a espada, e levou as mãos à cabeça, apertando com força, enquanto caia de joelhos aos pés de Hunter.

(Hunter) Emoções... eu não devia brincar com elas. Sabe, não existe nada mais frágil que a mente humana. É divertido pegar tudo o que lhe torna uma pessoa e misturar, como se eu colocasse em um liquidificador.

Observou Aya ajoelhado no chão, apertando a cabeça com força, mordendo os lábios para não gemer. Lutando para preservar a própria sanidade.

(Hunter) E isso não é o meu poder... eu realmente... Tsc! Então tinha mais uma?!

Com agilidade inesperada virou-se pronto para enfrentar a pessoa que invadira o nível 02 e que ia atacá-lo pelas costas.

(Lady) Merda!

Brecou antes de aproximar-se demais do rapaz. Sua idéia era desacordá-lo aproveitando que estava entretido com o líder da Weiss. Mas o outro era esperto.

(Hunter) Que feio... os mocinhos não deviam jogar limpo?

A morena apertou as tonfas na mão. Sua intuição imediatamente a alertou para o perigo oculto nas palavras ditas em tom tão macio. Mas é claro, era Lady Bogard, e a garota não perderia a chance...

(Lady) E os vilões não deviam ser tão bonitos!

(Hunter)...

(Lady) Tem lugar na sua equipe pra mim...?

Ao invés de responder, Hunter olhou mais detalhadamente para a recém chegada, sondando-lhe o rosto com curiosidade quase infantil.

Incomodada, a Silber deu um passo para trás. Sem aviso algum sentiu suas pernas formigarem e caiu de joelhos no chão.

(Lady) Merda!

Hunter aproximou-se dela e abaixou-se, apoiando o joelho esquerdo no piso e mantendo a face de ambos na mesma altura. Sua concentração era absoluta. Nem mesmo piscava.

Aquela atenção intensificada incomodou a Silber mais do que tudo. Era um olhar que trazia reconhecimento.

(Lady) O que foi, moleque? O que fez comigo? Não sinto minhas pernas!

(Hunter) Eu... conheço você. É Lady Bogard!

(Lady)...

A garota ficou lívida. Alguém descobrira seu codinome! Ou seria mais uma das armações de Suryia e da Kritiker?

A animação do inimigo parecia muito autêntica. Fosse quem fosse, ficara verdadeiramente feliz pelo encontro.

(Hunter sorrindo) É! Você é Lady Bogard! Eu não tinha prestado atenção quando você entrou... mas sua voz e essa trança. Céus, você não mudou nada!

(Lady) Quem é você?

Lady tinha certeza de que nunca vira aquele moleque antes. Ou se lembraria do belo rosto. Hunter continuou sorrindo, com os olhos brilhando.

(Hunter) Tem uma cicatriz nas costas. Certa vez te obrigaram a agir em equipe e você teve que confiar em pessoas que mal conhecia. Seu pai morreu nesse dia, e você ganhou uma marca de queimadura nas costas.

Lady Bogard ficou ainda mais pálida. Seu instinto a alertava para a periculosidade daquele garoto, porém ela tinha que insistir em descobrir como ele conseguira aquelas informações. Tais dados nem mesmo a Kritiker possuía.

(Lady) Quem é você? Como sabe tanto?

(Hunter) Você é escrava da minha mãe! Na verdade era até ela morrer. E depois da morte dela você...

A palidez mortal foi substituída por um intenso rubor de pura fúria. Cortando as revelações de Hunter, Lady sibilou:

(Lady) Não sei quem você é, garoto. Mas nunca, ouviu, nunca fui escrava de ninguém!

Ignorando a afirmação categórica, Hunter ficou em pé. Parecia preocupado.

(Hunter) Se você é uma Silber então... Nuryco, pare com isso!

(Lady)...

O rapaz estreitou os olhos perigosamente, causando arrepios em Lady Bogard. Os olhos violetas vaguearam pelo cômodo sem obter resposta.

(Hunter) EU DISSE PRA PARAR!

Uma onda de energia quase física saiu do corpo do rapaz e se espalhou por toda a sala. Lady foi arremessada para trás e bateu as costas contra uma das paredes, mas não chegou a perder os sentidos graças à mochila que amorteceu o impacto. Ficou ali, encostada, sem forças para levantar-se e sem as tonfas, que voaram longe.

Aya arregalou os olhos e vomitou uma quantidade assustadora de sangue. O golpe de Hunter agira de forma diferente nas pessoas presentes no nível 02 do grande Complexo.

Surpresa, a morena integrante da Silber viu ilusões secretas espalhadas pelo salão se desfazerem, guiadas pela vontade de Hunter.

Mais à direita Nuryco surgia, envolta em resquícios da escuridão que causara, totalmente sem forças, atingida em cheio por Hunter. A líder Freak desabou desmaiada ao lado de Evil.

(Nuryco) Hunter... por... que...?

A esquerda Lilik jazia no chão frio, assim como Ken, ambos derrotados sobre um grande amontoado escuro. Enojada, Lady viu que eram insetos mortos.

Finalmente no meio, agachadinha junto à parede, surgiu Akemi, escondendo o rosto com as mãos, como se estivesse assustada, com medo de algo. Nem percebeu que a ilusão se desfizera e ela estava segura. Na verdade, na mente da moreninha, o cenário era o mesmo, porque Hunter ainda controlava sua mente.

Indiferente ao que fizera, Hunter caminhou até Akemi e pegou um pouco dos cabelos dela entre os dedos.

(Hunter) Cabelos longos e escuros...? Eu nunca a reconheceria, Akemi...

(Lady) Quem... é você?

Sem responder, Hunter dirigiu-se até Nuryco e Evil. Abaixou-se ao lado da líder da Silber Kreuz, observando o rosto inconsciente.

A emoção evidente no rosto juvenil pegou Lady de surpresa aumentando-lhe a confusão.

(Lady) Você...

(Hunter)...

Fechou os olhos com força, para abri-los quase em seguida. A emoção sumira completamente, deixando apenas uma fria indiferença.

Rapidamente abaixou-se e pegou Nuryco, jogando-a sobre o ombro.

(Lady) Ei! Vai fugir?! Espere!

(Hunter) O tempo não pára, Lady Bogard. Em menos de dez minutos a bomba irá implodir o prédio.

(Lady) Como você sabe...? Quem é você? Quem é a sua mãe?!

Hunter, que estava se aproximando de Lilik, olhou fixamente para a morena antes de responder:

(Hunter) Minha mãe era sua mestra.

(Lady) Nunca! Eu nunca fui escrava de ninguém!

Hunter sorriu de leve, pegando Lilik e jogando a garota sobre o outro ombro.

(Hunter) Não foi. Mas será... será escrava da minha mãe.

Lady rolou os olhos parecendo enfadada. Não resistiu a debochar:

(Lady) Quer dizer que você pode prever o futuro?!

O Freak olhou longamente para Evil, desmaiada no chão, depois voltou a fitar Lady, presenteando-a com um belo, porém frio sorriso.

(Hunter) Prever o futuro? Não preciso prever o futuro. Eu venho de lá. E acredite, não é um lugar bonito.

Lady olhou para o inimigo fixamente por alguns segundos, procurando alguma indicação de que ele blefava, de que mentia tentando enganá-la. Tudo o que recebeu em troca foi um olhar violeta frio e assustadoramente familiar...

(Lady) Viajante do... tempo...?!

(Hunter) Mas é melhor que esqueça isso...

A morena sentiu um impacto na cabeça e sangue escorrendo por seu nariz.

E tudo ficou escuro.

kkk

Ken arregalou os olhos e inalou ar rapidamente. O tempo estava acabando! Era o que sabia. O jogador ignorava, inclusive, o fato de que seus temidos inimigos haviam escapado a minutos atrás, com Hunter carregando suas duas companheiras.

Sentou-se no chão, sobre um amontoado desconfortável e frio de insetos e olhou ao redor, tentando organizar os pensamentos e começar a agir.

Viu seus parceiros também inconscientes, espalhados por uma grande sala. Correu para Aya, o líder da Weiss, com quem estava mais familiarizado.

(Ken) Abyssinian! Abyssinian! A bomba vai explodir!

Primeiro Aya apertou os olhos, ato que não espantou a dor de cabeça. Pelo contrario, a fez aumentar.

(Ken) Abyssinian, as Silbers!

O ruivo abriu os olhos e acenou. A dor de cabeça teria que ficar para depois.

(Aya) Onde está aquele garoto?

(Ken) Garoto? Não vi garoto algum! E se ficarmos aqui não vamos ver mais nada! O prédio vai implodir!

(Aya)...

O ruivo estranhou a atitude quase desesperada do companheiro. Ken era precipitado e cabeça quente, mas naquele momento estava estranho; quase alucinado... quase... hipnotizado.

O próprio Ken não compreendia a situação. Tudo o que sabia era que a bomba implodiria o prédio, e eles tinham que tirar as Silbers do lugar, antes que fosse tarde demais.

Lançando um último olhar para o líder, Ken foi rapidamente até Lady Bogard e tentou acordá-la. Vendo que era inútil simplesmente a pegou no colo e levantou-se. Tinham que sair dali.

Seguindo o exemplo do moreninho, Aya levantou-se e avançou com passos mais firmes até Evil, notando que a ruiva também estava inconsciente. Pegou-a no colo, numa maneira de ganhar tempo.(1)

Ambos voltaram-se para Akemi, silenciosamente agachada no canto da sala, cobrindo o rosto com a mão, como se estivesse vendo algo assustador.

(Ken) Beija-Flor! Tudo bem?

O jogador aproximou-se com passos leves, e lentamente tocou-lhe o ombro. O ato quebrou o estado em que Akemi se encontrava. Ela tirou as mãos do rosto e olhou ao redor.

Assim que viu Ken, o rosto da jovem se avermelhou e ela esticou o braço tocando-lhe o rosto.

(Akemi) Siberian...? É real?

(Ken)...

(Akemi) Eu pensei que ficaria sozinha para sempre!

(Aya) Hn. (2)

(Ken) Não sei o que aconteceu, mas você não está sozinha. Nunca esteve, desde que entrou pra Silber.

(Akemi) Por um segundo eu...

(Aya) Vai ficar sozinha se não sair daqui. A bomba vai explodir...

Imediatamente Akemi recolheu a mão e ficou em pé.

(Akemi) Desculpem! Eu não sei o que houve!

(Ken) Nem nós e é melhor deixar pra compreender na Angels!

A Silber balançou a cabeça e tomou a liderança correndo pra fora da sala. Ken e Aya não ficaram atrás, aproveitando que apesar de meio perdida, Akemi ainda estava pronta para a ação. A missão não se encerrara.

Não encontraram nenhum obstáculo para sair do prédio. Pelo contrário, a Silber seguia com fluência pelos corredores, como se o caminho estivesse gravado em seu subconsciente. Os Weiss corriam atrás dela, aliviados por poder sair dali de uma vez.

Nenhuma lembrança restou em sua mente, nem mesmo os seguranças usados de forma desumana, que ainda estavam em uma das entradas do Complexo 09. Nem Akemi ou Aya lembrou-se deles.

E a culpa por aquele esquecimento era algo que ambos os justiceiros levariam enterrados no mais profundo de seus corações.

kkk

Próximo ao Complexo 09, no fim do grande quarteirão, Hunter parou, aproveitando que um dos postes de luz artificial estava quebrado. Abaixou-se e depositou Lilik no chão, recostando-a contra uma árvore de tronco grosso e, em seguida, encostando Nuryco contra um muro.

Olhou para as duas ex-companheiras por longos segundos antes de passar a mão pelos cabelos e respirar fundo.

(Hunter) Pare de ficar espiando. Me incomoda.

Ouviu uma risada cristalina ecoar.

(Felton) Desculpe. É um hábito que não perderei tão cedo.

(Hunter) Vai ser sua perdição.

(Felton) Aa. Se você diz... aliás, os cinco saíram do prédio. Você manipulou os garotos direitinho. Se não fosse sua... er... 'onda mental' ou seja lá o raio que o parta, eles não teriam acordado a tempo.

Hunter olhou para o alto da árvore. Tinha certeza que o outro rapaz estava escondido entre as folhas da frondosa copa.

Antes que respondesse, ouviram um barulho ensurdecedor. Virou o rosto bem a tempo de ver o imponente Complexo 09 ruir magnificamente. Uma nuvem de poeira cobriu os arredores, mas nenhum outro edifício foi atingido graças aos cálculos bem feitos.

(Felton) Era uma vez um esconderijo perfeito...

(Hunter) Hn.

(Felton) Então você está se amotinando?

E o rapaz saltou, caindo em pé a frente de Hunter. Ambos se encararam por longos e silenciosos instantes. Foi Felton quem desviou os olhos primeiro, fixando-os em Nuryco e Lilik.

(Felton) E as senhoritas?

(Hunter) Leve-as até Freya. Diga que eu estou fora.

Deu as costas e começou a se afastar. Mal deu dois passos e ouviu a voz divertida de Felton:

(Felton) Então encontrou o que procurava.

(Hunter) Foi sorte.

(Felton) Interessante. Muito interessante. E você vai ficar por perto, não é?

O ex-Freak sorriu de leve e rebateu usando as próprias palavras do outro:

(Hunter) Aa. Se você diz...

Felton riu, os olhos voltando a se fixar nas costas de Hunter que se afastava lentamente.

(Felton) E essas duas... pegas de surpresa por um próprio companheiro. Freya ficará tão feliz...

Seu devaneio foi quebrado pelo som de uma sirene. Os bombeiros estavam chegando. Era melhor dar o fora dali.

kkk

(Lady n.n) Resumindo: nós levamos outra surra e escapamos por pura sorte...

(Yohji) Sem anotar a placa do caminhão...

Ambos foram mirados com certa hostilidade pelos outros justiceiros. As duas equipes estavam reunidas na sala das missões na casa das Silbers, tentando entender o que acontecera.

(Omi) Sabemos o que ocorreu até que entraram no nível 02. A interferência sem dúvida foi causada por Nuryco. Então Akemi ficou presa em uma ilusão.

A moreninha estremeceu ao lado de Ken. Mostrara fraqueza naquela missão, mas era humana e também tinha seus medos. Os outros entenderam a situação perfeitamente, e ninguém a condenava por sucumbir.

Ela só não sabia que acabara revelando muito mais de si do que gostaria. Qualquer um dos justiceiros poderia ver a verdade por trás de seu comportamento tão emotivo.

Talvez nem a própria Akemi soubesse, mas o apego tão grande a equipe e a amizade ocultava um imenso medo da solidão. Uma fobia de estar sozinha e solitária. Por isso a moreninha defendia com vontade ferrenha a unificação definitiva entre as integrantes da Silber Kreuz.

Depois de curta pausa, a análise da ação continuou.

(Suryia) Ken foi vítima da Lilik. Isso é fato.

O jogador torceu o nariz. Suas roupas ficaram tão infectadas pelo odor das baratas mortas que ele tivera que jogá-las fora.

(Omi) Evil mais uma vez foi rival de Nuryco.

A espadachim acenou com a cabeça. Graças a investida sabiam que a Freak podia manipular as sombras a seu bel prazer. Não pareciam existir limites em seu controle sobre a Escuridão.

(Suryia) E temos agora um novo integrante, esse garoto que Aya enfrentou.

(Aya) Hn.

(Evil) Vamos assumir que ele é responsável pelos ataques na Avenida Paulista?

(Omi) Não. Disso podemos apenas deduzir que o grupo não se limita a três integrantes. Esse novo rapaz pode não ser o único que desconhecemos.

(Yohji) Foi uma sorte o Ken acordar naquela hora.

E olhou preocupado para seu amante. Aya correspondeu ao olhar, para logo em seguida mirar o outro lado da sala, onde Lady estava. Se fosse depender do reforço que a morena representava, estavam todos perdidos.

Lady fez um bico e deu de ombros.

(Lady) Como é que eu ia saber que era uma armadilha?

(Suryia ¬¬) Omi e eu te dissemos isso por todo o caminho.

(Lady u.u) Porra! Só me lembro de colocar a mão na maçaneta antes de apagar! Não me deram chance nem de entrar...

(Evil) Inútil.

(Yohji) E vocês levaram outra surra. Está dois a zero pras Freaks...

(Suryia) Isso nós resolvemos, não se preocupem.

(Ken) É algo como os Schwarz. Eles são duros na queda. Mas não vamos deixá-los impunes. Mais cedo ou mais tarde...

O confronto definitivo entre Weiss Kreuz e Schwarz ainda não acontecera. E parecia longe de ocorrer. Num paralelo a situação, a própria Silber não recebera uma missão de 'eliminar' as Freaks, apenas missões corriqueiras como lutar contra traficantes e facções criminosas. Eliminar as Freaks era algo que devia ser subentendido.

Provavelmente levaria tempo e uma ação muito bem calculada. Assim como eliminar os Schwarz se mostrava um ato difícil.

(Akemi) Sejam três ou trezentos integrantes. As Freaks não vão tirar farinha com a gente.

Lady Bogard limpou a garganta e começou a analisar as próprias unhas, como quem não quer nada.

(Lady) Você deve dizer 'os' Freaks. Tem um garoto entre elas... será que ele é bonito...?

A pergunta fez Evil, Aya e Suryia rolarem os olhos. Omi sorriu, assim como Akemi e Ken.

(Suryia suspirando) Então vai voltar mesmo para o Japão, Omi?

O chibi nem hesitou ao responder.

(Omi n.n) Sim. Retornarei com a minha equipe. Agradeço a oferta...

(Suryia) Sua vaga estará sempre disponível caso mude de idéia.

(Ken) E quando a gente volta pro Japão?

(Yohji) Aya falou que vai marcar as passagens para depois de amanhã e...

(Evil) Não.

A interrupção da ruiva causou surpresa. Os justiceiros olharam curiosos para ela.

Evil ergueu uma sobrancelha, com ares de superioridade.

(Evil) Não vão embora antes de conhecerem uma praia decente.

(Todos)!!

(Lady o.O) Você está se oferecendo pra ir a praia?!

(Evil) Hn.

(Lady O.O) E está convidando outros seres humanos pra ir com você?

(Evil) Hn.

(Lady >.>) Sai desse corpo que não te pertence! A Evil foi possuída pelo mal! Ah, bem, ela é o mal, então tudo bem. Oba!! PRAIA!!

(Evil ¬¬) Você não vai.

(Lady)...

(Evil ¬¬) Foi uma inútil na missão. E pra compensar vai tomar conta da Angels.

(Lady o.o) Eu... implodi o prédio... foi perfeito!

Pela manhã todos os jornais noticiaram a misteriosa implosão que derrubara o complexo 09, uma das posses da milionária Freya de Niord, mas que nem mesmo abalara as construções vizinhas.

Mídias de todo o mundo deram ênfase ao acontecimentos. E apesar das investigações acirradas que a polícia prometia, Suryia garantira que nada seria descoberto. A Kritiker se encarregaria de Apagar eventuais rastros.

Infelizmente para a morena, aquilo não impressionou Evil. A ruiva descartou a afirmação com um gesto de mão, como quem espanta uma mosquinha inconveniente.

(Evil) Detalhes.

(Lady)...

(Suryia) Este convite se estende a mim?

(Evil) Claro. E a Akemi também. Vamos todas à praia, levar os Weiss para conhecer o litoral.

(Yohji) Mulheres nuas!

(Aya) Hn...

(Yohji) Traduzindo: vou morrer de ciúmes se você olhar pra uma mulher. (3)

(Akemi o.o) Porque o Aya teria ciúmes do Yohji...?

(Todos)...

(Ken) A inocência é uma coisa linda...

(Todos) O.O""""""""

(Yohji) O esfomeado falando do morto de fome. Ah, quer saber? Eu vou arrumar minhas coisas pra ir a praia! Hum... Suryia... você colocaria aquele seu biquíni branco? Fica tão bem em você...

(Aya) ¬¬

(Suryia) ¬¬

(Evil) ¬¬

(Yohji o.o) Acho que isso é um 'não'.

(Lady u.u) Pois vai chover o tempo todo!

(Omi) E será divertido mesmo assim.

Animados, os justiceiros se levantaram, prontos para esquecer os problemas por algum tempo, com exceção de uma pessoa...

Lady Bogard afundou-se no sofá, tendo certeza de que seriam longos e solitários dias...

kkk

(Lady ç.ç) Adeus! Divirtam-se! Não se preocupem comigo!

Gritou a morena para os automóveis que se afastavam. Evil, Aya e Yohji seguiam no carro da ruiva; enquanto Suryia, Akemi, Omi e Ken iam no carro da hacker.

Seria uma semana inteira na praia, se divertindo, aproveitando dias ensolarados e quentes, de acordo com a previsão do tempo.

(Lady) Porque é que eu sempre me dou mal?

Ficou parada na porta da Angels até que os veículos sumiram de vista. Depois entrou na locadora e olhou ao redor, suspirando sofridamente.

(Lady Ç.Ç) Abandonada. Sozinha. Alone in the dark (4)! Droga de vida.

Foi ao balcão e pegou algumas caixinhas de DVDs que haviam sido devolvidos. Organizaria aquilo pra não morrer de tédio. Pelo menos por alguma meia hora...

Estava nas prateleiras do fundo, quando ouviu a porta se abrindo e uma voz conhecida falar. Um sorriso começou a se desenhar no rosto moreno, enquanto uma idéia tomava forma em sua mente.

Bateu a mão de leve no bolso da bermuda que vestia. O sorriso se ampliou ao ouvir um som metálico. Sorte!

(Rox) Meninas! Espero ter chegado a tempo de dar tchau. Recebemos o relatório da missão e a Kritiker... meninas?

Rox parou de falar. Provavelmente chegara tarde e todos haviam partido para se divertir na praia. O moreninho não queria ir junto, apenas se despedir. Pena que não dera tempo.

Caminhou até o balcão e começou a procurar as chaves da locadora.

(Rox) Que irresponsabilidade deixar a Angels aberta e abandonada!

Foi então que ouviu um 'click' característico de porta sendo trancada. Levantou a cabeça e viu Lady Bogard com as costas apoiadas contra a porta. Um par de chaves brilhava na mão de dedos morenos.

(Lady) Isso resolve o problema, Rox?

(Rox) Lady!

O rapaz não gostou nem um pouco do sorriso cheio de dentes que Lady Bogard exibia. A garota tramava alguma coisa.

(Lady) Você atirou em mim... tsc, tsc, tsc.

(Rox)... espere... eu...

O sorriso se ampliou, ficando quase diabólico. O secretário da Kritiker engoliu em seco e desejou ardentemente ter uma pistola tranqüilizante naquele momento.

(Lady) Hora de agradecer pela gentileza, pequeno...

(Rox)...

(Lady) E retribuir...


Continua...


(1)Mestra Evil, sou ou não sou boazinha?! U.U

(2) ¬¬ As vezes esqueço que ele está na fic... XD

(3) Especialmente para o Omi kun, ou Rox, como prefiro chamá-lo!

(4) Ei, esse jogo é bom (quase morro de susto!)! O filme é meio trash, mas eu adorei! ¬¬ Só não curti o final.

N/A: No próximo capítulo, o grande final via epílogo! Huahuahauahuah!


Nem acredito que vou terminar isso... o.o/ Depois de outro capítulo no mínimo estranho...