Confiança
Rin adentrou sua casa tranquilamente. Jogou as chaves no chaveiro, e foi tomar um banho relaxante, afinal todos precisam do momento zen de cada dia. Porém aquela tranqüilidade logo foi ao fim.
- NÃO QUERO MAIS SABER DE VOCÊ! SAIA DA MINHA PORTA.
O som da porta sendo praticamente estraçalhada chamou atenção de Rin que correu apenas de toalha para ver o que estava acontecendo.
- Jesus! O que está havendo?
- Desculpe mamãe... – o semblante de Nagisa revelava mais uma briga entre ela e Matt.
- Tudo bem, eu acho. O que aconteceu?
- O de sempre né? – Nagisa jogou-se no sofá e bufou – cansei sabe? – gesticulava – ele passou dos limites dessa vez.
- Em que sentido querida?
- Ele estava praticamente tirando a roupa da Yuka e vem me dizer que não estava me traindo novamente? Poupe-me.
- Entendo... Vai ver o melhor é terminar mesmo.
- Aham.
- Bom, eu vou me trocar.
Seguindo em direção ao quarto e escolhendo um pijama aleatório não pode privar-se de pensar em Nagisa, ela estava ali na sala vulnerável, deveria ter algo que sua mãe pudesse fazer para acalmá-la. Então se sentou ao lado dela.
- Que tal se eu continuar contando a história? O que me diz?
- Agora não mãe, sei lá, deixa pra outra hora...
- Ânimo menina, não podemos nos rebaixar – tentou sorrir, mas Nagisa não a acompanhou.
- Está bem. Conte-me, quem sabe um pouco de distração melhora meu ânimo...
- Então vamos lá! Tomoya havia me seguido até o aeroporto e pediu para escolher, então terminamos, depois disso...
- Hey, você não me contou essa parte! – olhou-a indignada.
- Não contei? Ah sim, contei a seu pai.
- Atualize-me.
- Está bem.
Rin continuou contando, gesticulando sempre até chegar à parte atual.
Cheguei à casa da minha avó Nani totalmente cansada. Mas não cansada fisicamente, apenas psicologicamente. Tomoya não saia da minha cabeça, mas eu precisava ver Sesshoumaru. Estava decidida a algo. Não conseguiria escolher entre eles assim, primeiro eu veria Sesshoumaru, mas se ele não despertasse em mim algo que Tomoya já não fazia há tempos, eu então deveria escolher o seguro.
- Vovó! – corri e abracei-a – como está?
- Ótima querida, e você?
Conversamos por algum tempo, até eu chegar ao assunto que realmente me interessava.
- Vovó... E Sesshoumaru, como vai? – indaguei como quem não quer nada.
- Muito bem Darling, ele está trabalhando muito com Saburo na empresa, e está indo muito bem, ele voltará para o Japão para o segundo ano da Faculdade.
- Ele... Não está por aqui?
- Não, claro que não, ele está ficando na casa de Saburo, por quê? – olhava-me desconfiada.
- Nada... Nada, só queria cumprimentá-lo – sorri falsamente – Vou guardar minhas coisas.
Corri escadas acima, entrei naquele quarto nostálgico, conseguia ainda sentir o cheiro dele exalando por ali. Era um modo de poder recordá-lo. Joguei minhas malas em cima da cama, tirei algumas roupas de dentro, mas subitamente parei.
Comecei a sentir dentro de mim uma dor que parecia estar adormecida. Cai de leve próxima a cama e chorei. Creio que era isso que eu estava precisando, chorar um pouco, sentir a dor de ter perdido Tomoya, suportar o fato de que ele não me amava mais como antes e de que eu não tinha ideia de quem eu poderia escolher. Imagens dos dois pairavam sobre a minha cabeça, lembranças, dias felizes que passamos juntos. Noites que passei com Sesshoumaru, jantares românticos com Tomoya, etc. Agora eram apenas coisas do passado.
Nos dias seguintes colei em minha avó, passávamos a maior parte dos dias juntas, cozinhando, mexendo no jardim, passeando ou qualquer coisa do tipo. Inuyasha não estava na mansão, tinha ido passar as férias em um acampamento qualquer, o nome é irrelevante. Só que aquela sexta-feira marcou as minhas férias.
- Querida, pegue dois ovos para mim na geladeira.
- Claro vovó – eu direcionei-me a geladeira quando a campainha tocou – Eu atendo!
Corri tranquilamente e atendi a porta, meu coração deu um pulo e meus olhos se petrificaram.
- O-olá Sesshoumaru - gaguejei.
- Rin, que bom vê-la – ele sorriu de canto, mas foi um sorriso frouxo nada emocionante como deveria soar. O que realmente me intrigou foi aquela figura feminina que permanecia ao seu lado.
- E essa é...?
- Ah sim, que indelicadeza a minha, essa é Kagura, minha namorada - ela sorriu falsamente pra mim e abraçou forte Sesshoumaru.
Pronto. Foi o bastante para meu chão desmoronar, depois dessas palavras peculiares eu fiquei tão imóvel que mal senti minha avó chegar e pedir para que entrassem. Permaneci ali em frente à porta até que minha avó preocupou-se e achava que eu deveria ir ao médico.
- Não é sério vovó, eu estou bem, só foi um pequeno devaneio, te juro – disfarcei.
Seguimos todos para a cozinha e sentamo-nos à mesa principal para comer algumas panquecas de café da manhã. Tudo correu normalmente, minha avó bajulava Sesshoumaru até o fim e eu me mantive quieta.
- Com certeza Nani-sensei – sorriu – Será que podemos passar alguns dias aqui? Kagura disse que precisava conhecê-la.
- Mas é claro querido! Como não, vou arrumar o quarto de vocês agorinha mesmo, venha Kagura, vou mostrar-lhe a casa – puxou Kagura pelo braço e levou-a embora, exatamente o que eu queria.
- Você está quieta, que milagre é esse? – mirou-me.
- Eu? Ahn, nada. Somente pensativa.
- Pensando em que?
- Nada interessante.
- Ótimo, entretenha-me.
- Muito engraçadinho – ironizei – Então heim, namorada né?
- Pois é.
- Quando a conheceu? – indaguei.
- Há um tempo.
- Trabalha com você?
- Sim.
- Ela vai para o Japão?
- Que isso? Questionário policial? – olhou-me assustado.
- Desculpe-me... – choraminguei.
- Ciúmes dona Rin?
- Claro que não! Que absurdo – exaltei-me.
- E como vai Tomoya?
- Pouco me interessa.
- Uau, que agressividade - tirava sarro.
- Terminamos.
Ele mostrou certo espanto em sua face, mas logo voltou ao semblante indiferente.
- Entendo.
- Fico feliz por você e Kagura – sorri falsamente.
- Claro que fica – ironizou.
Nesse instante as duas voltaram, minha avó acabou levando-os embora para longe de mim, e eu permaneci ali desnorteada.
À noite quando me deitei para dormir ouvi um barulho familiar, era porta de minha varanda se abrindo.
- Você tem noção de que tem uma namorada agora não é mesmo? – fiquei na mesma posição olhando a porta do quarto.
- Claro que tenho, mas o que os olhos não vêm o coração não sente.
- Muito sutil – me virei e olhei-o, era maravilhoso poder admirá-lo novamente – eu... Senti sua falta.
- Eu sei – caçoou.
- Sem graça.
- Eu também senti sua falta.
O silêncio pairou.
- Então, o que o traz aqui? – indaguei depois de alguns instantes.
- Só queria botar o papo em dia.
- Aham, finjo que acredito.
- Eu só... Precisava ver se você está bem.
- Estou ótima – menti.
- Não parece ótima.
- Eu engano bem.
- Não a mim – encarou-me meio que dizendo "Diga-me o que aconteceu".
- Está bem, eu estou um caco, era isso que você queria ouvir?
- Lógico que não – foi aproximando-se de mim e meu corpo estremecia. Sentou-se ao meu lado e abraçou-me – o que aconteceu?
- Eu estava no aeroporto e Tomoya apareceu. Pediu-me para escolher entre você e ele. Um absurdo. Eu apenas optei por não escolher, então acabou – segurava as lágrimas.
- Vai ficar tudo bem – acariciou meus cabelos.
Ver aquele outro lado de Sesshoumaru era uma mistura de medo e aconchego. Apenas fechei os olhos e aproveitei o momento, afinal não é todo dia que o Sesshoumaru te consola. Permanecemos ali em silêncio por um tempo indeterminado.
- Eu preciso ir.
- Ela está dormindo com você? – indaguei disfarçadamente e subitamente.
- Rin nós somos adultos, Nani-sensei não nos colocaria em quartos separados.
- Claro... Claro, você tem razão – suspirei um pouco – vocês... Transam?
- Você anda bem curiosa mocinha – caçoou de mim e deu uma risada natural, completamente inusitado.
- Eu? Lógico que não, aff. Mas e ai, não vai me responder?
- Você não tem limites – sorriu – sim Rin, nós transamos.
- Sério? – mostrei-me espantada.
- Lembre-se somos adultos e namorados.
- Mas isso não justifica.
- Ah não? E o que justifica?
- Sei lá.
- Já que seus argumentos e perguntas acabaram eu vou embora ok?
- Fica please!
- Aqui não é como na sua casa – soltou-me bruscamente - e afinal, você é apenas uma criança - saiu varanda afora.
Uma criança? Quem ele pensa que é? Ele não pode simplesmente deduzir isso! Ah ele ia ver. E como ia. Na manhã seguinte eu estava com a mão coçando para dizer-lhes umas poucas e boas, porém por acaso acabei trombando com Kagura no corredor.
- Desculpe!
- Não tem problema – ela me olhou de cima a baixo, como se analisasse a mim – querida.
- Onde está Sesshoumaru? – sorri.
- Pra sua sorte bem longe daqui. Eu sei sobre vocês dois.
- Sabe o que? – fingi não entender.
- Você acha que eu tenho cara de ótaria?
- Bom...
- Não responda. Apenas fique longe dele – saiu andando.
Aqueles dois pareciam ter decidido de uma vez por todas me estressar, mal pude me segurar, minha vontade realmente era de pular no pescoço daquela víbora, porém me contive. Minha avó por mais que não fosse muito com a cara de Kagura a levou para fazer compras, queria mostrar-lhe as redondezas, ou algo que desconheço, pois é o mesmo em todos os lugares. Sesshoumaru por si ficou no escritório, parecia um grande empresário sem tempo para respirar.
Foi nesse momento que tive uma grande ideia. Deixei um pequeno bilhetinho na porta do escritório e fui para meu quarto. Esperei na verdade mais do que imaginava, mas o que eu planejava aconteceu.
Sesshoumaru saiu do escritório e logo viu aquele pequeno pedaço de papel.
- "Meu quarto. Agora. Rin" - leu em voz alta - isso vai ser interessante.
Ele subiu as escadas normalmente, deduziu que não houvesse ninguém em casa e bateu na porta. Por mais incrível que pareça ele bateu na porta. Sempre invadia minha privacidade a hora que bem entendia, porém dessa vez bateu.
- Entre.
Seu espanto foi evidente. Eu estava ali em sua frente usando somente calcinha e sutiã, olhava para o chão um pouco tímida e deixava que a falha luz do sol iluminasse minhas curvas que as roupas escondiam.
- Rin, o que significa isso? – correu em minha direção, tirou sua blusa de frio e enrolou em mim.
- Eu só...
- O que acha que está fazendo? – gritava comigo, seu rosto estava furioso.
- Desculpe – choraminguei – eu só queria provar pra você que eu não sou uma criança! – exaltei-me também.
- Assim que você quer provar? Está sendo ridícula – seu rosto permanecia tão colado ao meu que sua respiração se misturava com a minha.
Não me contive. Não teria como. Eu aposto que qualquer um não se agüentaria e comigo não foi diferente. Virei para poder vê-lo e beijei-o. No começo ele resistiu, mas logo se entregou aquele beijo que eu sei que ele também desejava. Em meio a tantos outros beijos que se seguiram a blusa de frio de Sesshoumaru caiu no chão e meu corpo seminu estava colado ao seu.
- Pois é Nagisa, pulando essa parte, após esse dia...
- Nãããão! Nem pensar. Você não vai fazer isso comigo. Me conta, você perde? – seus olhos brilhavam.
- Digamos que...
- Não me enrole mãe.
- Está bem, é esse o dia.
- Então eu quero mínimos detalhes, não fuja, se não eu pergunto pro papai, tenho certeza de que ele me contará.
- Ok, não da pra fugir de você – revirou os olhos – continuarei.
Foram diversas caricias, seguidas de confissões. Inclinou meu corpo levemente e deitou-me na cama, meu corpo estremecia e cada pêlo meu arrepiava-se, minhas pernas tremiam e temiam do que estava por vir.
- Sesshy...
- Não me chame assim pirralha – sussurrou ao meu ouvido.
Assim que eu estava deitada ele subiu por cima de mim e arrancou sua camisa fora, revelando um abdômen magnífico, eu estava perdida nele por inteiro que mal pude perceber quando ele também tirou suas calças, sendo assim sua cueca revelou o que ele queria tanto quanto eu. Logo eu me assustei, nós realmente estávamos ali e o nervosismo tomava conta do meu corpo. E se eu não conseguisse agradá-lo? E se doesse por eu estar tão nervosa? Eram tantas indagações que invadiam minha mente que decidi desistir.
- Sesshy eu... Estou com cólica – desviei-me e tentei sair de baixo dele.
- O que? – parou de beijar meu pescoço e espantou-se – você está falando sério?
- Claro! – eu buscava desesperadamente sair.
- Rin – ele tentava me acalmar – Rin! Olhe pra mim, acalme-se, você não confia em mim?
Taí. Eu confiava, é claro, mas... E o medo? E o desespero? E a vergonha? Eu enfiava onde?
- Claro que eu confio – mirava-o.
- Então relaxe...
- Acho que já está muito bom pra você.
- Não! Nossa não faça isso comigo, até eu estou toda arrepiada.
- Engraçadinha, mas pararei por aqui. Vou pensar se te conto o resto – beijou a testa da filha – anime-se. Eu amo você – e saiu andando em direção ao quarto.
- Obrigada viu manhê! – gritou – me deixou aqui na vontade.
