Capítulo 9: Insegurança
(Hyoga's POV)
No momento em que liguei meu celular, e tomei conhecimento dos dez recados deixados por meu namorado, finalmente me dei conta de que o passeio realmente havia acabado. Eu estava no meio de um sonho e, agora, encararia a realidade.
Abro a porta, preparado para a tremenda discussão que me aguarda, mas me surpreendo ao encontrar um sorridente Isaac, vestindo um avental vermelho sobre a roupa e enxugando as mãos num pano de prato.
– Oi, amor. Onde você estava? – ele se aproxima e me dá um selinho nos lábios. Eu, atônito demais, não consigo retribuir ou recusar. – Eu fiz o jantar. – Isaac completa de forma empolgada.
– Eu estava por aí… - faço questão de ser vago em minha resposta.
– Sozinho?
– Não, com o Ikki.
A expressão tranquila de seu rosto se desfaz no mesmo instante.
– E posso saber o que fizeram? Por acaso aceitaram a sugestão? – Isaac retruca cinicamente.
– Você tem noção do quanto me senti exposto, hoje? – eu questiono, finalmente perdendo a pose e olhando-o firmemente.
– Desculpe. – ele abaixa a cabeça e murmura, parecendo realmente embaraçado.
– Desculpas não vão apagar a vergonha que eu passei, Isaac. Você agiu como se fosse meu cafetão! – minhas narinas se expandem e estou praticamente bufando de tanta raiva.
– Eu também fui exposto, não lembra? Aquele cara não tinha nada a ver comigo, por que contou a ele do meu problema? – apesar do questionamento, Isaac continua murmurando.
– Porque eu confio no Ikki, ele é meu amigo! Sem contar que este problema não é só seu, é meu também!
– Hyoga, eu… - ele tenta se explicar, mas não permito. O que Isaac poderia dizer? Nada que saísse de sua boca amenizaria nosso problema.
Então eu compreendo. De nada adianta, termos uma conversa séria. Discutir a relação novamente, não resolverá absolutamente nada.
– Acabou. Eu não quero mais, Isaac. – não consigo evitar o pesar em minha voz, afinal dois anos de relacionamento não são pouca coisa.
Foi como se eu o tivesse esbofeteado. Não conseguia entender como, depois do que fez, ele ainda poderia estar chocado com minha decisão.
– Você… Nós… - Num instante, seus olhos se enchem de lágrimas, o que faz com que me sinta um monstro.
– Eu sei que nós tentamos, mas não foi o suficiente, Isaac. – tento me justificar. – Você está passando por uma fase tão estranha agora, não sei se sou o que precisa no momento, entende?
– Eu amo você. – ele segura em meus braços e me olha nos olhos.
– Então por que não demonstra?
– Estou demonstrando! Liberar você pra obter o seu prazer com outro… Quer amor maior, Hyoga?
Eu começo a rir.
– Você sente tesão em me ver com outros homens? É isso o que quer? – pergunto na lata.
– O quê? Claro que não! – ele responde um tanto envergonhado.
– Tem certeza? – insisto.
– Sim. – ele responde categoricamente.
– Então por que, Isaac? Por que me oferecer como um garoto de programa?
Ele não respondeu, ficou apenas parado ali, olhando-me e acariciando meu cabelo. Vendo que não obteria qualquer resposta, afastei-me dele e fui tomar banho. Depois de quase vinte minutos debaixo do chuveiro, ouço a porta do banheiro se abrir, e logo Isaac está diante de mim, parado do lado de fora do Box e segurando a minha toalha.
Eu fecho o chuveiro e ele me envolve com a toalha, secando-me prontamente, exatamente como fazia no começo do nosso namoro.
– Não quero te perder. – Isaac sussurra em meu ouvido, pondo-se atrás de mim e me abraçando. – É difícil demais pra mim, Hyoga. É tão terrível ter alguém como você ao meu lado, e não ser suficiente.
– Já conversamos sobre isso, Isaac. É sempre a mesma história. Você reclama, mas não faz absolutamente nada pra mudar.
Ele começa a beijar meu pescoço, e me apertar mais contra seu corpo. Sei que não deveria, mas começo a ceder. Meu corpo está tão necessitado de carinho que, mesmo sem querer, reage rapidamente às investidas de Isaac.
– Você é tão gostoso, Hyoga. Como posso me esquecer disso, às vezes? – ele joga a toalha num canto qualquer do banheiro, e me vira de frente pra ele. – Quer tentar? – pergunta, olhando-me nos olhos.
Não digo nada, apenas concordo com a cabeça. Eu estava envergonhado, na verdade. Ceder a Isaac não estava nos meus planos, me senti horrível por isso.
Enquanto ele beijava minha boca com um ardor que há muito não via, eu o despia. Não me surpreendi ao ver que ele ainda não estava excitado, mas novamente fiquei calado. Fomos para o quarto, e logo estávamos deitados na cama, nos beijando.
Tentei de diversas maneiras, mas o pênis de Isaac permanecia flácido. À medida que os minutos passavam, mais ele ficava nervoso. Por fim, afastou-me com um empurrão e se levantou da cama.
– Isaac!
– Não tem jeito, Hyoga!
– Nós podemos tentar de outra forma. – eu disse, estendendo a mão pra ele.
– Você sabe que não gosto de ser passivo! – retrucou ele.
– Tudo bem, não está mais aqui quem sugeriu. – fechei os olhos e cruzei os braços atrás da cabeça, minhas costas no colchão.
Eu não insistiria com Isaac, já estava cansado de fazê-lo. Deixei que se afastasse de mim, sem sequer olhá-lo. Depois de algum tempo, eu finalmente consegui relaxar. Uma sensação gostosa tomou conta de mim, quando comecei a me lembrar do dia que passei com Ikki. O almoço, a chuva, o parque…
O rosto de Fênix surgiu em minha mente. Ofeguei um pouco, pensando no quanto ele estava lindo. E diferente, também. Adorei vê-lo tão leve, tão solto, ao meu lado. Sem saber como, peguei-me pensando nas nossas brincadeiras. Eu gosto, acho divertido provocá-lo. E, pelo visto, ele deve achar o mesmo.
Ainda de olhos fechados, sinto uma boca roçando minha coxa, seguindo em direção ao meu pênis. Em minha mente, vejo Ikki me tocar desta forma e, embora envergonhado, não posso negar que esta cena me excita. Ele morde minha virilha e eu solto um gemido baixo. Quando finalmente tenho meu membro envolvido por sua boca, não me seguro:
– Ik… - por sorte, abri os olhos antes de proferir o nome daquele que povoava meus pensamentos. Era Isaac quem estava me tocando, não Ikki. Alheio ao meu ato falho, meu namorado continua me acariciando, disposto a me dar prazer.
Não demora muito e já estou pronto para penetrá-lo, embora Isaac ainda não tenha qualquer sinal de excitação. Eu o preparo para me receber, com toda a paciência de um bom namorado, mas ainda assim nada acontece.
Quando o penetro, ele solta um ganido de dor. Sinto-me mal com isso, pois sei que, diferente de antigamente, a dor não dará lugar ao prazer. Eu o posiciono de lado, e o estoco lentamente, por trás. Esforço-me para acertar sua próstata, e consigo algumas vezes, mas não surte o efeito desejado. O pênis de Isaac continua flácido, e ele ainda geme de dor.
Não suporto mais a situação e saio de dentro dele. Não conseguiria ir até o fim, ao ver meu namorado se agarrar aos lençóis, com lágrimas em seus olhos. Para ele, no entanto, finjo que cheguei ao clímax, pois não quero vê-lo ainda mais deprimido.
Levanto-me e vou até o banheiro, livrar-me da camisinha. Quando retorno ao quarto, Isaac me encara brevemente com uma expressão raivosa no rosto.
– Talvez o Ikki faça melhor, já pensou nisso? – diz ele, sem me encarar mais.
– É, já pensei sim… - brinco, deitando-me na cama ao seu lado e rindo. – Não precisa me olhar assim, Isaac. Estou brincando, só isso.
– Eu não. – retrucou Isaac.
– Sabe, você deveria parar de me oferecer essas coisas. O que fará, se algum dia eu realmente aceitar?
Ele me olhou, parecendo realmente ofendido.
– Nada, Hyoga. Eu não farei nada.
Dizendo isto, Isaac se levantou e começou a se vestir.
– Aonde vai? – pergunto sem entender nada.
– Já cumpri meu papel de namoradinho perfeito. Fiz o jantar, fui amoroso, gentil e transei com você. Se me permite, vou ver meus amigos, agora. – ele diz, com rispidez.
– Fique à vontade. – retruco, sentindo um nó se formar em minha garganta. Como ele pode ser tão bacana num momento, e ser um completo idiota no outro?
– Até mais. – Foram as últimas palavras dele, antes de deixar meu apartamento.
Fiquei muito tempo parado ali, imaginando o que havia feito de errado. Estar com outro homem não era uma ideia dele? E todo aquele papo de amor, onde foi parar? Confuso, apaguei a luz e fui dormir, desejando nunca ter descido daquela roda-gigante…
Continua…
