CAPÍTULO VIII - Such A Rush (Tanta Pressa)
A Grande Mentira.
Dia 340 e as complicações aumentam...
Nessie voltou naquela noite, são e salva, e todos os irmãos de Emm reuniram-se no apartamento para comemorar seu retorno. O jantar foi uma ocasião festiva e barulhenta, e a pequena divertia-se muito com os tios.
Os problemas só começaram quando os convidados já estavam se
preparando para partir.
— Isso tudo é muito interessante — Peter comentou, segurando a mão de Rosalie e examinando sua aliança.
— É de verdade? — Jasper perguntou.
— Não se casou com o tal Will-William, não é? — Embry disparou.
— Ele não gosta de você, Rosalie, ou não a faria se vestir como um saco de batatas.
Emm forneceu a explicação que todos esperavam.
— A aliança está aí porque eu a coloquei em seu dedo — anunciou,
puxando-a para mais perto.
— Mas... É verdadeira? — Seth hesitou.
— Não, não é verdadeira, mas o pessoal do serviço social acredita que é. Se alguém descobrir que não somos casados, perderemos Nessie. Portanto, mantenham-se de boca fechada.
Jasper era o mais confuso.
— Quando começou essa história de casamento? Pensei que
estivessem apenas fingindo um noivado.
— Essa é a versão para a polícia — Embry interferiu. — Eles são
chefe e secretária, noivos para a polícia, casados para o serviço social e apenas bons amigos para nós.
— O que acham de utilizarmos uma espécie de resumo? Isso está
ficando muito complicado — Jasper reclamou.
Embry encarou Rosalie:
— O que quero saber é em qual categoria vocês se enquadram quando estão sozinhos.
— Talvez na de amantes apaixonados — Peter sorriu malicioso.
— Já chega — Emm irritou-se. — Saiam daqui, todos vocês. Nessie
acabou de dormir, e não quero que a acordem. Já temos dormido bem pouco sem a colaboração de vocês.
Desta vez os quatro saíram em silêncio. Sozinha com Emm, Rosalie
fitou-o com expressão preocupada.
— Acha sensato envolver seus irmãos nessa mentira? Já estou me
sentindo culpada o bastante sem isso.
— É mesmo? Sentia-se culpada quando fingia ser noiva de William?
— Era diferente — ela respondeu embaraçada.
— Por quê?
— Porque eu não estava tentando enganar a polícia ou o serviço social.
— Não. Só a mim. Ainda não explicou essa história, se lembra?
Ela afastou-se, sem saber o que dizer.
— Prefiro não tocar nesse assunto.
— Tem medo? Quer que eu imagine por que fez isso?
— Já conversamos sobre isso, Emm, e o jogo não acabou bem.
— Eu venci? Não consigo me lembrar — ele indicou com ironia.
— Acho que empatamos.
— Nesse caso, insisto num desempate.
Determinado, Emm aproximou-se e segurou-a pelos braços. Rosálie lutava contra o desejo que ameaçava dominá-la, mas era cada vez mais difícil resistir.
— Por favor... — gemeu, apoiando as mãos em seu peito.
— Acho que se disfarçou e usou esse anel de noivado como medida de proteção.
— Proteção? Isso é absurdo.
— Acho que não. Deve ter passado por uma péssima experiência com seu último chefe. Ele a assediou? — De repente sua voz havia adquirido uma nota de ternura que a desarmou. — Por isso teve todo esse trabalho para proteger-se? Por que pensou que eu poderia ser como ele? Sou capaz de compreender, e até de concordar. Mas por que prosseguiu com a mentira, mesmo sabendo que eu não era esse tipo de homem?
— Está enganado, Emm. Juro que não é nada disso.
— E depois de tantas mentiras, espera que eu acredite?
— Para sua informação, não havia contado nem meia dúzia de mentiras em toda minha vida até ingressar nas empresas Cullen!
— Pelo visto decidiu recuperar o tempo perdido!
— E você prometeu não me tocar, lembra-se?
— Sim, eu lembro — ele inclinou a cabeça, os lábios próximos dos dela. — Mas não pretendo cumprir essa promessa.
O beijo devastou suas resistências. Rosalie abraçou-o, dominada pelo incêndio que a consumia há dias e pelos sentimentos que jamais havia experimentado.
Retrocedendo alguns centímetros, ele abriu os primeiros botões de
sua blusa e empurrou-a por sobre seus ombros, revelando uma porção de pele macia e clara.
— Quero você, meu amor — sussurrou, depositando beijos sensuais ao longo de seu pescoço.
Apesar do coração disparado, Rosalie balançou a cabeça e agarrou-se ao que ainda lhe restava de sanidade.
— Não podemos. Não seria certo.
— Seria errado não vivermos o que estamos sentindo — ele
argumentou. — Qual é o problema? Já admitiu que não existe nenhum William. Seu emprego está garantido. Você me quer, e eu também a quero.
Emm colou o corpo ao dela, demonstrando o quanto a desejava. Rosalie não sabia por quanto tempo conseguiria resistir. Não sabia nem se ainda queria resistir.
— Isso é loucura — disse apavorada. — Nos conhecemos há quase um ano e nunca vivemos nada parecido antes. Pense bem... Estamos sob uma tensão monstruosa, forçados a conviver com circunstâncias difíceis... Deve ser uma reação involuntária, ou algo parecido.
— Está brincando, não é? Reação involuntária? — Ele riu.
— Estou falando sério. Isso tudo é conseqüência da situação que
estamos enfrentando, e não de um desejo verdadeiro por... Você sabe.
— Acontece que eu realmente quero... Você sabe. E se não puder
satisfazer... Você sabe, rapidamente, acabarei fazendo algo drástico, como arrancar os botões de sua blusa com os dentes, por exemplo.
— Emm!
— Preciso ser mais claro? Quer que eu descreva com detalhes o que quero fazer com você?
— Aonde tudo isso vai nos levar? — Ela suspirou desanimada.
— Para a cama.
— Não foi isso que perguntei. Está interessado em casamento, ou só deseja um romance passageiro? Um caso, como dizem por aí?
— Quer uma resposta honesta?
— Seria interessante.
— Quero fazer amor com você. É o máximo que posso afirmar nesse momento.
— Entendo.
Rosalie desviou os olhos dos dele, tentando esconder a tristeza. Emm havia sido delicado, mas deixara claro que procurava uma amante, não uma esposa, e esse era um papel para o qual não estava preparada. Devagar, livrou-se dos braços que a enlaçavam e afastou-se alguns passos enquanto fechava a blusa.
— Rosalie?
— E quanto ao meu emprego? Esse tipo de relacionamento não
costuma durar muito. O fim é inevitável, e geralmente rápido.
— Qualquer que seja nossa decisão sobre um envolvimento físico e
afetivo, acho que não podemos mais trabalhar juntos. Há uma vaga no nível de supervisão administrativa, e já estava mesmo pensando em indicá-la por ocasião de sua avaliação anual. A mudança seria uma promoção. Mais dinheiro, maior potencial de progresso...
Rosalie não esperava por esse tipo de notícia, e não podia negar que se sentia tentada a aceitar a oferta. Mas tinha de pensar na Baby Dream. E por que de repente isso se tornara tão difícil?
— Preciso de algum tempo para pôr as idéias em ordem — disse. — Prefiro não fazer nada de que possa me arrepender enquanto estivermos cuidando de Nessie.
— Quer esperar até Edward e Bella voltarem? É isso?
— Exatamente.
— Isso não acontecerá antes do feriado de Ação de Graças.
Uma semana...
— O quê? — Ela espantou-se.
— Desculpe, já devia ter avisado, mas... Acho que estava pensando em outras coisas. Edward telefonou pouco antes de meus irmãos chegarem. Ele e Bella ainda estão na Itália, e decidiram esperar até que a mãe dela se recupere. Parece que já conseguiram conversar com mais tranqüilidade, mas ele ainda não foi capaz de convencê-la a aceitar o pedido de casamento.
— Mas... Sete dias, Emm! Quando Carlisle volta para casa?
— Na semana seguinte ao feriado de Ação de Graças.
Sem perceber, Emm estava pedindo que sacrificasse tudo que havia conquistado com muito esforço. E em troca de quê? De um caso! Algumas semanas de paixão. Não podia aceitar. Sua resposta deveria ser óbvia... E seria, não fosse por um pequeno detalhe. Queria esse envolvimento tanto quanto ele.
— Rosalie?
— Preciso de tempo — ela respondeu, tentando manter a calma. —
Assim que nossas vidas voltarem ao normal, eu lhe darei uma resposta.
— No dia de Ação de Graças.
Depois de uma breve hesitação, ela concordou.
— Sim, no dia de Ação de Graças.
— E até lá?
— Não deverá me tocar. Nem um beijo, nem mesmo um abraço. Não quero ser seduzida e levada a tomar uma decisão de que possa me arrepender.
— E se eu não concordar?
— Então terá de explicar ao pessoal do serviço social por que sua
esposa não vive com você.
Os cinco dias seguintes foram os mais longos da vida de Rosalie. Agora, a quarenta e oito horas do prazo estabelecido, sentia um estranho vazio ao pensar que seus dias na Cullen estavam chegando ao fim. Emm não tentara tocá-la, o que só havia servido para estender a frustração a limites quase intoleráveis. Como resultado, não sabia se devia agradecer por ele ter cumprido a promessa ou agredi-lo por tê-la privado daquilo que mais desejava. Mas, como havia estabelecido as regras do jogo, não tinha outra alternativa senão segui-las.
Como gostaria de poder conversar com seu pai, ouvir seus conselhos sensatos e esclarecedores. Mas não conseguira encontrá-lo nas duas últimas semanas e, apesar dos recados deixados em sua secretária eletrônica, continuava com dificuldades para localizá-lo.
A campainha tocou.
— Emm! — Ela chamou, terminando de trocar a fralda de Nessie. — Deve ser a assistente social. Pode abrir a porta?
— Já estou indo! — Ele respondeu no mesmo tom.
Rosalie terminou de vestir a pequena e levou-a para a sala.
Emm parecia apressado, e um olhar para aquele rosto bastou para que ela concluísse que as notícias não eram nada boas.
— Rápido! — Ele sussurrou, tomando Nessie de seus braços e correndo com ela para o quarto de hóspedes. Lá, acomodou-a dentro de um cesto de roupas limpas que deixara sobre a cama. — Venha comigo.
— Não pode deixar o bebê aí dentro! Emm! O que está havendo?
Sem responder, ele correu para o próprio quarto levando o cesto.
Rosalie o seguiu. A campainha soou novamente, estridente e aguda. Abrindo a porta do armário, Emm afastou vários pares de sapatos e colocou o cesto no chão. Nessie resmungava feliz. Empurrando Rosalie para dentro do armário, ele fechou a porta.
— Fique aí — ordenou. — Não saia e não faça nenhum barulho.
— Emm! — Ela chamou, abrindo a porta. — O que está acontecendo?
O toque da campainha repetiu-se, mais insistente e urgente.
— Meu pai chegou. Fique quieta e não saia daí enquanto eu não voltar — ele repetiu, empurrando a porta.
— Carlisle está aqui? — Rosalie assustou-se, abrindo-a novamente. — Mas ele só deveria voltar na próxima semana!
— Não tenho tempo para discutir esse assunto agora. Papai não pode saber sobre Nessie antes que Edward e Bella estejam casados, ou não hesitará em deserdá-lo. E isso quer dizer que vocês duas terão de ficar escondidas.
— Isso eu já entendi. Mas por que aqui? Por que não no quarto de
hóspedes?
— Porque este é o único lugar seguro da casa. Papai não vem ao meu quarto desde a última vez que entrou sem bater e surpreendeu a empregada arrumando minha cama — e fechou a porta.
Rosalie abriu-a mais uma vez.
— O que há de errado em surpreender uma empregada arrumando a cama?
— Ela estava nua. Pelo amor de Deus, entre nesse armário e fique
quieta, sim? — Agora a campainha ecoava ininterruptamente. — Se sair daí mais uma vez, juro que a apresentarei como minha esposa e direi que Nessie é sua filha!
Rosalie encolheu-se dentro do armário e puxou a porta com força
surpreendente. Era inacreditável, mas Nessie havia adormecido. Como alguém podia cochilar no meio de toda essa confusão, e dentro de um cesto de roupas?
Os bebês são realmente criaturas estranhas...
Podia ouvir a voz potente e furiosa falando na sala de estar. Carlisle estava gritando!
— Já pedi desculpas — Emm respondeu, mais calmo do que se
podia esperar. — Por que não avisou sobre sua chegada?
— Porque queria fazer uma surpresa para o dia de Ação de Graças.
Telefonei para o escritório, mas disseram que está trabalhando aqui no apartamento. Por quê?
— Porque me pareceu uma boa idéia.
Houve um longo período de silêncio, e Rosalie podia imaginar a
expressão intrigada de Carlisle.
— Há uma mulher aqui, certo? — Ele disparou. — Por isso demorou tanto a abrir a porta. Onde a escondeu?
Rosalie encolheu-se ao lado do cesto de roupas.
— Na verdade, tenho duas mulheres aqui — Emm respondeu. — Uma loira e uma morena.
Agora Carlisle explodiria e sairia revistando cada canto do apartamento!
Assustada, esperou ouvir seus passos no interior do quarto, mas, em vez disso, o som que chegou a seus ouvidos foi uma gargalhada estrondosa.
— Essa foi boa, Emmett! Quase acreditei em você!
— Não quer ir revistar o quarto? Eu as escondi lá.
Agora ele havia enlouquecido! Em pânico, Rosalie cobriu a boca com uma das mãos para conter um grito.
— Já pedi desculpas por aquele pequeno incidente — Carlisle finalmente suspirou. — A jovem perdoou-me, embora você nunca tenha esquecido.
— Vamos mudar de assunto, está bem? — Emm sugeriu.
— Era o que pretendia dizer. Onde está Rosalie? Perguntei por ela no escritório e disseram que ela também estava fora.
— Ela tirou o dia de folga. Ultimamente tem trabalhado demais, e
achei que já era hora dela descansar um pouco.
— Rosalie é uma boa moça. Gosto muito dela.
— Devo admitir que ela é muito melhor do que as aparências sugerem.
Carlisle riu:
— Suas palavras são mais verdadeiras do que imagina.
— Não aposte nisso — Emm respondeu com tom seco. — Como foi a viagem à Itália? Sentimos sua falta.
A conversa amena fez com que as vozes baixassem de tom, e Rosálie relaxou. Desta vez escapara por pouco. Se Carlisle houvesse entrado no quarto e descoberto seu esconderijo... Não queria nem pensar. Mas um dia teria de encará-lo, e não poderia simplesmente fingir que esse ano transcorrera sem qualquer dificuldade. Teria de ser honesta e revelar os fatos dos últimos dez dias.
Se ele decidisse não cumprir o acordo, não poderia fazer nada.
Afinal, havia sido a primeira a não cumprir sua parte no trato, e quando tomasse conhecimento dos fatos, Carlisle teria todo o direito de voltar atrás em sua oferta.
Bem, poderia sobreviver sem a loja...
Mas e quanto a Emm? Ele também descobriria toda a verdade sobre seu disfarce e os motivos que a levaram a adotá-lo. Carlisle revelaria os fatos verdadeiros ao filho, e isso era inevitável. E como Emm reagiria?
Podia imaginar. Perderia o emprego, não seria mais indicada para a vaga de supervisão, e o romance entre eles terminaria antes mesmo de começar.
Abafando um soluço, decidiu que já era hora de encarar os fatos. E a verdade era que, em algum momento, apaixonara-se perdidamente por Emmett Cullen. E por mais que sentisse a perda da Baby Dream, sofria ainda mais com a possibilidade de nunca mais vê-lo.
Sozinha e deprimida, trancada num armário escuro, Rosalie encarou a destruição de todos os seus sonhos. E por mais que se esforçasse, não conseguiu conter as lágrimas quentes que correram por seu rosto.
Emm acompanhou o pai até a porta e consultou o relógio.
— É bom tê-lo novamente em casa, papai, obrigado pela visita.
— É bom estar de volta. Decidi vir antes para reunir toda a família no jantar de Ação de Graças. Acha que será possível?
— Sim, é uma excelente idéia — Emm sorriu, abrindo a porta. Uma
jovem usando roupas formais estava parada diante dela, o dedo próximo da campainha.
— Oh... Você me assustou! — Ela exclamou. Em seguida estendeu a mão. — Sou a Srta. Victoria Lysacek, sua...
— Minha massagista! — Emm a interrompeu, agarrando sua mão e
puxando-a para dentro do apartamento. — Finalmente!
— Não, eu...
— Uma loira, uma morena, e agora uma ruiva — Carlisle comentou
sorrindo. — Sabia que estava tramando alguma coisa.
Emm passou um braço sobre os ombros da assistente social, que
parecia mais chocada a cada segundo.
— Nunca consegui enganá-lo. Conversaremos mais tarde, papai — e fechou a porta.
A Srta. Victoria Lysacek afastou-se indignada e encostou-se à porta, vermelha e ofegante,
— Não sou sua massagista!
— Não? — Emm devolveu com tom surpreso.
— Não! Sou Victoria, do serviço social. Por acaso é o Sr. Cullen?
— Em carne e osso. É um prazer conhecê-la.
— Eu... Sou a responsável por seu caso. Tem certeza de que é mesmo Emm Cullen? Casado com Rosalie Cullen?
— Isso mesmo.
Não devia tê-la apresentado como sua massagista, mas havia sido a única idéia que lhe ocorrera no momento. Se fosse esperto, trataria de livrar-se dela antes que encontrasse Rosalie e Nessie escondidas no armário.
O serviço social levaria o bebê imediatamente, se isso acontecesse.
— Sinto muito, mas Rosalie e Nessie não estão em casa — disse,
empurrando-a na direção da porta. — Por que não volta amanhã?
O choro de bebê atravessou toda a extensão do apartamento e
chegou até o corredor.
— Se sua esposa saiu com o bebê, quem está chorando? — A
assistente social sorriu.
Antes que pudesse detê-la, ela voltou para o interior do apartamento e seguiu o som do choro de Nessie, hesitando diante do armário do quarto.
Depois de envolvê-lo num olhar chocado e incrédulo, ela abriu a porta.
Rosalie estava sentada no chão, segurando o bebê junto ao peito, ao vê-los, ela piscou várias vezes para adaptar os olhos sonolentos à luz.
— Trancou sua esposa e sua sobrinha no armário? — Victoria
indignou-se.
— Não, eu... Meu pai... Rosalie... — e abriu os braços num gesto de
resignação. — É uma longa história.
— Tenho todo o tempo do mundo — a assistente social respondeu,
cruzando os braços sobre o peito.
Rosalie deixou Nessie dentro do cesto de roupa e levantou-se, mas as pernas dormentes a obrigaram a apoiar-se em Emm.
— Minhas pernas... Quanto tempo seu pai ficou aqui?
— Noventa minutos. Os mais longos de toda minha vida.
— Meu Deus... — ela gemeu, passando a mão pelo rosto marcado pelas lágrimas. — Olá, sou Rosalie... Cullen — apresentou-se.
— Victoria Lysacek. Posso saber se você e esse bebê sempre se
escondem dentro do armário?
— É a primeira vez, que eu saiba — Emm interferiu. — A menos que ela tenha estado em outros armários. Rosalie?
— Só um, quando eu tinha doze anos.
— Por favor, vamos nos ater a esse armário em especial, sim? Por que estava escondida dentro dele? — Victoria insistiu.
— Para impedir que Carlisle, o pai de Emm, nos encontrasse.
— Meu pai não sabe sobre a existência de Nessie — Emmett explicou. — Na verdade, ele não sabe que Rosalie e eu nos casamos. Nós... Fugimos enquanto ele estava na Itália. E até que eu conte a verdade...
— Sua esposa e sua sobrinha terão de esconder no armário?
— Na próxima vez usaremos o banheiro — Rosalie ofereceu.
— Acha que assim é melhor? — Talvez fosse melhor dizer a verdade — Victoria Lysacek respondeu sem hesitar. — Acho que isso também explica a maneira estranha com que me recebeu, não?
— Sinto muito — Emm abaixou a cabeça, tentando esconder o sorriso divertido. — Não podia apresentá-la a meu pai. Além do mais, ele já havia deduzido o pior sobre sua presença. Peço desculpas se a ofendi.
Um rubor tingiu o rosto da assistente social e Rosalie compreendeu
que o famoso charme dos Cullen surtia efeito mais uma vez.
— Isso tudo é altamente irregular — Victoria balançou a cabeça.
— Tem razão. O que acha de começarmos novamente? — Emm sugeriu. — Vamos até a cozinha para uma xícara de café, e depois lhe mostrarei o apartamento e responderei todas as perguntas. Café, Rosalie?
— Seria ótimo.
Rosalie retirou Nessie do cesto de roupas e acompanhou-os até a cozinha com o bebê nos braços. Mais uma vez, Emm conseguira safar-se de uma situação difícil. Como gostaria de ter esse dom! Seria um instrumento absolutamente útil nos próximos dias.
Por quanto tempo poderia continuar vivendo uma mentira? Talvez
fosse melhor confessar toda a verdade a Emm assim que a Srta. Lysacek se fosse. Seria franca com ele, como pretendia ser com Carlisle. Mas como Emm reagiria? Compreenderia as razões que a haviam levado a enganá-lo?
Suspeitava que não. Na melhor das hipóteses, as revelações mudariam seu relacionamento, e não estava preparada para isso.
— Rosalie?
Assustada com o som da voz dele, ela levantou a cabeça e forçou um sorriso. Talvez fosse melhor tomar uma xícara de café quente e forte para clarear as idéias. Não tinha pressa, certo?
Podia refletir antes de tomar qualquer decisão. Deixaria para reconsiderar suas opções no dia seguinte, depois de uma boa noite de sono.
Sabia que os problemas não seriam menores no dia seguinte, mas pelo menos teria mais algumas horas para sonhar.
(/NA: Such A Rush - Coldplay)
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Muito obrigada pelas reviews... AMO recebê-las... Desculpa por não ter respondido elas dessa vez... No próximo capítulo eu responderei... *--*
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Sei que demorei... e peço desculpas... mal chegeui de viagem e jah to atolada de trabalhos da escola... (jah tenho trabalho para o 3º bimestre... O.o)
Desculpa a demora.. prometo que o próximo não vai demorar tanto... *--*
Bjos!!
