Antes de qualquer coisa, obrigada a todos que estão acompanhando e mais ainda a quem tem a paciência de me deixar um review!

Eu queria dizer que este capítulo foi um dos meus favoritos. Esse e o 4º. Eu realmente adorei escrevê-lo e chorei enquanto fazia isso.

Outra questão a ser ressaltada é que algumas pessoas ficaram inconformadas com a possibilidade do Jane morrer. Tudo que posso pedir é que leiam pelo menos mais dois capítulos, e se continuarem com essa visão sobre a fic, podem parar de ler.

Cap. 10 – Vertigem

Havia um buraco no ombro do homem encapuzado.

Jane não poderia medir, mas calculava que era infinitamente menor do que o vão que esse mesmo homem havia deixado em seu coração anos atrás.

Após tanto tempo trabalhando com a policia, Jane entendeu o sentido da frase "deixe a arma falar".

Ela havia falado. E havia falado mais alto.

Red John cambaleou para trás e levou a mão ao ferimento. Praguejou contra Jane e enfiou a mão no casaco preto. Dando dois passos para a direção da saída, mirou sua própria arma em Jane e atirou. Em seguida fugiu.

Talvez Patrick nem tenha percebido a bala entrando. Poderia isso ser atribuído à quantidade de adrenalina que corria em seu corpo. O sangue que escorreu em sua barriga não foi uma sensação que perceberia com facilidade. Principalmente com o calor aumentando, a gasolina impregnada. Talvez ele tivesse cambaleado, talvez tivesse tido medo se percebesse que foi baleado. Mas não conseguiu. Tudo era surreal demais naquele momento.

Muller gritou. Jane então se lembrou que ela estava no lugar também. Houve uma explosão em algum lugar do trem fantasma que fez o consultor perceber que precisava tomar uma decisão.

Podia correr atrás de Red John e matá-lo. Resolver tudo isso de uma vez.

Mas se fizesse isso, Muller morreria quando as chamas chegassem naquele quarto. Ela estava completamente presa e amarrada numa cadeira, levaria um tempo até soltá-la. Tempo suficiente pra Red John escapar e sumir do mapa.

Ela havia matado muita gente. Ela merecia morrer. Seria a vingança de muitas famílias que foram destruídas por seu egoísmo e vaidade. Duas vinganças de uma só vez.

Assim, numa questão de segundos, Jane escolheu ir atrás de Red John. Porém, Muller gritou, o que o fez parar com a mão na maçaneta.

- Me ajude, Jane! Eu posso dizer quem ele é!

Era um bom argumento. Ele não podia ter certeza de que pegaria Red John se saísse por aquela porta. Porém, se tivesse um nome que fosse, mesmo que sumisse, ainda teria a quem perseguir.

- Diga.

- Me tire daqui primeiro.

- Como vou saber se vai me dizer se eu te tirar daí?

Ela baixou a cabeça. Claro, ela também não tinha como garantir que depois que falasse, Jane ainda a tiraria dali. Na verdade, Patrick não estava muito certo se a desamarraria após ter um nome pra perseguir.

- Ele está sempre por perto. – ela disse – Ele é alguém próximo de você.

Com isso, Jane simplesmente virou as costas novamente e abriu a porta.

- Hey! – ela gritou – Me ajude!

Mas Jane não ajudou. Ele simplesmente correu para fora da construção em chamas. Por quê? Bem, se Red John era alguém próximo, certamente não passaria despercebido com um buraco em seu ombro.

Havia um enorme acumulo de pessoas ao redor do lugar. Um homem mandava todos se afastarem.

Uma mulher gorda queria que alguém entrasse lá dentro pra salvar quem quer que pudesse estar lá. Apesar de Red John ter saído do brinquedo há segundos, o homem alegava que por estar quebrado há mais de uma semana, não haveria mais ninguém. Quando Jane saiu, porém, houve uma grande balburdia para verificar se realmente o lugar estava vazio. Uma explosão impediu um homem de entrar correndo, no impulso do momento.

Porém, Jane nada viu de tudo isso. Ele correu por entre as pessoas, perguntou rapidamente para alguma delas pra onde tinha ido o homem que acabara de sair e seguiu na direção indicada. A mão estava dentro do casaco, apertando o cabo da arma já disparada uma vez. Jane ainda não tinha se dado conta do grande ferimento em seu abdômen.

Correu o mais rápido que pôde, até ver, ao longe, Red John, quase cambaleante, correndo colina acima, pra fora dos limites do parque. Jane encheu os pulmões de ar e até pensou em atirar dali, mas percebeu que as chances de acertar seriam poucas demais e voltou a correr.

Ouviu, bem ao fundo, o sonoro barulho de sirenes. Red John desparecia ao fim da colina e ele continuava, uma perna após a outra, até que seus músculos começaram a reclamar do esforço. Faltava sangue.

Começou a arfar. Continuava se movendo, mas a vista ficou embaçada, perdeu o equilíbrio aos poucos até cair no chão.

Seus braços estavam sem força alguma. Não conseguia nem mesmo se apoiar. Já mal sentia as pernas quando tudo ao redor começou a girar. Os sons, o cheiro de gasolina, as luzes do parque, as sirenes e de repente uma dor aguda no abdômen. Jane reviu tudo que havia se passado. Red John agora se distanciava. Escapava de suas mãos tão rápido quanto sua vida se esvaía. Jane estava morrendo.

Ele sabia disso. Ou pelo menos passou a saber quando viu o ferimento. Tirou o celular do bolso e ligou para Lisbon. O aparelho todo se manchou de sangue.

- Jane? Jane, não diga que a movimentação no parque é sua culpa, por favor.

- Lisbon… - ele arfou, o que provavelmente a assustou – Eu só queria poder falar com você de novo. – e sorriu, deixando-se estar estirado na grama, olhando para o céu.

- Onde você está, Jane? O que está acontecendo?

- Eu disse que te ligaria se soubesse que vou morrer.

Houve um curto silêncio por parte dela, até que processasse tais palavras.

- Jane, você não precisa arriscar sua vida por Red John, você tem que escolher viver, por favor.

- Não, Lisbon, você não entendeu. Eu vou morrer. Não há nada que se possa fazer pra evitar.

A voz dela adquiriu o tom mais desesperado possível.

- Jane, onde você está? Vamos, diga, onde você está? O que diabos aconteceu? Você está no parque?

- Desculpe ter sido o hipócrita que fui. Eu nunca quis te machucar. Eu só queria poder ter a chance de viver sem um peso nas costas… - sua voz ia ficando mais fraca – A morte não é tão assustadora afinal. Eu só queria que você soubesse que se tudo tivesse dado certo eu ia dizer que te amo. – ele tossiu, sentiu como se tivesse expulsado todo ar de seus pulmões de uma vez. Respirou fundo e continuou: Obrigado, porém, por ter me suportado.

- Jane, diga onde você está, eu vou…

- Não… fique aí. Não me abandone. Se você desligar vou acabar morrendo sozinho. Eu levei um tiro, então não deve demorar. Você pode me perdoar?

Lisbon chorava. Já não conseguia mais falar. Jane, por outro lado, não expressava grandes emoções, porém sem contrair o rosto, uma lágrima desceu até molhar a grama sob a qual estava deitado. Ele apertou o botão do viva voz, pois já não conseguia segurar o telefone no ouvido.

- Você poderia falar comigo? Pode falar comigo até eu…

- Jane…

- Está frio. É assim que é morrer? – ele deu um curto sorriso – Desculpe, eu pedi pra você falar e continuo fazendo toda essa dramatização.

- O que você quer que eu fale?

- Não sei. O que você gostaria que eu soubesse?

Lisbon soluçava do outro lado.

- Por favor, não me abandone. – Era tudo que ela era capaz de dizer agora. Era tudo que ela precisava dizer.

- Você sabe que eu não acredito em vida pós a morte.

Lisbon fez o possível para conter o choro.

- Lembra quando acertaram sua cabeça com uma bola de baseball? Eu dei risada quando você melhorou.

Ele expressou uma pequena risada.

- E quando te deram um soco no nariz. Quando cheguei em casa e lembrei da sua cara, eu ri.

- Que ótimo saber que você deu risada em todos os momentos que de alguma forma eu senti dor. – ele respondeu, arfante, porém em tom jovial.

- Mas o melhor momento de todos foi quando eu dei um soco em você.

- O que? O melhor momento foi me bater? Ter dançado comigo não conta nada?

- Dançar com você foi ótimo. Mas o soco foi genial.

Jane fechara os olhos. Ficou algum tempo sem responder, o que preocupou Lisbon. Algumas pessoas se aproximavam dele, mas tudo estava escurecendo, ele já não conseguia distinguir o que acontecia ao redor, concentrava-se apenas na voz de Lisbon.

- Jane…? Ainda está aí?

- Nah. Já fui, Lisbon.

- Muito engraçado.

- Quando eu não responder mais, o que você vai fazer?

- Eu vou desligar o telefone e ir até você.

- Eu te amo, Lisbon.

Em sua casa, ainda vestida com suas roupas de trabalho, Lisbon pressionava o telefone contra o ouvido, chorando em posição fetal no sofá. Essa frase foi a última que ouviu. Uma vertigem e então o silêncio.

- Jane? Jane…?

Prévia do cap. 11:

Lisbon já havia se encontrado com aquele mesmo homem semanas antes. Aquele mesmo capuz, a pose intimidadora. Entretanto, da ultima vez ele a havia hipnotizado.

- Abaixe a arma. – mandou Lisbon.

Ela ouviu um riso doente por parte dele, sob o capuz.

- Ou?

- Eu atiro.

- Acho que de nós dois sou em quem não tem nada a perder, querida.

Lisbon se lembrou de Jane naquele momento.

- O que eu tinha pra perder, já perdi.