POV Edward

- Procurando por uma cura - diz Bella de dentro do armário com a voz abafada.

Eu ando da mesa até a cama passando por cima do tapete persa que cruza o quarto. Tem uma foto emoldurada em cima da mesa de cabeceira. É de uma mulher bonita, franzindo os olhos contra o sol e sorrindo. É a mãe dela. Não sei como logo percebi isso. Mas simplesmente percebi.

- Uma cura para quê? - eu pergunto, pegando a foto para olhar mais de perto. Ah, sim, ali estão eles. Os lábios de Bella. Lábios que, conforme eu não pude evitar de notar, são um pouco curvados nas extremidades. Mesmo quando ela está brava.

- Vampirismo - responde Bella. Ela ressurgiu do armário segurando um vestido vermelho longo envolto em um plástico transparente de lavanderia.

- Olha - eu digo -, odeio ter que lhe dizer isso, Bella, mas vampiros não existem. Nem vampirismo. Ou, sei lá, essas outras coisas desse tipo.

- Ah, não? - Os cantos da boca de Bella estão mais curvados do que nunca.

- Os vampiros foram inventados por aquele cara. - Ela começa a rir da minha cara. Eu não importo, no entanto, porque é a Bella. É melhor ela rir de mim do que me ignorar, que é o que ela fazia antes disso tudo. - Aquele cara do Drácula, lembra?

- Bram Stoker não inventou os vampiros - diz Bella, agora sem sorrir -, nem o Drácula, que, inclusive, trata-se de um personagem histórico real, não de uma lenda.

- Tá, mas um cara que bebe sangue e se transforma em morcego? Ah, fala sério.

- Vampiros existem, Edward - diz Bella com calma. Eu gosto da forma como ela diz meu nome. Gosto tanto que nem percebo que ela está prestando atenção na foto que está na minha mão. - Assim como suas vítimas também existem.

Sigo a direção do seu olhar e quase deixo a foto cair.

- Bella - eu digo. É tudo que eu consigo pensar em dizer. - É a sua... sua mãe? Ela é... ela já...

- Ela ainda está viva - diz Bella, virando-se para colocar o vestido vermelho, que ainda está dentro do plástico, em cima da cama -, se é que podemos chamar aquilo de vida - ela completa, como se estivesse somente pensando alto.

- Bella... - digo em um tom de voz diferente. Não dá para acreditar.

Mas o pior é que eu acredito. Alguma coisa no rosto dela me diz que ela não está mentindo - e me faz ter vontade de abraçá-la. Alice diria que isso é sexismo. Tudo bem.

Então solto o lábio que eu mastigava sem parar e sem perceber.

- É por isso que seu pai...

- Ele não foi sempre assim - diz ela sem olhar para mim. - Ele era diferente, quando mamãe estava aqui. Ele... ele acha que pode encontrar uma cura. - Ela se senta na cama ao lado do vestido. - Ele não acredita que só existe uma maneira de tê-la de volta. E que é somente matando o vampiro que a transformou em um deles.

- James - completo, me afundando ao seu lado na cama. Agora tudo faz sentido. Eu acho.

- Não - diz Bella, mexendo a cabeça rapidamente -, o pai dele. Que, a propósito, leva o nome original da família Drácula. O filho dele é que prefere ser chamado de Volturi, por ser menos despretensioso e mais moderno.

- Então... por que você está tentando matar o filho do Drácula, se é o pai dele que... - Eu nem consigo acabar a frase. Por sorte, isso nem se faz necessário.

Os ombros de Bella estão curvados para frente.

- Se matar o único filho não o fizer sair do esconderijo para que eu possa matá-lo, então não sei mais o que fazer.

- Isso não é... um pouco perigoso? - pergunto. Não acredito que estou aqui falando sobre isso. E também não acredito que estou no quarto da Bella da aula de história americana. - O que eu quero dizer é que o Drácula não é tipo o chefe de todo o esquema?

- É - diz Bella, olhando para a foto que eu havia colocado entre nós -, e quando ele morrer, mamãe finalmente vai estar livre.

"E o pai dela não precisará mais se preocupar com a cura para o vampirismo", penso, mas guardo para mim.

- Por que o Volturi não, sei lá, simplesmente não transformou a Rosalie logo hoje à noite? - pergunto. Até porque isso está me intrigando. Isso e tantas outras coisas. - Assim, por que ele não fez isso de uma vez lá na boate?

- Porque ele gosta de brincar com a comida dele - diz Bella friamente -, exatamente como o pai.