Capítulo 8
Harry estava confuso. Fazia bastantes dias que ele e Draco estavam distantes, e não conseguia perceber o porquê. Cada vez que tentava estar com o loiro, ou apenas falar com ele, Draco o afastava, muitas vezes com desculpas de que tinha coisas a fazer, ou simplesmente estava muito cansado. Harry não acreditava em nenhuma.
Sentia-se preocupado e triste, e não conseguia pensar em outra coisa. Será que tinha dado algum passo em falso na relação que Draco não havia gostado, que o fez afastar-se? Será que não queria mais estar com ele, que tinha perdido o gosto, que lhe tinha perdido o interesse? Era-lhe difícil pensar nestas situações. Ainda era um pouco estranho, mas não tinha problemas em admitir que gostava de Draco e queria ficar com ele. Mesmo que não o tornassem público, não já, mas queria. Aquela relação fazia o feliz. Draco era uma pessoa completamente diferente agora, diferente do que ele tinha imaginado. Draco fazia-lhe bem. E ele não queria perder nada disso.
Tinha de encontrar o loiro. Talvez ele estivesse mesmo chateado, talvez ele quisesse mesmo ficar longe dele, por alguma razão mas, se assim fosse, e Draco não o quisesse mais, teria que lhe dizer agora. Ele sentia que ia ficar destroçado e esperava, com tudo o que tinha, que esse não fosse o caso mas se sim, era preferível saber do que não saber, e continuarem assim, afastados.
Harry caminhava pelos corredores. O seu passo era acelerado, e ele não dava conta do que se passava à sua volta. A sua respiração era também rápida, os seus olhos estavam fixos no caminho em frente, estava apenas focado em encontrar quem pretendia e, mentalmente, tentava se preparar para o pior.
Ao fim de longos minutos, avistou o outro garoto que, reparando em Harry se dirigindo a ele, virou costas e andou para o outro lado. Mas dessa vez, o moreno não ia desistir, não podia. Correu então atrás do loiro, conseguindo-o alcançar pouco depois. Agarrou-o pelo braço e puxou. Draco olhou para Harry durante uns segundos, apenas para logo em seguida suspirar e olhar o chão. Tinha um ar muito cansado, e tinha olheiras evidentes.
- Draco.. – Harry começou. Porém, não teve tempo para continuar, sendo interrompido pelo outro.
- O que você quer? – Draco perguntou, em um tom sério e mais agressivo que o normal. – E larga o meu braço. – O Gryffindor deu um passo atrás e, lentamente, largou o braço dele, surpreso e parecendo também um pouco magoado. Clareou a garganta antes de falar.
- Precisamos de falar. Eu preciso de saber Draco, porque está assim comigo, porque estamos afastados. Foi algo que eu fiz, o que aconteceu?
- Potter, não interessa mais. Simplesmente.. não quero, não interessa.
Harry não gostou. Ambas as suas mãos foram rápidas a empurrar o Slytherin contra a parede, a face deste último deixando transparecer, durando uma fração de segundo, dor por causa da força do impacto. Chegando mais perto, uma das mãos de Harry continuava encostada ao peito do outro garoto, pressionando.
- Não me fala assim, não agora. Interessa, bastante, e eu tenho o direito de saber. O que se passa com você, Draco? Que culpa eu tenho do que está sentindo para ser assim comigo? Fala! – Harry dizia. Algumas pessoas à volta paravam para olhar a situação, outras apenas passavam perto, olhavam e achavam estranho. A postura com que Draco estava pareceu desaparecer.
- Eu.. desculpa. – Retorquiu. – Desculpa Harry, vem. – Ele olhou a sua volta, e pegou na mão do moreno, arrastando-o consigo. – Vamos para outro lugar.
Ambos se dirigiram então para a Sala dos Requerimentos, lugar que era agora habitual estarem, sozinhos e à vontade.
- Vejo que ainda está igual da última vez que estivemos. – Harry murmurou, olhando à volta. – Me vai falar o que se está passando?
- Meus pais querem que eu me case, quando sair de Hogwarts, com uma puro-sangue. – Draco respondeu.
- Bem.. você não quer, pois não? – O moreno perguntou, recebendo um 'claro que não' de volta. Voltou a falar. – Então, simplesmente não casa. Porquê tudo isso por causa de uma estupidez de seus pais?
- Harry, não é assim tão linear quanto isso. É um casamento arranjado, eles fizeram acordos, não.. não tem volta. Eu me afastei porque.. pareceu o mais fácil, eu não te quero magoar.
- E achou que não me ia magoar ao se afastar de mim? – Com isto, o loiro abaixou a cabeça por momentos. – Draco, você não me vai magoar, nós vamos arranjar uma solução. Deveria ter falado comigo. Eu vou te ajudar.
- Harry, deixa eu explicar melhor, não tem maneira nenhuma, eu.. – O Slytherin falava, sendo no entanto interrompido.
- Tem de ter. Sério, vamos descobrir algo. – Harry retorquiu. Em seguida, colocou-se atrás do outro, colocando seus braços em volta dele e começando a andar até a cama uns metros afastada deles, levando-o consigo. – Agora vem. Esquece isso por um pouco.
Harry beijava o seu pescoço e Draco não pode controlar em fechar os olhos e soltar um pequeno suspiro. Ambos caíram na cama e o moreno sentou-se em cima do loiro. Beijou-o, enquanto ambas as suas mãos abriam os botões da camisa de Draco, e se roçava no seu membro, que sentia crescendo em baixo de si. Da garganta do Slytherin saíam curtos e baixos gemidos.
Tendo agora aberto e tirado a camisa do outro garoto, Harry desceu com a sua boca para o peito, e falava entre beijos e mordidas.
- Sabe Draco.. tive muitas saudades suas durante esse tempo. Outra coisa que também foi crescendo… foi meu tesão. – Disse. Parou, levantando a cabeça, fixando os olhos no loiro. Agora sussurrava. – Gosta da ideia? – Incontrolavelmente, Draco mordeu o lábio inferior e respondeu.
- Sim, muito.
A sua excitação estava crescendo cada vez mais. Os pensamentos, que naqueles dias passados longe de Harry eram absolutamente constantes, eram agora desfocados e pareciam estar se desvanecendo. Era um bom sinal. Tentou relaxar, e se deixou ser consolado.
Olhando para baixo de novo, viu que os seus boxers estavam agora sendo retirados. Harry se viu então em frente ao pénis pulsante de Draco. Mostrando um sorriso sacana, Harry agarrou no membro com uma mão, e lambeu os testículos por uns momentos. O loiro gemeu. Desde que Harry tinha descoberto que o outro era muito sensível naquele lugar, durante aqueles momentos íntimos, tinha todo o prazer em caprichar ali e Draco com certeza agradecia.
Sem mais demoras, o moreno abocanhou o pénis inteiro. Draco arqueou as costas e continuou gemendo. A boca de Harry deslizava pelo seu membro, para cima e para baixo, quase que freneticamente. Uma das suas mãos também ajudava, passando alternadamente de se mover também para cima e para baixo, a voltar a acariciar os testículos. Ocasionalmente, Harry tirava a boca para dar pequenas lambidas e beijos, mas logo voltava a o abocanhar.
Draco agarrou uma das almofadas com força e os seus gemidos tornaram-se ainda mais altos. Sabendo que estava no momento, Harry retirou a boca, e o loiro gozou. O moreno beijou-o, em seguida colocando-o numa posição de mãos e joelhos apoiados no colchão. Estando atrás dele, por um minuto lambeu seus ânus, lubrificando-o.
Após isso, Harry roçou seu pénis contra a entrada de Draco. Ainda que lentamente, entrou com tudo, ambos gemendo quando estava tudo dentro. Começou se movendo de trás para a frente e, pelo meio, estocadas particularmente rápidas e outras particularmente fundas.
Pouco depois, quando sentiu que estava chegando ao auge, decidiu pelo rápido. Colocou ambas as suas mãos na cintura de Draco, ajudando no movimento. Assim, chegou ao clímax dentro do Slytherin, ambos gemendo juntos. Uns segundos depois, estavam deitados um ao lado do outro.
- Estou louco por você. – Harry disse. Draco olhou ele e sorriu, beijando-o. Viu o outro garoto fechar os olhos e então, virou a cabeça para o outro lado. Ainda sorria porém, isso rapidamente desvaneceu com o silêncio. Todos os pensamentos voltaram, quando a única coisa que queria fazer era continuar disfrutando do momento. De novo, não conseguia parar de pensar que tudo aquilo iria desaparecer, pensar no que ia acontecer. Fechou os olhos com força e respirou fundo, se obrigando a adormecer.
- Lumos.
Era de noite, e Hermione quase que corria pelos corredores, com a varinha empunhada. Estava exaltada, como já andava à um tempo, sua cabeça cheia de pensamentos sobre o que tinha acontecido, sempre matutando sobre o assunto e com uns pensamentos num dia, e pensamentos controversos a esses no outro. Queria encontrar Blaise, e sabia bem onde o procurar, quase nem olhando então por onde andava dado que sabia o caminho de cor. Ouviu uma voz que sabia ser dele. Estava chegando perto.
- O que vocês dois estão aqui a fazer a essa hora? Que mal, quebrando as regras, hein. Sabem que eu vou ter de..
- Blaise. – Hermione chamou, quando chegou à beira dele. O garoto pareceu surpreso. Ao seu lado, estavam dois meninos, parecendo ser do segundo ano e vestindo as cores de Hufflepuff. Ela voltou a falar. – Saiam daqui. – Eles continuaram a olhar ela, parecendo um pouco atrapalhados e não sabendo o que fazer mesmo depois de ela falar. – Vá, saiam. Ou querem que eu própria vos dê uma detenção? – Com isso, ambos saíram a correr.
Assim que ficaram sozinhos, o silêncio se instalou por momentos, até o garoto falar.
- Hermione…
Mas isso foi o suficiente. Ouvindo ele proferir o seu nome, a sua mão voou para a face dele, batendo com força. Ele murmurou um 'okay', e colocou a mão por cima do local.
- Porque você fez aquilo? Não podia ficar quieto, não podia simplesmente ficar calado? Eu confiei em ti, Blaise, e você destruiu tudo. – Ela falava alto e parecia bastante perturbada.
- É, eu fiz isso, e então? – Blaise perguntou, ao que ela pareceu um pouco surpresa já que, por cima, ele também não parecia muito calmo agora. - Quando é que ia contar para ele, quando é que ia fazer algo sobre tudo isso? Se calhar foi melhor que eu tivesse feito isso. Ou estava nos seus planos continuar comigo e com ele?
A morena engoliu em seco e olhou para os próprios pés. Sentiu-se um pouco envergonhada por isso. Pensou em retorquir, mas não teve tempo.
- Não se faça de inocente, Hermione. Eu não destruí nada, e se pensa mesmo assim, então eu não destruí nada sozinho. Você também fez porque queria.
- Eu… - Hermione hesitava um pouco antes de falar, e não olhava ele nos olhos. – As pessoas cometem erros e foi isso que aconteceu comigo, estando com você. Não foi nada, eu estava com Ron, e eu amo ele.
- Ah, não seja assim. Não tenta me fazer de idiota. Você não ama ele, não de verdade, senão não tinha estado comigo, nem todo aquele tempo. Você nem quer estar com ele, está apenas se enganando a si própria, sabe? Porque o mais fácil é ficar com o Weasley. – Blaise falava. Ela não retorquiu. – Por favor, pensa no que eu estou falando. Eu gosto de você, e olha que não é fácil de admitir, dada toda a nossa história do passado. Ficamos bem juntos sabe, combinamos e o sexo… bem, o sexo é fantástico. – O garoto chegou mais perto dela e, com dois dedos, retirou uma mecha de cabelo de frente dos olhos dela, colocando atrás da orelha. – Nao vai apenas pela lógica, não agora, não nessa situação. Ouve seu coração, Hermione. Sei que se assim for, vai perceber que eu tenho razão.
Com isso, parou de falar, e seguiu para outros corredores, afastando-se. A garota encostou-se na parede, descendo lentamente até se sentar. Fechando os olhos, apoiou a cabeça nas mãos, suspirando.
Na Sala Comum dos Slytherin estava escuro. A única luz presente vinha da lareira que ainda estava acesa, mas o fogo já não era intenso. Draco tinha os olhos fixos nele, mas o seu pensamento parecia estar longe. Estava sentado em um dos sofás.
Ouviu alguém descer as escadas de um dos dormitórios, mas não fez muito caso. Até que reparou alguém sentar-se no sofá ao lado. Continuou olhando o fogo, até que a pessoa falou.
- Está tudo bem, Draco? – Era Astoria, a menina que seus pais lhe tinham apresentado como sua futura noiva. Seus olhos se viraram então para ela, e esta sentiu um toque de desprezo contra si.
- O que você quer de mim? – Ele perguntou.
- Sabe Draco, não vale a pena tentar lutar contra a nossa situação. Não vale a pena lutar contra mim. Se realmente vamos casar, temos que nos dar bem, pelo menos. Saber um pouco de ambos. – Ela falava, com uma voz dócil. O loiro revirou os olhos e, em seguida, ela se levantou, apenas para se sentar ao seu lado. – Podemos tentar descobrir coisas que passamos, nossas experiências, algo que gostamos. A coisa que eu gosto mais de estudar em Hogwarts é Poções. E acho que sou boa nisso, eu ouvi dizer que você também gos…
- Se toca, Greengrass. – Ele disse, se levantando do sofá e ficando bem em frente a ela. – Eu não quero falar contigo, ficar aqui a discutir nossas experiências e gostos como se estivesse muito feliz em irmos casar. Não quero saber nada de você. E simplesmente não te quero. Por favor, se habitua. E vai para o inferno.
Assim e rapidamente, Draco subiu para o seu dormitório, deixando Astoria encolhida no sofá.
