- Como é que é? Vocês não podem sair assim! - reclamou Liv.
- Eu preciso voltar para New York. Acho que dei tudo o que tinha que dar por vocês. Conseguirão se virar sozinho sem mim. Sinto muito - disse Edward.
- Mas... - Liv tentava conter as lágrimas. Lione a abraçou.
- Calminha. Ficaremos bem.
Ada já tinha arrumado suas coisas. Eles partiriam de carro e pegariam a estrada.
- Obrigada por tudo, camarada! - agradeceu Derek.
- Deixei dinheiro para o Lione comprar um carro pela manhã - disse Eddie.
Depois de abraços e despedidas, Ada e Edward entraram no carro e partiram.
Já era madrugada quando Liv sentiu fome. Levantou-se e foi até a cozinha. Notou um odor incomum. O recinto estava cheiroso, e não com o cheiro de mofado de antes.
- Que diabo... - disse Liv, se agachando e pegando a pistola dentro do frigobar.
Levantou-se e apontou sua arma para as sombras. Não havia nada lá.
"Acho que estou abalada pela partida do Eddie e da Ada" - pensou ela.
Imersa em seus pensamentos, um copo estourou ao lado dela. Se abaixando, viu uma bala no chão. Não demorou muito até que um vulto fosse para trás do balcão. Liv atirou no peito dele e acendeu a luz. Era o uniforme da equipe tática da prisão.
Ela gritou e chamou por todos. Mas não deu tempo deles chegarem até ela. A casa foi invadida pelos policiais e um tiroteio começou. Lione pegou sua Shotgun e correu para sala. Viu Liv agachada atrás do balcão da cozinha.
Derek veio logo atrás com seu rifle.
- Eles nos descobriram - gritava Liv.
Os três ex-presidiários faziam o que podiam contra os vários homens armados.
- Que barulho foi esse? - perguntou Derek.
- Barulho? Que barulh...
Lione conseguiu ver claramente um míssil atravessando a janela. Rapidamente correu e se agachou no fundo do corredor.
- LIV!!! - gritou Lione.
- Os caras são sem noção! Explodiram a cozinha sendo que os próprios policiais deles estavam aqui.
A essa altura, Lione já não se importava se ia tomar um tiro ou não. Correu pela cozinha em chamas, chamado por Liv a todos os pulmões. Mas não a encontrou.
- Acho que eles foram embora - disse Derek, olhando pela janela.
Muitos destroços se espalharam pelo chão. Uma parede inteira desmoronou no local onde a norueguesa estava.
Derek viu que o fogo estava tomando forças depressa e disse:
- Vamos Lione, se não viraremos churrasco grego!
- Não! Eu vou achar a Liv - dizia ele, retirando grandes pedaços de concreto com as mãos.
- Eu não vou ficar aqui sem fazer nada. Tô vazando, recomendo que você faça o mesmo - disse Derek, que com esforço saiu da casa em chamas.
Em sua busca pela amiga, Lione já estava sentindo as chamas cada vez mais próximas e tossindo muito. Mas ainda bem que ele não seguiu Derek - viu as delicadas mãos de Liv entre os destroços. Como uma injeção de adrenalina, Lione trabalhou cada vez mais rápido até livrá-la de todos os obstáculos.
As chamas aumentavam e a saída já estava fechada pela parede de fogo. Tossindo, pegou Liv no colo e foi para um dos quartos. Por sua sorte, Derek tinha deixado a janela aberta. Mantendo-se em pleno controle, não deixando o desespero o dominar, Lione conseguiu colocar Liv do lado de fora e em seguida pulou a janela do térreo.
Lione chamou pela amiga diversas vezes. Ela tinha respiração fraca.
- Lembre-se do Alex e do pequeno Stefan, você não quer vê-los de novo?
- Stefan... - sussurrou Liv.
- Isso mesmo, garota! Agüente firme que chamarei uma ambulância.
Pegou o celular que estava no bolso e notificou sobre o incêndio. Ao ouvir as sirenes, Lione deixou Liv nos fundos da casa e pulou o muro para a casa do vizinho. Naquele momento várias pessoas estavam na frente da casa, observando a casa virar pó.
O amigo fiel entrou na casa vizinha. Por sorte, os habitantes provavelmente estavam vendo o incêndio. Lione foi até uma janela e viu os paramédicos aplicarem os primeiros socorros na vítima.
- Ahhhhhhhhh! - gritou uma adolescente, vendo um estranho em seu quarto.
Lione imediatamente correu e tampou a boca da garota. A levou consigo até a janela. Viu os paramédicos colocarem Liv na ambulância. Ele sorriu, satisfeito.
- Eu vou te soltar, não grite se não eu te mato! - disse Lione, forçando um tom ameaçador.
Concordando com a cabeça, Lione soltou a garota, que saiu correndo, gritando pelos pais.
- Cuidado, pai. Esse cara parece ser perigoso - advertiu a garota.
Chegando no quarto, a família não viu nada além do vidro da janela quebrado e seus pedaços espatifados no chão. A menina se aproximou da janela e viu um pequeno bilhete pendurado no vidro.
Estava escrito: Obrigado.
A menina sorriu e pensou:
"Ele até que era bonito..."
