Capítulo 9 – A volta
Draco e Harry aparataram em frente ao portão da Mansão Malfoy. Harry o beijou na testa e beijou o bebê em seus braços.
- Vai dar tudo certo.
Os dois andaram pelo caminho de mãos dadas, somente as soltando quando atingiam o hall de entrada. Draco tomou a frente, se encaminhando para a sala de jantar. Lucius Malfoy estava sentado na cabeceira, tomando a sua sopa. Narcisa a sua direita e Scorpius a sua esquerda.
- PAI!
O garoto se levantou, deixando o guardanapo cair do colo ao chão, e correu para abraçar o loiro que entrava na sala. Draco passou a filha para Harry e envolveu seu filho nos braços, beijando-o os cabelos, tão loiros quanto os seus.
- Como você está? – perguntou, apertando-o contra o peito – Senti sua falta...
- Eu também... – o menino o abraçou de volta, só se soltando quando notou o bebê – É...
- Sophie. – Draco respondeu, sorrindo, ao ver o filho se aproximar de Harry, que lhe ofereceu o bebê.
- E aí, Scorpius?
- Beleza, Harry? É... É minha...
- Irmã. Quer segurar?
O garoto confirmou com a cabeça e Harry colocou a menina no seu colo, ensinando como ele deveria sustentá-la, mesmo que ele ainda estivesse todo sem jeito. Enquanto isso, Draco se aproximou da mesa, se dirigindo aos pais.
- Draco. – Narcisa se levantou e o abraçou também – Onde estava? Ficamos preocupados, mas Scorpius disse...
- Eu entrei em contato com ele. Me desculpe por sumir assim, mas é que muita coisa aconteceu...
- O que aconteceu de tão importante para que abandonasse a sua família? – a voz de Lucius o atingiu, reprovador.
Draco suspirou.
- Eu não abandonei minha família, pai. Astoria estava certa, eu a traía, e mesmo amando outra pessoa, eu não a abandonei. Mesmo quando motivos maiores me obrigaram a me afastar, eu procurei assim que pude o meu filho, para lhe dizer que não o estava abandonando.
- E esses motivos maiores incluem aquela criança, Draco? – a voz de Lucius parecia encher toda a sala e seus olhos não deixavam a figura de Harry, parada junto a Scorpius e Sophie, afastados.
- Sim, pai. Outros motivos é essa criança.
- E posso saber com que vadia você andou se esfregando?
- Não é tão simples assim, pai.
- Isso sempre foi simples, Draco, desde o começo da história. Homens traem suas esposas com mulheres mais fáceis e têm filhos ocasionais. Os poderosos as tiram delas ou são chantageados. Você apareceu na minha casa com uma criança. Onde está a mãe dela e, se ela não está aqui, quanto custou para você acabar com mais uma família?
- Pai... Não há outra mulher! Sophie é minha filha! Minha filha… e de Harry!
Sophie começou a chorar e Harry a tomou no colo novamente, tentando acalmá-la, mesmo que a tensão no ar fosse latente.
- Draco... – Harry o alertou.
- Desculpe. – ele voltou aos seus pais, que o encaravam, pasmos.
- O que você está querendo dizer, Draco? – Narcisa se recuperou primeiro.
- Eu estou dizendo que tive que me afastar da minha esposa e de meu filho de forma tão abrupta porque eu me vi grávido. Irremediavelmente grávido! E o senhor há de concordar comigo, pai, que para mim, como um Malfoy, não havia a opção de um aborto.
Narcisa se dirigiu vacilante até o bebê e Lucius se deixou cair na cadeira.
- Eu não acredito.
- Eu já esperava que não acreditasse. Se eu não sentisse meu corpo mudar e algo se mover dentro de mim, eu também não teria acreditado. Mas você pode fazer exames, testes, o que quiser. A genética de Sophie atesta que ela é filha de Draco Malfoy e Harry Potter, dois homens. Hermione Granger fez o parto e Scorpius me viu grávido, se precisar de testemunhas.
- Posso pegá-la? – a voz de Cissy chegou vacilante atrás de Draco, e ele se virou a tempo de ver sua mãe tomar o bebê dos braços de Harry.
- Pense no tempo em que eu fiquei afastado, pai... Pense na presença de Potter aqui... Olhe para essa criança... – Draco tornou a argumentar com seu pai.
A voz de Cissy começou a entoar um canto baixinho e o bebê se calou imediatamente, fazendo com que Draco voltasse a sua atenção para ela. Sua mãe passava de leve o dedo entre as sobrancelhas de Sophie, que piscava de forma sonolenta, até adormecer de vez. Narcissa levou os lábios até a testa da menina e falou algumas palavras baixinho. Draco sentiu um incômodo no baixo ventre e um arrepio. Olhou para Harry e o companheiro exibia um brilho azul em torno das mãos. Olhou para as próprias mãos e viu um brilho vermelho.
- Não há dúvidas, querido. – Narcissa se aproximou do filho e o beijou no rosto, sorrindo – Eu tenho muito orgulho de você. Gerar não é uma tarefa fácil, ainda mais para um homem.
- Cissy... Isso... Isso...
- É possível, Lucius, você sabe que é. Não é viável, não é praticável, não é explicável, mas é possível.
Lucius aceitou relutante o bebê que a esposa depositava em seus braços. Embalou a menina por alguns instantes, pensativo, andando em círculos pela sala, até suspirar e depositar um beijo sobre sua fronte, se voltando para o filho em voz bem mais baixa.
- O que você pretende fazer?
- Vou criar meus filhos. – Scorpius foi até Draco e o abraçou.
- Sozinho?
- Com a pessoa que eu amo.
Draco sentiu Harry se aproximar dele até poder vê-lo ao seu lado enquanto continuava fitando seu pai.
- Astoria não vai voltar.
- Eu não esperava que ela voltasse. Eu vou morar com Harry.
- Potter é um homem casado.
- Não serei mais em breve.
Lucius o olhou e continuou falando como se não o tivesse ouvido.
- Vocês são dois homens!
- Eu estou disposto a arcar com as conseqüências.
- Isso é inaceitável! – Lucius gritou e o bebê em seu colo voltou a chorar.
Draco se adiantou e pegou a filha, a embalando até que se acalmasse. Harry tomou a frente na discussão.
- Senhor Malfoy, o senhor e eu já tivemos nossas diferenças no passado. E nesse mesmo passado eu pude presenciar o amor que uniu a sua família em um dos momentos mais difíceis que alguém poderia passar. Eu sei que você é capaz de entender o que une duas pessoas, não importando o sexo, eu sei que você é capaz de entender o amor de um pai por um filho, e sei que o senhor não deseja realmente ver seu filho separado de um deles para viver um casamento de fachada junto com uma mulher que não pensou duas vezes antes de abandonar a família.
Draco o olhou sério, e Harry fez um sinal discreto para que se acalmasse.
- Por isso, eu suponho que a única coisa que realmente o impede de aprovar a decisão do seu filho de ser feliz ao lado da pessoa que ama, e eu digo com toda a convicção que o amo também e não vou abandoná-lo tão facilmente, é o fato de que sou eu, Harry Potter, que estou ao seu lado.
Harry olhou Lucius, que o encarou de volta, ofensivo, sem responder.
- E você ainda acredita que eu teria engravidado uma pessoa que me odeia desde que nasceu? Que foi criado para me matar? Isso não existe mais entre nós dois, Sr Malfoy. Nunca existiu realmente, você sabe. Eu, pelo menos, soube realmente naquela última batalha, e não tive medo de me apaixonar por ele quando isso ocorreu, porque eu confio no seu filho, acima do nome ou da história que ele carrega. E vou me unir a ele com ou sem o seu consentimento, assim que meu elo com Ginny for desfeito, pois eu sei com quem está a minha lealdade quando eu a entrego a alguém.
- E onde estava a sua lealdade quando você se uniu com ela, senhor Potter, para diluir esse elo tão facilmente?
- Nosso casamento se perdeu no tempo, senhor Malfoy. Ela não era mais minha esposa muito antes de eu me envolver com Draco. O senhor verá, não haverá dificuldades quanto a isso, e meus filhos vão ficar comigo.
- Ao que nos parece – Narcisa interveio – Nossos filhos são muito mais responsáveis por suas famílias do que suas esposas.
Harry a olhou incrédulo com a referência inclusiva feita a ele.
- Pai? – Draco ainda precisava da confirmação.
Lucius suspirou e encarou firme o filho.
- Eu não aprovo isso, Draco. E não será fácil aceitar. Mas você é adulto e faz suas escolhas. Eu, no passado, coloquei minhas crenças e relações pessoais à frente da família, e sofri muito vendo vocês arcando as conseqüências dos meus atos. Você está fazendo o oposto... Então, acho que isso pode dar certo...
Draco se aproximou, pousando uma mão em seu ombro, olhando firme no fundo dos olhos de seu pai. E Lucius sorriu.
oOo
Ron ouviu a campainha tocar e percebeu que Hermione ainda estava ocupada na cozinha com a louça do almoço.
- Deixa que eu atendo, amor.
- Obrigada. – ele sorriu em resposta. Já há algum tempo ele pensava se, agora que as crianças já estavam na escola, não era o momento de mudar um pouco a rotina dos dois e aproveitar mais a companhia de Hermione, como era no início do casamento.
Pensando nisso, foi com grande surpresa que se deparou com o melhor amigo – e cunhado – parado a porta de sua casa com uma criança nos braços.
- HARRY? – ele piscou por um momento, antes de pousar as mãos sobre os ombros do amigo – Cara, onde você esteve?
- Er... Estava... Ron, a Mione está?
- Sim, mas...
- Podemos falar com ela um momento?
Ron se ressaltou, procurando quem seria o "nós" daquela frase, e seus olhos se abriram de espanto ao ver a figura que estava parada alguns passos atrás de Harry.
- Ron, está tudo bem, querido... - Hermione o puxou pelos ombros, beijando a face de Harry e pegando a criança no colo – Oh, olá, Sophie... Já estava com saudades de você... Oh, por favor, entrem... Harry, não se faça de rogado e, sim, Malfoy, você é bem-vindo na minha casa. Por favor, sentem-se... Já almoçaram?
- Sim, obrigado. Nós comemos com meus pais. – Draco respondeu, baixo, ainda parecendo incerto quanto a se sentar, mas sua frase era carregada de significado.
Hermione parou, os olhando por um momento, então se sentou na poltrona em que Ron estivera, acomodando a menina em seu colo.
- Então é definitivo? Vocês estão de volta?
- Acho... Acho que não tem volta. – Harry olhou para Draco, interrogativo.
- Como estão as coisas, Granger? Quero dizer...
- A mesma coisa que eu apresentei para vocês. Shacklebolt está encrencado, não sai dessa tão cedo. Vocês vão...
- Alguém pode me dizer o que está acontecendo? – Ron inquiriu, pasmo, olhando de um a outro sentados em seu sofá.
- Ron, querido...
- Não, Hermione! Meu melhor amigo some por um ano, deixa a família, que, por acaso, inclui a minha irmã, e então aparece com Draco Malfoy – Draco franziu o cenho frente a forma como seu nome foi mencionado – e... e uma criança... Falando sobre almoços com os pais dele – Ron apontou para Draco, que começou a se levantar, mas foi impedido pela mão de Harry em seu braço. Ron balançou a cabeça, confuso – E o que o Ministro...?
- Ron, escute! Tem algo muito importante para mim acontecendo – Harry começou, se levantando e se aproximando do amigo, pousando as mãos em seus ombros –, e eu preciso da sua compreensão. Preciso... arrumar as coisas, antes de te contar exatamente o que aconteceu.
- Cara, se você está com problemas – Ron olhou desconfiado para Malfoy -, você sabe que pode contar com a gente, mas...
- Eu estou contando, Ron. Estou contando que você entenderá a situação e entenderá que eu ainda não posso explicar... detalhadamente... o problema. Só, por favor, só entenda que tem coisas acontecendo e que eu preciso do seu apoio agora. – Harry respirou fundo, encarando o amigo – E que respeite o Draco.
Ron lançou um olhar desconfiado para o loiro sentado no sofá, que o encarava sério, e voltou a olhar para Harry, fixando os olhos verdes por alguns segundos antes de concordar com a cabeça. Harry sorriu e o puxou para um abraço.
- Como... – Harry afastou o corpo do do amigo, encarando o chão – Como está a Ginny?
Ron olhou para o relógio parecido com o de sua mãe que se encontrava pendurado na parede da sua sala.
- Está embarcando para a Noruega em quinze minutos. Ela vai jogar o campeonato no leste europeu e volta em dois meses. As crianças vão ficar com a minha mãe...
- Dois meses!
Harry olhou aflito para Draco, que negou com a cabeça.
- Vai. – ele respondeu – Eu me viro com a Sophie. Espero você para conversarmos com o Kingsley.
Harry pegou o casaco que havia deixado próximo a porta e se debruçou sobre Draco, o beijando profundamente, antes de sair, fechando a porta, e aparatando dos jardins mesmo.
Draco desviou os olhos, pegando a filha do colo de Hermione, que tentava não rir com a expressão no rosto de Ron.
- Então... Onde vocês vão ficar? – Hermione perguntou, ainda sorrindo.
oOo
Harry abriu a porta e entrou devagar, reconhecendo o ambiente. Era uma sala grande, bem mobiliada e aconchegante. Tinha as luzes apagadas, mas, mais a frente, a luminosidade escapava de uma porta. Ele trancou a entrada, deixando as chaves sobre a mesinha de centro, e seguiu para o aposento a sua frente. Scorpius estava sentado à mesa da cozinha ampla e aparentemente tão limpa quanto a da Tia Petúnia. Ele recitava um trecho da lição para Draco, que dava papinha para uma Sophie agitada sobre a cadeira alta.
- Não, Scorpius, ascéfolo não pode ser acrescentado depois das raízes, você acaba alterando não somente o gosto, mas a potência da poção... – ele se interrompeu, encarando Harry, que havia parado à porta – Você se importa de terminar no quarto?
O menino seguiu o olhar do pai e concordou com a cabeça, se levantando e pegando Sophie no colo, deixando os materiais sobre a mesa. Draco sorriu para ele.
- Não vamos demorar, prometo.
O garoto passou por Harry sem cumprimentá-lo, sumindo no corredor. O moreno avançou alguns passos para dentro do aposento, e Draco se levantou, levando os utensílios que usara para alimentar Sophie para a pia e lavando as mãos.
- Imagino que Hermione tenha lhe dado as chaves. – constatou, secando as mãos.
- E o endereço.
- E o que te levou a acreditar que poderia simplesmente ir entrando na minha casa?
Harry respirou fundo.
- Achei que moraríamos juntos. Foi o que me propôs. Ficarmos juntos, uma família.
- E eu achei que tivesse ido atrás da sua família. O que foi? A Weasley não te quis de volta?
- Draco! – Harry suspirou, se acalmando – Eu fui atrás dela para pedir o divórcio. Eu pensei que isto tivesse ficado claro quando eu te deixei na casa da Hermione...
- Sim, naquele momento ficou. Mas isso foi há cinco dias atrás, Potter. E você não me mandou uma carta, não me deu notícia nenhuma por todo esse tempo. Você sequer se preocupou com onde eu e sua filha estaríamos dormindo. – a voz de Draco era fria e dura. Ele olhava fixamente para Harry, encostado na beira da pia, os braços cruzados contra o peito.
Harry respirou fundo, passando a mão no rosto, nervoso.
- Eu vou deixar uma coisa muito clara, Potter. As coisas mudaram entre nós. Não pense você que minha casa estará sempre aberta, que eu estarei sempre disponível às suas vontades, que é só você chegar aqui e dizer o que quer, para depois sumir sem dar satisfações. Eu já deixei minha família uma vez para ser seu amante. Não vou deixar de novo.
- Ela aceitou, Draco.
- Não me importa mais, Potter. Você falhou comigo.
- Isso não vai...
- Não, não vai. Saia.
- Draco... – Harry se aproximou, Draco sustentou seu olhar.
- Você não é bem-vindo aqui. Saia, Potter.
Harry parou a alguns passos do loiro.
- Eu não consegui pegá-la no aeroporto...
- Não me importa.
- Tive que esperar o próximo vôo, estava sem documentos, só embarquei de madrugada...
- Você podia ter ido de qualquer outra forma!
- Não, não podia. – Harry falou, triste, como quem constata o óbvio – Eu só a encontrei no dia seguinte, tive que esperar os treinos da manhã acabarem e conversamos...
- Me poupe dos detalhes. Quanto menos você disser, mais cedo sai da minha frente. – Draco disse com nojo na voz, se desviando de Harry e saindo da cozinha para a sala.
- Ela não queria se separar. Não sei por quê, ela resistiu. Tive que consultar um advogado, queria voltar o mais cedo, por isso não escrevi... Não tinha idéia de quando...
- Que dissesse o que estava acontecendo!
- Eu não sabia o que ia acontecer! Quando eu cheguei para conversar a segunda vez, ela tinha assinado os papéis, mas ainda tinha a questão dos filhos.
Draco voltou a dar as costas para ele, se afastando.
- Draco... Draco, eu estava na Noruega! Ela foi para a Rússia depois de um jogo na manhã seguinte e eu ainda não tinha a guarda dos meus filhos! Eu estava em trânsito, em um lugar estranho e incerto sobre o que ia acontecer!
Draco o encarava, irredutível.
- Você não pode me culpar por tentar retomar meus filhos! – Harry se descontrolou – Você fez tudo o que estava ao seu alcance para ter o Scorpius de volta! Não me culpe por agir da mesma forma! Eu voltei!
- O seu problema, Harry, é que você se esqueceu que tinha um filho que ficou aqui. – Draco abriu a porta de saída – Agora sua escolha está feita.
Harry se aproximou, o encarando, firme. E fechou a porta.
- Minha escolha foi ficar com você e com os meus filhos. Todos eles. Não vai ser agora que eu consegui isso que vou deixar tudo escapar assim.
Draco ainda o encarava, sério.
- O que está te incomodando, Draco? Você é inteligente... Não dar notícias não pode ter te magoado tanto... Eu sabia que vocês estariam seguros, Hermione e os seus pais estavam aqui para te dar apoio. E era pelo mínimo tempo possível. Eu não via a hora de voltar. Eu estava preocupado... Comigo, com vocês, com o que ia acontecer... Eu...
- Shiii – Draco pousou a mão sobre seu pulso, ainda apoiado na maçaneta da porta – Harry, você voltou por mim, pela sua filha ou pela obrigação?
- Se você ainda acha que há alguma obrigação depois de tudo o que eu fiz por você, Draco, eu...
- Não, tudo bem... – Draco afastou os cabelos dos olhos, e Harry percebeu que ele hesitava.
- Eu faria tudo pelos meus filhos, Draco. E eu tenho um compromisso com você. Eu não preciso de cobranças quanto a isso. Eu estou aqui, fazendo o possível para poder viver com vocês, em paz, e te fazer feliz.
Draco respirou fundo.
- E a Weasley?
- Deve estar congelando em cima de uma vassoura neste momento!
Draco riu. Harry se permitiu sorrir também, aproveitando para tocar seu rosto.
- Me perdoa?
Draco mordeu o lábio em hesitação por alguns segundos, antes de se permitir ser beijado.
- Eu não quero aquela ruiva na minha casa. – ele disse, sério.
Harry o olhou por alguns segundos antes de sorrir.
- Então posso trazer as crianças?
Draco rodou os olhos pelo apartamento.
- Seremos sete, Potter. Precisamos de um lugar maior.
oOo
Kingsley Shacklebolt era um homem racional, que costumava levar os compromissos que assumia muito a sério. Desde que seu principal compromisso havia se tornado comandar o Ministério da Magia Inglês e, com isso, o país, Kingsley não dormia muito.
Ele pegara o país em um momento crítico, pós-guerra, em que muitas atitudes emergenciais precisaram ser tomadas. Depois de um tempo, com muito esforço e não poucas tentativas de tirarem-no do poder, ele conseguiu voltar a priorizar o bem-estar da população e o desenvolvimento do país, estando extinta a possibilidade de atentados, golpes e ataques. A guerra havia definitivamente acabado apenas alguns anos depois da última batalha.
Durante todo esse processo de reestruturação, a figura de Harry Potter esteve, logicamente, em voga. E Harry, antes seu conhecido e companheiro na Ordem da Fênix, deixou de ser, para Kingsley, uma criança em meio a uma guerra, para se tornar um homem capaz de tomar decisões, liderar e responder pela responsabilidade que o título de "O Salvador" o conferia - embora ele negasse o título com todas as forças.
Mas o fato era que Kingsley Shacklebolt respeitava e admirava Harry Potter, e, em nenhum momento, arrependera-se de nomeá-lo para o cargo de Chefe dos Aurores. O trabalho que Potter vinha realizando durante todos aqueles anos trabalhando junto com ele no Ministério estava mais do que satisfatório.
Porém, Potter tinha resolvido desaparecer.
E o pior: não desapareceu sozinho. Draco Malfoy também sumira.
Não sumiram do nada, obviamente, mas as justificativas deixadas em seus respectivos departamentos só serviram para atrasar as investigações sobre os desaparecimentos. Potter poderia afirmar o quanto quisesse que estava em uma investigação particular, mas ninguém poderia ficar em uma investigação particular por quase um ano sem prestar satisfações aos superiores ou apresentar resultados ou simplesmente acompanhar os outros casos em andamento. Draco Malfoy poderia estar realmente doente, mas isso implicaria em ele estar se tratando em algum lugar, e ele não fora encontrado em nenhum dos lugares usualmente utilizados com esses fins, fosse na Inglaterra ou nos países próximos. E o fato de que fora o próprio Harry Potter quem assinara o pedido de afastamento de Draco Malfoy, somado ao fato de que nenhuma das famílias sabia dizer exatamente onde ambos se encontravam, estava perturbando o Ministro.
Casos de desaparecimento entre funcionários do Ministério já haviam sido ignorados antes e isso se mostrou um erro. Ele sentia o tempo martelando sua cabeça conforme os dias se passavam sem que conseguisse notícias dos seus dois funcionários. A imprensa já o pressionava e ele focava toda a sua lógica para não pensar que aquilo tudo podia ser reflexo da rivalidade infantil que ainda pairava entre os dois desaparecidos, mesmo tantos anos depois de saírem do colégio.
Descobrir o excesso de magia acumulado no departamento de mistérios, coincidentemente dirigido pelo desaparecido Draco Malfoy, não colaborou para as noites de sono de Kingsley Shacklebolt. Aquilo tudo, cada vez mais, soava como um bizarro quebra cabeça que ele não conseguia sequer discernir as peças.
Assim, o seu estado de tensão era tanto que sua secretária não estranhou o fato do ministro dispensá-la mais um dia após seu horário de trabalho, ficando sozinho no escritório até tarde da noite, refletindo.
Assim, a única reação de Kingsley, quando a porta de seu escritório se abriu no meio da noite, permitindo a entrada de Harry Potter e Draco Malfoy, foi se sentar reto em sua poltrona de espaldar alto, os olhando fixamente.
- Senhor Ministro, precisamos conversar. – Potter falou, depositando uma pasta sobre seu gabinete, e se sentando a sua frente junto a Draco Malfoy, que mantinha uma expressão decidida e séria no rosto, trazendo nos braços uma criança adormecida.
Kingsley Shacklebolt não dormia há dias. Estava sob pressão externa, da sociedade e da imprensa; e interna, do próprio Ministério, e até de governos estrangeiros devido aos dois senhores que se encontravam sentados a sua frente. Porém, ao encará-los e verificar - pelos gestos, forma de falar, e alguns feitiços feitos silenciosamente por debaixo da mesa - que eram eles mesmos, Kingsley não pôde deixar de sorrir, verificando que a preocupação com aqueles dois homens, que ainda chamaria de garotos se estivesse distraído, era muito maior do que toda a tensão.
E, sim, ele estava disposto a ouvi-los.
oOo
N/A: Bem... Não teve a conversa com a Ginny e os filhos do Harry que vcs tanto pediram, mas teve o encontro dos Malfoy como brinde inesperado. Gostaram??
Capítulo que vem – o último - tem a Grande Família XD
E desculpem a demora para postar dessa vez, mas é que ontem eu tava muito cansada e hoje perdi a hora pra aula. Acabou que só deu tempo agora na hora do almoço .
Mas já vou deixar certo com vocês: amanhã, nesse mesmo horário, eu posto o último, ok?
E pra quem vai ficar triste por acabar, eu tenho 5 fanfics ainda para postar, prontenhas: 4 oneshot e uma composta por 8 drabbles, que participaram do último Fest do PSF. Vou começar as postagens assim que terminar Vidas, talvez uma a cada dois dias ou menos. Acompanhem, ok? ;D
Beijos.
