Capítulo 9
Bella POV
"O que você está fazendo?" Eu gritei. A porta do meu carro fechou atrás de mim enquanto eu abraçava meu bloco de notas e pastas em meu peito. Avaliei a escada de alumínio encostada à casa com os olhos confusos e desconfiados.
Se ele a tivesse conseguido do galpão, provavelmente não era segura para usar, e eu não tinha interesse em uma ação judicial - se isso fosse possível.
Eu tenho que pesquisar isso.
Eu o vi enrijecer, uma mão segurando o degrau superior da escada, enquanto a outra parou seu movimento misterioso na beirada do meu telhado. Lentamente, sua cabeça virou, seus olhos arremessando para o meu rosto, antes de subir à minha cabeça. Ele exalou pesadamente, o corpo aliviando da sua postura rígida.
Sua reação estranha ao ver-me era comum. Suas últimas três visitas tinham todas começado assim - olhos cautelosos enquanto subiam para onde o meu cabelo estava amarrado em cima da minha cabeça. Levei muito tempo para deduzir o que ele estava sempre olhando com tal ansiedade. Eu não tinha esquecido a forma como ele olhou para mim naquela noite em que tínhamos jantado juntos e eu tinha soltado o meu cabelo - os olhos arregalados, o rosto pálido, engolindo rapidamente, os músculos tensos da sua mandíbula. Sempre fui uma pessoa observadora, eu tinha sempre me orgulhado de decifrar mistérios. O dele tinha tomado um longo tempo para quebrar, mas eu tinha o número dele.
Claramente, Edward tinha uma espécie de medo de cabelo - Chaetofobia*, possivelmente.
* Chaetofobia: medo de cabelo.
Eu procurei isso.
Edward me ofereceu um outro olhar rápido sobre o ombro antes de estender um punhado de folhas encharcadas. "Limpeza da calha." Ele respondeu, lama e sujeira escorrendo por entre seus dedos.
Enruguei meu nariz e me aproximei, esticando o pescoço para vê-lo. "Você não ia terminar a escada?"
Ele voltou a trabalhar, usando um grande pedaço de pau que ele tinha estabelecido no telhado para limpar as calhas das folhas molhadas. "Bem, quando eu vim, você não estava aqui, então eu percebi quando eu estava esperando..." Ele parou e olhou para baixo, seu cabelo liso e escuro da névoa matinal no ar.
Eu tinha estado pela cidade, procurando por toda esta situação do Dr. Aro. Eu estava casualmente fazendo perguntas sobre ele para os cidadãos - alguns colegas de trabalho e tal. A maioria das pessoas para quem eu tinha perguntado nem sabia quem ele era, o que foi um testemunho da sua ambigüidade, já que todos sabiam quem eram todos nesta cidade.
Sem responder sua pergunta silenciosa, respondi, "Isso não é necessário", e mudei o meu maço de arquivos para um lado, um pouco frustrada. Perguntei-me quando no inferno Edward tinha se tornado uma pessoa que superava todas as expectativas de forma tão flagrante. Parecia que ele encontrava algo extra para fazer a cada visita. Quando ele veio na semana passada para simplesmente "verificar" a fundação da escada, ele tinha também conseguido encontrar outra falha na casa que precisava de atenção: as pragas.
Claro, pareceu necessário o suficiente notar os danos causados pelos cupins, que estava relacionado à vulnerabilidade da escada, mas até ao final do dia seguinte, ele esteve no sótão, estabelecendo as armadilhas de rato, que era uma questão que continuava a incomodar-me.
Eu não queria matar os pobres ratinhos.
Ele balançou a cabeça e eu podia ver seu suspiro de onde eu estava. "Não é nada." Ele insistiu. "E, confie em mim, é muito necessário. Você tem alguma idéia do dano que calhas entupidas podem fazer à fundação de uma casa? A água pode até mesmo voltar para as paredes e o teto e-"
"Ok, ok!" Eu o parei, derrotada. "Só... há alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?" Eu ficava perguntando isso, mas ele geralmente encontrava desculpas que tornavam impossível eu ajudar, como a que envolve o assassinato brutal de mamíferos indefesos.
Seu sorriso mal era escondido enquanto ele empurrava a vara sobre o telhado, olhos focados. "Estou quase terminando." Ele descartou. "Estarei lá dentro depois que eu terminar...?" Ele fez uma pausa e então olhou para mim com uma expressão incerta. Ele não estava confortável na minha casa, ele estava sempre se mexendo e fazendo caretas e segurando seus braços desnecessariamente perto dos seus lados.
Era meio que impressionante.
"Está bem." Eu cedi, subindo os degraus e lançando-lhe um último olhar relutante antes de entrar em casa.
Apesar do meu desconforto inegável em tê-lo tão perto, eu não podia ignorar o meu sentimento irritante de alívio por ter alguém, não só para reparar a casa, mas também para simplesmente... estar aqui. Era um crédito definitivo à minha solidão que eu ainda me sentia assim, mesmo que fosse Edward Cullen. Não era como se ele estivesse perto de ser um amigo para mim, e nós nunca falamos sobre nada não relacionado às suas obrigações auto-impostas - e, mesmo assim, eu geralmente estava lutando com ele para fazer menos, e ele estava geralmente lutando comigo para fazer mais. Eu não sabia se eu poderia dizer que nós discutimos porque não era possível discutir com Edward. Ele sempre era rápido em me tranqüilizar, ou apresentar a situação de uma forma que eu não poderia debater.
Aqueles momentos de discordância estavam se tornando cada vez mais curtos. Eu justificava isto pelo raciocínio de que Edward tinha um talento para explicação e mudar de assunto. Ele era prático - com uma pitada de manipulação adicionada a isso.
Ele inclinaria sua cabeça apenas um pouco, e então ele declararia seu caso nesta voz calma e suave e auto-confiante, com todo o seu jargão de melhorias na casa e lógica simples. Além disso, recusando permitir o acesso dele ao meu sótão resultou em algo particularmente chocante. O verde dos seus olhos ficou escuro e desanimado, uma tristeza presente neles que puxou e cutucou meu coração sangrando interiormente.
Um coração sangrando? Por Edward Cullen? Era de rir.
Mas eu o deixaria porque havia apenas uma coisa no mundo pior do que me sentir em dívida com Edward Cullen - sem mencionar a matança inútil de animais inocentes - e isso era o meu arrastado e lento senso de compaixão pelas suas circunstâncias. Nada de bom pode vir disso. Eu queria salvar a minha compaixão pelas pessoas – e os pobres animais indefesos - a quem eu realmente achava merecedor de tal coisa.
Eu estava pensando amargamente nisto quando coloquei minhas coisas sobre a mesa, distraidamente folheando jornais, o nome de "Dr. Herbert Aro" impregnado dentro das frases e títulos de documentos. Seus ensaios sobre a eficiência financeira do sistema de saúde eram particularmente intrigantes, e tinham sido simples de se obter.
Eu tinha ido à biblioteca com a intenção de angariar a utilização do seu leitor de microfichas. Infelizmente, a bibliotecária era jovem e não tinha atualizado os filmes. Havia uma enorme lacuna no tempo que eu não estava confortável em negligenciar, então decidi que uma viagem para a sede real do jornal era necessária. Em vez disso, eu tinha tomado vantagem do acesso gratuito à Internet e tinha imprimido alguns dos trabalhos acadêmicos do Dr. Aro.
Eu não sei o que diabos estava sendo dito durante a maior parte deles, mas uma coisa era clara: Dr. Aro era um homem inteligente com idéias inovadoras. Ele estava na posição de salvar as cargas de dinheito do hospital. A pergunta era: o que ele estava fazendo com ele?
Os sons de uma longa e estrondosa raspagem interromperam meus devaneios, minha cabeça girando para a janela da cozinha a tempo de ver um flash da escada prata. Um acidente abafado que fez meu estômago guinar.
Oh, ótimo, pensei enquanto eu corria para a porta e a escancarava, saltando os degraus da varanda ao lado da casa. A última coisa que eu precisava era ser responsável por contas de hospital, ou pior.
Avistei Edward assim que ele lançou-se em seus pés, os olhos encontrando os meus imediatamente.
Ele enfiou as mãos nos bolsos, um empurrão sucinto e dissimulado dos seus ombros enviando uma folha caindo ao chão. "O que aconteceu?" Ele perguntou, as sobrancelhas levantadas.
Eu fiquei boquiaberta com a sua aparência amassada, observando a escada que estava no chão. "Você caiu!" Exclamei, estremecendo à visão dele. Ele tinha restos de coisas em seus cabelos, enquanto sua camisa de flanela, empurrada até os cotovelos, foi manchada com a mesma sujeira que ele esteve segurando momentos antes.
"Ah, isso?" Seus olhos foram para a escada e ele deu de ombros. "Não foi nada." Ele disse, um sorriso duro manchando seu rosto.
Meus olhos se estreitaram. "Isso não pareceu como nada." Repliquei, e certamente não se parecia como nada. Quando meus olhos lançaram um olhar irônico para o seu cabelo, Edward simplesmente zombou, esfregando os dedos por ele.
"Como eu disse, não foi nada." Ele deu de ombros novamente e passou por mim, declarando, "Vamos começar aquela grande escada".
Eu o observei do canto dos meus olhos enquanto me empoleirava no sofá, seus ombros dobrados alto em seus ouvidos, os músculos do seu antebraço flexionados e ondulados enquanto ele lixava o novo corrimão. Eu franzi os lábios enquanto ele orbitava a sua tarefa, auxiliando a sua perna direita.
"Tem certeza que você não quer um pouco de gelo, ou algo assim?" Perguntei pela terceira vez. Claramente, ele tinha se machucado e era muito orgulhoso para admitir isso.
Assim como um homem.
Ele exalou, estreitando os olhos. "Eu disse a você. Não foi nada." Ele disparou, lixando a madeira um pouco mais forte do que eu pensava necessário.
Revirei os olhos na amplificação dos sons abrasivos. "Como queira".
Olhei para a frente mais uma vez enquanto Vanna White empertigava do outro lado da minha tela, revelando que havia, de fato, dois 'S's.
"Sempre e para sempre." Eu murmurei, desocupada, tentando resolver o enigma. Edward bufou, tirando os meus olhos para onde ele estava, os lábios pressionados em uma linha fina. "O quê?" Eu perguntei, narinas dilatando contra minha vontade.
Ele balançou a cabeça, murmurando, "Não é uma coisa", enquanto ele continuou a trabalhar, contornando todo o corrimão.
Cruzei meus braços sobre o peito e fiz cara feia à frente, relaxando no sofá.
Era sempre difícil relaxar na sala de estar - não apenas porque Edward estava presente, mas porque a sala exalava a essência de Charlie. Às vezes, o espaço vazio no canto do meu olho pareceria cheio, como se ele estivesse ali sentado no sofá em sua posição habitual. Eu ficaria surpresa enquanto chicotearia minha cabeça para o lado com um suspiro, só para não encontrar nada além do ar e almofadas faltando em seu lugar.
"R." Exclamou a mulher com excesso de peso da televisão, alegre quando Pat confirmou que há dois "R" presentes no enigma. Quando perguntada se ela gostaria de resolver, ela bateu palmas e jovialmente, declarou, "PERDÃO E ESQUECER!"
Aplausos e gritos cortaram a tensão no ar, Edward silencioso e meticuloso um pouco além do arco. Eu podia ver a inclinação infinitesimal da sua cabeça, enquanto suas mãos trabalhavam mais rápido, enviando sprays de pó branco flutuando para o chão.
"Vou lá fora fumar um cigarro." Eu disse, ansiosa quando peguei o meu maço de cigarros do fim da mesa. Seu zumbido baixo serviu como entendimento enquanto eu passei por ele, minhas pegadas altas e rápidas.
O sol começava a se pôr e o ar estava frio, então eu abracei meus joelhos no meu peito uma vez que sentei nos degraus. Inalei uma longa e livre puxada de fumaça, e liberei as nuvens cinzentas flutuando no ar com exaladas lentas e abatidas.
Isso não funcionaria.
Sim, Edward tinha muito trabalho na casa para mantê-lo ocupado, mas eu precisava de um ponto final. Quando isto terminaria? Quando eu o perdoasse? Eu não estava confiante de que até mesmo uma casa em ruínas como a de Charlie continha trabalho manual suficiente para cumprir tal coisa. Eu poderia dizer a ele as palavras agora, mas, de alguma forma, eu sabia que Edward não se contentaria com isso.
Era cansativo, apenas considerando a quantidade de trabalho que ele teria de fazer para ganhar o meu perdão - sem nenhuma garantia de que algum dia poderia ser concedido. Ele era uma grande ajuda, e embora eu estivesse agradecida em muitos níveis, todos eram superficiais em comparação com o tipo de gratidão que pode convocar o perdão.
Eu estava cansada no momento em que entrei de volta em casa, esfregando o calor em meus braços quando fechei a porta atrás de mim. Fiz uma pausa para avaliar o trabalho de Edward, que, com toda honestidade, era impecável. Ele era bom com a madeira e ferramentas e martelos e... merda. Eu não sabia o nome. Eu não tinha sequer certeza de quais partes da escada haviam recebido sua atenção, mas o corrimão novo era orgulhoso e majestoso, branco no meio da mancha desbotada da madeira velha na qual foi anexado. Sua presença era bem como um local limpo em um chão sujo. Fazia tudo ao seu redor parecer sem brilho e envelhecido.
Edward empurrou seu cabelo dos seus olhos, virando-se para mim. "Posso envernizá-lo para combinar com a madeira." Ele disse, apontando para a superfície lisa e branca do corrimão. "Eu deveria fazer isso durante o dia, no entanto, assim você pode deixar a porta aberta. Pelos vapores." Ele explicou, enfiando as mãos nos bolsos.
Eu balancei a cabeça e corri meus dedos sobre ela, oferecendo, "Está ótimo. Obrigada." Eu sorri e encontrei seu olhar, sincero, mas superficial, mais uma vez.
Ele assentiu, lançando um olhar para cima nos degraus. "Eu deveria verificar as armadilhas. Se estiver tudo bem." Ele perguntou, apontando com o ombro em direção ao sótão.
Meu sorriso se transformou em uma linha apertada. "Sim, o que quer que você ache melhor. Eu tenho de me aprontar para o trabalho." Eu mantive minha cabeça abaixada quando passei por ele e subi as escadas, que já não rangia e gemia sob o meu peso. Bati meus pés contra ela extra-forte como resultado deste fato antes de mergulhar no meu quarto e fechar a porta.
Se eu tivesse sorte, eu não seria capaz de ouvi-lo matar os ratos presos que não haviam morrido ainda. Eu tinha visto Charlie fazer isso uma vez, quando eu morava aqui quando adolescente. Eles sempre ficam ruins durante o inverno e arranhariam o sótão durante as noites. Isso sempre me incomodou, um fato que havia sido a causa de muitas culpas no dia em que cheguei em casa para encontrá-lo descendo do sótão, um saco na mão. Quando eu vi o saco movendo, fiquei arrasada.
"O que está vivo já está gravemente ferido, Bells." Charlie tinha dito, suspirando quando apertou meu ombro. Ele nunca sabia o que fazer quando eu chorava, e minhas lágrimas vieram mais rápido com o gesto. "Eu estou fazendo a ele um favor." Ele explicou em voz mais baixa, espreitando para fora no corredor com a cabeça abaixada.
Ele os tinha matado nos fundos, sobre um rochedo que ficava à beira da linha da árvore, e eu chorei pelo ratinho a noite toda, chateada ainda mais com a minha incapacidade de ter dado a ele um enterro apropriado. Foi a última vez que Charlie foi tão descuidado, optando, em vez disso, por colocar armadilhas quando ele tinha certeza que eu tinha saído.
Meu estômago virou enquanto eu apressadamente me despi e vesti minhas calças de trabalho escura, camisa branca ainda cheirando ao Lodge, apesar de ter sido lavada. Eu podia ver a forma da pedra cinza da janela do meu quarto, e os sons de passos acima de mim fizeram meu peito doer com a pulsação acelerada.
Sentei-me na minha cama e esperei, examinando o quarto.
Estava descoberto em sua maior parte, minha antiga cama sendo a principal presença no espaço. Havia caixas que eu tinha enviado de Jacksonville ao longo da parede, que eu nem me incomodei em desempacotar. Elas estavam, na maior parte, cheias de roupas que não eram apropriadas para o clima de Washington, enquanto as caixas do andar de baixo estavam cheias de mercadorias de casa antigas do meu apartamento - panelas e lâmpadas que não se encaixavam com a decoração - ou a falta dela – da casa de Charlie .
Meu armário era ainda um pedaço pequeno branco de mobiliário que você encontraria no quarto de uma menina, as maçanetas decorativas e delicadas. Não havia espelhos, nem tapetes, nem cadeiras, e nada de cortinas. Toda a cena era simples e funcional, confortável em seu desconforto, e encontrei-me relaxada, mais uma vez, quando os sons dos passos cessaram.
Levantei-me e ajeitei minha blusa, andando até a porta e a jogando aberta.
"Jesus!" Gritei, saltando para trás.
Os punhos de Edward caíram do ar quando seus olhos arregalados e tristes encontraram os meus. Ele tinha um saco na mão, e eu agarrei meu estômago, estreitando os olhos para ele.
Ele jogou o peso para a perna presumivelmente ilesa, afastando-se da porta. "Sinto muito." Ele disse, desviando os olhos para o chão, enquanto coçava sua nuca, fazendo uma careta. "Eu só queria perguntar onde eu deveria livrar-me deles." Ele segurou o saco para cima para dar ênfase, e...
Ele estava se movendo.
Não foi um pequeno movimento também, mas, sim, o saco inteiro estava empurrando, indicando que havia mais de um rato ali – como ele tão insensivelmente colocou – precisando se livrar.
"Quantos você pegou?" Eu respirei, incapaz de olhar para o saco que ele segurava.
"Quatro".
Exalei asperamente. "Estão todos vivos?" Eu perguntei, projetando as palavras para ele com uma pitada de veneno. Quero dizer, sério, que falha. Se ele os tivesse definido direito, então quatro ratinhos não estariam sentados lá em cima de mim toda noite, silenciosamente sofrendo.
"Claro que eles estão vivos." Ele rejeitou, finalmente encontrando o meu olhar, com as sobrancelhas comprimidas. "Eu comprei ratoeiras que não matam, o que, você sabe, implica que o ponto é não matá-los." Ele fez uma pausa quando minhas sobrancelhas subiram, surpresa. "O quê?"
"Como você sabia que era para comprar ratoeiras que não matam?" Eu perguntei, embora eu interiormente repreendi-me por não saber que tal coisa existia.
Ele revirou os olhos e bagunçou seus cabelos, lábios rosados enrolando para um lado. "Bem, porra, Bella, eu não sou leitor de mente, nem nada, mas quando você me disse para 'apreciar a minha mutilação cruel das criaturas inofensivas com quem você partilhava sua casa', eu meio que consegui colocar dois e dois juntos." Ele estendeu a mão e a apoiou contra a moldura da porta, inclinando-se com uma expressão de expectativa.
O saco balançou contra a moldura.
Eu cobri minha boca com a mão e desviei o olhar, imaginando se eu poderia focar sobre o espaço vazio do meu quarto por tempo suficiente para que eu pudesse conter minha risada.
Não foi eficaz.
Uma risada escapou pelos meus dedos, e eu distribuí um olhar a Edward pelo canto do meu olho, encontrando seus lábios apertados em uma pobre tentativa de esconder o sorriso.
Minha risada era ofegante e aliviada quando finalmente a liberei, sacudindo a cabeça. "Eu não disse isso." Eu insisti.
O sorriso de Edward era cheio e atrevido agora, uma sobrancelha curvada. "Não, eu acredito que sua linguagem foi um pouco mais colorida, mas, o que seja. Ponto anotado." Ele apontou para o corredor e torceu o saco em suas mãos. "Onde eu deveria libertá-los?"
Foi com estranha alegria que eu o guiei pelo corredor, saltando as escadas com calma pulando degraus. Eu o guiei para a porta dos fundos e espiei por cima do ombro para ter certeza que ele ainda estava me seguindo. Seus lábios se curvaram em um sorriso quando os meus curvaram, e só havia luz suficiente lá fora para fazer o quintal visível.
Eu o levei através do jardim, após a seção sem grama onde o encanamento estava, e até a pedra que eu podia ver da janela do meu quarto. Pareceu-me adequado e respeitoso com a memória de inúmeros ratos que tinham sido eliminados em cima dela.
Parei ao lado da rocha, voltando-me para Edward com um sorriso incontido. "Aqui." Eu disse, olhando para a sacola com um tipo estranho e impaciente de entusiasmo.
Balançando a cabeça positivamente, ele agachou-se, os braços musculosos repousando sobre os joelhos quando ele cuidadosamente desenrolou o topo da prisão de tecido. Ele a colocou no chão antes de apertar o fundo entre as pontas de dois dedos e gentilmente empurrá-los para cima.
O primeiro rato a surgir do saco era cinza e minúsculo, apenas um adolescente. Seus olhos redondos demoraram apenas um breve momento para avaliar seus arredores antes de fugir rapidamente para dentro da floresta. O segundo era maior e não poupou um segundo de investigação antes de fugir. O terceiro e quarto surgiram ao mesmo instante, seguindo o exemplo dos outros.
Nós observamos até que todos eles tinham desaparecido, Edward juntou o saco em suas mãos quando finalmente saiu do chão.
Quebrei o silêncio com um gentil, "Obrigada".
Foi sincero, e não superficial, pelo menos.
Completamente ignorante quanto ao momento raro e sentimental que eu estava experimentando, Edward começou, "Você apenas tem que ser preventiva agora. Eles fazem todos os tipos de repelentes e coisas assim." Com um encolher de ombros e um último olhar para as árvores, ele se virou, botas macias contra o solo úmido atrás de mim.
Com passos lentos, eu trilhei atrás dele em direção à casa, o céu acima de nós banhando o quintal de um laranja morno e calmante. Ao chegar à porta, eu virei minha cabeça apenas o suficiente para pegar a pedra na minha visão periférica.
A pele dos meus braços entrou em erupção apruptamente, arrepios assustados. Chicoteei minha cabeça para o lado, só para ser encontrada com ar vazio e granito frio, mesmo que por uma fração de segundo – pelo canto da minha visão – aquele espaço pareceu preenchido com a mesma silhueta na forma de Charlie que eu às vezes sentia ao meu lado no sofá.
O pequeno prédio que abrigava as operações internas do The Forksian foi fácil de encontrar. Entrei pela antiga porta de vidro jateado, e minha narinas inflamaram com a familiaridade – o cheiro agradável de material de escritório misturado com o cheiro rústico de tinta e papel. Este jornal não era nada como o que eu tinha trabalhado em Jacksonville. Todo o edifício do The Forksian poderia caber na área da recepção do Diário de Jacksonville sozinha.
Uma ruiva de meia-idade, cheia de curvas, sentada à recepção para me cumprimentar, um sorriso emocionado iluminando seu rosto. "Bem-vinda ao The Forksian! Como eu posso ser útil?" Ela ajeitou suas costas e ocupou suas mãos arrumando um grampeador vermelho brilhante.
"A senhorita da biblioteca me disse que eu poderia encontrar um leitor de microfichas do Forksian aqui." Eu disse em referência à jovem que eu conheci. Eu estava adiando a tarefa de investigar aqui, como se fosse um pouco mais óbvio do que eu costumo fazer quando faço trabalhos de freelance.
Seu sorriso murchou. "Claro que sim. Através da sala lá de trás, Senhorita..." Ela parou com uma expressão cética.
"Swan." Eu sorri, efetivamente dissipando qualquer suspeita. Este era um lado positivo de viver em Forks. Meu nome era bem conhecido, e eu raramente recebia algum pesar. Se qualquer coisa, as pessoas corriam para satisfazer minhas necessidades. Tinha sido desconfortável no início, mas agora eu estava começando a ver as vantagens do comportamento estranho da cidade.
Em Jacksonville, teria me levado semanas para chegar a este ponto em uma investigação.
Meu principal objetivo era determinar se havia, ou não, um interesse especial do The Forksian na imagem pública do Dr. Aro. Não era indiferente a qualquer aspecto da mídia jogar toda a objetividade para fora da janela. Os sinais seriam óbvios: artigos de opinião pintando-o de uma forma positiva, a cobertura da sua presença em determinados eventos locais em destaque, e a ausência de comentários negativos na imprensa.
Levei quatro horas debruçada sobre o leitor de microfichas na sala escura dos fundos do edifício para determinar que o The Forksian não mostrava especial interesse nele. Eles definitivamente não estavam mostrando influência - eles eram simplesmente ignorantes. Na última semana, eu havia feito explorações sutis de sua posição no conselho de administração do hospital. Exteriormente, ele parecia como o cidadão honrado que todos acreditavam que ele era. Isto era, naturalmente, bastante suspeito. Ninguém é sem culpa. Ninguém é perfeito. Nem mesmo o Dr. Aro.
Com um suspiro, esfreguei meus olhos, visão turva pelas longas horas focando no monitor. Eu considerava que o The Forksian poderia realmente se beneficiar de um artigo desta natureza. Pelos olhares nele, sua reputação era segura, mas só porque eles abordaram temas seguros. A comunidade seria enviada em uma reviravolta com esse tipo de escândalo, especialmente vendo como isso seria feito com o objetivo de protegê-los. Isso era lógico - alertar um editor e permitir-lhes investigar a situação com sua influência.
Mas eu precisava disso.
Tanto eu precisava disso, que eu deliberadamente joguei fora o pessoal das minhas leituras por ler com atenção filmes aleatórios que não significavam nada para os meus interesses. Quadrinhos, artigos de comida, obituários da década de sessenta – veja só. Minhas espiadelas eram tão aleatórias, que eu estava completamente jogada até encontrar a face de um James Jensen olhando para mim.
Os cabelos da minha nuca se eriçaram, minha freqüência cardíaca aumentando à medida que eu recordava como Edward me contou da morte dele – a voz vazia que tinha demorado muito tempo no meu corredor naquela tarde, semanas atrás.
Eu realmente não me importva sobre como ele havia morrido, no entanto, eu seria uma mentirosa se eu dissesse que não tinha pensado nisso. Minha curiosidade era superficial, na melhor das hipóteses, e eu não tinha saído do meu caminho para procurar detalhes no dia em que Edward tinha fixado a tomada de luz da minha lavanderia. Na verdade, ele não tinha sido muito interessado em discussão depois que tínhamos comido, de qualquer maneira.
Eu nem sequer tentei justificar o meu interesse quando comecei a ler.
Um Homem Morto, Outro Gravemente Ferido em Acidente de Carro Fatal, Próximo ao Parque Industrial.
Segundo o artigo, "James Jensen, de Clallam County, 29 anos, foi mortalmente ferido quando o carro roubado que ele estava dirigindo bateu num poste de telefone, exatamente ao sul do parque industrial." Foi revelado que "condições climáticas ruins e excesso de velocidade" foram "acredita-se que os fatores que contribuíram", apesar de o médico legista ainda "aguardar os resultados de um relatório de toxicologia." Na época em que o artigo foi publicado, "O gabinete do juiz e a Patrulha Rodoviária Estadual continuavam a investigar o acidente".
O terceiro parágrafo no artigo dizia, "Ele não estava usando cinto de segurança".
Independentemente de todas as minhas tentativas para libertar o meu ódio, encontrei-me sendo indiferente em relação à morte de James. Mesmo quando eu li de sua mãe e o irmão mais novo que ele tinha deixado para trás, eu senti... nada. Foi alarmante num primeiro momento porque eu não queria considerar que tipo de pessoa isso me tornava.
Mas então eu continuei lendo, e eu fiquei mais do que simplesmente alarmada.
"Seu passageiro, Edward Cullen, foi relatado como em situação estável, mas em graves condições na noite de terça-feira".
Meus suspiros, curtos e inconstantes, acompanharam um rápido salto moral do meu estômago. Agarrei meu abdômen e rapidamente desliguei o monitor, apressadamente substituindo todos os filmes em suas posições certas entre as prateleiras empoeiradas.
A ruiva me ofereceu um sorriso cansado enquanto eu fugia do prédio, segurando minhas notas ao meu peito e esquivando-me através do chuvisco que estava começando a cair.
A volta para casa foi silenciosa e pensativa, meu limpadores preenchendo o espaço com gritos de borracha.
Eu sabia que ele estaria esperando quando cheguei, portanto, a visão dele sentado na minha varanda não foi nenhum choque. Mais uma vez, eu o tinha feito esperar por mim. Perdi a noção de tempo no The Forksian, e corri para recolher meus papéis enquanto eu tropeçava para fora do carro.
"Estou atrasada." Eu disse em tom de desculpas, tentando encontrar minhas chaves.
Edward se levantou e inclinou suas costas contra a coluna que subia para o telhado. "Sem problema." Ele disse sem encontrar meu olhar, as mãos aninhadas nos bolsos. Ele estava vestindo o que eu reconheci ser a sua roupa de trabalho, tendo provavelmente acabado de sair. Ele descansou a cabeça contra a madeira e parecia estar olhando para nada em particular, talvez perdido em pensamentos.
Olhei para ele de lado quando eu abri a porta, observando a barba espessa que se alinhava na sua mandíbula e suas pálpebras pesadas. Ele ainda não tinha visto o meu cabelo da maneira que ele normalmente faria, com olhos cautelosos e postura rígida. Em vez disso, ele seguiu silenciosamente atrás de mim quando eu abri a porta, embora ele a tenha deixado aberta por causa da aeração dos vapores de verniz.
A tarde continuou da mesma maneira que sempre era durante a visita de Edward. Ele começou a trabalhar enquanto eu cuidava das minhas coisas, apenas perguntando se eu poderia ajudá-lo e alguma coisa. Como de costume, a minha ajuda não era necessária, então eu fiquei na cozinha, onde procurei desculpas para permanecer ocupada.
O cheiro de verniz não era tão ruim, mas parecia perdurar no ar com uma borda dura que minhas narinas se recusavam a acostumar. Foi por isso que eu finalmente me levantei, arrastando para a porta dos fundos com o meu cigarro na mão, já que sair pela porta da frente me forçaria a passar por ele.
Talvez fosse a minha descoberta de mais cedo, ou talvez até mesmo o mau humor de Edward, mas algo sobre a atmosfera era cinzento e contemplativo – um contraste gritante com o calor laranja da última noite que ele veio.
Eu não gostei disso.
Sentei-me na varanda de trás, calmamente observando a chuva cair, até que os sons de Edward se aproximando fizeram minha cabeça virar.
Ele explicou, "Estou apenas esperando que seque para que eu possa adicionar uma segunda camada." E parou ao lado da porta, o rosto uma máscara inexpressiva.
"Ok".
Continuei fumando meu cigarro, enquanto olhava para o quintal. A grama já havia crescido um pouco, e eu estava antecipando o pedido de Edward para cortá-la a qualquer momento. Com a chuva veio um arrepio frio, que me fez agradecer pelo meu moletom enquanto o puxei mais apertado em torno do meu torso, consciente da presença sobre o meu ombro, mas relutante em considerá-lo.
Foi só então que notei o escuro moletom com capuz de Edward. Ele obviamente o pegou do seu carro, o que significava que ele saiu pela porta da frente, o que significava que ele estava preferindo esperar na minha companhia.
Estranho.
"Como está na Newton?" Eu solicitei, ansiosa para pelo menos fazer pequenas falas se ele ficaria aqui e invadiria meu espaço pacífico.
Sua resposta foi suave e baixa. "Uma merda".
"Oh." Eu balancei a cabeça, erguendo minhas sobrancelhas para mim mesma. Ele certamente estava sendo um inferno de desencorajador hoje. "Sinto muito." Eu forneci.
Ele deu de ombros, perguntando. "Como está o Lodge?" E empurrou as mãos nos bolsos do seu agasalho.
"Uma merda." Atirei-lhe um pequeno sorriso, só para ser encontrada com seu olhar perfurante, sem graça.
"Você não era garçonete na Flórida." Ele afirmou, e fiquei surpresa com a acusação atada ao seu tom.
"Não." Eu respondi, esboçando a sílaba com confusão. "Eu trabalhava em um jornal. Principalmente... apenas uma... faz-tudo." Esta era a minha principal razão para odiar meu antigo emprego. Eu sempre fui subestimada pelos altos funcionários, que muitas vezes eram apenas interessados em me usar para fazer seu trabalho sujo. Se eu tivesse ficado, eu provavelmente poderia ter trabalhado meu caminho até o topo, ultrapassando-os – o que eu teria, sem dúvida. Mas eu não tinha ficado, e a noção de começar de novo mais uma vez não parecia atraente para mim, e eu teria que começar tudo de novo, todo o caminho do fundo.
Meu diploma não era em jornalismo.
"Isso não é verdade." Ele disse no mesmo tom acusador. "Eu vi o seu artigo." Foi então que me virei para encará-lo, a respeito da sua imobilidade absoluta, o cabelo limpo que pairava sobre sua testa, e a tristeza de seus olhos.
"Qual artigo?" Eu perguntei, brevemente em pânico que ele tinha estado olhando através da minha pesquisa sobre o Dr. Aro. Essa peça era mais importante para mim do que eu podia fazer-me admitir. Seria simplesmente a minha sorte que Edward mostraria suas verdadeiras cores agora e arruinaria a minha vantagem revelando-me.
No entanto, sua resposta foi inesperada. "O que você escreveu na faculdade, sobre intimidação." Ele respondeu, lábios mal separando enquanto ele falava.
"Como?" Eu perguntei num sussurro, muito atordoada para encontrar a minha voz.
Aquele artigo tinha sido a minha primeira aventura no campo, e tinha sido tarde demais na hora de mudar a minha graduação quando percebi que eu prefiriria ter uma carreira no jornalismo do que em Inglês geral. O senso de propósito que eu tinha ganhado por trazer consciência para um assunto importante, e muitas vezes ignorado, tinha me afetado tão profundamente que eu nunca tinha colocado o meu diploma de Inglês em uso.
Ele murmurou rispidamente, "Internet" e, finalmente, quebrou o meu olhar, olhando para a ponta da sua bota enquanto empurrou uma folha rebelde ao redor.
"Oh".
Eu supunha que fazia sentido, só que não fazia nenhum sentido. Por que diabos Edward estava procurando pelos meus artigos na internet? E o que mais ele tinha encontrado? Que outras parcelas ambíguas da minha vida na Flórida ele tinha descoberto? Foi intrusivo, fez-me muito desconfortável - embora... eu fosse meio culpada de algo semelhante.
"Era... muito bom." Ele disse, puxando seu lábio inferior inteiro em sua boca.
"Obrigada".
Eu não era particularmente vaidosa, mas era mais do que apenas bom. Ele tinha ganhado um prêmio, e meus pais tinham adorado a realização de um diploma mortificante, muitas vezes se referindo a mim de brincadeira como uma "jornalista premiada". Eu coraria e rolaria meus olhos e bateria o pé como se estivesse frustrada com a atenção.
Ele abruptamente sussurrou, "É assim que você me vê?" Concedendo-me apenas uma rápida olhada debaixo dos seus cílios escuros, seus olhos ostentavam essa mesma tristeza que havia me estimulado a permitir o que eu pensava ser o assassinato de pequenas criaturas peludas.
"Eu não sei." Eu disse, virando o rosto para esconder a minha careta.
Na verdade, o artigo não tinha sido gentil com personalidades intimidadoras. Eu até mesmo trabalhei com estatísticas da faculdade e departamentos de ciência para comparar a hostilidade adolescente do sexo masculino à falta de comprimento do pênis. Eu tinha mantido a maioria disto no meu artigo, mas era um testamento para a minha imparcialidade. Olhando para trás, premiado ou não, ele não era nada além de objetivo.
Eu realmente não tinha como responder a ele. Eu definitivamente via Edward como uma dessas pessoas, mas não encontrava nenhum sentimento de satisfação em dizer isso a ele. Em vez disso, eu soltei uma gargalhada leve, levantando uma sobrancelha para ele. "Você sabe, minha mãe costumava me dizer que você tinha uma quedinha por mim." Informei, ansiosa para aliviar o clima.
Isso definitivamente aliviaria o clima, tão claramente, que era bastante cômico.
Os ombros soltos de Edward eram casuais e indiferentes. "Provavelmente, não muito longe de base." Ele respondeu, fazendo com que o meu queixo caísse mais uma vez.
O quê?
"O quê?" Eu perguntei, minha voz involuntariamente estridente. Se meu comentário não tinha sido divertido o suficiente, eu estava certa que a minha expressão deve ter sido.
Ele encontrou meu olhar, imperturbável, como se suas palavras não tivessem o enorme peso que de fato tiveram. Ele tirou uma mão do bolso e coçou distraidamente a sua mandíbula. "Não é isso o que os meninos fazem quando gostam de uma menina? Simplesmente... ferrar com elas, ou algo assim?" Ele pontuou isso com um tapa da sua palma caindo contra a sua coxa.
Eu resmunguei, "Sim, quando eles têm tipo... nove anos!"
Suas sobrancelhas levantaram juntas, franzindo sua testa. "Eu não sei o que diabos eu estava-" Ele fez uma pausa, e suas orelhas, embora na maior parte escondidas pelos cabelos, destacaram-se brilhantes contra o cinzento do céu, coloridas com uma cor de rosa vivo. "É só... parece outra vida. Eu não consigo canalizar mais aquela pessoa." Ele concluiu, suspirando quando encostou-se ao batente da porta. Ele olhou para longe. "Eu só queria dizer que você não deveria ter sido tão rápida em eliminar essa possibilidade, é tudo".
Para ele, o silêncio que se seguiu foi, provavelmente, embaraçoso e desconfortável. Para mim, não houve silêncio porque eu estava muito ocupada com a varredura das minhas lembranças para detectar quaisquer sinais de... atração? Isso não parece provável, um pouco. Mesmo que por algum salto grandioso o cara mais bonito da escola tivesse sido atraído por mim, Edward nunca tinha dado qualquer indicação disso. Nem mesmo em um toque inadequado, que era algo que eu estou certa de que a sua personalidade anterior não teria hesitado em fazer.
Eu finalmente decidi, "Eu acho que não." Porque ele pode não ter sido capaz de canalizar a pessoa que ele tinha sido uma vez, mas eu era capaz de canalizar a minha, e aquela pessoa não estava sendo brincada por causa do flerte. Eu tinha certeza disso.
Quase completamente certa disso.
Edward bufou. "Olha, há algum ponto nisso?" Ele perguntou, empurrando-se para a frente. Ele sacudiu a cabeça na direção da casa, seu moletom saliente quando ele ergueu as mãos por baixo do tecido. "Porque, se tudo o que eu estou fazendo está sendo uma dor enorme na sua bunda, então... eu não deveria. Eu não quero ser." Seus olhos eram mais culpados do que tristes enquanto ele mastigava o interior da sua bochecha, sua mandíbula se movendo de forma intermitente.
Esta foi a mesma pergunta que eu me fiz durante a sua última visita e, por um momento, eu não estava certa de como sequer responder. Então me lembrei de como eu tinha acabado naquele dia, o calor brilhante do sol e um sentimento de contentamento.
"Há um ponto para isso." Eu decidi, confiante quando encontrei seu olhar.
Ele exalou, juntando a frente do seu agasalho em suas mãos escondidas. Seus olhos se fecharam, mas quando abriram, eles estavam brilhando. Seus lábios subiram em um pequeno e aliviado sorriso. "Graças a Deus." Ele respirou, abaixando-se nos degraus ao meu lado. Ele olhou para mim, brincando, "Estou arriscando lesão corporal aqui".
Bufando, eu o cutuquei com meu ombro, o ato casual e inconsciente fazendo-me enrijecer subitamente. Eu repreendi, "Eu sabia que você se machucou caindo daquela escada".
Seus ombros se abalaram com a risada silenciosa enquanto ele apertou os lábios. "Confie em mim, eu já estive pior." Ele respondeu, cruzando os braços sobre os joelhos. Ele olhou para a frente na direção das árvores, uma expressão assombrada contaminando suas feições nítidas.
Eu senti aquele sobressalto similar do meu estômago, minha mão estendendo para agarrar uma dor fantasma que eu estava acabando de começar a entender. Enquanto eu observava seus olhos escuros, corpo curvado preguiçosamente sobre os joelhos ao meu lado, eu percebi que eu estava feliz por Edward não ter morrido naquele acidente – até mesmo chateada, com a simples idéia dessa possibilidade.
Isso não era o perdão total, mas era um bom começo.
Nota da Autora:
Então, quando meu pai morreu, todos na minha casa viam a forma dele pelo canto dos seus olhos. Eu não sei se isso é comum, e foi muito plausível que poderia ter sido alguma impressão nas nossas mentes, inconscientemente procurando por ele, mas isso sempre nos fez sentir protegidas, como se ele estivesse sempre lá. Enfim, não estou uma grande revelação de um Charlie, o fantasma camarada, ou nada assim. Apenas escrevendo pela experiência que eu tive.
Nota da Tradutora:
Nossa, então James morreu no mesmo acidente que Edward teve, que foi quando ele decidiu parar de beber… e parece que finalmente as coisas estão ficando mais claras e "leves" entre eles...
Deixem reviews e até quarta!
Bjs,
Ju
Dani BXB: infelizmente a autora não tem previsão de quando e se vai postar mais caps. dessa fic, é como eu tinha avisado desde o primeiro cap., então nós infelizmente teremos que esperar que ela decida voltar a escrever...
Obrigada a todas que deixaram reviews! Vou continuar postando apenas de quarta-feira mesmo, desculpem!
