Capítulo 9
- Eu não estava dormindo. – Respondeu aborrecido.
- E o que fazia com os olhos fechados? – Perguntou Nick, com um sorriso gaiato no rosto.
- Estava pensando. Penso melhor com os olhos fechados...
- Sei, sei... – disse Nick, como quem não acredita.
- Verdade! – Insistiu o outro. – Interrogaremos o Sr. Chen, hoje, espero que a gente descubra alguma coisa que valha a pena!
Já fora do carro, agradeceu a Nick pela carona, entrou no prédio e foi direto â sala de interrogatório, esperar por Joe Chen. Não teve de esperar muito e, o chinês chegou, acompanhado de seu advogado. Brass chegou logo atrás, sem fôlego, como alguém que tivesse corrido...
- Desculpem, meu atraso – excusou-se Brass, meio ofegante.
Entraram na sala e sentaram-se imediatamente. O capitão consultou uma papelada, que trouxera.
- Bem, Sr. Chen, o senhor havia me dito, que chegou em casa, viu o terrível quadro e após uma rápida verificação, telefonou para a polícia.
O chinês assentiu, com a cabeça.
- Meu amigo e investigador aqui, descobriu dois vizinhos que afirmam que, você não saía de casa, nas noites de quarta-feira e que tinha luz acesa em sua casa, naquela noite...
- Vai acusar meu cliente de algo? – Perguntou o advogado.
- Calma! Estamos só conversando... – Retrucou Brass.
- Saí por um motivo sério; e a luz acesa, bem, sempre deixamos uma luz acesa, ao sairmos.
- Entendo... E onde foi? – Indagou o capitão.
O chinês deu um sorrisinho meio torto.
-Eu não me lembro, estava em estado de choque, lembra?
- Em estado de choque Sr. Chen, não tinha levado uma paulada na cabeça! – Ajuntou o capitão, cujo pavio, sempre foi curto.
- Meu cliente está sendo acusado de alguma coisa? Por que se não, vocês não poderão mantê-lo aqui, sabem disso, não?
Grissom quieto, até então, só observando as reações do chinês, resolveu se manifestar:
- Estamos interrogando o Sr. Chen, isto é legal, não? – Dirigindo-se ao chinês, perguntou. - O senhor nasceu na América?
- Não, nasci na China.
- Formosa, quer dizer...
- Não China comunista, mesmo. Julia que era de Formosa.
- Vocês se casaram lá?
- Não, conheci Julia lá, mas só nos casamos, quando viemos pra América!
- O senhor parecia ter uma certa liberdade lá, não?
- Eu era fiscal aduaneiro, o que me dava uma certa liberdade, sim!
- Vieram legalmente pra cá?
- Julia sim. Eu não!
- Continua ilegal, Sr. Chen?- Perguntou o capitão.
- Não. Viver ilegalmente é ter uma serra, pairando em seu pescoço constantemente.
- É cidadão americano há muito tempo?
Grissom assumia o interrogatório, novamente, e o chinês olhava intrigado para o forense, que perguntava tanto sobre um assunto, que não tinha nada a ver com as mortes. Seriam os dois, agentes do serviço de imigração? Como que adivinhando, Grissom, falou:
- Acalme-se! Não somos da Imigração.
O chinês voltou a aparentar a tranqüilidade costumeira. Taí uma coisa que Grissom apreciava nos orientais: a capacidade de ocultar suas emoções e reagir diferente dos ocidentais, diante da morte. Nem parecia que ele tinha perdido a mulher, recentemente.
- Há uns vinte anos. Me casei por esse tempo, também. O que eu me lembro é paguei bastante por isso.
- Podia ter feito de graça sabia? – Informou Brass.
- Sim, eu sei! Mas não era tão rápido, nem tão seguro...
- Por que tanta pressa, Sr. Chen? – Perguntou Grissom, arqueando a sobrancelha.
-Íamos abrir o mercadinho; precisávamos ter a papelada em ordem.
- Humm... Foi uma grana preta, não? – Admirou-se o capitão..
- Sua esposa era abastada? – Inquiriu Grissom, pensativo.
- Julia, não! Ela era filha de camponeses, que não tinham onde cair mortos!
-E aonde arrumou tanto dinheiro, de repente?
- Tínhamos nossas economias...
-Como podiam juntar alguma coisa? Afirmou que sua mulher, não tinha posses e ao que eu saiba o salário de fiscal aduaneiro não era uma fortuna, naquela época, como não é hoje - explicou Grissom.
- Aonde o senhor quer chegar? - Perguntou o advogado.
- A lugar nenhum, só estava curioso, pra saber aonde ele teria conseguido tanto dinheiro, de repente!
- Muito bem: escutem os dois. Se não fizerem perguntas pertinentes àquela noite, aconselharei meu cliente, a não responder mais perguntas. Fui claro?
Brass e Grissom balançaram a cabeça, concordando. O capitão tirou do meio da papelada, fotos de Don e Elizabeth. Mostrou-as ao chinês.
- Conhece esses dois? Julia mencionou alguma vez os nomes Don Cornell e Elizabeth Hamlish?
O chinês mal olhou as fotos, e já disse que não conhecia ninguém. Tal displicência, não passou despercebida a Grissom, e pelo visto, nem a Brass, que falou que ele era suspeito pela morte de Don Cornell; ficaria detido, para uma acareação com os vizinhos e se saber ao certo, das reais intenções de Cornell.
- Já não está claro, que aquele desgraçado, queria nos roubar? Minha mulher morreu por isso. – Revoltou-se o chinês.
- Só sabemos que Cornell estava vivo até a hora do telefonema á polícia. – Olhou bem duro para Chen. – Omissão de socorro é crime!
- Mas ele queria nos roubar...
- A intenção dele e da Sra. Hamlish ainda não estão claras. Nada foi roubado!
- Sabe, que se não tiverem nada mais substancioso, terão de soltá-lo, certo?- Falou o advogado.
-Estou perfeitamente ciente disso – retrucou Brass.
Na saleta, ao lado, Sara acompanhava o interrogatório. Pelo seu rosto, também achava que Chen estava sonegando informações à polícia. Mas como descobrir a verdade? Se Don estivesse vivo, talvez pudessem saber a resposta...
Estava pensando em muitas coisas, quando Nick chegou.
- E, então, como foi o interrogatório?
