Kyouyama

Capitulo 9: Luta Contra o Oni

-Anna... – eu digo, enquanto vejo a minha amada sofrendo. Por quê? Droga, por que ela está assim?! Eu achei que superado, que estava melhor! Eu achei... Achei que ela fosse feliz.

O Oni, percebendo nossa presença, se coloca em frente da Anna. Maldito! Como ele se atreve a fazer isso com ela?! Anna é a pessoa mais forte que eu conheço, ela passou por tanta coisa, não merece que algo assim aconteça com ela! Ela, mais do que ninguém, merece ser feliz! Ela... Ela deveria ser feliz! Ela tem amigos, ela tem uma família e eu estarei sempre ao lado dela! Sei que ainda não temos a nossa pousada, e que ainda falta bastante até o nosso casamento e começarmos a nossa própria família, mas... Mas por que ela não é feliz agora?

-Kisama, o que fez com ela?! – gritou Ren, ódio em seus olhos.

-Nada que já não tenha sido feito antes. – respondeu o Oni verde respondeu, sua voz alta e grossa, mas nem um pouco educada. Não que me importasse com educação. Iremos matá-lo e salvar Anna, não irei ser educado com alguém que a fez sofrer tanto!

-Péssima desculpa, melecão! – gritou Horo-Horo, fazendo seu over soul.

-Vocês acham que podem me derrotar?! HÁ! – eu tive que respirar fundo para me acalmar.

-Comparado com Hao, você não é nada! – gritou Chocolove, também criando seu over soul – Acabaremos com isso rápido e logo estaremos voltando para casa para um jantar gostoso!

-É o que acham? – Eu não gostei da pergunta dele. – Acham que eu não posso ganhar contra vocês?

-Certamente não. – Lyserg respondeu. Eu sabia que no momento ele estava tão irritado quanto os outros, mas era o mais recolhido que todos nós, algo que não me surpreende. Lyserg tem um controle incrível de suas emoções, só perdia a calma antigamente, quando se tratava do Hao. – Suas chances são extremamente baixas.

-Mas não teremos piedade! – gritou Horo-Horo.

Eu não falei nada, só fiquei olhando para a Anna, atrás do pé gigante do Oni. Ela não parecia ter percebido nossa chegada, ainda estava encolhida, soluçando, perdida em seu próprio sofrimento. Droga... A única maneira de chegar até ela é derrotando aquele oni! Se ele não estivesse com o pé ali eu poderia correr até ela e ter certeza que estava bem, tentar entender porque sofria, e tentar fazê-la se sentir melhor. Mas não dá, esse oni bloqueia o caminho.

-É mesmo? – novamente não gostei da pergunta dele. No momento ele dá uns passos para o lado, revelando a Anna. Mas eu não tive tempo de aproveitar a chance e correr até ela, pois ele esticou seu braço e segurou Anna, da mesma maneira que o Oh-Oni fez, naquele ano novo tantos anos atrás.

-Anna!!! – eu grito. Desgraçado...! Ele está fazendo que nem o Oh-Oni! É que nem naquela vez...

Ele então diz algo, mas em tom tão baixo que não conseguimos entender. Mas Anna sim. Logo o numero de almas perdidas vindo até aqui triplicou, e o Oni não perdeu tempo, devorando todas tão rápido que se fosse uma pessoa normal teria passado normal. Uma pessoa normal não contando o Horo-Horo.

E ele cresceu em tamanho, ficando agora do mesmo tamanho do Oh-Oni... Droga! E para piorar a situação, Anna tem mais poder que antes! Ela aprendeu todo o Chô Senji Ryakketsu, sua força aumentou bastante desde daquele dia! É bom pois ela não irá morrer tão facilmente, mas por outro lado também dá o Oni mais chances de usar mais de seu poder. Se durante a batalha ele estiver ficando mais fraco é só insultá-la e logo irá ter todo o seu poder de volta, quem sabe ficar ainda mais forte que antes...

Com uma risada, ele joga Anna na neve, sem nenhum cuidado. Se não fosse pela neve fofa amortecendo a queda dela, Anna teria quebrado alguns ossos.

E isso foi o suficiente para me fazer perder o controle. Em um segundo eu formo o Byakko, e corro para dar meu primeiro ataque.

-Yoh, não! – grita Lyserg.

Isso me fez parar. Não?!

-Lyserg, nós temos que derrotá-lo antes que a Anna...

-Nós temos que primeiro fazer a Anna entender a situação que está; fazê-la voltar aos seus sentidos. – Lyserg argumenta – E no momento a única pessoa que ela provavelmente ouviria seria você.

Isso me fez relaxar um pouco... Não relaxar, mas controlar mais a minha raiva.

-Deixe que a gente cuide do Oni. – Ren disse. Agora ele também estava com seu over soul feito.

-Você tome conta da Anna! – Chocolove disse – Teremos certeza que os pombinhos tenham um tempo juntos!

-Eu terei vantagem, olha quanta neve eu posso usar! – Horo-Horo disse, apontando para si mesmo com confiança.

Eu abro um sorriso com isso. Anna e eu temos tanta sorte de termos amigos assim.

Sem perder mais tempo corro até a Anna. O Oni nota o que pretendo fazer, e vira-se na direção dela também, pronto para bloquear o meu caminho, mas por sorte os outros se colocam na frente, dando tempo para eu passar e atrapalhando o Oni.

-Vamos terminar logo com isso! Eu estou com fome! – eu ouço Horo-Horo falar.

-Então somos dois... – respondeu o Oni, e eu sei que ele está vindo na mesma direção que eu, porém não paro para criar um over soul e atacá-la, isso só iria me fazer perder tempo, e confio nos nossos amigos, sei que irão dar um jeito.

E estava certo, pois ouço um raio atrás de mim, e sei que Ren o atacou.

-Sinto muito, mas não podemos deixar com que você vá naquela direção.

A batalha começa. Horo-Horo tirando proveito da neve a nossa volta. Lyserg atacava por cima, o atingindo na cabeça e nos ombros e Chocolove o ataca nas pernas, o atrapalhando.

Eu chego à Anna rápido. Ela estava abraçando suas pernas novamente, as mão nas orelhas e eu a ouvi repetindo para si mesma, bem rápido, as palavras "saiam da minha cabeça".

-Anna! – eu a chamo, deslizando de joelhos na neve, e quando estou perto o suficiente eu seguro os seus ombros. – Anna!

-Yoh... ? – ela me olha, com seus olhos vermelhos e molhados. Pela sua voz parece que não acreditava que estava na sua frente – Yoh!

E então ela joga seus braços em volta do meu pescoço, me abraçando forte, enterrando sua cabeça em meu corpo, chorando. Eu percebo que seu corpo está gelado, então tiro o meu casaco e coloco em seus ombros. Ela não quer se afastar de mim, o que torna isso um pouco complicado, mas eu consigo.

-Yoh... – Anna fica dizendo o meu nome de novo e de novo entre soluços. Coloco meus braços em volta de sua cintura e a trago ainda mais para perto de mim. Minha raiva esquecida, tudo que quero fazer é acalmá-la.

-Eu estou aqui... – digo em seu ouvido, uma mão saindo se sua cintura e indo para trás de sua cabeça – Eu estou aqui, não precisa mais chorar.

-Yoh... – ela repete novamente, ainda chorando.

Eu continuo a abraçá-la, esperando que se acalme antes que consiga entender porque está assim.

Demora alguns minutos, mas logo o seu corpo para de tremer, seus soluços desaparecem completamente, e a única coisa que me garanti que ela está acordada e não dormindo são as lagrimas quentes encharcando a blusa que estou usando, a única coisa me protegendo do frio. Não saímos dessa posição, ela continua abraçada em mim, com seus braços pendurados em meu pescoço como se sua vida dependesse disso, e eu continuo com uma mão em volta de sua cintura, e a outra acariciando seus cabelos dourados, dizendo de novo e de novo que estava tudo bem.

Finalmente, quando acho que ela já está calma o suficiente, eu me afasto um pouco, não muito que ela precise me soltar, mas o suficiente para poder tirar a minha mão dos cabelos dela e levantar seu rosto, para que consiga me olha nos olhos. E quando faço isso percebo mais uma vez o quanto a Anna é bonita. Agora estava com suas bochechas brancas manchadas e grudentas por causa das lagrimas, seus olhos vermelhos e molhados, sua pele pálida, os cabelos bagunçados com alguns fios entrando dentro da boca dela... Mas ainda assim era linda nos meus olhos.

Mas eu prefiro muito mais quando ela está feliz.

-Você pode me contar porque ele apareceu? – pergunto, tirando os fios de cabelo de dentro da sua boca.

Ela apenas olha baixo.

-Você criou um oni hoje mais cedo. – Anna me olha surpresa – Por que não me contou?

-Eu queria entender a situação primeiro... Me acalmar. – ela olha para baixo – Eu nunca achei que iria criar um oni novamente.

-Você devia ter me avisado. – suspiro. – Mas isso não é importante agora, depois discutimos sobre isso.

Eu olho para trás. O Oni está mais fraco, mas ainda está lá, de pé.

-Eu não entendo... – digo, balançando minha cabeça – Achei que você fosse feliz comigo e na nossa casa lá em Funbari...

-Eu sou. – Anna responde, sua voz mais segura, como se estivesse voltando a ser a Anna de antes – Eu sou feliz.

-Se fosse ele não teria aparecido.

-Você não entende Yoh. – Anna olhou para baixo – Ele não apareceu porque eu sou infeliz, ou porque eu não me sinto amada. Eu te amo e sei que você também me ama. Eu sou feliz.

-Então por que ele está aqui?

-Porque essa cidade me lembra de tudo de ruim que aconteceu na minha vida. – ela diz – Todos ainda me odeiam aqui, todos aqueles humanos ainda pensam que sou um monstro. Eu fui abandonada aqui, e por tantos anos não fui amada... Eu geralmente não penso sobre isso, pois sei que está no passado e não tem nada a ver comigo agora mas... Mas ficar aqui, ouvindo tudo de novo...

-Abriu antigas cicatrizes, não foi? – eu a olho com carinho e a abraço novamente.

-E os seus amigos falando mal de mim também não ajudou nada a situação – ela continua. Dessa vez eu me afasto, a olhando surpresa.

-O que?

-Eu ouvi o que eles disseram sobre mim! Eles me odeiam! Todos eles! – sua respiração começa a ficar ofegante – Eles me odeiam, e é horrível! Ouvir alguém com quem você tem que conviver falando mal de você! Uma coisa é quando são estranhos, pessoas que não te conhecem direito, outra coisa é quando pessoas que te conhecem por anos e vivem com você te odeiam e falam mal pelas costas!!

Logo mais almas penadas começaram a aparecer, fortalecendo o Oni ainda mais.

Mas eu não liguei. Eu só a olhei, surpreso. Era isso?! Esse era o problema?! Por que ela acha que eles...

-Pare de falar bobagem Anna! – eu digo, um pouco irritado. Como ela pode pensar algo assim?

-Você vai defendê-los? – disse se afastando de mim e se levantando. – Você estava lá quando eles falaram mal de mim e ainda irá defendê-los?!

-Não estou defendendo ninguém! – também me levanto – Mas você tem alguma idéia do absurdo que está falando?

-Não é absurdo!

-É absurdo sim!

-Não é!

-É sim, Anna! – eu digo, um pouco mais alto que ela – Eles não te odeiam! Em fato, eles estavam me dizendo hoje que te consideram amiga deles! Eles estavam preocupados com você e...

-Não minta para me fazer sentir melhor Asakura. – sua voz tinha nojo. Ela realmente não acreditava em mim.

-Não estou mentindo! – digo – Eles se importam com você, Anna! Eles são nossos amigos, não somente meus!

-Então porque falaram tão mal de mim?

-Anna, você já viu como Ren e Horo-Horo agem um com o outro? – eu pergunto, sem acreditar que tinha que explicar isso – Já viu quantas vezes o Ren já enfiou sua lança no nariz do Chocolove e como o Horo-Horo sempre acha uma maneira de brigar com o Ren? – ela fica em silencio – E mesmo assim se um deles estivesse em perigo, os outros não hesitariam, colocariam suas vidas em risco para salvar o amigo! Essa é a maneira deles!

Novamente, ela não me responde.

-Eles falam mal de você, não vou negar isso, porque é verdade. Eu também reclamo de você e de seus treinamentos toda a hora, mas você sabe como eu me importo com você, não sabe?

-Claro que sei. – ela abre um pequeno sorriso – Você reclama, mas eu também reclamo de como você é preguiçoso... Mas eu sei que nos amamos.

Eu abro um sorriso.

-E não é diferente com eles. – eu digo, colocando a mão em sua cintura e apontando para luta. Horo-Horo agora tinha congelado os pés do Oni, o impedido de se mexer, e Ren lançou um raio, atingindo o cifre. Lyserg e Chocolove aproveitaram o momento e fizeram um ataque frontal, o derrubando no chão. Horo-Horo então o congelou ainda mais, esperando deixá-lo preso no chão, porem o Oni consegue se livrar e ataca o Ren, que estava mais perto de seu braço esquerdo – Agora eles estão lutando contra aquele Oni por você.

-Porque você os pediu.

Eu balanço a cabeça.

-Não Anna. Eles estão lutando por você. Eles se importam com você, e estão prontos para morrer aqui para poder te salvar. Eles não aceitariam te perder. Eles se importam Anna. Muito. – e não consigo segurar uma risada. – Eles só tem uma maneira estranha de mostrar isso.

Anna fica observando a batalha em silencio, surpresa. Mas consigo ver que é o bom tipo de surpresa, que ela estava percebendo que não tinha só a mim, mas também tinha amigos. Não eram amigos normais que nem você vê em televisão ou em livros, mas ainda assim amigos.

-Eles são seus amigos Anna. Podem falar mal de você, mas se importam. – puxo o seu corpo ainda mais próximo do meu. – Que nem você. Você fala mal deles também. Horo-Horo é muito sem educação, Ren está sempre irritado, Chocolove conta piadas horríveis, Lyserg sempre faz drama sobre seus pais... Você reclama deles sempre que tem chance, seja por causa de uma briga que eles estão tendo, porque destruíram a casa ou porque sente vontade de irritá-los. Mas sei que se estivessem em perigo, você também os salvaria, não é verdade? – ela não me responde, mas eu sei que é verdade. Ela os salvaria no seu jeito Anna, mas ainda seria um resgate. – Você não está sozinha Anna. Não podemos mudar o seu passado, mas sempre que se sentir vulnerável, sempre que se sentir fraca, venha falar comigo, ou com eles... E ai você irá perceber que não está sozinha e nunca mais estará.

Ela não me olhou um momento durante o meu discurso, mas sei que me ouviu, e sei que entendeu o que quis dizer, pois alguns segundos depois, quando Ren ia atacar o Oni, furioso por ter sido derrubado, ele simplesmente desapareceu. Lógico, Ren que estava no ar já acabou caindo de cara na neve, fazendo Horo-Horo rir. Chocolove e Lyserg se entre olharam confusos, e Ren começou a correr atrás de Horo-Horo, pronto para atacá-lo.

Eu olhei para Anna e vi um pequeno sorriso em seus lábios.

Esse capitulo inteiro foi escrito em um dia! =DD Bom, agora como podem ver a fic já está acabando... Mas eu quero fazer algumas perguntas sobre o futuro dessa fic, e se quiserem algo, tem que mandar review.

Primeiro: No plano original tem só mais um capitulo para fanfic, mas enquanto escrevia percebi que uma cena que seria um tanto rápida poderia durar um capitulo inteiro. Vocês preferem que a fic acabe em 10 capitulos, ou seja, no próximo capitulo ou preferem que tenham mais dois? A escolha é de vocês.

Segundo: Epilogo ou não? Eu tenho uma idéia do que escreveria no epilogo, se tivesse, mas idéias são bem vindas.

A primeira pergunta vocês só tem uma semana para escolher, mas a segunda a votação está aberta até o último capitulo.

Agradecimento para Alessa Sakura Minami, Nami-san e Felipe Asakura!!!