~Saori Joga Truco!
Título do Capítulo: O Diferente Bordel de Madame Djon
Autor: Mr. Devilish Blueberry
Classificação: Boys Love (Yaoi) / Adult +18 (Lemon) / Comédia
Pares: Milo x Kamus, Máscara da Morte x Afrodite, entre outros.
Status: In-Progress
Comentário: Os cavaleiros adolescentes, com os hormônios a flor da pele, decidem ir a um bordel, tendo de driblar Saori Kido. Muitas cenas hilárias acontecem e eles acabam se conhecendo melhor, descobrindo coisas que jamais imaginaram. Comédia/Romance(Yaoi)/Lemon
Importante: Os nomes dos personagens utilizados nesta fanfic foram retirados do anime/mangá Saint Seiya, cujo dono é Masami Kurumada. Não existe nenhum objetivo por parte do autor de lucrar em cima da obra Saint Seiya ou qualquer tipo de benefício que contradiga os direitos de patente do respectivo dono. Deixa-se claro que qualquer semelhança entre as personalidades dos personagens descritos aqui são mera coincidência, já que eles foram criados com diversas características diferentes. Em suma, são outros personagens, porém com os nomes, detalhes físicos e algumas informações do anime/manga, sendo o crédito disso direcionado aos seus respectivos proprietários: Masami Kurumada e seus colaboradores.
Observação: Estou sem beta e, infelizmente, com pouco tempo para corrigir. Peço que caso percebam algum erro grave me avisem por MP, ok? Assim como um desvio no francês ou algo do gênero. Obrigado.
-Venham, meus queridos. Suivez-moi*!
Como gatos que não conhecem o novo território, os cavaleiros iam se esgueirando, observando cada detalhe, para ver se aquele lugar era próximo ou diferente do que imaginavam. Há pouco haviam observado de longe a famosa Casa de Madame Djon. E o inusitado é que, ao contrário do que esperavam, era bastante chique, como ela mesma dizia.
Entretanto, até agora não viram uma só mulher dentro daquela casa e isso começava a incomodar os cavaleiros. Onde diabos estão todas as mulheres, que são esperadas em um ambiente como esse?
Afrodite observou, meio ressabido, as reações de Kanon, para ver se decifrava alguma coisa, sendo ele quem melhor conhecia o ambiente. Cansou de olhá-lo, vendo que ele estava com a mesma cara de bobo de sempre, e deixou de lado seus temores, agarrando-se mais ainda a Máscara.
-Amor, será que essa é uma casa de "assassinos-ninjas-chineses" enviados por Hades para nos matar, aproveitando que estamos sem as nossas armaduras?
-Quê?
-Ai, deixa pra lá! –Foi andando mais rápido, encontrou um sofazinho branco e se sentou. –Ai céus, pelo menos os móveis são confortáveis.
-Oh! Oui, sente-se! E vocês façam o mesmo... Espalhem-se pela casa, não se preocupem com etiqueta. –Madame Djon ia ainda com o braço enrolado no de Shaka, andando pelo corredor central da grande sala. Agora, os cavaleiros podiam averiguar melhor o local. Olhar meio de relance foi o suficiente para certificarem-se de que a anfitriã tinha um ótimo gosto.
A mobília era combinava com o chão, assim como as paredes combinavam com o teto e vice-versa. Havia tantos detalhes que ficava difícil não admirar. Um lustre enorme iluminava o ambiente, bem no meio de uma majestosa sala a esquerda do corredor onde se encontravam. Um enorme tapete estilo pele de urso-polar ficava no centro e, acima dele, uma mesa toda de vidro, com entalhes curvos e design não convencional. Os sofás brancos cercavam o tapete, um trio deles: o maior, como que em meia circunferência, e outros dois no mesmo estilo, só que menores, fechando a circunferência. A parede era branca, algo que se via em toda a casa e havia plantas exóticas nos cantos, mobílias de madeira em preto e quadros – cubistas, surrealistas e modernistas – em tons contrários, sempre preto e branco, criando uma série de antíteses.
Na realidade, as antíteses eram contradições muito visíveis em toda a casa. Do corredor, se não se olhasse para a esquerda – onde víamos a sala do grande lustre – olhávamos para a direita, onde havia outra grande sala – ao passo que a frente havia um corredor que levava a uma área iluminada, denotando uma longa escada de mármore e corrimãos dourados.
À direita do corredor, o primeiro alvo a ser fitado era o próprio piso, totalmente negro e brilhante. A outra sala, cheia de sofás só que mais espalhados por todos os cantos, era mais voltada a entretenimento. Numa parte, via-se a pequena biblioteca negra e ao lado dela um enorme televisor de última geração, onde passava algum filme francês do gosto de Madame Djon. Mais ao canto, existia uma mesa de bilhar também na cor preta e, na outra ponta, um grupo de sofás vermelho-escuros. O estilo dos quadros e do lustre combinava com os da outra sala.
-Céus... Essa mulher transpira dinheiro? –Perguntava Kamus, impressionado com todo o design arrojado da casa. –E olha que no Santuário nós estamos acostumados com "grandiosismos".
-Nossa, verdade, o negócio aqui é... como é? Chique, né? –Shura respondeu e tentou falar como a guia, fazendo um biquinho engraçado, que fez Aioros, ao seu lado, tirar sarro dele.
Aos poucos, os cavaleiros foram se encontrando naquele lugar e formando "panelinhas". Uns se juntaram na sala oval do grande lustre, apenas para conversar e admirar os quadros junto de todos aqueles rebuscados detalhes. Outros se uniram na mesa de bilhar e nos sofás próximos a ela.
O único que ainda continuava sem um lugar exato era Shaka, que estava sendo monopolizado por Madame Djon.
-Oh! Oui, oui, oui... lad**. Essa é sim uma linda casa.
-Fiquei realmente impressionado. Não era o que eu esperava. –Shaka se acomodava na poltrona de couro preto em que se encontrava.
-Por que, mounsier? –Enquanto observava o loiro, Amelie Renoir – a Madame Djon – acendia um cigarro preso na ponta de uma piteira, cujo estilo mostrava a extrema proximidade da mulher com a década de 50, onde essa piteira era um acessório indispensável.
-Bem... da maneira que Milo havia nos falado, parecia ser um lugar qualquer, onde as pessoas procuram sexo com mulheres.
-OH! –Amelie levantou-se de uma hora para outra. –Kâ-nô! Onde está Kâ-nô? –Virou-se na direção do corredor e se dirigiu a outra sala. –Aí está você, mon petit! Como não contou a eles o que essa casa é de verdade?
-Hum... ninguém nunca me perguntou, madame.
-Oh, Ka-nô! Devia tê-los avisado! –A anfitriã se virou na direção dos outros e aumentou o tom de voz. –Essa não é uma boate apenas para o sexo! É uma Boate de Entretenimento!
Os cavaleiros observaram a mulher como se nada tivesse mudado. "Não é a mesma coisa?" –Pensaram.
-Oh, mon dieu. Uma Casa de Entretenimento! Não é vinculada, necessariamente, a sexo. Envolve apenas diversão, de todos os tipos... inclusive para facilitar relacionamentos. É como uma boite***, só que mais sofisticada.
-Aaaaaah. –Ouviu-se uma interjeição geral, como se todos tivessem retirado uma dúvida de matemática.
-Mas caso queiram sexo... –Madame Djon de uma salva de palmas, fazendo surgir um homem alto, vestido todo de negro. Usava uma calça de seda, em um traje social chinês e sapatilhas bordadas. Da calça a camisa, havia um dragão branco com borda prateada, o que fazia um efeito estonteante. O homem era incrivelmente lindo: alto, de cabelos negros lisos, porém um pouco espetados para o lado – de maneira organizada – com gel. Olhos verdes claros, pele alva e de aspecto muito interessante. Parecia ser chinês, apesar das características européias. Além do traje visivelmente oriental, tinha olhos levemente puxados.
-Sim, madame?
-Shiryu, poderia trazer os rapazes, por favor?
-Sim, eles já estão prontos. Hoje eles se vestiram especialmente, como foi requerido pela madame.
-Ótimo! E pode abrir a casa. Teremos muitos convidados, hoje!
-Sim. –Logo após fazer uma reverência rápida com a cabeça, se dirigiu a porta. Shiryu abriu as grandes bandas do portal, antes tão observadas pelos cavaleiros, e as prendeu com ferrolhos em buracos especificados, no chão. Mal ia abrindo e vários carros chegaram. O horário de expediente da casa havia começado.
-Nossa, vão vir mais pessoas? Que coisa. –Kamus observava as pessoas que começavam a entrar pelo portal, lá embaixo das escadas. Via através das enormes vidraças que limitavam o jardim e a sala, como se fossem paredes de vidro. Permanecia junto do grupo, em alguns sofás pretos, com almofadas brancas, perto da mesa de bilhar. Enquanto isso, Saga, Aioros e Shura duelavam no jogo.
-Ei, Afro...
-Que foi, Milo?
-É minha impressão... ou ela disse RAPAZES? –Milo observou o amigo, um pouco espantado. -E vestidos a caráter, como assim?
-Ah, eu não escutei muito bem não, mas acho que foi.
-SÉRIO? Ai, céus, por Athena. Agora sim o Kamus vai ser gay!
-O quê? –Afrodite pensou ter ouvido a palavra "gay" sair da boca de Milo.
-Ah, er, nada, nada... –Escorpião se levantou e foi na direção de Amelie. Essa, após dar algumas lições em Kanon por não ter explicado corretamente sobre a sua casa, já havia voltado para o cantinho onde estava conversando com Shaka.
-Er... com licença.
-Sim? –Parando a conversa com Shaka, em que ambos riam de algum assunto, observou o outro cavaleiro.
-Bom, eu gostaria de lhe perguntar uma coisa. Como eu poderia... hum... É que assim, aqui não tem mulheres? Ah! Fora a madame, é claro.
-Hohoho... –Amelie riu francesamente e observou o cavaleiro com uma expressão de quem havia escutado aquela pergunta diversas vezes. –Sim, temos. Porém nossa casa é mais voltada para belos homens.
-Ah, entendo! Haha... Que coisa não? –Milo sorriu, um pouco envergonhado. –Então obrigado, com licença.
Atravessando o corredor, chegou a outra sala, onde estavam Kanon, Mu e Aioria. Os três conversavam sobre o Santuário e as bagunças que já fizeram lá – um assunto extremamente empolgante para qualquer cavaleiro ali presente - quando foram interrompidos por Milo.
-HEI! Aqui é uma casa de homens, não de mulheres!
-Ahn? –Parou por um momento, o gêmeo. -Ué... e daí? Você não disse que queria ir a um bordel? Esse é o mais caro e "chique" da cidade.
-Ma... mas... MAS KANON! –Escorpião estava prestes a pular no pescoço do amigo, quando foi cutucado por alguém atrás dele. Parou por um instante e se virou para a pessoa.
-Olá, o senhor gostaria que eu o acalmasse e lhe fizesse companhia essa noite?
-A... ah.. ééé... –O cavaleiro ficou atônito por um instante, sem saber o que estava acontecendo.
O homem que o chamou era extremamente belo, provavelmente um dos mais belos que já havia visto. Possuía longos cabelos avermelhados, sardas sutis na região das maçãs da face. Olhos castanho-claros num tom quase laranja. Seu físico era impecável e todos os traços eram delineados, suaves e ao mesmo tempo masculinos, apesar de serem delicados ao ponto de causarem certa androgenia. Estava sem camisa, apenas de calça preta social um pouco apertada. Um detalhe sexy, muito chamativo, era o pequeno colarinho branco, com uma micro-gravata preta envolvendo o pescoço do rapaz. Apesar de Milo achar-se heterossexual, hesitou por um momento, olhando-o dos pés a cabeça.
-Então, tudo bem...? Venha comigo. –Pegou a mão do cavaleiro e foi com ele em direção do outro sofá, sentando-o calmamente, para depois juntar-se a ele, bem próximo, colocando um dos braços de Milo ao redor de seu pescoço.
-Eeeer... –O Cavaleiro de Escorpião ficou tão vermelho que, aos olhos de quem o observava – Aioria e Mu, rindo do ocorrido comprometedor – parecia que ia explodir.
A situação piorou muito quando Kamus, vindo procurar pelo amigo, o viu agarrado com o ruivo. Naquele instante, os olhos dos dois cavaleiros se chocaram e Milo soube que, até o resto da eternidade, iria se arrepender. Kamus quase congelou o amigo com apenas um olhar. Apenas um olhar.
Depois daquela visão, Kamus deu de costas e foi falar com o tal Shiryu.
-Ah, a propósito, meu nome é Mime. E o seu? –Com uma de suas mãos acariciando, carinhosamente, o peito de Milo, perguntava o rapaz.
-Ah, er, ah, er... –O cavaleiro de longas madeixas azuladas não sabia o que fazer: se ia resgatar a pouca dignidade que ainda lhe restava com Kamus ou se respondia o esbelto ruivo. No final das contas, se decidiu por ir atrás do amigo, pedindo licença para o belo rapaz.
Após atravessar a sala e o corredor, procurou por ele.
-Hei, Kamus, espe... –Mal virou a entrada da sala, encontrou Kamus beijando um loiro alto, de cabelos loiros num tom dourado, meio desalinhado. A beleza dele era tão grande quanto a de Mime e Kamus fez questão de demonstrar o quanto estava gostando daquele beijo. O traje do rapaz era o mesmo de Mime. Provavelmente, todos os rapazes da festa se vestiriam assim.
As pessoas começaram a observar, impressionados com a maestria de Kamus. Até mesmo os três cavaleiros que jogavam sinuca pararam para observar. Os lábios dos dois se digladiavam, porém suavemente. Ao mesmo tempo em que o cavaleiro acariciava o rapaz nos seus contornos, do tórax as coxas, das coxas ao pescoço, do pescoço a uma região bem próxima do que deixou Milo irritadíssimo. O outro tocava o francês, apertando-lhe a cintura e segurando-o com a outra mão na base das costas.
Enfurecido, juntando forças para não interromper aquilo, resolveu voltar para onde estava. Antes que fizesse isso, Kamus abriu os olhos e fitou fixamente os do amigo, como se disse: "Faça algo, que eu farei muito pior". Milo, ainda mais irritadíssimo, tomou aquilo como um desafio.
-Você quer isso? –Disse em bom tom, para que Kamus e todos os outros escutassem. –Então tudo bem. Divirta-se.
Deu de costas e foi na direção do ruivo, que já o esperava.
-Oi, tudo bem? Desculpe-me pela minha falta de cordialidade. –Sorrindo, de uma forma tentadora, como se todas as estrelas formassem seus dentes, focou-se no tal Mime. Esse, respondeu, também com um belo sorriso. –Gostaria sim que me acalmasse e me fizesse companhia essa noite... –Acariciou o queixo do ruivo. –Prometo que serei a pessoa mais gentil e cordial que já acariciou... –Passou seus dedos pelo pescoço do rapaz. –Esse pescoço, em toda a sua vida.
Agora Milo era mais ousado, safado, e a outra mão permanecia ao redor da cintura do outro, acariciando-a e puxando-o de lado contra seu corpo, novamente sentado no sofá.
-Ah... –Mime observou os gestos e gostou muito deles. Realmente, há um bom tempo não conhecia alguém assim conquistador. Talvez a libido dos escorpianos, cujo poder corria nas veias daquele cavaleiro, tivesse ativado algo nele. Algo que poderia ser aprimorado cada vez mais no decorrer daquela noite.
Aioria e Mu observavam os dois como se estivessem vendo uma sessão de terror. Apesar de formarem um casal bonito, era uma coisa muito estranha ver Milo agindo assim com um homem. Repito, homem!
Com Kamus, bom, todos tinham suas dúvidas. Os dois sempre estavam juntos, dormiam um na casa do outro, conheciam-se desde pequenos e tudo mais. Mas, aquela reviravolta de Milo saiu um tanto quanto estranha. Fora realmente inusitada.
De qualquer forma, tanto uma sala, como a outra, acompanhavam as mudanças e toda aquela movimentação. Quem estava um pouco desconcertado com aquilo tudo era Afrodite, que já não queria mulheres perto de seu Mask, ainda mais homens bonitos, ou, pior, muito bonitos.
O tempo foi passando e todos os rapazes já haviam se espalhado pela casa - vestindo o traje especial, que fez muita fama - assim como todos os clientes. Madame Djon andava de lá para cá cumprimentando todos os amigos. Sim, amigos. Era assim que ela via seus clientes. Não tanto quanto "Kâ-nô", por esse ela tinha um carinho especial, o que ninguém entendia muito bem, mas, pelo menos graças a isso eles puderam entrar antes de todos, evitando pegar a bagunça que se encontrava lá fora. Incrivelmente, começava a se formar uma fila enorme, onde Shiryu segurava todos que não tinham cadastro nos registros. A coisa era muito bem feita e tecnológica, ao ponto de Shiryu cadastrar todos através de seu Iphone, que era ligado a um computador central, no escritório de Amelie.
O chinês – realmente era chinês, após Shaka fazer a pergunta, sendo confirmado por Amelie – era assessorado por outro belo rapaz, chamado Shun. Os dois pareciam muito próximos.
Seus gestos eram delicados, assim como o corpo. Meio baixinho, com uma expressão um tanto quanto "fofa". O cabelo verde-escuro, no tom de uma esmeralda, deixava-o jovial e combinava bastante com o seu físico. Assim como o chinês – que apesar de chinês tinha traços bastante europeizados – possuía pele bem clara e olhos verdes, num tom mais escuro.
Diferentemente do resto dos novos rapazes que apareceram, Shun vestia um terno preto, no estilo mais colado ao corpo, deixando-o bastante jovial. Sua camisa era também preta e usava uma gravata longa e afinalada, na cor prata.
-Hei, Saga.
-Oi, Shura... –Respondeu, enquanto arrumava a ponta do taco na bola, mirando em direção do buraco.
-Aqui não tem mulher não, rapaz? –Shura já começava a ficar triste com a situação. Pensava que ia experimentar, finalmente, a sensação de fazer algo mais com uma mulher, mas até agora só tinha visto homens e, até onde sabia, não gostava deles.
-Haha... bom, pelo que o Kanon me disse, tem mulheres aqui também.
-Ah é? Hum, então melhora a situação. –Observava, sorrindo, a tacada de Saga, vendo a bola encaçapar no buraco.
-Aaaah! Legal! –Foi se direcionando para o outro lado, dar mais uma tacada, já que havia ganhado o buraco. –Mas então, para mim tanto faz...
-Ah é? Você também curte homem? Mas o Aioros vai ficar bravo se você ficar com alguém aqui, hein! –Shura estava falando mais baixo, bem próximo de Saga para que Aioros não ouvisse.
Gêmeos quase tropeça nos próprios pés, escorrega e deixa o taco espetar um de seus olhos... não necessariamente nessa ordem.
-O-O QUÊ? –Percebendo que Aioros o observou por um momento, diminuiu o tom. –O... o quê?
-Ué. Você sabe disso melhor do que eu. Não sabe?
-Hei... o que vocês estão falando aí, hein? –O moreno de olhos azuis profundos, que organizava o seu próximo movimento, começava a ficar ressabido com o que os dois estavam conversando baixo. Sentiu que o seu nome havia sido citado, mesmo não o tendo escutado.
-Meu, lá vem você com esse assunto novamente, né? –Saga encostou o taco no chão, olhando para o amigo com ar de desaprovação.
-Mas, pensa bem... você não acha que esse é o melhor momento para vocês dois decidirem isso? Olha, prometo. –Shura suspirou por um momento, colocando as mãos no ar, na direção de Saga, como se pedisse para ele esperar. –Eu paro de falar desse assunto. Mas, pensa nisso. Todo mundo sabe que vocês dois são feitos um para o outro, por que evitar isso? Vai fundo, oras. Não perca o seu tempo sem ele. –Virou-se para a mesa e foi mirar o taco em outra área. –Pronto, parei.
Saga ficou pensativo. Além de esse assunto ter vindo do nada, era a primeira vez que alguém falava de forma tão direta e sincera sobre ele. Virou-se para Aioros, observando o amigo, que já havia jogado, e corou por um momento. "Será que ele gosta de mim?" –Pensou. Sabia que a sua situação e a de Sagitário era extremamente complicada. Sempre esteve consciente disso, mas resolveu ocultar suas dúvidas desde o início. Havia decidido que não iria se aprofundar mais, enquanto o próprio Aioros não se aprofundasse.
O grande problema é que nenhum dos dois fazia nada e, além disso, tinham o mesmo pensamento. Talvez, algum deles tivesse que demonstrar algo a mais para essa situação mudar de cena e, quem sabe, aprimorar-se.
Algumas cenas bonitas dos dois adolescentes, sempre juntos, treinando, conversando e até chorando juntos vieram em sua mente. Algumas delas muito antigas e bastante particulares, coisas que nenhum dos outros poderiam imaginar Saga e Aioros fazendo, como pular de cima de uma cachoeira até o fundo ou escapar do Santuário de noite para ver alguns dos segredos do "Mundo de Fora". Tudo isso era guardado a sete chaves pelos dois. Os dois precisavam sempre de servir como exemplo.
Após pensar por alguns minutos, resolveu que o certo seria tentar algo com Aioros. Depois de dar sua última tacada, aproximou-se de Aioros e começou a conversar, em tom mais baixo, com o – por enquanto – amigo.
-Hei... obrigado por me defender hoje naquela briga.
O cavaleiro, achando aquele comentário interessante, sorriu para o amigo.
-Hum... de nada. Ué, você sabe que eu e você somos muito unidos. Não precisa de me agradecer.
-Eu sei, mas... é que hoje eu quis agradecer.
Esse comentário fez com que Aioros, que ia dar agora a sua também última tacada, hesita-se por um momento. "O que aconteceu com ele?" –Pensou.
-Oras, mas.. por quê?
Saga encostou uma das mãos na mesa, usando-a para apoiar o leve pulo que deu em direção dela, afastando o taco e sentando-se de frente para o amigo, aproximando o seu rosto do dele.
-Ah, não sei. Só me deu vontade. –Sorriu, sutilmente.
Aquele ato, apesar de simples, deixou Aioros realmente intrigado e sem jeito. Não era nada demais, mas Saga estava começando a agir de um jeito que mexia com ele. Aioros sempre soube que tinha alguma coisa com Saga, só não sabia exatamente o que. O importante é que gostava muito dele.
Mas... até que ponto esse "gostar" ultrapassava os limites e atingia algo que, por exemplo, Afrodite e Máscara da Morte já tiveram? Essa era a sua grande dúvida. Apesar de todos dizerem que ele e Saga eram praticamente namorados, será mesmo que eles formavam um casal, com todas as características de casal?
-Bom. Fico feliz que tenha gostado, seja lá o motivo. Hahaha. –Sorriu, deixando que seus lábios levemente mais grossos e mais vermelhos que a maioria dos cavaleiros, mostrassem uma expressão extremamente meiga. Isso foi, particularmente, notado por Saga. Onde aquele sorriso se encontrava que ele não havia percebido antes? Realmente, novas águas haviam surgido ali e, aparentemente, para a melhor.
-Nossa... –Disse, observando o amigo.
-Hum, que foi? –Aioros olhava fixamente nos olhos de Saga.
-Você tem uma boca linda.
Sagitário corou de repente e parou de fitar o outro. Não sabia o que responder, só sabia que aquele comentário fez seus pêlos arrepiarem. Todos eles.
-Obrigado... –Voltou a observá-lo. –A sua também é muito bonita, rosada assim... –Aioros a tocou com o dedo indicador, o que fez Gêmeos sorrir mais ainda.
-Vamos conversar um pouquinho ali? –Saga apontou para um sofá mais afastado, meio curvo, deixando as duas pessoas que sentassem nele viradas para si.
-Hum... ta bom.
O cavaleiro deu um pulo da mesa e puxou Aioros pelo pulso. Descia a mão delicadamente, conforme puxava, apertando-a logo depois. O outro que era alvejado pelo, até agora, amigo, sentia-se cada vez mais intrigado. Seu coração batia mais forte conforme a situação ia mudando. Suas sensações multavam-se em coisas novas e de maneira extraordinariamente rápida.
Após se sentarem perto um do outro, sendo observados por olhares curiosos, principalmente os de Shura, iniciaram um assunto que duraria longas horas, talvez a noite toda.
Enquanto isso, na outra sala estavam vários casais, conforme a casa já havia ficado cheia. Entretanto, os que nos interessam são Aioria e Mu, junto dos dois outros amigos com seus pares - Milo e Mime, Kamus e o loiro - que disputavam ferozmente para ver quem era o melhor.
Para dois adolescentes, estavam indo muitíssimo bem. O mais engraçado era a situação que lembrava um coliseu romano. Mime – o tal ruivo – era agarrado por Milo e suas mãos já haviam passado por diversas partes do acompanhante, que não demonstrava qualquer sinal de preocupação. Já Kamus, para horror de Milo, era agarrado pelo loiro, que posteriormente descobriu, entre gemidos dos dois, se chamar Hyoga.
Agarros aqui, apertos ali, mãos rodando lá... a situação estava cada vez mais tensa. Aioria e Mu, nem que quisessem, poderiam acompanhar algo como aquilo. Era realmente um desafio, uma coisa quase que mortal. Dava para sentir o furor nas almas dos dois cavaleiros, furor o qual começava a esquentar a sala.
Os dois casais eram observados por um público engraçado. A maioria era de jovens, e, pelo que parecia, bastante ricos. Provavelmente, Saori havia liberado mesmo o dinheiro da companhia para Saga, porque nada do que viram até agora fazia crer que entrar ali era barato. Devia ser caro participar dessa "convenção" e bastante caro.
Era de se entender todos aqueles olhares, já que, além deles estarem realmente sexys daquele jeito, os quatro eram lindíssimos e chamavam muita atenção. O problema é que, para piorar a situação, Shaka – após escapar de Madame Djon – resolveu procurar pelos amigos e encontrou Milo e Kamus naquela situação. O mais hilário é que Shaka, ao aparecer com toda a sua peculiaridade, começou a chamar atenção das pessoas também. Tanto, que os olhares se dividiam entre os casais e Shaka, mesmo porque ele não estava acompanhado.
Isso é, pelo menos era o que pensava. Ao se dirigir para o sofá e dar um beliscão em Kamus e Milo, foi acompanhado por alguém que já estava fora de cena há algum tempo.
-Eu ajudo. –Kanon deu um peteleco nos dois amigos, ouvindo várias reclamações como resposta. Apesar das reprovações, diminuíram um pouco todo aquele furor. Eram adolescentes, tudo bem, mas algum decoro haveriam de ter, mesmo porque servir como show de exibição para as pessoas não era algo que um cavaleiro poderia ser.
-Ah, oi Kanon. –Shaka observou o amigo um pouco assustado pela maneira que ele chegou, de supetão. Quase não tinha percebido sua presença.
-Oi. –Sorriu, naquele estilo safado de sempre. –Ah, vem comigo. –Da mesma forma ágil que aparecera, desapareça, mas agora levando o loiro junto a si. Shaka mal entendeu que estava sendo puxado, quando percebeu que Kanon o estava levando para fora da casa, àquele enorme jardim. O que diabos ele iria fazer consigo agora? Já era o bastante todos aqueles toques ousados no carro.
A casa ficava cada vez mais cheia, mas não ao ponto de faltar espaço para que as pessoas pudessem circular livremente. O ambiente se encheu de casais e casais em potencial. Madame Djon andava de lá para cá, feliz de ver o lugar tão cheio. Após ser procurada por Shura, resolveu chamar as três garotas que também trabalhavam na casa, deixando o cavaleiro extremamente satisfeito. Chamou uma delas para perto e começou a conversa com ela em um dos cantinhos.
O televisor permanecia ligado, com uma série de pessoas conversando e assistindo filmes ao mesmo tempo. Perto da pequena biblioteca, outros conversavam, enquanto pegavam livros discutindo sobre esses, demonstrando citações e debatendo sobre determinados temas. Na mesa de bilhar, o jogo continuava. Os três cavaleiros que jogavam, deram lugar a um grupo de vários rapazes, bastante animados. Afrodite e Máscara da Morte resolveram jogar com eles, mas a coisa toda quase acaba em briga após um deles ter dado em cima do belo cavaleiro de madeixas azuis.
Mesmo sendo um lugar onde se espera falta de pudor, as pessoas permaneciam bem controladas. Até mesmo Milo e Kamus digladiavam de maneira mais sutil. O ambiente era muito interessante, pois não funcionava realmente como um bordel. Parecia mais uma boate em si, bem diferente de uma casa onde se imaginam prostitutas trabalhando.
Conforme o tempo passava, os cavaleiros notaram que Saga e Aioros seguiram em direção de uma das paredes do corredor, ainda visíveis para quem os observava. Aioros, encostado na parede, ficava sorrindo para o outro, enquanto esse segurava com uma de suas mãos a cintura do cavaleiro e com a outra, a parte traseira de seu pescoço. Os observadores começaram a notar que eles estavam prestes a fazer algo mais.
Depois de um tempo, as luzes da casa foram desligadas. Isso assustou um pouco a todos, mas logo depois um arrojado número de feixes luminosos e lasers invadiram todos os espaços, inclusive as outras sessões da casa, que eram vistas através do corredor central. O clima era perfeito.
Alguns segundos depois dos cavaleiros se acostumarem com aquela nova decoração, notaram algo emocionante de se ver. Finalmente, Aioros e Saga estavam juntos. O que comprovava isso era o beijo carinhoso – e pelo jeito há muito esperado – que os dois estavam desenvolvendo, devagar, encostados ali na parede alva, que adquiriu uma cor azulada pelas luzes que vez ou outra passava por ali. Cada vez mais ficava evidente que aquela noite prometia, tanto para o novo casal, quanto para todos naquela casa.
*Suivez-moi: Siga-me.
**Lad: Meu rapaz.
***boite: boate.
Nota do Autor: Mil desculpas pelo atraso x.x Eu realmente estou bastante ocupado! Mas, pelo menos, esse capítulo é maior do que a média ^^ Espero que tenha satisfeito, pelo menos um pouco, todos vocês. Agradeço aos reviews, muitíssimo obrigado! Não vou colocar todos os nomes aqui, porque são muitas pessoas, mas realmente agradeço. São vocês que ajudam, e muito, um ficwriter como eu, passando pela fase de cursinho, a escrever, mesmo que cansado. Obrigado. E esse ta legal, né? Acho que eu escrevi ele todo desse jeito noturno e com "feixes luminosos" porque to sentindo falta de baladinha! XDDD Sério! To precisando muito de uma. E esse capítulo é assim a balada dos sonhos de qualquer pessoa. Talvez não para pessoas héteras, mas enfim XD O Shura gostou huahuauh. De qualquer forma, espero que tenham gostado. Acrescentamos aí um novo casalsinho, né? ^~ Espero que tenham gostado das cenas do Saga e do Aioros.. estavam até simples, mas acho que não dava para complicar muito na situação em que eles estavam. Vamos ver o que vai acontecer agora com o Shaka e o Kanon. Não prometo um novo capítulo daqui a pouco tempo, mas vou fazer o possível, ok? Té mais e espero que estejam gostando.
