Relativo


Você deu as mãos pra mim e sorriu. Seu sorriso maravilhoso que quase me deixava sem jeito.

"Você está nervosa?"

"Ansiosa, na verdade." Eu respondi de bate e pronto e me arrependi. Você tinha dito para evitar isso, mas riu. Riu porque estava feliz, porque estávamos ali, prestes a aparatar para a casa de seus pais, prontos para enfrentar um mundo inteiro para ficarmos juntos.

E chegamos, e eu fui entrando, pedindo licença, colocando um guardanapo no colo e contemplando aquele monte de garfos. Seu pai não sentou-se a mesa conosco, mas sua mãe foi muito gentil. Haviam três copos diferentes e tanta comida que eu não entendi como você conseguia manter a forma.

Nos levantamos pedindo licença e fomos para a sacada do seu quarto, você me beijou e passou a mão pela minha cintura. E eu estava segura, mesmo sem fazer parte daquele mundo que era só seu.

Veio seu pai, e pelo menos quatro empregadas diferentes. Deitamos naquela cama grande demais para nós dois, mas pequena para todo nosso amor. Ficamos parados por horas, você enrolando mechas do meu cabelo, e eu mergulhada nos seus olhos. E eu percebi que enquanto nossas mãos estivesse entrelaçadas eu me encaixaria em qualquer lugar que fosse.


N/A: Escrita para o projeto Goodnight Bad Morning 4.0, com o quote "Não nasci para isso. Não é o que eu faço. Não sou... Não encaixo perfeitamente" A Sombra e a Escuridão (Scila). Espero que gostem!