TÍTULO: NOS BRAÇOS DE UM PIRATA

CAPÍTULO 9

AUTORA: Lady K

BETA READER: TowandaBR

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham nos pentelhar).

GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe?). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qqr dano psicológico ou moral. lol.

COMMENTS:

Jéssica: Fique calma, todos tem seu lugar na cadeia alimentar hauhauhau (parafraseando o ep. Mark of the beast)!

Mamma Corleone: Mais amada do mundooooooo!!! Vc me mata rir, fala sério hauhauhau seus comments, como sempre, impagáveis! Amo tuuuuuu! Pode corta hauhauhau

NinaMakea: Então vc é de Portugal! Já tinha desconfiado e a Mamma Corleone tbm comentou. Fiquei feliz q as histórias estejam chegando tão longe :D

Aline: Ressuscitou hauhauhau Agora vc não tem desculpa, já deve estar de férias, né???? Amo tuuuuu!!!

Tow: Nada a ver seu comentário. Vc não pode ir ao PROCOM pq não comprou nada, será q vc n conhece nada de direito? Vou te processar por ameaça á minha linda vida :D

Marguerrite: Que a Towanda nem te ouça sobre a magnificência do Gib hauhauhau Sobre o Pepe, espero q vc n se decepcione (e nem queira me matar hauhauhau).

Fran: Vou sim, aí está :D

Luanaa: Com seu comentário, fiquei imaginando a Esmeralda dizendo "Oh, e agora, quem poderá nos defender?" hauhauhau

Lidy: Obrigada :D Espero que continue lendo e comentando.



Funcionando com a velocidade de um raio, a mente de Esmeralda registrou vários fatos simultaneamente. O guarda lá fora devia ser este homem, ou um comparsa. Caso contrário, ele não teria entrado. Não havia ninguém para salvá-la, exceto ela mesma. Usando apenas uma camisa de Roxton sob o cobertor, Esmeralda deu-se conta de que a cama não era um bom local para armar sua defesa. Quando ele chegou ao pé da cama, Esmeralda pulou fora e tentou sair correndo do quarto. As pernas se enroscaram no cobertor, atrasando sua fuga.

Ele rapidamente a agarrou pelo braço. Soltou um riso baixo de triunfo ao encostá-la ao peito.

Com todas as suas forças, Esmeralda tentou afastar-se dele. Um dos braços envolveu firmemente a cintura de Esmeralda, enquanto o outro tratava de arrancar-lhe a camisa. Quando a despiu com brutalidade, agarrou um dos seios com a mão rude.

O cheiro nauseante do seu bafo fétido sugeriu a Esmeralda que ia tentar beijá-la. Girou a cabeça para o lado, estremecendo ao sentir a umidade repulsiva da sua boca na curva do pescoço. Arranhando como um animal selvagem, Esmeralda tentou libertar-se, respirando com soluços arquejantes de terror. Conseguiu virar-se parcialmente, mas isso só fez que passasse a sentir a ereção repugnante dele esfregando-se contra as suas nádegas.

Ele ofegava de desejo, o bafo quente e fétido quase sufocando Esmeralda. Torcendo-se e debatendo-se com violência desesperada, mesmo assim ela não conseguia fugir às mãos dele, que tateavam com rudeza seu corpo.

Um grito explodiu da garganta dela quando ele a empurrou de costas para a cama. A parte posterior dos joelhos bateu de encontro ao colchão, e as pernas cederam. Ele caiu por cima, o peso sufocante imobilizando Esmeralda. Sem conseguir tocar-lhe os lábios, grudou a boca, abrindo-a toda, num seio, como se quisesse engoli-lo. Enterrando os dedos no seu couro cabeludo, Esmeralda tentou forçá-lo a largar o seio, puxando selvagemente os seus cabelos. Ele enterrou os dentes no mamilo, mordendo-o até que a dor cruciante fez que ela soltasse o cabelo.

Enquanto continuava a sugar-lhe o seio, ele lhe apertava o traseiro, e começou a ajeitá-la melhor sob seus quadris. Esmeralda se debateu desesperadamente mas aquilo parecia estar ajudando-o no seu intento. Sentiu que ele tentava abrir suas pernas à força. Tentou erguer um joelho para atingi-lo, mas o peso era demais para ela.

O estômago se revirou ao toque da sua mão, quando ele começou a mexer nas calças. Indescritivelmente enojada e apavorada, Esmeralda baixou as mãos para empurrar-lhe as costelas e a cintura, tentando com todas as suas forças tirá-lo de cima de si. A mão direita roçou em alguma coisa sólida e inanimada... o cabo de uma faca.

Não havia tempo para pensar. Os dedos buscaram e acharam a presilha que fechava a bainha da faca. Soltando-a, arrancou a arma e começou a esfaquear-lhe as costas. Ele enrijeceu de surpresa ante a primeira arremetida da lâmina.

Com a segunda, endireitou o corpo, torcendo um braço atrás do corpo para suportar a dor. Quando Esmeralda enfiou a faca no seu corpo pela terceira vez, subitamente se deu conta de onde vinha a dor.

O rosto estava feroz, congestionado de ódio. Grunhiu como um touro enfurecido, mas Esmeralda soluçava no seu esforço desesperado para evitar que ele a estuprasse, fosse como fosse. Não viu a mão dele em movimento senão quando já era tarde demais. Luzes explodiram na sua cabeça quando ele lhe atingiu o maxilar com um murro.

Uma névoa negra de dor ameaçou engoli-la. Esmeralda lutou para continuar consciente, sabendo que tinha que manter a vantagem ou se perderia para a luxúria dele. A mão segurava firmemente a faca, mas não precisou usá-la de novo, pois o homem levantou-se e saiu cambaleando para fora do quarto.

Quando se foi, ela não tinha mais forças. Esgotada, jazia sobre a cama, soluços entrecortados a lhe saírem da garganta, lágrimas a lhe escorrerem pelo rosto. Aos poucos, a dor no queixo foi diminuindo.

A pele onde as mãos repulsivas haviam tocado começou a ficar toda arrepiada.

Arrastando-se para fora da cama, o corpo ferido e dolorido, Esmeralda foi aos tropeções até a cômoda.

Deixou a faca de lado. A jarra de água junto da bacia estava cheia. Pegando-a, Esmeralda começou a derramar vagarosamente a água fresca sobre o corpo.

A água lhe escorreu pelo corpo e formou uma poça no chão. Mas ela nem se dava conta disso, enquanto começava a esfregar o sabonete em todos os lugares que as mãos nojentas dele haviam tocado, cobrindo cuidadosamente cada centímetro.

Ainda soluçando, tentou enxaguar a espuma com o resto da água, mas as sensações repelentes persistiam. Arrancando a toalha áspera do gancho, tentou enxugar-se para ver se conseguia livrar-se delas. Esfregou a pele até deixá-la irritada, e teria continuado, se não tivesse ouvido novos passos vindos do convés.

Um ódio assassino e primitivo correu pelas suas veias. A toalha caiu ao chão, sobre a poça de água a seus pés. A raiva violenta fazia tremer a mão que foi apanhar a faca em cima da cômoda.

Desta vez, ela o mataria. Deslizando na ponta dos pés, Esmeralda foi se esconder atrás da porta.

O brilho esverdeado nos seus olhos era semelhante ao de uma leoa assassina. Colada à parede, Esmeralda esperava sua presa. Imóvel, escutou os passos que se aproximavam. Um sorriso selvagem recurvou-lhe os lábios quando a figura corpulenta entrou.

Erguendo a faca, ela mirou as costas dele e atacou. Mas a lâmina cortou o ar, enquanto o alvo se desviava. Ela jogara todo o seu peso no golpe mortal e errara.

Desequilibrada, soltou uma exclamação de frustração. Uma mão forte fechou-se sobre seu pulso, jogando-lhe a mão de encontro à parede.

O impacto fez que soltasse a faca.

"Não!" arquejou, furiosa.

"Não cavalguei metade da noite para ser assassinado no meu próprio navio!" rosnou a voz familiar.

"Roxton? É você!" gritou Esmeralda, sem acreditar. A raiva morreu tão repentinamente quanto nascera. "Você voltou! Ah, Deus, voltou!" Jogou-se nos braços dele, enterrando a cabeça no conforto de seu peito. "Estou tão contente! Tão contente!"

Ele tirou dos ombros os alforjes, deixando que caíssem ao chão. Ele não a abraçou imediatamente, embora ela se agarrasse a ele com toda a força.

"Esmeralda..."

Ela ouviu o misto de raiva e confusão na voz dele, e moveu a cabeça, em protesto.

"Abrace-me" Sua voz latejava de necessidade de sentir a força dele. "Por favor, apenas me abrace."

Havia refúgio no abraço dele, e Esmeralda não questionou porquê.

Ele hesitou, depois deixou os braços envolverem-na. As mãos moveram-se ao longo da espinha para ajustá-la mais firmemente ao seu corpo. Inclinou a cabeça, esfregando o queixo e o maxilar contra o cabelo sedoso e despenteado dela.

A sensação do seu corpo forte estava começando a apagar os vestígios do toque de Pepe que ainda permaneciam. Ela começou a beijar-lhe o peito. O batimento firme do coração assegurou a Esmeralda que estava agindo certo.

Erguendo a cabeça, ela deixou os beijos subirem até a base do pescoço dele. Seus dedos afastaram o colarinho da camisa, desabotoando-a para deslizar as mãos pelo seu peito quente.

A boca do homem roçou-lhe a têmpora, e Esmeralda tremeu de desejo. Inclinou a cabeça para trás para ver-lhe as feições fortes, os lábios se abrindo num convite silencioso. O olhar fixou-se na boca da moça, macia e trêmula, úmida e brilhante.

"Por favor" murmurou Esmeralda "beije-me."

Ele esperou um segundo infinito antes de baixar a cabeça para aceitar o convite. Abriu a boca sobre a dela. Esmeralda retribuiu o beijo com o mesmo fogo insaciável, sem se dar conta, até aquele momento, do quanto Roxton lhe ensinara sobre a arte de fazer amor. Abriu bem a camisa dele para sentir os seios de encontro à nudez do seu peito.

Com perícia e prática, as mãos dele corriam seus quadris e costelas, redescobrindo os pontos de prazer ao longo dos ombros. A boca moveu-se para investigar melhor aqueles lugares especiais de paixão e acidentalmente tocou o seu maxilar inchado. A dor que a invadiu parecia a de mil agulhadas. Sem querer Esmeralda soltou um gemido, levando a mão ao local ferido e afastando a cabeça. Imediatamente sentiu seus dedos suaves a lhe tocarem a mão.

"Machuquei-a?" perguntou, a voz rouca denotando surpresa.

"Não, eu..."

"Deixe-me ver" ordenou Roxton suavemente (mas nem por isso deixava de ser uma ordem), enquanto afastava a mão dela para deixar que seus dedos lhe explorassem o maxilar. Ela se afastou incontrolavelmente quando ele tocou o local inchado.

"O que é isso?" perguntou sombriamente. "Como foi que aconteceu isso ao seu rosto?"

As feições morenas estavam na penumbra, mas Esmeralda podia ver a rigidez do queixo e da boca. Os olhos dela encheram-se de lágrimas quando lhe contou a história sórdida.

"Ele estava tentando me violentar e lutei com ele. Agarrei a sua faca e esfaqueei-o. Foi então que ele me bateu. Quando você chegou, pensei que fosse ele voltando para terminar o que começara. Foi por isso que tentei esfaquear você... porque pensei que fosse ele, e queria matá-lo. Queria matá-lo!" repetiu de novo, numa histeria crescente.

"Quem?" Apertou os ombros dela, sacudindo-a com força. "Quem lhe fez isso? Quem?"

A histeria momentânea foi substituída pela raiva.

"O seu maldito cão de guarda!" gritou, cuspindo o veneno do seu ódio.

A reação dele foi igualmente explosiva.

"Mentirosa!!!"

Empurrou-a para longe de si. A força violenta do gesto jogou-a de costas contra a parede.

Um momento antes Esmeralda estivera cheia de amor; agora estava cheia de ódio.

"Se não acredita em mim, pergunte você mesmo a ele! Vai achar as marcas das facadas nas costas dele... três facadas!"

Seu rosto estava duro e inflexível. "Fará esta acusação cara a cara com ele".

"Com prazer!" retrucou Esmeralda com veemência.

Roxton deu meia-volta bruscamente, a raiva mantendo rígida a sua postura normalmente ereta enquanto saía da sala. Toda trêmula, Esmeralda foi até a cômoda procurar algo para vestir.

Subitamente, sentiu um frio muito grande. Tinha vontade de se deitar na cama e morrer, mas podia ouvir a voz de Roxton dando ordens ao guarda. De cabeça erguida, Esmeralda saiu.

Um lampião estava aceso, lançando um brilho sinistro pelo navio. Roxton estava de costas para ela, as mãos nas costas. Tinha as pernas ligeiramente separadas, numa pose que indicava claramente que era o senhor de tudo o que seus olhos enxergavam.

Esmeralda lembrou-se do modo como se havia jogado em seus braços e pedido seus beijos. De todos os homens em quem podia buscar conforto e compreensão, ele era o último a quem devia ter escolhido. Não havia um único sinal de compaixão naquele corpo sem coração.

Ele lhe lançou um olhar longo e sem emoção. Na defensiva, Esmeralda ergueu o queixo um pouco mais alto, encarando-o friamente. O olhar rude do homem desviou-se para a sua face. Esmeralda adivinhou que a pele já estava manchada, além de inchada. Agora a dor estava começando a piorar, um latejar doloroso que se irradiava pela cabeça, fazendo-a sentir-se ligeiramente nauseada.

Passos subindo as escadas. Um tremor violento percorreu o corpo de Esmeralda. Baixou a cabeça, ao imaginar quem estava sendo trazido, incapaz de olhar para o rosto repulsivo do seu atacante. Ouviu a breve troca de palavras.

Aos poucos, outros piratas também vieram ver o que significava toda a discussão, inclusive Anita, que ficou observando a cena.

"É a señora quem lhe deseja dizer algo" anunciou Roxton, num tom de voz mortalmente calmo.

Virou a cabeça bruscamente para olhá-lo com raiva, odiando o escárnio de Roxton. Esmeralda forçou-se a virar-se, preparando seus nervos abalados para levarem a cabo a cena horrível. Primeiro viu Gibraltar, cujos olhos azuis se estreitaram brevemente ao notarem a marca no rosto dela. Mantendo-se rígida, olhou para o homem que Gibraltar segurava pelo braço.

Um par de olhos escuros confusos e sonolentos a fitavam, indagadores e incertos. Era o Sr. Miguel, o homem que fora o seu companheiro constante nesses três últimos dias. O pesar ao descobrir por que Roxton estava tão certo de que ela mentira deixou-a sem fala.

Muito distante, Esmeralda ouviu uma ordem sendo dada. A testa de Gibraltar franziu-se sombriamente quando soltou o braço de Pape e foi para trás dele, para erguer-lhe a camisa. Lançou um olhar para Roxton e sacudiu a cabeça. A seguir, Esmeralda notou a presença dominadora de Roxton ao seu lado.

"Não há ferimento algum."

Por trás das palavras gélidas dele, percebia a acusação mordaz de que era uma mentirosa, ou coisa pior.

Logo a fala lhe voltou, numa explosão de fúria. Como ele a condenava rapidamente!

"Não me referia a ele!" esbravejou Esmeralda, a cabeça latejando como se houvesse mil demônios lá dentro. "Referia-me ao filho da mãe assassino que me trouxe a este maldito navio! É óbvio que ele achou que estava na hora de você parar de ter exclusividade sobre meu corpo, e de partilhar o prêmio com ele! Gibraltar sabe a que animal gordo e nojento estou me referindo!"

Deu as costas para Roxton, encolhendo os ombros de vergonha e degradação. Lágrimas quentes lhe escorriam dos olhos, queimando-lhe as faces enquanto chorava livre e abertamente.

"Não me toque!" Esmeralda recuou quando ele tocou-lhe o ombro.

Os cílios molhados pelas lágrimas se abriram devagar, o olhar atraído para a frieza inflexível dos olhos de Roxton. Esmeralda teve que suportar o seu olhar gélido por apenas um segundo, antes que ouvisse outros passos.

Desta feita, Esmeralda teve razão para estremecer. Dois homens vinham arrastando e carregando um terceiro. Uma onda de nojo tomou conta dela ao vê-lo. Estava sem camisa, o tórax robusto e nu, exposto. Uma atadura improvisada envolvia a cintura larga, O tecido manchado com o seu próprio sangue.

Agora Roxton não podia duvidar dela, pensou Esmeralda, olhando para ele com amargura. Suas feições contraíam-se em linhas cruéis e implacáveis, friamente distantes. A luz do lampião refletiu o brilho de algo metálico em sua mão. Esmeralda baixou o olhar e viu uma faca, a faca de Pepe, aquela que usara para esfaqueá-lo. Roxton deu um passo vagaroso e ameaçador na direção do homem seguro pelos outros.

A expressão dos seus olhos encheu o coração dela de terror. Roxton ia matá-lo. Ela o sabia. Esmeralda até mesmo queria ver Pepe morrer; no entanto, parte dela recuava ante o que estava acontecendo.

Quando Roxton deu o segundo passo, ele deve ter-se dado conta da sua intenção, e começou a balbuciar em inglês. Quase choramingava. Esmeralda olhou para Roxton, esperando ver o desprezo estampado nas suas feições duras. Estava parado, imóvel, os ombros rígidos. Um músculo se contraía no seu maxilar.

Houve uma mudança sutil na atmosfera. Esmeralda sentiu que a atenção dos demais presentes se desviava para ela. Levantou os olhos para o rosto de Gibraltar, que olhava para ela, examinando-lhe as feições com uma expressão mista de ceticismo e severidade. Ela sentiu um arrepio gelado descer-lhe pela espinha.

"O que foi?" indagou, desconfiada. "O que ele está dizendo a meu respeito?"

Gibraltar olhou-a por um minuto, antes de responder.

"Disse que estava de guarda do lado de fora e você veio até a porta, fazendo sinal para que ele entrasse. Sabia que não devia, mas era de noite e pensou que podia haver algum problema."

"Não!" negou com veemência.

"Disse que você começou a falar com ele" continuou Gibraltar. "Queria ajuda para fugir. Como ele recusou, você se aproximou e deixou o cobertor cair no chão. Depois abraçou-o, e foi então que ele perdeu a cabeça. Foi aí que você pegou a faca e o feriu. Disse que foi enganado, e que você teria fugido se não lhe tivesse batido."

"Não é verdade!" Esmeralda virou-se para Roxton. "Não é verdade!" repetiu.

Era imperativo que Roxton acreditasse nela. Mas estava tão distante como uma estátua a fitá-la com olhos sem visão. Sabia que tanto ele quanto Gibraltar estavam se lembrando da vez em que tentara obter a ajuda de Gibraltar para fugir. Esmeralda acercou-se mais dele, curvando o braço à volta dos músculos da cintura dele.

"Nem uma só palavra do que ele disse é verdade! Ele veio até o nosso quarto enquanto eu dormia. Tentou me possuir à força. Por que você acha que lhe pedi para me abraçar e me beijar?"

Algo faiscou nos olhos dele, uma luz ardente que aqueceu Esmeralda. O braço instintivamente envolveu as costas dela para puxá-la para junto do seu corpo musculoso. Foi então que Pepe, o seu atacante, falou de novo, e Esmeralda sentiu o calor indo embora do toque de Roxton.

"O que foi que ele disse?!" indagou, colando-se mais ao corpo de Roxton e tentando romper a barreira que ele subitamente erguera.

"Disse que você também se enrolou nele, como uma serpente. Disse que você o enfeitiçou como está tentando me enfeitiçar."

"Oh!" exclamou Esmeralda, num grito abafado de protesto.

Tentou livrar-se dos braços dele, mas Roxton não a soltou.

"Você não me enfeitiça" disse em voz baixa "nem fugirá de mim."

Ainda prendendo-a, Roxton falou rapidamente em inglês, com os outros.

Esmeralda parou de se debater. Faltavam-lhe forças para lutar contra ele, e teria sido inútil, de qualquer maneira Quando Roxton acabou, os dois homens que seguravam Pepe soltaram-no. A reação do atacante foi um misto de alívio e medo. Todos, inclusive Gibraltar, saíram em silêncio.

Ela estava de cabeça baixa.

"Você o soltou" acusou Esmeralda numa voz baixa de tanta dor.

"Ele desobedeceu a uma ordem. Por isso será punido" declarou Roxton.

"E eu?" retrucou com amargura. "Também vou ser punida porque quase fui violentada?"

Ele exalou um suspiro impaciente e raivoso, e soltou-a abruptamente.

"Já é tarde."

"Não estou cansada." Mas a voz soava muito cansada "E pode apostar que não vou para a cama com você!"

"Esmeralda" começou ele, com raiva.

"Antes era señorita. Agora é Esmeralda" interrompeu com amargo sarcasmo. "Por quê? Porque quer que vá me deitar na cama com você! Pois bem, que se dane!" exclamou, tremendo visivelmente.

"Estive longe três dias imaginando se você ainda estaria aqui quando voltasse" as narinas estavam dilatadas de raiva. "Agora estou de volta, e ainda é um inferno. Mas você ainda é minha. E vai dormir comigo!"

"Não ouse chegar perto de mim!" sibilou Esmeralda indo para o quarto. Respirava fundo, assustada com o ar duro e implacável do rosto dele.

Seguiu-a, com calma deliberação, começou a despir-se, tirando as roupas e aparentemente a capa de civilização junto com elas. O coração de Esmeralda batia feito louco, um pouco por medo e um pouco em resposta ao aperto súbito que sentia na boca do estômago.

Quando parou diante dela, a moça sacudiu a cabeça, num protesto mudo ao que ele exigia.

"Dispa-se" ordenou Roxton.

Não, não, não! Berrava Esmeralda intimamente mas sentiu as mãos desabotoando sua blusa. Aí cessou a desobediência, e a roupa escorregou-lhe e formou um monte aos seus pés. Os olhos dele começaram uma avaliação insolente, indo da cabeça aos pés, e vice-versa.

Ele estendeu a mão, agarrou-lhe a cintura e puxou o corpo dócil para junto do seu. Com a mão direita, segurou-a pela nuca e forçou-a a levantar a cabeça para encontrar os seus lábios.

Foi um beijo duro e brutal, cheio de raiva. Chocada com a ausência de qualquer paixão ardente, Esmeralda tentou resistir, mas os braços eram círculos de ferro inflexíveis. Não podia escapar à ameaça violenta da boca dele.

Com uma sensualidade perigosa e cruel, entreabriu os lábios de Esmeralda. Os seios dela estavam esmagados contra seu peito. As mãos másculas nas costas dela arqueavam-lhe os quadris para junto dele. A seguir, ele a forçou para trás e para baixo, até que a cama estivesse sob suas costas.

Quando ele terminou, Esmeralda encolheu-se de costas para ele, magoada.

Não tinha consciência da expressão ferida do seu olhar, mas Roxton prestou atenção ao fitá-la.

Virando-se, caminhou até a cômoda e acendeu o lampião. Esmeralda ergueu a mão para proteger os olhos da luz. Ele voltou e colocou um cobertor para ocultar a nudez dela.

"Por que toda esta água no chão?"

Era uma pergunta que exigia resposta.

Franziu a testa, tentando por as idéias em ordem.

"Foi... foi do banho" falou, lembrando-se finalmente. Seus olhos angustiados viram-no pegar a jarra perto da bacia. "Está vazia. Usei toda a água."

"Por quê?" quis saber Roxton, erguendo uma sobrancelha escura com ar satânico.

"Por motivos óbvios." Esmeralda correu a mão trêmula pelos cabelos, agitada, e estremeceu ao se lembrar do motivo desesperante. "Sentia-me suja, contaminada por... por ele. Precisava me lavar... esfregar todos os vestígios nojentos dele, mas não espero que você compreenda como é. Meu Deus, você nem mesmo acredita em mim!"

Virando o rosto para a parede, Esmeralda apertou o punho cerrado contra a boca, tentando engolir o bolo insuportável na garganta. Novamente ouviu Roxton acercar-se da cama, e fechou com força os olhos.

"Tome" disse ele.

Olhou para ele de esguelha. Estava lhe oferecendo os alforjes. Ela olhou friamente para eles, com lágrimas ardendo no fundo dos olhos.

"O que é isso?" perguntou.

Ele jogou os alforjes na cama ao lado dela, depois dirigiu-se para a cômoda.

"Comprei-lhe roupas novas."

Esmeralda não chegou a acreditar nele, e abriu os alforjes para jogar o conteúdo na cama. Fitou as roupas que caíram: saias, vestidos, roupas íntimas e várias blusas. Os dedos entorpecidos escolheram uma blusa de seda avermelhada para examinar mais de perto.

"Achei que a cor iria bem com a sua alvura" disse Roxton, suavemente.

Ela virou-se para ele, sentindo-se perdida. Mesmo estando do outro lado do quarto, Esmeralda podia sentir a força da sua presença. Libertou-se do olhar dele.

"Onde as arranjou?" Lançou um olhar para as roupas na cama, erguendo um canto da boca com amarga ironia. "Não me diga que assaltou uma loja."

"Comprei-as numa loja" disse ele, enfatizando o verbo.

"Por quê?" perguntou Esmeralda, em tom de desafio.

"Porque, como você mencionou muitas vezes, estava precisando de roupas."

"Isso é algum tipo de compensação por me manter aqui prisioneira? Porque, se for, não vai adiantar. O que você prefere mesmo é que eu não tenha roupa nenhuma. Assim, sempre que sentir desejo, pode me possuir sem perder tempo em tirar as minhas roupas." Com um gesto amplo da mão, jogou as roupas ao chão. "Nem me passa pela cabeça desapontá-lo" concluiu, a voz cheia de sarcasmo.

"Você está recusando?" Roxton a sufocava com o olhar penetrante.

Os olhos verdes da moça soltavam chispas de raiva.

"Quem sabe eu deva jogá-las na sua cara, para você entender direito o que quero dizer. Não finja que estava sendo atencioso; se fosse, já teria me soltado, ao invés de me prender aqui para que acontecesse algo como hoje!"

Deu as costas para ela, o punho cerrado sobre a cômoda.

"Odeia muito isto aqui, não é?"

"Odiar?" Ela soltou uma risada baixa e amarga. "Que estranho você usar esta palavra, se levarmos em conta que faz cinco minutos você não fez amor comigo... fez 'ódio' comigo!"

"Sim" admitiu Roxton, dando meia-volta para se dirigir devagar para a cama. "Possuí você com raiva, um minuto atrás."

"Por quê? Queria acabar o que Pepe começara? A única coisa de que eu tentava escapar era dele. No dia da sua partida eu o vi e soube que estaria esperando lá fora por mim, caso tentasse fugir. Pensei que estaria a salvo se fizesse o que você mandou, ficando dentro da cabine ou saindo apenas com o Sr. Miguel e 'Angelo'. Pensei que a sua palavra me protegeria, mas não protegeu. Quando penso no modo como caí nos seus braços quando você voltou, sinto-me mal. Não estou a salvo nem com você. Provou isso quando me chamou de mentirosa e me violentou!"

O colchão cedeu ante o peso dele. Esmeralda tentara rolar para longe, mas ele a agarrou pelos pulsos, prendeu seus braços acima da cabeça imobilizada, parou de lutar, esperando que ele se aproveitasse da vantagem.

"Acredito em você quando diz que Pepe tentou estuprá-la. Acredito que roubou a faca dele e o esfaqueou para defender a sua honra."

"Mas, então, por quê?" exclamou Esmeralda, confusa. "Por que acreditou no que ele disse?"

"Porque acho que você pode tê-lo convidado a entrar. Você devia saber que hoje era a sua última chance de fugir antes que eu voltasse. E penso que prometeria falsamente o seu corpo para qualquer homem que a ajudasse." Esmeralda gemeu e virou a cabeça."Acho que o chamou, pensando poder controlá-lo, só que descobriu que não podia."

"Não chamei! Juro que não!" protestou.

"Há pouco você disse o que eu já sabia. Talvez haja um pouco de verdade nas histórias dos dois. Não poderia matá-lo por desejá-la, caso contrário teria que matar-me, porque também sinto o desejo de possuí-la."

Ele aproximou-se para beijar a face de Esmeralda. Ela se enrijeceu ante o roçar da boca sobre os seus lábios. Ele estava acomodando o corpo sobre o dela. Ela virou a cabeça para se desviar do beijo leve e explorador.

"Não" protestou. O cobertor, entre os dois corpos, arranhava-lhe a pele.

"Este foi um dos motivos pelos quais não havia amor no meu coração quando a possuí." A voz estava abafada pelos cabelos dela e cheia de raiva. "O outro motivo era que sabia que Pepe tinha razão quando falou que você me tinha enfeitiçado. Durante três dias a sua imagem me perseguiu, leoa. À noite, era a lembrança da sua maciez junto a mim."

Os dentes mordiscaram-lhe a orelha, deixando-a toda arrepiada. Esta era a perícia sedutora que Esmeralda conhecia bem, o veludo sobre o aço. Estava sendo guiada de novo para o ato do amor, para ter satisfação, além de dá-la.

"Você me enfeitiçou, leoa" murmurou de encontro à boca da moça, ainda com um tom de rudeza na voz "fazendo-me desejá-la. É justo que eu faça que me deseje também."


Na manhã seguinte, quando ouviu Roxton levantar e se vestir, Esmeralda sentia-se tão exausta que sequer abriu os olhos, voltando a penetrar na sonolência reconfortante. Foi despertar na hora do almoço quando 'Angelo' chegou com uma bandeja de comida.

"Como se sente?" - Anita sentou em uma cadeira próxima à cama.

Esmeralda olhava para o teto, distante - "Não poderia estar pior!"

"Hoje cedo Roxton chamou a maioria dos homens e fomos para uma praia afastada" - Anita começou cautelosa. Esmeralda fitou-a imediatamente - "Dois homens apareceram trazendo Pepe e o amarraram a uma árvore. Roxton falou porque o marinheiro estava sendo castigado e, então, o açoitaram na frente de todos. Madrecita de Dios, tive que desviar os olhos para não vomitar. Foi horrível!"

Esmeralda fechou os olhos. Não queria mais pensar em Pepe nem em nada relacionado a ele. Já havia lhe causado sofrimentos demais.

"Ele foi trazido de volta ao navio" - Anita precisava terminar - "Não podemos dar um único passo em falso, me entende, Esmeralda? Ele estará aguardando por qualquer deslize nosso."

"Você quer dizer, qualquer deslize meu."

"Sim. Sinto muito."

A loira deu uma última olhada na amiga, que permanecia imóvel, e se retirou.


Após o dia cansativo, Anita sentia-se exausta. Entretanto, já se acostumara a despertar de madrugada, quando tinha certeza de que não seria surpreendida, para fazer sua higiene pessoal.

Sorriu ao ver duas camisas e uma calça nova que Gibraltar lhe trouxe da viagem, penduradas no arame que usava para guardar as roupas. O modesto quarto, bastante estreito, mal cabia a pequena cama e uma cadeira.

" 'Angelo', eu..." - Sorriu ao lembrar-se da expressão constrangida de Gibraltar ao entregar-lhe o embrulho de papel pardo. Anita o fitava com os olhos transbordantes de alegria por sua chegada, desejando que não se traísse, revelando seus sentimentos - "Eu... você sabe... vi que estava com poucas roupas e como trabalha para todos nós... É para você." - ele saiu rapidamente, evitando que ela pudesse sequer agradecer.

Ela desabotoou a camisa suja e desgastada, despindo-se. Desenrolou a faixa que firmemente envolvia os seios fartos e firmes. Fez o mesmo com calças, libertando os quadris arredondados e a cintura finamente esculpida de sua prisão masculina. Sentou-se sobre a cama, umedeceu um pedaço de tecido na bacia com água e começou a refrescar-se.

Em seu quarto, Gibraltar,refletia sobre as mudanças pelas quais todos os integrantes do grupo, talvez, tivessem que passar... Como sempre, ficava ansioso diante do saque iminente que fariam ao galeão espanhol. Além da proposta recebida por Roxton da própria rainha da Inglaterra, que poderia afetar a vida de todos.

Não conseguindo conciliar o sono e seus pensamentos, acreditou que talvez se sentisse melhor se caminhando um pouco no convés. Andou um pouco respirando ar puro.

"Será que 'Angelo' está acordado?" – pensou. O rapaz não era de falar muito sobre si, mas era um bom ouvinte e um conselheiro sensato.

Foi a passos silenciosos até o corredor que levava à cabine do 'garoto', e pareceu-lhe ver a luz débil do lampião aceso.

"Ele também deve estar sem sono." - Supôs.

Afastou a porta em silêncio, abrindo uma pequena brecha. Se o amigo estivesse dormindo, daria meia volta e retornaria para seus aposentos.

O que viu, deixou-o sem reação. Demorou alguns segundos para que a mente registrasse a informação e lhe enviasse a resposta, tentando dar algum sentido ao que lhe parecia, no mínimo, surreal.

Em pé, de perfil, uma mulher de corpo escultural levava um pano úmido à bacia d'água sobre a cadeira e, então, levava-o aos seios arredondados e fartos. Ainda que fizesse o gesto casualmente, sem o intuito de que fosse sensual, Gibraltar sentiu que ficava excitado. Deu uma boa olhada nas coxas grossas e fortes. Nas nádegas fartas e deliciosas.

"Mas de onde..." - somente então se fixou em seu rosto. O nariz delicado e empinado, os pequenos olhos azuis, os lábios finos, porém convidativos... ele conhecia aqueles traços.

"Meu Deus! 'Angelo'!!!"

CONTINUA...

Quero milhares de review para liberar o próximo, podem começar :D