Sango acordou com os primeiros raios do sol, que se enfiavam pelo quarto de maneira irregular pela cortina, além do canto alto dos pássaros que iam e voltavam de sua janela. Tomou um rápido banho sem a ajuda de nenhuma criada – nenhuma delas estaria disposta a ajudá-la com tanto trabalho pela casa – e vestiu-se com um belo vestido rosa marcado na cintura, que combinava perfeitamente com a sua pele branca e seu cabelo negro, que estava levemente ondulado, já que Sango esquecera de soltá-lo antes de ir para a cama. Passou uma água de colônia de lavanda nos cabelos, rosto e partes do corpo, como pulsos e atrás das orelhas e saiu na ponta dos pés do quarto, só parando para ver detrás dos biombos que separava seu quarto do de suas irmãs: podia ver pelos movimentos de seus seios a respiração pesada e compassada. Ainda dormiam. A única alteração era Kikyo, que dormia com Rin. Dormir uma com a outra era coisa quase esquecida, que elas tinham feito quando pequenas, sempre para se esconder dos medos particulares, como os trovões que sacudiam o castelo ou uma repressão da Rainha, sua mãe. O único ruído do quarto, além do ressonar das irmãs era o de seu próprio coração, e havia um motivo.
Na noite anterior, tinha entrado no salão de baile apreensiva, temia a opinião dos homens, afinal, já tinha idade o bastante para casar, apesar da mãe nunca ter lhe tocado no assunto. Também tinham aqueles rapazes da sua infância, lembrariam dela? Lembrar-se-ia deles? Tinha tento medo de ficar sozinha! Sentia-se a mais tímida das irmãs.
Desceu a grande escadaria nervosamente, cada passo fazia sua respiração ficar mais difícil. Chegou ao grande salão de espelhos e pôde ver, no fim do corredor, uma porta branca entreaberta, os raios de sol entrando mais fortes do que quando acordou, e pensou se não estaria muito atrasada.
Atravessou a fresta da porta e deparou-se com o jardim do castelo. Ao ver a quantidade de prímulas e alpineas das mais diferentes cores, além das cerejeiras em flor, com seus delicados botões rosa e outras centenas de espécies de rosas, cravos e tulipas, perguntou-se porque não se fazia o carinho de dedicar mais do seu tempo aquele lugar tão belo e tão próximo de si, uma obra prima da natureza que ela desprezava. Aspirou ao aroma do lugar e reconheceu que nem seu melhor perfume se comparava ao cheiro da manhã misturado ao cheiro das flores do jardim.
Saiu do transe ao lembrar-se do que a tinha levado ali, olhou uma última vez ao redor, para guardar como uma fotografia o lugar e correu até a charneca mais próxima, não se importando com as bordas do vestido, que sem dúvida ficaram sujas por causa do orvalho da manhã, bem como seus sapatos.
Chegou a um campo aberto, de onde se podia ver todos os morros e rios que faziam parte do reinado, suas fronteiras naturais só podia ser vistas com muito dificuldade, mas seu pai dissera que era o bastante para enxergar uma invasão inimiga, por isso tinha escolhido aquele lugar. A parte leste do reinado era a única onde não de podia ver as charnecas e florestas, sendo o mar sua delimitação, ficando acima de um rochedo, de forma que, com a altura e o mar, era ainda mais difícil de invadir.
Não precisou procurar muito para achar o que procurava. Tinha esquecido o nervoso, preocupada somente em chegar lá, mas sentiu o enjôo voltar ao ver uma figura parada no gramado meditando. Aproximou-se silenciosamente e pôs e as mãos em volta do rosto do rapaz, ocultando seus olhos. Sentiu seu perfume amadeirado saindo dos cabelos, se misturando com o cheiro forte das arvores próximas.
O rapaz demorou alguns segundos para sair do estado meditativo e sentir as mãos geladas tocando-lhe o rosto.
– Inuyasha, é você? Suas mãos estão frias! – reclamou o rapaz agarrando as mãos que lhe impediam a visão.
Àquele toque, o corpo de Sango tremeu e o coração bateu mais forte. Só agora sentia o frio causado pelo vento que passava varrendo as charnecas e, por um momento, cogitou se o coração falho era efeito da altitude. Sabia que não e sentiu o rosto esquentar, ardendo pelo contraste do frio, de modo que chegou a pensar que o vento tinha lhe cortado o rosto.
Logo Miroku tinha se livrado de suas mãos e procurou inutilmente por Inuyasha, mas olhou cheio de surpresa e agrado ao ver que tinha se enganado:
–Sango, então é você! Meu bem, não sente frio aqui em cima? Veja, estou com o meu mais grosso quimono e o manto e ainda assim sinto frio! Venha, tome – soltou o manto de pele de urso pardo dos próprios ombros e o pôs em volta dos ombros de Sango, que olhava timidamente para o colo. Ele disse que estaria ali nos próximos dias, sempre meditava ao ar livre e aquele lugar lhe agradara, já que estava longe do lugar habitual, no reino de Inu no Taisho.
Queria tanto vê-lo! Passara a noite em um sono irregular, e quando acordava ele era seu primeiro pensamento. Mas quando tinha visto seu rosto e escutado sua voz, emudeceu, é tão mais fácil lidar com os sonhos!
Ele ergueu levemente seu queixo para que seus olhos se encontrassem e sorriu novamente ao ver a face ruborizada da moça.
–Pensei que tinha se aborrecido com o meu comportamento ontem... Perdoe-me Sango, mas você é tão linda! – passou o polegar pela bochecha rosada, olhando para cada detalhe e sinal do rosto de Sango. Referia-se a ter tentado beijá-la durante o baile. Sango tinha ficado tão alarmada que dera-lhe um tapa no rosto, mas tudo parecia bem entre eles agora, e logo Miroku aproximou-se lentamente de Sango, percebendo como seus seios inflavam e desinflavam com violência á medida que seus lábios ficavam mais próximos.
– Não precisa se desculpar, Miroku! Eu sei que foi brincadeira. – falou nervosamente, afastando-se e olhando envergonhada para o céu.
Miroku protestou, mas Sango percebeu alarmada, que o sol já se encontrava bem alto, pelo menos, o bastante para que boa parte da corte já tivesse acordado e se dirigisse para a mesa de café. Sem dúvidas, sentiriam sua falta e que escândalo seria se voltassem só os dois para casa! Sua mãe lhe proibiria de sair até que Miroku fosse embora.
Ignorou o que Miroku lhe dizia e puxou-lhe a mão. Foram correndo tão rápido pelo morro que seus pés quase tropeçaram entre si, conseguiam sentir uma adrenalina infantil, a mesma de quando eram crianças, correndo por suas veias. Por fim, chegaram à mesma porta pela qual Sango havia escapado e entraram depois de se certificarem que não havia ninguém por perto. Puderam ver seus reflexos descabelados, as roupas amarrotadas e a respiração rápida por toda a sala revestida de espelhos, ali estava a prova do crime e Miroku atou-se a rir da situação, deixando Sango ainda mais nervosa.
Ela tentou colocar os fios no lugar e desamassar o vestido, ignorando as risadas, mas, subitamente, Miroku emudeceu. Olhou para ele e viu que ele ainda sorria, mas não um sorriso espontâneo e sim algo marcado pela vergonha. Olhou para a direção em que os olhos do rapaz se dirigiam e deparou-se com seu próprio pai e Inu no Taisho, o primeiro um tanto assustado com a aparência da filha, o outro, lançando um olhar reprovador para o rapaz.
– Minha filha – falou o rei parecendo preocupado – o que houve?
– Contei a Sango que eu meditava e ela me levou para um passeio pela charneca, mas só tivemos tempo de ir até as tulipas, pois ela ouviu sua voz e veio correndo, bem como eu! – falou Miroku intrometendo-se.
Sango o olhou agradecida, recebendo um sorriso cúmplice dele depois de ver o suspiro aliviado do pai, que acreditou genuinamente da história. Sua história não era de todo mentira, mas também não era verdade, nela não tinha espaço para nenhuma desconfiança da parte do Rei por sua filha, parecia o encontro mais inocente do mundo! E como se sentia mal em mentir para o pai, prometeu que aquela seria a última vez.
Sentiu o corpo relaxar enquanto Miroku dava mais detalhes da mentira para o Rei, a fim de que ele não existisse espaço para dúvidas e logo Miroku mudou de assunto, falando dos seus jardins e outros assuntos que deixavam o rei tão feliz a ponto de esquecer tudo ao redor. Olhou para Inu no Taisho não intencionalmente e viu que ele também parecia ter se divertido com a mentira e, ao sentir os olhos da moça em si, piscou e sorriu indicando que guardaria seu segredo. Por fim, dirigiram-se à mesa de café.
Inuyasha levantou-se tarde aquela manhã. Os raios dourados e quentes do sol, que surgiam através da cortina, bem como o canto dos pássaros nas árvores que decoravam naturalmente sua janela, antes agradáveis, tinham vindo mais como uma desgraça que lhe cegava e ensurdecida, que mostrava a luz e a música quando tudo o que ele queria era silêncio e escuridão.
Colocou os lençóis no rosto, tentando resgatar o sono antes que fosse sacudido pelas mãos do pai e tivesse um dia tão estressante quanto o anterior, mas o bloqueio foi em vão. Ficou deitado remoendo os pensamentos; ainda estava exausto do dia anterior e presumiu que esse seria mais um dia cheio de instruções e reeprensões, mais um dia em que seus passos e palavras seriam medidos por seu pai e pelos demais da corte. Como queria voltar a ser criança! Pelo menos tinha dilemas e podia ser livre como um pássaro.
Levantou-se e olhou o quarto desconhecido, as paredes decoradas em dourado e vermelho, mas não se atentou aos detalhes, vestiu-se e desceu rapidamente, ainda sem planejar a manhã. Quando passava pela sala dos espelhos, indo em direção à mesa de café da manhã, Inuyasha ouviu o mais belo som da sua vida, uma canção no piano, tão doce que ele podia sentir o sabor. Sabia a história da música, sua mãe cantara quando ele era pequeno: Um rei enlouquecera depois da morte da esposa, que se foi junto com toda a fortuna do reinado, chamado Milênio de Ouro, o mesmo nome do reinado onde estava, mas que segundo seu pai, não tinha ligação, deixando só o rastro da destruição e pobreza, causado por um exército inimigo. Seu único filho conseguiu matar o líder inimigo, mas não ganhar a guerra, simplesmente porque não havia o que ganhar. A lenda mudava a cada região do país, mas a loucura, perda e guerra eram as mesmas, sempre.
Seguiu o som, maravilhado e parou diante de uma porta de mogno gigante, com vários desenhos em relevo de flores, do sol e da lua. Um de suas portas estava aberta e ele entrou, hesitante a fim de saborear mais da música. Olhou para a figura que tocava o piano, as mãos brancas saltitando de tecla em tecla rapidamente e pôde ver os cabelos negros espalhados em ondas como as de um rio negro pelas costas, parando perto da cintura fina, marcada por um lenço da cor do vestido arroxeado.
A moça percebeu a presença de alguém na sala a espiando e voltou-se nervosamente para o intruso, ambos sorriram ao se reconhecer:
– Você toca bem. – falou Inuyasha timidamente perante o silêncio e sorriso de espera da moça, sentindo as bochechas esquentarem. Não sabia fazer elogios.
– Obrigada! Você esta me aí há muito tempo? Desculpe-me, quando sento ao piano, esqueço completamente do mundo ao meu redor! Sente-se aqui ao meu lado. – falou afastando-se no banco em que sentava para tocar. Sorria ao ver o jeito embaraçado do rapaz.
Inuyasha avançou ainda um tanto relutante, e sentou-se ao lado da moça, sem conseguir olhá-la diretamente nos olhos. Ela recomeçou o cântico triste e Inuyasha sentiu a noção de mundo se distorcer novamente, tão impressionado estava com o que ouvia.
– Me desculpa, por ontem... Eu queria falar com você, mas não consegui... – quebrava-lhe o coração interromper, mas Inuyasha tinha que dizer. Desde a noite anterior sentia algo em si, um incômodo, que não passava e ele sabia o porquê.
– Não tem problema, nós estamos aqui agora, não estamos? – Kagome voltou os olhos grandes e envolventes para Inuyasha, interrompendo a música e envolvendo mão quente e branca na dele.
Ficaram olhando-se e sorrindo por algum tempo, mas um criado chegou à porta: O café estava servido e a rainha chamava suas filhas.
Desceram juntos e juntos entraram na sala do café. Tratava-se de uma sala gigante, com uma mesa de madeira que ia quase de uma ponta a outra, dezenas de cadeiras em volta e, no centro da mesa, todos os bolos, pães, geleias e frutas que eram produzidos no reino, em seus pomares gigantes e diversos e na grande plantação de trigo, acompanhados de vinhos e sucos da estação.
Enquanto Inuyasha e Kagome, sentados juntos, conversavam felizmente na mesa, outra pessoa os olhava desconfiadamente do outro lado da mesa, afinal de conta, que direito tinha Kagome, sua própria irmã, de estar com um homem que nunca seria dela? "Não, eu me engano, sou eu quem nunca terei Inuyasha, não se as coisas continuarem com estão." – pensou e logo começou a reparar no casal: Sabia como Kagome tinha crescido, sabia de suas curvas juvenis e de seu sorriso doce, não havia novidade ali, todas as irmãs tinham tornado-se belas e todas se negavam a ser orgulhosas nesse ponto; admitiam que todas eram bonitas á sua forma. Inuyasha, no entanto, ainda era um mistério: Tinha os cabelos cor de prata agora na cintura e tinha ficado relativamente alto; seus músculos tinham se desenvolvido e ele agora tinha braços torneados e, pela roupa, Kikyo podia imaginar que seu tórax estava igualmente esculpido, seu rosto era de uma beleza angelical, quase infantil, mas que se envelhecia com as caras de aborrecimento que ele fazia. "Tão diferente de Naraku quanto um potro é de um touro" – Kikyo corou e escorregou um pouco da cadeira, de onde aquele pensamento tinha lhe vindo?
Voltou a olhar para Inuyasha e Kagome, estavam tão íntimos! As mãos constantemente se tocavam e estavam sentados de modo que uma cadeira era o bastante; olhavam-se intensamente nos olhos, depois coravam e baixavam os olhos, só para depois fazer tudo de novo. Incapaz de aguentar mais aquela cena, Kikyo pediu licença a mãe e saiu quase correndo do salão de café, andar a cavalo seria a única coisa que desviaria seus pensamentos daqueles dois.
Kikyo chegou sem fôlego ao estábulo, tinha corrido como uma criança pelo caminho, a sensação de adentrar na parte mais densa da charneca a medida que se aproximava do lugar era como se a floresta a recebesse e a abraçasse.
Olhou para os animais enfileirados, o cheiro forte dos animais e da madeira e entrou, procurando sua égua do pelo marrom. Encilhou a égua e pôs-se a correr pelas colinas verdes, sentindo a vento varrer todas as preocupações e dores. Por um momento ela se sentiu infinita, a égua correndo de todos os problemas do reino.
Parou em uma à margem de um riacho para se refrescar e dar um descanso ao animal, o qual prendeu no tronco de uma árvore perto de onde ficaria por alguns minutos. Deitou-se sob a sombra de um salgueiro ouvindo a música de o vento formava ao balançar as folhas, junto com o som da água correndo no riacho de água cristalina. O dia, que começara frio, torna-se quente e seco, de modo que, depois de alguns minutos de descanso, Kikyo levantou-se a fim de minimizar o calor do próprio corpo. Tirou as mangas do vestido da parte de cima dos ombros e passou para as laterais, além disso, desabotoou os primeiros botões, de modo que toda a área alva da pele, do pescoço ao início dos seios, ficou nua.
Começou a molhar as mãos e passá-las na pele quando ouviu um barulho vindo da parte de cima do rio, perto da cachoeira. Nem se preocupou em pôr o vestido de volta no lugar, pegou uma pequena faca que levava na pequena bolsa de couro com a égua e andou lentamente para a origem da agitação. Foi se escondendo de árvore em árvore até ver um vulto branco dentro do rio se movendo. Segurou o cabo da faca com força e avançou para a imagem desconhecida na água, que achava se tratar de algum lobo, ainda que a mente lhe dissesse que estava errada, mas se fosse um homem, do que ela tinha mais medo, tinha que ter como se defender.
Avançou para a margem pronta para atacar o invasor, como a própria Deusa Diana atacou o caçador que a vigiava enquanto tomava banho, mas Kikyo estava do lado errado e, ao invés de ser a Deusa, virou o caçador, quando viu os olhos do rapaz, surpreso com a interrupção.
Kikyo demorou alguns segundos olhando para as curvas e músculos do homem a sua frente, a pele branca como os raios do sol. Ele se escondeu nas águas, virando as costas largas para Kikyo, que ainda olhava enrubescida para o rapaz, confusa e envergonhada, além disso, percebera que os olhos dele se demoraram alguns segundos nos seios alvos dela.
– Vossa Alteza, o que faz aqui? –Falou ele depois de alguns segundo de silêncio, voltando metade do rosto para ela, e a moça pôde ver que ele estava tão envergonhado quando ela.
–Me desculpa... Eu... – sentiu-se subitamente tonta, não era obrigada a estar ali e passar por aquela humilhação! Era uma princesa! Antes de responder e saiu correndo de volta para a mula, derrubando a faca no chão de terra.
Voltou para casa o mais rápido que pôde e jurou nunca mais falar daquilo com ninguém, ainda assim, quando a noite voltou a lembrar, não veio só o calor no rosto pela vergonha, como também um sorriso.
Naquele dia, Rin passara o dia nos jardins do reinado. Viu de longe que Miroku, Sango, Inuyasha e Kagome passeavam juntos, ora de cavalo, ora estavam sentados jogando e bebendo algo para refrescar o calor do dia, ora apenas conversando sob a sombra de alguma árvore. Pareciam já muito íntimos e Rin achou que ficaria deslocada caso se juntasse a eles.
Sentou-se no salão leste do castelo, que dava para o mar, e colocou uma tela de pintura a sua frente, esperando que o dia fosse produtivo na sua atividade, depois procuraria Kikyo e passaria o resto da tarde na sua companhia – gostava de conversar com Kikyo apesar da sua seriedade. A inspiração, no entanto, não veio tão rápido quanto desejava. Ficou por longos minutos mirando longamente a tela e o mar de um azul anil, preocupada com o bloqueio criativo. Sentia que a inspiração estava brotando no seu peito, como as flores na primavera e, ainda assim, não conseguia colocar nada em prática. Suspirou, quase desistindo, apenas alguns riscos imitando o mar tinham sido reproduzidos, quando uma movimentação a fez virar o rosto; alguém atrapalhava a sua paz.
Inu no Taisho, Sesshomaru, o Rei Hiroshi bem como outros homens, militares ou monarcas, além de seu próprio pai, entraram na grande sala se ficaram todos de pé em uma roda.
– Como vocês sabem o exército inimigo já cercou a região do País de Gelo e em breve cercarão e tomarão todo o norte! Já foram enviadas tropas pelo mar, pela região do golfo de Ynis e tivemos graves perdas! – Rin reconheceu a voz grave do pai, mas raramente o ouviu falar daquele jeito, sem dúvida, se só escutasse sua voz, ela poderia jurar que ele tinha mais de dois metros, mesmo que estivesse bem a abaixo disso, e a altura das meninas viesse da mãe.
– Por terra obtemos vitórias nas regiões do Cásodo e nas florestas do leste, mas avançamos muito poucos nesses últimos anos, o que está acontecendo meus caros? Quero que pensem nisso e no que eu disse nos dias anteriores e mudem sua tática, me recuso a perder essa guerra! – falando isso, os homens que mal tinham chegado, se puderam a marchar de voltar, e Rin pôde ver, mesmo tendo se escondido na varanda, que todos tinham semblantes preocupados, e também ela ficou. Como lidariam com uma guerra? Olhou novamente para o salão e viu que, junto de seu pai, ainda estava Inu no Taisho e Sesshomaru. Inu no Taisho foi o primeiro a falar e sua voz denotava uma cólera que Rin nunca imaginou escutar:
– O senhor acha que isso tem a ver com a profecia? Porque se tiver...
– Não tem! – cortou o Rei com raiva – nós acabamos com qualquer razão para temer a profecia, você estava lá, viu com os seus próprios olhos, lutou e sentiu o calor do sangue e do suor meu caro.
– Como é que eu poderia esquecer? Ainda hoje sonho com aquelas cenas macabras, e se parar por alguns minutos, ainda posso escutar os gritos... Mas é uma profecia Majestade, não pode ser mudada pelo homem. Deus queira que seja algo passageiro, mas posso sentir que, em décadas, estamos finalmente enfrentando um inimigo poderoso, e o senhor sabe o futuro que o povo das fadas designou.
– São lunáticos Inu no Taisho. Dizem que podem ver por intermédio da Deusa e você acredita em tudo! Deixe-os na sua loucura e foque na realidade! Esta guerra pode ser vencida por nós, tenho certeza! – e nesse tom animado, deu duas tapinhas no ombro do general e saiu pela no Taisho olhou para o mar de onde estava, e Rin pôde ver que ele estava preocupado. Sentiu as emoções do homem como se fossem suas e se sobressaltou, por um minuto, só o que viu foi fogo e sangue.
Voltou a si rapidamente e procurou em volta, vendo que Inu no Taisho já tinha ido, saiu do esconderijo a fim de voltar e terminar sua arte, agora que se sentia inspirada, mesmo que de uma forma obscura. Saiu confusa de onde estava e estacou ao ver que Sesshomaru olhava fixamente para sua tela mal começada, o olhar parecia julgar cada mínimo detalhe da obra como um crítico.
– Você deveria colocar mais verde aqui – apontou para Rin um trecho do quadro em que as ondas do mar pareciam bater contra um rascunho de pedras.
Olharam-se por alguns instante até que ele fez sua reverência e preparou-se para sair, não sem antes beijar-lhe na bochecha, deixando para trás uma Rin envergonhada e, até certo ponto, brava.
Sentou-se com raiva no banco e amaldiçoou Sesshomaru de todas as formas que podia, como era tão arrogante a ponto de achar que sabia pintar mais do que ela? Não era um general? Que falasse de suas armas! E ainda por cima a beijou!
Terminou o quadro algumas horas depois e se preparou para ir a procura de Kikyo para que passassem o resto do dia juntas, não se antes perceber, com ironia, que as andas estavam esverdeadas, bem como ele dissera.
Naraku estava terminando de treinar espadas com outro guerreiro, os dois os melhores espadachins de Inu no Taisho, quando o próprio general passou pela alameda seguido dos filhos, e pelo olhar, Naraku pôde perceber que algo o preocupava.
Sabia o que perturbava Inu no Taisho, lembrava do velho na floresta toda vez que olhava pro seu rosto, mas não se sentia capaz de mudar a realidade, não havia nada que pudesse fazer em favor de Inu no Taisho, e o velho nunca mais tinha aparecido, ainda que Naraku pensasse que a diferença de estar em um exército ou em outro era puramente decorativo, já que seria apenas uma arma, alguém para morrer em nome da ganância de alguém, para qualquer um dos dois.
Inuyasha o avistou e veio para o seu lado, parecida muito animado aquele dia, o rosto radiante e um sorriso no lugar da cara sempre mal humorada. Quando questionado, Inuyasha fechou a cara e bateu no ombro de Naraku, visivelmente embaraçado:
– Não sei o que quer dizer, me sinto o mesmo! Você é que esta vendo coisas de tanto treinar! – virou a cara emburrada e ficou alguns minutos em silêncio, enquanto Naraku largava a espada e tirava as fitas que serviam para amortecer os punhos.
– Naraku, o que você sabe sobre garotas? – questionou o rapaz ainda sem se virar.
Naraku sorriu com a pergunta:
– O que você quer saber? – questionou de volta sentando-se perto do outro rapaz.
– Você já teve alguma? – finalmente se virou e parecia curioso, ainda que envergonhado e, habitualmente, escondia a vergonha na raiva.
Naraku quis rir com a inocência de Inuyasha. De fato, para um cavaleiro, era fácil não dormir sozinho e, em algumas noites de vigília, ele também tinha experimentado o sabor feminino. Lembrou-se subitamente do acontecido da manhã, em que, depois de fazer o primeiro treino, tinha sido pego logo por Kikyo na águas do rio. Fechou a blusa em volta do pescoço, a vergonha voltando, quase como se tivesse voltado no tempo e para aquela situação.
Percebeu que Inuyasha ainda o olhava esperando uma resposta e se mexeu nervoso:
– Já, mas não sei se é a mesma coisa. Você provavelmente está interessado em uma princesa e eu só dormi com servas ou alguma rainha interessada em rapazes mais novos. Você acabará por casar-se Inuyasha, é o destino de qualquer nobre. – Falou tentando disfarçar a raiva que sempre começava a sentir quando percebia a diferença entre ele e Inuyasha, como seus destinos seriam diferentes!
– Há! Eu? Me casar? Você está louco, Naraku!
Inuyasha fez uma pausa e ia perguntar mais quando o mensageiro chegou correndo, quase sem ar. Antes que o jovem começasse a falar, escutaram o barulho a gaita de cornos tocar longe, o som pressagiando a chegada de novos visitantes ou de uma guerra.
– O clã dos lobos! – falou com o pouco ar que tinha – estão chegando, vieram do oeste prestar lealdade ao Rei e seus companheiros! Chegarão ao cair da terceira noite a partir de hoje. – e voltou a correr, avisando a todos das novas visitas.
Demorei muito? Estava como a Rin... Como eu disse, vou tentar dar o enfoque certo nas personagens e acho que ta dando mais ou menos certo haha
